sexta-feira, 15 de junho de 2018

Das Incapazes

De há uns anos a esta parte temos um certo tipo de gente, perigosa esquerdalha, naturalmente, que tem por missão de vida policiar as palavras e pensamento alheios. Enchem a boca com a palavra democracia e no entanto não fazem a mínima ideia do seu significado. Democracia, para eles, passa por agir de acordo com os seus bizarros conceitos. Ora são os livros para meninas e meninos que limitam o potencial profissional da mulher, retirem-se pois os malvados livros do mercado! Antes disso era o cartão de cidadão que (des)elevava a mulher a uma sub-categoria qualquer de não cidadã, mudem-se já os cartões! Depois é um anúncio com uma mãe a chamar princesa à filha, e é um Deus nos acuda que isto de chamar princesa às nossas meninas faz delas umas fúteis dondocas, incapazes de aspirar a uma profissão de destaque. Repare-se que, para esta gente, a mulher tem de aspirar a ser política, directora ou médica, não lhe basta ser professora, bancária ou outra coisa qualquer, mulher que é mulher tem de ter posição de destaque, pelo caminho não interessa nada que se desvalorize uma infinidade de profissões dignas. Pelo meio ainda dizem que a maneira de a mulher alcançar a igualdade passa por proibir os homens de votar, num atentado a toda e qualquer igualdade. Defendem a legalização do aborto ou eutanásia com unhas e dentes mas não os preocupa que gente abastada possa comprar filhos nos EUA ou Brasil, alugando para isso o útero de mulheres pobres, reduzindo-as a um mero objecto, tampouco os ouço falar em investir em cuidados paliativos que não estão ao alcance de mais de metade da população. Querem abrir as portas da Europa à migração massiva de pessoas oriundas de África e Médio Oriente, sem qualquer preocupação com a sua cultura ou costumes que, essa sim, menoriza e retira direitos fundamentais às mulheres. A última imbecilidade vem daquela actriz cheia de glamour que foi a Catarina Martins, escolheu o dia de Portugal para vir dizer (outra vez) que os portugueses se deviam envergonhar muito do seu passado esclavagista, que somos uns malvados, filhos de gente cruel que, enfim, os Descobrimentos são a vergonha nacional.
Eu sei que, como qualquer pessoa que discorde do que estes alarves dizem e pensam, não passo de uma fascista nazi rendida ao liberalismo conservador mas, ainda assim, atrevo-me a dizer que a Catarina é de uma ignorância atroz, ou isso ou é profundamente desonesta, até uma criança percebe a importância da História para a humanidade em geral, qualquer néscio sabe que não se podem qualificar comportamentos de há 500 anos à luz dos costumes e ética actuais. Ainda por cima a ignorante Catarina não sabe mas eu explico-lhe, a gente a quem ela quer abrir portas ao desbarato foi no passado quem mais escravizou pessoas, e inclusive continua, em pleno século XXI, a escravizar paletes de gente, já Portugal foi dos primeiros países a abolir a escravatura, há umas centenas de anos. Uma pena que para a Catarina também seja desconhecido o facto de o regime trotskista que ela defende ser responsável pela morte de mais de cem milhões de pessoas, nunca a ouvi dizer que o assassínio em massa é uma vergonha, vá-se lá saber porquê.
A pessoa vai ouvindo imbecilidade atrás de imbecilidade e vai encolhendo os ombros mas começa a ser complicado ouvir estas ditadorazecas ignorantes que para pouco mais servem que desbaratar o erário público com conferências milionárias sobre igualdade de género, enquanto elevam a mulher à categoria de desgraçadinha vítima do misógino homem e incapaz de falar / pensar por si própria, sem lhes dizer para irem policiar mas é o c. Isso mesmo.

76 comentários:

  1. Há 500 anos os portugueses desembarcaram nas costas Africanas munidos de caça-borboletas gigantes e aí foram eles caçar escravos que depois exportaram para todo o mundo. Até porque as tribos que lá habitavam não faziam prisioneiros de guerra para depois venderem, pois que viviam em harmonia, nem sabiam o que era isso de lutar a capturar inimigos para trocar pelo que lhes fosse conveniente...

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    1. Os costumes antigos são, aos olhos de hoje, bárbaros. É assim com a quase totalidade da humanidade. É simplesmente parvo envergonharmo-nos da história, foi o passado que nos conduziu ao presente.
      Já dizer que os portugueses inventaram a escravatura é só ignorante.

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  2. Certo dia, era eu uma aspirante a foto jornalista, fui fazer uma reportagem sobre a entrega de um prémio a um escritor de renome da nossa praça. Passei grande tempo em amena cavaqueira com a esposa do senhor, que era uma mulher super interessante. A dada altura pergunto-lhe qual a profissão, ao que ela me diz que tem a melhor profissão do mundo, mas a mais ingrata também e a que algumas pessoas até têm vergonha de dizer. Eu fico a olhar para ela de sorriso amarelo à espera da resposta para tal enigma: dona de casa.

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    1. Isso, para as Bloquistas é quase uma heresia, acreditassem elas em Deus. Mulher não pode optar por ser dona de casa, tem que ser gestora de topo e mais nada.

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  3. Passo por aqui todos os dias. Confesso que é quase um vício vir espreitar, essencialmente as caixas de comentários. Hoje deparo-me com este texto e... tiro-lhe o chapéu. Texto brilhantemente escrito e que subscrevo em absoluto. Farta destas capazes que mais não fazem do que envergonhar a classe feminina... e alguém que dê que fazer à RFR, já não há quem a aguente...

    Rita

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  4. And the crowd goes wild! Clap clap clap!!!

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  5. concordo a 100%. as pessoas que mais me raivinha me dao quando começam a falar é a Catarina Martins e as irmas Mortagua.

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    1. E a Isabel Moreira? Pobre Adriano Moreira, é o que lhe digo.

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  6. Aqui está escrito o que eu penso há muito destas pessoas, todos os dias inventam qualquer indignação completamente inútil!

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  7. ..Isto de ser português "setentinha", como eu, com a História de Portugal à "cabeceira", é uma "chatice" :-) . Parabéns pelo texto

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    1. Carlos, eu não acredito que a Catarina desconheça a história a este ponto. Isto é só mais uma das muitas lavagens cerebrais que esta gente teima em fazer.

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  8. Podia enviar lhes este texto . A picante anda a escrever pouco mas quando escreve :)

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  9. Pipocante Irrelevante Delirante15 de junho de 2018 às 19:11

    "Depois é um anúncio com uma mãe a chamar princesa à filha, e é um Deus nos acuda "

    Quê??

    A Catarina o quê?

    Felizmente sou um inculto, não faço a mínima do que passa.

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  10. Parabéns Picante, pela excelência de texto, pelas palavras exactas nas linhas certas. Conseguiu amplificar tudo o que penso e que sinto, o que defendo há uma série de anos. Sou uma sufragista nata e nunca fui obtusa, desigual ou truculenta como as feministas o são muita vez. E há uma coisa que tenho mesmo que mencionar é que existem muitas feministas que ganham dinheiro com as crónicas e que "combates" que publicam. Abraço.

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    1. Elas ganharem dinheiro com o que escrevem não me preocupa nem um bocadinho. Já tentarem obrigar toda uma sociedade a fazer o que querem é que me aborrece um bocado valente.

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    2. Penso igual. Fez-me imensos sorrisos, Picante. Abraço.


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  11. Quinze a zero às capazes ( capazes de quê já agora???) , à Martins e às Mortágua. Não podia concordar mais.

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  12. Na verdade, nem sequer é uma postura original: cada geração está convencida da sua superioridade e exibe orgulhosamente o seu desprezo pelo passado.
    Essas meninas (com idade para já terem mais juízo) pensam que se forem todas do mais politicamente correcto, lutam contra uma espécie de preconceito de classe, pois são «modernas» e «já não se usa» ser incorrecto.
    Hipocrisia é o nome: estas meninas vão de férias ao estrangeiro, pelo menos, duas vezes por ano, têm carros e comem comida vinda de supermercados enrolada em mais plástico do que a Laura Palmer. Votam e representam governos que matam pessoas por petróleo, suportam empresas que delapidam os recursos naturais e destroem ecossistemas. Enchem as casas e os feeds do Instagram e do Facebook com engenhocas (gadgets, diz-se gadgets) que acabam em aterros seis meses depois. Têm dois, três, quatro filhos porque viram pessoas que pareciam gostar de ser pais na capa da Caras, ou da Flash. E reciclam o raio das latas de atum e vão no seu último modelo híbrido ao vidrão despejar as garrafas daquele vinho chileno ou australiano ou italiano, ou qualquer outro país que uma blogger indique nessa semana (mas só nessa semana, está bem?). E pregam, ó se pregam, porque terem a fitinha da doença da semana (ou a Pandora correspondente) e plantarem uns coentros na cozinha lhes dá o direito de olharem toda a gente de cima para baixo, perpetuando o estereótipo que tanto desejam parecer que combatem. Parece inacreditável, mas eu vejo-as todos os dias. Algumas são minhas amigas e familiares. É preciso uma enorme dose de amor e de gin para superar estes defeitos, acreditem.
    No final, o que motiva tudo isto é culpa. Uma culpa estúpida, competitiva e tão declaradamente de classe média. Não sabem quem são, não sabem para onde vão, pior, não sabem nem querem saber de onde vieram. A minha avó governava uma propriedade com mão de ferro, olhos nos olhos com os homens na monda. A minha avó é que era feminista. Elas nem sabem o que isso significa.

    Uma vénia pelo texto. Tinha saudades. Joana

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  13. Estas pseudo-feministas são execráveis.

    Sou feminista desde que me lembro de ser gente, muito antes de até conhecer o conceito já tinha esta visão de querer tratamento igual ao dos rapazes (e fui apelidada de Maria rapaz só porque não me enquadrava no papel de menininha que aceita tudo de um rapaz).
    Actualmente o mundo não vê o movimento por aquilo que o mesmo sempre defendeu: o direito à igualdade em todas as circunstâncias. O direito ao voto, à opinião, à emancipação da mulher face ao homem.
    Só o facto de sermos mulheres e podermos debater estes assuntos devemos às feministas porque o 25 de Abril não deu esta (nem outras) liberdades às mulheres. Foram as feministas.
    Se não fossem as feministas nós hoje faríamos o que o nosso pai mandasse até nos casarmos e depois faríamos aquilo que o nosso marido considerasse apropriado. E se ele achasse que não devia trabalhar então eu não o poderia fazer. E nisso se inclui sair de casa sozinha, tirar carta, etc etc

    É por causa desta liberdade que hoje temos que eu não gosto do seu discurso contra quem tem uma visão de esquerda (afinal eu também sou parte dessas pessoas e honestamente defendo estes valores com muito orgulho) mas sou completamente contra esta degradação do sentido, da mensagem, dos objectivos. Fico extremamente incomodada que estas pessoas sejam apelidadas de feministas quando aquilo que propagam é o oposto do movimento feminista.
    Em inglês chamam-lhes as feminazis. E assim se consegue abalar um movimento que procurava terminar com as desigualdades, transformando-o no seu oposto.

    Mas ainda considero que o movimento é importante para muitas questões. A igualdade no tratamento ainda não existe. Um exemplo crasso é o mercado de trabalho. Uma mulher que faça exatamente o mesmo não tem a mesma remuneração e isto tem um enorme impacto em múltiplas áreas da vida, incluindo a sua liberdade financeira.
    Acho ridículo que em pleno séc XXI ainda existam empresas que paguem X a um homem mas considerem dar X-Y se contratarem uma mulher para o mesmo cargo.

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    1. Não há empresa com um gestor competente que tendo a oportunidade de gastar menos, vá gastar mais, ou seja, que podendo pagar menos a mulheres vá pagar mais ao contratar homens. Isso é um mito já desfeito por muitos estudos objectivos. O pay gap que existe refere-se a todos os homens e a todas as mulheres. Não há estudo que possa citar que ponha em paralelo homens e mulheres nas mesmas posições, com as mesmas habilitações e a mesma experiência que lhe diga que as mulheres ganham menos. Não há. Até porque há contratos coletivos e tabelas salariais que têm que ser respeitadas. As mulheres, em geral, ganham menos porque escolhem profissões que têm remunerações mais baixas, profissões de menores riscos, não escolhem tanto as ciências e as engenharias. Não é por serem mulheres. Sinceramente preocupa-me muito mais o pay gap geracional, esse sim existe e vai ser bem mais difícil recuperar.
      Há mais homens em funções de chefia, sim. O paradigma está a mudar? Está. Podemos fazer mais por isso? Claro que sim, começando por não arranjar desculpas e deixar de uma vez por todas esta cultura de vitimização. Nunca ao longo da minha vida inteira me senti discriminado por ser mulher. Nunca encontrei família, amigos, professores, colegas de trabalho que fizessem esse diferença. E felizmente tenho bastante mundo, como se costuma dizer. Já morei numa cidade pequena e numa cidade grande, já trabalhei em call-centers e em multinacionais, já morei nas Américas e na Europa e NUNCA senti que fosse tratada de forma diferente por ser mulher.
      É preciso acabar de vez com esta cultura de vitimização e de ter que estar sempre em luta contra algo ou alguém. Percamos antes tempo a dar as ferramentas necessárias e a educar as pessoas, em vez de lhes dar achas para fogueiras imaginárias.
      Maria

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    2. Eu já tive quem me dissesse de caras que não me contratava apenas porque eu sou mãe. "não contratamos mães" e nem sequer houve uma desculpa legal... Uma pena não ter como provar que tal me foi dito. Ao meu marido nunca lhe aconteceu tal coisa.

      Referir o que acontece não é vítimização. Não sou uma vítima e nunca o fui. Mas detesto desonestidade intelectual e a atitude de "come e cala e não levantes ondas porque és mulher".

      E os estudos que comparam existem sim, basta pesquisar. Há inúmeros só no contexto dos EUA onde o argumento utilizado é que os homens são negociadores melhores e por isso é que são mais bem pagos. Há uns anos os argumentos eram sobre a capacidade cognitiva da mulher... Agora mudam o discurso e o que está subjacente é o mesmo.


      Claro que não faz sentido nenhum comparar o pay gap se não for no mesmo âmbito. Mas está mal informada quanto aos estudos.

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    3. Ps: portanto acha normal que se pretenda pagar menos às mulheres pelo mesmo trabalho?

      Uau.

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    4. Onde é que eu disse que achava normal pagar menos às mulheres pelo mesmo trabalho?
      Não, é óbvio que não acho normal pagar menos ou mais qualquer que seja a pessoa, seja porque motivo for a não ser que o mereçam. Acredito mesmo na meritocracia.
      E não, estudos que digam sistematicamente que uma mulher médica ganha menos que um homem médico, ou uma mulher professora ou bancária ou jornalista ganha menos do que um homem na mesma posição, com as mesmas habilitações e a mesma experiência não existem!
      Agora, se existem mais homens médicos do que mulheres e se existem mais mulheres enfermeiras do que homens e for comparar, é claro que num todo os homens ganham mais.
      Maria

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    5. Maria, dizer «eu nunca fui discriminada, portanto a discriminação não existe» é como dizer «eu acabei de comer, portanto não existe fome no mundo». A sua experiência pessoal (ou falta dela), com um determinado problema não diz nada sobre a existência (ou não) desse problema. E em relação à sua frase «As mulheres, em geral, ganham menos porque escolhem profissões que têm remunerações mais baixas», gostava de lhe perguntar o que é que entende por «escolha», e quais acha que são os motivos para essa situação.

      Não me revejo na forma nem no conteúdo de todos os feminismos actuais... Mas dou o benefício da dúvida. Quanto mais não seja, porque as batalhas feministas que resultaram em conquistas que hoje são consensualmente fundamentais (como o direito ao voto) também encontraram muita oposição e ridicularização por parte dos contemporâneos (e contemporâneas) das mulheres que as fizeram.

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    6. Eu li todos os comentarios e voces estao a falar de coisas diferentes. As mulheres em geral ganham menos mas nao é a fazer exactamente o mesmo trabalho e a mesma responsabilidade. Ganham menos pq estao em cargos inferiores. Eu sou mulher, tenho uma equipa de 3 homens e no ultimo recrutamento aconteceu o seguinte: precisava de alguem disponivel p viajar com alguma regularidade e uma das mulheres diz-me q tem um bebe, q é sempre ela q tem de ir levar e buscar á creche, por isso tem sempre de sair a horas, n pode fazer horas extra e n pode viajar. Claro q n a posso contratar. O problema das mulheres nao é serem maes, o problema é serem maes e assumirem td a responsabilidade dos filhos e os pais n fazem nada. Eu, como empregador, p mim nao sao pessoas comparaveis por isso nao posso contratar p a mesma funcao, poderia contratar p outra c menos responsabilidade logo menor salario

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    7. Eu não compreendo a sua ideia quando diz que "se pudessem pagar menos a mulheres, contratariam apenas mulheres". A razão pela qual as mulheres receberiam [alegadamente] menos seria por se supor terem menos capacidade. Ou seja, o valor atribuído seria menor, e portanto seria menor também o salário oferecido.

      Não estou sequer a discutir a existência ou não de uma diferença na remuneração - apenas acho esse argumento estranho.

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    8. A Maria tem toda a razão, na sociedade ocidental, a mesma função e experiência paga salários iguais, independentemente do género. Se a mulher em média ganha menos isso deve-se ao tipo de profissão que escolhe e também ao facto de ainda haver mais homens em cargoscde chefia, coisa que está a mudar. Mas claro que dá jeito dizer o contrário, não é?
      E eu sou feminista, sou por direitos e oportunidades iguais. Só isso, direitos e oportunidades iguais.
      Agora... detesto o discurso de vitimizacao da mulher, detesto histerismos absurdos ou batalhas insignificantes que mais não fazem que afastar homens e mulheres de uma causa que deveria ser de todos.

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    9. Anónimo das 13:58, é um exemplo de como o pay gap ou o ‘78 cents on the dolar’ é um conceito estupido. Um (ou uma) gestor(a) não vai gastar 100 se pode gastar 78, não é? Se efetivamente as mulheres ganhassem menos do que os homens fazendo exatamente o mesmo, já viu o dinheiro que as empresas poupavam se contratassem só mulheres?

      Anónimo das 11:35: eu não usei o meu exemplo para dizer que nunca fui discriminado ou para dizer que não há discriminação, usei-o primeiro para dizer que tendo já várias experiências de vida, em ambientes muito diferentes, não experenciei isso. É o meu caso pessoal? É, mas eu tenho uma irmã em casa, amigas na escola, colegas (mulheres) de trabalho e também nunca vi isso. Usei-o também para dizer que se não dissermos a alguém que de alguma forma ela é uma vítima por causa da sociedade e que pode fazer o que quiser, ela pode efetivamente fazer o que quiser. Hoje em dia há mais mulheres no ensino superior do que homens, porque é que elas escolhem certos cursos e eles outros? Não sei, terá que lhes perguntar. Se é uma escolha ou não, vamos acreditar que sim e que ninguém vai obrigada para um curso de ensino mas o que queria mesmo era engenharia.

      Também estou atualmente num processo de recrutamento, tenho entrevistado homens e mulheres, o trabalho também requer viajar e uma das pessoas selecionadas era uma mulher e tinha filhos. Foi aceite porque disse conseguir coordenar em casa as viagens. Se tivesse dito que não podia, obviamente que não poderia ser selecionada, como um homem não poderia na mesma situação. O que temos que mudar é mesmo a mentalidade de que a mulher faz tudo em casa e o homem ‘ajuda’, não tem que ajudar tem que partilhar tarefas. E muitas vezes a culpa é das próprias mulheres, das mães e mais tarde mulheres que não ‘deixam fazer porque não faz bem’, se não faz bem ensina-se porque ninguém nasce ensinado.
      Maria

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    10. Maria não sei quando é que pesquisou sobre isso mas os estudos existem.

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    11. Eu gostava de saber se vocês sabem que questionar sobre a existência de filhos é ilegal...

      A trabalhar como recrutadora já tive orientações claras sobre o que oferecer a um homem ou a uma mulher. Na visão da empresa em questão o homem é o sustento da família e precisava de receber mais.
      Uma mulher que ficasse grávida só não era descartada se não fosse legalmente possível (desde postos de trabalho "extintos" até não renovar contrato por muito boa que fosse a trabalhadora).

      E falam de bons gestores? Em Portugal?! Trabalham com recrutamento em outsoursing? Apanho cada "gestor" que senhores...

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    12. Picante, sobre os «histerismos absurdos e batalhas insignificantes», gostaria de recordar que as palavras que utilizamos mudam e são mudadas pela evolução do nosso pensamento sobre os temas - neste caso, sobre os direitos humanos. E que isso não é de hoje.

      Da minha parte, fico feliz por, em algum momento da história, alguém ter olhado com espírito crítico para mensagens como estas: https://www.boredpanda.com/vintage-ads/... Que, à época, eram naturalmente aceites pela maioria.

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    13. Anónima das 07:39: Sou a Anónima das 13:58. O que eu pretendia dizer era que o trabalho das mulheres, embora idêntico ao dos homens, seria avaliado (por alguns empregadores) como valendo menos.

      Ou seja, os empregadores que subvalorizassem as mulheres pagar-lhes-iam "78" cêntimos para o dólar dos homens, porque estimariam ser esse o valor das suas capacidades: 78% do de um homem (em média).

      Logo, não estariam a poupar, de acordo com a perspetiva deles: simplesmente, estariam a pagar aquilo que acham devido, discriminando os trabalhadores do sexo feminino ao lhes atribuir um valor mais baixo.

      Quando confrontados com a opção de contratar um homem por um qualquer salário ou mulher por 22% menos, não optariam necessariamente pela segunda hipótese, porque ao custo menor corresponderia um valor [assumido] menor do empregado.

      Não digo que os tais "78 cêntimos" sejam uma estimativa apropriada - não julgo que sejam. Apenas não acho que seja pelo motivo que refere, cuja lógica não me parece válida.

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    14. Vamos por pontos a ver se não deixo nada de fora!

      - os estudos que dizem que as mulheres ganham menos que os homens estão, em certa medida corretos, as mulheres em geral ganham menos do que os homens. Nunca disse que esses estudos não existiam, o que digo é que eles estão errados porque acabam aí a sua análise. Como já disse, isso acontece porque as mulheres escolhem profissões com remunerações mais baixas, ou vice-versa. Entre homens e mulheres em igualdade de circunstâncias essa diferença não existe. Em medicina, por exemplo, as mulheres escolhem as especialidades com remunerações mais baixas: medicinal geral em vez de cirurgia. Quão oprimidas e discriminadas acham que são as mulheres em medicina na altura de escolher? Pois.

      - dizer numa entrevista ‘fale-me de si’ acho que ainda não é proibido. Como não é proibido perguntar se tem disponibilidade para viajar se o cargo assim o pede. Também não vai oferecer um cargo em que é preciso conduzir a um cego, para dar um exemplo extremo.

      - quanto mais se compactua com o erro, mais ele se prolonga no tempo. Se teve essas orientações a sua atitude devia ter sido a de terminar a relação de trabalho na hora e denunciar a situação. Enquanto como sociedade continuarmos a permitir isso e outras coisas não há estudo que ajude a mudar.

      - ninguém falou um bom gestores, muito menos em Portugal! Se há maus gestores, Portugal é o exemplo máximo disso como já aqui bem demonstraram. Mas quem está ligado à gestão de empresas sabe que em podendo gastar x não se vai gastar x+5, Logo, se fosse verdade que pelo mesmo trabalho tal e qual a mulher ganharia menos do que o homem, nenhum gestor competente iria contratar um homem porque era um homem quando poderia contrar uma mulher por menos. É um exemplo estúpido, é. Mas também a premissa é estupida e errada e tem que ser desfeita de uma vez por todas.
      Maria

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    15. Questionar directamente e exclusivamente sobre filhos reconheço q é ilegal, mas é normal fazer-se perguntas genericas sobre a vida pessoal. Tipo o q faz nos tempos livres, onde mora, qual o enquadramento familiar (é casado, tem namorada, mora c os pais etc). E no meio dessa conversa as pessoas acabam por referir os filhos. Alias tive uma vez uma mulher q ao perguntar qual o principal objectivo da vida ela me respondeu e passo a citar q "Obviamente e tal como todas as mulheres o principal objectivo era ter filhos". Grande lol... eu sou bastante tradicional e de um meio pequeno e um dos meus grandes objectivos era casar e fazer uma grande festa, mas nunca me passaria pela cabeça responder isto numa entrevista ;-))

      Essa do homem ser o sustento da familia é mt estranho. Quer dizer entao eu como patrao se posso escolher uma pessoa q pago menos p fazer o mesmo trabalho ia preferir pagar mais? No caso q refere era exactamente a mesma funçao, p o mesmo perfil disseram-lhe p pagar mais a um homem q a uma mulher? A ideia q eu tenho é q de facto em alguns sitios ainda descartam as mulheres mas por causa do absentismo mais elevado no caso de terem filhos. Mas eu continuo a achar q a culpa continua a ser das mulheres: a licenca da seguranca social é de parentalidade, nao é de maternidade. Pq sao as mulheres sempre a ficar em casa e os honens so ficam o ultimo mes? Como querem q as empresas olhem p homens e mulheres de igual forma c disparidade tao grande de absentismo e disponibilidade?

      Tenho 2 colegas q sao casados. Têm 2 filhas. Qd elas estao doentes, é previso ir á escola, ir a uma consulta, etc é sempre a mae a ir, o pai nunca falta, mas mesmo nunca. Qd ha festa da empresa ela fica em casa c as miudas e so ele vem ( como sabemos é nestes eventos q se gera os contactos importantes). Agora vamos ter uma festa de verao c descida de rio, claro q é ele q vem e ela tá c as miudas. Como é q a empresa alguma vez poderia olhar p eles da mesma forma apesar de estarem em funcoes semelhantes?

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    16. Essa da gravida eu percebo q é chato, mas do ponto de vista da empresa tb pode ser mt complicado. Temos um processo na linha de producao so com 3 pessoas e cuja formaçao p a funçao demora 8 semanas. Se tivessemos mulheres e uma ficasse gravida, de licenca era mt dificil de substituir e so c 2 pessoas a linha de producao nao é suficiente.... resultado, so contratamos homens. Outra situacao, uma funcao q mexe c produtos quimicos q n é aconselhada a mulheres gravidas/a amamentar. O q iamos fazer? Contratar uma mulher e depois ela engravida e fica mais 1/2 anos a amamentar e temos de pagar salario sem ela poder trabalhar? Aí tb so contratamos homens. Uma empresa serve p dar lucro, nao é a santa casa da misericordia....

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    17. Uma empresa deve e tem de perceber que só sobrevive se tiver quem lhe compre os serviços/ produtos que vende. É verdade que as mulheres têm menor disponibilidade quando estão grávidas ou têm filhos pequenos mas também é verdade que essa circunstância deve ser planeada pela empresa e pelo Estado. Porque os bebés são necessários é porque as mulheres trazem valências diferentes das dos homens. Decidir não contratar mulheres porque vão estar de baixa de parto é só parvo.

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    18. Picante, p q fique claro essa opcao foi so naquelas 2 funcoes, mas em td o resto nao se discrimina. Mas volto-lhe a perguntar: se a picante for dona de uma empresa iria contratar mulheres p aquelas funcoes? Imagine q ela opta por amamentar 2 anos, vai estar 2 anos a pagar salario sem q ela possa exercer a sua funcao?

      Essa circunstancia tem de ser assumida pelo Estado e nao pelas empresas. Se neste caso ( o dos produtos quimicos) o estado pagasse o salario entao a empresa nao teria problema em contratar, mas como o custo fica do lado das empresas entao estas acabam por preferir homens.

      Outro exemplo: nos casais divorciados qts casos é q as crianças ficam c os pais? Pq sao sempre as maes a ficar como maes solteiras e a assumir todas as obrigacoes?

      Enquanto as mulheres e homens tiverem comportamentos diferentes, vao ter um valor diferente p as empresas.

      E sim, claro q os bebes sao necessarios, mas tb deviam ser criados pelos pais e nao so pelas maes.pq é q as mulheres têm menos disponibilidade c filhos pequenos como menciona? Nao é uma inevitabilidade, é uma opcao.

      E sim, as mulheres trazem valencias diferentes, é dificil é contrata-las c as mesmas competencias/disponibilidade q os homens. Na linha de producao ha mt menos mulheres a candidatarem-se, estamos c 60/40 de racio. Na administracao esbarram na disponibilidade. Na minha equipa directa tenho 3 homens e preciso de contratar mais uma pessoa. Gostava de contratar uma mulher p equilibrar tanta testosterona mas se for como nos recrutamentos anteriores vai ser dificil.

      Outro ex: no ultimo recrutamento tinha uma mulher q estava empregada mas queria tentar mudar de emprego p ganhar mais. Morava a 1h de viagem pelo q perguntamos se estaria disposta a mudar-se p mais perto ( tinha apartamento arrendado). Ela la explicou tristemente q nao podia pq o namorado trabalhava na cidade onde moravam (e onde ela actualmente trabalhava) e nao estava disposto a ter de fazer uma viagem diaria de mais de 10 min nem sequer a mudarem p algo a meio caminho, ela se quisesse podia mudar de emprego mas tinha de assumir as consequencias. Oh porra p isto, fiquei parva.

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    19. Se uma empresa não tem capacidade para "sobreviver" com um empregado de baixa, não deveria sobreviver de todo. Ter um negócio não é só ganhar dinheiro. Da mesma forma que paga impostos, tem de respeitar a lei. Não pode justificar seleccionar candidatos ilegalmente com "pronto, que é errado é, mas haveria potenciais diminuições de lucro, e isso a gente não quer".

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    20. Pois, assim não dá.
      É verdade que o Estado tem de incentivar mais a natalidade, o que também passa por ressarcir as empresas dos "prejuízos" de contratar mães. Mas também é verdade que a iniciativa tem de partir da mulher, não pode ter 2 empregos a tempo inteiro, é impossível.

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    21. Anonimo das 13:44, entao abra uma empresa, seja patrao e depois conversamos. É mt bonito dizer isso sobre o dinheiro e os lucros dos outros. O q eu aprendi no curso de gestao é q ter um negocio é exactamente p ganhar dinheiro, se nao é o quê? Uma coisa é uma empresa outra é uma ipss. Mas nao se preocupe pq numa empresa com 130 trabalhadores ter 5 lugares em q so contratamos homens nao é isso q explica o racio de 60/40 q temos.

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    22. Exato - eu não abro uma empresa, porque julgo que não teria capacidade para a suportar. É uma questão de responsabilidade. E se de facto tivesse uma empresa e o mero facto de um funcionário ter de ficar de baixa (algo que pode sempre acontecer) a levasse à falência, reconheceria que a culpa seria minha e não do funcionário.

      Quando se está a excluir mulheres à partida porque são potenciais futuras mães, algo está errado. Se na altura da contratação não mostram disponibilidade para cumprir horários conforme necessário, tudo bem. Agora não contratar mulheres de todo... Desculpe, mas não consigo encontrar razão na sua lógica. Claro que o objetivo do negócio é ter lucro, mas não se pode fazer tudo o que se quiser para o aumentar - de outra forma não se pagaria impostos também, que o lucro decerto aumentaria.

      Quanto ao rácio de 60/40, não digo que seja "culpa" sua. Se há menos mulheres que se candidatam e/ou os candidatos do sexo feminino têm menor capacidade ou não podem dedicar o tempo que o cargo necessita, então é óbvio que está no seu pleno direito para contratar quem for mais qualificado. Isso sim, é uma boa razão para não contratar alguém.

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    23. Ter indicações para não contratar mulheres, encontrar esquemas para descobrir a vida familiar, etc é muito pouco ético e ilegal também.

      A mim interessa saber se a pessoa tem o perfil para o trabalho e a disponibilidade necessária.
      Porque é que se questiona sobre disponibilidade para viajar no geral quando sabemos que no máximo a pessoa iria viajar 1/2 vezes por ano?

      Se as pessoas não vivessem numa bolha saberiam que uma mulher com filhos pequenos é extremamente discriminada numa entrevista de emprego. A grande maioria abdica livremente de todos os seus direitos para conseguir o emprego e ainda assim muitas vezes não o conseguem e o único motivo é pelo facto de serem mães.

      Estes "gestores" percebem tanto de motivação e de fazer os trabalhadores vestir a camisola como percebem de segurança social e de reformas. Se pensassem que sem crianças hoje vão receber zero amanhã talvez se lembrassem que as empresas também têm responsabilidade social.
      Mas parece que há cursos de gestão que nem isso ensinam. Assim explica-se a péssima gestão da grande maioria das empresas.

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    24. Sou mulher, sou gestora e sei perfeitamente q o mundo precisa de criancinhas. Mas eu defendo q o pai e a mae têm de ter a mesma responsabilidade. Por isso eu nao descrimino maes, eu descrimino maes q gastam todo o tempo c os filhos enquanto os paizinhos n fazem nada.

      Nao sei se o comentario das 1/2 viagens por ano era p mim, mas neste caso qd falo de viajar é 1 viagem por mes o q é bem diferente.

      Qt á vida pessoal n tem so a ver c filhos. Nós oferecemos contrato de trabalho sem termo a todos os q entram e por outro lado gastamos mt tempo e dinheiro na formacao inicial. Eu quero contratar alguem q fique ca, n quero ter alguem q passado 3 meses se vai embora. Por ex, tivemos uma rapariga q era de lisboa, tinha o ex-namorado em lisboa mas ainda estava completamente apaixonada por ele q queria ir p outra cidade p o esquecer e começar de novo, uma muida de 23 anos. Claro q n a contratei pq corria o risco de eles reatarem e ela ir logo p lisboa pq n tinha de facto nenhuma outra motivacao p estar ali. E claro q so percebi isto na entrevista pq ela falou sobre a vida pessoal.

      Nao me diga q nunca ouviu numa entrevista fazerem a pergunta do q faz nos tempos livres? Pergunta classica de recursos humanos. Nao sao esquemas, responde quem quer e o quer. Engraçado é q tanto se fala de n se poder perguntar se as mulheres querem ter filhos e de as mulheres terem de mentir p arranjar emprego. Na experiencia q tive a recrutar foi sempre ao contrario: assumem sempre q querem e muito.

      E nao se trata de descriminar mulheres. Aconteceu uma vez c um homem q tava desempregago, tinha 1 filho de 3 anos e responde q n faz nada nos tempos livres, n tem tempo p nada, ele e a mulher sempre a dar atencao ao filho. Entao se desempregado n tem tempo p nada como é q ia ter um emprego de 40h? Pois tb n foi contratado

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    25. Quando se trabalha numa empresa multinacional e a posição é num departamento de exportação se calhar é preciso perguntar se há disponibilidade para viajar... não sei, digo eu. Ainda que fosse uma ou duas vezes, as viagens não são feitas por capricho, são feitas por necessidade. O que é que aconteceria se não se perguntasse e quando fosse necessário a pessoa dissesse que não podia ir? Despede-se a pessoa? Não faz parte do trabalho para que é contratada?
      Acredite que se há gestor competente e equipa que felizmente tem toda a liberdade para coordenar trabalho e família é a minha, sejam homemns ou mulheres. Com e sem filhos todos viajamos e todos saímos mais cedo se for necessário por questões familiares. Temos a liberdade de sempre que necessário trabalhar a partir de casa e temos horário flexível. Perguntamos pelos interesses e o tal ‘fale-me um pouco de si’ porque queremos saber se a pessoa encaixa na posição e na equipa, não para saber se tem filhos ou não tem. E quem diz filhos diz outros impedimentos, que também os há e que tambem já ouvimos.
      Maria

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  14. Pic, excelente texto. Parabéns. Continue a escrever e a deliciar-nos com a sua prosa.

    Maria

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    1. Anônimo das 12.51 deve ser muita novinha ou muito mal informada para escrever o que escreveu. Informe-se melhor. E foi logo buscar um pais jeitoso para comparação. Eu sou engenheira diplomada pelo IST e senti na pele e na carteira a diferença

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    2. E o que fax aqui a meio da tarde? Não trabalha?...

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    3. Eu disse que sou engenheira, não lhe disse a minha idade pois não?
      Então onde é que lhe disse que ainda trabalho?

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    4. Retribuo a sua pergunta

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  15. Muitos parabéns pelo texto, concordo integralmente. Ser feminista não é ser feminazi.
    Eu sou feminista e com muito orgulho. E filha e neta e bisneta de uma sucessão de feministas, que o eram sem o saber mas apenas porque geriam elas as suas vidas, ainda que algumas "apenas" donas de casa. Tenho uma boa profissão e quem gere as contas sou eu - apesar de que o marido ganha 3X mais (a opção foi minha). Mas tal como o meu filho faz a sua cama e arruma as coisas dele (tem 5 anos), a minha filha é uma PRINCESA pirosa (7 anos), que não deixa de ser uma excelente aluna, de gostar de surf e de jogar à bola.

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    1. Ser feminista não é ser parvo ou intolerante. Infelizmente esta gente confunde tudo.
      Também tenho princesas na família, não é por isso que não hão de trabalhar como os rapazes, rapazes que têm as suas obrigações em casa tal qual elas.

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  16. Muito bem escrito. Bravo.

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  17. Boa semana Pic
    https://inimigo.publico.pt/2018/06/18/capazes-nao-revelam-contas-porque-uma-princesa-nao-diz-quanto-ganha/

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    1. https://observador.pt/2018/06/18/contas-da-associacao-capazes-vao-ser-fiscalizadas/amp/

      Puta que pariu para estas gajas.

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  18. Este texto - muito bem escrito, sem duvida - e o exemplo acabado de como as palavras sao ou mais importantes que as ideias. Eu nao policio palavras, mas atribuo-lhes significado.
    Quando alguem diz diz "comprar filhos" nao esta apenas a usar palavras, esta obviamente a mostrar a sua opiniao em relacao ao tema, escolhendo palavras que caracterizam um acto de uma forma subjectiva. Nota: escolhi um exemplo que ate a mim, pessoa que seria provavelmente qualificada de "perigosa esquerdalha", me faz choca a nivel pessoal e levanta imensas questoes do ponto de vista etico.
    Portanto, usem as palavras que quiserem, mas assumam as palavras que escolhem no seu verdadeiro signficado.
    Quando se fala de politicamente correcto, fala-se de usar novas expressoes que descrevam algo de forma neutral. Quem quer dar cor, conotacao politica, tom subjectivo a algum conceito, que o faca, mas assuma e nao se esconda atras de ideias de policiamento de palavras.

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    1. O que está a acontecer é grave, veja-se o caso do UK onde já existe censura.

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  19. Cabe-nos a nós mulheres mudar o que podemos mudar e muitas vezes não fazemos. Enquanto formos nós a ir buscar filhos, levar filhos, ir ao médico, ficar em casa com filhos doentes, não poder ir viajar por causa dos filhos, ter que sair mais cedo por causa dos filhos e/ou da casa estamos a dar razão aos homens que delegam em nós essas tarefas e chegam a cargos de chefia, porque há nas suas costas mulheres sacrificadas.
    Há poucas mulheres com coragem para reencaminhar as chamadas para o pai ir buscar o filho e por aí além.
    Estou numa empresa de igualdade em que há bastantes mulheres em cargos de chefia e há uma mulher na administração e considero que não podemos estar sempre há espera que os outros façam, temos que mostrar que estamos disponíveis e que queremos e podemos fazer.
    Bailarina

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    1. Muitas vezes isso é uma opção consciente e não uma imposição. Opção essa tão válida como qualquer carreira internacional.

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    2. Concordo absolutamente. O problema é que muitas vezes se coloca a culpa na sociedade quando se trataram de opções e concessões que se fizeram.
      Bailarina

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    3. Concordo plenamente... Investir na carreira profissional não tem de ser o objetivo principal para todas as pessoas. Se algumas mulheres (ou homens, mas estamos a falar de mulheres, e penso que seja mais comum) preferem dedicar-se menos ao trabalho e mais à família - ou outra coisa qualquer -, é uma escolha perfeitamente legítima. Injusto seria se fossem "obrigadas" a isso - por os maridos/companheiros se recusarem a fazer a sua parte das tarefas domésticas, por exemplo. De resto, cada casal saberá gerir as coisas: de preferência de forma equilibrada, mas não necessariamente "simétrica".

      Chateia-me quando se confunde o direito de optar com o dever de aspirarmos todos a CEO.

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    4. O problema dessa escolha é qd as coisas correm mal. Moro num meio pequeno. Em solteira a minha mae nunca teve emprego, o meu avô e os meus tios ganhavam o suficiente p sustentar a familia e a minha mae e avó cuidavam da casa e ajudavam nas tarefas agricolas. Seria uma vergonha p o meu avô por a unica filha a trabalhar fora de casa. Depois a minha mar casou-se. O meu pai tinha um curso universitario, coisa rara por aqui, era director financeiro de uma empresa, ganhava bem. Mais uma vezes a minha mae ficou em casa a tratar de tudo e a criar-me a mim e á minha irma. Ela era feliz e gostava genuinamente dessa vida.

      Ate ao dia q o meu pai arranjou uma amante, saiu de casa e nos deixou sem nada. Dava-nos 50 contos por mes segundo o q o tribunal obrigou. Imaginam o q é sustentar 3 pessoas c 250€? E a minha mae viu-se aos 36 anos c duas filhas menores p sustentar sem saber como o fazer. É q claro ela tentou arranjar emprego mas riam-se na cara dela e diziam como iam dar emprego a alguem q aos 36 anos nunca tinha trabalhado? La acabou por conseguir umas horas a fazer aquilo q sabia fazer:limpezas. Mas nunca teve um salario/horario completo. Passamos tempos mt dificeis.

      Eu nunca, mas nunca, aconteça o q acontecer me vou por numa situacao em q depende financeiramente de um homem e deixe o meu emprego mesmo q faça sentido na altura, nunca se sabe o dia de amanha.

      Claro q estou a falar de decisoes a longo prazo, pq aqueles casos de ficar em casa 2/3 anos ate a crianca ir á escola ja nao me parecem tao graves de recuperar se for necessario.

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    5. Sim, também é verdade. Nunca se sabe o futuro... É delicado depender financeiramente de outra pessoa, por muito que no momento se confie. Lamento que tenha tido de passar por isso com a sua família.

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  20. Eu era uma das “Joaquinas” que vinha aqui espreitar e chamar-lhe invejosa mas, confesso que, cada vez gosto mais de aqui vir.

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    1. Ora... isso é porque eu agora pouco escrevo, verdade?...

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    2. Não, é mesmo porque gosto (do pouco) que escreve!!

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    3. Ora essa... mas eu escrevo igual ao que escrevia, agora deixou-me curiosa, quer partilhar comigo porque mudou de opinião?
      (Só se quiser, claro)

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    4. Não sou a anónima original, mas parece-me que tem diminuído os comentários/posts acerca de outros blogs e abordado mais assuntos gerais (políticos,...). Talvez seja esse a razão. Também prefiro ler estes seus posts mais recentes, embora não concorde sempre consigo (mau seria se tivesse de concordar consigo para gostar de ler sobre as suas opiniões, claro).

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    5. Eu falo de tudo. Tanto de outros blogs, se o que abordam me parecer risível, como de assuntos mais gerais. Sempre foi assim. Agora com que intensidade faço uma coisa ou outra é que depende, não faço ideia.

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  21. Finalmente alguém que diz aquilo que penso. Bom texto.

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