quinta-feira, 26 de abril de 2018

Dia da liberdade

"O Estado é um grande proprietário. Acumula prédios rústicos e urbanos pelo país fora. Inúmeros estão ao abandono, degradados, devolutos. Não os recupera, não os arrenda, nem oferece. Mas quer ocupar os dos outros. O Estado foi sequestrado por uma "geringonça" que celebra o 25 de Abril com discursos sobre a liberdade, enquanto força como pode a "transição para a sociedade socialista" - e paternalista -, que sufoca e se julga no direito de impor o que se pode dizer, pensar, fazer. Tudo se decreta. É muito mais PREC do que 25 de Novembro. Encara o trabalho como servidão fiscal, a riqueza como pecado e os proprietários como arrendatários do Estado. Acha normal castigar todos, por tudo aquilo em que não dá - nunca deu - melhor exemplo. E nem sequer se questiona.
A propriedade privada é um direito constitucional fundamental. Encarna a crença dos que acreditam nas vantagens do trabalho e, através dele, esperam ascender por esforço próprio a melhores condições de vida. Não existe para rateio ideológico de quem encontra virtudes melhores na mão estendida ao benefício do Estado, tendo outras alternativas.
Ter casa ou casas é um ato de vontade, de resto, tributado abundantemente. E mantê-las vazias, uma prerrogativa de quem as pagou, ou herdou, tão legítima como a decisão de as arrendar, se for caso disso. Intolerável, por muito que o BE mande nos tempos que correm, é perceber um governo representado por quem perdeu as eleições, transformado numa espécie de "Okupa", ao serviço da agenda ideológica do "proletariado".
Numa declaração que não se estranharia em Vasco Gonçalves, o PS anunciou que os proprietários deverão "participar na prossecução do objetivo nacional de garantir a todos, para si e para as suas famílias, o direito a uma habitação condigna". Conviria que o PS começasse por entender que numa democracia verdadeira o Estado não se apropria das casas dos outros, para as entregar a quem lhe apeteça. Sendo que se realmente o quer fazer, que comece pelas suas. São garantidamente muitas.
António Costa que saia do Palácio de S. Bento e atravesse o país. Conte os edifícios que, apesar das suas obrigações, a tutela mantém vazios e decrépitos. Chame depois Catarina Martins, que com facilidade encontrará quem lhe escreva nas paredes: "aqui podia morar gente".
Em 1975, ocuparam-se terras alheias debaixo do grito "a terra a quem a trabalha". Em 2018, tenta-se "as casas a quem as ocupe". Alguns dos protagonistas são os mesmos. Era o que mais faltava."

Do enorme Nuno Melo

50 comentários:

  1. Ontem andava a mostrar Lisboa a uns amigos de amigos (estrangeiros) que, claro, arrendaram uma dessas casas do demo do arrendamento local. Notei que ainda há muita casa a cair de podre, fechada, e que as que estão arranjadas são efetivamente de AL (muitas estão marcadas). Acontece que cá por coisas costumo ver que casas são e não são casas para famílias morarem, como tanto se gosta de apregoar. Esta que eles alugaram, por exemplo, devia ser uma antiga loja ou café, em rés-do-chão e com um quarto interior. Mais, que família com filhos, carrinhos de bebé, carro e quê mais quer MESMO ir viver para zonas da cidade sem mobilidade, passeios reduzidos e acidentados, prédios sem elevador e casas pequenas? Não conheço muitas.
    Por curiosidade, vi alguns prédios marcados como propriedade municipal devolutos, sem nem ar de virem a sofrer obras para as tais rendas acessíveis tão apregoa das ultimamente.
    Resumindo, querem criar uma lei nacional para beneficiar meia dúzia de crianças mimadas que agora descobriram que Lisboa é in para viver e querem uma casa à Sócrates em Paris mas com renda à 1a república, lamentamos mas não existe!
    Maria

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    1. Muito bom! É isto e mais nada, era o que faltava o estado vir mandar no que é meu

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    2. Shiu, Maria. Esse apontar de realidade crua não convém lá aos senhores com a mania que mandam em tudo.
      Ironicamente têm um síndrome de ditadora que é qualquer coisa...

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    3. As pessoas não querem uma casa à Sócrates em Paris mas com renda à 1a república, querem conseguir arrendar um T1 com condições por €500 e não por €1200, que é só ridículo.

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    4. É ridículo, mas é o mercado. E é quase exclusivamente o mercado de Lisboa. Vá a outras cidades deste país e veja se esses são os preços praticados. Depois faça o mesmo exercício nas capitais europeias e comparativamente nas outras cidades.
      Entendam de uma vez por todas que Lisboa cidade é uma formiga quando comparada com o resto do país, por isso não se ponham a fazer leis disparatadas para certa elite lisboeta que está descontente que se aplicam a todo o país sem justificação nenhuma!
      Para além de que não há muitas casas dessa tipologia nem em Lisboa nem no resto do país, nunca se construiu por aí além esse tipo de casas se não mais recentemente, muito por causa da reconstrução.
      Maria

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    5. Ridículo é alguém vir dizer-me a que preço devo rentabilizar os meus bens. Impôr aos privados limites nas rendas significa que vai deixar de haver privados a investir no mercado imobiliário em Portugal. Qualquer criança percebe isto. As pessoas investem em tricô de rentabilidade, se alguém tem de subsidiar o que quer que seja esse alguém é o Governo coisa que implicará transferência de verbas já que infelizmente o dinheiro não estica.

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    6. Não querem o estado a mandar, já os subsídios... como todos os privados querem é mamar nas tetas.

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    7. Sim, considero necessário que o Estado estabeleça um tecto máximo aos preços praticados por arrendamento.

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    8. Discordamos. Eu sou a favor da liberdade de mercados.
      Se o Estado interviesse onde tinha de intervir, como por exemplo na regulação do preço da energia, que o que se passou na edp foi a verdadeira vergonha e assalto aos contribuintes é que era.
      Daqui a pouco também estão a intervir no preço da roupa, não? Era o que mais faltava.

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  2. E viva a liberdade de expressão e o debate saudável, que o 25 Abril trouxe!

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    1. Viva. Mas olhe que noto que cada vez há menor tolerância a pensamentos diferentes. Quem não alinha pela bitola do politicamente correcto esquerdista é quase sempre apelidado de facho para baixo. É espreitar as redes sociais e confirmar.

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    2. Não concorda? Olhe, emigre.

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    3. Como o Costa mandou fazer os professores?....

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  3. O texto está muito bem escrito. Só no fim é que vi quem era o autor. Realmente, no decurso da leitura, estranhei...

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  4. Caro Crocdundee:
    Vamos combinar o seguinte, faz um comentário educado e eu publico-o. Ao que sei este ainda é o meu espaço e eu ainda tenho direito à minha opinião que, lamentavelmente para si, não tem veia de comuna.
    Quer comentar é bem educado! Diz bom dia e pergunta se tem de tirar os sapatos. Caso contrário fica à porta. Lamento.
    (Quer dizer... não lamento muito mas faz de conta)

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    1. Isso não vale, pois as suas fieis seguidoras, ainda pensam que escrevi em vernáculo. O que é falso.
      O que não gostou foi de ser chamada à razão. Coisa que cada vez menos tem.
      Eu por acaso, até lamento que seja assim.
      Veja como desenhou um "smile" quando lhe bateram palmas, devido ao magnifico comentário. Muito lindo.
      Necessita de atenção, não é?

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    2. Não seja por isso, eu confirmo que não escreveu, nem tampouco me lembro de alguma vez o ter visto, escrever vernáculo. Há muitas formas de se ser mal educado e talvez não note mas os seus comentários são agressivos. Mais... quem é que pensa que é para me vir mostrar o caminho da luz?
      Quer trocar ideias? Força! Estou cá para isso. Se me quer apenas impôr o seu ponto de vista lamento mas não estou para isso.

      Caramba, toda a gente sabe que quem mostra o caminho da luz sou eu....

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  5. O quê ?
    O Nuno Melo engordou?
    Para estar enorme ja deve ter passafp os 100kg...

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  6. Eu até concordo com o que está escrito, mas há uma questão que coloco, há senhorios a alugar casas antigas degradadas,espaços exíguos sem condições e pedem um balurdio,muitas vezes são as imobiliárias que os"chamam à razão".Também tem que haver bom senso!Nem todos os jovens podem comprar casa,e deviam ter possibilidade de arrendar uma,mas sem ser especulação.

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    1. Mas o que sugere, Ana? Que haja um limite máximo para as rendas? O preço do imóvel é estabelecido pelo mercado, não pode ser o Governo a dizer-me por quanto é que eu posso vender / arrendar os meus bens.
      Se querem subsidiar rendas que o façam com as casas “deles”.
      E, se quer que lhe diga, as pessoas estão é mal habituadas. Se for viver para Londres, Paris ou Milão também não tem jovens a comprar no centro da cidade. As pessoas vão viver para a periferia que é onde estão as casas que podem pagar.

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    2. Ana, é o mercado a funcionar! O mesmo se passa com os estágios e empregos de baixos salários neste país. Essas ‘anomalias’ existem porque há quem as aceite, ponto. Quer sejam empregos sem salário ou com salários baixos ou as casas velhas a preços absurdos. Já para não falar que o estado de degradação a que chegou esta cidade dever-se a essa ideia brilhante das rendas controladas. Querem mesmo voltar a isso?
      Se há gente que ‘se virou’ com esta oportunidade, obviamente que o chico-espertismo tão tuga também por aí apareceu. Para além disso, nos outros países os jovens também dividem casa em início de vida e compra muito menos casa do que em Portugal.
      Maria

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    3. Eu penso que se os jovens, idosos ou pessoas com deficiência não podem pagar renda no meio de Lisboa que mudem de local.
      Eu vivo a 40 km do Porto, apesar de trabalhar lá, e não morri (aliás fiz a mudança por vontade própria).

      Em último recurso, depois de ser extinguidas as habilitações devolutas do estado, o que eu propunha era que o estado assumisse as rendas /parte delas quando as pessoas efectivamente não podem pagar.

      É que não nos podemos esquecer daquelas pessoas que se consideram no direito de usufruir de uma casa mesmo não a pagando, ou as que destroem as casas ou que simplesmenteque fazem a vida dos senhorios uma miséria.

      Imagine precisar da SUA casa e ter que dar um aviso de 5 anos?!
      Eu saí recentemente duma casa arrendada porque comprei casa e olhe que o facto de a senhoria não ter exigido os 4 meses de aviso e me ter deixado sair "de um dia para o outro" sem ter que lhe dar o retorno financeiro deu-me um jeitão.
      Agora imagine o que era se eu ou ela tivéssemos que adivinhar como será a nossa vida daqui a 5 anos para dar o aviso atempadamente. É simplesmente impossível!!!

      Enquanto pessoa que viveu em casas e apartamentos arrendados durante praticamente uma década, eu considero esta mudança de lei uma imbecilidade. É fazer dos privados a Santa casa da misericórdia!! E as rendas vitalícias?? Cheira-me que aos 64 anos serão todos mandados embora e pessoas idosas ou incapacitadas deixarão simplesmente de ter quem lhes arrende seja o que for.

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    4. Pipocante Irrelevante Delirante27 de abril de 2018 às 13:33

      Eu penso que se os jovens, idosos ou pessoas com deficiência não podem pagar renda no meio de Lisboa que mudem de local.

      Porque não alargar a todos os portugueses? Quem não tem guito que se mude. E se um turista consegue pagar uma gorda renda e o portuga não, este que vá para a província.


      Eu vivo a 40 km do Porto, apesar de trabalhar lá, e não morri (aliás fiz a mudança por vontade própria).

      Eu moro a um pouco mais. Como retribuição, vão cancelar horários de transportes públicos que me colocam no trabalho a horas decentes. My bad. Devia dedicar-me ao running, arranjava alternativa.

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    5. PID, parece-me que isso do arrendamento de curta duração estar a acabar com as hipóteses de se viver em Lisboa é um mito. O arrendamento local é feito principalmente na zona histórica, muitas vezes em caves ou prédios velhíssimos recuperados. Aquilo que é pitoresco para meia dúzia de dias não tem piada nenhuma se for definitivo.
      Muitas das casas estavam degradadas, só tendo sido recuperadas por causa do arrendamento de curta duração. Se servissem para arrendamento local há muito que teriam sido rentabilizadas, acho eu.

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    6. PID, PID, PID... É do Porto, carago?! Só podia!
      Deixe de ser coninhas, se vive aqui sabe muito bem que pode arrendar casa/apartamento bem mais perto do Porto e por valores inferiores, Matosinhos, Maia, Vila do Conde (periferia, não centro das cidades), não se arme em vítima, até parece mal num gajo do Norte!
      E se mora a mais de 40 km do seu local de trabalho, os senhorios deste mundo não têm culpa, ou teriam que lhe fazer o jeito de o deixar viver na casa mais próxima e ao preço que pode/quer pagar?! Era chato, digo eu, que não sou senhoria, mas resido numa casa da periferia!

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    7. PID é precisamente isso. Quem quer casa e não conseguir uma no centro tem que ir para as periferias e se não conseguir nas periferias acaba mais longe.
      O mercado está a ser inflacionado por muitas questões, uma delas a excessiva protecção aos arrendatários e a dificuldade em despejar quem não paga.

      Quer um exemplo concreto? Na Suíça quem não pagar 3meses é automaticamente despejado. O dono chega à sua casa com a polícia e as pessoas são retiradas de imediato da casa.
      Acha que alguém vai arrendar a baixo preço, sem exigir vários meses adiantados e para arranjos caso sejam necessários?

      Em relação ao AL. Se anda pelo Porto há anos terá reparado na quantidade de apartamentos, casas e afins que estavam a cair de podres e eram verdadeiros atentados à segurança pública. Muitos estão agora a ser intrrvencionados para AL, para hosteis e afins. Não é retirar ninguém das suas casas porque simplesmente ninguém lá vivia.

      Mas sou completamente contra a falta de actualização das rendas. Como é que se pode exigir que alguém consiga fazer face às despesas e fazer obras, pagar impostos e (o cúmulo) tentar ter uma margem mínima de lucro se basicamente tem que pagar para que pessoas alheias vivam no SEU património?
      E é quando pagam os míseros euros cobrados...
      Posso dizer que no ano passado o meu pai fez parte duma equipa que intervencionou um andar num prédio do Porto e uma senhora veio pedir uns favores. Era impossível fazê-lo a nível legal e era uma obra necessária, sim, mas que não ficaria barata.
      O meu pai aconselhou-a a enviar uma carta registada ao senhorio para avisar daquela necessidade. Redposta: "sabe, é que eu já não pago a renda há alguns anos" (dito com a maior naturalidade).

      Portanto aquele senhorio não recebe nada há anos, a lei obriga a que faça obras e agora a lei ainda vai impedir (mais) que ele consiga colocar na rua uma senhora que não quer pagar.

      Voltando às rendas, se os senhorios deixassem de ter medo de ficar presos a quem não paga, com casas destruídas, perderem muito dinheiro em processos no tribunal, etc arrendar casas seria muito mais barato e mais fácil também.

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    8. Pipocante Irrelevante Delirante29 de abril de 2018 às 00:56

      Não confundamos coisas.
      A Justiça falha na protecção aos senhorios. Ninguém pode defender inquilinos caloteiros.
      O AL é claro que trouxe investimento na recuperação, porque é em si uma forma (mais) rápida de o recuperar. Fast money, como um bom "entrepeneur" Portugal gosta.
      Mas isso é mais um prego num mercado inflacionado, basta ver quanto se pede a um estudante por um quarto, quanto se pede por um T1 em Lisboa ou Porto. Sim, haverá quem pague... Se não, virão os turistas.
      Vejo com agrado a leveza como se encara a ida das pessoas para a periferia. Humanísticamente, e estrategicamente. Afastar as pessoas da cidade, liquidar a qualidade de vida, promover o distanciamento, basicamente criar turistas de proximidade. Falaremos daqui a uns tempos destas opções. Como hoje discutimos o que se fez ao tecido produtivo em 90 ou o que se estourou em alcatrão.

      E reforço, não vivo num centro urbano, nem tenho vontade de o fazer. Apenas "defendo" quem o queira fazer.

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    9. Não é defender o afastamento das pessoas. É viver de acordo com as possibilidades.

      Eu queria uma moradia, com determinado número de quartos e jardim. Queria também que os meus filhos estudassem em boas escolas.
      Obviamente que não tinha condições financeiras para conseguir isso no centro do Porto. Adaptei a minha vida às minhas condições financeiras e dei prioridade aos meus objectivos principais.
      Se quisesse viver no Porto teria que viver num apartamento pequenino ou abdicava de uma boa escola para os meus filhos (e provavelmente perdia o mesmo tempo nos transportes dentro da própria cidade).

      Na sua opinião isso é afastar as pessoas do centro das cidades ... A alternativa é fazer os proprietários pagar para que pessoas comuns possam ter a sua qualidade de vida e condições inalteradas?
      É dar o melhor dos dois mundos sem que a pessoa tenha que fazer nada por si mesma? Acho a sua visão muito utópica e mais simplista. Quem é que vai ficar com todos os prejuízos nessa situação e se há quem dê 400€ por um apartamento porque é que um proprietário privado deve ser obrigado a receber só 200€ (ou no caso das rendas congeladas 20€/30€)?

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    10. A coisa talvez se resolvesse havendo propriedade pública para arrendar a pessoas com menos rendimentos, não sei...
      o que sei é que não me parece correcto pedir aos privados que subsidiem quem não pode pagar.
      As rendas estão uma loucura em Lisboa, certo. Mas basta ir para Odivelas ou Sacavém para encontrar T2 a 500 ou 600€. A questão é que hoje em dia há muitos direitos. Deveres que é bom está quieto.

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    11. Para mim o que vejo nesta questão é o dito "sense of entitlement" (e desculpem o inglesismo mas não conheço nenhuma expressão em português que traduza tão bem esta situação)
      Uma espécie de noção de ter direito a ter tudo o que se quer e que os outros é que têm que garantir isso. Se tal não acontecer a culpa é sempre dos outros porque a responsabilidade própria é nula.

      Como a mim sempre me ensinaram a lutar, trabalhar e pagar pelo que quero, esta atitude mete-me muita confusão.

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  7. Na Dinarmarca, esse bastiao do comunismo, o direito de propriedade esta, segundo a linha de pensamento do autor do artigo, fortemente limitado. Entre outras coisas, os nao-residentes tem varias limitacoes a comprar imoveis e se o fizerem tem que arrendar; em termos gerais, e proibido ter mais que um imovel como residencia permanente e e dificil ter imovel como "casa de ferias". Tudo isto tem a ver com politicas de "housing' (peco desculpa pelo estrangeirismo) e nao com a ideologia do governo (acho ate que a Dinamarca tem normalmente governos liberais).

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    1. Então de quem são as casas que os não residentes arrendam? E um imigrante dificilmente consegue comprar uma casa, mesmo que lá viva a vida toda? E os filhos que herdam casas dos pais são obrigados a vendê-las?
      Maria

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    2. Não conheço o mercado dinamarquês mas isso que descreve é tudo menos liberal.

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  8. Picante, uma duvida pq eu de facto nao percebi o texto. O que eu ouvi falar foi de um novo programa de arrendamento acessivel, q em resumo irá dar beneficios fiscais aos senhorios q aceitem limitar as rendas. Mas sera portanto um programa opcional, q so adere quem quer. Ou ha mais alguma outra lei ? É uma pergunta genuína pois de facto o assunto interessa-m pessoalmente e fiquei preocupada c este texto.

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    1. Nada ainda está aprovado mas para além desse programa opcional surgiu a ideia, quase que juro que vinda do BE de obrigar os proprietários de casas vazias a arrendá-las.
      E esta nova lei, com contratos a 10 anos e impossibilidade de despejos a partir dos 65 só vai dificultar o arrendamento aos idosos. Eu é que não arrendaria nada nestas condições, de hoje para amanhã a pessoa quer vender a casa e tem de a vender com inquilino, não? Era só o que mais faltava!

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    2. Bom, mas também tenho alguma curiosidade sobre a alternativa para acabar com as noticiadas pressões inaceitáveis sobre famílias de baixos rendimentos (ao qual muitas vezes se associa uma baixa escolaridade e portanto menos empoderamento no geral) e idosos...o que se fará para resolver o problema? Vamos colocá-los onde? A 40, 50, 60 km de distância do local onde viveram uma vida? Também não me parece correcto...e acho que se pode sempre criticar, mas é sempre melhor quando a crítica é feita de uma forma construtiva com soluções. Mas claro que o espaço é seu, Picante, e portanto só cá anda quem quer.
      Depois também se falou aqui em morar na periferia. Nada contra, até vivo a 35km de Lisboa, e desloco-me de transporte público todos os dias. Mas temos que concordar que a rede de transportes e o preço dos mesmos não se compara com outras capitais europeias face ao rendimento dos agregados familiares.
      Portanto, à partida, parece-me que ajuizado e assertivo é tomar o assunto como complexo e com dimensões financeira, habitacional, social. Caso não o fosse já estaria resolvido por outras forças políticas que têm estado no poder nos últimos 10-15 anos.
      A nossa democracia ainda é jovem...e infelizmente ainda não se percebeu que há assuntos que não são para ganhar poleiro, são para gerar consenso e usufruir da máxima "juntos, mais fortes"...
      Pronto, já delirei...bem sei...🙂
      Carla

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    3. E que tal em bairros sociais com qualidade? Com empréstimos ou rendas bonificadas dadas em função dos rendimentos?
      Os privados não se podem substituir ao Estado na função de cuidar dos mais frágeis, é para isso que pagam impostos.

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    4. A situação de Lisboa (e talvez do Porto, que não conheço) é incomportável não pelos ALs nem pelos estrangeiros a comprar casa, começou bem antes com o congelamento de rendas. Mataram a cidade, ponto final. Cada vez que agora vou à baixa ao sábado, domingo ou feriado e me lembro de como ela era há 8-10 anos, só quem viu pode entender. E não só a baixa, até zonas mais centrais da cidade. Vivi muito tempo em casa de familiares no centro de Lisboa e apesar de estar no centro, a minha zona era uma zona fantasma ao fim de semana com tudo fechado e ninguém na rua. A casa onde vivi tem uma história como há milhares em Lisboa: um prédio com 5 casas e rendas que não ultrapassavam os 20€/mês. Quem é que tem dinheiro para sustentar isto? Entre casas que foram ocupadas no 25 de abril, avós filhos e netos a viverem lá e que eram proprietários de outras casas em Lisboa, diga-me se isto também é justo?
      O estado deve deixar o mercado funcionar e subsidiar/ajudar quem não consegue lá chegar, não limitar o uso da propriedade privada.
      Maria

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    5. Portanto na sua óptica eles não podendo pagar o valor justo, o dono que se lixe. Que seja o pai deles todos e os mantenha ??

      Muitos têm várias casas compradas com o dinheiro que pouparam nas rendas e exigem obras aos donos que receberam trocos durante décadas.
      Isso vai estimular a economia e o mercado de arrendamento?

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    6. Mas o idoso que paga 20€ de renda no centro da cidade, tem de morrer na mesma casa onde viveu? Ainda trabalha? Com a ajuda do estado não pode ir a para a periferia porque? E alguns até casas próprias tem, também elas alugadas. E tem de ser o Senhorio a aguentar-se? Acho que o mercado imobiliário em Lisboa está um descontrole, isso está, quando as taxas de juro aumentarem vai ser novamente, ou muito me engano, voltar aos tempos de entregar as casas ao banco, e o mercado volta a abanar, agora não se pode achar que os senhorios são os grandes culpados de tudo

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  9. Picante, pode vender a casa com o inquilino, sim.

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    1. Eu sei que posso. Mas não quero, o mercado é muito menor e valem menos.

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  10. Pipocante Irrelevante Delirante27 de abril de 2018 às 17:13


    Anonimo das 15:17

    O facto de assumir que sou do Porto ou do Norte é bem demonstrativo da falta de capacidade de interpretação. Tudo o resto (tipo, queixar-me) vem por arrasto. Eu disse que trabalho no Porto. Não nasci, ou sequer vivi, acima do Douro.
    Desloco-me diariamente mais de 50 km, o que não muito (não me queixo), mas é difícil em termos de transportes, porque a deslocação em Portugal é uma demanda de proporções bíblicas. Quando não o deveria ser, afinal queremos flexibilidade e outras modernices, mas continuamos a ter que nos deslocar em transporte individual (caro, moroso, e ecologicamente mau) ou a andar em "carroças".
    Isto para dizer que não "exijo" casas no centro, bem longe disso. Exigiria sim meios de transporte públicos decentes. Isto se, enquanto contribuinte há uns anitos, tiver direito a exigir o que for.
    Ora voltando atrás, não moro no Porto por opção. Isso não invalida que, caso quisesse, me achasse no direito a ter habitação a preços comportáveis (aqui entra a média salarial lusitana) na cidade em que trabalho, e para a qual contribuo. O que acontece é que, visto que o rendimento do turismo (e já agora, as dores de cabeça) é superior ao da renda "ordinária", essa possibilidade é-me vedada. O que conseguimos com este modelo é um país para turistas, ao bom estilo daquelas repúblicas das bananas em que o turista está na cidade e o nativo fica nos arredores. Façam bom proveito. Quando a mama acabar, porque vai acabar, os liberais de hoje que venham pedir "apoios".

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    1. Muito bem anónimo das 15-17.

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    2. A opção será qual? Obrigar a obras sem dinheiro para que as pessoas que toda a vida pagaram 15/20€ ou afins possam viver à custa de um "tio" emprestado??

      O Porto e Lisboa estão a ser recuperados porque há quem pague e garanta o lucro. Ou já se esqueceu como estavam estes locais há pouco tempo?

      Se a novidade passar (ou qd passar) as rendas baixam. O mercado não é estanque nem parado. Espero que saiba disso.

      Eu até acho que se a lei mudasse e os senhorios não fossem vistos como a Sta Casa da Misericórdia e fosse possível e célere expulsar quem não paga e obrigar quem destrói as casas a pagar o que fez, haveriam muitas mais casas no mercado e as rendas seriam muito mais baixas.

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  11. Concordo em absoluto. Os privados não podem substituir-se ao estado, não são a santa casa. Será que é mesmo uma democracia, o Estado dizer-me como tenho de gerir os meus bens? Não me parece...
    Quanto ao AL, esse, a meu ver, é um falso problema. Quem conhece bem o Porto (sempre vivi nas áreas limítrofes da cidade, e por isso conheço o centro desde pequenina), sabe que há 15 anos atrás, dava medo andar nos aliados, nos clérigos... E hoje, hoje tudo é vida. Os prédios em AL eram velhos, foram reabilitados, e não são casas propriamente destinadas a famílias. Se eu acho que o governo tem de regular melhor? Claro. Dizer-me a mim o que fazer com os meus bens? Nunca. Se é verdade que os preços da habitação estão absurdamente altos, devem-se a outros factores que não apenas o boom do turismo (que, btw, já quase ascende a 10% do nosso PIB, e é um dos responsáveis pelas "maravilhas" do governo da geringonça). Os salários não acompanharam os preços da habitação e dos outros bens, e isso, isso sim é um problema estrutural, de contornos bem mais graves que o AL e turistas com os seus trolleys pelas cidades.

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