segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ainda na senda da liberdade

Recentemente fiquei na posse da informação de que um amigo iria receber mais uma criança, umas semanas antes do previsto. A palavra receber não vem a despropósito, a criança vem dos Estados Unidos, terra de liberdades e oportunidades. Estranha liberdade essa que permite a alguém com dinheiro pagar a uma mulher para que sirva de incubadora do seu filho durante nove meses. Se isto não for a suprema objectificação do corpo da mulher, além da exploração última dos pobres pelos ricos, então eu não percebo nada de exploração, em menos de nada também vai ser possível comprar um rim, um pedaço de fígado ou um olho.
Quando é que a liberdade individual do ter ou ser atingirá os limites do eticamente errado? Ou será que "ética" foi definitivamente afastada do dicionário no novo milénio?
Mas o que eu queria mesmo dizer é que acabou de estrear a segunda temporada de Handmaid's tale.

62 comentários:

  1. Picante, tive a infelicidade de ter vivido relações fracassadas, sabe aquela que parece que nunca acerta? Sou eu. Aquela que acha finalmente encontrou alguém de confiança, mas lá para o meio vira história de terror? Sou eu. Cheguei a uma idade que ou é agora ou já não é, somar a isso um problema ( dizem fácil de resolver ) de infertilidade também não ajuda, que é que me sobra? Ou desisto de ser mãe e contento me com a sorte que me calhou ou recorro a dador, simplesmente porque engravidar de um qualquer numa noite qualquer também não acho que vá de encontro aos meus princípios, haverá quem ache isto tudo uma aberração, para mim, e de certeza para outros, foi o único caminho possível.

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    1. Recorrer a um dador de esperma é muito diferente de recorrer ao aluguer de um útero. Mal comparado é aquilo dos ovos e do bacon em que o porco está irremediavelmente comprometido, ao contrário da galinha.
      (Boa sorte, tudo a correr bem)

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    2. Cara Anónima, também optarei pela mesma solução. Desejo-lhe as maiores felicidades!

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    3. Muito obrigada 😊

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    4. Sem julgamentos, mas pesquisem um pouco sobre alguns movimentos que estão a surgir de filhos de dadores. São jovens e adultos que vivem numa angústia que ninguém consegue resolver, pois é impossível saber uma parte das suas vidas.

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    5. Anónimo das 22:29, aconselho-o igualmente a pesquisar que, em determinados países (e. g. Dinamarca), é possível optar por "dadores de processo aberto" (open contact donors): aos 18 anos, o "filho" pode conhecer o "pai". E, antes dos 18, pode permitir-se a contactar os seus "meios-irmãos de dador" (seed siblings) que também manifestem o mesmo desejo.
      Esta é uma decisão muito ponderada e cuja motivação nunca foi "ter um filho só para mim" (o que até acontece em muitos casais e ex-casais).

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    6. Anónimo 10.02 sou a primeira pessoa que comentou, é exactamente isso que pretendo, tenho andado a pesquisar clínicas na Dinamarca porque lá existe essa possibilidade, além de terem um dos maiores bancos de dadores do mundo, agrada me a ideia que a criança poderá saber mais acerca de onde veio, algo que em Portugal penso que ainda não seja possível.

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    7. Eu não tenho nada a ver com isso mas tenho imensa curiosidade em perceber porque é que se recorre a dadores ou barrigas de aluguer quando há milhares de crianças a precisar de quem os ame e cuide.

      Eu sei que são processos que não têm nada a ver supostamente mas conheço pessoas que estão em processos de PMA e são completamente contra a adopção. Para mim é curioso. Só é possível amar filhos biológicos?

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    8. Falo por mim, se um processo recorrendo a ajuda clinica já não é fácil, um processo de adopção então é bem pior! A imagem cá para fora até pode ser que todos têm igualdade mas não foi isso que me apercebi, os casais ainda são prioritários. A vida é remexida ao mm, porque o trabalho assim, os horários assados, o tipo de casa, o apoio familiar, mexem e remexem em tudo, não quero dizer que não compreendo porque o fazem, sei que tem de ser cautelosos. Mas com um filho biológico ninguém vem ver o nr de assoalhadas, ninguém vem ver o seu trabalho, ou as horas que trabalha, simplesmente vive se a sua vida de uma forma privada e cria-se a criança como cada pessoa acha que se pode criar um filho, com um assistente social por trás parece que a vida tem de se viver consoante um padrão que alguém instituiu, se há quem viva o processo e lide bem, há quem simplesmente não goste de ver a vida vista e revista. Conheço de perto casais que adoptaram e mais tarde ou mais cedo houve problemas, e não se devolve uma criança como umas calças. Há a questão da raça, há quem não se importe do "que lhe calhar" falando grosseiramente, mas há quem se importe, eu por exemplo não tenho problemas em admitir que não gostaria de criar uma criança de outra raça, neste processo como em qualquer outro interessa ser se verdadeiro e consciente da sua decisão, estamos a falar de crianças, algo que é para sempre, não vale a pena ir por um caminho que não se tem a certeza que é mesmo isso que pretende mesmo quando surgir problemas, e a adopção simplesmente não é para todos e ainda bem, é para quem sente o chamamento, só a minha opinião.

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    9. E eu não percebo, Anónimo das 18:20, porque é que solteiros(as) e/ou homossexuais hão-de ser empurrados para a adopção por pessoas que nada têm a ver com as suas vidas. Há mais opções e ainda bem que as há, cabe a cada um decidir o que é melhor para si.
      Ninguém questiona uma mulher casada e heterossexual: "Ai que horror, queres engravidar para quê?! Há tantas crianças para adoptar..."

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    10. Percebo os seus argumentos e obrigada por me ter dado a sua visão da questão.
      Acredito que os parâmetros de avaliação que permitam limitar a cor da pele, a idade e as outras características evitem (ou tentem evitar) essas incompatibilidades mas também acredito que isso se torne num ponto que possa ser utilizado contra quem está a adoptar.

      Anónimo das 19:54h não quero empurrar ninguém para nada. Quando fiz a questão inclui todos os que recorrem a esses processos. Provavelmente existirão pelo menos tantos casais heterossexuais como homossexuais ou pessoas solteiras a enveredar pelas barrigas de aluguer ou mesmo pelos dadores.
      Eu não sou responsável pelos seus preconceitos.

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    11. Quais preconceitos, Anónimo das 22:45? O seu comentário não foi postado isoladamente, se escolheu inscrevê-lo nesta coluna é porque quis posicionar-se em relação ao comentário original e ao diálogo subsequente.

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    12. Anónimo de 2 de maio de 2018 às 18:20 : sendo assim porque é que as pessoas continuam a procriar? Porque não adoptam? Porque optam em gerar um filho em vez de o adoptarem?

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    13. Portanto está a pressupor que eu tive um raciocínio enviesado e não que eu simplesmente tenho curiosidade sobre as motivações dos outros.
      Está a pressupor que o fiz porque uma mulher solteira expôs o seu caso. Até poderia dar-lhe o benefício da dúvida se tivesse referido apenas os solteiros mas tendo em conta que não foi referido a sexualidade dos envolvidos no processo, nem o estado civil, para mim torna-se claro que o seu comentário é baseado num pré-conceito seu qd levanta a questão sobre os heterossexuais. Partiu do pressuposto que para mim haveria diferenças.

      Anon das 10:01h não posso falar pelos outros mas apenas por mim. Faço intenções de adoptar no futuro, sim.

      Falemos dum casal heterossexual hipotético, que não consegue engravidar. Há muitos que se sujeitam aos tratamentos, a intervenções invasivas, etc e que são completamente contra a adopção. Para mim é difícil de entender o que poderá motivá-los.

      É apenas uma curiosidade. Gosto de tentar compreender a mente humana e de ouvir os testemunhos.

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    14. O Anónimo está agora a desviar um pouco o assunto
      O que disse foi:
      "Eu não tenho nada a ver com isso mas tenho imensa curiosidade em perceber porque é que se recorre a dadores ou barrigas de aluguer quando há milhares de crianças a precisar de quem os ame e cuide. "

      Se não estivesse a distinguir diria
      "Eu não tenho nada a ver com isso mas tenho imensa curiosidade em perceber porque é que se recorre a dadores ou barrigas de aluguer OU PORQUE É QUE SE PROCRIA quando há milhares de crianças a precisar de quem os ame e cuide. "

      Tanto deve fazer este raciocínio quem recorre a dadores/barrigas como quem tem um filho naturalmente, ou não? Quando conhece alguém que esteja grávida, coloca essa questão? "Não sei porque engravidas-te podendo adotar...". Coloca?! Ou apenas lhe surge esta questão no âmbito das barrigas de aluguer e dadores?

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    15. "Só é possível amar filhos biológicos?"... Sim algumas pessoas só conseguem amar filhos biológicos e outros nem isso, veja lá!

      Acho lindo alguém amar filhos adoptados, eu não conseguiria. Não somos todos iguais, nem podemos obrigar os outros a serem iguais a nós.

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  2. Picante, pegando neste pedaço "em menos de nada também vai ser possível comprar um rim, um pedaço de fígado ou um olho." e riscando apenas o verbo, digo-lhe que; já alguém teve ideia igual.
    Baseado no romance de Kazuo Ishiguro - Prémio Nobel da Literatura de 2017, "Nunca Me Deixes" é o filme que recomendo. E que começa assim:
    "Meu nome é Kathy H. Tenho 28 anos. Sou assistente há nove anos. E sou boa no que faço."

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    1. Vou comprar o livro, Té. Fui ler a sinopse e despertou-me a curiosidade. Obrigada!

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  3. Sim, compre o livro. Mas veja o filme.

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  4. Picante como sua fã volte so ao registo habitual, é para isso que nós cá viemos

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    1. ...pelo contrário, Picante, faça mais critica literária, vamos adorar essa nova faceta!

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    2. Crítica literária? Sério? Está certo.

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    3. Está visto que não pode ter opiniões. Vêm cá só para a ler a falar mal de gente que não lhe fez mal nenhum. Eu prefiro este registo.

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  5. The Handmaid's Tale... taaaao bom!

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    1. Vi a primeira temporada de enfiada num fim de semana.

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  6. Pela 1ª (acho eu) vez discordo de si. É a ciência e a medicina a evoluir, caso contrário, as verdadeiras incubadores, que permitem que bebés que outrora não sobrevivessem, também não seriam usadas e hoje em dia os milhares de bebés que conseguem sobreviver graças a isso morreriam também. Para pegar na sua analogia das incubadores, mas encontraríamos muitas mais na medicina.
    Mesmo católica, sou uma mulher da ciência, da medicina, e consigo conciliar ambas as coisas. Desde que estejam todos de acordo, quem "aluga" o útero e quem o empresta, não vejo mal. Seria perfeitamente capaz de recorrer a tal se fosse infértil, e seria perfeitamente capaz de ajudar se alguém que me fosse próximo (uma irmã, talvez) precisasse.Consigo perceber quem está desesperado à procura dessa solução e perceber que haja quem faça isso por razões além do dinheiro.
    Se tiver confiança com esse amigo, pergunte porquê, os motivos, os prós e contras, ele deve ter pensado muito nisso e se calhar mudará de ideias. Às vezes devemos ter a mente aberta a ouvir o que os outros sentem, ninguém faz isso de ânimo leve.

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    1. A ciência tem de ter limites, limites esses que na minha opinião são definidos pela ética.
      Uma coisa é salvar bebés usando incubadoras, para pegar no seu exemplo. Outra, completamente diferente, é fabricar crianças, usando o corpo da mulher (mais desfavorecida em 99% dos casos) como se de um objecto se tratasse.
      O meu amigo é homossexual e queria ter filhos com o seu adn. Vai daí que pagou a alguém que passa dificuldades para os ter. Sou totalmente contra isto que equiparo a comprar bebés e ele sabe. Não tem nada a ver com religião tem a ver com princípios éticos (meus) que são intransponíveis.

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    2. Negativo. Não se estão a fabricar crianças, senão seria o mesmo com a inseminação artificial e já li aqui que não é contra a inseminação artificial. A criança está "fabricada" por inseminação artificial, precisa apenas dum meio para desenvolver. Senão teria que ser contra também a inseminação artificial, já que tudo começa por aí.
      Está a ver, fica um pouco difícil definir os limites da ética e da ciência. Para mim desde que todas as partes concordem e no final não hajam trenguices, não vejo atropelo ético.

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    3. Não sabe se a pessoa passa dificuldades. Pode fazê-lo, além do dinheiro, por querer ajudar outros. Aqui há uns tempos deu uma entrevista sobre esse tema em que uma mulher, junto com o marido, falava disso mesmo, de se sentir bem por ajudar alguém a concretizar um sonho.
      Eu faria isso por um familiar, sem qualquer dinheiro envolvido.

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  7. Cara Picante se politicamente temos "cores" diferentes no que toca a liberdade neste caso, não podia concordar mais.
    É pena confundir-se liberdade com alienação de valores e princípios e mais triste é quem concorde com essa situação aberrante escudando-se do direito de ser mãe é ter filhos.

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    1. Ora nem mais. Isto é o admirável mundo novo sem tirar nem pôr.

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  8. Anónima das 14.47, gerar um filho não é o mesmo que comprar uma couve. Existem sentimentos envolvidos. O ser humano é uma "máquina" especial. Acha que gerar um filho é desprovido de amor? Por alguma razão existem cláusulas que previnem o arrependimento da "barriga". Já pensou que uma "barriga" pode gerar crianças de 2 mães diferentes com esperma do mesmo dador, e que essas mesmas crianças se venham a envolver mais tarde? Este assunto tem "pano para mangas". Também sou da ciência e discordo totalmente de barrigas de aluguer. Nem sempre, infelizmente, conseguimos o que mais queremos. Mas a vida é assim.

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    1. Eu não tenho nada contra a inseminação artificial, apesar de se poder incorrer nesse risco de meios irmãos se virem a relacionar. Mas isto vai muito para além disso.

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    2. Uma barriga de aluguer quando aceita ser barriga de aluguer sabe que está a gerar um filho que não é seu, ponto. (duas vezes!!)
      Não há material genético seu. Que sentido tem isso. Se acha que se pode envolver emocionalmente com a criança, não aceita ser barriga de aluguer, simples. Não vai no final "ficar/tirar" a criança aos pais reais/verdadeiros, que têm o mesmo material genético. Onde é que isso faz sentido?

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  9. Quando temos filhos gerados da maneira convencional, sem sobressaltos é fácil falar sobre as decisões de outros que não tiveram essa facilidade. "Nem sempre podemos ter o que queremos". E verdade, e eu aceitaria essa afirmação se estivessemos a falar de um carro topo de gama ou de uma moradia de milhares de euros. Mas estamos a falar da vida humana, daquilo que é mais animal em nós, o desejo de nos vermos continuados e de perpetuarmos o nosso sangue e a nossa especie. Quem não tem este problema jamais perceberá o que sente quem se vê impossibilitado de ter filhos, por mais empatia que tenha, jamais perceberá. Tivesse eu dinheiro suficiente para isso e não hesitaria em fazer como o seu amigo, recorrer a um útero que gerasse o meu filho, já que no meu não consigo.

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    1. lamento muito que não possa gerar um filho, mas continuo a ser completamente contra barrigas de aluguer. Nunca me passou pela cabeça comparar o que é incomparável. Acha que um filho é comparável a um carro ou uma casa? E ressalvo uma vez mais: Nem sempre podemos ter o que queremos. Perdi parte do meu corpo (mamas e aparelho reprodutor) devido a 3 "bichos maus" e tenho vindo a aprender a lidar com esta infelicidade que me bateu à porta. Gerar um filho mesmo que o material genético não seja da "barriga" envolve sentimentos. O ser humano é uma máquina especial, E nada disto tem a ver com religião. Zanguei-me com Deus (se é que existe) desde que isto me aconteceu.

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    2. Lamento imenso a sua situação, não consigo imaginar a tristeza que possa sentir quem quer muito ter um filho e está impossibilitado de o gerar. Mas é exactamente por estarmos a falar de vidas humanas que sou totalmente contra. Nem no caso de familiares directos onde não há lugar a pagamentos. Para mim é totalmente inaceitável alugar alguém para nos dar um filho.

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    3. Para mim uma vida sem filhos nunca foi opção. Nem sequer teria casado com alguém que não quisesse ter filhos (e terminei relações por causa disso)
      Mas no caso de não conseguir engravidar, a minha ideia sem foi adoptar. Aliás sempre sonhei ter 2 filhos e um deles ser adoptado.

      Por isso não creio que seja a única solução.

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  10. Eu acho muito mais aceitável o “aluguer” do útero do que a doação de óvulos/esperma. Ou seja, eu mais depressa seria capaz de “emprestar” o meu útero para servir de “forninho” a um bebé do que doaria um dos meus óvulos. Porque ao doar óvulos iria nascer uma criança com 50% do Meu ADN. Haveria a possibilidade de existir uma cópia de mim pelo mundo, com os meus olhos, o meu sorriso, algum dos meus tiques.... e haveria também a hipótese de um dia, o ser que resultou desse meu óvulo se encontrasse com um filho meu, e vários cenários desde amizade a amor seriam possíveis.... não? Num país tão pequeno como o nosso, num mundo tão globalizado como o nosso, será tão improvável que isso aconteça??!!!
    As barrigas de aluguer não cedem qualquer tipo de material genético, o bebé é efectivamente de outras pessoas, será sempre um indivíduo com uma origem genética diferente da barriga de aluguer. São simplesmente uma incubadora, o forno que permite que uma vida floresça.

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    1. Por isso existem bancos internacionais, a probabilidade de "irmãos" se cruzarem um dia é bastante reduzida

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    2. Eu discordo. Há toda uma série de aspectos envolvidos nas barrigas de aluguer a começar pelos riscos inerentes a uma gravidez.
      (Mas eu também não doaria óvulos, faz-me confusão saber que pode haver um filho meu por aí sem que eu saiba ou possa cuidar)

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    3. Anónimo da 01.55, mas essa probabilidade por muito reduzida que seja, existe. Leia o que aconteceu com irmãos que foram separados durante a II guerra mundial e que foram parar a países diferentes

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    4. Acha mesmo que a hipótese de irmãos se cruzarem é muito reduzida? Cada dador de esperma pode fazer umas 25 doações. Basta uma pequena pesquisa pela internet para ver que há vários casos de pessoas que fazem mais de 100 doações. No mesmo país! Acho mesmo que daqui a uns poucos anos vai haver muita polémica e muitos problemas à conta disto. Lá está, como a picante diz, ao doar um óvulo há um filho nosso pelo mundo. Talvez uma cópia perfeita de nós próprios. E isso é muito, muito estranho! Ao haver uma barriga de aluguer, desde que seja com regras bem definidas, há um filho de outros que cresce numa “incubadora” humana...

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    5. Não faço ideia quantas doações um dador poderá fazer, mas o anónimo falou em bancos estrangeiros, mesmo que tivesse dado 100 doações ( que não sei se isso realmente existe ou não ), algumas dessas doações não resultam em crianças porque os tratamentos muitas vezes falham, e é muita coincidência que várias mulheres que vivem no mesmo país recorram ao mesmo dador vivendo ele a vários milhares de kms e por sua vez os meios irmãos até se chegam a conhecer e a envolver por obra do acaso, a probabilidade disso acontecer também a mim me parece difícil.
      Mas e já agora, alguém pode afirmar com toda a certeza que não tem meios irmãos espalhados por aí e se calhar na mesma cidade? Alguém sabe todos os passos do seu pai? Aconteceu bem perto de mim, e se os meios irmãos até andam na mesma faculdade e não sabiam da existência um do outro? As pessoas criticam muito as decisões dos outros até lhes acontecer dentro da sua casa.

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    6. Aconteceu com uma grande amiga minha, era filha de pai incógnito, acho que hoje nem permitem registar assim, a mãe envolvera-se com um homem casado e nunca lhe disse quem era o pai, só há uns anos já ela adulta lhe contou, e foi por muita insistência, era casado, tinha 3 filhos e vivia relativamente perto, hoje ela conhece os irmãos, mas imaginem que se teriam encontrado noutras circunstâncias......... são situações que ninguém espera mas acontecem

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    7. Concordo completamente com o anónimo das 22:41.
      As mulheres que aceitam ser "incubadoras" sabem que o bebé na realidade não é delas. Nem entendo como conseguem criar uma ligação com um ser que não tem rigorosamente nada delas, por isso nem entendo a discussão. E de não ser anónimo, a criança não tem que um dia querer saber quem foi o seu útero, não tem sentido nenhuma a discussão.
      Eu conseguiria perfeitamente gerar um ser sabendo que não era sem qualquer apego. Só não me inscrevo porque tive gravidezes péssimas e não o faria por dinheiro nenhum!

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  11. A liberdade Individual funciona tambem para quem aceita ser barriga de aluger.

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    1. Alguém que aceite receber um pagamento para incubar uma criança que nunca mais verá dificilmente o faz porque é livre.

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    2. Claro que sim, assim como para quem aceita vender um rim. E´baseando-se nisso que os ricos podem comprar e alugar orgaos a quem tem a liberdade de vender partes do corpo para poder comer. Estranho o conceito de liberdade, nao é ?

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  12. Isto eh um misto de crueldade e ignorancia.
    Mas a vida ensina e quem cospe para o ar, tarde ou cedo lhe bate a porta.
    A melhor licao de vida que ja vi foi do casal muito catolico que teve um filho gay. A vida ensina a compaixao por vias atravessadas.

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    1. Ser contra a exploração da miséria humana é ter compaixão. É lutar pela dignidade humana.
      Não consigo entender o que é isso de católicos que têm filhos gays como forma de lição de vida. É que já nem o Papa condena a homossexualidade. Já abria os olhos, não?

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  13. É uma idiotice achar que se pode travar o "progresso".

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    1. Progresso é uma coisa,sentimentos e amor são completamente distintos. Não há termo de comparação. Achar que o ser humano é somente uma máquina é descabido

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    2. De todas as pessoas que recorrem à ciência para terem filhos vejo o ponto comum, o enorme amor que querem dar a um filho, gastam o que têm e o que não têm, sujeitam se a consultas, exames, injeções, comprimidos, técnicas desconfortáveis, a sua intimidade desfeita, a sua privacidade devassada, os dias tornam se longos, a espera dolorosa, é preciso querer muito para se sujeitarem a tudo isto, enquanto algumas engravidam do ar quase, depois ou vão desfazer o "erro" e isto várias vezes ou deixam nos nascer para os abandonar, algumas matar ou maltratar, realmente o progresso nem tem a ver com sentimentos e amor neste caso, pois não! Acho que algumas só são contra o progresso até precisarem dele

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    3. Um enorme amor que os leva a não hesitar a pagar a alguém necessitado para ser um objecto incubador, com todos os riscos que isso envolve para a saúde. Vai desculpar-me mas eu acho que amor é outra coisa qualquer, a isso eu chamo egocentrismo.

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  14. Eu não sou contra os órgãos feitos em laboratório (de preferência a partir das células do organismo de quem precisa do transplante. Estamos cada vez mais perto dessa realidade felizmente!

    E tb não sou contra as barrigas de substituição mas sou das barrigas de aluguer.
    Comecei a ser qd li sobre a realidade dessas barrigas num país de 3o mundo. As "fábricas" de bebés, a exploração, o abandono dos bebés deficientes por parte dos pais biológicos, vazios legais, exploração/escravatura das mulheres sujeitas a este processo e o impacto psicológico de ter um bebé arrancado dos braços depois de terem construído uma ligação emocional ao mesmo.
    No entanto sou a favor da lei que foi vetada em Portugal. No entanto é tb preciso pensar na mulher que engravida, que tem o bebé, que o nutre, cuida, sente, etc etc

    Enquanto mulher que pariu há 10 meses pela última vez e que ainda tem todas as sensações da gravidez bem presentes não concebo sequer como é que se consegue abdicar de um bebé que cresceu dentro de nós. Podia ser geneticamente filho de outra pessoa mas a ligação que se cria na gravidez é de mãe para filho. Pelo menos para mim é e eu não seria capaz de o fazer.

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    1. A não ser, talvez, que ser barriga de aluguer fosse uma forma de dar de comer aos seus filhos biológicos, que é o que move muitas dessas mulheres. Acho que é uma exploração degradante do mais poderoso pelo mais fraco, não consigo ser a favor.
      E concordo consigo, não consigo imaginar como é que se entrega um ser que cresceu dentro de nós, ainda que sem o nosso adn.

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    2. Pelos meus filhos acho que seria capaz de tudo, até de me prostituir (que pessoalmente é daquelas coisas que preferia limpar sanitas sujas o resto da vida) mas mesmo assim criar um ser dentro de mim era como ter outro filho. E vendê-lo. Era como se vendesse um filho meu!! Geneticamente não era meu mas emocionalmente seria.

      Mas é como aqueles que vendem os filhos para garantir a sobrevivência da família. Para mim é impensável mas há quem o faça.

      Mas a nossa lei supostamente não iria permitir estes extremos. E se eu não me imagino a fazê-lo na mesma, acredito que existam pessoas que o fizessem por uma filha/irmã. Mas tb acredito que mesmo assim deveriam ter acesso a acompanhamento psicológico no decorrer de todo o processo.

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    3. Todas as coisas têm um começo. O truque é ir habituando as massas, pouco a pouco.
      O aborto, por exemplo é uma coisa banal para muitos miúdos, há pouco tempo tive de ter uma conversa séria com o meu filho e explicar-lhe exactamente todas as implicações de um aborto e como é um feto de 12 semanas. Caso ele crescesse a achar que é banal seria isso mesmo que um dia passaria aos seus filhos. Pode demorar tempo mas a lavagem cerebral funciona, não é à toa que o Souros dá tanto dinheiro a jornalistas independentes.

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  15. Como se o "progresso" obedecesse à ética. Escrevem cada burrada, jasus!

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  16. É assustador aquilo a que se chama progresso. De facto a ciência já permite muitas coisas. Também a bomba atómica ou a clonagem foram fruto do progresso e da ciência e nem por isso são coisas boas. Ter filhos não é um direito fundamental que as pessoas têm. É algo que a natureza, quando reunidas várias condições, nos permite ter, mas não vale tudo para chegar a esse fim. Querer ter um filho é um desejo normal de muitas pessoas e imagino a infelicidade que deve ser não os poder ter, mas o problema é esse desejo passar a capricho. As barrigas de aluguer ou de substituição envolvem pessoas e é exactamente esse o motivo pelo qual os chavões "progresso" e "ciência" não chegam para justifica-las. Aquilo a que aqui se chama de amor a mim parece-me mais um profundo desrespeito pela vida humana e um egoísmo levado ao extremo. É o verdadeiro "quero um filho, doa a quem doer"!

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