segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ainda na senda da liberdade

Recentemente fiquei na posse da informação de que um amigo iria receber mais uma criança, umas semanas antes do previsto. A palavra receber não vem a despropósito, a criança vem dos Estados Unidos, terra de liberdades e oportunidades. Estranha liberdade essa que permite a alguém com dinheiro pagar a uma mulher para que sirva de incubadora do seu filho durante nove meses. Se isto não for a suprema objectificação do corpo da mulher, além da exploração última dos pobres pelos ricos, então eu não percebo nada de exploração, em menos de nada também vai ser possível comprar um rim, um pedaço de fígado ou um olho.
Quando é que a liberdade individual do ter ou ser atingirá os limites do eticamente errado? Ou será que "ética" foi definitivamente afastada do dicionário no novo milénio?
Mas o que eu queria mesmo dizer é que acabou de estrear a segunda temporada de Handmaid's tale.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ainda do dia de ontem

Enquanto Gaspar Macedo, um miúdo que não tem papas na língua nem embarca no politicamente correcto, foi agredido nas comemorações do dia por indivíduos de extrema esquerda (os fofos do BE, pois claro), os mesmos que acham que os cidadãos têm de ser tolerantes para com toda e qualquer ideia (as suas ideias, claro) mas que agridem todos os que pensam diferente deles, foi inaugurado o jardim do Campo Grande, lá apressaram as obras que se arrastavam há meses, de maneira a que um tipo que alegadamente envolvido num escândalo de pedofilia fosse inaugurar um espaço para crianças (ahahahahahah, a ironia da coisa mata-me) numa homenagem a um outro tipo que enriqueceu à custa do exercício de cargos públicos.
Gosto muito de Portugal, estamos alegremente a caminhar para um futuro mesmo risonho de gente compreensiva e tolerante. E democrática, claro.

Dia da liberdade

"O Estado é um grande proprietário. Acumula prédios rústicos e urbanos pelo país fora. Inúmeros estão ao abandono, degradados, devolutos. Não os recupera, não os arrenda, nem oferece. Mas quer ocupar os dos outros. O Estado foi sequestrado por uma "geringonça" que celebra o 25 de Abril com discursos sobre a liberdade, enquanto força como pode a "transição para a sociedade socialista" - e paternalista -, que sufoca e se julga no direito de impor o que se pode dizer, pensar, fazer. Tudo se decreta. É muito mais PREC do que 25 de Novembro. Encara o trabalho como servidão fiscal, a riqueza como pecado e os proprietários como arrendatários do Estado. Acha normal castigar todos, por tudo aquilo em que não dá - nunca deu - melhor exemplo. E nem sequer se questiona.
A propriedade privada é um direito constitucional fundamental. Encarna a crença dos que acreditam nas vantagens do trabalho e, através dele, esperam ascender por esforço próprio a melhores condições de vida. Não existe para rateio ideológico de quem encontra virtudes melhores na mão estendida ao benefício do Estado, tendo outras alternativas.
Ter casa ou casas é um ato de vontade, de resto, tributado abundantemente. E mantê-las vazias, uma prerrogativa de quem as pagou, ou herdou, tão legítima como a decisão de as arrendar, se for caso disso. Intolerável, por muito que o BE mande nos tempos que correm, é perceber um governo representado por quem perdeu as eleições, transformado numa espécie de "Okupa", ao serviço da agenda ideológica do "proletariado".
Numa declaração que não se estranharia em Vasco Gonçalves, o PS anunciou que os proprietários deverão "participar na prossecução do objetivo nacional de garantir a todos, para si e para as suas famílias, o direito a uma habitação condigna". Conviria que o PS começasse por entender que numa democracia verdadeira o Estado não se apropria das casas dos outros, para as entregar a quem lhe apeteça. Sendo que se realmente o quer fazer, que comece pelas suas. São garantidamente muitas.
António Costa que saia do Palácio de S. Bento e atravesse o país. Conte os edifícios que, apesar das suas obrigações, a tutela mantém vazios e decrépitos. Chame depois Catarina Martins, que com facilidade encontrará quem lhe escreva nas paredes: "aqui podia morar gente".
Em 1975, ocuparam-se terras alheias debaixo do grito "a terra a quem a trabalha". Em 2018, tenta-se "as casas a quem as ocupe". Alguns dos protagonistas são os mesmos. Era o que mais faltava."

Do enorme Nuno Melo

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Diz que temos chuva para o fim de semana

Ouvi um rebuliço qualquer sobre o ministério da administração interna querer multar os condutores de ambulâncias que circulem a mais de 50km/h, o Carlos César acha perfeitamente normal e ético ser reembolsado por viagens que não chegou a fazer, o Salgado diz que já ouviu falar do Diabo mas nunca o tinha sentido... que aquelas coincidências só podiam ser obra do Diabo, A SIC tem acesso a gravações de processos que supostamente deveriam estar em segredo de justiço e não acontece nada.
Estou capaz de não tornar a ouvir um noticiário, cada vez mais me apetece correr aquela gente toda à chapada.
Mas o que realmente me preocupa é que remarquei, pela quadragésima quarta vez, um evento ao ar livre e diz que vamos ter trovoadas e aguaceiros. Que se lixe, já disse que uns impermeáveis são capazes de ser boa ideia.
Bom fim de semana, pessoas!

(isto sou eu a querer socializar com os estimados leitores, não se esqueçam de passar aqui a desejar um bom fim de semana)





(por favor?...)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Vamos andando, como Deus quer

No mesmo dia em que o meu país aprova uma lei que autoriza a mudança de género aos dezasseis anos, aquela idade extraordinariamente madura em que toda a gente é cheia de certezas sobre a vida em geral e o sexo em particular, isto sem que seja necessário um parecer médico a atestar que a pessoa não é maluquinha e que efectivamente sofre de disforia de género, tomo conhecimento de que há por aí uma onda de indignação geral a propósito de um texto que o Zé Quintela escreveu, o qual pretendia ser uma crítica sarcástica ao governo. Infelizmente parece que é demais pedir às pessoas que compreendam exactamente aquilo que lêem. Também deve ser demais pedir às pessoas que fiquem mais indignadas com a situação das crianças da área de oncologia do hospital de S. João que com uma crítica que não tem por alvo doentes oncológicos ou vítimas da guerra da Síria.