quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Em Roma também era assim


E depois ouvi o Tio Marcelo fazer o discurso mais incisivo, assertivo e duro de que há memória um PR fazer acerca do comportamento de um Governo, de uma só penada demitiu publicamente a ministra, deu um valente puxão de orelhas a Costa e obrigou o PCP a dizer, de uma vez por todas, de que lado do muro está, se todas estas mortes e incúrias pesarão ou não na sua consciência. E depois li uma carta muito emotiva da ministra demissionária, que se tinha sacrificado muito e não sei quê da sua dignidade pessoal e ouvi o Costa dizer, meio irritado, "se me quer ouvir pedir desculpas eu peço", e em verdade vos digo que é mesmo assim que pequenos Picantes pedem desculpa um ao outro quando não querem dar o braço a torcer e a palavra só lhes sai da boca por eu ter obrigado, e logo de seguida lá estava o Costa, lamentando-se de todas as mortes que lhe iriam pesar para sempre na consciência, e deste lado eu ouvia "eu", "eu", "eu", e logo depois de toda esta emoção para Português ver eu ouço-o vangloriar-se de que o seu Governo ainda irá ficar mais forte, depois desta mais que merecida moção de censura, e logo a seguir veio o João Oliveira dizer que a culpa destes incêndios eram das políticas de direita e eu fiquei para aqui a pensar que nos últimos vinte e três anos o PS ocupou a cadeira durante uns dezasseis, na lógica de João Oliveira o PS também deve ser um partido neoliberal, e no fim não pude deixar de pensar que vamos (vou) ter de levar com estes incompetentes egocêntricos durante mais dois anos. Em verdade vos digo que me ficou um ligeiro travo amargo no coração, temos um governo que, perante um dos mais violentos dramas de que há memória em Portugal, se centra não naqueles que governa mas em si e na sua preservação. Esta é talvez a maior quebra de confiança de sempre.

*Analogia do sempre brilhante Xilre, who else?

15 comentários:

  1. Se António Costa massacrou friamente uma ministra que visivelmente não tinha condições emocionais para estar à frente do que quer que fosse (dava dó olhar para ela de cada vez que aparecia em público), massacrou uma ministra por quem diz ter a maior estima, amizade e consideração pessoal e profissional, por que raio não haveria de ser frio e egocêntrico a tratar a questão dos incêndios? Ele lá sabe o que é empatia ou humanidade?
    António Costa, aquele que logo após os incêndios do Pedrógão Grande ruma a Palma de Maiorca para férias, exigiu da Ministra um sacríficio que não se impôs a si mesmo, quando a de sair, impediu que ela "gozasse férias", desabafo irrefletido de quem estava visivelmente exausta, desabafo que foi a gota de água num copo que há muito estava a transbordar, o mesmo António Costa, que há dois dias dizia estar de consciência tranquila, afinal veio dizer que os mortos lhe pesam, porque percebeu que lhe fica bem dizer que sim, é o mesmo que diz que "sim, pronto, eu peço desculpa, desampara-me lá a loja". António Costa só tem uma prioridade e objectivo, António Costa só quer saber do seu umbigo e de manter o poleiro, custe o que custar, vidas humanas inclusive.

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    1. A mãe de Costa que tanto batalhou (dizem) para a democracia deve estar para morrer.

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    2. Por acaso ontem comentava num outro blog que a ministra deve estar à beira de um burnout. Claramente estes 4 meses deixaram-na em "frangalhos". Eu ficaria à beira de uma depressão se tivesse de passar pelo que ela passou. Mas isso sou eu, que claramente não sou material ministeriável.

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    3. Ela também não é. O problema foi sempre esse.

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  2. Genial! Tirou me, a mim e a muitos de certeza, as palavras da boca! Acordem meu povo!!

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  3. O Presidente da República demitiu publicamente a ministra, quando um par de horas antes já se sabia da demissão? Pois sim, é isso tudo. E olhe que em nada apoio tudo o que se tem passado, mas também não olho só para o lado que me é mais conveniente. Quem teve estes anos todos no governo precisa ser responsabilizado, tanto da direita como da esquerda. Não é momento para as trivialidades partidárias.

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    1. O que está a dizer é mentira. A ministra tornou pública a demissão APÓS o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

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    2. Ela ter tornado pública após o discurso, e ter sido por causa do Marcelo são coisas diferentes.

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    3. Não são, não. Na véspera tinha dito claramente que não se demitia. Após o discurso demitiu-se, na verdade não restava a Costa (atenção que eu escrevi Costa e não Constança) outra opção. Foi demitida por Marcelo Rebelo de Sousa.

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    4. Antes do discurso já se sabia que ela ia apresentar a demissão.

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    5. Ainda bem para si que é tão bem informado. O resto do povo não sabia. Assim sendo ficamos todos a achar que ela ou é aldraboes ou cata-vento, nenhuma das duas alternativas me parece muito conveniente a um ministro.

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    6. por isso é que (finalmente) se pôs a andar.

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    7. E como o resto do povo não sabia, então é mentira? A maioria das pessoas não sabe a teoria da relatividade e não é por isso que é mentira. E sim, a competência não abonou a favor da Constança.

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    8. O povo só sabe quando a comunicação é feita. Ora a comunicação foi feita após o discurso do PR.
      O resto não há forma de se saber, o anónimo poderá dizer o que quiser, eu também não sei se o que diz é verdade.

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