quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Deixa-te estar quieto

Não enchas automóveis com água, comida, roupas ou itens inúteis como panelas, pratos, brinquedos ou livros. Não agarres em ti e não vás até ao interior do país. Não faças donativos em dinheiro. Não te manifestes, acima de tudo não de manifestes, não digas ao Governo que o Estado falhou em toda a linha na sua função mais básica - a de proteger o povo. 
Qualquer coisa que faças é pura hipocrisia, afinal, quando dás a tua roupa, os teus livros, o teu dinheiro ou o teu tempo, apenas o fazes para te sentir melhor, quiçá para fazer uma limpeza aos armários e libertar espaço para os fatos novinhos em folha, que comprarás numa qualquer loja da Avenida da Liberdade. Deixa as pessoas em paz, afinal podem sempre esperar que a protecção civil apareça e que o Estado aja. Se esperarem quatro ou cinco dias, não se passa nada, tu tens mais é que ir sentir o odor a madeira queimada, cegar enquanto conduzes pelos outrora belos caminhos Portugueses ou ficar em casa, calado de preferência. Deixa-te estar quieto, não sei se já disse.

48 comentários:

  1. É... Ir lá. Ver e sentir e isso.

    http://observador.pt/2017/10/22/turismo-morbido-dificulta-acao-de-bombeiros-em-reacendimentos-na-marinha-grande/

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    1. Isso é o turismo mórbido, Nê. Eu sei de muita gente que se fez à estrada, juntamente com a comida levou conforto. Eu só não fui porque não conheço aquilo, acho que iria atrapalhar mais que ajudar.
      Quem é recebido em lágrimas e dá alimento não merece censura, nem da protecção civil.

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    2. Pic, por muito boa vontade que as pessoas tenham, e obviamente que ninguém é ninguém para criticar quem pega e vai e obviamente que quem recebe ganha pelo menos conforto. (Ou não. Ou sente-se invadido na sua desgraça... Mas, reforço, ainda bem que há pessoas assim.)
      Agora... Imaginas o caos se toda a gente fizesse o mesmo? Se cada um de nós saísse da Grande cidade com o carro cheio daquilo que nos parecesse, rumo sabe-se lá bem onde?

      O que as pessoas deviam estar conscientes é que poucas destas pessoas precisam de roupa, por exemplo. Afinal não foram assim tantas as casas de primeira habitação que arderam e essas vão ser ressarcidas. Agora... E os barracões? E os animais? E os animais que sobreviveram comem o quê? O que estas pessoas precisam é de alfaias agrícolas (mas quais?), cabeças de gado, lenha (onde se compra, como se transporta?)... É de alimentação para os animais (mas esta não se vende nos supermercados, nem dá para transportar em carros particulares...)

      Como é que a sociedade civil pode então ajudar de forma sustentada? Exigindo competência e transparência a quem nos governa, exigido, nas ruas, nas redes sociais, nos orgãos de comunicação social, nas urnas, enfim, como conseguir, e fazendo donativos em dinheiro. (Mas claro que aqui temos o grave problema de Pedrogão nos ter mostrado que o dinheiro pode não chegar aonde devia... Isto sim é um grande problema. E também para isto devemos exigir máxima transparência.)

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    3. Isso seria tudo muito verdade se a protecção civil estivesse devidamente organizada. O problema é que não está(va), havia gente sem comida e sem água.

      Mas sim, à partida concordo contigo, eu tenho a perfeita noção de que seria pouco útil visto ir rumo ao desconhecido. Que há gente muito melhor preparada para dar socorro imediato.
      (eu não sou daquelas que abranda quando há um acidente, a única vez que parei foi mesmo para prestar socorro)

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    4. Repara que falei em roupa, não em comida.

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    5. Na altura de Pedrogão pediram roupa. Logo ao início pediram.

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    6. Roupa essa que ainda está lá em armazéns, sem saberem o que lhe hão de fazer... Ora aí tens a preparação das pessoas, daquelas pessoas que deviam saber o que fazer, que supostamente estão preparadas para ajudar as pessoas a ajudar...

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    7. Para ajudar os animais. A Ordem dos Médicos Veterinários está a ser incansável:
      https://pt-br.facebook.com/omv.pt/

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    8. É verdade. E também lá estão uma série de veterinários espanhóis.

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    9. Por exemplo... Entregar-lhes donativos ou o que eles pedirem...

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  2. Exato! É esperar! O Estado ou o Costa, ou ambos os dois, resolvem! #AproveitaBemOTeuTempoEVaiÀsCompras

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  3. Foi tão poucochinho.
    Só as 2 comentadoras habituais lhe continuam a fazer vénias.

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    1. Puro embevecimento.
      (Pois se há quem ainda defenda o Sócrates...)

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  4. Pipocante Irrelevante Delirante25 de outubro de 2017 às 15:05

    Porra... já tinha a carroça carregada com roupas velhas e latas de atum com prazo de validade dez 2017...
    Agora botar tudo outra vez na garagem, hein?

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    1. O atum pode dar, aquilo aguenta-se muito para além do prazo.
      O resto é deitar fora.

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  5. Pipocante Irrelevante Delirante25 de outubro de 2017 às 15:07

    Façam uma noite branca. Ou chamuscada. Ou um piquenique rural na cidade, daqueles com as cabrinhas no meio do asfalto e o Tony Carreira.

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  6. "Eu só não fui porque não conheço aquilo, acho que iria atrapalhar mais que ajudar".

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    1. Quer desenvolver? Ou limita-se a fazer de papagaio?

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    2. Picante, acho que aqui "falhou" porque na verdade há muitas formas de "ir", basta fazer umas pesquisas...
      Eu também não conheço a zona, mas não consegui ficar no conforto do meu lar a fazer de conta que não era nada comigo. Juntei-me a um grupo de voluntários que estão a ajudar a reconstruir uma casa. Descobri que mesmo que fosse de mãos a abanar o que é preciso MESMO é estar presente, ouvir muito e falar menos, perguntar do que precisam, ir ao café, ajudar aquela comunidade gastando euros...Cheguei a casa de coração partido pelo vi e de coração cheio porque o meu filho, com a sua parvoíce natural, fez rir a bom rir alguém que não o deve fazer frequência.
      Estive por esses lados sábado passado, considero que foi mais útil do que manifestar-me.
      Não estou a criticar, de todo, só estou a dizer que é possivel e simples, se quiser ajudar, no local, pode contactar que eu coloco-a a falar com quem está no terreno.

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    3. Não ir ao terreno não significa ficar de rabo alapado no sofá, significa?

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    4. "Eu só não fui porque não conheço aquilo, acho que iria atrapalhar mais que ajudar".
      Não vou desenvolver.Pensava que era inteligente. Só que não.
      Basta a sua frase para nos rirmos todos muito.

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    5. Eu normalmente prefiro rir de pessoas desagradáveis e mal educadas. Pelo menos quando os assuntos não são demasiado sérios.

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    6. Claro que sim! Há muitas formas de ajudar sem ir ao terreno e isso está provado pelo dinamismo e entrega que temos visto pelo país todo e nem só nas zonas atingidas. Mas acredite em mim, pelo que vi pode ir aos locais atingidos, aproveita para conhecer e não vai atrapalhar nada.

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    7. Talvez o faça mais lá para a frente. Prefiro ir quando a coisa cair no esquecimento, cai sempre. Agora está lá muitissima gente, gente que conhece as terras, as gentes, que (espera-se) esteja organizada e saiba exactamente o que faz.
      Eu pouco mais poderia fazer que distribuir coisas ou ouvir as pessoas, nesta altura nem pesos posso carregar que ainda tenho as costas totalmente avariadas.

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    8. Mesmo ouvir, Pic... Mesmo ouvir.. As pessoas querem falar com quem lhes possa dar resposta, com representantes de entidades locias. As pessoas não querem desabafar com estranhos, caramba... As pessoas querem que lhes resolvam os problemas!!

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    9. (então aquilo do café central e de ouvir as mesmas histórias várias vezes não é não é assim tão verdade?...Oh!)

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    10. É. É isso e as pessoas terem vergonha de apertar a mão dos doutores da cidade por as terem calejadas do trabalho... Enfim, romances...

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    11. Ahahahahahah
      Essa é linda. Mesmo pensada para gerar suspiros.
      Ahahahahahah
      (Mas a verdade é que gera)

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    12. (Acredito. Eu é que coise.... Vou desencantar tempo onde não o tenho para falar do assunto, mas nos termos que este me exige. Para histórias da Carochinha é que... Enfim, falta-me o vagar.)

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    13. NM nasci na aldeia, do litoral mas aldeia. Não fazem ideia do que quanto se veneram os doutores, o quanto se envergonham perante tal entidade. O filho do fulano tal está a estudar para médico (ainda nem é nem se sabe quando e se será) mas já se venera e o Doutor Juiz que está lá para os Algarves nem se ousa cumprimentar. É mesmo assim. No inicio deste ano bati no carro de dois velhotes, fui a culpada, eles tremiam, queria bater-me, nunca tinham tido um acidente, eu era uma cabeça do ar (e não falharam tudo), não confiavam em mim, queriam chamar a policia. Tentei, a tremer muito, convencer que não, que era uma rapariga séria, que vinha preocupada com meu filho doente, que, que, que...Até que com os documentos deles na mão lhe disse que trabalhava na aldeia deles e qual a minha profissão.
      Tudo mudou e doeu ainda mais. Passaram a tratar-me pelo título, a apertar-me a mão, quase a pedir desculpa quando antes me queriam dar duas lambadas. Foram embora envergonhados de mim. Aconteceu mesmo, aqui no litoral, a 120 Km de Lisboa, 60 km de Coimbra e a 1 hora de caminho de Pedrogão Grande.
      Em Pedrogão não foi muito diferente quando me conheceram e souberam que era aquela que lhes ia dizer se a água do poço estava contaminada.
      Há "coisas" que sendo "estranhas" e quase "anormais" são fruto de um assumir de inferioridade assustador e que "Lisboa" nunca conseguirá conhecer nem entender.

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    14. Haverá de tudo neste supermercado de Deus, Bailarina. As gentes do campo que eu, nascida e criada no nordeste transmontano, conheço devem pouco a essa descrição. :)

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    15. Nascida e criada no interior norte do nosso pais subscrevo a descrição da Bailarina.

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  7. Ele não disse nada disso. Ou melhor, disse, mas a Picante está a distorcer o sentido, só para o picar, como, aliás, é o seu hábito.

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    1. Não estou a fazer tal. Eu vi desprezo por quem se manifestou. O facto de não me ter morrido uma árvore de infância não significa que não possa sentir direito à indignação.

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  8. que palhacice, ó picante. mas assim de cima a baixo. xiça.

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  9. Já enjoa, o raio do boneco!

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  10. Ai, Ai... a dor de corno é tramada

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  11. Eu que venho sempre aqui "picar" agora gostei :) e digo-lhe que falar assim também é ajudar.

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  12. https://www.publico.pt/2017/10/26/politica/noticia/governo-informou-presidente-de-todos-os-passos-e-ficou-chocado-com-reaccao-de-marcelo-1790251

    Ahhhhhhh!!! O espanto!!! "mas foi o Marcelo que fez sair a Constança." Continua a ser mentira o que lhe tinha dito? Pois... Mas se calhar são eles que estão a mentir, ou a Liliana Valente é de esquerda (não sei se é de esquerda, direita, centro, acima ou abaixo) e isto foi-lhe encomendado.
    Já que isto é dedicado ao Pipoco, sempre lhe tinha dito que ele era um palerma a achar que tem graça, não desvalorizo o que fez, cada um faz o que pode, come sabe e todas as ajudas são válidas, daí a vir-se vangloriar... espero mesmo que seja só um dos seus devaneios irónicos de snobismo disfarçado de requinte.

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    1. Portanto está a dizer-me que isto tudo foi uma estratégia do Presidente para fazer ficar mal o governo. É isso?
      Não acredito.

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    2. Portanto, não estou a dizer-lhe nada disso. Picante, eu limitei-me a dizer, que quando foi o comunicado do Presidente, já se sabia que a Constança ia demitir-se/ser demitida, e que não foi devido ao discurso do PR. Se a Picante quer atribuir segundas, terceiras e quartas interpretações ao que disse, isso já é consigo, é livre.

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    3. Eu li o artigo a correr, confesso. Mas o que me pareceu é que tudo tinha sido uma enorme surpresa para o governo que até fazia uma espécie de gestão partilhada com o PR (que o apunhalou pelas costas)
      Não acredito nisso. A partir do momento em que acho o artigo muito estranho, qual será o sentido de tomar como bom uma pequena parte?
      (não pretendo deturpar nada do que disse, expressei-me mal)

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  13. Como ainda está "doente" das costas não me diga que foi de cadeira de rodas?

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