quinta-feira, 31 de agosto de 2017

As coisas são como são

Este ano ninguém prantou aquelas fotografias tremendamente belas de pezinhos dentro de água transparente ou de mãos sapudas a segurar bolas de Berlim.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Houve mais um atentado terrorista na Europa? Nada temeis, Picante ensina como proceder

Depois de Madrid, Paris, Londres, Bruxelas ou Nice seguiu-se Barcelona e não sei o quê na Filandia. Por esta altura o protocolo já deveria ser sobejamente conhecido por todos. Mas, no improvável caso de se olvidarem, a vossa Picante mostra o caminho da luz.

Artigo 1º
O cidadão caucasiano ocidental deverá fingir que não sabe que o atacante é muçulmano. Quando finalmente a comunicação social revelar a religião do atacante o cidadão ocidental deverá simular genuino choque e surpresa.
Artigo 2º
O cidadão não associará a religião do atacante ao Islão e deverá repetir a seguinte mantra dez vezes:
 - o sucedido não tem nada a ver com o Islão, o Islão é uma religião de paz e amor, isto é um caso isolado fruto de uma mente perturbada, é um indivíduo com perturbações mentais, não é terrorismo e muito menos tem qualquer relação com o islão, não podemos culpar uma religião inteira pelo acto de um demente.
Artigo 3°
O cidadão caucasiano deverá mostrar-se deveras surpreendido ao tomar conhecimento de que o presumível atacante se chama Mohamed ou Assad ou Mustafa ou algo que o valha.
Artigo 4º
Quando a comunicação social não esconder mais que se tratou de um atentado em nome de Allah, o cidadão ocidental deverá racionalizar e lembrar-se de que o terrorismo faz parte do dia a dia das grandes metrópoles, London mayor dixit.
Artigo 5º
O cidadão ocidental deverá acender velas, participar em vigílias ou marchas pela paz e mudar a sua fotografia nas redes sociais, substituindo-a por uma bandeira do país atacado; o seu estado passa a ser um Je suis qualquer.
Artigo 6º
O cidadão deverá repetir exaustivamente que não tem medo e que não mudará o seu modo de vida, enquanto grita que o verdadeiro perigo é a islamofobia.
Artigo 7º
Todos os que pensem que as migrações têm de ser controladas são racistas, xenófobos e islamofóbicos.
Artigo 8º
Começar tudo de novo no próximo atentado.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O leitor decide

Agora que as férias estão a acabar, começa todo o estimado público a voltar ao trabalho e a ler blogs, faço um daqueles posts polémicos (e podiam ser tantos, senhores, tantos...) em que exagero um nadinha aquilo que realmente penso só para ver a perigosa esquerdalha aos pulos, enquanto espuma p'la boca e me dirige uns insultos? Ou falo de gente cujo ponto alto do programa de férias é comprar mochilas numa conhecida cadeia cujo nome não vou dizer mas começa e acaba em esse e tem um pê p'lo meio? Ou de gente que leva o ano inteiro a enfadar-nos com refeições saudáveis para chegar a Agosto cheia de pressa para mandar as crianças para as aulas e nos brindar com aqueles bocaditos ou manhãzitos ou lá o que é como sugestão de lanche inenarrável para os nossos mais que tudo? Uma mulher a pensar que lhes mandava linguado grelhado com salada de gójis e afinal é isto...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Nas férias acompanhei o mundo via facebook

Normalmente desligo, podia acabar o mundo e eu sem saber, mas desta vez havia demasiadas coisas a acontecer, ele eram os incêndios, ele foi o roubo de Tancos, os gémeos que o nosso menino d'ouro comprou, as férias do Costa, depois foi o vilipendiar em praça pública de Gentil Martins, o outro tipo lá do Canadá ou lá o que era que insistiu em que o seu filho não tivesse género definido, enfim... Mas o que eu queria mesmo dizer é que enquanto ia acompanhando os desenvolvimentos via facebook, volta e meia não resistia a espreitar os comentários. Da porcaria toda que li retenho, além da dúvida típica "mas de que buraco é que saiu esta gente" a nítida sensação de que se os mortos de Pedrogão fossem gays passados dois ou três dias já se saberia o número certo de vítimas, com as ajudas distribuídas e indemnizações dadas às famílias.

(e os tipos que violaram aquela miúda de 15 anos em Birmingham, hum? primeiro um e depois o outro a quem ela pediu ajuda? parece que eram daquela religião da paz, amor e igualdade mas de certeza que isso não teve nada a ver, possivelmente sofreriam de distúrbios mentais, é assim que se diz agora, não é?...)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Devo andar a sonhar com Fiats 127, é que só pode

Lembrei-me da célebre celeuma acerca do livro escrito pelo José António Saraiva, viu-se na posse de informação que lhe foi transmitida no pressuposto de que a coisa ficasse por ali, gente que confiou nele, portanto, e toca de a usar em proveito próprio, tornando público o que era privado. Em verdade  vos digo que não há ser humano mais reles que aquele que trai, ou ameaça a possibilidade de trair, dá igual, a confiança outrora nele depositada.