segunda-feira, 19 de junho de 2017

Eu vinha aqui...

Dizer umas coisas inteligentes sobre isto de se optar por plantar eucaliptos e pinheiros ao invés de carvalhos ou sobreiros, sobre entidades estatais que não limpam matas e privados que fazem exactamente o mesmo nas suas propriedades, já para não falar daquilo dos 50m(?) de distância entre casas e matas, ainda diria duas ou três coisas sobre dinheiros que o Costa recusou da UE que nos permitiriam ter uma frota aérea de combate a fogos, sobre o recuar naquilo da Força Aérea ou os cortes na Administração Interna e de como os Soldados da Paz são enviados para o terreno com parcas condições. Iria rematar dizendo que é uma verdadeira ironia a CML taxar o que taxa para protecção civil e esta não se traduzir em equipamento e como é tão melhor para o bolso dos contribuintes ter de se recorrer a empresas privadas quando é necessário suporte aéreo (que alguém enche os bolsos não tenho qualquer dúvida).
Mas depois vi uma reportagem da Judite de Sousa, empoleirada em cima de um camião queimado, um corpo humano em plano de fundo, fiquei verdadeiramente agoniada e a pensar que ele há gente que nem com o passado aprende, de maneiras que ficamos assim.

107 comentários:

  1. ... e lamentar o incidente? Ia fazê-lo, se entretanto não aparecesse a Judite de Sousa?

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    1. Claro que não, é sempre muito divertido assistir a catástrofes naturais, sentada no conforto da poltrona, whisky velho no balão de cristal. Onde já se viu? Lamentar o acidente? Que pergunta tola, senhores!

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    2. Àcerca da Judite muitos me têm dito que a pessoa que passa por uma devastação emocional torna-se fria perante quase tudo. O que eu acho é que agora têm desculpa para exibir sem pudor essa frieza. Digo isto sem querer minorar o sofrimento de perder un filho que deve ser medonho.

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    3. Aquilo que se tem vindo a passar nos meios de comunicação, explorando a dor e fragilidade de gente que perdeu gente, ainda atordoada e a dar entrevistas é vergonhoso. Como é que se pergunta a um homem que perdeu mulher e duas filhas o que sente? Como? E com que objectivo? Mas isso é notícia? Caramba!

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    4. Percebo que alguem (sobretudo se for um jornalista mileurista) nao questione o chefe quando este lhe diz "vai entrevistar o homem que perdeu a mulher e as filhas"... mas dai a chegar la, olhar para aquele homem e efectivamente fazer a pergunta... um nojo.

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  2. Eu vinha aqui defender acerrimamente a propriedade privada e postular um Estado mínimo como baluarte da vida em sociedade. Mas continuo desolado.

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    1. Por norma sou totalmente a favor da iniciativa privada, pondo o Estado num papel de regulador (e agente social). Mas neste caso? Quando se prefere alugar a preços astronómicos que ter uma frota? Parece-me outra EMEL, cheira demasiado mal.

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  3. E as rosinhas que continuam a postar os seus maravilhosos fins de semana com as suas gordinhas e os seus luxos?
    Há gente que só olha mesmo para o seu próprio umbigo

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    1. Cada um é livre de escrever sobre o que quer escrever, por vezes as palavras não saem, por vezes é demasiado difícil escrever, por vezes não se sabe pura e simplesmente o que dizer a não ser mais do mesmo.

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  4. Pipocante Irrelevante Delirante19 de junho de 2017 às 23:11

    A Judite foi aquela que barafustou porque não respeitaram o seu luto? Ou é outra?

    Isso é bonito, mas a opinião da Picante acerca deste assunto vale tanto como a minha, ou do Nuno Rogeiro, ou do Presidente Marcelo. Zero. São bitaites.
    Deixem falar quem percebe da coisa, que faz disso profissão, área de estudo. Deixem esses opinar, apresentar soluções, apresentar cenários. Depois quem tiver de dedicir, decida.
    Está na hora de levar algumas coisas a sério.

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    1. O problema, PID, é que eu ouço falar quem percebe da coisa há muito tempo. Não é preciso ser-se um génio ou especialista para saber que o eucalipto é um meio excelente de combustão enquanto o carvalho funciona como "árvore bombeiro". Não é preciso ser-se muito entendido para saber que onde o carvalho não pega, devido à pobreza do solo, pegará o sobreiro. Depois é juntar 2 mais 2 e perceber quem lucra com os incêndios recorrentes porque, não sejamos ingénuos, há muito quem lucre com alugueres de frotas áereas, com madeira ao preço da uma mijona, etc. Junte a isto a ineficácia em fazer cumprir-se a lei (a maior parte das matas são privadas, li que menos de 10% pertencem ao Estado) e obrigar os proprietários a limpar os terrenos, assim como a manter a distância obrigatória de terreno desbravado ao redor das habitações e tem uma bomba nas mãos.
      A questão dos incêndios é recorrente. Quanto é que se aposta em prevenção? Porque é que a maior parte dos bombeiros são voluntários e arriscam a vida por amor à camisola, muitas vezes sem equipamentos decentes?
      Algo vai muito mal no reino da Dinamarca, basta de incompetência e esquemas. Fez-se tudo o que se podia ter feito? Por amor da Santa, vão dizer isso a quem perdeu tudo, entre um abracinho e outro pode ser que não sejam insultados.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante20 de junho de 2017 às 08:41

      Não percebo nada de árvores, nem um tomateiro consigo fazer crescer.
      Sei que o Estado faz uma estrada mas não respeita a distância de segurança entre esta e as matas.
      Sei que os meios aéreos são inúteis em situações em que ha demasiado fumo.
      Sei que deveria haver bombeiros florestais profissionais.
      Sei que a população rural é envelhecida e pobre.
      Sei que passar os terrenos para o Estado resolve pevide porque este não tem dinheiro, meios ou organização para gerir tal património.
      Sei que neste assunto, como em outros, quando chega a hora de decidir, fazem-se decisões políticas baseadas em estudos políticos.
      26 de Abril já.
      Para ocampo pequeno com políticos, juristas e economistas de privadas domingueiras. Entregue-se o país aos competentes.
      Revolução!

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    3. Os terrenos estaduais estão igualmente abandonados, igualmente por limpar, igualmente abandonados. Eu sou a favor da responsabilização de quem não cumpre mas como vamos fazer para que o Estado cumpra? E quando vamos deixar de falar no Estado como uma entidade geral e responsabilizar a pessoa A ou B, que não fazem o seu trabalho dentro do dito Estado?

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    4. Isso seria um excelente principio. Começar por responsabilizar os bandalhos que brincam com as nossas vidas e bens.
      Os terrenos estaduais são 2%, vi há pouco numa reportagem. Se os privados não limpam, limpe o Estado e passe a factura. Se a factura não é paga, exproprie-se o terreno e entregue-se a quem o queira trabalhar.
      O que se passa é que a prevenção dá um trabalhão e muito pouco dinheiro a ganhar a meia dúzia de chuchas, já o combate enche muitos bolsos.

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    5. É de facto um excelente princípio e tem de se começar por algum lado, Pic. O problema também estará na execução das tais multas. A maior parte dos terrenos (principalmente os que estão ao abandono, praticamente sem valor comercial) nem registados nas conservatórias estão. Será muito difícil identificar o responsável (ou "dono") por um terreno, principalmente em zonas que que as parcelas são muito pequenas. Cujos donos são... Sabe-se lá quem. A maior parte dos herdeiros nem sabe onde são os seus terrenos. Onde começam e onde acabam, não sabem nem querem saber, nem têm nenhum papel que ateste que de facto os terrenos lhes pertencem... (Estamos a falar de terras sem valor comercial. São essas que estão ao abandono.)

      Mas sim, há, ainda assim, muitos terrenos registados e podia tentar-se nesses. (Mas esses geralmente também não estão ao abandono...)

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    6. NM de facto não é fácil nem há soluções simplistas mas há técnicos com formação na área, há países e outros locais onde podemos ir aprender (ex: Espanha, França, o Estado da Califórnia, etc) é verificar as diferenças e as semelhanças entre eles e o nosso país, o que está ser bem-feito e o que é criticado no sistema deles e é colocar os nossos especialistas, os que conhecem o nosso país, a estudarem soluções e é acabar de uma vez por todas o "empurrar com a barriga" da responsabilidade e da acção politica que é mais do que necessária para terminarmos com isto e para acabarmos com a total inércia politica.
      Como é que o PR pode vir dizer que foi feito tudo se nós tivemos mais mortos num incêndio do há memória? Como vir o responsável pelo ambiente dizer que não assume responsabilidade nenhuma se ainda há poucos anos ele foi responsável pelas politicas implementadas nesta área? Como podem dizer que foi tudo feito quando nós temos mais área ardida do que Espanha!! Espanha não só tem mais área florestal como tem condições meteorológicas semelhantes e por vezes até mais intensas que as nossas.

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    7. Claro. Não disse nada em contrário. Só acho que a responsabilização de privados, apesar de parecer lógica em teoria, na prática dificilmente funcionará.

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    8. Nê, se esses terrenos são "terra de ninguém" exproprie-se. Passam a ser responsabilidade do Estado. Não vejo qual é o problema a não ser ir arranjar dinheiro para os limpar, provavelmente cortando a outro ministério no curto prazo.
      A prazo estou aqui convencida de que sairá mais barato limpar terrenos que combater incêndios.
      Outra coisa: porque é que os tipos das estradas não são responsáveis pela sua segurança? Eu sei que estamos a falar de circunstâncias climatéricas excepcionais mas as estradas deveriam funcionar como corta fogo. Em vez disso funcionaram como fornos. É horrível! E é uma irresponsabilidade. Como é que aquela gente tem a cara de pau de dizer que se fez tudo o que se podia e que estão de consciência tranquila? Como? Como é que não lhes passa pela cabeça prometer que vão fazer o que for necessário para que isto nunca mais aconteça? Caramba, em vez de manterem a cabeça fria puseram-se aos abraços, muito emocionados. O povo tem o direito de esperar protecção dos seus dirigentes. Protecção! Para nos abraçar temos os nossos amigos.

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    9. Sim Pic, mas para se expropriar é preciso saber a quem. Nada disto é rápido de se fazer, demora. Demora demais para a nossa política imediatista de usar e deitar fora. Mas estes até já têm um plano para pôr em marcha:
      http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/agricultura-e-pescas/detalhe/o-que-fazer-se-tiver-um-terreno-por-registar

      Entretanto vem outro governo, não acha alguma coisa bem e... Lixou-se! Lá começamos nós do zero.

      Por acaso acho que neste caso particular da floresta, e esquecendo por trinta segundos a operacionalização caótica e amadora nesta desgraça, estás a ser injusta com este governo... eles estão a tentar fazer alguma coisa. Ninguém ligou peva.

      Vê, por exemplo, o que escreveu o Daniel Oliveira.

      http://expresso.sapo.pt/blogues/opiniao_daniel_oliveira_antes_pelo_contrario/2017-06-20-Incendios-e-o-debate-mediatico-uma-autocritica

      (Quanto ao resto... Pá, nem me faças escrever mais sobre isso, que é assunto que consterna o sistema nervoso e agora não posso.)

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    10. Ai espera, o artigo do Daniel Oliveria está disponível só para assinantes... Se não fores diz-me que te envio o PDF para o email.

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    11. Eu li o artigo. E sinceramente não me parece suficiente o que estão a tentar fazer. Houve cortes na adm interna, o Costa veio dizer que os bombeiros podiam ir de autocarro ou comboio apagar incêndios. Aviões que estão parados porque a manutenção é cara. Um sistema de comunicações que custou um balurdio e não funciona.
      O problema é que se gasta demasiado em políticas populistas e se esquece o longo prazo. O problema é que o combate dá muito mais dinheiro a ganhar aos amigos que a prevenção.
      Quanto ao Daniel Oliveira.. Bom, se estivesse lá o PSD estaria aos gritos a exigir a demissão dos "assassinos" que estão no poder. Acompanhado da querida Catarina Martins, da Mariana e do Jerónimo.
      Caramba, no meio desta crise e luto nacional lá nem ao menos tiveram a decência de desconvocar as greves na saúde. Há hospitais na zona de crise abrangidos pela greve, com serviços mínimos a funcionar. Bandalhos.

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    12. O artigo do jn só refere 1 de 12 projectos propostos pelo Capoulas Santos para a reestruturação floresta. E o artigo do Daniel Oliveria, por acaso, este em particular e deve ter sido mesmo por acaso, é completamente factual.

      Concordo que tem havido cortes absurdos na administração interna, mas nisto da reestruturação da floresta têm estado a trabalhar. Vontade de fazer alguma coisa estrutural ele têm vindo a demonstrar. E isso tem que ser reconhecido.
      Se o tema não é sexy o suficiente para ser discutido publicamente, isso já não é problema deles.

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    13. Sexy ou não é urgente. A ver se é desta que anda para a frente.

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    14. Difícil saber-se quem são os proprietários dos terrenos ao abandono?
      Essa agora. Vá lá e corte um raminho que antes de acabar de o cortar aparece-lhe o dono.

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  5. Gostava de saber se as conclusões inteligentes seriam as mesmas se o poder político estivesse entregue a outros. É que o desastre do ordenamento florestal e os cortes nos meios para combater fogos não são de agora. Já que a direita se arvora de muito ter contribuído para o actual panorama económico, porque não perfilha também a desgraça que se vai vendo por aí? Vá lá, aproveitamentos políticos de tragédias não ficam bem a ninguém.
    Quanto à Judite, aí estamos de acordo. Nojo. Profundo nojo.

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    1. Obviamente que seriam. E não é que os governos PSD tenham tido performances excelentes no que toca a esta questão que também não tiveram mas contra factos não há argumentos. É um facto que 2016 foi o ano em que ardeu mais mata em Portugal; é um facto que este foi o incêndio que mais vítimas mortais fez; é um facto que a Administração interna cortou o orçamento, é um facto que Costa disse que os bombeiros poderiam ir de comboio ou autocarro combater fogos; é um facto que a Constança não sei o quê reverteu a decisão do anterior governo de pôr a força aérea a fazer o apoio ao combate de fogos; é um facto que foi António Costa que acabou com os guardas florestais; é um facto que não se investe em prevenção - a quase totalidade do orçamento é gasta no combate; é um facto que há muita gente a encher os bolsos à custa disto.
      Quer que continue?

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    2. Nossa que selecção cuidada. Quem me dera que viesse o PPC e o seu governo que tanto fez pela prevenção aos incêndios. No governo dele nem sequer morreram bombeiros. No seu governo as matas estavam impecáveis, as pessoas eram duramente sancionadas pelo incumprimento com as limpezas e os bombeiros/outras entidades receberam fundos milionários. Não se salvaram bancos.Que saudades! Agora a sério: Acredita mesmo que a prevenção aos incêndios acontece num ano ou até mesmo em 10? Recorda-se da regressão da sinistralidade rodoviária que ocorreu em Portugal? Crê que foi de um ano para o outro? Passou-se do 8 ao 80, felizmente! Mas este tipo de situações necessita de um plano alheio a cores políticas e só é triste, num momento deste, tentar-se um aproveitamento político,quando nem sequer existe um precedente que se possa elogiar e louvar.

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    3. Na realidade o que se está a ver agora começou há décadas atrás e o que se irá ver daqui a uns anos será o resultado deste governo. Também é verdade que no que concerne a prevenção todos os governos até ao momento não fizeram nada de jeito.
      Mas se bem me lembro quem fez o negócio ruinoso dos nossos aviões que estão sempre avariados foi o querido Costa.

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    4. PS: Eu não tenho qualquer preferência politica, até ao momento não gosto de nenhuma das opções.

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    5. Não estou a fazer qualquer aproveitamento político, até porque este blog é tudo menos um blog político. Mas tudo o que eu disse é verdade. Mais... lá em cima afirmei que os anteriores governos não foram nenhum exemplo, se quer saber a coisa começou a resvalar ainda no tempo de Cavaco Silva, quando fomos buscar subsídios para acabar com a agricultura, deixando muita terra ao abandono. Salvo erro ainda foi no tempo de Mira Amaral que se começou a "eucaliptizar" Portugal, coisa que qualquer engenheiro florestal dirá que é um erro crasso.
      Mas é a estes que agora temos de pedir contas, são eles que lá estão e são estes que levarão o rótulo dos 2 piores anos de sempre, nisto dos incêndios.
      E claro que isto não se resolve de um ano para o outro mas é andando que se faz o caminho. Limitar a plantação de eucaliptos (que funcionam como braseiros) seria um excelente passo, por mais que a industria da celulose berre. Obrigar os proprietários a limpar, aplicando pesadas multas ou expropriando quem não limpa ajudaria. Repor a função do guarda florestal (que btw foi Costa quem extinguiu) ajudaria certamente.
      É tempo de levar a segurança das pessoas a sério.

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  6. Sim, Picante continue sff.
    Depois pode perorar sobre as frases bonitas do Helder Amaral.
    E pode também elencar aqui, os feitos do governo do seu amigo passos.
    Não deixa de ter razão sobre o que não feito pelo Costa e amigos, mas aproveitar para fazer campanha pela camarilha do portas...mas não faz mal, sempre temos 2 submarinos.

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    1. Não estou a fazer campanha por ninguém. É uma pena que não alcance isso.

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  7. Ontem por volta da meia noite, um casal amigo escreveu no Facebook "Braçal precisa de ajuda. Está a aproximar-se". Ás 4 da manhã de hoje a protecção civil evacuou 15 pessoas dessa aldeia de Pampilhosa da Serra. Não arderam casas felizmente. Mas é triste quando a população tem de pedir ajuda pelo Facebook porque não há bombeiros suficientes para chegar a estas frentes de fogo. Os que há já andam esgotados e com poucos colegas a rendê-los. Um país sem meios, um país que não protege a sua população em locais onde a desertificação é grande e por isso não há votos... um país de terceiro mundo que me envergonha! A população não tem medo do que arde na serra, a população tem medo do que arde à porta; os quintais, as oliveiras, as vinhas. Numa agricultura de subsistência com solo pobre é preciso limpar sim os terrenos, mas e quando eles não dão rendimento? E quando os donos estão cada vez mais velhos e mais pobres? E quando as terras estão abandonadas porque já não vive lá ninguém? Era só isto!

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    1. Quem não tem capacidade para manter os terrenos para que é que os quer?
      Se conhece uma zona desse género provavelmente conhece idosos (como eu conheço) que são casmurros e não querem ceder aos herdeiros ou vender e que acreditam piamente que podem ter tudo o que é deles ao abandono só porque sim. Ser proprietário é ter responsabilidade.
      Eu até sou a favor que se expropriem terrenos das pessoas que se recusem a fazer algo, ou que se faça a limpeza e depois se obrigue ao pagamento dessa limpeza. O que eu não sou a favor é que o Estado comece a fazer isso antes de limpar os terrenos que estão ao seu encargo porque tirar terras para as deixar ao abandono não me parece uma solução melhor.

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    2. Metam os reclusos a limpar as matas e as florestas.

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    3. Os bombeiros são uns desgraçados, combatem fogos até à exaustão, muitas vezes com parcas condições. E começar a remunerá-los condignamente?
      E sim, o Estado deveria dar o exemplo, quanto a limpezas cumprimento de regras de segurança, obviamente.

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    4. Anónimo das 15.55h,
      à força? tipo trabalhos forçados?

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    5. Claro! Em vez de estarem nas celas a injectarem-se e a comer refeições quentes que os reformados idosos das aldeias lhes andam a pagar com os impostos!

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    6. Melhor: metam os gajos do BES, BPN e afins com uma enxada nas mãos, numa aldeia isolada a limpar silvas e mato. É que lhes fazia mesmo bem! Ganhavam biceps, um granda bronze e apanhavam ar puro (quer dizer, agora não tão puro!)

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    7. Não é preciso ser trabalho forçado. Há muitos que gostavam de trabalhar nesse tipo de serviço,mas a verdade é que ninguém os quer por perto e em liberdade.

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    8. O vencimento de um bombeiro voluntário é completamente ridiculo. Aliás é muito triste que a maioria dos bombeiros seja composto por voluntários (que felizmente existem) mas eles deveriam ter treino adequado, equipamento fornecido gratuitamente e um ordenado em condições. Deveriam ser profissionais e pagos. Nós dependemos demasiado dos voluntários e a alguns também faltam a capacidade estratégica e o conhecimento cientifico para gerir os incêndios da melhor forma possível.

      Mas focar-nos só nisso é voltar novamente a pensar só de forma reactiva. É impossível acabar com o fogo mas é preciso diminuir a devastação causada por eles e por algum motivo nós temos muito mais incêndios do que outros países europeus com áreas iguais ou superiores de floresta e climas semelhantes. Um belo exemplo disso é Espanha. Alguma coisa está a ser muito mal feita por cá e mais uma vez os politicos responsáveis vêm logo dizer que não responsabilidade nenhuma.

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    9. Em relação aos reclusos por que não usarem o trabalho comunitário como pena acessória ou até como possível pena "substituta" de tempo na cadeia para determinados crimes? Há países que o fazem em que os condenados optam por X horas de trabalho comunitário em troca de 100/200 dias na cadeira, por exemplo. Há tantas áreas onde poderiam ser muito úteis e simultaneamente não se enviavam pequenos criminosos para a cadeira de modo a saírem de lá piores enquanto se promovia muito mais a sua reintegração e o valor da comunidade.

      Além disso a pena prevê que seja a retirada da liberdade mas também a reintegração que todos nós sabemos não é feita de maneira nenhuma. Se existir a possibilidade de trabalho comunitário, será que não haverão reclusos que gostarão da oportunidade de serem úteis, de serem vistos como alguém que contribui para a sociedade e ao mesmo tempo permitindo-lhes não estarem cercados por uma cela? Além de criar rotinas, hábitos de trabalho e um objectivo que são factores bastante importantes na reintegração.

      Não no sentido de trabalho escravo mas acho que se fosse bem feito poderiam todos até sair a ganhar.

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    10. Mas... Para levar os reclusos a limpar a mata (assumindo que eles quereriam) era preciso haver guardas prisionais para os acompanhar (recorde-se que há estabelecimentos prisionais em que em determinados horários têm um (um!) guarda para 300 reclusos) num rácio razoável. Ou haverá assim tantos reclusos em regime de semi liberdade que se pudessem enviar sem especial cuidado para o monte? Também seria preciso transporte e a respectiva logística de alimentação, por exemplo (as zonas de mato costumam estar longe dos aglomerados urbanos com estabelecimentos prisionais)... Ficaria mais caro que, simplesmente, pagar a alguém para o fazer. (E se a ideia é a integração haverá outras mais eficazes que trazer os reclusos escondidos no meio do mato a fazer algo a que não darão continuidade posteriormente.)
      Nada disto é simples, não se pense. Não é. Não há soluções mágicas que não passem por assumir isto como uma prioridade nacional e gastar muito dinheiro.

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    11. Que os reclusos queiram? coitadinhos! cama mesa e roup lavada e n fazem nada, so andam la a engendrar

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    12. Sim, que os reclusos queiram.

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    13. EXpliquem-me só como é que se põem reclusos a limpar mata...ficam os guardas de G3 a guarda-los, prendem-se os dois pés ou só um com um cadeado ou um pé a uma mão....é que ainda não percebi como...e como é que se obriga alguém a trabalhar sem por por vontade próprio/troco de dinheiro?

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    14. E se em vez de reclusos se colocassem pessoas que fazem o RSI a sua carreira profissional?

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    15. Há um despacho no Diário da República nesse sentido. Data de 2006. Em 2015 anunciaram que 10000 subsidiários iam limpar a mata. Em 2016 havia ~260, este ano deve haver aí uns 10 ou assim.

      (Não funciona. Não sei ao certo porquê, mas aparentemente não se consegue pôr em prática.)

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    16. A única maneira que vejo para que isto seja possível é que a coisa funcione em termos de trabalho comunitário. I.é não seriam reclusos a fazê-lo mas sim pequenos prevaricadores que o fariam em vez de cumprir pena efectiva.

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    17. Já foi tentado em 2010. Protocolo assinado para reclusos em Regime aberto. Não funcionou.
      https://www.publico.pt/2010/10/14/ciencia/noticia/assinado-protocolo-para-por-reclusos-a-limpar-florestas-nacionais-1460964

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    18. Então ponham lá trabalhadores, caraças. E paguem aos bombeiros, já agora. É uma vergonha que 90% deles sejam voluntários.

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    19. Sim. Que paguem a quem sabe o que está a fazer. Qualquer outra opção é pura fantasia.

      (é que limpar eficientemente a mata implica formação, implica saber operar maquinaria... Não se trata de andar de rabo para a apanhar garrafas de água no areal de uma praia... E eu nem sei se as pessoas têm noção disto. Acham tudo tão fácil, resolviam tudo tão rápido que eu nem sei se têm noção do que limpar um terreno implica...)

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    20. (provavelmente não têm noção nenhuma, tenho visto por aí uns comentários assustadores)

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  8. E o que custa limpar terrenos? Já ninguém tem braços para isso

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    1. Braços e costas, meu caro (ou cara)!

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    2. Verdade... e a velocidade com que crescem fetos e silvas?

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    3. E o pouco que se ganha com isso? Uma trabalheira, é o que é.

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    4. Só ganhava se o estado ficasse com as fracçoes de mato que andam espalhadas por aí

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  9. Só para refrescares a memoria: http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2017-06-19-Eu-acuso-a-fileira-florestal-das-celuloses-e-todos-os-governantes-que-pactuaram-com-ela

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    1. Eu vi. E concordo com tudo. Não sei onde consegue ver, no que escrevi, alguma coisa contra.

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    2. Aqui:
      " É um facto que 2016 foi o ano em que ardeu mais mata em Portugal; é um facto que este foi o incêndio que mais vítimas mortais fez; é um facto que a Administração interna cortou o orçamento, é um facto que Costa disse que os bombeiros poderiam ir de comboio ou autocarro combater fogos; é um facto que a Constança não sei o quê reverteu a decisão do anterior governo de pôr a força aérea a fazer o apoio ao combate de fogos; é um facto que foi António Costa que acabou com os guardas florestais; é um facto que não se investe em prevenção"

      Ou escreve e fica logo com uma amnésia mental instantânea? Tem um alvo politico na critica que toda a gente já conhece e passado uns segundos está a dizer que não... que não disse

      Valha-me Deus! A picante é campeã "blogosferica" a meter o pés pelas mãos.Parabéns!

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    3. Eu mantenho tudo o que escrevi, não mudo uma vírgula.
      O post não tem um alvo político apesar de pedir contas aos políticos. Pede mais aos actuais, se são eles que lá estão são eles que têm não só de prestar contas, como o poder para mudar a política florestal. Qualquer idiota percebe isso.

      Não tenho a culpa que o Costa tenha metido os pés pelas mãos forte e feio. Meteu.

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  10. Ha sempre dinheiro para as forcas armadas, para as frotas de carros renovadas por da ca aquela palha, para despesas de representacao e subsidios de habitacao fraudulentos, para... tanta coisa. Mas isto interessa a alguem q aconteca, ano apos ano... concordo consigo.

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    1. Para aquele faqueiro de prata, por exemplo ou para as frotas, para os luxos e extras, etc, etc, etc.

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  11. Obrigar a limpar? Pois...pois...mas é preciso falar da realidade das pessoas que moram em Concelhos como Pedrógão, Sertã, Oleiros, Castanheira, Figueiró e afins. Cada vez mais estão sujeitos ao abandono...os que restam são idosos ou pessoas com fracos recursos financeiros. Falamos de baixas reformas, ordenados mínimos, desemprego e agricultura de subsistência...não têm recursos para pagar as limpezas dos terrenos, uma vez que não estamos a falar de meia dúzia de euros, já nem têm forças para o fazer por eles próprios. Já nem a meia dúzia de cabras que tinham e que contribuia bastante na limpeza dos terrenos têm...mas esses mesmos terrenos são a herança dos seus antepassados...gente que trabalhou duro para deixar aos seus descendentes aquele que consideravam o melhor dos bens - as terras. Pedirem a estas pessoas para entregarem as terras ao estado se não limparem equivale a pedirem a outros para se desfazerem daquela jóia da família.
    O problema é mais complexo do que se possa pensar...

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    1. Não, não é. Não é o mesmo que uma jóia pois a jóia não prejudica e não coloca em perigo de vida os outros. E ser proprietário não é só ter direitos é também ter deveres. Ou pagam, ou vendem ou cuidam. Se fossem responsabilizados a sério com multas avultadas quando as propriedades ardem ou se desse cadeia em situações como estas onde morrem pessoas se calhar perdiam grande parte do "amor" pelos terrenos.

      Se não têm capacidade para cuidar para que querem os terrenos? Vão levá-los para a campa?! Ou os rentabilizam de alguma forma e mantém cuidados ou deveriam ser responsabilizados por eles, de uma forma ou de outra.
      O que eu não acho normal é ter pessoas egoistas a colocar em risco de vida e a matar os outros pelo quê? Um bocado de terra que não vale nada.

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    2. Anónimo isso era muito bonito mas não é a realidade do nosso pais, existem em todas as aldeias terrenos que nem acessos têm que não seja um caminho de cabras onde só cabe uma pessoa, temos que ter consciencia da realidade das aldeias do nosso pais e se há aldeias perto de grandes centros também as há longe de tudo que nem luz têm. Como diz o anónimo das 13:39 isto é um problema mais complexo do que se possa pensar e se assim não fosse qualquer um o resolvia. Mas uma coisa tenho a certeza a gestão florestal neste momento é minima, é necessário recolocar os antigos "Guardas Florestais" a que agora se chama GIPS e que só servem para passar multas a quem não usa cinto no meio dos caminhos de terra batida e quem não limpa a silvas dos terrenos porque de prevenção florestal e incencios não percebem nada. Esses homens viviam nas casas da floresta de x em x localidade e eram os responsáveis por uma mancha florestal que era cuidada por uma equipa e os primeiros a combater os incendios e sabiam como faze-lo. Nas floresta é preciso quem perceba de florestas, os bombeiros muitas vezes nem sabem quais os estradões florestais de acesso a determinadas zonas de fogo, é preciso corta fogos largos, é preciso não deixar construir casas encostadas à floresta sem uma margem grande de segurança, as pessoas só se queixam quando ardem as casas e os bens porque se for só flores ta está tudo bem e não é assim que se deve pensar porque se a floresta estiver segura os nossos bens também estão.

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    3. A questão é que de facto não valem mesmo nada (nem há quem os queira). E as pessoas que os têm bem sabem disso.

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    4. Mas, meses casos, se não trazem valor a ninguém, porque não são expropriados e ficam a custas do Estado?
      E qual é a justificação para não limparem as bermas da estrada, já agora? Essas não pertencem a essas gentes.

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    5. Quanto à expropriação já te respondi em cima. Demora e está a tentar fazer-se alguma coisa.
      Quanto à obrigação das concessionárias das estradas de limparem as bermas não há "desculpas", claro que não.

      (Quanto aos terrenos, não são "desculpas", Pic... É a realidade.)

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    6. Os terrenos não têm grande valor comercial mas têm valor para os vizinhos. O problema muitas vezes é a casmurrice e as zangas que duram décadas e que leva muitos a dizer que só vendem ou por um preço extremamente avultado para o que aquilo vale ou que se recusam completamente a vender à pessoa X ou Y (quem tem terrenos ao lado dos deles e por norma há sempre alguém interessado).

      Não se pode é deixar continuar as coisas como estão. Algo tem de ser feito e o grande problema disto tudo é que as pessoas deixam os terrenos ao abandono e sabem que nada lhes vai acontecer por isso.

      Em relação aos GIPS, pelos relatos e pelo que os vi a fazer, efectivamente também me parecem tudo menos eficazes.

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    7. Mas quais vizinhos?!... Estamos a falar de lugares, afastados uns dos outros, alguns com menos de vinte pessoas idosos... A sério, quais vizinhos?!

      A desertificação do interior é real.

      A maior parte dos nossos montes e vales estão ao simplesmente abandono (e continuarão se o Estado não tomar conta), metam isto na cabeça.

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    8. O Estado tomar conta??? Pelo amor de Deus! Não digam asneiras! O Estado não toma conta da zona do pinhal interior! Não tem eleitores! Não dá votos, pah! Não vale o trabalho! Sabem quanto é o valor do orçamento que o Estado atribuí para o plano municipal de Pampilhosa da Serra para prevenção florestal anual? 12000 euros!!! É só o maior concelho do distrito de Coimbra, e neste momento está a arder!

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    9. Pois é. Pronto. Paciência. Que se lixe. Deixa arder.

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  12. Pois é anónimo das 21h, a NM disse tudo. Nota-se que está, infelizmente, completamente alheado do que se passa nestes concelhos. Mesmo que muitos queiram vender as suas parcelas, ninguém compra...quem quer por exemplo 100m2 de mato e silvas com meia de dúzia de pinheiros ou eucaliptos, multiplicado por n vezes? Sem acessos, cujo antigo acesso eram caminhos de cabras cheios de pedra? Claro que há muitas parcelas de hectares, mas muitos são aqueles que possuem estas pequenas parcelas, espalhadas por vales e serras. Muitas já os donos morreram e os respectivos herdeiros nas cidades ou emigrados, não têm sequer conhecimento exacto de onde ficam. Noutros casos os donos não possuem condições físicas e/ou económicas para proceder a limpezas. Quer seja pela sua idade, quer seja porque recebem reformas a rondar 200€ ou ordenados mínimos. E limpar a floresta não custa meia dúzia de tostões como se pensa. Entre mão de obra e equipamentos custa bastante. Além de que ao fim de um mês voltam a nascer hervas, mato, silva....Além de que é um ciclo vicioso. Com tantos incêndios Verão após Verão, aqueles que até podiam limpar acabam por não o fazer...porque são uma agulha no meio do palheiro...eles limpam, mas se à volta mais ninguém limpa, em caso de incêndio arde igual. E quando nem o estado limpa as florestas sobre a sua tutela, como se pode obrigar particulares a limpar, ou mesmo partir para expropriação em caso de não limpeza? Volto a dizer, à semelhança de ontem, a questão é mais complexa do que se pensa. E sobretudo perigosa, perante o desconhecimento da real situação no terro.

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    1. Repito:
      Os terrenos não têm grande valor comercial mas têm valor para os vizinhos. O problema muitas vezes é a casmurrice e as zangas que duram décadas e que leva muitos a dizer que só vendem ou por um preço extremamente avultado para o que aquilo vale ou que se recusam completamente a vender à pessoa X ou Y (quem tem terrenos ao lado dos deles e por norma há sempre alguém interessado).

      Não se pode é deixar continuar as coisas como estão. Algo tem de ser feito e o grande problema disto tudo é que as pessoas deixam os terrenos ao abandono e sabem que nada lhes vai acontecer por isso.

      Em relação aos GIPS, pelos relatos e pelo que os vi a fazer, efectivamente também me parecem tudo menos eficazes.


      Ps: em relação aos herdeiros, sendo eu herdeira de um terreno que não fazia ideia onde ficava e numa terra onde não conhecia nada, foi preciso apenas ir aos registos, chegar à aldeia de onde a minha avó era, explicar o que ali vinha fazer e um terreno que ninguém queria, sem acessos e sem nada foi "vendido" em menos de uma semana. Era demasiado pequeno para ter qualquer valor e como eu certamente não ia fazer mais de 300km para usufruir dele ou pagar a alguém para o limpar eu dei o terreno. A pessoa que ficou com ele pagou o registo. Simples e barato. Só que quem só vê cifrões ou é demasiado casmurro seria incapaz de esquecer antigas quezílias e "vender" o dito terreno.
      A teoria dos herdeiros para mim cai aqui e talvez até saiba e perceba melhor do assunto do que muitos de vocês que parece que gostam de criar problemas onde não há.
      Se não tem capacidade ou dinheiro o Estado que exproprie. Se é assim tão dificil porque ninguém sabe quem é o dono é alterar os procedimentos de modo a ser possível fazê-lo se em X tempo (curto, meses) não aparecem os donos. Garanto que a maioria dos donos vão aparecer pois a grande maioria deles apenas não regista o terreno para não pagarem nada por eles.

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    2. Mas está uma proposta no parlamento. Ninguém quis saber. E agora só se quer saber porque morreu muita gente.

      (Apostamos, se o registo simplificado dos terrenos for para a frente, que o Estado fica nas mãos com mais de 2/3 das terras?)

      (Os nos terrenos com algum interesse já estão registados...)

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    3. Nê, o mínimo é que estas mortes sirvam para alguma coisa. Faça-se uma nova política florestal, expropriem-se terras se assim tiver de ser. Ainda que os efeitos só se notem daqui a 10 anos. É melhor que continuar assim.

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    4. Obviamente Pic. Obviamente. E tu conheces-me, sabes o que isto mexe comigo e sabes bem que não defendo outra coisa. Há 30 anos!!... Há pelo menos 15 que me debato por isto,a no após ano, e ninguém faz nada de jeito e estrutural.
      O que me está a irritar profundamente é que as pessoas falam do que não sabem, põem-se aos berros, vêem facilidades em tudo, querem tudo para ontem, e depois dá merda porque o poder político cede, só quer calar a malta para ter votos votos. E faz-se política aos bochechos, pelo caminho mais fácil e depois dá no que dá...

      E o exemplo vem logo de cima...
      O nosso PR quer uma política defenida até ao fim od mês de Julho!!!!! Quer que se decida uma merda desta, com toda estas complexidades num mês. Porque sim! E quer que se faça uma coisa em condições.
      Eh pá, às vezes acho que merecemos os politicos que temos. A sério. Merecemos.

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    5. E outra coisa, o estado não faz mais que a sua obrigação ao tomar conta das florestas. Não faz. Os rios também não têm dono, ora não?
      Vai-se gastar dinheiro, pois vai. Muito. Mas não há outra hipótese.
      O Estado vai ter de pagar para limpar a floresta. Cada um de nós vai ter de pagar para a conservação da floresta. Ponto. Cada um. como pagamos para ter hospitais e escolas. Doa a quem doer.

      Não há soluções nem fáceis nem baratas. Não se enganem.

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    6. O nosso PR... muito haveria a dizer sobre o tio Marcelo.

      Mas vai custar dinheiro, claro que vai.

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    7. Eu só vinha aqui dizer que não acho que seja fácil ou simples ou que deva ficar pronto para amanhã. O que eu acho é que é preciso agir e começar a fazê-lo de uma vez por todas.
      Não acho normal, nem viável que se queira fazer tudo num mês mas não quero que se espere mais 10 anos para fazer alguma coisa (nomeadamente virem à TV dizer que é preciso agir).

      Há programas internacionais que estão a dar resultado, temos excelentes profissionais especialistas na área...pois que se faça alguma coisa.

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  13. Mas Picante, ficar às custas do Estado para quê? O Estado limpa as florestas e parcelas que estão sobre a sua tutela? Se já agora não conserva, quanto mais se lhe começarem a juntar milhares de parcelas de Norte a Sul do país...
    As bermas das estradas depende. As municipais creio que competem aos municípios. Na minha zona é a Junta de Freguesia que umas duas vezes por ano lá passa uma máquina a limpar, mas estamos a falar de um metro e nem sequer cortam árvores nesse mesmo metro de distância face à estrada. Mas depois tudo o que seja estradas nacionais, há uns anos a responsabilidade era da Junta Autónoma de Estradas. Para ser sincera nem sei a que entidade corresponde hoje em dia, se Estradas de Portugal ou outra entidade. E seja quem for, raramente limpam as bermas dessas estradas. Como em tudo, devem ter sido cortadas as verbas...Digo eu sem verdadeiro conhecimento de causa quanto a esta última parte.

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    1. Pois parece que tem de começar a limpar, não é? Alguma coisa tem de ser feita, isso parece-me claro.

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  14. Sinceramente acho que a questão da limpeza das forestas é um pouco como os donos dos cães que os levam a passear e que sabem que têm que apanhar os cócózinhos dos ditos animais da via pública, mas olham pró lado a ver se alguém vê e lá ficam. Os donos das parcelas sabem que têm que limpar, mas...por falta de recursos e forças lá os deixam estar quietinhos. O problema é que partir para expropriação e consequente limpeza desses terreno, a mesma vai custar e muito aos cofres do Estado. Falamos de extensas áreas, anos a fio ao abandono, para não falar nas extensas áreas que arderam nos últimos 10/15 anos que não foram alvo de planos de reflorestação e cuja vegetação cresceu como quis.
    Penso que um importante ponto de partida deveria passar por desenvolver planos de reflorestação nas áreas recentemente ardidas, com interdição completa de plantar eucaliptos (priveligiar espécies autóctones, menos inflamáveis) e obrigação de limpeza nos perímetros de segurança de estradas e habitações. Já era um excelente começo. Agora se mais uma vez se quer tudo ao mesmo tempo, acabará por nada de nada ser feito e em breve aqui estaremos a falar de mais tragédias.

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    1. Interdicao compmeta não diria. Mas controlada, pelo menos.

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    2. Com interdição completa sim, Pic. (E desculpa, mas já calo.) As p#tas das árvores simplesmente explodem. isso mesmo... tau! explodem. mandam fogo para todo lado. mas não morrem, as diabas não morrem. Passado meio ano já têm folhas verdes outra vez. E depois aquilo seca tudo o que nasce à volta, não deixa nascer mais nada.


      Se o eucalipto é bom para a produção de celulose, pois muito bem, plantem-nas em zonas circunscritas para esse fim, não as metam é na floresta que aquilo invade e não deixa viver mais nada.

      Em Trás os Montes ainda há muitos carvalhos. e os carvalhos não ardem facilmente, ardem as silvas e os fetos ali à volta mas eles aguentam-se . Por isso não vês incêndios de muita extensao em Trás os Montes. Não é porque os terrenos estejam cuidados, que não estão, é porque o tipo de árvores não o permite.

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    3. Quando eu disse controlada era exactamente a isso que me referia. Zonas circunspectas para eucaliptos. E devidamente "valadas" já agora.

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    4. NM eu estou em Trás-os-Montes e vivo esta realidade da floresta de perto e é mais ou menos assim...existem muitas manchas de pinheiro bravo que também arde e muito mas nas zonas em que há gestão florestal ( Conselhos Directivos de Baldios) que sabem o que estão a fazer são tomadas outras medidas tais como limpeza e construção de estradões para que os bombeiros possam ter acesso à floresta, asseiros corta fogo de x em x e com largura considerável para que o incêndio possa ser dominado nessas zonas,construção de pontos de água (represas nos rios das aldeias ou tanques para incendios) reparação de caminhos acessiveis a veiculos, cortes de marcação e cortes de desbaste de x em x anos, reflorestação das áreas ardidas e limpeza de mato etc....e todo o lucro que é obtido na venda de madeira e resina é aplicado na aldeia e na floresta para que esta não arda ou minimizando os incendios o mais possivel. Apesar de todos os cuidados em 2005 na minha aldeia em que a parte floresta que é atravessada por uma autoestrada ardeu uma extensão enorme porque simplesmente saltavam pinhas a arder pelo ar com o vento e atravessavam a autoestrada e ninguém conseguia parar isso...lá está foi um dia de inferno com condições extremas em que até a terra arde. Em grande parte das florestas não há caminhos de acesso para lado nenhum não há nada onde cortar os incendios ou para onde levar os carros dos bombeiros para além de que também muitas vezes estes nem conhecem as áreas que estão a arder, nem caminhos, nem pontos de água, nada... Isto não é tão simples como parece aliás é muito complicado...

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    5. Sei perfeitamente do que fala. E sim. É tudo muito, muito, complicado. Quem diz o contrário não sabe do que fala.

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    6. Haja alguém que sabe o que diz e do que está a falar.
      80 e tal comentários e apenas um de jeito.
      Muito obrigada anónimo, pelo pequeno esclarecimento e pela intervenção bastante construtiva.

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    7. E expropriar terras fará mais mortos que is incêndios. Criticar é fácil...

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    8. "E expropriar terras fará mais mortos que is incêndios."?? Como assim? Como é que expropriar faria mortos?

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    9. Não dês conversa... As pessoas gostam de dizer coisas, não resistem.

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    10. Ahahahahahahahahahah mas deixa ver, deixa ver... Gostava de saber a teoria que subjaz. Temos que encarar isto também como uma experiência sociológica.

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    11. Os carvalhos, por exemplo, são chamadas árvore bombeiro por algum motivo. Os eucaliptos é o oposto e é como a NM diz, ardeu tudo e pouco tempo depois está tudo verde outra vez - as árvores não caem.

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  15. O eucalipto não é uma árvore autóctona e é uma verdadeira parasita, como a NM falou. Está repleta de óleos essenciais que a levam a explodir fagulhas por todos os lados. E sim, em 2003 vi muitos a arder desta maneira à minha frente, os quais ao fim de pouco tempo estavam com novos rebentos. Nem o mato que se desenvolve a olhos vistos debaixo de pinhal consegue nascer no meio dos eucaliptos. E porquê? Porque estes provocam uma erosão assustadora.

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    1. Pois. Felizmente nunca vi isso ao vivo e a cores. O diabo é que a única maneira dos pequenos proprietários tirarem algum rendimento das terras é plantarem eucaliptos, enfim... não é fácil. Se fosse fazia eu.

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    2. Mas Picante, pelo mesmo na minha zona, os incêndios têm sido de tal forma constantes que nem permitem tirar rendimentos com os eucaliptos. Antes que se tenha tempo de cortar, volta a arder novamente...É um ciclo vicioso. Conheço muita gente cujas parcelas estão ao abandono que se tivessem certezas que não ardiam e perdiam todo o investimento, estavam predispostas a limpar e organizar adaquadamente. Assim, preferem ficar quietas à espera que tudo seja reduzido a cinzas, mais Verão menos Verão.

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  16. E os dias que andam aqui a perder tempo com explicações que não adiantam nada, pegassem num enxada e fossem limpar as matas já estavam todas livres de fogos.
    É uma ideia, não é?

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    1. E então, caro anónimo, explique-me lá como se limpa uma mata com uma enxada?! Ou então pegue numa e vá tentar limpar uma. Mas envie-me o vídeo, sim?

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    2. Se falasse antes em pegar numa motoserra e cortar o mal (eucaliptos) pela raíz até concordava. O problema é que é crime ir ao terrenos alheio cortar árvores, apesar dessas árvores e esses donos colocarem em risco de vida todos os outros.

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  17. Ó picante , zonas circunspectas são zonas metidas consigo próprias? Olhe que o eucalipto é tudo menos circunspecto. :-P

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    1. circunscritas, eu queria ter dito circunscritas.
      (também não deixam passar nada, credo...)

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  18. O Avô Marcelo vela por nós.
    Quando acabar de dar abraços e regressar do périplo pelo velho imperio ultramar, o sr persidente do conselho deste regime quase presidencialista vai pôr tudo nos eixos, com um beijinho e uma canção.

    Somos os melhores.
    Portugal e o Brasil juntos são imparáveis.
    Portugal e Moçambique juntos são imparáveis.
    Portugal só precisa de um bom parceiro para ser imparável.
    Há muitos casais assim.

    É triste ser-se tão triste.
    Uma catástrofe nacional e as ratazanas só se preocupam em garantir que ninguém lhes aponta o dedo, por inacção, por compadrio, por incompetência.

    Se não foi agora que batemos no fundo enquanto país é porque não deve haver um fundo.
    São tempos tristes.

    Abraço, cara Picante.

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