quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dei uma rápida vista de olhos a alguns trinta blogues

Em nenhum vi qualquer referência a Manchester, sinto um misto de náusea, tristeza e revolta quando penso que isto dos atentados terroristas na Europa, perpetrados por extremistas muçulmanos, já se começa a tornar rotineiro. É fácil aos nossos políticos dizer que isto não é um problema de religião, esconder a cabeça enquanto nos dizem para não ter medo, que o que interessa é manter o nosso modo de vida. Afinal nunca são eles a chorar os filhos e pais mortos, não é?

41 comentários:

  1. É tão revoltante e perverso este encolher de ombros ao hábito destes atentados como a disparidade do valor que se dá a uma vida adolescente londrina/europeia e a uma vida infantil síria/asiática.

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    1. Não acho que tenha nada a ver com disparidade de valor de vidas humanas. Acho que o que tem mais a ver connosco toca-nos mais, quando é mesmo ao nosso lado, locais que conhecemos e onde temos amigos há uma maior identificação, parece-me perfeitamente natural.
      Acho também que crescemos a ouvir falar de atrocidades cometidas em determinados países e que de certo modo já não nos choca tanto porque efectivamente as coisas sempre assim se passaram. Em países onde supostamente há paz a coisa causa maior choque. isto não quer dizer que achemos certo que se passe noutros lados ou que não se sinta igualmente revolta e tristeza.

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    2. É isto tudo. Nunca vi blog nenhum a "chorar" as mortes dos atentados nos países Árabes, e também nunca vi ninguém indignado por isso.

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    3. Ué. Mas são blogues de "estilo de vida", consumo, que funcionam como plataformas de visibilidade de marcas. Está bem que tocar no assunto possa gerar alguns cliques, mas, em geral, não são blogues sobre política internacional ou ativismo humanitário. Imagino que se procurarem nos sítios certos, encontrarão quem se manifeste sobre a morte de inocentes, independentemente da latitude ou longitude.

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  2. Facebook, eu vi muita alusão. E discordo totalmente da opinião do Eros. Mas lá está, tem muito a ver com os valores das pessoas que nos rodeiam. E copio a citação do Pedro Marques Lopes "Eu bem digo que não podemos ceder ao inimigo e que a melhor forma de resistir é continuamos a viver da mesma forma. Mas, depois, telefono ao meu filho, que vive em Londres, e digo-lhe para não sair de casa. É tão mais fácil quando não nos toca a nós."

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    1. A segunda guerra mundial começa com essa "indiferença" por quem nada nos diz. Os nazis começaram a recolher os judeus mais pobres e os ricos diziam "não afecta a nossa classe". Depois começaram a recolher os vizinhos e lá ignoravam dizendo "não afecta os nossos, nem a nossa casa"... até que finalmente lhes bateram à porta.

      Somos todos iguais, nenhuma vida tem mais valor do que outra. Mas se defendes apenas o valor da proximidade, não estás a legitimar a crítica que fazes neste post aos blogs que nada disseram sobre o atentado de Manchester. Os donos desses blogs podem nunca ter ido à Inglaterra, nem possuir familiares por lá. Ou seja, é o equivalente de passares as atrocidades da Síria para nota de rodapé, porque fica bem longe da vista e aparentemente, longe do coração.

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    2. Mas qual indiferença? Alguém falou em indiferença?

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    3. Daí ter usado as aspas. Lê com maior atenção, pois se o fizeres, irás verificar imediatamente como estamos a falar/defender o mesmo usando outras palavras e outros prismas.

      Mantém apenas a coerência da tua "indignação", pois se não quisesse ler com maior cuidado aquilo que tentas exprimir, também seria fácil acusar-te de xenofobia cirúrgica com uma declaração tua que isolada é de uma perversidade atroz: "crescemos a ouvir falar de atrocidades cometidas em determinados países e que de certo modo já não nos choca tanto".

      Ou seja, se eu não for um cidadão europeu, com dinheirinho para conhecer cidades de países vizinhos, sem ter familiares a viver em sítios de paz... e for uma criancinha que teve a infelicidade de nascer num sítio instável social/economicamente, que passa o dia cheio de pó e levo com uma bomba em cima que não mata vinte e tais mas dizima trezentos e tais, não tenho direito de antena. Ou seja, nem pensar em chocar gente que está sentadinha no sofá, com frigorífico cheio de comida, roupa lavada, quatro paredes e um tecto e rede wifi para se mostrar indignado com a ausência de indignação por falecerem dezenas mais importantes que centenas.

      Para mim todas as vidas contam. Se apenas contassem as vidas de quem me é próximo, não passava de um hipócrita que finge preocupação com a restante população.

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    4. Se quer insistir em distorcer o que digo é lá consigo. Lamento mas não tenho tempo para discussões em blogs com quem insiste em distorcer sentidos ou retirar frases de contexto.
      Fecho o assunto dizendo que era o que mais faltava que eu não fosse livre de chorar quem me apetecer chorar.

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    5. Fecho também o assunto, solicitando novamente coerência, conceito que lamentavelmente não aparenta assimilar. Não distorça igualmente as minhas palavras, pois nunca usei uma única linha para sufocar a sua liberdade de carpir por quem quer carpir. Aliás, a única pessoa que se indigna contra a ausência de lágrimas é você. Finalizando com uma frase quase literalmente sua, para evidenciar mais uma vez a sua falta de coerência com este post: era o que mais faltava que as pessoas/blogs não fossem livres de chorar quem lhes apetece chorar.

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    6. Sério? Mas não disse em cima que era perverso (perverso?) os órgãos de comunicação darem mais visibilidade aos atentados na Europa que aos da Siria?
      Pelas suas palavras depreendi, talvez mal, que teria de me chocar igualmente com todos, que uns não me deveriam chocar mais que outros.
      Ainda por cima atribui diferentes valores às vidas consoante às pessoas cause mais ou menos impacto o que acho pouco razoável. Não é por me chocar mais um atentado em Inglaterra que a vida das crianças inglesas vale mais que a das crianças sírias.
      Vir comparar a diferença de "choque" ao que se passou na Alemanha nazi é surreal.

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    7. E queria só dizer que não estou a criticar blogs por não terem referido o assunto. Estou a criticar a Europa por se estar a habituar a isto. É completamente diferente.

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    8. Não comparei o grau de choque relativamente ao desenlace de ambos. Comparei apenas a aparente ausência de choque relativamente ao que sucedeu no início. Ou seja, defendo que há uma franca possibilidade de nos estarem a "bater à porta" com estes atentados, justamente pela indiferença de choque da maioria relativamente às atrocidades que se cometem na Síria. Aliás, corre hoje nos meios de comunicação que a besta responsável pelo atentado em Manchester cometeu aquela atrocidade movido pela vingança da morte dos seus próximos nos bombardeamentos na Síria.

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    9. A Picante já se habituou aos ataques nos países lá longe, agora tem que de habituar aos de perto. Leva o seu tempinho, tá?!

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  3. A SMS escreveu sobre o assunto no blogue dela.

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    1. A SMS, tal como as outras wannabe, só é apetecível aqui á dona da casa quando lhe convém. Quando lhe dá jeito para mostrar a sua refinada ironia, uma façanha de que só ela é capaz. Quando não interessa, ignora. É o caso aqui.

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    2. Não vi. Mas ainda que tivesse visto isso não altera em nada o sentido do post, o qual não é uma crítica a nenhum blog. É uma crítica ao estado da sociedade, é uma pena que não consiga perceber a diferença.

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  4. Discordo. Se há alguém que diz que têm de "manter o nosso modo de vida", são os próprios da Grã-Bretanha, e eles lá sabem. E sabem-no, não só devido às guerras e guerrilhas, dentro e fora do seu próprio território, mas também devido à própria religião (ou à dos seus pais); é um modo de perspectiva. E eles lá sabem. Nós já somos mais de chorar, lamuriar ou de ir a pé a Fátima e tomar ansiolíticos e antidepressivos.
    Mais do que religiosos extremistas, são miúdos desequilibrados e adultos descompensados que encontram nos pseudo religiosos um meio para soltarem os seus demónios.

    Já não lhes bastava o Presidente que têm, ainda têm mais isto: http://g1.globo.com/mundo/noticia/milhares-fogem-de-cidade-nas-filipinas-por-violencia-de-militantes-islamicos.ghtml ou https://actualidad.rt.com/actualidad/239291-isis-islamico-terroristas-filipinas-marawi

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    1. Eu ouço esse discurso desde o 11 de Setembro. E até é verdade, não nos podemos vergar. Acontece que é muito mais fácil não vergar com 50 guarda costas atrás e vidros à prova de bala.

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  5. 1. "sinto um misto de náusea, tristeza e revolta quando penso que isto dos atentados terroristas (...) já se começa a tornar rotineiro"

    2. "crescemos a ouvir falar de atrocidades cometidas em determinados países e que de certo modo já não nos choca tanto"


    ...



    http://cdn.naosalvo.com.br/2016/08/eLw7m.gif

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    1. Por ser hábito não causa a mesma estranheza. São países que estão em guerra há desde sempre. Do mesmo modo que desde sempre se cometem atentados aos direitos humanos na Coreia do Norte, por ex. O que não significa que voltemos as costas ou deixemos de condenar.
      Era bom que não pusessem palavras na minha boca...

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  6. Eu vivo em Inglaterra e este atentado deixou-me preocupada. Sim, há muitas guerras mas sempre senti que estavam lá longe. Esse é o problema! Nunca tive de lidar com as suas consequencias. Quando acontece na soleira da nossa porta é completamente diferente! Ainda há pouco tivemos um atentado em Londres (do qual já poucos se recordam...) e agora outro... Há o esforço colectivo de retomar a normalidade mas a verdade é que (aquel)a normalidade já não existe. Adaptamo-nos à realidade e ao impacto das consequências e tentamos não permitir que o medo vença, mas ele está presente. Não há como não estar. Ainda assim, devemos continuar, não a fazer de conta que nada aconteceu, mas a mostrar que apesar do receio não nos rendemos a atitudes desumanas, violentas, o que lhes quisermos chamar - elas sempre existiram! Talvez o desafio agora seja deixarmos de ver as guerras lá longe e passarmos todos a ter um papel mais interventivo nas politicas governamentais.

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    1. Hoje descobriram uma bomba numa escola, em Manchester. Numa escola, caramba. Filhos de uma cabra.
      Abraço, Patrícia.

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  7. São tão muçulmanos os terroristas como são cristãos os terroristas e extremistas religiosos que apoiam o Trump e, no entanto, a Picante estava era muito preocupada com a possível Vitória da Hillary.

    O Trump foi ao país que tem vindo a patrocinar o daech e que financia uma implementação de mais e mais polos de divulgação de um islao radical em vários países- a Arábia Saudita - afirmar que o Irão é que era o perigo e a Picante não se mostrou muito chocada.

    O Alcorão tem passagens tão repugnantes, bestiais e vis como o Velho Testamento, no qual os extremistas evangélicos se baseiam. Mas também nunca a vi ficar muito preocupada.

    E para de tentar dar a entender que os atentados só acontecem na Europa. A maioria dos atentados do daech é amigos acontece em países em países muçulmanos.

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    1. Diga-me lá uma coisa se conseguir. Quantos atentaria terroristas é que foram cometidos em nome de Jesus Cristo assim nos últimos tempos?

      Os EUA são aliados da Arabia Saudita desde quando, mesmo?

      Olhe, afinal são duas coisas.

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    2. E já agora, já que vem com lições, ao menos escreva daesh como deve ser.

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    3. A Palestina já não existe???

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    4. Defina "atentados terroristas". Este fds, morreram dois homens em Portland que defenderam duas adolescentes muculmanas. Foram mortos por um extremista de direita, com discursos anti-islao e anti-semitas.

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    5. Acha mesmo que isso é um atentado terrorista em nome de Jesus Cristo? Ou apeteceu-lhe vir aqui e tentar fazer-me perder tempo a responder?

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    6. Talvez nao especificamente em nome de Jesus Cristo, mas em nome de supostos valores ocidentais, sem duvida nenhuma.

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    7. Em nome de valores ocidentais? Vai desculpar a minha brutalidade mas não tenho paciência. Faça o seguinte, caso queira conversa vá comentar as noticias do FB. Não leve a mal, o problema é meu.

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  8. E você, postou algo sobre o acontecido? Pois, também achava que não. Como diz a canção: "before you look at me, take a look at yourself". E não, não tenho blog. E sim, tb constei que houve pouca ou nenhuma postagem sobre esse horror. Isabel Vasconcelos

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    1. Exacto. Primeiro foi ler nos outros e depois vem criticar os outros porque não o fizeram :/

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    2. Eu não tenho escrito sobre quase nada. De todas as formas isto não é uma crítica a quem não escreveu. É um constatar que nos estamos a habituar a atentados na Europa, mais nada. Não sei onde conseguem ver uma crítica a blogs, caramba.

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  9. O Pipoco Mais Salgado escreveu sobre o tema. Brilhante como quase sempre.

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  10. Querida Picante,

    A SMS escreveu sobre o assunto. Fora isso, é tudo demasiado triste e revoltante... O sentimento de impotência e medo, é aterrador. E isso serve tanto para a Europa como para o Iraque.

    Um beijo, Custódia.

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    1. É horrível, é. Não quero imaginar que os meus filhos vão viver num local onde um qualquer anormal se pode fazer explodir a qualquer momento.
      Bom fim de semana.

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  11. Quando lhe convém isto são só blogues...

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    1. São sempre só blogs, não entendo qual é a sua dúvida.

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