quinta-feira, 30 de março de 2017

Isto anda tudo ligado

Estava eu a dar uma volta pelos blogs, mais especificamente por Tanganica, quando me deparo com uma recomendação, não sei o quê sobre o melhor post da manhã, ou lá o que era. Carrego no link e vou dar com a minha querida afilhada a dissertar sobre a problemática da estupidez, coisa sempre muito pertinente que infelizmente se reproduz como os coelhos, cada vez encontro mais gente parva convencida de que é a última Coca Cola do deserto. Li o post com muita atenção, sorrindo com a indignação da Nê perante o desprezo do ignorante pelo conhecimento, já deixei de me aborrecer com essas menoridades, mas dizia eu que enquanto a Nê falava sobre a importância do método, e se ela fala senhores!, de repente me veio à memória uma conversa recente que tive com um dos progenitores lá daquele ginásio que a minha filha frequenta, onde é torturada quatro horas todos os dias.
A título de preâmbulo, adianto que a senhora é uma desportista falhada, queria muito ter feito ginástica e teve de se contentar com uma espécie de ginástica. Vê na filha, uma miúda com algum jeito mas é que é mesmo só isso, algum jeito, não sei se já disse, a próxima Biles e tem objectivos muito claros para a criança. Ela.
Pois que a Matilde se lesionou, está há quase seis meses sem treinar e a coisa está longe de estar perto de se resolver. Em virtude disso (eu tenho as minhas teorias sobre o acompanhamento médico que a miúda teve mas isso agora não interessa nada), dizia eu que em virtude disso a Matilde não só não progrediu como foi ultrapassada por outras ginastas, uma das quais mini Picante que está a evoluir a uma velocidade que nunca pensei ser possível. Daqui não viria mal nenhum ao mundo não fosse a mãe da criança achar que a prática de ginástica, a este nível, só vale a pena havendo objectivos claros de integração na selecção com consequente experiência internacional. E dado que  a coisa se afigura cada vez mais improvável, digo eu que sou uma incorrigível optimista, disse-me o que já tinha dito à filha, que a ginástica para ela estava acabada, que andava ali a perder tempo e o melhor era escolher outra coisa. Assim mesmo, com a delicadeza de uma besta.
Ora eu que não tenho nada contra objectivos ambiciosos, muito pelo contrário, acho muito bem que as miúdas sonhem com as olimpíadas. Acontece que também acho avisado que elas tenham a noção da realidade e vai daí que vou doseando a coisa, é aquilo das quedas amparadas, sempre a decepção será menor. 
De maneiras que lá estava eu a dizer que não, que a ginástica podia valer muito a pena só pelo gozo da evolução, de fazer mais e melhor, de competir contra elas próprias numa óptica de "isto ainda não está perfeito, embora aí tentar mais um par de vezes". E lá me contrariava a mãe da Matilde, que não, que ou era a sério ou não valia a pena, que não entrando na selecção o melhor seria desistir já. E não adiantou de nada explicar que os objectivos têm de  ser das miúdas, que elas ficam felizes pela evolução e aperfeiçoamento, que conseguir entrar na selecção é só a cereja em cima do bolo, que isto lhes ensina persistência, resiliência, perfeccionismo, organização, foco e mais um sem número de coisas, que enfim, o resultado é o que menos importa, em causa está apenas e só o processo (vês, Nê? O processo!...).
Não serviu de nada, claro. A mãe da Matilde subitamente ficou de cenho franzido a ver o novo esquema de trave de mini Picante, olhos muito fixos na série de flics que a miúda acabava de aprender a fazer, foi até bastante mal educada.
Resumindo, o que eu queria mesmo dizer é que estou com a Nê, a matemática comanda a vida e cada vez mais me falta paciência para gente estúpida.

26 comentários:

  1. Desculpa?! Primeiro foste ao Tanganica, depois carregaste num link que dizia claramente aonde ia e depois, só depois, te deparaste com o meu post?! Hã?! Não revejas essas prioridades não...

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    1. Comecei pelos de cima, isto não tem nada que ver com prioridades.
      (eu sabia onde ia, não ao que ia)

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    2. Começaste pelos de cima??!! Continuo sem perceber...

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    3. pelos blogs que estavam em cima no feed, i.é. os últimos posts a serem escritos

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    4. Eu percebi, carai... Estava a brincar.
      Credo, hoje estás virada, não estás?

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    5. Estou. Poucas horas de sono dá sempre nisto, fico burra.

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    6. Eu agora até dizia uma coisa supé engraçada sobre isso de ficares burra quando dormes pouco, mas sob pena de ser mandada para um sítio não muito aprazível vou-me abster. :DD

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    7. ahahahahahah

      A piada básica é sempre de evitar

      ahahahahah

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  2. (E sim... O processo. O que terá sempre de se sobrepôr a tudo será o processo.)

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  3. e se falarmos de resultados escolares? o "processo" continua a prevalecer?

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    1. Deveria continuar sim, a coisa deveria ser feita a partir da satisfação e vontade de evoluir no conhecimento. Mas infelizmente o ensino mantém-se igual ao que era há cem anos atrás e está focado em empinar, avaliar e esquecer. Eu sou muito crítica relativamente ao modelo de ensino, acho-o muito pouco orientado para o pensamento, sentido crítico e resolução de problemas.

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    2. Completamente de acordo, Picante.

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    3. referia-me em concreto às expectativas relativamente aos resultados, em detrimento do processo. era só isso.

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    4. O sistema está orientado em função dos resultados. Por mais que lhe gostasse de dizer que sim, a verdade é que a resposta à sua pergunta é não. Para a sociedade são os resultados escolares que contam. Basta ver como é feito o acesso às universidades. Espero que mude, espero mesmo muito.

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    5. Sou também algo crítico do actual sistema educativo. É um facto que o sistema está orientado para os resultados e que isso se reflecte no actual modelo de acesso ao ensino superior.

      Mas qual é a alternativa? Tenho pensado nisso e não encontro uma alternativa justa e exequível. O que acha?

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    6. Atenção, eu acho essencial que haja testes e exames, não defendo a sua completa abolição. Mas acho que seria tão fácil ensinar as rochas através de passeios in loco, ensinar línguas através de teatro, matemática na cozinha, fomentar a pesquisa... Mas é um facto que tudo isto exige tempo e provavelmente não é compatível com a quantidade e profundidade de matéria que os professores são obrigados a debitar. Mas em compensação teríamos alunos habituados a pensar ao invés de marrar.

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    7. como é que a Picante foi habituada a pensar? nunca teve de "marrar"? isto não é a apologia do "dantes é que era", mas a aprendizagem faz-se, e muito, de esforço e de trabalho.

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    8. Lhe asseguro que não foi enquanto empinava as propriedades das rochas e o tipo de solos dos quais nada me ficou. Isso, quando muito, estimulou-me a capacidade de menorização.
      É possível trabalhar-se muito sem estar constantemente a marrar, eu acho que o ensino através da vivência e experimentação é muito mais eficaz, nós tendemos a memorizar permanentemente as coisas que fazemos.

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    9. *clap*clap*clap*clap*
      Aplausos, Picante, aplausos.
      A quem perguntava pela alternativa, saiba que já existem várias pedagógicas alternativas em prática em várias escolas (públicas e privadas) deste país, com a graça de Deus! Em prática há décadas, aliás, é realmente de procurar que encontra.

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  4. As tiger moms são horríveis. Pobres filhos.

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    1. Se eu lhe dissesse o que se passou de seguida... Nunca tinha visto um adulto a perder o tino por pura inveja de uma criança, aquilo foi-lhe superior e não conseguiu dominar a frustração.

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  5. Já leste? https://www.noticiasaominuto.com/pais/766625/tiffosi-condenada-por-copiar-pecas-de-roupa?&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer&utm_content=geral

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  6. Ahahahahahahah. Muito bom. Este blogue tem andado aos papeis, mas foi só o Salgado dizer que o melhor post da semana foi da Nê que saiu logo aqui um post enorme em que o único propósito é lembrar a malta que a Nê é sua afilhada. Faz tudo para chamar a atenção do homem.
    Aqui... aqui... estou aqui...

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    1. Minha boa dona Joaquina, precisa de falar? Sinto-a agastada, meio aziada... Posso ajudar?

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