domingo, 7 de agosto de 2016

Éramos felizes e sabíamos

Não usar chapéu de chuva e saltar nas poças, beber água da chuva e ter de mudar de roupa de tão encharcados que estávamos, verões em Cascais, escaldões todos os anos, fazer a descida do Murtal sem usar travões, poder sair à noite porque éramos alguns vinte, tocar às campainhas e fugir, xadrez ao fim da tarde e conseguir ganhar ao meu pai. Os cinco, os sete e toda a Enid Blyton. Agatha Christie e Eça. Montar a cavalo de sol a sol, descobrir Queen. O primeiro beijo mesmo a sério, borboletas na barriga, saber que aquele era mesmo o único rapaz do mundo que contava e ter a certeza de que seriamos felizes para sempre. Plateau e Kapital no inverno, Summer Time e T-Club no Verão. Pele  a saber a sal, adormecer na praia ao fim da tarde. Ski em Serra Nevada todos os fins de semana. Jantares só de raparigas e cantar José Cid até ficar sem voz.  Rir até doer a barriga, ouvir Sorry seems to be the hardest word e chorar, cafés na Mexicana durante a semana e na Azóia ao fim‑de‑semana. Poder conduzir até ao Green Hill e sorrir enquanto recordávamos os Verões em que era bestial conseguir uma boleia e escapar à Bonie. O bar do Sheraton. Aumentar o volume da aparelhagem até ao limite do suportável porque está a passar o Nowhere fast e cantar a plenos pulmões a letra que levámos três dias a decorar, sabendo que a vida vai ser o que nós quisermos, que nada nos será impossível, que apenas temos de a agarrar. Sem medo.

8 comentários:

  1. :)
    Tão bom!! Tenho bastantes memórias iguais! E sim, éramos felizes e sabíamos.
    E também somos agora, só de nos lembrarmos :)

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    1. Nem mais! A felicidade está em aproveitar ao máximo aqueles picos mesmo bons que a vida nos oferece. Todos os temos, é questão de os valorizarmos mais que os momentos menos bons, a eterna questão do copo.
      Boa tarde!

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    2. Verdade :)
      Boa tarde!!

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  2. A armar-se em tiazorra, já naquela altura. A querer chegar aos calcanhares dos betinhos, portanto. A não conseguir. Como sempre, claro.
    E o Pipoca sem te ligar nenhuma e a não te incluir lá na lista dele. Como sempre, claro.

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  3. Não me parece que a corrente do Pipoco fosse para si, picante...
    E também não teve nem metade da piada dele, nem da Palmier.

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    1. Como é que hei-de dizer isto de uma forma simpática? Hum, já sei! A mim não parece que a sua opinião valha grande coisa...

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