quinta-feira, 2 de junho de 2016

Público versus Privado

Toda a gente sabe que o privado prepara as crianças muito melhor, disse-me ele, o tipo mais complicadinho que conheço, Senhores!... O homem exaspera-me, em tudo vê problemas, as coisas nunca deviam ser como são, nunca encontra soluções de tão preocupado que está em antecipar problemas. Ainda acrescentou que os professores do público eram muito menos exigentes e preocupados com as crianças, antes de eu lhe perguntar, numa voz tremendamente doce, aquilo que já sabia. 
Estudaste no privado, não estudaste?... Sim, respondeu-me, e olha para mim!
Sorri enquanto acenava com a cabeça, em concordância, pensou ele.

79 comentários:

  1. A Picante discute o sexo dos anjos?

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  2. Sobre a questão dos contratos de associação (e nem é a questão público vs. privado), leiam este artigo de 2013 que tem uma boa súmula do que se andava a passar:
    http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_dias_uteis/manual-pratico-de-criacao-de-rendas-na-educacao=f841150

    Acho que niguém pode achar normal esta situação manter-se.

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  3. Eu estudei num colégio com contrato de associação, escolhido por uma série muito válida de razões, que me vou abster de comentar aqui...Mas a discussão roça mesmo o sexo dos anjos, naquele tempo, no local onde estudei, a exigência não reinava e sabe Deus os inimigos que fiz à conta disso!

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  4. A discussão nem é essa...a mim pouco me importa se são mais exigentes ou não. O que eu não quero é pagar para os filhos dos outros andarem em colégios privados.
    Pensam que os filhos ficam melhor preparados no privado, muito bem. Continuem então com as crianças na escola pública mas paguem por isso.

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    1. É que é isso mesmo.
      Querem privado paguem-nos.
      Agora andarmos nós a pagar as suas mensalidades é fazermos figuras de parvos é que não. É tão fácil armarem-se à custa dos outros...

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    2. Calma... As coisas não são bem assim. Não são assim tão "trigo limpo, farinha amparo" como querem fazer parecer. A ver se hoje à noite arranjo tempo para escrever sobre isto.

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    3. Não é bem assim? A verdade é que as escolas públicas fecham por falta de verba. Escolas para todos. E depois injecta-se dinheiro em privadas. Escolas para alguns. Parece-me que é claro.

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    4. Calma que a mãe já vem que agora não tem tempo... :)

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    5. A grande questão é que somos duplamente roubados. Pagamos impostos em que supostamente uma parte será para o ensino. Depois o nosso dinheiro é desviado para pagamento de mensalidades em privados a chicos espertos...
      Nas situações em que não existe alternativa não vejo qualquer problema em custear a educação de uma criança que não teve vaga ou em que geograficamente não tem possibilidade de deslocação para uma escola pública. Mas tenho grandes problemas em que os meus impostos sejam desviados para esquemas fraudulentos em que alguns destes colégios estão metidos.
      Querem filhos no privado paguem as mensalidades e não se queixem.
      Havendo uma decisão correta sobre este assunto desconfio que muita gentinha deixe de se armar e passe a ter os filhos no público... ah pois é....

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    6. Eu acho que a única excepção possível é mesmo se os miúdos tiverem de andar uns 30 ou 40km/dia para chegar a uma escola ou se, por algum motivo, a escola onde deveriam andar não tiver condições (seja falta de salas, professores ou condições de segurança). Mas acho que nunca deveria ser uma solução a longo prazo e nunca para fazerem todo o percurso escolar numa privada paga por todos nós.

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    7. Juro que não consigo perceber o seu argumento, anónimo das 21:23 (seu de mais uns quantos milhares). Afinal o que é que está errado? É os impostos servirem para custear escolas privadas (eu disse privadas, não disse de elite - é que pelo que falam até parece que andamos aqui a pagar o S.João de Brito, Valsassina, etc) ou é existirem "esquemas fraudulentos em que alguns destes colégios estão metidos"? Então se há esquemas fraudulentos não seria mais razoável combater esses esquemas? Em vez disso, penalizam-se os alunos, retirando-lhe uma formação de qualidade?
      Então, pela sua lógica, se os tais contratos que em sua opinião se justificam pela não resposta do público coincidirem com os esses colégios onde existem esquemas fraudulentos, nesses casos o Estado deve compactuar com tais esquemas, financiando-os? Não estamos a correr o risco de continuar a financiar os dos esquemas fraudulentos, eliminando os que prestavam um serviço sério, só porque sim?
      Juro que não consigo perceber.

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    8. Eu explico-lhe o meu comentário:
      1 - Não pactuar com esquemas fraudulentos. Em caso algum. Sou totalmente contra os mesmos e deveriam ser penalizados com retroativos de anos anteriores todos os privados que usaram este tipo de esquemas. Independentemente de ser um privado mais ou menos conhecido.
      2 - Em casos em que as crianças não têm acesso a uma escola pública devido à sua localização geográfica ou não existir vaga deverá ir para um privado. Sem qualquer tipo de dúvida. Mas um privado que não faça parte deste esquema fraudulento pois pela minha lógica estes deveriam deixar de poder receber qualquer tipo de subsídio estatal.

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    9. Já está anónimo das 16:17, que eu posso tardar mas não falho.

      http://calmacomoandor.blogspot.pt/2016/06/dos-colegios-com-contrato-de-associacao.html?m=1

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    10. NM, deixou-me convencida de que ia escrever alguma coisa verdadeiramente importante sobre as escolas com contrato de associação e toda esta polémica, mas agora que li o seu post, é só ar e vento... Nada mais. A questão crucial é só uma, e a maior parte da população portuguesa bem a entende: quer providenciar ao seu filho um ensino na escola privada? Muito bem, escolha a que mais lhe agrade e pague ao fim do mês. Não há mais argumentos.

      Rita Carlos

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    11. Pois é Rita Carlos, pois é... Porem-se professores que se têm encostados nos agrupamentos com horário zero a dar disciplinas que não dominam é coisa de somenos importância é... É isso e a pimenta no traseiro dos outros..

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    12. Uma árvore não faz a floresta. Mais depressa se encontram professores sem habilitação própria no ensino privado do que no ensino público. O caso que referiu será, certamente, uma excepção. Esqueceu-se de referir às habitações académicas do referido professor. Trabalhei durante 40 anos no ensino público. Sei do que falo.

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    13. Não dominar uma disciplina para a qual se está formalmente habilitado é diferente de não ter habilitação própria para a docência. Quero acreditar que as escolas, públicas ou privadas, são do mais rigoroso possível nessa questão, porque é uma questão de lei. Trabalhei em centros de formação, numa escola pública e neste momento numa escola profissional e sempre foi um ponto de honra em qualquer uma delas. Agora pode acontecer uma pessoa tirar, por exemplo, o curso de gestão, ter habilitações para dar matemática, mas faltar-lhe o domínio para tal. São coisas diferentes.

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    14. Não é um caso isolado! Não é. E independentemente das habilitações académicas. Independentemente! Uma pessoa que sempre deu EVT ao 2º ciclo não está habilitado a dar a matemática de hoje em dia ao terceiro ciclo. Não está! Um pergunta: Queria um professor assim para o seu neto?
      E no privado as coisas funcionam de uma e uma só maneira: ou dá as aulas de acordo com a política da direção (quer seja a exigência, quer seja o facilitismo) ou vai para o olho da rua.

      (E apraz-me saber que sabe o que eu faço e onde trabalho e o que sei e quem conheço e isso... Para puxar dos galões dessa maneira deve mesmo saber... é que ter trabalhado 40 anos no ensino público não vincula per se a sua opinião à razão. Um pergunta: Nesses 40 anos quantas escolas (que é como quem diz realidades escolares) conheceu? Quatro? Cinco? Sete? É que essas são as que um professor contratado conhece em menos de meia dúzia de anos.)

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    15. Claro anónimo (16:01), claro que não é condição equivalente. Mas é mais provável, ou não?! E as escolas públicas não podem ter um professor sem turma se este puder ter turma. E se tem habilitações para (ainda que sejam só suficientes, ainda que seja de una disciplina que nunca deu na vida), tem turma. É tão simples quanto isto. Se é incompetente, se ensina as coisas pela rama... E quem é que vai avaliar isso, mesmo? Põem-se em anos/disciplinas sem exames nacionais evitar um descalabro nas notas, com turmas com pais menos interessados e está pronto a andar de mota.
      (A sério que há dúvidas que isto acontece em muitas, muitas escolas?!)

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    16. Nê, tudo isso pode ser muito certo e tens muita razão. Um professor deveria estar habilitado e saber a fundo sobre a matéria que lecciona.
      Mas acontece que o que dizes se passa em todo o ensino público (e mal , ok?), não apenas nas escolas perto dos colégios com contrato de associação. Vai daí que me parece irrelevante para o caso de se manter apenas alguns dos cidadãos com hipótese de escolha. Vais desculpar-me mas ou é para todos ou não é para ninguém (a menos que não haja oferta pública a uma distância razoável). Caso contrário todos os cidadãos podem vir com o argumento de que a escola pública da zona em que vivem é pior que o colégio do lado.
      Quanto a mim a questão mantém-se, o que dizes são outros 5 tostões, um problema independente deste.

      Caramba, o meu post nem era sobre contratos de associação...

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    17. (Ok. Não concordo que sejam problemas independentes, mas bom... Já cá não está quem comentou fora do penico.)

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    18. Como não é independente? Estás a justificar os contratos de associação com uma questão que é transversal ao ensino público...

      (foi toda a gente, achava que o tema tinha esfriado)

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    19. A solução passa por resolver o problema dos professores incapazes e não por manter contratos, havendo infraestruturas públicas, acho eu. Num país normal deveria ser assim mas pronto.

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    20. Obviamente que não estou a justificar os contratos de associação com nada. Estou, sim, a justificar a insurgência dos pais que trazem os filhos nos tais colégios, que nalguns casos, na maior parte deles, têm carradas, carradas, de razão. Se cada um dos que atira calhaus estivesse na pele deles outro galo cantaria. (Mas é sempre mais fácil meter tudo no mesmo saco e gritar muito alto.)

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    21. Nê, e em quê é que esses pais tem mais direitos que os restantes milhares de pais que reclamam por situações idênticas? Ou outras situações igualmente preocupantes? Porque raio são esses pais mais que os outros e deverão poder escolher ter os filhos num colégio?
      Caramba, berrem por um ensino decente e aí sim, eu dou-lhes todo o meu apoio.

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    22. A questão é essa Pic. É que em vez de berrarmos todos por um ensino decente (que não fazemos porque jamais nos entenderemos), berramos todos a uma só voz contra com o tem e o exige. Devia ser ao contrário. Eles é que estão certos.

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  5. Claro que no privado se preocupam mais com as crianças. Os colégios que conheço dificilmente têm mais que 20 alunos (uma boa parte 15 já são muitos) por turma, enquanto no público já vi turmas com quase 30 (só estive em turmas pequenas quando fui para humanidades). Há colégios (não os de associação mas os privados de topo) que têm turmas de 5 a 10 de alunos. Não se pode comparar a gestão de uma turma pequena com meninos que se precisarem facilmente têm explicações individuais ou que até podem ser ajudados pelos pais (que regra geral têm mais estudos) com turmas enormes que em muitos casos os alunos não tem poder económico suficiente para arranjar uma alternativa para conseguirem aprender nem pais que os consigam ajudar e têm que literalmente, e peço perdão pelo palavrão, desenmerdarem-se.

    Quanto à exigência, é relativo. Sou da zona do Porto e toda a gente sabe que existe um certo colégio que miúdos que tinham notas de caca no 3º ciclo e médias baixas no 10º escolhem para subir milagrosamente as notas e entrarem (regra geral) em medicina. Reza a lenda, que até as respostas dos exames nacionais lhes eram dadas. Se esta parte é verdade ou não, não sei. Mas sei que tive colegas que não eram nenhuma inteligência rara (leia-se 3 puxado a matemática e maioria de notas entre o 3 e o 4) a acabarem o secundário com média de 18/19 e a entrarem em medicina. Ainda se encontram por lá a acabar o curso.

    Não sou anti-privadas, mas o que mais abomino é comprarem-se vagas nas Universidades não com o cérebro, mas sim com dinheiro, tirando o lugar a pessoas que realmente merecem lá estar, no que resulta, muitas vezes em profissionais de meia tigela.
    Pessoalmente, sou contra o sistema atual de acesso ao ensino superior. Acho que cada Faculdade deveria apresentar critérios específicos para a admissão de estudantes, com esses critérios a incluir, no mínimo, uma entrevista pessoal e um exame global que envolvesse as matérias de secundário relevantes à área. Dá trabalho? Claro que sim. Mas era um modo de se atenuar injustiças sociais como esta.

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    1. Eu entrei numa universidade privada e tive que fazer um exame de admissão á universidade...Tive colegas que chumbaram nesse exame e não entraram.isto já foi há un 20 anos, talvez hoje as coisas sejam diferentes. A propósito do assunto em debate, andei num colégio privado (que os meus pais pagaram com o dinheiro deles, porque assim o decididram e entenderam) e numa escola pública, tive melhores notas no privado mas aprendi mais na escola pública (aliás, foi o ter mudado para a pública que me baixou drasticamente a média).Cada um terá a sua experiência própria.

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    2. "Claro que no privado se preocupam mais com as crianças. "
      tradução= os colégios preocupam-se mais com o dinheiro que lhes entra nos saldos e não com as crianças.

      Os professores, esses sim, tanto se preocupam a sério ou não. Mas isso depende do professor e não de ser público ou privado.

      De resto concordo com tudo.

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    3. Já pensou que tem que ganhar dinheiro e por isso fazem pelas crianças terem boas notas? Mesmo que não as mereçam? E que este pode ser o argumento.

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    4. No colégio da minha filha, no primeiro ano de exames de 4º ano, a professora "ajudou" os alunos ( não com a resposta, mas com a forma de chegar à mesma)...teve um processo disciplinar e foi convidada a não leccionar mais no colégio. Nem todos pactuam com essa postura, nem com contrato de associação, nem sem ele ( este tem no secundário, onde ainda assim se sugere aos alunos que pretendem ingressar em cursos em que as médias de entrada são altas, transitem para o ensino público pois com as bases que levam, facilmente têm médias altas para entrar na faculdade.
      Nem sempre o dinheiro fala mais alto. e é por isso que concordo em pleno com o comentário mais abaixo, não pode ser feita uma razia só porque supostamente existem escolas com vagas ( construídas depois do inicio dos contratos e tendo havido também investimento por parte do privado para os cumprir), mas tem que se estudar bem o investimento que se vai fazer no ensino publico. Não é apenas aumentar turmas, e contratar professores, e encher escolas para ficarem bonitas e compostinhas se depois os professores continuam a meter baixa a meio do ano letivo e ficam os desgraçados dos miúdos todos contentes carregados de furos entre aulas e com os livros em branco no final do ano...Tem que se exigir competência, impor metas e controlar os resultados e não pode ter nada a ver com rankings, enquanto o objetivo for esse vão existir sempre interesses maiores ( ou desinteresses) que justifiquem más condutas.

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    5. A realização de entrevistas pessoais de admissão à universidade levaria a que só entrassem os alunos com o factor C. Não sendo ideal, a seleção por médias parece-me o modelo mais apropriado. Acho é que os alunos do privado deveriam ter de fazer os exames nacionais nas escolas públicas (como já acontece em algumas) para não se dar o caso de os professores resolverem o exame no quadro (como já aconteceu).

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    6. Anónimo das 16:18. Claro que o dinheiro é um incentivo e se visse bem o meu comentário ao determinado colégio do Porto ia perceber que indiretamente também disse isso. Obviamente não vou meter todos os colégios no mesmo saco, até porque acredito que existem bons colégios.
      Porém mesmo que as notas sejam de facto merecidas, é mais que óbvio que é mais fácil aprender numa turma pequena, em que um professor tem tempo para estar alguns minutos individualmente com todos os alunos e controlá-los, do que em turmas de 30. Daí a comparação do conhecido da Picante ser no mínimo parva.

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    7. Anónima de 2 de junho de 2016 às 16:37 se acha a escola pública incompetente pague do seu bolso para que os seus filhos frequentem a escola privada. Senão não passa de uma injustiça.

      Claro que se antes não havia pública e agora há (ou já há vagas) é natural que sejam sim obrigados ou a transitar para a mesma ou a pagar a mensalidade a 100%. Se não é para todos, não é para nenhum. Se têm condições ficar a pagar uma privada só porque a acha melhor é como eu lhe pedir que me pague uma mansão só porque eu acho que mereço... deve achar-se muito especial e até pode ser...desde que seja especial com o seu próprio dinheiro.

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    8. Anonima das 09:15...leia tudo com olhos de ver primeiro, morda depois...eu pago do meu bolso. E continuarei a pagar porque felizmente a vida dá-me essa possibilidade ( vá, chame-lhe lá luxo,que eu sei que adoram) n e porque acima de tudo acredito mais neste projeto do que aquele que o estado tem neste momento para oferecer.
      Também não deve ter lido a parte em que digo que concordo que se acabem com os contratos desde que: " Não é apenas aumentar turmas, e contratar professores, e encher escolas para ficarem bonitas e compostinhas se depois os professores continuam a meter baixa a meio do ano letivo e ficam os desgraçados dos miúdos todos contentes carregados de furos entre aulas e com os livros em branco no final do ano...Tem que se exigir competência, impor metas e controlar os resultados e não pode ter nada a ver com rankings, enquanto o objetivo for esse vão existir sempre interesses maiores ( ou desinteresses) que justifiquem más condutas." ...percebeu agora ou faço um desenho?

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    9. Anónimo 2 de junho de 2016 às 16:37 têm a certeza que foi isso que aconteceu nesse dia de exames? Ou foi isso que lhe venderam?

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  6. Acima de tudo, no que respeita a toda esta história dos contratos de associação (sendo que sou a favor que se mantenham os apoios às escolas que dão resposta a quem não tem mesmo alternativas) o importante é mesmo investir no público. Mais professores, melhores infraestruturas. Andei no privado na primária e, a partir daí andei sempre no público e só tenho coisas boas a dizer. A escola secundária preparou-me exemplarmente para a fase seguinte da minha vida. Quando me candidatei à faculdade, candidatei-me ao público e ao privado, porque segui psicologia e o ISPA é o ISPA. Entrei nas duas possibilidades e escolhi o público, não por não ter hipóteses para seguir para o ISPA; mas porque me pesou a crença que tenho da qualidade do ensino público em Portugal. 20 anos depois e não me arrependo nem por um segundo. Se apanhei professores menos bons? Claro que sim, mas não é uma maça que faz a árvore.

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    1. Eu entrei em Psicologia no meu ano em Coimbra. O que levaria a uma enorme mudança e a imensos gastos. Não entrei por décimas no Porto. Portanto escolhi tirar a licenciatura numa privada que, com bolsa de mérito, me ficou a 0€ as propinas (a universidade dava essa benesse aos bons alunos).
      Portanto, eu numa privada custei aos meus pais uns 50€/mês entre deslocações, almoços e fotocopias. Os meus amigos nas públicas custaram centenas mensalmente.

      Posteriormente tirei o meu mestrado numa pública muito conceituada.
      Sinceramente, eu não notei diferença nenhuma em termos de qualidade de ensino nem de exigência e em nenhum dos lados me deram notas.

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    2. Defendo a qualidade de algumas faculdades privadas no país. O ISPA era, no meu tempo, uma delas. Na altura o que pesou foi mesmo o facto de ter entrado tb na pública também com bom nome e foi o mais acertado para mim. Falo de uma época em que as propinas não tinham sequer comparação com o que se paga hoje. Acho que não podemos avaliar tudo pela mesma bitola, há boas instituições públicas e privadas, como há más. A escolha é um direito de cada um, sabendo, em consciência, que isso pode acarretar consequências, sejam elas o valor a pagar ou a qualidade do ensino.

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    3. A privada onde andei não tem nem bom nem mau nome, é bastante desconhecida, quase familiar. É o ISLA Gaia que soube ter sido comprado recentemente pela ULP, portanto, agora não posso atestar como seja. No meu tempo sei que não só eram muito exigentes como nos deixaram muito bem preparados para o que se seguiu. Quando cheguei à pública (porque ia com a ideia de precisar de uma pública no meu CV para ser levada a sério) pensei que iria ter dificuldades mas não tive. Havia nuances e pormenores entre o que cada uma valorizava mais na formação de base mas no geral não senti grandes discrepâncias na nossa formação ou preparação prévia. E, no entanto, era muito "desconhecida".

      Eu na altura não escolhi pelo nome mas sim pelo mais barato e esta era a mais barata para mim (fazendo contas ao transporte e propinas). Fiz a escola dessa forma por ter inicialmente a ideia de estudar em regime pós-laboral e trabalhar durante o dia para pagar as propinas, algo que não foi necessário pois consegui bolsa de mérito durante os 3 anos.

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  7. Devo dizer que os meus clientes mais chatos, mais atados, mais complicados, mais "tinonis-carrinhos-vermelhos" são efetivamente alunos de uma conceituada universidade pública que forma engenheiros :D ( causa ou consequência?)

    E agora para descalçar a bota... Fui aluna do ensino privado no 1º e 2º ciclo, do público no 3º e secundário, do privado no ensino superior e do público do Mestrado...isso faz de mim o quê? Ambivalente, Equilibrada? lol

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  8. Andei sempre em escolas públicas, bem como Universidade (Licenciatura, Mestrado e Erasmus pelo meio). Terminei os estudos em 2010, início da tão falada crise e entrada da troika no país. Sempre tive emprego (e bem pago), em Portugal e no estrangeiro, em instituições de topo, nas quais entrei após muitas etapas de candidaturas, entrevistas, testes, "concorrência" com diversos outros candidatos, etc. Nos sítios onde trabalhei, cruzei-me com diversos colegas de 3 apelidos sonantes, com duplos L's, Y's e H's, lisboetas que vinham das privadas mais conceituadas (St. Julian's, Salesianos, etc) e da Católica e sempre os achei umas aves raras que não faziam a mínima ideia do que é a vida (miúdos que sempre tiveram tudo e viveram numa bolha, que aos 20 e poucos já têm casa no Restelo oferecida pelos pais, carro, empregada doméstica, etc... e que aquilo que ganham num emprego normal é só para extras dos meninos) e que à mínima pressão, contrariedade, momento de stress entram em pânico e não sabem o que fazer. No momento em que, já trabalhando, fomos todos avaliados da mesma forma (exame de acesso a uma ordem profissional), muitos deles chumbaram, ou passaram rés-vés. Eu tive a melhor nota do escritório.

    Acho que, no fim do dia, a melhor educação que podemos obter é em casa e nas escolas devemos aprender na hora certa aquilo que faz sentido, mas principalmente vamos aprender as tão famosas "soft skills": a conhecer uma realidade diferente da nossa, a darmo-nos com pessoas diferentes, a não discriminar o outro só porque é pobre, é negro, é cigano, ou não se veste como nós, a lidar com adversidades, a passar por chatices e a ultrapassá-las, etc. Porque vamos chegar à vida adulta e maiores desafios nos esperarão. Por isso, acho que a escola pública é o melhor espelho de realidade que uma pessoa pode ter e habituar-se a ele desde cedo é o que lhe fará melhor. O que cada pessoa tira daí academicamente depende de si e dos hábitos/valores que lhe forem incutidos em casa.

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    1. que bom que é tão fantástica.
      de certeza que a convidam para as festas todas.
      :)))))

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    2. Eu acho que se deve sempre promover uma boa educação. Há professores péssimos que jamais deveriam ter acesso a miúdos e muito menos a poder leccionar os mesmos. Um mau professor numa fase inicial pode minar todo o futuro de um miúdo no português ou na matemática. Seja mau professor por não saber transmitir a matéria, seja mau professor por ser má pessoa ou por simplesmente não ter competências para lidar com miúdos (essencial, principalmente no inicio da primária).

      As crianças estão a desenvolver-se mentalmente, cognitivamente e socialmente no ambiente escolar. Acho criminoso deixarmos os mesmos crescer com exemplos terríveis, por isso é que sou a favor de uma avaliação que não só avalie as competências académicas mas principalmente as pedagógicas.

      De resto concordo a 100%.
      O meu filho estuda numa escola pública, tem amigos de todos os estratos sociais, à porta da escola tanto se vê carros velhos como topos de gama que custam tanto como pequenos apartamentos. Nós somos da famosa classe média em extinção :) no entanto parra mim é essencial que ele tenha acesso e contacto com tudo isto pois esta é a realidade do país, da vida e do mundo.

      No entanto, a professora dele é fantástica e a coordenação da escola também. Têm uma verdadeira politica anti-bullying instaurada, promovem a coesão das turmas, promovem o apoio inter-turmas, designam "padrinhos" do 3º e 4º ano para apoiar os meninos do 1º e 2º ano na integração e protecção (os mais velhos sentem-se importantes e os mais novos ficam salvaguardados), há sistema de pontos comportamentais, uma agressão a um aluno quando é detectada são logo avisados os pais de ambos, a criança que for agressiva para com o colega é castigado e é-lhe explicado que agiu mal. E, existindo obviamente coisas que nem sempre funcionam a 100% isto é algo praticado por todos os que ali estão pois o exemplo vem do director da escola que não deixa nada passar em branco.

      No entanto, eu conheço pessoalmente situações em que a escola é péssima não só por ser permissiva e passiva em relação a tudo isto como por vezes os professores "não vêm" agressões gravíssimas que ocorrem em plena aula ou até outros casos onde as agressões passam pelos próprios professores.
      A meu ver, o mal está no facto dos bons professores não serem premiados e os maus professores punidos de alguma forma.

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    3. Melhor comentário! Concordo em absoluto, votos de felicidades! Terá certamente, tem a cabeça no sítio certo!

      Carla

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    4. Anónimo3 de junho de 2016 às 09:27, por ser assim tão "fantástica" é que tenho outras prioridades na vida que não passam por "ser convidada para as festas todas" :) ah e já nem trabalho no dito escritório.

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  9. o que faz as pessoas serem bem formadas são os pais.. e este blog não tem berço.

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  10. Os argumentos dos diretores e afins das escolas de associação só fazem sentido se o valor anual por turma fosse igual ao da escola pública e o restante pago pelos pais. Ensino de qualidade sim mas não a um valor superior por turma.

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  11. O que é que tirar um curso universitário numa privada tem a ver com os contratos de associação que agora estão a ser falados? Nada!
    Quem dá o exemplo o curso universitário na privada, ou é burro como as portas ao ponto de não distinguir as duas realidades, ou tem vontade de atirar areia para os olhos os outros.

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    1. Tem tudo a ver quando a discussão é sobre a qualidade de ensino, uma vez que as universidades privadas também levam com o mesmo rótulo por "darem" notas ou por não prepararem bem os alunos.

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    2. Foi uma comparação entre educação pública e privada. Antes de atirar pedras e de se enervar, tente ver o quadro na totalidade sim?

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    3. Concluo que é burrice mesmo por burrice que se trazem as universidades privadas ao baile quando se fala de contratos de associação (que se aplicam ao ensino básico e secundários).
      Pois então se a questão for a qualidade, se o colégio for realmente bom então justifica-se o contrato de associação, os contribuintes que agora querem o fim dos contratos de associação já não se importam de pagar o colégio dos outros, é isso? Poupem-me!
      Tirem as universidades da equação dos contratos de associação que elas não são tidas nem achadas.

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    4. Burrice é não ter percebido que uma coisa é falarem do contrato de associação e outra é precisamente falarem da qualidade.

      Há pessoas a afirmarem a pés juntos que os filhos deveriam andar na privada porque a pública disponível não tem qualidade.
      Portanto, parece-me natural que se fale da qualidade num todo. Algumas privadas podem até ser muito melhores que as públicas mas quem as quer frequentar tem de as pagar. Ponto final. Havendo opção pública e quem achar que não é merecedora dos seus queridos filhinhos pois que paguem tudo a 100% do seu próprio bolso como qualquer outra pessoa.

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  12. Cocorocó!
    São 08h30, não há post?

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  13. Pessoas, estou aqui com incapacidade de resposta individual, as minhas desculpas.

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  14. Este estudo da Universidade do Porto é muito elucidativo: http://www.publico.pt/portugal/jornal/escolas-publicas-preparam-melhor-os-alunos-para-terem-sucesso-no-superior-25912886

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  15. Corre tanta desinformação e contrainformção sobre este assunto...
    Vamos por partes:
    1. Não estamos a falar de escolas privadas de elites em Lisboa e no Porto. Em específico no distrito de onde venho e onde há bastantes escolas deste tipo, elas ficam normalmente em vilas/cidades pequenas rodeadas de aldeias.
    2. Rotular todas as escolas de colégio é só mais um passo para criar esta ilusão de que são escolas de elite.
    3. A escola pública nestas zonas é por norma fraca e não responde às necessidades das famílias.
    4. Não há transportes públicos da aldeia A para a aldeia B nem muitas vezes transportes escolares (públicos).
    O princípio está errado porque o estado deveria proporcionar obviamente igualdade de oportunidades para todos, mas basta sair da capital para ver como há um fosso tão grande no resto do país. Falamos de famílias em que os pais trabalham a 30-40km de casa (às vezes mais) e que não têm horários de trabalho compatíveis com o horário da escola pública. Estas escolas com CA têm muitas vezes autocarros que vão buscar e levar as crianças, quando não têm, existe um horário para além do horário das aulas. Não é preciso pagar ATL à parte ou arranjar outra solução. Algumas já têm actividades extracurriculares (pagas à parte) na escola.
    O erro é a escola pública no estado em que ela está. O erro é a péssima gestão do nosso dinheiro na escola pública, esse sim devia ser o busílis da questão e o motivo de indignação. A verdade é que estas escolas com o valor por turma que recebem pagam a professores e restantes funcionários e fazem melhorias contínuas nas suas escolas, e isso é mau? Deveria ser sim o exemplo! Já a escola pública receberá, pelo menos, o mesmo por turma e só consegue fazer melhorias com ruinosas obras como a parque escolar....
    No dia em que o ME deixar de ser o deus todo poderoso e passar a ser apenas regulador e fiscalizador pode ser que as coisas melhorem. As escolas públicas deveriam ter a liberdade para contratar, gerir e administrar o seu espaço da melhor forma. E os pais devem ter a liberdade de escolha na escola onde querem inscrever os filhos através do cheque-ensino.
    Disclaimer: andei primeiro numa escola com CA e depois numa escola pública (o que só veio reforçar a minha opinião sobre o péssimo estado em que estão).

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    1. 3. A escola pública nestas zonas é por norma fraca e não responde às necessidades das famílias.
      4. Não há transportes públicos da aldeia A para a aldeia B nem muitas vezes transportes escolares (públicos).

      Para a questão nº 3 os pais têm a opção de pagar a privada que quiserem. Se quiserem uma pública melhor é mudar de casa, pensarem nas escolas antes de comprarem casa e/ou arranjarem forma de levar os filhos para as públicas longe.

      Para a questão nº 4 parece-me que sairá muito mais barato ao Estado colocar transporte para as crianças do que pagar colégios ou escolas privadas.
      E sim, são todas elitistas a partir do momento em que há opção pública. Havendo opção pública já está tudo legalmente assegurado, ora se querem opções, paguem-nas como todos os outros portugueses.

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    2. Ps: não existe falta de informação, existem é pessoas como o/a senhor/a que acha que tem direitos porque sim mas não quer ver deveres.
      Já agora, a fazer tantas previsões se calhar deveria dedicar-se à área das adivinhações e afins.

      Se quer opções, pague-as, tão simples. Não as quer pagar, use o público como todos os outros.
      E o ME tem de interferir de alguma forma. Eu não quero um sistema como nos EUA onde escolas públicas ensinam que Darwin é uma invenção do diabo e onde professores de biologia dizem aos miúdos que os dinossauros não existem. Lamento mas tem de haver uma linha orientadora mínima que garanta o que eles vão aprender e como.

      Mas existem já privados a fazer 1001 coisas (algumas mais que comprovadas que são 3 ou 4 vezes piores que o sistema público) mas para quem quer pagar e escolher...be my guest.

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    3. há toda uma realidade diferente lá fora que fazia muito bem às pessoas conhecer.
      estamos a falar de uma zona de aldeias com poucos habitantes cada uma, acha mesmo que saía ao estado mais barato construir uma rede de transportes que sirva as crianças que vão para as escolas? é abrir o googlemaps numa qualquer cidade mais pequena do país e começar a fazer zoom a ver a quantidade de nomes que aparecem à volta. Na secundária (pública) onde andei, e para onde ia a pé de casa todos os dias, sabe quantos colegas tinha que moravam na mesma localidade que eu (e onde era a escola)? eram zero. todos vinham de fora.
      as pessoas têm casa ali porque nasceram ali e muitas vezes têm terrenos da família ou casas herdadas, devem então deixar isso e ir comprar uma casa noutra terra? Não estamos a falar de mudar de casa da damaia para alfragide porque a escola é melhor...
      não faço adivinhações, é a realidade que conheço, de onde venho e onde ainda vive a maior parte da minha família e amigos. já essa adivinhação sua das escolas públicas americanas ensiarem que os dinossauros não existem... menos, muito menos!
      não tenho que ter opções porque não tenho filhos, no entanto ando a pagar a escola dos filhos dos outros, é assim que funcionamos em sociedade, e também tenho o direito de dizer que o estado está a gastar mal o meu dinheiro e que devia seguir o modelo de gestão destas escolas, cada escola deveria ser autónoma na sua gestão interna, enquanto não for vamos ter palhaços atrás de palhaços sentados numa cadeira na 5 de outubro a decidir sem sequer conhecer 90% da realidade do país e das necessidades das escolas e das crianças.

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    4. "...porque não tenho filhos, no entanto ando a pagar a escola dos filhos dos outros...". Expressão de arrogância extrema. Se cada um contasse apenas com aquilo com que contribui o homem ainda habitava cavernas. Sociedade organizada.. é assim que se chama, isso onde o caro anónimo vive!!!

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    5. 'não tenho filhos, no entanto ando a pagar a escola dos filhos dos outros, é assim que funcionamos em sociedade' e se tivesse lido/copiado tudo o que eu disse?

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    6. "já essa adivinhação sua das escolas públicas americanas ensiarem que os dinossauros não existem... menos, muito menos!"

      Pois olhe que é verdade. Triste mas verdade. Se não sabe, informe-se. Aliás muitas escolas ensinam que foi Deus quem fez o mundo...onde? Em biologia, ora pois.

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    7. Somos um Estado Social... se não gosta pode mudar para um país que não o seja. E tenho de concordar com o anónimo das 19.39h.

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    8. ai senhores! mas qual é a parte de 'é assim que funcionamos em sociedade' do meu comentário original e do copy paste que não entendem?

      veja lá, que eu para além de ter andado numa escola com CA e numa escola pública, também se me deu o azar na vida de morar nos EUA a trabalhar com crianças, vejam só! sou tipo o sócrates, não o zézito, o outro lá da grécia, uma cidadã do mundo. conheço várias realidades para além do meu quintal.
      portanto generalizar que num país bem pequenino de mais de 320 milhões de pessoas se ensina nas escolas (e em todas!) que não existiram dinossauros é, deixe-me ver, mal comparando, o mesmo que dizer que todas as escolas com contrato de associação são escolas de elite e que os paizinhos são é todos uns grandes malandros por quererem 'luxos' e 'escolhas extravagantes'... qual foi também a parte do meu primeiro comentário onde disse que estas crianças nem transportes públicos têm para ir para as escolas que não percebeu? é que nem para as públicas nem para as privadas. a escola é fraca porque não corresponde às necessidades das famílias ponto

      também não vale a pena voltar a dizer que não concordo que o estado pague às escolas (a nenhumas) mas que devia sim, dar às famílias o cheque-ensino, pois não?
      também me parecia.

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    9. E se eu lhe disser que a minha experiência foi directa e pessoal?

      Eu não concordo com o cheque-ensino porque o Estado tem de construir, manter e gerir todas as escolas públicas não me parece nada normal um cheque-ensino. Mais uma vez, somos um Estado Social e não capitalista.

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    10. A sua experiência foi direta e pessoal em todas as escolas dos Estados Unidos? Se não foi não pode generalizar essa afirmação tal como eu não posso generalizar a sua negação já que a minha experiência direta e pessoal foi o oposto da sua. Existe no bible belt dos eua um movimento nesse sentido, sim, mas isso não significa que todas as escolas públicas daquele país ensinem isso. Daquilo que conheço até, essas situações dão-se nas escolas religiosas dessa zona e não nas públicas.

      Então construir, manter e gerir edifícios é que não é capitalista em contraste com um estado que regula o acesso à profissão de professor, uniformiza e define programas e testa conhecimentos mas que não é dono de edifícios? Claramente discordamos nesses aspecto.
      O cheque-ensino significa o estado entregar às famílias um valor que só pode ser usado para isso mesmo, o ensino. Significa que em vez de o estado transferir dinheiro diretamente para as escolas e para os professoress, transfere o mesmo dinheiro exatamente para as famílias, que o entregam depois às escolas. Não percebo o que neste modelo não é social. Muitos países do norte da Europa já o fazem.

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  16. Conheci uma colega da zona centro que, para efetivar num destes colégios, teve de comprar um apartamento a um dos subgrupos que compõem um famosíssimo grupo detentor de imensos colégios (que, para quem não sabe, possui inúmeros outros negócios, mesmo na área imobiliária). Sucede que, anos mais tarde, presa a um empréstimo, foi despedida, ficando com o empréstimo que havia contraído e desempregada. Era da zona centro, como disse, mas teve de deixar os filhos com o marido e rumar a Lisboa para trabalhar (as vagas são ínfimas na zona centro, tal é a proliferação desses colégios).

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  17. Mas é assim tão complicado perceber que o sistema educativo deve ser como o sistema de saúde?
    Existe uma rede proporcionada pelo Estado dando uso aos impostos pagos por todos nós. Quem não se revê nesses sistemas procura opções alternativas e paga do seu bolso. O que os contribuintes devem exigir é uma boa rede pública, acessível a todos os que nela queiram participar e não nichos privilegiados onde o dinheiro de todos serve só para alguns. É assim tão difícil compreender isto? Bem me parecia!

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    1. Sendo que nessa certeza toda, existem hospitais de gestão privada e cheques cirurgia para utilização em hospitais privados...nada é só preto, nada é só branco... (aliás, basta ver como funciona o sns para perceber como funciona bem a gestão estatal!)

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  18. Caso ainda não tenham reparado o estado NÃO SABE GERIR o nosso dinheiro. não sei se estão familiarizados com aquela coisita chamada bancarrota? já vamos em 3 nos últimos 40 anos. se isso não é prova mais do que suficiente disso, não sei o que mais será necessário.
    o estado deve obviamente proporcionar as mesmas oportunidades para todos, mas isso não quer dizer que tudo deva estar debaixo da asa do estado. o caso dos contratos de associação é um dos exemplos que se devia seguir e estudar e não eliminar cegamente. daí ter referido que a única resposta é o cheque ensino. como essa opção não é de momento exequível, acho que esta solução é de momento o mal menor. e o estado deveria procurar saber, caso a caso, o porquê dos pais preferirem estas escolas e não outras, quando existe a alternativa.
    o que eu acho difícil de compreender é a contínua insistência na mesma tecla de 'são elite' e 'se quiserem paguem' quando são apresentados argumentos atrás de argumentos do outro lado e o único que oiço/leio que tenta contradizer isto é 'se querem alternativa, paguem'.
    como diz o/a anónimo/a que discorda de mim tão ferozmente, "tem de haver uma linha orientadora mínima que garanta o que eles vão aprender e como." o ME deveria melhorar a oferta pública de ensino, o que não equivale preto no branco, a ser dono de edifícios, mantê-los e/ou construir novos. deve prestar mais atenção aos cursos de ensino que há no mercado e regular a profissão de professor com mais rigor, deve produzir programas adequados e periodicamente aplicar testes para aferir conhecimentos, a alunos e professores. isto seria, para mim, o modelo ideal de escola.

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    1. Ui... Mas isto é muito difícil de perceber.

      (Não adianta... As coisas são como são e não há maneira de sairem disto do se querem, que paguem. Vai tudo a eito. Tudo para o saco da malandragem.)

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    2. Eu a anónima que disse isso também disse que concordo em várias situações com a escola privada, nomeadamente quando não há oferta pública.
      Havendo, lamento mas de facto discordo. Até porque enquanto existirem miúdos que acordam às 6h da manhã para estarem na escola às 08.30h estou muito mais a favor que se construam escolas para esses do que se paguem luxos a quem tem opção pública mas quer ter o "direito" à escolha.

      Enquanto não se obtiverem os direitos mínimos para centenas de crianças, recuso-me a contribuir para os luxos e escolhas extravagantes dos outros.

      Se a sua casa se encontra a horas de distância da escola mais próxima concordo perfeitamente que tenha direito, se o colégio e a escola pública se encontrarem a 5 ou 10 minutos de distância um do outro, lamento mas não concordo mesmo.

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    3. Ps: " opção fraca" das escolas leva-nos a diversos pontos: o que é fraco e quem diz que é fraco? É o/a caro/a anonimo? Com que fundamento?
      Se acha que é tão fraco porque não lutar pelo direito a que seja melhorado?

      Porque é mais fácil justificar assim a vontade de ter um luxo pago por todos os portugueses, certo? Incluindo os miúdos que andam horas de transportes públicos só porque outros querem ter melhor quando eles não têm direito a nada.

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  19. "o ME deveria melhorar a oferta pública de ensino, o que não equivale preto no branco, a ser dono de edifícios, mantê-los e/ou construir novos. deve prestar mais atenção aos cursos de ensino que há no mercado e regular a profissão de professor com mais rigor, deve produzir programas adequados e periodicamente aplicar testes para aferir conhecimentos, a alunos e professores. isto seria, para mim, o modelo ideal de escola!"
    Cara anónima deixe-me dar-lhe uma novidade: os professores do privado também tiraram cursos no público, não pense que todos eles andaram na privada! Só assim, para que saiba!
    De nada!
    PS: ninguém lhe retira o direito de escolha. Mas eu também quero ter o mesmo direito e, por isso mesmo, escolho não pagar o ensino dos seus filhos! Pode ser?!

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  20. Onde é que eu disse que os professores que dão aulas no privado só estudaram no privado? Acho que em lado nenhum. E o que é que isso tem a ver com o que disse? Nada.
    Já disse lá em cima que não tenho filhos, no entanto tenho o direito de achar que o estado está a prestar um mau serviço com os meus impostos, ou não? E de dar a minha opinião sobre melhorias, que é o que tenho vindo a fazer: o estado deveria seguir este modelo e não erradicá-lo, e isso não quer dizer desatar a fazer contratos de associação, significa descentralizar a gestão das escolas do ministério para quem conhece as realidades locais, na utopia as próprias escolas, no pior de dois males para os agrupamentos/direções regionais e entregar cheques-ensino às famílias, que depois escolhem onde querem por as crianças.
    Vivemos num mercado de concorrência, o que é positivo para tudo menos para os sectores controlados pelo estado, porquê? A concorrência é saudável, mesmo no ensino, leva a que todos queiram ser melhores e trabalhem para isso.
    E mais uma vez, nenhum dos argumentos que apontei é contradito ou confrontado com uma alternativa, voltamos ao início do 'não pagar privilegios' e não mudamos a cassete.

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  21. Como é aquilo de confiar que o estado vai gastar bem o dinheiro dos nossos impostos?

    http://rr.sapo.pt/noticia/56039/escola_que_teve_obras_de_17_milhoes_alega_falta_de_espaco_para_acolher_alunos_autistas?utm_source=rss

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