segunda-feira, 30 de maio de 2016

Eu também já fui assim

Cheia de certezas sobre educação. Que as crianças precisam de desenvolver a autonomia, que não fazem mais que a sua obrigação quando tiram boas notas, que têm de se organizar sozinhos, que os pais não devem fazer mais que responder às suas dúvidas, que temos é de os ensinar a pensar cabendo-lhes a eles solucionar os problemas, que é impensável recompensar uma boa nota materialmente, que não fazem mais que a sua obrigação quando tiram boas notas, não sei se já disse.

E na teoria contínuo a concordar com tudo, é verdade que a única coisa que exijo aos meus filhos é que ponham o melhor deles naquilo que fazem, que lhes dou todas as condições para que sejam excelentes alunos, que acho que têm de ser autónomos e que lhes passo a mensagem de que todos temos um trabalho, ir à escola e obter bons resultados é o deles. Isto é fácil, tremendamente fácil, quando se tem um filho que desde sempre obteve resultados entre os 90 e os 100%. Torna-se demasiado fácil comentar com os outros pais, os que se queixam de terem de estudar com os filhos, que aquilo é a obrigação deles (miúdos), dizendo em tom condescendente que é preciso as crianças desenvolverem a autonomia, que Deus me livre de passar horas à frente dos livros a estudar com os meninos, que eles têm mais é de aprender sozinhos, quando muito com alguma orientação, que se os outros conseguem eles também.

E depois? Bom, depois Deus Nosso Senhor pôs-me frente a frente com uma filha insegura, que pura e simplesmente congelava à frente da matemática, dizia não sou capaz, completamente em pânico e de lágrimas nos olhos. E eu estudei com ela, expliquei vezes e vezes sem conta os mesmos raciocínios, procurei métodos alternativos para a ensinar a pensar (obrigada método moderno), inscrevi-a num desporto de competição para que percebesse que com muito esforço tudo se alcança. Tudo horas roubadas a mim própria.

Se eu podia tê-la deixado entregue a si própria, continuando com as máximas sobre independência e autonomia? Se podia tê-la deixado continuar com notas de 50% ao invés dos 85% actuais? Pois podia, mas decidi que não, apesar de isso significar que hoje em dia (ainda) anseio pelas férias escolares tanto quanto eles.

Eu também já fui assim, não sei se já disse, tonta e arrogante.

30 comentários:

  1. As pessoas são muito rápidas a julgar os outros, a deitarem teorias, a se acharem os donos da razão. Quando o mais importante deveria ser darmos o nosso melhor enquanto pais, fomentarmos uma educação com amor e confiança, com regras e carinho, com estabilidade e princípios. Que as nossas crianças se desenvolvam felizes, seguras e autónomas, com redes e apoios onde se segurarem quando caírem e a quem pedirem a mão quando precisarem de ajuda para se erguerem.

    ResponderEliminar
  2. Ai Picante sabe eu também já fui uma mãe perfeita...quando não tinha filhos e só mandava bocas sobre os filhos dos outros e a casa dos outros....agora só volto a ser perfeita quando for avó...(que essas graças a deus também são as maiores e sabem sempre tudo e foram mães perfeitas e como elas fizeram é que era educar)

    ResponderEliminar
  3. Bom, ninguém tem o dom da razão suprema. Assim como aquilo que descreve foi bom para vocês, também poderá haver quem acredite que o importante não é transformar as crianças nuns cavalos de corrida, onde o que conta é acima de qualquer outra coisa a nota obtida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não percebeu nada do que eu disse, pois não? Isto não é sobre notas, é sobre coisas muito mais importantes...

      Eliminar
    2. No fundo é sobre notas, sim! Se elas não fossem importantes haveria muitas mais formas de demonstrar atenção e companheirismo aos filhos do que estudar no sentido de, lá está, fazê-los subir a nota das provas.
      Porque uma criança com notas menos altas também pode ser uma criança disciplinada e segura, até trabalhadora. As notas, na nossa sociedade são importantes, não há que nega-lo.

      Eliminar
    3. Cara anónima, eu ensino os meus filhos a porem o melhor deles em tudo o que fazem, seja fazer a cama, estudar ou ajudar um amigo. As coisas devem fazer-se bem feitas e com brio, o melhor que conseguirmos. Isto estende-se a notas, sejam elas 50, 80 ou 100. É que sabe? Eu já celebrei setentas por cento com mais entusiasmo que os 95% do meu outro filho, porque sei que foram obtidos com um enorme esforço e com dedicação.
      Eu ensino-os a serem o melhor que eles próprios forem capazes. E daqui não saio.
      Mas está enganadíssima, o post não é sobre notas, o post é sobre cada pai saber o que é melhor para os seus filhos, que necessidades específicas têm, sem ter de ouvir as verdades absolutas alheias.

      Eliminar
    4. E o meu apoio não teve como objectivo fazer subir uma nota, teve como objectivo tornar segura e confiante uma miúda que se sentia profundamente infeliz por achar que não era capaz. Seria capaz de negar isso ao seu filho?

      Eliminar
  4. As teorias são sempre muito bonitas e fazem sempre muito sentido. Depois na prática nem sempre é assim, nomeadamente no que à parentalidade diz respeito. Educar um filho não pode ser uma coisa formatada, mas adaptada a cada um e sabendo sempre que, mesmo quando se erra, se fez o melhor por eles.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fazemos o melhor que somos capazes. Ainda que por vezes atiremos ao lado. Mas é mesmo isso que interessa, o melhor que conseguirmos.

      Eliminar
  5. Somos todos excelentes alunos! Entre 90% e 100%, em teoria!

    Depois chega aquela altura em que os bons alunos, têm de colocar a teoria em prática...

    Mas eu tenho paciência, até as ervas daninhas se reproduzem... :p

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não entendo qual é o objetivo deste comentário..

      Ter filhos que são maus alunos é que é bom! Os maus alunos é que depois são trabalhadores competentes...

      Eliminar
    2. Não percebo nada; acha que um bom aluno não tem estrutura para colocar em prática o que aprendeu? Ou está a falar de "esperteza de rua"?

      Eliminar
  6. Sobre a educação dos outros tenho muito pouco a dizer, apenas que forçar a autonomia e independência em crianças ainda imaturas pode ter efeitos bastante perniciosos, pode fazer delas máquinas implacáveis, frias, focadas em ganhar custe o que custar, incapazes de valorizar a entreajuda e a solidariedade, ou seres complexados e conformados com a fatalidade do insucesso.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu acho que tudo tem que ter um equilíbrio.

      Uma coisa é o que a Picante referiu que é ajudar o filha a estudar/arranjar estratégias alternativas, outra será estudar por ela e fazer os trabalhos por ela (e há quem o faça).

      Por outro lado, acho que o conceito de independência e autonomia também é variável ao longo da vida.
      Eu acho importante dar independência e algum espaço para que o meu filho seja autónomo. Obviamente que lhe dou aquela adequada ao desenvolvimento e à maneira de ser dele.

      Neste tipo de competências acho que a falta pode ser tão prejudicial como o excesso. Mas isso é somente a minha forma de ver.

      Eliminar
    2. É disso que falo, anónimo, defendo que o grau de envolvimento dos pais deve ser adequado à maturidade da criança.
      Não faz sentido acompanhar a mesma forma um menino dos 5.º ou 6.º ano da mesma forma que um adolescente no 9.º ou no 12.º anos. Uma criança com 9 ou 10 anos não tem a mesma estrutura mental ou método de um aluno de 16 anos. Deixar um miúdo de 10 anos entregue à sua sorte é tão prejudicial como estar a explicar a um filho no 12.º ano como se deve organizar e selecionar materiais ou gerir o seu tempo para preparar os exames nacionais (com essa idade já o devia saber fazer sozinho).
      Acompanhar os filhos tem tanto de mau como de bom, dependendo da forma como o fazemos e da forma como o encaramos.
      Há quem só consiga a ver vantagens, há quem só apontar as desvantagens. Entre o envolvimento excessivo e a total negligência haverá seguramente uma posição equilibrada.
      O meu comentário ia no sentido de contrapor quem só vê desvantagens no acompanhamento do estudo dos filhos. Da mesma forma que algumas pessoas são acérrimas defensoras da não intervenção dos pais, para não gerar adultos inseguros ou frustrados, eu posso apontar as desvantagens dessa não intervenção, por gerar adultos pouco empáticos.

      Eliminar
    3. Depende Mirone, depende. A personalidade da própria criança é de tal maneira determinante... Cada um precisa do apoio que precisa, alguns não precisarão de nada a não ser alguma supervisão discreta. Depende.

      Eliminar
    4. Mirone

      Agora fiquei preocupada. O que entende por uma criança de 10 anos entregue à sua sorte? (seguindo a última tendência d blogfashion será o acompanhamento escolar. Refere-se a isso?)
      É que a minha mais velha tem 10 anos e o acompanhamento escolar resume-se a comparecer nas reuniões de pais e assinar os recados da professora na caderneta.
      Ops, tenho de ir para casa estudar com a miúda.


      Eliminar
    5. Anónima das 1507 não foi para mim mas se a sua filha não tem qualquer tipo de necessidade, se não existe nenhuma lacuna, se não existem problemas que ela não consegue resolver sozinha então provavelmente no seu caso não há necessidade de se envolver. Se houvesse e não o fizesse, acharia que era correcto?

      Eliminar
    6. Estamos a comentar um post sobre o apoio que os pais dão aos filhos no estudo. Neste contexto, por deixar a criança à sua sorte entendo, por exemplo, não prestar apoio quando solicitado, deixar de esclarecer uma dúvida, ou mostrar-lhes técnicas para melhor compreensão ou assimilação de determinados conteúdos, por se entender que isso é "fazer-lhes a papinha toda" e que, de alguma forma, os vai tornar menos capazes.

      Há miúdos que nunca têm dúvidas quando estudam, que desde muito cedo criam métodos de trabalho e de estudo autónomos. Há outros que precisam de outro tipo de apoio, não falo de explicações particulares ou apoio escolar propriamente dito. Deixar de prestar esse aopoio, que às vezes se limita a um esclarecimento pontual ou a fazer umas quantas perguntas para revisão da matéria antes de um teste, e confiar na capacidade que a criança tem de estudar sozinha, é deixá-la à sua sorte. Há crianças mais "bafejadas pela sorte", outras nem tanto (isto é, umas têm mais capacidades, outras precisam de ajuda, e é importante perceber estas diferenças e intervir na estrita medida do necessário). Presentemente a idade escolar vai dos 6 aos 18 anos. Acreditar que neste período de tempo as crianças possuem igual grau de maturidade e autonomia parece-me um pouco ingénuo.
      Quando eu tinha dúvidas em determinada matéria e perguntava aos meus pais, depois de se certificarem que eu tinha lido o livro (na maior parte das vezes bastava-me ir ao livro para as esclarecer), eles tentavam esclarecer essas dúvidas de acordo com o que vinha no livro. Se ainda assim a dúvida persistisse então diziam-me pede à tua professora que te explique porque eu não estou a conseguir fazê-lo. Ou seja, nunca estudaram por mim, ou fizeram trabalhos que eu devia fazer, mas se eu não percebia uma matéria, mesmo depois de ter consultado o manual, nunca me disseram "amanha-te para ver se cresces e ganhas autonomia".

      Eliminar
  7. Pois... Eu também. E agora tenho de "estudar" com eles.
    Se gosto? Não. Chumbavam se eu não me sentasse ao lado deles? Não.
    Mas não iriam ter as notas que têm, isso de certeza. E também eu estou desejosa que cheguem as férias.

    ResponderEliminar
  8. mas vocês estão a falar de quem ??

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também estou a leste e já percebi que é o tema quente da blogsfera...

      Eliminar
    2. De ninguém em particular, dos detentores da verdade em geral.

      Eliminar
  9. Concordo consigo e cada um sabe de si!
    Mãe de dois (22 e 26 anos)

    ResponderEliminar
  10. Revejo-me em tudo ( exceto na parte do filho com notas de 100%, porque só tenho uma e não é a quem tem essas notas :D)
    De resto, concordo que na teoria não deveria ser necessário ao fim de 30 anos, ter que voltar a "estudar" para a ajudar a ela, que não deveria ser necessária fazer-lhe resumos para ordenar e organizar matéria ( 50 páginas de matéria de estudo do meio para o teste de 4º ano, seriam horas de inferno para resumir e organizar e 5 minutos de "estudo" rematados com uma palmada no rabo ou um castigo qualquerpeka birra que ia ser...prefiro que estude...ponto!), que não devia perder o sono com a ansiedade de saber o resultado de um teste (porque sei que nos últimos tempos foram facadas na auto-estima e na confiança da miúda).
    A realidade é que sim senhor, eles têm que ser autónomos, supostamente são capazes de apreender a matéria, que o 1º ciclo serve de preparação para os seguintes, que...que...que... mas nós somos mães e não somos idiotas, conhecemos os nossos filhos melhor que ninguém ," cheiramos" a milhas as suas dificuldades e inseguranças e fazemos TUDO para as driblar. No meu caso também inscrevi a minha num desporto de competição ( mais que isso, num desporto de equipa)que pela sua fisionomia, a obrigou a trabalhar o dobro das coleguinhas para alcançar os mesmos resultados ( a miúda é "gigante" e era pouco "flexível" - um bocado cepo, vá!- era super tímida e com uma auto-estima no subsolo). Foi a melhor coisa que fiz, o trabalho em equipa teve frutos, a miúda anda extasiada com as coisas que consegue fazer, vibra com os saraus e melhorou as notas e sobretudo a disposição para o estudo porque sabe que é a treinar e praticar que os resultados aparecem... E é isto...o trabalho em EQUIPA dá frutos, e nós família somos a primeira equipa a que eles pertencem e temos o dever moral de os guiar e estar com eles na sua autonomia ou na falta dela.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "E é isto...o trabalho em EQUIPA dá frutos, e nós família somos a primeira equipa a que eles pertencem"

      <3

      Eliminar
    2. Mas é que é mesmo isso. Obrigada, anónima, fez-me sorrir.
      Bom dia!

      Eliminar
  11. Olha eu também, teorias e certezas com muita fartura mas depois as miúdas cresceram e eu percebi que nem sempre as teorias se aplicam e muito menos de igual forma com diferentes crianças. Passei a pôr as teorias assim mais ao lado, não as ignoro atenção, mas vou adaptando as teorias em que acredito á vida do dia a dia na educação das minhas pequenas. Perfeita nunca fui nem sonhei ser mas estou cada vez mais segura no caminho que faço hoje, mais livre de opiniões e palpites dos outros!
    Beijinho

    ResponderEliminar
  12. Por acaso até acho que não foi assim à tanto tempo que foi arrogante e tonta. Acho que a vi acusar a cócó de estudar com os filhos e afinal... quando se cospe para o ar cai em cima muitas vezes...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não sei o que me desgosta mais neste comentário. Se a ignorância explícita da falta de "h", pobre verbo "aver", que maltratado é, se a falta de atenção notória para com o que escrevo, se a mentira implícita do que diz.
      Tudo isto para dizer que haveria de se abster de achar, dona Joaquina, como de costume acha mal...

      Eliminar

Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos comentadores.
A autora do blog eliminará qualquer comentário que ofenda terceiros, a pedido dos mesmos.