sexta-feira, 18 de março de 2016

No fim de semana passado

Vi uma menina de sete anos chorar convulsivamente pela mãe. Vi essa menina ser consolada por outra menina de doze anos, sua irmã. Vi os melhores amigos da menina de doze anos consolá-la e abraçá-la. Vi esses melhores amigos desmancharem-se e serem consolados pelos seus próprios pais. Vi pais que não conseguiram, eles próprios, conter as lágrimas porque dificilmente me lembro de ter presenciado um acontecimento tão pesado e triste. Tive de autorizar o meu filho a entrar num cemitério porque ele não colocou sequer a hipótese de não acompanhar a amiga. Vi uma miúda perfeitamente revoltada e o coração apertou-se-me ainda mais um bocadinho. Pensei várias vezes que a vida era mesmo injusta, que às vezes Deus despeja-nos verdadeiros baldes de trampa pela cabeça abaixo, que gostava de ter muito mais fé e confortar-me plenamente com aquilo de Santo Agostinho "se me amas não chores" que acho tão, mas tão bonito, e ainda assim me parece insuficiente.
Mas depois vim à bloga e pensei que estava a ser tonta, afinal todos tínhamos os dois joelhos inteiros e a vida continuava, igualzinha para toda a gente, que isto uma pessoa morre e no dia seguinte o sol levanta-se igual, afinal tomorrow is another day, podemos ir correr maratonas se quisermos. Só que não queremos. Mas gostávamos que todos os problemas que nos fazem chorar e precisar de colo fossem ninharias, lá isso gostávamos.

92 comentários:

  1. Ainda bem que não fui só eu a pensar o mesmo, até pensei que poderia ser só uma embirração minha... Mas fiquei revoltada, ainda mais porque julgo que a verdadeira história triste aconteceu muito perto de quem 'sofreu' tanto por não ir correr a maratona. Há pessoas que se julgam o centro do mundo e por muito que se autoproclamem boazinhas e espetaculares, não passam de umas egoístas e falsas moralistas mais endinheiradas do que alguma vez pensaram ser. Desculpe o desabafo :)

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  2. Sim, Picante, as palavras de Santo Agostinho são bonitas, principalmente quando não temos grandes motivos para chorar e somos, como ele, santos. Não o sendo não me atrevo a pedir que não chore a quem sofreu. Que chore, que não guarde uma única lágrima dentro de si, para que depois haja edpaço para a alegria voltar a ocupar o seu coração e vidas.
    Posto este parênteses, já a minha avó me dizia "sabes porque me dói? Porque é meu", que é o mesmo que dizer "com o mal dos outros posso eu bem". Quando a minha filha tinha 5 meses teve de ser internada durante um mês no hospital. Na mesma enfermaria havia meninos com cancro e outras doenças muitíssimo piores que a da Mironinho. Demorei dias a aceitá-lo, chorei como se o meu mundo fosse acabar. E no entanto era o mundo dos outros pais, pelo menos dois, durante aquele mês infindável, que ali acabava, mesmo à frente das minhas lágrimas egoístas.

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    1. Há dramas e dramas, Mizinha. Um filho doente, e não falo de uma virose, é um drama para qualquer pai.
      E depois há dramazinhos. Que são aborrecidos, mais nada.

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    2. (a a oração de Santo Agostinho conforta-me, não eliminando lágrimas ajuda a limpá-las)

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    3. Claro, Picante. Na altura, ao fim de alguns dias, aceitei e relativizei. O drama da minha filha nem o nome de drama merecia quando comparado com o dos outros meninos.

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  3. Cada um de nós tem a escala de sofrimento que a vida nos dá a conhecer.Picante para mim dor extrema é perder os meus, para outros é uma lesão e ainda outros é perder um animal, respeito todas porque são a maior dor que conheceram. Não existirá maior dor do que perder prematuramente um filho, os pais, os irmãos, a mulher ou o marido mas isso digo eu porque conheço essa dor que nunca passa. A vida continua mesmo e o mundo não se compadece.

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    1. Não concordo consigo, Anónimo(a). A vida continua, claro que continua, mas nunca continua igual, há uma parte de nós que também morre.
      Eu também respeito a dor alheia, ainda que pense que às vezes apenas se trata de mariquice. Mas dor é muito diferente de aborrecimento, convém ter empatia e sensibilidade para distinguir ambos.

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    2. Eu até acredito que a vida continue, acho que por vezes tem mesmo de continuar por diversos motivos. Mas será igual? Eu não sei que nunca tive a infelicidade de perder um filho mas acredito piamente que morra uma grande parte de nós e que nunca mais nada seja igual.

      Um abraço para si anónima das 10.08h, nenhum pai deveria passar por isso.

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  4. Se calhar ainda não percebeste que lá por as pessoas não escreverem sobre quem lhes morre, adoece e sofre, não quer dizer que sofram menos, ou vivam num mundo ilusório. A única coisa que quer dizer e ainda não percebeste, é que não precisam de expor a dor, porque não precisam de provar que sentem. A única diferença entre ti e os outros, os tais que não expõem as suas dores, é que os outros não precisam de fazer mal. Quando as pessoas não precisam de fazer mal aos outros, também não precisam de provar que sentem e até que são boazinhas. Percebeste agora?

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    1. Percebi. Obrigada por me ter deixado com a certeza do seu grau diminuto de inteligência e perspicácia.
      Quem é que expôs a dor, ó alma pobre? Alguma vez me ouviu aqui a expor as minhas dores e sentimentos? Se há alguém que não se expõe sou eu, qualquer asno percebe isso.

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    2. A anónima deve ter-se esquecido ou na altura nem acompanhada a dita. Ninguém se lembra das 500 foto sobre o filho e os vidros e etc etc?

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  5. Exactamente, parece que cada vez mais as pessoas se queixam muito de nada... A capacidade de relativização, de olhar para além do nosso umbigo está a desaparecer, infelizmente.

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  6. É verdade! Tudo aquilo que presenciou são efectivamente OS problemas! Para quem foi, e principalmente para quem fica que terá de gerir uma vida inteira de saudades e ausência.
    E depois realmente andamos por aqui e vemos coisas escritas que não lembram ao diabo... de pessoas com vidas aparentemente estruturadas, famílias imensas (para os padrões dos dias actuais), e ficamos assim sem saber o que pensar! Eu pelo menos fico...

    Carla

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    1. Eu sei perfeitamente o que pensar. Prefiro é guardar para mim, é melhor...

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    2. Prefere nada. Se preferisse não escrevia este post.

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  7. Eu gosto dela. E - coitada - também está sempre a ser julgada.
    Mas aquele post e aquele lamuriar soou tão mal.
    Eu sei que ela frisa no próprio post que há coisas piores, mas que aquela é a dor dela no momento.
    Mas continuei a achar demasiado.

    Luciana

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    1. Eu também gosto. Mas achei aquilo mesmo imbecil.

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  8. Fui ler o poema (será um poema?) de Santo Agostinho. Gostei tanto, mas tanto. O problema é que a realidade nem sempre é assim, às vezes chorar é a única coisa que nos consola. Ou nem isso...

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    1. É tão bonito! E consola-me, embora não totalmente, mas consola-me. Mas gostaria de ter mais fé, de ficar verdadeiramente feliz, ele há mortes que são alívios. Mas sou demasiado egoísta e centrada na minha dor.

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  9. O que eu acho é que as coisas más que vimos à nossa volta nos deveriam ensinar a, pelo menos, relativizar tudo. E a dar mais importância ao que de bom temos, já agora.

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  10. Picante,

    A menina que sabe destas coisas diga-me: O Pipoco desistiu disto dos blogs?

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    1. Ministro do quê, ao certo? Desculpe a veleidade da pergunta mas, parecendo que não, poderá influenciar decisivamente a resposta.

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    2. Pic, permite-me a intromissão.
      Senhor Ministro, excelência, levante um pouco a ponta deste véu que me cobre, por obséquio.
      Como a pescada e o vestido, esclareça-me, já o é do ponto de vista institucional, ou permanece sendo antes de o ser?
      Considerações.

      (Gosto muito de considerações, hei-de subscrever-me de V.exa sempre nestes termos)

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    3. Caras Picante e Mirone, eu sou um Ministro de muitas pastas, até tenho um motorista para as carregar enquanto eu vou à frente a dar ordens, fui educado para isto de governar. Desde que nasci.

      (E agora em vez de estarem aqui sem fazer nada, só à roda do Ministro, à roda do Ministro, como traças à roda da luz, agradeço que me encaminhem as gajas do Pipoco)

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    4. Ó senhor ministro, e alguma dessas pastas é a famosa medicinal Couto? Parece que o retrochic/vintage é que está na moda e quer parecer-me que o senhor Ministro tem o seu quê de retro. Aprimore lá o parlspié e vai ver que caem que nem tordos, não precisará de ninguém as encaminhar-lhe leitoras.

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    5. Retro? Só se for por causa das bolas de naftalina que tenho no bolso. Por causa das traças.

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    6. Ainda a considerar.

      Senhor ministro, naftalina?! Prevejo mais um aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos.

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    7. Eu não sei nada disso das gajas. Só me dou com senhoras da classe A superior.

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    8. "Menina"
      Ahahahahahhahah
      Outro parvo de merda.

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    9. Não sejas inconveniente, Filipa Brás, daqui a nada aparecem aí as suspiradoras e eu não tenho vagar para elas.

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  11. Partilho.
    Achei de um mau gosto atroz o descrever minucioso de tão grande tragédia na vida da có.
    Como se tivesse sido o maior desgosto da vida. Só que não é...

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  12. Picante

    Também fiquei assim !!???!! quando vi "tamanha tragédia" por aquele motivo.
    Mas pensei que devia estar enganada na minha percepção das coisas, pois os comentários mostravam pessoas completamente deslumbradas com a capacidade de ultrapassar esse tipo de situações e também com a capacidade de mostrar algo tão intimo... (what?!)
    Enfim, que a vida nos dê apenas problemas desses ( e digo-o com sinceridade, não é ironia).

    Um beijinho para si. Que consiga ajudar os seus filhos e essas crianças a encontrar de novo motivos para sorrir.

    Maria

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    1. Beijinho, Maria

      (e tem toda a razão, que todos os problemas sejam uma operação da qual se recupera em 3 ou 4 meses, desportivamente falando)

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  13. Lamento imenso pela perda, mas por haver problemas maiores não nos podemos queixar dos mais pequenos? Ou seja, se me morrer um familiar não posso chorar porque todos os dias crianças são mortas e violadas em partes terríveis no mundo?

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    1. Podemos, claro que podemos. Convém é distinguir as coisas e não comparar um aborrecimento ou uma desilusão a uma dor efectiva de perda.

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    2. Acho que ninguém o fez. A blogger em questão queixou-se muito da sua situação, é verdade, mas quando estamos numa situação semelhante é normal termos pena de nós próprios. E enfrentar uma cirurgia nunca é fácil.

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    3. Se achar a morte e violação diária de crianças pelo mundo um problema menor....
      Agora se entende a morte ou doença grave como problema maior em relação a torcer um pé ou partir um braço, tudo bem. E pode chorar por ambas as circunstâncias, sendo que pela segunda não se comoverá se for um puto na Suécia ou Japão que nunca viu mas escorregou e chorou de dor. E qualquer dia passa. Pelos traficados abusados e torturados chore e reze.

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    4. Sim pessoa das 18.04, foi isso que eu disse. É mesmo um problema menor e eu só choro com os meus.
      E já agora eu não rezo por ninguém, não tenho religião nem acredito em Deus.

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  14. Concordo em tudo picante, eu andei a ler a do menisco no joelho e uma gata com um tornozelo aleijado e é o drama, o horror não se poder correr!!!!! Enfim...

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  15. Compreendo a decepção dela com a lesão e compreendo que ficasse aborrecida, aliás ela racionalizou que aquela situação não era o fim do mundo, mas foi post atrás de post de lamúrias... O post de Barcelona foi o esticar da corda: então não se estava a ver que teria sido melhor ficar em casa? Estava com os filhos, poupava trabalho à mãe e não se "torturava". Enfim, opções...

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    1. Mas agora tem carradas de vinho para beber e esquecer. Ofertas, brindes, pagamentos. Chamem o que quiserem.

      (Desde que andou a pedinchar para ser a milf de não sei quando acho-a a beirar a adolescência em várias situações)

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  16. Que uma pessoa tenha pena de si própria e o exteriorize daquela forma, só demonstra um ego enorme. Quando o tema é aquela, revela falta de senso. Mais quando há uns meses revelou que um médico lhe disse que não deveria continua a correr. Mais quando não treinou o suficiente para uma maratona (há especialistas que defendem que só se deve correr uma maratona ao fim de 4 anos de corrida diária). Mais quando anda a "vender" a corrida como o melhor dos remédios para emagrecer, quando há um sem número de pessoas que, pelas mais diversas razões, não deveria correr. Há um sem fim de outros exercícios.
    Enfim...vive, como outras/as, da exposição e, com isso, perde o norte.

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    1. Pipocante Irrelevante Delirante18 de março de 2016 às 18:28

      4anos?
      O prof Moniz Pereira dizia que um atleta só deveria atacar uma maratona depois de muitos anos e kms. Não é à toa que são raros maratonistas de 20 anos.
      O numero de provas que se faz é outro... Mas que sei eu, nem sou PT, sou Vodafone.

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  17. Querida picante,

    Nunca comento, mas desta vez tem mesmo de ser. Não pela história da blogger em causa, mas pela ideia do valor do sofrimento.
    O meu pai morreu aos doze anos, assim do nada, um dia estava e no outro já não estava. E desde essa data que aprendi que o meu sofrimento não era maior do que o dos outros. Todos os dramas dos meus amigos pré-adolescentes, depois adolescentes, tinham tanta importância quanto o meu. Eram apenas diferentes. Isso tornou-me uma adulta mais consciente (quero acreditar), que nos seus 30s e alguns consegue sentir empatia por toda e qualquer dor, não sendo capaz de as considerar menores, nem de desvalorizar o sofrimento alheio. Porque o que a mim me custa - sabendo que com base na minha história e nas minhas muitas perdas, o meu pai foi a primeira de várias - pode não ser o que custa ao outro e vice-versa.
    Quis apenas deixar uma outra perspectiva..

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    1. Eu fiz vários lutos importantes na minha vida, por diversas formas.
      Continuo a não ter empatia por uma adolescente que chore feita desalmada porque partiu uma unha.

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    2. Talvez por lidar proximamente com uma pessoa extraordinariamente pessimista, para quem tudo é um problema e tem uma enorme dificuldade em olhar para o lado bom das coisas, não tenho a menor paciência para lamurias e auto comiseração. Podem contar com toda a minha empatia para sofrimentos, agora querer transformar um mero aborrecimento num drama... Já estou como a Pipas, não contem comigo para essas cenas.

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    3. É mesmo isso, também lido desde sempre com alguém que insiste em ver sempre o lado mau (especialmente se for do seu problema, que é sempre incomparavelmente maior que o dos outros), tudo é um problema e termina as frases com "ai ai, é uma chatice", independentemente do que se trate. A minha resposta é sempre o silêncio, o que normalmente faz com que haja um recuo no discurso. Tenho uma falta de paciência total para carpideiras. Mas no caso do joelhinho há muitas coisas envolvidas, creio eu, o medo de voltar a ser rechonchuda, que isso não é nada fixe para vender vestidinhos e shorts da marca xpto, depois o ego infladíssimo, cheio de superação e auto-controlo e lalálá e depois, pior que tudo, o pânico de ver que a bendita grupeta é toda muito querida e somostodoscócó mas o que é um facto é que na hora da verdade estão lá todos juntos e divertem-se à mesma,esteja ela ou não, incluindo o rico maridinho,e ela fica de fora daquele clubinho tão exclusivo que sobrevive perfeitamente sem sua excelência. Isso é que dói comócaraças..parece que esta gente simplesmente não tinha amigos antes do bendito running.

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    4. Mas as pessoas deveriam deixar de fazer o que querem fazer porque alguém se lesionou e não pode ir? Nunca a rapariga desejou isso, limitou-se a ser dramática, vamos lá a ver.

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  18. Ao ler o post em questão apercebi-me que já tinha sentido exactamente o mesmo. Quando era uma adolescente...

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    1. Ainda me lembro de ter torcido um pé na véspera de uma competição. Chorei que me fartei, tinha era doze anos.

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  19. Tinha 18 anos quando a minha mãe teve cancro, foi há 20 anos e ela está cá para contar a história mas eu nunca mais fui a mesma, sou uma mulher que dá graças todos os dias, que sabe o que realmente importa, que não dramatiza porque o gajo não me lê os pensamentos, porque a colega de trabalho é uma cabra ou porque a prima da prima da prima me liga menos vezes do que à outra prima, da prima, da prima! Mas não desvalorizo o sofrimento dos outros, o que para mim não é drama para o outro pode ser. Eu não estou nem aí para os animais, mas admito que alguém chore por um gato, eu tenho uma sogra de luxo mas compreendo quem tenha grandes problemas com a sogra e eu admito que não realizar um sonho, por muito que a nós nos pareça ridículo possa dar azo a sofrimento.
    Tenho muita pena de quem a vida correu muito mal e não admite que os outros possam ter problemas, incomoda-me muito que tenhamos que ser os maiores sofredores do mundo e olhem que tenho uma amiga que perdeu o filho com 4 anos, e eu não consigo imaginar maior dor que essa e continua a ficar triste quando os outros estão tristes apenas com "uma unha encravada" .
    Eu gosto da Sónia e penso que por vezes todos podemos mostrar as nossas fraquezas, mesmo que seja com umas botas manchadas!

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    1. Isso faz de si uma pessoa muito melhor que eu, que não tenho a menor paciência para lamurias por "unhas encravadas".
      O problema é meu.

      (são palavras lindíssimas, e tocam-me de uma maneira muito especial, foram lidas no funeral de uma pessoa que perdi)

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    2. Picante: Não sou, de certeza, melhor pessoas que os outros...terei inúmeras merdices que fazem de mim um ser normal e cheio de outras coisas imperfeitas!

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    3. "Eu sou eu. Tu és tu.
      O que fomos um para o outro ainda o somos" - tivesse eu " inteligência emocional" para lá chegar..

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  20. Esqueci-me de dizer que mesmo que este post não fosse já forte o suficiente eu quebrei, mas foi, com as palavras de S. Agostinho! Que conforto

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  21. Cada um saberá de si. Fui operada à coluna, 11 horas, pulmão perfurado, 1 semana no CI em vez de 1 noite. 2 semanas na enfermaria e muita chatice na recuperação.
    Nunca me passou pela cabeça fazer 1 choradinho nem escrever sobre isso em lado nenhum.
    Mas lá está, cada cabeça sua sentença

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  22. O problema ali é medo de voltar a engordar.

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  23. Pipocante Irrelevante Delirante18 de março de 2016 às 18:05

    Look in the bright side... Desta vez não houve fotos de pés engessados e coisa assim (ou houve? Confesso que aquilo faz jus ao nome)
    Copo meio cheio.
    Vindo de quem tem um joelho à Mantorras e um tornozelo que da sinais quando o tempo arrefece... Quem faz desporto profissional sujeita-se. E essa gente, embora não cumpra as regras cívicas de corrida, está a um nível pró.

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    1. Os ortopedistas esfregam as mãos desde que a moda da porra do "running" apareceu. Hoje em dia até os coxos correm, convencidos que aquilo lhes faz muito bem, ainda por cima é à bruta, nem oleiam a máquina. Querem o quê?

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante20 de março de 2016 às 14:14

      É como os treinos de alta intensidade. Coisa mais saudável não existe.

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    3. Tenho dois filhos a fazer competição. Não me faça pensar muito nisso, por favor.

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  24. Pipocante Irrelevante Delirante18 de março de 2016 às 18:13

    Esta gente das corridas, que se queixa que em Portugal o povo não sai à rua para apoiar os "atletas" como noutras maratonas lá fora... Quantas vezes foram ver uma prova nas Açoteias? No Jamor? São adeptos, vão ver atletismo, apoiar e aplaudir?
    Quem souber, responda

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    1. Fazem-me lembrar os "novos ricos", que nem têm onde cair mortos, coitados, e que apregoam o do "lá fora é que é bom"..

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    2. Eu por acaso gostava de saber quantos deles é que saíam à rua para apoiar quem quer que fosse antes de começarem a correr.

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    3. Pipocante Irrelevante Delirante20 de março de 2016 às 14:15

      Antes ou depois.

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  25. Há pessoas que têm por hábito queixarem-se. Se não for de uma coisa será de outra. Porque o queixume comove e dá plateia. E a plateia sempre vai aplaudindo.
    Se está grávida passa a vida a queixar-se ora do cansaço, ora da fome, ora da gordura. Se corre, lá se queixa dos contratempos originados pela corrida. Mas depois fala do optimismo com a propriedade de quem domina o assunto.

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  26. Eu nunca comento, sigo ambos os blogs e aprecio vários conteúdos dos dois. Mas, às vezes, alguns posts só me fazem lembrar conversas de cabeleireiro ou crónicas de revistas cor de rosa. Se as lamúrias me irritam? O egocentrismo ou a quantidade de surpresas mirabulantes? Às vezes. Mas, no geral, gosto! Tal como gosto da sátira aqui patente, não obstante considerar que alguns assuntos são só fofoqueiros. Infelizmente, perdi o meu pai com 11 anos, infelizmente conheço uma dor que não queria conhecer. Porém, quando falta um ingrediente para aquele jantar, pode ser o fim do mundo naquele dia. Nada é comparável com nada e não vou deixar de ficar chateada/triste comigo quando algo corre mal, porque já vivi (e trago comigo) dores incomparavelmente maiores. Bem como, há uma data de tragédias ao virar da esquina. Simpatizo muito com o teu blog. Por vezes, é só desadequado. LP

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    1. Vamos concordar em discordar. A falta de um ingrediente para o jantar é um mero contratempo. Se há coisa que a vida me ensinou foi a relativizar. E ainda bem, sou uma pessoa muito mais feliz desde que o faço.

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    2. Só agora deu para aqui vir.
      Claro que tinha de aqui vir falar de alguém que no mesmo post que fala de cancro, aproveita a boleia e faz publicidade a uma merda qualquer.
      Quando -e atenção que nada estou a desejar, han?- esta criatura souber o que é sofrer, mas sofrer de alma, que as dorea físicas a malta, mal ou bem vai vivendo, o discurso muda e aí vai perceber sozinha a figura que tem andado a fazer.

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  27. Pessoalmente aquele blog irrita-me. Egocentrismo até mais não. Embora mais refinada, lembra-me um bocado a mais a norte. Parece que o centro do universo são os respectivos umbigos, embora se mostrem sempre muito amigas do seu amigo, ou dos mais desafortunados do mundo. O invólucro é diferente, mas o miolo é demasiado semelhante em muita coisa.

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    1. Passei anos a dizer isto aqui, mas os meus comentários nunca eram publicados porque na altura não se podia dizer mal da menina por aqui. Pelos vistos, agora mudou tudo, agora já se pode dizer que esta é igual às outras todas.

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    2. Os seus comentários era rejeitados porque provavelmente viriam a despropósito.
      E não concordo, acho que é muito diferente.

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  28. Cara Picante,

    Gostava de lhe pedir uns conselhos, mas distante de olhares e julgamentos alheios. Pode disponibilizar-me um e-mail para o efeito?
    Obrigada

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  29. Parece que alguém andou a ler o teu blog...
    Porque por lá, nos comentários, é só festinhas.

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    1. É, é... eu perguntei-lhe se aquele post era por causa de ter lido a Picante. Apostava em como ela não o irá publicar.

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    2. Toda a gente lê o meu blog, ora essa, principalmente aquelas que dizem fazerem-se de mortas ou lá o que é.

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  30. Sim e com tanto sofrimento quando chega a casa depois da operação ainda consegue escrever um post publicitário para a swarovski!!!

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  31. Quer-me parecer que ela é leitora deste blog. Acabou de fazer um post de retratação. Ou algo do género.

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  32. Então pela lógica do que leio aqui nenhum de nós deverá considerar que tem um problema se não tiver uma doença grave, perder um filho, ou outra situação idêntica!!! Na minha opinião, a história do joelho foi de facto exagerada, no entanto, naquele momento era o drama da vida daquela pessoa. E nós não devemos julgar/criticar os sentimentos dos outros.Há precisamente dois meses eu estava numa cama de hospital com uma "simples" hepatite A, mas para mim foi o fim do MEU mundo. Estava longe dos meus filhos, tive que deixar de amamentar a minha bebé com 8 meses...Por mais que soubesse e sei, por mais que me dissessem que há coisas piores, que o IPO está cheio de crianças doentes, que há crianças a perderem os pais, enfim uma infinidade de PROBLEMAS DRAMÁTICOS, diziam-me que eu ia ficar bem, que os meus filhos estavam bem...ok! Mas eu estava num estado em que só a minha situação era má, não era a do quarto ao lado, mas sim a minha! Isto para dizer que todos nós sabemos que há alguém em pior situação que nós, mas quando nos toca alguma coisa que abana o nosso mundo o egoísmo vem ao de cima!

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    1. Percebeu mal. O problema não é alguém ter um problema. O problema é reagir a ele com a mentalidade de uma criança. Até o facto de prantar tudo aquilo no blog revela uma imaturidade atroz.

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    2. E? Isso não impede os outros de acharem que é um exagero determinada situação.
      Para mim é o fim do mundo chegar a casa, carregada de sacos, ter que abrir a porta da rua à chuva e a chave cair-me... ui, fico pior que estragada, desato logo num pranto, que "isto só me acontece a mim" e blá blá blá. Pior ainda se estiver apertadinha para ir fazer xixi.
      Isso não impedia que quem me visse na rua me achasse só parva e no entanto era o fim do mundo para mim!! E depois na calma do lar e abrigada ia pensar "pá que ceninha triste, fui mesmo parva".

      Resumindo, você esteve doente, achou que era o fim do mundo, não me impede a mim, nem sou má pessoa por achar que há quem esteja pior e lhe dizer que está a ser egoísta, porque no final até foi você própria que o disse.

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    3. Eu não duvido que aquela pessoa que faz um escandalo no cabeleireiro porque não gostou da cor/corte, etc ache que é um sofrimento atroz e um drama infundado mas se a pessoa tiver mais de 13 anos eu vou achá-la imatura, parva, infantil e sem noção.

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    4. Ps: Se tiver 13 anos ou menos eu vou achar exatamente o mesmo mas darei o "desconto" da idade, pois os adolescentes têm direito a ser parvos e as crianças têm o direito de ser infantis.

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  33. O egocentrismo desmedido, sob a forma de muro das lamentações, foi uma forma subtil de receber uns presentes em casa. Tão afinadas que estas moças são...

    Alguém me explica como é que bloggers que se dedicam a aconselhar roupas, maquilhagens e afins conseguem dever algo à beleza? Está bem que uma ou outra tem crianças e, depois das gravidezes, até ficou com um corpo jeitoso. No entanto, olha-se para a cara e "bum". Há uma com quem até simpatizo, mas não consigo perceber o porquê de darem dicas de moda e beleza e não a terem...

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    1. Faz lembrar a geringonça que prometeu mundos e fundos e saiu tudo ao lado.

      Ass: Anónima das 21h09

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    2. Já teve a sua sobretaxa reduzida? Sempre vai gozar os feriados?
      Não utilize vocábulos utilizados pelo Paulinho. Invente os seus próprios.

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  34. Este texto toca mesmo a uma pessoa, parabéns :) Já aconteceu uma situação parecida a uma amiga minha,deve ser horrível estar nessa situação :(

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