terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Eu bem dizia que o rapaz me ia dar problemas

Estava a festa marcada, ele julgava que ia jogar futebol a um campo cá nosso conhecido, ainda teria direito a pizza com os amigos de sempre, eu arranjei maneira de a futebolada ser num sítio mesmo especial, com sorte ainda podia ser que nos cruzássemos com um dos seus ídolos. 
Mas não. Ele foram recados da DT, ele foram desobediências várias, ele é o tom desafiador próprio de quem já sabe tudo, a fazer-me lembrar as dos blogs, ele é uma dependência do tm que me irrita solenemente, uma pessoa avisa uma vez, tem uma segunda conversa séria, explica com muita calma que as acções trazem consequências, uma pessoa torna a falar, conta até trinta para não lhe dar o estaladão que ele merece quando o apanha a ouvir música no smartphone confiscado, uma pessoa já lhe tinha condicionado o acesso a toda e qualquer tecnologia, uma pessoa não tem outro remédio senão cortar a prometida festa de anos.
Ele não acredita que me custa mais a mim, muito mais, caramba, estou incapaz de me esquecer da expressão magoada e incrédula com que me disse que só fazia anos uma vez por ano.

76 comentários:

  1. Como eu a compreendo Picante. Ainda há dias, fui obrigada a cancelar-lhe uma atividade que tanto gostava porque omitiu-me que tinha teste de geografia e foi incapaz de pegar no raio do livro para estudar. Só tive conhecimento na véspera e ainda por cima pela boca da mãe de um amigo. Como me custou vê-la lavada em lágrimas...

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  2. Sometimes, a mom's gotta do what a mom gotta do...

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  3. Bom, esse tipo de coisa eu não fazia. É do tipo que vira ressentimento pela vida afora e, Deus os livre, se acontece algo mau no meio disso tudo, é também culpa duradoura. Acho que há outras maneiras.

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    1. Oxalá todos os ressentimentos que venha a ter sejam deste género. Será muito bom sinal.

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    2. Anónima,, é por essa maneira de pensar que os meninos fazem tudo o que querem. Educação não é deixar fazer tudo. Serão adultos, não eternamente crianças.

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    3. Concordo consigo, Anónimo das 10:13. É mesmo um ressentimento que dura pela vida afora! É de uma frieza extrema castigar uma criança desta forma! E depois, ainda se armam em vítimas, dizendo que lhes custa mais a elas, que ao visado. Ah! A vida é cheia de ironias!

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    4. Já dizia a minha avó, antes chorarem eles que nós. Concordo consigo.

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    5. Isto de estar nas urgências, é para lá de espectacular... Demasiado tempo livre... Então castigar e não proporcionar uma festa de aniversário provoca ressentimento? Sentem-se lá ao pé de mim e contem-me mais. Provoca ressentimento de que forma? Ser espancando provoca danos morais, sim, provoca medo na criança e ausencia de respeito pelos pais, falta de amor tb provoca ressentimentos, castigos a torto e a direito sem motivo aparente tb irão provocar, mas agora, volto a perguntar, como é que isto vai provocar recalmentos no miúdo???

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  4. Bolas....compreendo tão bem. Tenho é uma "inveja" desmedida de não ser capaz de fazer um castigo desses. Ele merecia....na semana passada descobri que me tinha ocultado o facto de lhe terem roubado uns ténis de ginástica. E ainda me mentiu sobre a mesma temática.... Caramba. Como ele merecia que eu fosse capaz de um castigo assim. Mas fui mais branda: tecnologias uma vez por semana e um pouco mais ao fim de semana.....

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    1. Bom, eu já lhe tinha restringido fortemente a tecnologia. E já tinha conversado. Várias vezes. Sentia-me a falar para os peixes. Dado que uma sova das antigas está fora de questão, não havia muito mais que pudesse fazer a não ser cortar o desporto. E eu não quero cortar o desporto.

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  5. Pipocante Irrelevante Delirante23 de fevereiro de 2016 às 10:24

    Ele irá agradecer.
    daqui a 20 ou 30 anos, após muito ódio e ressentimento. Mas ele irá agradecer.

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    1. 20 ou 30 anos? Caramba, fico muito mais descansada, obrigadinha pelas palavras optimistas.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante23 de fevereiro de 2016 às 12:03

      Realistas

      (vou presumir que o dito cujo está entre os 10-15 anos, pelo que pelos meus cálculos ainda faltam uns aninhos até deixar de ser um real imbecil. Porque todos os putos (eles e elas) o são. Os jovens adultos idem, porque embora já adultos, têm mentalidade de putos, com a agravante de pensarem que, por serem adultos, já sabem tudo. Afinal terá razão, sou um pessimista.)

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    3. Por que raio iria agradecer uma maldade? Querem lá ver que a partir do dia em que deveria ter uma festa de anos e não teve, vai tornar-se num anjo obediente e comer a sopa toda até à última gota?
      Miúdos que foram maltratados pelos pais e que agora são adultos bajuladores dos pais, dão-me pena. Nem um sofá de psiquiatra os safa! Pobres coitados!

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    4. Pipocante Irrelevante Delirante23 de fevereiro de 2016 às 13:18

      Bajulação != Respeito
      Respeito != Respeitinho

      Pobres coitados que não percebem.

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    5. Ó Anónima, desculpe lá mas o que ele devia ter, e tem, é comida na mesa, roupa no corpo e livros na mochila. E um bolo de anos em cada aniversário. Todos os restantes bens materiais são extras. Uma festa de anos cara não entra no meu conceito de coisas que as crianças têm de ter. Ao contrário de educação, por exemplo.
      Chamar maus tratos a um castigo que foi explicado e reconhecido como justo pelo próprio é surreal e explica em muito por que razão andam, adultos e crianças, tão mal educados.
      E sim. Está um anjinho. Enquanto se lembrar disto há-de pensar que as acções trazem consequências, que as más acções por vezes originam situações desagradáveis e que as responsabilidades são para se assumir.

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    6. Exacto. Eu nunca tive nenhuma festa de anos xpto e n sou nenhuma ressabiada ou traumatizada por isso.
      Credo, quem vos ler até pensa q a picante o vai acorrentar no dia de anos e deixar sozinho numa cave donde só sai no dia seguinte.
      Por amor de Deus.
      Fez merda, já é crescidote qb, deal with it. Tem de assumir as responsabilidades dos seus actos, já q pelos visto outras tentativas foram por ele goradas (como a utilização de material q lhe estava interdita).

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    7. Credo anónimo, não queria ser sua filha. Quando os meus pais me castigavam, no momento ficava magoada, depois percebia que tinham razão. Não é maldade, é educar, é mostrar que maus compartamentos têm consequências, é isso que os prepara para a vida futura. Não sou bajulAdora dos meus pais, não tenho o meu orgulho ferido, ne, sou recalcada. No dia que tiver filhos na mesma situação que a,Picante espero que não me falte a firmeza. Educar não é fácil, e acho que a Picante agiu da melhor forma possível.

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  6. A adolescência é lixada. E educar ainda é mais.

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  7. É verdade Picante!! Custa-nos tanto, tanto ter que tomar medidas drásticas!
    Mas tem que ser, é educar, é definir regras, é amar e quer prepará-los para serem adultos bem formados, é ser mãe.
    Beijinho

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  8. A isto que descreveu chama-se educar para vida futura!

    Sílvia

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  9. Pois, a mim parece-me que não é a deixar de ter festa de anos que vai deixar de ter certo número de atitudes que secalhar não deveria ter mas que também fazem parte do seu crescimento e formação de personalidade...Eu como mãe não deixava de fazer a festa continuava sim a insistir em conversas e outro tipo de atitudes que não as "se fazer isto ficas sem isto..." "se fazer isto(ou fizeste) ficas de castigo sem isto...)... na minha maneira de ver só serve para ficarem mais revoltados e se deixarem de ter essas atitudes é só com medo se serem castigados e não pelo motivo real de estar errado...

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    1. Pois é exactamente essa formação de personalidade que me deixa apoquentada.

      (Mas talvez eu seja uma pessoa incapaz de se fazer entender, talvez ele não tenha percebido nada do que lhe dissemos, ao longo destes últimos meses. Teria sido muito mais educativo ter uma décima conversa e fazer-lhe uma festa de anos cara. Afinal ele merecia...)

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    2. Quando alguem diz:"eu como mãe"..está tudo dito, volta filha daqui a uns anos !! Eu antes tinha teorias, agora tenho uma filha !Existe um ponto em que tem de doer se não doer não faz efeito, tem que perceber que é grave e tem consequências e que os pais por vezes são inflexiveis.Maus tratos é permitir crescer sem regras, sem valores e sem respeito !

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    3. cara anónima das 22:49 "eu como mãe"...tenho um filho...não tenho teorias nenhumas e sou livre de ter uma opinião diferente e de fazer as coisas de maneira diferente. O problema das pessoas é que os outros fazem sempre mal e os filhos dos outros é que são sempre os que não têm educação. Secalhar cada pai e cada mãe deve seguir um caminho conforme os filhos que tem e conforme aquilo que pensa porque os filhos não são todos iguais e muito menos os pais e se cada um olhar para os seus já tem muito trabalho!!!

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  10. ... e depois é o "preso por ter cão e preso por não ter!" Se castigas, custa-te. Se não castigas, custa-te mais ainda!

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  11. O problema é que os miúdos nunca acham que os pais estão a falar a sério, esticam a corda até mais não. Cortar a prometida festa era impensável, até ter visto que não. Claro que lhe custa Picante, é sinal que o ama, mais tarde ele irá ver isto, e verá que a mãe teve sempre razão quando o castigou.

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    1. Eu perguntei-lhe se ele achava que merecia a bendita festa. Que se achasse mesmo que merecia e que os pais eram injustos a teria. Ele sabe bem os disparates que fez, que não é nenhum tolinho.

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  12. E depois havia aquela coisa de os putos adolescentes verem escarrapachados nos blogues das suas mummys as coisas próprias lá deles, putos adolescentes, não era? Parece qua não ficava bem, pois não era?

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    1. Mas aqui ninguém sabem quem é o miúdo, onde vive, como se chama, se é alto, baixo, magro, gordo, louro ou moreno, em que escola anda ou como se chama. Parecendo que não, a diferença ainda é muiiiiiiito grande.

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    2. Era Anónima. Vou já ali chicotear-me. Amanhã todos os amigos do meu filho saberão que ele foi castigado por ter feito disparates. A cara dele aparece aqui escarrapachada inúmeras vezes e toda a gente sabe quem ele é, não é? É, pois!

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    3. Pois, os amigos não sei. Mas ele saberá. E isso bastar-lhe-á, é tudo o quem ele precisa de saber para fazer um juízo sobre a atitude que a mãe teve para com ele.
      Aparentemente, isso a si não a preocupa. Ainda bem para si, antes isso, viverá mais feliz, sem pesos na consciência.

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    4. Mas para isso terá de vir ler o blog, não é? É, pois...
      E, depois de ler, teria de ver aqui escrita alguma coisa que o envergonhasse, não seria? Seria, sim...

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  13. e se agora ele faz pior? numa de vingança por ter cancelado a festa?

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    1. Fácil. Amarro-lhe um tijolo ao pé e largo-o em mar alto.

      (não se preocupe, eu ainda tenho mão nos meus, não me parece que tenha um sociopata dentro de portas)

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    2. picante, não foi uma critica! admiro-te a firmeza..eu no teu caso, acho que na hora H cedia ou suspendia o castigo por ser aniversário nhénhénhé...acho que me faltaria a coragem..
      quando perguntei se ele agora faria pior, era no sentido de: - e se agora o raio do miúdo fica revoltado e numa de vingança por lhe teres lixado a festa, ele age pior, com desobediências, etc...lógico que de pouco lhe vai adiantar e terá de enfiar a revolta na gaveta.....mas até lá pode continuar a dar-lhe (mais) chatices..só isso!

      em relação ao tijolo...sempre será uma alternativa :)

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    3. Eu acho que só há revolta quando as pessoas se sentem injustiçadas. Aí sim. Eu explico sempre as coisas, tenho sempre a preocupação de explicar as vezes que forem necessárias. E as pessoas, neste caso os miúdos, não sendo tolas percebem.
      Ele sabe que ninguém foi injusto. Sabe que foi várias vezes avisado. Não tem porque ficar revoltado.

      (além de que iria ver a vidinha a andar para trás que era coisa séria, não me passa pela cabeça não conseguir ter mão num catraio pequeno)

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  14. Pipocante Irrelevante Delirante23 de fevereiro de 2016 às 12:07

    Eu tenho apenas um mini-me em idade ainda precoce (mas não tão precoce que não me diga que lhe estrago a vida e que não gosta de mim), e percebo pouco de eduques e derivados, mas o conceito parece simples: causa-efeito.
    Ou crime e castigo.
    Todas as acções têm consequências, e quanto mais certo os petizes disso tiverem consciência, melhor para eles.
    Nem é uma questão de viverem com medo constante da punição, mas têm de ter a noção que, caso optem por fazer algo de errado, algo de errado pode acontecer. Depois é dar-lhes o livre arbítrio para decidirem por si (dentro do possível), mas eles têm de ter noção das consequências.

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    1. É por aí, é. Já perdi a conta ao número de vezes que expliquei isso. Convém que as "quedas" sejam amparadas e com o mínimo de consequências desagradáveis mas a verdade é que eles têm de cair e perceber que não cumprir regras traz consequências.

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  15. Fazes muito bem. Se todos os pais fossem assim, haveria mais miúdos educados e conscientes. O que eu vejo por aí são pais completamente reféns dos filhos. Têm medo de perder o seu amor, o que não percebem é que há muito que perderam o seu respeito e isso trás muito más consequências. Sê corajosa Picante, isso trará bons frutos. Abraço.

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  16. Estou completamente solidária consigo! É tão difícil fazer uma coisa dessas! :( Mas tem mesmo de ser... hoje em dia, eles são, felizmente, criados num ambiente de abundância e de poucas consequências, e têm mesmo de perceber que elas existem!
    O meu ainda só vai este ano para os 10 e eu já começo a suspeitar que terei de tomar uma atitude assim (ou isso, ou a viagem de finalistas do 4º ano...pois se ele teima em não perceber que há uma consequência para o não estudar e não se esforçar deliberadamente!)! Mas vai custar tanto...

    Carla

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    1. Diabos dos miúdos, estão cada vez mais saídos da casca.

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  17. Eu não acredito que há aqui pais que acham que não devias castigar o teu filho porque este pode ficar chateado contigo.

    Isto explica tanta coisa acerca dos miúdos que vemos por aí...

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    1. Fico entre o confrangida e o incrédula. Eu farto-me de dizer aos meus filhos que não sou a melhor amiga deles, que sou chata muitas vezes e que, apesar disso, nunca encontrarão quem os ame mais que eu e o pai, mesmo quando nos deixam tristes.
      (e depois fico a rir e a lembrar-me de que a minha mãe me repetiu isto sempre que eu lhe dizia que era chata e exigente, devo ter ouvido esta conversa umas dezenas de vezes.

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  18. Eu sou aquela que este verão se passou completamente com as enteadas (14 e 15), duma maneira agressiva explicou-lhes por A+B o que achava do que elas andavamos a fazer na escola (e fora), e como os castigos são coisas que não existem em casa da mãe, e por aqui só se castigar mos a nós próprios e não as irmos buscar, já não tínhamos mais como as castigar. Foi prometido também por mim, madrasta, um par de sopapos bem dados se elas voltassem a fazer o que fizeram para me saltar a tampa.


    *sim, sim, sou uma pessoa horrível
    **sim, sim, sou madrasta, não devo gostar delas
    ***sim,sim, coitadinhas

    As notas melhoraram. Quando precisam de alguma coisa vêm primeiro a mim que ao pai, e às vezes do que a mãe. Quando têm algo a perguntar /contar é a mim que vem. Fui eu que ajudei a escolher o curso. A asneira que fizeram, nunca mais. Não têm qualquer respeito à mãe que lhes faz as vontades todas.

    Vou continuar a ser madrasta má de consciência tranquila

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    1. Eu lembro-me do teu comentário.

      E agora por falar que elas não têm respeito à mãe porque lhes faz as vontades, lembrei-me do que vi na Tv há uns dias:
      Um filho que tratava mal mãe e ela disse: eu não entendo isto, eu era a mãe cool, a mãe que o deixava fazer tudo!
      Hello, se calhar o problema está aí!

      Luciana

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  19. Bem me lembro do pior castigo que o meu pai me deu. E se já naquela altura achei que o merecia, hoje agradeço que o tenha feito.
    Deve ter doído mais a ele que a mim, coragem Picante.

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    1. ahahahahah
      O meu pai uma vez deu-me um estaladão na cara. Foi a única vez que me levantou a mão. Foi totalmente merecido, ainda hoje coro quando penso nisso.

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  20. A minha ainda só tem 5 anos. Mas espero nunca ter que lhe cortar festas. Nem o ir às festas dos amigos.
    Tenho trauma de criança!
    Achava eu (criança) que a aniversariante não tinha culpa de eu me ter portado mal!

    Luciana

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  21. Um dia irá agradecer-lhe. Por agora, com certeza, irá reflectir antes de disparatar...
    Quantos aos críticos acima, já sabia que os iria ter, duvido que muitos acreditem naquilo que escreveram.

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  22. Na semana passada tive de castigar o meu (tem 11 anos) e custou-me muito. E sim, tal como a picante diz, tenho a certeza que me “doeu” mais a mim que a ele.
    Educar é muito difícil, e tem dias que tenho ideia estar a falar para o vazio. Sento-me, coloco-o à minha frente, falo-lhe directamente nos olhos e, nesses momentos, em que tento compreender o porquê, que tento perceber o motivo para ter agido dessa forma… ele fecha-se em copas, olho para ele e é como que houvesse uma cortina à frente dos olhos… sinto-me impotente por não conseguir decifrar seja o que for.
    Apesar de ver o vazio, falo, digo que errou ao ter mentido (sempre mentiras para ocultar algo relacionado com ele… nunca prejudicou terceiros com essas mentiras… felizmente) e que quando se mente, sofre-se 2 vezes, vive-se no “medo” de ser descoberto e após a descoberta, haverá consequências por essa mesma mentira.
    Obviamente que sentiu e chorou com o castigo que lhe dei (fui ao deporto, tirei-lhe o que mais gosta) e sim, já nem falo nas tecnologias.
    E tal como a picante… digo o mesmo aos meus, nunca terão ninguém que os ame tanto como os pais… por muito que nestas alturas, dos castigos, se sintam revoltados e achem que os pais são as piores pessoas do mundo, sei por experiência própria que após reflectir no que lhe disse, e no castigo aplicado e sempre justificado com as acções por ele cometidas… não demora muito a vir abraçar-me com ar de quem entende o que fiz.
    Mas é muito difícil a firmeza nestas horas.

    CM

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    1. É horrível mas é essencial, manter firmeza, caso contrário não nos levam a sério.
      Essa imagem no vazio é tal e qual o que aqui tenho. O que mais me tira do sério é que não peça logo desculpa e assuma as asneiras. Cansada de dizer que a mentira tem a perna curta e que a confiança se conquista e merece. E que com ela vem a tão desejada autonomia que os colegas têm a rodos e eu não me sinto capaz de dar por não ver ali a necessária maturidade.

      Abraço CM. Estou solidária consigo.

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    2. O meu faz o mesmo, na hora não assume. Fita-me com aquele olhar vazio, desprovido de qualquer luz, um olhar que me incomoda e que me "assusta".
      Só depois de estar sozinho durante algum tempo... é que vem e assume o erro.

      CM

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  23. Olá.
    Realmente custa. Eu lembro-me de que a palavra do meu pai era não e não mesmo. Custava-me imenso não ter festas de anos, ou viagens de finalistas por causa de notas ou mau comportamento (faixa etária do 10/14 anos). A verdade é que a coisa passava e eu voltava a fazer tudo outra vez. Era muito mais giro portar-me mal do que ter festas de anos (sou maluca, eu sei). Depois cresci e vi como o meu pai tinha razão.
    Agora tenho uma filha de 16 anos. Está na fase que já não se consegue dialogar com ela e só emite uns sons de vez e quando. É muito faladora e ás vezes porta-se mal nas aulas. Mas tem boas notas e eu nunca me chateei com ela. Não sou capaz. Já tive milhares de conversas, ja tirei computador, telemóvel, Anatomia de Grey, saídas, etc... não há volta a dar. Acho que o maior castigo é fazer anos no fim de Julho (só teve festas de anos com familiares).
    Patricia

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  24. Durante muito tempo achei que os meus pais eram verdadeiros ditadores, muito rígidos, a minha mãe utilizava muito a expressão "antes chorares tu do que eu", que nunca percebi verdadeiramente. Hoje sou adulta, mãe e tia e compreendo tão bem as atitudes deles, apesar de não concordar com todos os métodos, hoje em dia penso em dar uma educação semelhante ao meu filho, porque o que realmente falta nos dias de hoje é educação à maior parte das crianças.
    Os pais estão mais preocupados em ser amigos e dar tudo às crianças para não os traumatizar porque o amigo tem mais isto ou aquilo, do que em educar os filhos, em dizer não quando é preciso, a ensinar que para ser respeitado tem de se respeitar os outros, que devem trabalhar e esforçar-se porque as coisas não caiem do céu,
    Sinceramente tenho a sensação que grande parte das crianças de hoje vão ser adultos frustados, que não sabem lidar com a rejeição, com o não, que não sabem batalhar por aquilo que querem porque estão habituados a que tudo lhes seja entregue de bandeja.
    O dever dos pais é educar, amar, proteger, portanto acredito sinceramente que lhe doa mais a si do que a ele ter tomado essa atitude, mas também acho que foi a mais correcta porque é assim que se ensina que todas as atitudes têm uma consequência.

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  25. Realmente, ao ler certos comentários, percebo porque é que tantas vezes dentro da sala de aula tenho que relembrar a canalha que não sou mãe deles.
    Medo, muito medo.

    P. S. Também devo ser uma mãe horrível e que traumatiza os filhos.

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  26. Li seu post com muita atenção e tem carradas de razão.Li os comentários ao seu post e lembrei-me logo daquela história do velho, o rapaz e o burro. Faça de acordo com os seus princípios e defeque para as opiniões dos outros.
    PS - ( Não sei se aceita a palavra cagar)

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    1. (ora... a Filipa Brás comenta-me o blog, não haveria de aceitar porquê?)

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  27. Nem sei que lhe diga, vou no ano vinte seis e posso dizer que nos dias que correm não sei quando termina a adolescência, se pudesse voltar atrás era menos conversa e mais acção, certamente o erro foi meu.

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    1. Eu estava com esperanças de que a idade do armário terminasse aos vinte e poucos, pelo amor da Santa, olhe lá os meus nervos.

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  28. Estás tramada.. Vai-te pôr no mais miserável dos lares...

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    1. Na na ni na não.
      Ele gosta dos meus cozinhados, há-de levar-me para educar os filhos e infernizar a vida à mulher que, obviamente, nunca estará à altura dele.

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    2. Dos seus cozinhados? Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah

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  29. O grande problema é que na idade da parvoice eles so se lembram depois de fazer as asneiras, aqui em casa estou a passar pelo mesmo. So fez ainda 13 anos e eu ja passo a vida nos castigos. O pior é que me sinto tao castigada quanto ele, espero que va melhorando pq as consequencias estao sempre la ao virar da esquina para cada malandrice.

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    1. Acho que depende imenso deles. Tenho cá uma que o máximo que faz é dar uma resposta mais torta ou amuar, lembro-me de a ter castigado uma única vez por um disparate, há miúdos naturalmente mais desobedientes que outros.

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  30. Eu é que não entendo nada de como muitos pais educam os filhos.
    Do meu mais novo ainda não posso dizer nada pois só tem 6 e tem PEA, mas a mais velha(11) até hoje nunca deu problemas. Nem sequer preciso de levantar a voz, basta mudar o tom e o olhar. Ela percebe logo que está a esticar a corda e acabou.
    Nunca tive de aplicar castigos. Ela sabe perfeitamente o que pode ou não fazer. (e nunca foi preciso manda-la estudar, fazer trabalhos etc... Alias quando oiço pais a dizer isso fico !! )

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    1. Olhe... sorte a sua, oxalá tenha a mesma sorte com o mais novo.

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    2. Oh anónima... Que gente sem filhos critique e aponte o dedo e dê fórmulas ainda aceito. Pronto, vá... Sabem lá eles do que falam... Agora quando se tem filhos e se tem a capacidade de olhar para o lado... Olhe.. Estou como diz a Picante... Agradeça, agradeça a sorte que tem. Ou teve até agora. (Que eu também tenho hã. Note-se e sublinhe-se. Dá-se é o caso de eu perceber o quão fora eles estão das minhas mãos. Por exemplo, se eles tiverem o azar de se encontrar com maus exemplos fora de casa... Pois... Lá se leva um abanão nas convicções... Se por sorte só se deram com gente calma e da paz... Somos as melhores mães do mundo e os outros pais não sei quê não é? Pois. Não.)

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    3. NM
      Tenho um filho com PEA (autismo), por isso sei bem o quão difícil pode ser lidar com miúdos. Também sei que a miúda vai entrar na adolescência e que vai fazer todas as imbecilidades que a adolescência trás (been there, done that), mas o que sei mesmo é que aquilo que insistimos e fazemos desde o início, que os pais a amam mas são eles que mandam, que educam e que ditam as regras, isso está lá.
      A minha resposta à Picante não era a criticar no castigo que deu ao filho. Pelo que acompanho aqui ela parece-me muito com eu. A minha miúda é mais nova, possivelmente na idade do miúdo dela pode ainda fazer coisas piores. Mas sei que vai continuar a levar com a "nossa educação" e que apesar da "adolescentisse" vai perceber isso.
      O meu comentário era relativo a outras respostas em que leio que pais de miúdos de 8, 9, 10 anos têm de os mandar estudar (?! what?), têm de lhes tirar os tablets&outros constantemente (?), e que já têm dificuldade em lidar com eles.
      Não pode ser, miúdos dessa idade não podem mandar assim...

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    4. Anónima das 10.03h eu conheço pais que se queixam que não conseguem controlar os filhos de 3 anos (três!!!). Desculpem-me mas até fisicamente uma criança com 3 anos é incapaz de fazer frente a um pai/mãe (se a falta de educação chegar ao ponto de ter que se usar o corpo para impedir que façam algo). Eu não acho normal.
      Não compreendo como é que alguém diz que o seu filho de 3 anos se recusa a dar o tablet, se recusa a fazer o que os pais mandam e se recusa a usar roupa que não seja de marca...sim, com 3 anos.

      Em relação a mandar estudar eu também não sei o que é isso mas acredito que seja sorte. Há miúdos que nunca gostaram da escola, seja por falta de incentivo dos pais, pela culpa de maus professores, pela falta de vontade, motivação, etc... O meu adora a escola, faz os trabalhos assim que chega a casa e nem é preciso mandá-lo. É assim desde o inicio da primária. Eu até não sou apologista de tpc´s mas também não quero colocar em causa a autoridade da professora dele portanto se ela manda ele faz (enquanto não for nenhum exagero - que não é).
      Mas há pais que têm filhos menos responsáveis, com menos gosto pela escola, etc...acho que isso é uma questão de sorte com os miúdos. O problema a meu ver é quando se tem miúdos que não fazem os trabalhos e não estudam nem o querem fazer mas os pais ignoram isso e deixam passar em branco.

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  31. Eu ainda me lembro do natal em que não recebi prenda nenhuma por castigo as notas, e as escapadelas de casa. Tinha uns 13-15 anos. Agora tenho 25 e comprendo, mas ainda doi lembrar me daquele natal. Se aprendi algo sim aprendi. Mas tb fiquei revoltada e muito por ver todas as atençoes voltadas para os meus irmaos mais novos. E essa falta de atenção , e o facto de tudo o que eu fazia ou queria fazer tinha de ser facto de discução , levo me muitas vezes a tar revoltada. O sentimento de nunca ser digna de confia nça apenas porque era adolescente marcou me imenso. As vezes nem tudo è preto no branco.
    Quanto a tua atitude, a mãe es tu, tu è que sabee o que tens em casa e como lidas com isso.
    No meu caso os castigos so ajudavam a que me senti se mais sozinha.

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    1. Acho que as coisas têm de ser geridas com bom senso, sabendo-se que cada criança é diferente e reage diferentemente aos vários estímulos.

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  32. Gente,
    Não consigo responder individualmente a todos, até porque a muitos só poderia dizer um concordo ou sorrir.
    Obrigada!

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  33. Venho apenas dizer que é melhor preparar-se porque vai terminar os seus dias num lar manhoso a levar injecções com a seringa das farturas.
    Agora a sério: espero ter a sua coragem quando for preciso...porque é preciso "tê-los" bem no sitio para uma dessas (e sim, ainda há una anitos dizia que era limpinho e agora que sou mãe bem sei que me partiria o coração fazer uma dessas). Força aí

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  34. Se calhar era melhor dar-lhe mesmo um estaladão e fazer a festa. Só conversa e castigos não resolvem nada.

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