segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Em verdade vos digo

Jejuar na Quaresma, oferecendo sacrifícios ao Senhor, retirando a carne da ementa à 6ª feira, mas substituindo-a por marisco ou peixes que custam muito mais que a própria da carne, é assim... Como hei-de dizer isto de uma forma simpática? Hum... Pouco coerente? 
Qualquer católico deveria saber que, há muitos anos, a carne era alimento de gente rica, custava mais que o peixe, daí a Igreja ter adoptado este "não comerás carne". A ideia era comer frugalmente e dar aos mais necessitados o que se poupava.
Serei só eu a ver uma tolice em substituir umas costeletas de 5€ por um pargo de 20€?...

58 comentários:

  1. Em verdade lhe digo que pensava que o jejum de carne advinha de uma qualquer noção de culpa católica. Seja o que for, alguém ainda observa essa regra?

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    1. Não tem a ver com culpa mas sim com sacrifício. À semelhança do de Jesus fez pelos homens.

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  2. Não! Não és. Mas gosto da nova moda do: 40 dias a ser uma "pessoa melhor", não gritar, não meter ninguém de castigo... Os meus filhos iam adorer esse tipo de "Quaresma".
    A minha dúvida é: será que logo a seguir à Páscoa o mau feitio falta e engole tudo?

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    1. Principalmente o meu rapaz seria capaz de adorar essa ideia. Temos pena.

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  3. Não é. De todo. Ainda na passada 6ª fª falámos sobre isso, apesar de eu achar que já tinha explicado suficientemente bem o tema, na altura do Carnaval. Aqui em casa, o jejum é abdicar, pelo menos na Quaresma, de uma coisa que gostemos muito. A mais velha largou as gomas.

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  4. Isso é exactamente o que se tem discutido na minha família há alguns anos. O sacrifico é muito relativo e lembro-me de há uns anos ter lido no
    Público uma reportagem sobre os novos jejuns: pessoas que se maquilham todos os dias à sexta não o fazem, ou não ouvem música, ou deixam o telemóvel em casa, enfim, o que de facto for um sacrifício para a pessoa, e isto faz muito mais sentido.
    Se eu for comer uma boa posta de bacalhau, de salmão, de cherne ou dezenas de peças de sushi parece-me muito mais "pecaminoso" do que um bifinho grelhado, frango, por aí fora.

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    1. Eu tenho 27 anos e desde que me lembro que se diz que não se pode ouvir música nesta altura (nem comer carne).
      Eu cá faço ambos e não me sinto nada mal por isso... acho bem pior várias coisas que se vêm vários "católicos devotos" a fazerem.

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    2. Sim, o que não falta são devotos a ter atitudes poucos dignas e humanas, até.
      Eu só queria exemplificar que não comer carne, literalmente, pode não constituir um sacrifício ou jejum - se me derem sushi eu como com gula, se me derem fígado de cebolada eu vou odiar. Onde está a penitência?

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    3. Devotos e nao devotos. Isso não quer dizer nada...

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  5. Teoricamente, se for um sacrifício p a pessoa comer o pargo de 20 euros, estaria correcto :p
    Mas há p ali tanta incoerência q eu já nem comento...

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  6. Pipocante Irrelevante Delirante15 de fevereiro de 2016 às 14:24

    Benvida ao trabalho.
    Acho que o jejum ou abstinência é proposto apenas aos adultos saudáveis, mas convenhamos, essas coisas dos "jejuns" não são a sério, pois não? É para tal e coisa...

    PS: Quem me explica quando é que o bico de pato se tornou (voltou a tornar??) padrão nas fotografias?

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    1. No tempo das vacas gordas havia enchimentos de lábios com cologénio e quejandos (que desconheço, não sou fã), de maneira que o bico de pato era "natural", assegurando assim os elevados níveis de "sexydez" dos seus portadores. Atualmente é bem capaz de se estar numa fase de vacas magras, os enchimentos são coisa para custar o mesmo que um equipamento de running (desconheço, não sou fã), vai daí recupera-se a fake duck face, mantém-se o elevado índice de sexydez a custo zero.

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    2. Quem é a Benvinda? Ou isto já faz parte do novo acordo ortográfico de 2035? :P

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    3. Pipocante, se der uns €€€ aos padre fica pago o sacrificio... (ou sou só eu que acho isto a maior incongruência delas todas?)

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    4. Há muito quem o leve a sério, há. Eu limito-me a não comer mais frugalmente na 6ª feira Santa. Não levo isso muito a sério.

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    5. Pipocante Irrelevante Delirante16 de fevereiro de 2016 às 16:29

      Quer dizer, levar a sério... hoje em dia já ninguém usa cilícios nem se vergasta porque mandou uma pinocada no noivo pré-casamento, certo?
      Assim como assim, aqueles votos no casamento são mais para o FB (e convidados, e convidados) do propriamente para o Nosso Senhor lá em cima.
      É tipo aqueles reality shows, é vida real mas encenado...
      Não?

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    6. Por acaso eu levo os votos matrimoniais muito a sério. Foi também por isso que não jurei obediência.

      (Filipinas)

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  7. Pipocante Irrelevante Delirante15 de fevereiro de 2016 às 14:58

    Acho que qualquer "jejum" ou "sacrifício" com duração limitada diz bem do que achamos da Religião e dos ensinamentos de Jesus (refiro-me ao C, não ao J).
    Há um certo número de princípios pelos quais nos devíamos reger diariamente, e não apenas num período de tempo delimitado. Isto dentro da nossa falibilidade e imperfeição. Porque ser humano é isso mesmo, errar, e pecar. Arrependimento não são avé-marias ou pagar a bula ao prior, é aceitar o erro, repará-lo se possível, e tentar não o repetir.
    Mas que sei eu, nem católico sou.
    (e nem me lembro do que comi na Sexta)

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    1. Não teria escrito melhor....

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    2. PID, o que diz é o que a Igreja apregoa. Os padres iluminados, pelo menos. O resto são balelas de ratas de sacristia.

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  8. Ahahahahah TODA a vida pensei isso! Ahahahah
    É levar as coisas literalmente! Dizem carne é carne!!

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  9. É muito bonito apregoar valores cristãos, católicos, muçulmanos, budistas e não saber o porquê. A coerência não passa por lá.

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  10. Ando há anos a dizer o mesmo. Anos.

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  11. mas a Picante já reparou que aquilo é tudo muito poucochinho....mania,muita.De que lhe vale ir ao spa se depois tem aquele aspecto possidónio?um dia,chamei lhe encardida,ela não gostou...eu,pelo menos,identifico me sempre.Sempre.

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    1. Lúcia, consigo perceber que uma pessoa não goste de ser apelidade de encardida... Convenhamos que não é lá muito simpático.

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    2. Realmente não é muito simpático...embora eu até entendo o que diz acho o mesmo, da mesma forma que até acho que é simpática. Acho que não se define, quer ser tudo, e acaba po não ser nada, vê se isso nos mais pequenos detalhes, a casa, a roupa... é uma mistura de violeta, com Fernanda, e com as 9...e depois fica assim estranho...

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    3. pois,eu entendo,mas não é que nas fotos toda produzida,a senhora tem um ar bem saudável,nem parece a mesma!foi numas fotos de praia,com aquelas antigas madeixas hediondas,talvez eu me tenha precipitado.Mas em abono da verdade,os peixes não são dela,nem que se mate.

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  12. É isso! Mas como ali é tudo "para inglês ver", quis parecer mais católica apostólica romana que os demais. Como se Deus se ralasse com o que ela come, quando há tanto para reparar no que ela pratica.

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    1. Há tanto para reparar no que todos praticamos. Tenho a certeza de que era isso que queria dizer.

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    2. Não! Quis exactamente dizer: reparar no que ela pratica, perto disso, o que ela come é irrelevante para Deus.

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    3. Sim Picante, mas ela mostra mais que nós, não?

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    4. Do que eu, mostra de certeza. No dia em que me lembrasse de põr na net uma fotografia da minha filha na retrete, era o dia em que acharia bem que o pai dela me desse uns calduços.

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  13. A questão é que podia comer carne mas decido não comer.

    Não por ser um grande sacrifício mas algo que nos faz lembrar que se está na quaresma por ser um período de tempo que podemos fazer de outro modo a nossa vida... mas fica muito difícil ter de explicar algo que nos é importante mas sempre tão criticado por alguns. Todos temos as nossas crenças e costumes podíamos ser mais tolerantes sem apontar o dedo e fazer juízos de valor.

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    1. Pipocante Irrelevante Delirante16 de fevereiro de 2016 às 14:48

      Apontar o dedo e fazer juízos de valor são dois valores fundamentais da religião católica, não podemos abdicar deles!!

      (então mas se pode fazer outro modo de vida, porque não fazê-lo?)

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    2. Se há coisa que a Igreja faz é apontar o dedo. E não é possível explicar condignamente isso de não comer carne nas sextas-feiras antes da Páscoa.
      Não nos dias de hoje e com o conhecimento actual, quer conhecimento cientifico, quer antropológico.

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    3. São traduções que ficam. Cabe às pessoas inteligentes saber interpretar as coisas e afaptá-las.
      Eu não vejo o Papa Francisvo a apontar o dedo, muito pelo contrário...

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    4. Porque a Igreja católica nunca aponta o dedo a ninguém nem se escuda entre o "pecado e milagre" nem nada... Picante não podemos ver a igreja pelos actos de um homem em poucos anos (e nem sequer sabemos se aquilo não é tudo "marketing".

      Facto é que durante centenas e milhares de anos e ainda nas últimas décadas a igreja: fala mal dos homossexuais, repudia os divorciados, enquanto ao mesmo tempo encobre violadores e pedófilos, tem os cofres cheios (o estado mais rico do mundo é o Vaticano)...

      "olha para o que eu digo e não para o que eu faço"... para mim é demasiada hipocrisia junta.

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  14. Substitui se o peixe por nugets ou douradinhos da IGLO que vá se lá saber como são saudáveis... se virmos com atenção ainda fazem matchy matchy com alguma coisa...

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    1. Ora!... Com couscous, obviamente!
      Como é que não sabe isso?

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    2. Errado, Picante. Fazem matchy-matchy com as contrapartidas que elas tiram daquelas parcerias.

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  15. Pode ser de peixe...na escola das minhas filhas, sexta feira passada comeram carne - vão alternando, também para respeitar as imposições das ementas escolares - mas desde há uns anos para cá que é assim em comum acordo com a paroquia local, porque o jejum e abstinência é de algo que gostemos muito.
    Di

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    1. Pipocante Irrelevante Delirante16 de fevereiro de 2016 às 16:27

      Não estamos a falar de uma escola pública, certo?

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    2. PID, estamos sim! Escola pública, da pré à 4.º classe e numa aldeia muito ligada à igreja! :-)
      Di

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    3. Pipocante Irrelevante Delirante17 de fevereiro de 2016 às 13:28

      Ri-te, ri-te...
      Estado laico, quer seja cidade ou na aldeia.

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  16. Pipocante Irrelevante Delirante16 de fevereiro de 2016 às 16:32

    Convenhamos que há coisas piores, como fazer sessões fotográficas com crianças febris.

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    1. Sessões fotográficas com crianças como forma de venda da intimidade familiar é sempre pior, nem é preciso estarem doentes.

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    2. Isso são todas! Admira me é os pais alinharem...

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    3. Prioridades, meu caro, prioridades. Há que ganhar e fazer pela vidinha. Ou como vai pagar depois o que come?

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  17. A bem dizer, sacrifício para a Picante seria não falar mal dazoutras, perdão, abster-se de ironias e sarcasmos durante 40 dias seguidinhos, pois era?

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    1. Ora... Eu sacrifico-me lendo alguns blogs. E faço isso o ano inteiro, posso comer carne à vontade.

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  18. Vivo na Irlanda, onde, durante a quaresma as pessoas abdicam de qualquer coisa. Nunca vi ninguém prescindir da carne, que aqui peixe não se come (e é uma ilha!). Aquilo que os irlandeses "sacrificam" são chocolates, facebook e, muita raramente, porque o sacrifício seria enorme, é o álcool. Tampouco percebo.

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    1. Eu percebo. É uma forma de homenagear o sacrifício de Jesus pelos homens.

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  19. E o meu comentário sobre o post que ela apagou não foi aceite porquê?

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    1. Porque eu não faço ideia se o que diz é verdade ou não. E porque lhe chamava mentirosa.

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    2. O post ainda está partilhado no facebook se quiser confirmar. O título do post era "o meu despertador" e puff desapareceu.
      Quanto ao resto, quem lá estava viu o que se passou.

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    3. Pois está mas só lhe consigo ver o título.
      Não leve a mal, não estou a duvidar do que diz, mas é preferível assim.

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  20. Agora (não sei se é bem de agora, vá) parece que ser católico, ou praticar algumas das crenças, é a nova forma de se mostrar que é uma pessoa de bem (vulgo beto ou rico). Alguém me explica como se fosse muito burra? Quando é que esta gentinha vai perceber que 'no one cares' se elas comem peixe ou carne à sexta?

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