terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dissecando aquilo da racismo que vai-se a ver e não é

A turma do meu filho não tem qualquer aluno negro.
Na turma da minha filha, três dos alunos são negros. Digamos que são o Ismael, a Carina e a Jolinda. 
Os pais do Ismael não apareceram no dia da visita à escola, mandaram-no sozinho, era o único aluno que não tinha lá os pais e a modos que me adoptou, conversando alegremente comigo, com um à vontade e familiaridade que me fez suspeitar de que seria um comunicador excessivamente activo nas aulas. Tinha razão, eu canso-me de ter sempre razão mas as coisas são como são.
A Carina foge da escola para ir comprar gomas apesar de não ter ordem de saída, tem negativa a todas as disciplinas que não envolvem cantar ou desenhar e deveria ir a todas as aulas de apoio ao estudo mas, para desespero da mãe, não põe lá os pés. A Carina acha que os trabalhos de casa são uma seca mas mesmo que não achasse a esta altura do campeonato já não os saberia fazer. A mãe da Carina parece ser incapaz de resolver a situação,
A Jolinda? É uma aluna mais esforçada que qualquer dos outros dois mas nunca tirou uma positiva a matemática.

E nas outras turmas estes cenários repetem-se, nunca a Carina, Jolinda ou Ismael chegarão ao  quadro de honra, o mais provável é não chegarem à universidade, completar o 12º ano vai ser um desafio.

Mas há quem diga que a escola é racista. Ou que as empresas que não os irão receber são racistas. Eu? Eu reviro os olhos, penso que me falta a paciência para este tipo de conversa e que, em as pessoas sendo um bocadinho inteligentes estariam mais preocupadas em discutir o porquê dos maus resultados da Carina, Jolinda e Ismael, em dar-lhes hipóteses de competir com os restantes, ainda que tivessem de pedalar mais, Roma e Pavia não se fizeram num só dia e a vida não é justa, não sei se sabem.

53 comentários:

  1. Parece-me que além de saber quais os motivos que estão por trás dos maus resultados dos meninos, há que equacionar soluções. Senão corremos o risco de chegar à conclusão de que afinal foi a sociedade racista (que não proporcionou ensino aos pais, nem lhes deu bons empregos) a culpada, que e os filhos vão inevitavelmente passar pelo mesmo, culparão a escola, a sociedade e as empresas, que continuarão a não os escolher, é verdade, e entramos num círculo vicioso, pescadinha de rabo na boca. E andamos ali à roda, à roda, à roda,

    ... e o mais certo é enjoarmos antes de fazermos alguma coisa de útil.

    (e não, não é inevitável que passem pelo mesmo)

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    1. Obviamente que não é inevitável, Mirone. Era isso que eu queria dizer com o discutir porquês e dar-lhes hipóteses.
      A pobreza tem de ser combatida e não me refiro exclusivamente à financeira. A escola tem de ser capaz de interessar pelo menos alguns destes alunos. Com o tempo mais e mais se interessarão. E a sociedade tem de ser capaz de diminuir os guethos.

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  2. Tive na minha turma do 5º ao 9º ano um péssimo aluno, bom miúdo mas não aqueles moldes de ensino não eram para ele, eventualmente entrou na faculdade, deu-se bem naquele curso que tirou, aquilo fez-se luz naquela cabeça e hoje em dia é um Arquitecto de renome no Reino Unido. Até isto tudo, ele era problemático porque faltava às aulas, não fazia os trabalhos de casa e até tinha os pais divorciados (na altura era uma coisa de outro mundo e justificava a má educação dos miúdos). Ah, ele não era "negro" (costumo dizer preto), mas era pai de um casal divorciado e por isso todos encolhiam os ombros. O rapaz estava no seu elemento fora do sistema de ensino Português, que não é um ensino para todos, só que não há flexibilidade para mais.
    Gstei do post Picante.
    Beijinhos

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    1. Não vejo a menor preocupação das escolas em integrar alunos, para além de os misturar com os meninos ricos. Nos intervalos os meninos betinhos dão-se com os seus iguais. E é isto.

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  3. Já deito este assunto pelos olhos.
    Já agora, há quem muito fala em números e estatísticas e etcs ma parece não saber que existe o Black movie awards. E já agora 2 mulheres negras ganharam óscar e não apenas 1 como tanto tem repetido.

    Deixo o link de um artigo sobre o assunto. Inteligente, sem PC e sem proselitismo nem paternalismo. Alguns comentários também estão bons
    http://observador.pt/opiniao/nao-ha-paciencia/
    http://observador.pt/opiniao/nao-ha-paciencia/

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    1. Esse BMW foi só 2 anos, não foi? Ou estou enganada?

      Já tinha lido o artigo, gosto muito da Helena Matos.

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    2. Houve Black Movie Awards porque os atores, realizadores negros simplesmente não eram reconhecidos. Num país como os EUA é normal nunca um realizador negro ter ganho um oscar? Não.

      Já agora, qual é o mal de PC? Toda a gente acha que ser politicamente correto é horrível, não percebo porquê.

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    3. Num país onde 13% da população é negra (não sei qual a percentagem de actores negros), parece-me muito normal que a larga maioria dos Óscares seja atribuída a brancos.
      Ainda assim, consigo lembrar-me de alguns Óscares atribuídos a negros. Acho que isso é mesmo um não assunto.

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    4. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 17:04

      Acha normal o Enio Morricone nunca ter ganho um Oscar? Ou o Davidd Lynch? E o Tarantino? Nem nomeado foi este ano.

      Mas a ex-stripper ganhou à primeira, e ela nunca tinha sequer escrito um argumento antes. Deve ter sido para preencher a quota. Ou se calhar mereceu, porque aquele era o melhor argumento. Ou, ou...

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    5. Anónimo, detesto o politicamente correcto quando é hipocrita.
      Foi politicamente correcto falar o menos possível da noite de 31 dez em Colônia, por ex.

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    6. gostava só de dizer que a qualidade do Justin Timberlake é tão universal que até já ganhou um desses BMW! fantástico!

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    7. PID por acho normal nenhum deles ter ganho oscares dado que não fazem filmes comerciais. O David Lynch faz filmes surrealistas, acha mesmo que lhe iam dar um oscar? Ah e ex-stripper? Que eu saiba a profissão dela é argumentista, o que é que o passado dela interessa? Lindo. Btw o filme do Tarantino foi uma grande merda.
      Eu não estou a falar de casos individuais, estou a falar de grupos de pessoas. Por isso podemos falar de injustiças baseadas em gostos pessoais (por mim o Malick ganhava um oscar sempre que fizesse um filme), estamos a falar de "políticas" discriminatórias.
      O politicamente não serve para esconder assuntos, serve para acabar com discriminação. Ninguém negou o que aconteceu em Colónia e só espero que quem cometeu aqueles crimes nojentos seja preso (aliás sejam presos, foram vários homens). Mas se me responder a dizer que os muçulmanos são todos iguais aí, sim, uso o politicamente correto e digo-lhe que praticantes de uma religião enorme com milhões de pessoas não podem ser julgados por ações de uma minoria. Senão todos os cristão deviam ser julgados por barbaridades cometidas por uns malucos, como os que mataram mulheres e médicos numa clínica de abortos nos EUA (mas disso ninguém fala).

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    8. Não podemos é esconder assuntos por ter medo de ofender minorias.
      Não lhe respondo que os muçulmanos são todos iguais, apenas lhe respondo que os ocidentais não consideram as mulheres impuras só porque não têm o cabelo tapado. E há milhões de muçulmanos que discordam disto.
      É um facto que a criminalidade contra as mulheres está a aumentar na Alemanha ou Suécia, por ex. E e um facto que estes ataques têm partido de muçulmanos.
      Eu acho ofensivo a presidente da câmara de não sei onde, lá na Alemanha, ter feito sair um código de vestuário e conduta para as alemãs adoptarem a fim de não serem atacadas por muçulmanos. Ofensivo e extraordinariamente preocupante.

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    9. Há milhões de muçulmanos que discordam disso? Onde? Não, há leis em países que não são democráticos que seguem leis religiosas extremas, e essa é uma delas. Há muitos cristãos que acham que mulheres que fazem sexo antes do casamento vão para o inferno. Felizmente nós vivemos numa democracia e podemos mandar essas pessoas para um certo sítio. Eles não têm a mesma sorte.
      A violência contra as mulheres está de facto a subir e as pessoas que cometem crimes devem ser presas. É engraçado que em Portugal a violência contra mulheres também tem subido, mas os homens que cometem estes crimes são cristãos ou ateus.
      O que não é um facto de todo é que os muçulmanos são a causa de todos os males da Europa. A causa desses males são más pessoas. Digo-lhe mais, todas as religiões são baseadas em livros violentos, sexistas, racistas e homofóbicos. O problema não é esse, o problema é quando as pessoas seguem esses livros de forma extrema. É isso que se tem de combater, não é apontar o dedo aos muçulmanos e segregá-los, discriminá-los ou tentar mandá-los embora porque são muçulmanos. Senão vai acontecer o mesmo que aconteceu no post que referiu em relação a crianças negras serem más alunas. Frutos de segregação e discriminação na nossa sociedade.
      Por último concordo plenamente consigo, é ofensivo alguém dizer que nós temos de mudar, que as mulheres têm de se tapar.

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  4. O mais refinado racismo esconde-se no paternalismo “anti-racista”

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  5. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 14:58


    O Ismael parte em vantagem porque é rapaz. Ponto.
    A partir daí é tudo tretas new age.

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    O mais notável neste tipo de discussões é a generalização, e adequação de factos de maneira a provarmos as nossas teorias.
    Por exemplo, tivemos duas senhoras (uma delas engraçadinha) a concorrer à presidência. Desfazer de qualquer uma delas é logo interpretado como machismo. A tal generalização. Se falo mal da Maria de Belém, logo falo mal de qualquer mulher que concorra.

    Dos factos validarem a teoria. Um jovem refugiado matou uma empregada do centro de acolhimento. Ora, se eu for "feminista", grito logo "AÍ ESTÁ, HOMENS A EXERCEREM VIOLÊNCIA SOBRE AS MULHERES, MAIS UMA PROVA". Mas seu for xenófobo... ora lá está, um sacana de um árabe chega cá à Europa e a primeira coisa que faz é matar uma mulher. Ainda por cima um miúdo, eles já vêm ensinados. Ora, como vemos, o mesmo facto adapta-se a duas teorias, mas dificilmente diria que a segunda, por exemplo, é correcta.

    Dos Oscares já nem tenho paciência... nem habilitações. Não há ano em que não haja um prémio injusto, ou um óscar de "carreira". Não há ano em que o lobby X não seja acusado de exercer pressão.
    Por outro lado, não deixa de ser curioso que o sketch do SNL se centre na opressão do branco sobre o negro. Não há lá mais raças oprimidas?
    Olha, vale que pelo menos há alguma chance do melhor realizador ser um mexicano. E aquele nem teve de saltar o muro para entrar.

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    1. PID, caríssimo, ainda bem que puxou o assunto do "engraçadinha". Faço antes de mais uma declaração de interesses: não morro de amores por Jerónimo de Sousa nem pelo discurso do pcp, antes pelo contrário. Acontece que depois do buzz que se gerou tirei-me de cuidados, fui à box, puxei a emissão para trás, vi, revi, et voilá! O que o senhor disse foi que podia ter arranjado um candidatO ou candidata engraçadinha, que fosse fácil um discurso popularista. Candidatos engraçados com discursos popularistas houve mais que um. A comunicação social quis enfiar o barrete à Marisa Martins e as pessoas acharam que sim e fizeram aquilo de que mais gostam, revoltaram-se por arrastão.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 15:52

      Caríssima Mirone

      Eu interpretei como sendo um barrete para a Marisa, e devo ter razão (não tenho estudos ou estatísticas para apresentar, infelizmente).
      Até porque como sabemos, PCP e BE não são propriamente amigos, e nada tem a ver com uma questão de género. Posso dizer-lhe que recebi um panfleto do Padre Edgar, que aludia a um Governo de iniciativa PS + CDU. Mas como os vermelhos eram e são peritos na arte do delete no photoshop, também devem dar uns toques no Word.

      Mas mesmo que a Marisa tivesse sido escolhida pelo BE porque é uma carinha mais laroca que o Fernando Rosas (do discurso, sério, eles vão lá todos dizer o mesmo), o que havia de errado? Até parece que na política a IMAGEM não conta para nada.
      Mas lá está... se eu disser que a Marisa bateu a Maria porque é mais apetecível aos olhos, machista, sexista; se disser que o Kennedy bateu o Nixon porque é mais apetecível aos olhos, é política em acção.

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    3. Então foi por isso que o Sócrates ganhou, pela carinha laroca. :DDDDDD

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    4. E o Costa? Ganhou porquê?

      ahahahahahahhaah

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    5. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 16:26

      O Costa ganhou porque se colou às gajas boas. Ele sozinho não sacava nada.

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    6. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 16:27

      O Socrates:

      - era top do Sexy CM
      - era runner
      - vestia fatos de marca
      - tinha lifestyle com muita pinta

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    7. PID! Seu Xexista! Olhe que leva um tau tau!

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    8. Pipocante Irrelevante Delirante26 de janeiro de 2016 às 16:38

      Picante, nunca lhe disseram que não deve recompensar os maus comportamentos?

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    9. PID, não diga mais nada, estou convencida. Estou em pulgas para que docrates regresse à vida política activa para poder votar nele. :))))))

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    10. PID, sabia que iria gostar.
      (Sou a blogger mais machista do pedaço, é o que dizem, eu cá não sei)

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  6. Olha eu,depois de ver uma miúda de 13 anos, branca, toda contente porque o namorado de 15,branco,chumbou pela segunda vez e iam ficar na mesma turma, nem sei o que pensar (amiga das enteadas)

    Mas muitas vezes os próprios miúdos não conseguem ver as consequências de não se esforçar, porque sim, grande parte dos miúdos não se esforçam.
    Tenho duas enteadas, da parte da mãe o apoio na escola é basicamente : estudem.

    Após mais de dois anos de engonha, fortunas em explicações, que as meninas em vez de usarem para as dúvidas usavam para estudar para os testes, depois de muitas conversas comigo e com o pão (estamos no estrangeiro não tínhamos como as obrigar a trabalhar ), cansei-me.
    Cansei-me e passei-me da cabeça. Eu sei que são inteligentes, desculpa delas e da mãe, no verão passado resolvi dar-lhes razão.
    Já que as conversas a bem não deram resultado, resolvi numa big asneira que fizeram deixá las à vontadinha

    "Não se preocupem em estudar, a gente também só tem que vos pagar a pensão de alimentos mais meia dúzia de anos, depois? Depois se nao tiverem trabalho dou-vos cama e comida e têm que ajudar em casa. Mas não se preocupem, merda há sempre para limpar, na como lavar umas casas de banho bem cagadas para verem o que é bom"

    Mostrei-lhe os trabalhos disponíveis em Portugal e no estrangeiro para quem não tem um bom curso ou sabe bem falar as línguas.
    E acabei por lhes dizer.

    "Eu francamente estou me a lixar se vocês estudam ou não, não é a minha vida, é a vossa. As únicas pessoas que vão ser prejudicadas se não estudarem são vocês mesmas.

    A mais velha passou de ter 10/11 e 3/4 negas, para 15/16 com um 20.

    A mais nova passou de 6/7 negas para 11/12 e uma única negativa alta

    Fui estúpida, má, gritei, dei-lhes total liberdade de fazerem o que quisessem, estava cansada de tentar que as coisas lhes entrassem a bem. Foi p melhor que fiz. Até explicações pelo messenger dou, quando antes nem se interessavam em perguntar


    (Tenho a dizer que andam numa escola com péssima reputação, em que aqui a maioria são miúdos ciganos/sociais de todas as cores e feitios com um nível baixíssimo nas notas. O ano passado na turma da mais nova não havia ninguém que não tivesse pelo menos 3 negativas, e a nota mais alta era um 14)

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    1. Perdi-me um bocado, mas o que eu queria dizer, em final de conversa, é que pela experiência que EU tenho, não tem nada a ver com a cor da pele, nem com a inteligência ou falta dela das crianças. É que realmente enquanto não conseguirem chegar ao meio onde as crianças moram, dificilmente conseguem modificar resultados escolares

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    2. Eu não concordo com muitas atitudes de muitos pais. Uma delas é o envolvimento excessivo na escola e nos estudos.
      Não me interpretem mal mas eu ensino o meu filho a estudar. É simples. Não sou paternalista e detesto a falta de autonomia.
      Uma coisa é ir às reuniões, estar atentos, oferecer ajuda quando ela é necessária, outra é acharem que os miúdos são incapazes só porque sim e não os ajudar a autonomizarem o próprio estudo.

      Promovo no meu filho o mesmo que o meu pai promovia em mim: o "estuda". O estudar é obrigação dos filhos, sim, e detesto ver pais a estudar para oferecer de bandeja as respostas aos filhos.
      Não vou para perto do meu filho dizer-lhe "isto é aqui" e "esta é aquela resposta".

      Sinceramente já vi mães, professoras universitárias, a fazerem isto às filhas "olha filha para esta pergunta a resposta é X"... e que tal mandar a miúda reler o texto e tentar interpretar o que lá está? Fazê-los reflectir e pensar sobre o que lêem? É tão mais fácil quando os pais dão as respostas de bandeja... nem é preciso esforçar-se.
      Acho que muitos nunca dão nada da vida, nem no trabalho, nem nos estudos, nem ganham capacidade auto-critica porque não aprendem a estudar. São sempre ajudados e apoiados, nunca têm tempo de errar, de ter dúvidas e por aí fora.

      Se vou dar acesso a um explicador caso o meu filho tenha dificuldades? Sim, claro. Mas não irei promover a dependência constante de um explicador (detesto ver essas dependências e não acho que façam nada bem), um explicador serve para explicar a matéria de uma forma alternativa, personalizada, depois disso cabe ao miúdo aplicar os ensinamento, reflectir sobre os problemas. Se ao mínimo problema os enfiarmos 2 horas por dia num explicador, para cada disciplina, onde fica o tempo para crescer, para pensar, para errar?
      As únicas más notas inaceitáveis são as resultantes da falta de esforço. Se houver esforço, dedicação e se aprenda com o erro não vejo uma má nota como algo mau.

      Ps: Esta minha forma de ver o mundo veio dos ensinamentos do meu pai. Pai esse que foi obrigado pelo meu avô a sair da escola no 6º ano mas que no meu 12º ano ainda me explicava a matéria da matemática A. Chama-se ser autoditata e sempre nos ensinou isso. Ele não seguiu os estudos porque o meu avô considerava que estudar era para os malandros, portanto, ele trabalhou desde os 12 anos e estudava sozinho à noite.
      Connosco foi bem mais "mole" apoiava-nos, explicava, ajudava-nos a entender as questões para chegarmos nós mesmos às respostas mas nunca, nunca, nos deu 1 única solução fosse para o que fosse. A solução era nossa, o raciocínio também. E acho sinceramente que ele, com o seu 6º ano, era muito melhor professor do que a grande maioria dos professores que tive.

      Quer eu, quer o meu irmão sempre tivemos notas bastante razoáveis e até elevadas e sempre fomos capazes de ser criticos face à matéria dada. Nunca recebemos informação sem a analisar e sem a "criticar".
      O meu irmão,p.ex, é capaz de resolver problemas de Geometria Descritiva que o próprio professor lhe dizia que não entendia como ele tinha chegado aquela forma de resolução (mais fácil e mais intuitiva). E acabou por pedir ao meu irmão que lhe explicasse a ele e à turma a forma como resolvia os problemas.
      Desculpem-me o à parte mas eu sinto um grande orgulho nas capacidades do meu irmão e, sim, foram auto-promovidas, foi com o pensamento e esforço dele. Ele não se adaptava, não encaixava o método do professor...arranjou solução alternativa à maneira dele.

      E é isto que acho que faz falta às escolas, aos professores e a muitos pais: promoverem a autonomia dos miúdos. Obviamente ajustando às capacidades dos mesmos mas sem deixarem que as bengalas se tornem "bens obrigatórios" sem os quais não se sabe fazer nem pensar.

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    3. Esse é o tipo de discurso que eu faço aos meus filhos. A vida é vossa, as notas são vossas, eu já tirei as minhas.
      Mas eles são uns privilegiados, não é justo comparar a maneira como sempre foram estimulados em casa com a realidade da Carina ou do Ismael, por exemplo.
      Mas percebo perfeitamente o que quis dizer, eu também não ampararia golpes a mandriões, as crianças têm de ser responsabilizadas desde cedo.

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    4. Anónimo das 16.14h, às escolas faz uma imensa falta ensinar os miúdos a pensar. Pô-los a resolver problemas, ao invés de lhes debitar matéria para decorar. Tem toda a razão.

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  7. Ora, e são só esses três que têm dificuldades? Ora pense lá bem... se calhar há mais um branco ou dois que também não são assim, vá, muito brilhantes.

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    1. Ora, Beatriz... Esse não é de todo o ponto.

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    2. Que estupidez! Claro que há brancos na mesma situação, mas ninguém pergunta porque é que esses brancos não estão no quadro de honra? Captou?!

      A discriminação positiva mete-me nojo! Mais que a outra, porque além de discriminação é hipocrisia.

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  8. Assim como o Obama foi eleito pelas suas políticas e não pela cor da pele.

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  9. Tão fina, tão fina e vai-se a ver e tens os filhos numa escola pública. És de chorar a rir.

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    1. Por acaso sou mesmo de chorar a rir. Pergunte a quem quiser. A Picante? Ah! A Picante tem um fino sentido de humor, é de chorar a rir.

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    2. Onde é que a picante diz que os filhos andam numa escola pública?
      É por ter negros? Não é nada racista esse comentário!!

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    3. Não, não é por isso, que redutor! Podiam ser pretos, brancos ou amarelos, através daquela descrição do comportamento (sair sem autorização, faltar às aulas de apoio), percebe-se que aquilo não se pode passar num colégio, percebeu? Já agora, aos pretos, chama-se de pretos, assim como aos brancos se chama de brancos.

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    4. Acho que não é racista, é só parvo, mesmo.
      Toda a gente sabe que a escola pública é uma espécie de lixeira para onde vai o lixo social. Só que não.

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  10. Conheço negros que fazem uma vida igualzinha à nossa. Estudam, trabalham, nada de novo portanto. E conheço brancos que nada fazem, que já têm o carimbo de coitadinhos na testa porque em suas casas não há a preocupação de tentar fazer melhor, porque se apoiam no "sistema" para dele se aproveitarem, e que não parecem ter perspectivas de mudarem de comportamento. Claro que me refiro a uma minoria, tanto de um lado como do outro. Mas a verdade é que sempre existirão esses comportamentos. Por muito que haja informação, haverá sempre indivíduos que optam por viver de uma maneira mais despreocupada. O que não venham é exigir dos outros facilitismos. No pain no game.

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    1. Eu também.
      (mas, numa escola onde a 98% dos meninos são brancos é pouco razoável esperar que os melhores sejam negros. Condições de vida à parte é uma questão de probabilidades)

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    2. Desculpe a correcção, mas é "no pain, no gain".

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  11. Ninguém quer quotas. Mas tem de se ir ao cerne da questão e perceber porque é que as crianças negras em Portugal têm piores notas que os seus colegas brancos. Provavelmente por terem piores condições, por viverem em zonas segregadas... Enfim, é isso que tem de se combater

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    1. Na turma da minha filha, 5º ano, há crianças brancas, negras, chinesas, de leste, indianos e ciganos. Nos melhores alunos (90-100% em todos os testes) estão crianças brancas, negras, indianas, chinesas, e de leste. Os piores alunos são os ciganos. No quadro de honra (alunos de 5 a quase tudo) há crianças brancas, negras, indianas e chinesas.
      Os ciganos são os piores alunos (há muito poucos, 5º ano..., e faltam muito).
      A melhor amiga da milha filha é negra e uma aluna brilhante.
      Picante acho que a sua amostra não tem significado absolutamente nenhum. é um outlier.
      A da turma da minha filha talvez tenha, pois nesta escola mais de 50% dos alunos são negros.E os brancos serão numa % inferior a 20%.
      Haverá, numa população negra, alunos brilhantes, alunos excelentes, alunos muito bons, alunos bons, alunos satisfatórios e alunos maus.
      Se a distribuição é identica em ambas não sei, mas caminhamos para lá.

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    2. A minha amostra nao pretende ser significativa. Pretende apenas mostrar que numa sociedade maioritariamente de uma cor de pele a fraca presença de outras cores em prémios de mérito pode não ter nada a ver com racismo.

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  12. Sim! eu também acho que se deve ver e fazer algo para que os miúdos brancos ou negros, tenham todos as mesmas hipóteses, sei de muitos miúdos negros e brancos que se lhe dessem as mesmas condições, até tinham capacidades para estar no quadro de honra, mas hoje quer alguns pais quer algumas escolas não estão minimamente preocupados com isso, é o deixa andar e depois não obtêm resultados. A escola, a assistência a quem necessita, quer a pais ou alunos, a ajuda psicológica devia ser além de gratuita obrigatória.

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  13. Deviam sofrer na pele o racismo e já não pensavam assim nem tão pouco elogiavam helena matos, uma racista e colonialista do pior nesse artigo

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    1. Já sofri racismo na pele. Sou branca. Parecem esquecer-se que não só os negros que são vítimas de racismo

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    2. Eu também já fui vitima de racismo, ou melhor, xenofobia. Mais uma vez a carta do "coitadinho de mim porque sou preto"? É irritante.

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  14. A minha mãe dá aulas a uma turma bastante heterogénea num centro escolar do primeiro ciclo de uma das maiores cidades portuguesas. Nessa turma de quinze alunos estão incluídos dois miúdos de etnia cigana.
    Ao contrário do que a minha mãe pensava, não são os pais dos ciganos aqueles que se demonstram mais esquivos , são os próprios brancos os mais desinteressados com a educação dos filhos... melhor, aquele grupo de mães brancas que levam sapatilhas para a caminhada, (apelidado pela freguesia de "A Trupe") que vai levar e buscar os seus filhos brancos à porta da escola, não trabalham nem querem trabalhar, ficam sentadas na pastelaria em frente à escola até à hora do almoço.
    Nunca apareceram em nenhuma reunião (a minha mãe já dá aulas a esta turma há três anos), nunca pagaram a caixa escolar (aparentemente é obrigatório que todas as crianças do primeiro ciclo paguem uma módica quantia para despesas em cartolinas, papel para a fotocopiadora etc etc), nunca assinaram a caderneta com os recados que a professora foi deixando... enfim… A minha mãe sinalizou no agrupamento de que há umas quantas fichas informativas de final de período e que há uns quantos caloteiros que não pagaram a dita caixa escolar e quais foram as consequências para essas ditas desinteressadas mães? Nenhumas. Pobres mães que estão a ser mártires da professora!

    Isto não é racismo perante os brancos?

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