quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

De todas as coisas que eu não percebo

É por que raio insistem em comparar casais hetero que espancam e abusam dos filhos com casais gay modelo, a fim de defender a adopção por casais do mesmo sexo.
Convicções à parte, que não tenho tempo para trezentos e noventa e dois comentários, a maioria dos pais biológicos até fazem o melhor que conseguem, ou não? O grosso das crianças não é dada para adopção, ou é?
Se o que está em causa é o superior interesse da criança, qual é exactamente a razão para a comparação (em debate) não ser com o óptimo? Ou afinal apenas se pretende defender o superior interesse do adulto? Caramba, ele há argumentos que nem ao diabo lembram.

74 comentários:

  1. Então, porque comparar o incomparável é que é um exercício de inteligência apenas ao alcance de mentes iluminadas. As cabecinhas medíocres e de inteligência limitada é que têm de se contentar com o exercício óbvio de comparar o comparável.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E depois queixam-se quando uma pessoa diz que não tem paciência...

      Eliminar
  2. Por dúbia que possa ser, a comparação é feita entre a realidade numa instituição das crianças que estão disponíveis para adopção (normalmente vindas de famílas desestruturadas) com uma possível realidade de vida em família gay, estável e disponível.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não. Já vi carradas de comentários com comparações feitas tal e qual descrevo em cima. Do género "nas há pais hetero que maltratam os filhos, as crianças estariam melhor com pais gay carinhosos"
      Além de que a larguíssima maioria das crianças que estão em lares não estão disponíveis para adopção. Os pais biológicos encarregam-se de os visitar 2 vezes ao ano de maneira a impedir o processo. Isso é que deveria ser a primeira coisa a ser mudada, na minha opinião. Agilizar o processo de adopção.

      Eliminar
    2. Sempre ouvi e é na perspectiva do anónimo que falo. Nunca nessa situação.

      Eliminar
    3. Pois há dois dias (e sempre que o assunto vem à liça) que vejo nos comentários dos jornais online uma série de pesdoad a dizer que as crianças abandonadas e maltratadas que são dadas para adopção são filhas de casais hetero. Parece-me uma afirmação um bocado la palissiana, a larga maioria das crianças é concebida de formsa natural/biológica e como tal pressupõe a existência de um homem (e até na procriação medicamente assistida tem de haver um óvulo e um espermatozóide). E sim, também li várias vezes "antes ser adoptado por um casal gay do que ficar abandonado numa instituição ou ser adotado por um casal hetero que o maltrate", como se os casais hetero, à partida, se candidatassem à adopção para depois maltratar as crianças. Isso é tão absurdo como dizer que os gays só querem adoptar uma criança para depois a submeterem a abusos.
      Há pessoas heterossexuais capazes da maior das ignomínia relativamente a crianças tal como há gays capazes do indizível. Não me parece que sejam esses que se candidatam à adopção.
      Um casal gay não é, só por esse facto, mais capaz de criar uma criança ou porque as crianças adoptáveis forem maltratadas ou abandonadas por um casal Heterossexual.
      Uma pessoa é capaz e apta a adoptar a partir do momento que possui condições (materiais - sim, só o amor não chega- e emocionais) para proporcionar à criança um crescimento estável, seguro, saudável, emocionalmente equilibrado. É isso que tem de ser ponderado quando se fala em adopção, encontrar alguém que garanta o interesse superior da criança em crescer num ambiente que lhe proporcione estabilidade emocional e segurança.

      Eliminar
    4. Concordo com tudo mirone. Mas a questão é q sp q o assunto vêm à baila há comentários cretinos de ambos os lados.
      A lógica é essa. Há bons pais heterossexuais assim como os há homossexuais, e o mm se aplica a maus pais.
      Tal como vão sp haver pessoas a defender a adopção por homossexuais com argumentos parvos assim como os há contra essa mm adopção (alguns até bem medonhos).
      Para mim esse é o ponto, a cretinice n escolhe raça, sexo, religião, tendência sexual, profissão (ou trabalhar no público ou privado). Há pessoas parvas e há as outras, ambas estão em todo o lado.
      E depois há argumentos fracos, q por norma são p refutar outros igualmente fracos ou parvos até.

      Eliminar
  3. Ufaaaa que não sou só eu que penso assim! Ora, como em tudo, havera pais melhores e piores, mais e menos atentos, mais e menos esforçados... Mas se isso terá a ver com a orientação sexual? Duvido!
    Acho é que quem adopta o fará em consciência e terá imenso amor para dar a uma criança que certamente necessita desse amor. E isso também não estará relacionado com a orientação sexual, digo eu.
    Para mim, a orientação sexual era um ponto que nem devia entrar na equação.
    Ha um casal (amarelo, azul ou às bolinhas) interessado em adoptar? Tem condições para tal? Siga, que ha crianças a precisar
    Lia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu confesso que tenho algumas dúvidas. Acho que tem de ser sempre assegurado o superior interesse das crianças. Nenhum dos estudos que vi me convenceu do contrario.
      Concordo que 2 pais carinhosos são melhores que um lar, isso sem dúvida. Só ainda não sei se, havendo mais pais que crianças (que há, não tenhamos dúvidas), se a coisa deverá estar em igualdade.

      Eliminar
    2. Agora perdi-me, Picante...

      Eliminar
    3. Quero dizer que não tenho uma posição completamente fechada sobre este assunto.
      À partida sou a favor, não acho que uma pessoa, por ser gay, não seja capaz de criar uma criança num ambiente estável. Com certeza que tendo as condições financeiras e emocionais será.
      A minha única questão, sobre a qual não estou ainda convencida, é se havendo 2 casais, um hetero e um gay, onde ficará melhor a criança. Só isso. Não tenho a certeza se, em cima de tudo com o que já lidou, a criança não tenha também de lidar com a discriminação das restantes crianças. Tal como disse, os estudos que vi apenas diziam que não havia diferenças muito significativas, o que eu quero ouvir é que não há, de todo, diferenças.

      Eliminar
    4. Mas se não lidar com discriminação por ter pais homossexuais, lida por ser gorda, por ser magra, por ser marrona, por ter más notas, por ser de uma etnia diferente, por ser feia, por ser gira... A discriminação não acaba de um dia para o outro, mas tem que se lutar para que acabe!
      Agora a questão de haver 2 casais, a decisão não pode ser por um ser gay e outro hetero. Isso é discriminação.

      Eliminar
    5. Anónima, a discriminação do gordo/magro, giro/feio é impossível de evitar. Esta é evitável.
      O que está em causa, o que deve ser sempre equacionado na minha opinião, é o superior interesse da criança. Nunca o do adulto. Se isso implicar discriminar, lamento.
      Não tendo opinião formada sobre o assunto da adopção pelas razões atrás mencionadas, tenho uma opinião formadíssima sobre isto: a criança deve estar SEMPRE em primeiro lugar. SEMPRE.

      Eliminar
    6. É evitável? Eu concordo, eu acho que o bullying é evitável. É as escolas começarem a combatê-lo :)
      Se um casal heterossexual se quiser divorciar, deve não o fazer por o seu filho poder sofrer de bullying?
      E já agora com esta lei a criança está sempre em primeiro lugar. SEMPRE. Tem maiores chances de ser adotada. Porque há por aí muitas crianças que querem ser adotadas e não há casais que o possam fazer. E não falo de bebés - porque é obviamente a primeira escolha para caisas que querem adotar - mas crianças mais velhas e mesmo adolescentes. E se diz que não basta ir ver quantas crianças estão no sistema.

      Eliminar
    7. Eu acho que está tudo dito quando se fala no direito de um casal gay adoptar. Ninguém fala no direito de um criança ser adoptada por um casal gay... O foco é sempre nos gays e nunca na criança. A mim parece-me uma crueldade enorme sujeitar uma criança a comentários na escola por ter 2 pais ou 2 mães, e todos sabemos que isso acontece. Claro que há discriminação pelo gordo, pelo feio e por outras coisas mas aí estamos a falar de coisas diferentes, não estamos?

      Eliminar
    8. Há uns anos atrás eram apedrejados e maltratados por serem filhos de casais divorciados. Vamos todos proibir o divórcio...é o melhor.

      O superior interesse da criança é ter figuras de vinculação. Isso a literatura diz. E a ciência também mostrou e comprovou inúmeras vezes que não há diferença nenhuma.

      Mas o bullying irá existir sempre enquanto não se confrontar o mesmo e quem é o responsável por ele: pais que educam os filhos a serem discriminadores. Por algum motivo na escola do meu filho existem miúdos que dizem que o roxo e o rosa são cores de meninas... vê-se mesmo o nível intelectual dos paizinhos...secalhar também é melhor proibirmos pais com défices cognitivos ou culturais de terem filhos..

      Já agora, o bullying é culpa do bullie e não da vitima. Porque quem quer discriminar arranja sempre maneira de o fazer... não há "Motivo" o motivo é só desculpa para exteriorizar muitos problemas, nomeadamente e principalmente, problemas que vêm da educação parental (todos os bullies têm pais com um determinado padrão comportamental e não é coincidência)

      Ps: Já agora, o que se faz às crianças que são filhas de pessoas homossexuais (de relacionamentos anteriores), o que se faz às crianças que são filhas biológicas de uma homossexual e que fica em termos legais desprotegido se a mãe/pai morrer, mesmo que a esposa da mãe/pai, que assume como mãe toda a vida, que é uma figura de vinculação, não poder ficar com a guarda? Porque isto é uma realidade actual.
      Crianças que vivem com casais homossexuais existem e estão desprotegidos perante a lei. Se o pai/mãe biológico morrer, a pessoa que assumiu a criança desde o nascimento ou que vive com essa criança desde sempre não tem direito a ficar com a criança e a mesma poderá ser enviada para a adopção, poderá ser retirada da casa onde sempre viveu, da pessoa que conhece como pai/mãe. Além de estar a lidar com a perda de um dos pais irá perder o/a outro/a... isso é o superior interesse da criança? Onde é que ele fica? Há já sei...fica ali na Igreja... mesmo ao lado do suposto estado laico.

      Eliminar
    9. A minha filha anda num colégio católico, tem colegas cujos pais são divorciados, colegas que os pais estão juntos e casados, juntos e não casados, sem irmãos, famílias numerosas, chineses, negros e soube no outro dia por ela que um dos colegas tem duas mães. Dito como teria dito que o não sei quantas vai ter uma irmã, ou a não sei quantas vai de férias não sei para onde. Disse: mãe, o não sei quantas, a mãe dele disse não sei o que, e a outra mãe não sei que mais, sabes mãe ele tem duas mães. E continuou e o não sei quantas não tem pai! E eu: deve ter amor, os pais não devem viver na mesma casa... E ela: não mãe, não tem mesmo. E pronto. Nenhum problema, nenhum juízo de valor. É isto. As crianças discriminam quando são educadas para discriminar. Antes discriminávamos os filhos de pais divorciados e discriminávamos os homossexuais, agora já ninguém normal liga. Na altura dos nossos filhos serem adultos já ninguém vai discriminar os filhos de mães/pais solteiros e os filhos de casais homossexuais, vai ser só mais uma variante do normal (leia-se normal aqui como o normal da estatística). As crianças institucionalizadas precisam de ser adoptadas por quem as queira como filhos do coração, sejam heterossexuais, homossexuais, casais ou sozinhos.

      Eliminar
    10. Anónimo das 16:14 isso tudo que escreveu não é verdade e já está assegurado por lei pela coadoção que já está aprovada à muito tempo....

      Eliminar
    11. Acho q o ponto da saresca é mm o importante. As crianças descriminam pq vêm alguem fazer isso, isto é, aprendem com alguém . Sozinhas nunca o fariam...

      Eliminar
    12. Só é pena os gays quererem ter direito de existir e eu não ter direito de não concordar. Para uns os lobbies validamente tudo, para os outros não aceitar é descriminar

      Eliminar
    13. Sério que acha mesmo isso? Direito de existir? Sério?

      Eliminar
    14. É pena existir muitos como o NR a tomar decisões neste país: baseados nos estereótipos e não em verdade cientifica. Por isso é que Portugal é o que é...

      Eliminar
    15. Isso explica a preocupação do NR com as crianças serem gozadas na escola. Como se dizia acima...a maneira como são educadas...
      Enfim.

      Eliminar
  4. Pipocante Irrelevante Delirante27 de janeiro de 2016 às 11:26

    Dois pontos:
    nunca concordei do modo como o processo foi conduzido*. Se bem nos lembramos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi passado na Assembleia com um pressuposto de que não iria ser seguido pelo processo de adopção. Isto porque os signatários sabiam de antemão que havia quem defendesse o casamento, mas não a adopção. Foi uma verdadeira Taveirada. Mentiram (desculpem... omitiram a verdade, realmente nunca disseram que NAO, mas nunca assumiram o SIM) aos portugueses. E às portuguesas.

    Da adopção, quem sou eu para dizer o que é uma família funcional? Por essa ordem de ideias, tirava-se a criança a um viúvo. Ou que estabilidade tem um filho de um casal divorciado? Cada caso é um caso, desde que existam condições (económicas e psicológicas) para um casal ter um filho, siga. E não é por haver "muitos que precisam", é mesmo por ideologia. Certamente que muitos casais do mesmo sexo vão fazer m###a a educar os petizes, muitos haverá que se fartam ao fim de meia dúzia de meses, mas o risco existe com casais de sexos diferentes. Quantos conhecemos que namoraram durante anos, fizeram planos e mais planos, casaram, e ao fim de uns tempos se separaram? Prever o futuro é difícil, senão mesmo impossível.

    *aliás, não é caso único em assuntos fracturantes. Já o aborto foi o que foi, com cada argumentação, de ambos os lados, que não lembrava a ninguém. Do tipo, a mulher é que deve decidir sozinha, o homem nem deve ser chamado, não tem palavra a dizer.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O BE sempre quis isto. Sempre. Aquilo foi um entrar de mansinho.

      Eu acho que ainda não houve uma discussão honesta e aberta sobre este assunto. Ideologias e populismos à parte. E o público não está informado, as pessoas acham que com a aprovação da lei o grosso das crianças que actualmente estão à guarda do Estado passarão a viver em famílias. Isso pura e simplesmente não é verdade, a maioria delas não são adoptáveis por variadíssimas razões (irmãos, falta de consentimento dos pais biológicos, idade, deficiências, etc).

      Eliminar
    2. Sim, picante, não vão ser todas adoptadas. Mas algumas vão. Aliás, desde que se permitiu que pessoas sozinhas adoptassem (o que também foi uma heresia para alguns na altura) algumas crianças foram adoptadas que provavelmente não teriam sido (porque eram mais velhas, tinham problemas). A maioria dos casais que quer adoptar quer, naturalmente, crianças saudáveis e pequenas. para as pessoas sozinhas isso as vezes não é um problema, porque o contexto e outro. Conheço alguns casos. Crianças que estão muito bem, e após a adaptação afinal nem tem os problemas que se pensava que tinham, só não tinham um vínculo, um cuidador é um seguimento apropriado.

      Eliminar
    3. Será verdade, Saresca. Mas, em igualdade de circunstâncias eu daria a criança ao casal, não à família monoparental. Daria sempre prioridade a um casal.
      Não quer dizer que seja contra a adopção por pessoas singulares, qualquer família capaz é melhor que um lar, disso não tenho a menor dúvida.

      Eliminar
  5. Sou lésbica e acho esse argumento patético.
    Aliás, acho quase todos os argumentos excessivos quando se pode resumir a uma coisa tão simples: sou lésbica e isso não me torna nem melhor nem pior do que ninguém, muito menos me retira, ou acrescenta, capacidades. Sei que quero ser mãe e sei que darei o meu melhor nesse papel, tal como daria se fosse heterossexual.
    Acho que já é tempo de olhar para a orientação sexual de cada um como uma coisa natural. É um pequeno pormenor, apenas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As mulheres, em sendo saudáveis, têm a sorte de poder sempre ser mãe. Basta quererem.

      Eliminar
    2. Filipa, se quer ser mãe arranja um homem que lhe dê os espermatozoides e tenha um filho...Sem um óvulo( mulher) e um espermatozoide(homem) nunca haverá filhos

      Eliminar
    3. Mas quem vos disse que a Filipa quer ser mãe sozinha??? Se ela tem uma companheira ou mulher, poderá querer que o filho não seja filho biológico apenas de uma. E aí a adopção é opção a seguir. Porque não o poderá fazer????

      Eliminar
  6. Quais são os contras que se alegam no que diz respeito à adopção por casais do mesmo sexo?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom há vários. A maioria bastante estúpidos, diga-se de passagem.
      O mais razoável, a meu ver, será a possível discriminação e impacto emocional em lidar com uma família diferente, minoritária na sociedade.

      Eliminar
    2. Compreendo a parte da eventual discriminação, mas não a do impacto emocional. Conheço tantas famílias diferentes! Mães solteiras, netos criados pelos avós, pais divorciados,pais ausentes, etc. Há um impacto emocional a gerir em cada caso. Este seria mais um, com o bom senso e ajuda necessários.

      Mas não me posso alongar, pois conheço mal os contornos da situação que se está a discutir.

      Eliminar
    3. O que há mais são famílias diferentes. E famílias com dois pais e duas mães, que só não podem os dois registar as crianças.
      E as crianças podem sofrer discriminação por tanta coisa e tantas vezes por nada, só porque se tornou um alvo dos bullies.
      Continuo a achar que esta razão não é razão.

      Eliminar
    4. Então coitados dos que são criados pelas avós, só pela mãe ou só por um pai, por um tio, por um familiar distante, etc...e, no entanto, a literatura tem vindo a afirmar que o essencial é haver uma figura de vinculação forte, presente e constante...

      E podemos falar do impacto emocional nas crianças abandonadas em colégios internos porque dá mais jeito aos pais ter filhos mas não ter que os ver/aturar muito tempo? (É que nestes não há figura de vinculação presente, constante e muito menos cuidadora)

      Eliminar
    5. Mas eu nao tenho dúvidas que é melhor um pai é uma mãe que um tio ou um avô. Acontece que isso às vezes não é possível. E que o tio é melhor que um lar.

      Eliminar
  7. Para mim a questão é: há critérios que as pessoas têm de preencher para que possam ser consideradas como eventuais adoptantes. Critérios esses que foram estabelecidos "no superior interesse da criança" e que são tanto objectivos como subjectivos. A orientação sexual das pessoas não deveria ser um desses critérios. A partir do momento em que alguém os preencha e se considere apto segundo esses critérios, pode adoptar. Até porque, hoje em dia, já existem gays e lésbicas que adoptam sozinhos, mas quem tem o título legal de pai/mãe é quem adoptou e depois vive com outra pessoa que também é pai/mãe daquela criança, mas não goza dos mesmos direitos. Bem como há casais heterosexuais que vivem ambos com os seus filhos, pais/mães heterosexuais solteiras, etc... há já uma diversidade de "famílias" para todos os gostos, feitios e combinações possíveis. Aqui trata-se de reconhecer legalmente este tipo de família e colocá-la ao mesmo nível das outras. O que é legítimo e justo, uma vez que a situação "de facto" é a mesma, logo, a situação de direito também o deve ser.

    O processo de adopção é rigoroso e demorado. Muito mais exigente do que quem biologicamente engravida e decide ter um filho, muitas vezes não no "superior interesse da criança". Acho que se há casais, ou pessoas sozinhas, que passam esse processo e foram considerados, pelas entidades competentes, como aptos para tal, devem poder fazê-lo, independentemente da sua orientação sexual (e considerar que essa é um factor decisivo e nocivo para o "superior interesse da criança" é desautorizar e diminuir tantas e tantas famílias de pais homossexuais e miudos felizes, que têm tanta hipótese de vir a ser prejudicados pela família que têm como os filhos de um casal heterosexual).

    ResponderEliminar
  8. "É por que raio insistem em comparar casais hetero que espancam e abusam dos filhos com casais gay modelo, a fim de defender a adopção por casais do mesmo sexo." É simples, é a resposta para o "dois homens juntos ou duas mulheres juntas é anti-natura e as crianças precisam de um de cada". Já foi provado por vários estudos fidedignos (cá em Portugal o da ordem dos psicólogos) que as crianças reagem tão bem a famílias com pais homossexuais como com pais heterossexuais. Não percebo sinceramente do que as pessoas têm medo, todos os medos irracionais já foram desmentidos. A partir do momento em que pessoas solteiras podem adotar crianças (ou seja a criança vai ter "só" uma mãe ou um pai), qual é o problema de pessoas homossexuais adotarem?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem mais! O argumento só é usado face a um argumento tão vazio quanto o que refere.
      Maria Luz

      Eliminar
    2. Penso que a questão é compararem casais hetero abusadores com casais gay modelo. Evidentemente essa é uma situação em que o casal gay é manifestamente mais apto para criar uma criança. Já se compararmos um casal hetero modelo com um casal gay abusador (os abusos não conhecem orientação sexual, existem onde há falhas de carácter) é óbvio que o casal hetero está de longe mais apto. Estamos, portanto, a comparar situações que, passo a redundância, não têm comparação.
      Parece-me que a questão que a Picante quis levantar se prende com saber se entre dois casais modelo, um hetero e outro gay, há um mais capaz de garantir que o superior interesse da criança é realizado (porque é a realidade que não pode ser perdida de vista quando se fala de adopção, o superior interesse da criança) ou se estão em absoluta igualdade.

      Eliminar
    3. Nem mais, Mirone.
      Lá em cima já me responderam que sim, que têm de estar em igualdade porque senão isso seria discriminar os homossexuais. Isso, na minha opinião, é irrelevante. O que deve estar em primeiríssimo lugar é o superior interesse da criança. Sempre.

      Eliminar
    4. O problema Picante é que o que está em causa não é o superior interesse das crianças mas o superior interesse dos casais homossexuais que querem ter filhos como os casais heterosexuais mas nunca vão poder porque dois homens ou duas mulheres não fecundam.....
      E também não acho correcto por em igual circunstancia casais heterosexuais que não conseguem ter filhos e a última alternativa é a adoção com casais homosexuais.

      Eliminar
    5. Mas não é irrelevante. Claro que o interesse da criança está em primeiro lugar, mas parece-me que a partir do momento em que a criança tenha um lar em que vai ser amada e cuidada... o seu interesse está garantido.
      A partir do momento em que está a diferenciar pessoas heterossexuais e homossexuais só pela orientação sexual está a discriminar. E isso é relevante, porque a discriminação nunca é positiva ou verdadeira. Era o mesmo que dizer que uma criança branca deveria ir para pais brancos por causa da raça. Como é que esta discriminação pode ser irrelevante? Tal como a raça, o que é que a orientação sexual tem a ver com a capacidade de dar um bom lar, amor e ter a capacidade emocional e financeira para criar uma criança? Os direitos humanos são irrelevantes?
      Mostre-me um estudo (por favor, não feito ou financiado ou patrocinado por igrejas) em que um casal homossexual está menos apto para cuidar de uma criança por ser homossexual. Em que a criança possa vir a ter distúrbios, possa passar pior, possa não ter uma infância normal e com memórias por os seus pais serem homossexuais.
      E se a resposta for "bullying" aí não é um problema dos pais, mas da sociedade. E o problema não pode ser posto para debaixo do tapete, tem de ser combatido.

      Eliminar
    6. "E também não acho correcto por em igual circunstancia casais heterosexuais que não conseguem ter filhos"
      Portanto, a adopção por casais homossexuais deveria ser algo secundário mas colocamos em primeira opção casais heterrosexuais, para quem adoptar uma criança é somente uma segunda opção? Belo argumento. Não sei se sabe mas a grande maioria dos casais inférteis nem sequer querem adoptar... vamos obrigá-los? Se calhar as crianças ficavam melhores com eles do que com os homossexuais... Sinceramente, os argumentos contra são irritantes, preconceituosos e ignorantes.

      E que tal serem os critérios todos os mesmos para todos os casais e garantirmos que não entram no processo pais que devolvem crianças porque o mesmo não se deu com o cão da familia ou porque tem más notas? (ambos casos que aconteceram recentemente em Portugal).

      De resto, há inumeros estudos cientificos válidos, feitos de forma longitudinal ou em adultos que foram criados com homossexuais e os resultados têm sido sempre idênticos e vão todos no mesmo sentido: não há diferença absolutamente nenhuma.
      Picante, desculpe mas se não encontra, procure e leia bem... porque existem aos milhares em termos internacionais.

      Infelizmente em Portugal continua a colocar-se o preconceito e a religião como um "belo" argumento fazendo exatamente aquilo que dizem não querer fazer: ignoram o bem estar e o superior interesse das crianças. Se o tivessem em consideração haveria muitas leis que deviam ser mudadas e a adopção por casais do mesmo sexo nem sequer era tema de debate.

      Eliminar
  9. O problema, querida Picante, é que o que querem fazer imperar é o "superior interesse das minorias", que não o das crianças... E é uma pena...

    ResponderEliminar
  10. Pois, o problema é esse mesmo, Picante. É que, no fundo, bem no fundo, quando se fala da adopção de crianças pelos casais gay fala-se em propor uma situação análoga aos casais hétero, como se isso fosse mais um passo no sentido de provar a legitimidade/aprovação social da relação. Não se pensa exactamente no superior interesse da criança.

    ResponderEliminar
  11. Concordo plenamente! É isso, e dizer: quem abandona as crianças são os casais heterossexuais. E sabe o que eu digo? Se os homossexuais pudessem ter filhos biológicos também o fariam. Mania está de de que de repente TODOS os homossexuais seriam exímios pais. Há bom e mau em qualquer sítio.

    ResponderEliminar
  12. Gentes... não vos consigo responder individualmente, as minhas desculpas.
    Gostava que houvesse um debate sério e não ideológico sobre este assunto.
    Como afirmei, este é um dos poucos assuntos fracturantes sobre o qual não tenho uma posição definitivamente formada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E acima de tudo, gostaria que resolvessem a questão de bastar os pais biológicos visitarem os filhos de 6 em 6 meses ou lá o que é para impedir a adopção. Essa é a verdadeira razão porque há tanta criança em lares.

      Eliminar
    2. Essa sim picante, é uma questão importante e que devia ser alterada. Um pai que visita uma criança de 6 em 6 meses não é pai. É uma besta.

      Eliminar
    3. Igualmente para os que os metem em colégios internos. Aliás os colégios internos já teriam sido abolidos se se pensasse no superior interesse das crianças.

      Eliminar
    4. A sério? Às vezes fico parva com o que leio.

      Eliminar
  13. Ora vamos lá acabar com as dúvidas em 3 tempos: ninguém é racista, nem preconceituoso e que sim as crianças precisam todas de um pai e de uma mãe, caso contrário viram umas tontinhas que nunca integraram o quadro de honra de uma escola. Chega? Pronto. Acalmai as vossas cabecinhas cheias de medo e de dúvidas sobre que é melhor para vocês. M.L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A pergunta que coloco é perfeitamente legítima. Deveria ser feita sem medo de ferir susceptibilidades. Pelo menos se o que está em causa é a criança.

      (e é uma dúvida que tenho mesmo, não sei a resposta)

      Eliminar
    2. Fora de ironias, existem estudos internacionais que comparam casais heterossexuais "normais" com casais homossexuais "normais", em estudos longitudinais e chegaram à conclusão que crescer com casais homossexuais ou heterossexuais não era diferente em nada no que diz respeito à orientação, educação, forma de ser e de estar, etc. Também não influenciava em nada as questões de desenvolvimento psicológico, felicidade, bem-estar, etc.

      A única diferença era a maior aceitação das diferenças por parte de quem tinha pais/mães homossexuais. Mas não sei se tem realmente a ver com alguma diferença em termos da educação pura ou simplesmente pelo meio e pela forma de crescimento.

      Em termos nacionais, uma das referências em estudos nesta área é o Dr. Jorge Gato, que tem alguns estudos e também um livro publicado sobre a homossexualidade (e não, pelo que sei o homem não é homossexual não que tivesse menos mérito se fosse) mas é investigador na área e o único doutorado nessa área em PT.

      Posto isto, pelo conhecimento cientifico actual, não há absolutamente nada que contra-indique que uma criança cresça com casais homossexuais, não há indícios nenhuns que a sua influencia tenha qualquer impacto negativo na sua vida. Até pelo contrário, há inúmeros e imensos indícios que crescer com casais homo ou hetero vai dar exatamente ao mesmo.

      Eliminar
    3. O estudo do Dr. Jorge Gato é sobre a homoparentalidade (eu é que me enganei a escrever).

      Eliminar
  14. É uma hipocrisia quererem apresentar a adopção por casais do mesmo sexo como uma medida em prol das crianças. Notoriamente pretendem atribuir direitos aos casais homossexuais e as crianças são um detalhe nessa vontade pessoal de querer ter filhos. Com conhecimento de causa sei que qualquer criança é mais feliz numa família equilibrada, hetero ou homo, do que numa instituição. Mas tenho quase a certeza que se a criança puder optar escolherá ter um pai e uma mãe, ser o mais normal numa situação que já é anormal (não viver com os pais biológicos). Há medidas muito mais importantes a serem tomadas em prol das crianças dentro das instituições, tribunais, segurança social e famílias biológicas. Mas essas são invisíveis e pouco mediaticas. Estas são distrações circenses.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ?
      Acima de tudo vê-se o preconceito nos argumentos de quem é contra. Não fazem ideia do que é melhor ou pior para as crianças nem querem saber. Se quisessem mesmo iriam ler os estudos cientificos válidos (não os pagos pelas igrejas) e tirariam as próprias conclusões.

      Eu não sou homossexual mas estudei muito estas questões e das centenas de artigos que li os únicos que concluíam algo negativo eram os pagos pelas igrejas (coincidência?). Tudo o que eram estudos neutros verificaram não existir diferença nenhuma.

      Ainda agora li alguém a dizer que é anti-natura...isto são argumentos de onde? Da igreja. É anti-natura mas existem vários exemplos de várias espécies de animais onde a homossexualidade ocorre múltiplas vezes... claro que a igreja nunca vai admitir isso, da mesma forma que não admitia que a terra era redonda até que não puderam negar mais...

      Eliminar
    2. Já agora diga lá que casal homessexual de animais é que costuma adoptar crias...

      Eliminar
    3. NR por acaso creio que nenhum, também mais nenhum mantém os seus filhos pro 18 anos ou mais, não os cuidam, vestem e educam como nós... com certeza toda a raça humana é anti-natura, certo?
      Já agora, em termos de natureza é bem mais rara a adopção de animais de outra espécie do que a homossexualidade. Logo podemos concluir que a adopção é anti-natura e algo completamente desnecessário e mau, certo?

      Desculpe mas esse argumento parece simplesmente de desespero...

      Eliminar
    4. Caro anónimo. É que até nem sou contra. Mas os seus argumentos centram-se nos adultos, como a maioria das considerações pró-adopção. Durante anos acompanhei crianças institucionalizadas e as minhas opiniões não se baseiam em livros ou desabafos no facebook. Se os partidos políticos estivesses verdadeiramente preocupados com as crianças em instituição começariam a trabalhar nas fundações e não pelo telhado.
      Quanto à igreja e aos homossexuais. Olhe eu não sei o que conhece da igreja. Mas o que não falta por lá são padres homossexuais. Se há instituição que deve saber do assunto é a igreja ;-)

      Eliminar
    5. SN eu sou heterossexual, sou a favor da adopção não pelos adultos mas pelas crianças. Pelo que se sabe de quem vive e cresceu com casais homossexuais (em épocas muito mais preconceituosas) e se sabe que as crianças cresceram de forma normativa, saudável e que não há diferenças em relação a crianças que cresceram com pais heterossexuais.
      Se os estudos demonstrassem o contrário eu seria contra e que se lixassem as minorias. Para mim não me interessam os interesses dos adultos ou partidários, já agora, interessa-me o que é o melhor para as crianças. E para essas o melhor é ter um lar estável, com figuras de vinculações carinhosas, presentes e amáveis.

      Eliminar
    6. Desespero porquê? Desespero é querer uma criança quando se sabe que a natureza não o permite... E depois desatar aos lobbies para o conseguir. Fazer coisas vergonhosas como gay parades que mais não são do que freak shows... Isso é que é desespero. Tentar forçar o que não é natural.

      Eliminar
    7. NR nota-se tão bem que é homofóbico que nem vale a pena.
      É desespero porque não se baseia em conhecimento cientifico. Baseia-se nos seus preconceitos pessoais.

      "a natureza" também não o permite à maioria dos casais heterossexuais que adopta...uma vez que esses sao inférteis.

      Eliminar
  15. Caro anónimo chame-lhe anti-natura ou o que quiser, mas dois homens e duas mulheres nunca vão reproduzir porque a "natureza" não permite, só um óvulo(mulher) e um espermatozoide(homem)é que fecundam e dão origem a filhos....
    Agora vá lá mudar a natureza!!!!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um casal infértil também não produz, também não é anti-natura deixá-los ter filhos? Por reprodução medicamente assistida ou por adopção?
      Se Deus não lhes dá a possibilidade de gerar uma vida... então é porque também não serão bons pais, certo? É por aí, não é?

      Eliminar
    2. Uma criança adoptada tem a infelicidade de não viver com os seus pais biológicos. É uma cicatriz ou ferida que fica para a vida. Propositadamente omitir o pai ou a mãe. É cruel.

      Eliminar
    3. Não vale a pena. O pior cego é aquele que não quer ver e aquele que mete os seus preconceitos acima de tudo.

      Eliminar
  16. Não seja ridiculo anónimo das 15:51, só existe reprodução entre sexo masculino e feminino

    ResponderEliminar
  17. Anónimo das 15:51, por reprodução medicamente assistida vão gerar um filho deles que secalhar sem ajuda da medicina não conseguiam mas é filho deles, por adopção vão criar filhos de outro pai e mãe e com todo o amor que lhe possam ter...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro que não conseguiam...logo é antinatura, certo? Se só conseguem pela medicina...

      E qual é a diferença entre uma adopção num casal heterossexual ou homossexual? Os homossexuais são incapazes de amar? É isso?
      Porque quem só fala nos direitos dos adultos são vocês... porque a ciência já comprovou que para as crianças é indiferente ter 2 pais ou 2 mães... aliás por algum motivo também já se deixa que familias monoparentais adoptem... ou aí já não há problema?

      Eliminar
  18. Talvez porque normalmente as crianças que estão para adoção, são crianças advindas de familias destroçadas, ou porque não tinham condições economicas ou outras,ou porque faleceram e não existem mais familiares. Normalmente as crianças em lares felizes e perfeitamente equilibrados...não estão para adoção. Daí a comparação:é preferível as crianças ficarem em casas de acolhimentos ou lares desfeitos ou sem condiçõe sou com casais que as queiram adotar, independentemente de serem homosexuais? Acho que a questão: é preferível as crianças estarem em lares perfeitamente equilibrados ou serem adotadas (seja por quem for), não faz lá muito sentido....mas é a minha maneira de ver as coisas, claro.

    ResponderEliminar

Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos comentadores.
A autora do blog eliminará qualquer comentário que ofenda terceiros, a pedido dos mesmos.