terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Vamos lá, então, falar de educação

Só para começo de conversa devo dizer que acho o Nuno Crato um dos piores Ministros da Educação que algum dia tivemos. E acho o ensino Português, alguns privados à parte, francamente medíocre. Quanto a mim o novo Ministro da Educação tem um oceano de melhorias pela frente, as oportunidades de brilhar são imensas.

Cá por coisas da minha vida, acontece eu ter tido a oportunidade de me debruçar sobre métodos de ensino. E cá por coisas do meu feitio, acontece eu ter tido a vontade de conhecer as metas curriculares entre o 1º e 9º anos. E bradam aos céus de exigentes que são. E atenção, sou totalmente contra o facilitismo. Sou pela exigência e excelência. Acontece que qualquer idiota sabe que quando o objectivo é demasiado alto as pessoas desmoralizam e não dão o extra mile, aquilo que as leva ao desenvolvimento contínuo que, parecendo que não, é o que se pretende.

Os programas de matemática são aflitivos. Querer que crianças de sete anos tenham maturidade suficiente para perceber o conceito de número decimal é simplesmente estúpido. Aos nove têm de saber adicionar e multiplicar fracções, dividir números decimais ou apreender o conceito de volume. A gramática Portuguesa é hilariante, houve meia dúzia de iluminados que resolveram mudar todos os nomes que conhecíamos e substituí-los por autênticos palavrões, difíceis de decorar. O programa de Biologia de 9º ano, por exemplo, tem a complexidade de cadeiras de medicina do antigamente. Idem para Física. Exige-se uma profundidade de conhecimentos que ultrapassam, em muito, a cultura geral sobre as várias matérias, por ventura adequados a quem queira especializar-se na área.

A somar à extensão e complexidade de conteúdos programáticos cada vez os períodos lectivos são menores. Vai daí que os professores apenas têm tempo para debitar matéria. Quem percebe, percebe, quem não percebe tem explicações depois das aulas. Todos memorizam, que a coisa está feita para memorizar, os meninos do 2º ano decoram que somar com vírgulas ou sem é mais ou menos a mesma coisa, as décimas são uma espécie de unidades, depois da vírgula, e pronto. Ninguém ensina os miúdos a pensar, não há tempo para isso, a matéria tem de ser dada. Os que têm sorte são ajudados por pais e explicadores, os desfavorecidos fodem-se, a vida não é justa. 

Reparem que os desfavorecidos já estão lixados, ainda nem falei em exames.

Mas dizia eu que a grande lacuna da educação é formar uma geração de miúdos que memorizam para logo a seguir esquecer, sem saber pensar, muitas vezes sem entender. Eu resolvi o problema das fracções e números decimais na cozinha. Ao fim de semana fazíamos bolos, dividíamos, multiplicávamos e pesávamos. As crianças perceberam e adoraram. Quando me propus a ceder duas horas por semana à turma da minha filha, a professora quase chorou ao dizer que não podia ser, que não tinha tempo, que precisava das horas. Que queria imenso fazer projecto mas que a área de projecto consumia demasiado tempo.
A componente cultural é inexistente, a criatividade não é estimulada, a curiosidade não é incentivada.
Tudo o que faltou (e falta) na escola, os meus tiveram em casa, na medida das nossas possibilidades e conhecimentos, com um enorme esforço pessoal dos pais. Hoje em dia são crianças muito acima da média, em termos de resolução de problemas, atitude face a novas situações, pesquisa ou sentido crítico, por exemplo. E isso reflecte-se nos resultados que têm.

E os exames, Picante? Concordas com  os exames? A seu tempo. Calma que já lá chego. 

A escola, tal como está actualmente, está a fazer um excelente trabalho em segregar, desde cedo, as crianças mais desfavorecidas, com pais incapazes de lhes explicar o que não entendem ou sem posses para pagar centros de estudo, pais incapazes de lhes estimular a curiosidade e pensamento. Com ou sem exames.
Acresce a isto que ele há péssimos professores. Professores que pedagogicamente têm a sensibilidade das pedras da calçada, professores que se estão nas tintas, professores que se fartam de faltar, professores ignorantes. Professores, enfim, incapazes de ensinar.

Os exames, sejam eles de 4º, 6º ou 9º ano, mais não são que um teste. Um teste igual para toda a gente e que permite, além de aferir os conhecimentos dos alunos, assegurando que não transitam para o ciclo seguinte alunos manifestamente mal preparados (a importância da solidez no 1º ciclo está mais que comprovada), mas dizia eu que este exame permite aferir diferenças entre escolas. Identificar escolas problemáticas, escolas onde a matéria não foi dada, professores que são demasiadamente benévolos na avaliação contínua ou, pelo contrário, demasiadamente exigentes. Os exames nacionais permitem identificar diferenças e corrigi-las, funcionando por isso como factor de integração, ao invés de exclusão, conforme disse a iluminada da Mortágua.

Ah, Picante! Mas os meninos... Coitadinhos dos meninos que se enervavam, são tão novinhos, alguns vomitavam e tudo...

Não tive essa experiência em casa, muito pelo contrário. Ainda hoje o rapaz dizia que, em calhando, não haveria exames no 6º ano, que não percebia porque tinham ficado os colegas tão contentes, que aquilo era um teste e que só valia 30%, que via aquilo mais como uma oportunidade que outra coisa. Confesso que a descontracção dos meus me chegou a enervar, houve um que me chegou a dizer "ó mãe, é só mais um teste". Banalizei tanto a coisa que deu nisto.

Mas é verdade que também sei de professores que incutiram uma pressão desmedida aos alunos. Assim como muitos pais. Agora pergunto... A culpa é dos exames? Ou dos pais e professores que foram péssimos pedagogos? (só neste caso específico... não me matem já que ainda não acabei o post).

Se se poderia diminuir o folclore em torno dos exames, contribuindo para diminuir a pressão? Provavelmente sim. Era não mudar os miúdos de escola, deixar os seus professores estar presentes, ainda que acompanhados por outros vigilantes, não mexer nas turmas.

Eliminar, pura e simplesmente, qualquer instrumento de aferição da performance das escolas, deixando tudo à subjectividade dos professores, acho errado. Muito errado. Querem eliminar exames? Façam provas globais. De aferição. Qualquer coisa que permita avaliar desigualdades e detectar problemas. Assim, como foi feito, acho pura e simplesmente uma questão política. Trata-se da esquerda, uma vez mais, a nivelar por baixo, com a teoria do coitadinho que fica já para trás e isso é que não pode ser, que é injusto. Meus amigos... odeio dizer-vos isto mas os mesmos que ficam para trás aos nove anos, ficarão aos doze ou aos quinze. Às tantas teria sido melhor detectar a coisa antes de ser tarde de mais, é mais difícil recuperar-se um mau aluno sem qualquer base anterior, digo eu.

E, já agora, teria sido bastante mais profissional apresentar estudos em como os exames são errados, assim parece-me só o síndrome do novo chefe, apostado em desfazer tudo o que o anterior fez. Porque afinal o novo é que sabe tudo, o anterior não percebe nada disto.

(mas pronto... mais tarde na vida, quando já não houver exames, haverá sempre o RSI, nada a temer)

67 comentários:

  1. Brilhante Picante.
    Eu já saí da escola há muito tempo e a minha filha ainda só anda no infantário. Ainda não estou a par dessas andanças.
    Mas o que tenho a certeza que é muito errado, é este mudar de tudo e mais alguma coisa de cada vez que se muda o governo. Devia haver uma maneira que certas questões importantes se mantivessem além governos... Não sei bem como mas era óptimo.

    Luciana

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    1. Como... Bastava eles (os políticos) verem o que realmente é o melhor para o povo, em vez de fazerem politiquice! Como uma criança quando os pais se separam, o "superior interesse da criança" que deveria estar sempre à frente dos interesses dos pais (mas nem estes cumprem, alguns).
      Mas aí também veriam que esbanjar dinheiro neles é roubar o povo, que corrupção é roubar o povo, etc etc etc...

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    2. Eu acho que os programas deveriam ser novamente revistos. E que deveria ser obrigatória alguma área de projecto, E avaliar os professores, já agora. Não basta a avaliação interna do director da escola.
      Outra coisa que deveria ser revista é esta história da inclusão. Não percebo qual é a lógica de ter crianças com idade mental de 5 anos a assistir a aulas de física de 0º ou 9º ano. É uma violência para as crianças, todas elas, umas que são atrasadas porque o rendimento da turma diminui, outras que passam horas a fazer desenhos porque há um professor para 20 alunos que tem de dar matéria aos restantes 19.

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  2. " Professores que pedagogicamente têm a sensibilidade das pedras da calçada, professores que se estão nas tintas, professores que se fartam de faltar, professores ignorantes. Professores, enfim, incapazes de ensinar."

    Eu cá ainda sou mais contra acabarem com a avaliação (isenta) dos professores.
    Quem não sabe, não saberá ensinar.
    Quem não sabe, não irá conseguir entender que uma resolução diferente poderá indicar que tem um excelente aluno à frente, um que sabe fazer melhor do que o esperado. Mas infelizmente temos professores de matemática que desconhecem o facto de existirem múltiplas formas de resolver 1 exercicio.

    Um mau professor, mau pedagogo é um péssimo profissional. Um péssimo professor dará um péssimo aluno (apesar dos professores adorarem retirar essa responsabilidade de cima deles, facto é que muitos alunos não são bons nem têm bons resultados porque os professores sao medíocres e jamais lhes deveria ser dado acesso ao ensino).

    Depois há os bons professores que tentam ajudar os alunos, dão o litro e acabam por nunca ser verdadeiramente reconhecidos pois as formas para progredir na carreira, os reconhecimentos, etc é tudo dado da mesma forma sem se ter em consideração o esforço, dedicação, profissionalismo e competência.

    Os professores não são os únicos culpados mas são muito culpados e muito responsáveis pelo estado da educação no nosso país.

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    1. Os professores são absorvidos pelo sistema. Tenho o maior do respeito por esta profissão, tão destratada pelos nossos governos. O trabalho burocrático é imenso, cada vez maior. Muitos estão até à véspera para saber que têm de se mudar para a outra ponta do país. Têm de aturar miúdos francamente mal educados e não podem abusar das idas para a rua ou das faltas disciplinares. Os pais desculpabilizam os filhos e desautorizam-nos... Eu não conseguiria.

      É verdade que têm de ser avaliados, mas confesso que não sei bem em que moldes. Agora de uma coisa tenho a certeza: deveriam todos ter de fazer provas de Português e pedagogia. É perfeitamente inadmissível haver professores a dar mais calinadas na gramática que muitos alunos. E era correr com os "chuchas".

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    2. Eu não sei se o meu comentário inicial deu a entender que não respeito a profissão ou os profissionais da mesma, não foi a minha intenção.
      É com os poucos profissionais que me ralo (e muito). E infelizmente há de tudo. Em relação às condicionantes de vida, sem dúvida que é exasperante mas eles já sabiam quais as condições da mesma forma que eu sabia quando escolhi a minha área que poderia ter de emigrar ou passar grandes partes da minha vida sem estabilidade. São escolhas. Não se podem escudar por detrás disso para ser maus profissionais.

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    3. Recentemente falei com um amiga professora. Excelente aluna, cresci com ela. Melhor média de curso. Extremamente dedicada. É contra a avaliação, da forma como ela é feita e eu percebi porquê. Disse-me que não tinha passado no exame de português, o que, se a conhecesse seria a coisa mais estranha que poderia ouvir. Cresci até com professores de português a adorá-la. Todos os que tive, até seguirmos caminhos diferentes, eu e ela.

      Obviamente, ela não falhou por erros gramaticais ou por não saber sujeitos e predicados ou tudo o que é essencial ao exercício da sua profissão. Ela não passou porque lhe pediam matéria que ela nunca estudou nos 5 anos de formação académica para leccionar o 1º ciclo. Eu gostava de saber, efectivamente, em que moldes é que são feitas as avaliações antes de exigir que voltem a ser instituídas, porque parece-me que foi uma coisa feita em cima do joelho e que deveria ser revista.

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    4. Tem razão. Mas o facto de já saberem ao que vão não torna a maneira como o Estado os trata mais correcta.
      Eu concordo consigo, há imensos maus professores e deveria haver maneira de correr com eles, beneficiando os bons. Mas confesso que não sei como é que isso se faz, estando no quadro é impossível. Se são contratados as próprias dir. de agrupamento dizem que não os querem no ano seguinte. Mas sim, deveria haver avaliação externa que tivesse impacto nas suas carreiras, Não sei em que moldes mas não tenho dúvidas de que é mais que justo que sejam avaliados.

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    5. Mas se é assim tão iluminado porque é que não vai para professor e resolve esses problemas todos? Criticar é fácil. Experimente e depois fale.

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    6. maria não precisa de inventar a roda. Existem muitos bons exemplos à nossa volta, em países europeus com excelentes resultados académicos (que nos ultrapassam a mil).
      O problema? É que vai tirar tachos a quem não convém, obrigar todos a trabalhar de igual forma para conseguirem ter direito ao mesmo e obrigar muitos a sair do sistema de ensino. Mesmo que já "ensinem" à muitos anos, unicamente porque muitos nunca deveriam ter sido professores e nunca lhes deveria ter sido dado acesso à profissão.

      Informe-se, estude os formatos europeus de educação, aqueles bons e depois falamos.

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    7. Países europeus? Que países europeus? Sabia que os estudantes que vão lá para fora continuar a estudar, na maioria são excelentes alunos? E os formados aqui têm lugar garantido na maior parte dos países, devido à qualidade da sua formação? Alguma coisa devemos estar a fazer bem feito.
      Você não passa dum parolo/a para quem só o que é estrangeiro é que é bom, aqui não se faz nada de jeito. Não faz a mínima ideia do trabalho que envolve ser professor, critica só porque sim. E "tachos"?? Que "tachos"? Trabalhar 40 horas por semana por 1000 e poucos euros, levar trabalho para o fim de semana, ser regularmente pressionado pelo diretor para apresentar bons resultados (o chamado sucesso de qualidade), aturar diariamente catrefadas de miúdos insolentes, malcriados e com todos os interesses do mundo, menos o de aprender alguma coisa, já para não falar da bela da possibilidade de apanhar uma rabecada de algum paizinho ou mãezinha ofendida porque se chamou à atenção o seu anjinho.
      Digo-lhe mais, eu só não deixo o ensino porque já estou velha e não há novas oportunidades de emprego para quinquagenários. Se fosse nova outra vez, nem que me pagassem 50.000€ eu ia para o ensino. É que, ao contrário do que você pensa, a maior parte dos professores até tinha outras saídas.
      E já agora, você aprendeu com quem? Se os professores são todos umas bestas, quem o ensinou a si? Deve ser um génio, aprendeu sozinho, mas não sabe a diferença entre a preposição contraída "à" e a forma do verbo haver "há". Vá aprender a escrever.

      Maria

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    8. Eu não acho que lá fora é que é bom, são os estudos internacionais que o afirmam: que Portugal não está, de todo, no topo da educação.

      Em termos de ensino superior somos muito bons, já em termos de ensino básico e secundário somos uma nódoa. E além disso, a maioria dos estudantes portugueses não conseguem atingir a méstria porque quando um aluno tem 5 a uma disciplina, 2 negativas e o restante tiver o nível de 3, os professores e pais só se preocupam em anular as negativas mas ninguém estabelece planos de melhoria, de procurar a mestria, o que é uma pena. Em Portugal há a teoria de "enquanto não existir negativas está tudo bem" - e não está. Pode não haver negativas e ter na mesma um resultado medíocre, uma aprendizagem quase nula.

      Informe-se pois a mim também me irritam pessoas que detestam esforçar-se por fazer melhor, evoluírem na carreira e procurarem ser mais competentes.
      Os tachos que me refiro são, obviamente, os de quem dirige e quem decide acerca da forma como o Ensino está (des)estruturado. Que sempre foi e é uma palhaçada. Somos um país terceiro mundista quando metemos crianças de 1º ano e 2º ano a terem aulas juntos ou quando juntamos 1º,2º e 3ºs anos tudo "ao molho e fé em Deus". Não se preocupam e ninguém quer saber do que isso faz à preparação dos alunos. Acha isso normal? Há 20 anos atrás, quando falei dessa realidade aos meus professores no bendito estrangeiro eles ficaram chocados... 20 anos depois e Portugal ainda tem isto como uma medida legal? Somos o quê? Muito evoluídos e muito bons? Quem não olha para os defeitos nunca evoluí nem melhora. Mas percebo que custe a quem está muito bem acomodado ao sistema que sempre teve e que não se quer esforçar por ser bom profissional e competente. Afinal, há uns 50 anos atrás para ser professor bastava o 6º ano e em terra de cego, quem tem um olho é rei...

      Trabalha em ensino há muitos anos e é só por isso que não abandona o ensino...abona muito a seu favor... diz realmente que é uma professora empenhada e motivada, alguém que tem realmente vontade em investir na sua formação e evolução pessoal...ou será que não? Ou será que ainda acha que deveria poder espancar os miúdos e ser tratada como se fosse alguém superior?
      Porque eu não acho.
      Acho que já passou o tempo em que o professor era o intocável e acho que todos os incompetentes deveriam ser demitidos - e são muitos.

      No entanto, há os muito bons, aqueles que toda a vida foram prejudicados porque não foram reconhecidos. Afinal em Portugal tanto faz ser bom professor ou mau, investir na formação ou não pois a progressão na carreira,a estabilidade, etc é para todos conseguida da mesma forma (excepto quem tem uns "amigos", o dito factor C, e arranja um atalho).

      Portugal precisava de imitar os exemplos bons europeus, os que nos ultrapassam a mil. E não falo da Alemanha, nem de França, por exemplo. Aliás entre o sistema deles e o nosso, que venha o diabo e escolha qual o pior.
      Mas claro que compreendo Maria que custe a visão de procurar a mestria num país e num ensino que toda a vida procurou a mediocridade e que só promove o passar e não a evolução, a reformulação e a aprendizagem constante.

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    9. Por exemplo:
      http://www.openeducationeuropa.eu/en/blogs/how-oecd-countries-scored-pisa-s-2012-results-infographic

      Quando são estudos internacionais deve ser mais dificil afirmar que é impossível melhorar, não é? Ou devemos acomodar-nos a um resultado "menos mau"? A promoção da mestria não convém a muitos, pois não?
      Mas não...quando se fala mal é porque não se sabe de nada, não se conhece nada, etc... é, mesmo a atitude de bons professores, daqueles que promovem a mestria e a evolução começando por eles mesmos.

      Ou talvez não...e provavelmente essa atitude é realmente o verdadeiro motivo de muitos problemas do nosso ensino, começando pela falta de vontade dos alunos aprenderem (ou acharão todos os professores que nada têm a ver com isso? Estudem pedagogia...) e pela falta de resultados.
      A falta de respeito e educação é de facto uma realidade, muitas vezes os próprios professores faltam imensamente ao respeito aos alunos (ex: quando atendem o telemóvel em plena aula - relatado por vários alunos) e felizmente estamos numa época em que as exgiências de respeito tem de ser feita parte-a-parte.

      Engraçado que os argumentos dos professores são sempre os mesmos mas também é engraçado observar como uma turma excelente para um professor, respeitadora e interessada é o oposto para outro professor. Será o defeito de todos os alunos ou do professor?

      Ah pois é, esqueci-me que em Portugal ninguém pode dizer que há professores incompetentes.

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    10. Escreveu tanto e não desmentiu nada do que eu disse. Estudos internacionais há para todos os gostos e feitios, portanto cada um conclui o que mais lhe convém. Também gostava que me dissesse como é que é possível ser-se muito bom na universidade, sem ter havido uma boa preparação para isso, na escolaridade anterior. E quem é que lhe disse que em Portugal não se procura a mestria? Já ouviu falar em planos de desenvolvimento?
      Quem é que lhe disse que não sou boa profissional, competente e não me esforço para melhorar? Sabe isso como? E para sua informação nunca foi possível dar aulas com o 6º ano, você está muito mal informado/a. Eu tirei uma licenciatura em ensino (que incluía várias cadeiras de pedagogia, já agora) assim como todos os meus colegas, até os mais velhos.
      E espancar os alunos, não queria, mas não me importava de dar umas bofetadas em algumas bestas que se intitulam pais, já para não falar noutras que comentam em certos blogs e não fazem a mínima ideia daquilo que estão a falar. Se não gosta da maneira como os professores são avaliados e progridem na carreira vá-se queixar ao Ministério da Educação, aliás só aí já se vê aquilo que você percebe do assunto, pois a progressão na carreira está congelada há largos anos e nós somos sim avaliados todos os anos.
      Quanto aos professores incompetentes, também não há médicos incompetentes, polícias incompetentes, cozinheiros incompetentes? Isso não acontece em todas as profissões?
      Finalmente, mais uma vez aconselho-o/a a voltar para a escola, pois o seu português deixa muito a desejar: onde escreveu "as exgiências de respeito tem de ser feita parte-a-parte", deveria ter escrito "as exigências de respeito têm de ser feitas de parte a parte". Ser professor não é para quem quer, é para quem pode. Se estudar muito, se se empenhar bastante e pelo caminho adquirir um bocadinho de humildade, talvez consiga um dia ser um professor/a sofrível.

      Maria

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  3. Querida Mais Picante,
    Gostei de ler este seu post. Acerca dos exames no 4º ano, permita-me os seguintes apontamentos: os programas escolares e os manuais estão previstos para ocupar o tempo letivo até Junho. Os exames incidiam sobre a matéria toda. Porém, eram realizados em Maio. Logo, os professores viam-se obrigados a "condensar" conteúdos num tempo demasiado curto. Normalmente, à custa do Estudo do Meio e das Artes. Por outro lado, retirava-se de tais exames (fosse ou não esse o objetivo) não apenas a avaliação do aluno mas também a do professor. E, logo se faziam rankings e hierarquizavam escolas. Ora, uma turma de alunos composta maioritariamente de crianças oriundas de famílias sem dificuldades, terá naturalmente melhores resultados do que as turmas de alunos carenciados (não apenas em termos económicos) que caracterizam algumas regiões e são maioritárias em algumas escolas. Isto, independentemente do esforço e da qualidade dos docentes e do empenho das direções. Finalmente, a avaliação faz parte, mas não deverá - na minha opinião e com respeito por entendimentos diferentes - absorver a vida escolar. As crianças deverão ser incentivadas a aprender para saber e não para ter boa nota. Lá está, o importante será compreender e não decorar para o teste. Eu não discordo da avaliação com critérios de exigência e de rigor. Do que discordo é do ênfase que era colocado nos exames do 4º ano e da pressão que isso colocava sobre os professores.
    Bom dia,
    Outro Ente.

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    1. Querido Outro Ente,
      As professoras dos meus resolveram esse problema dando no 1º período mais horas de Português e Matemática. Chegaram ao final de Janeiro com a matéria toda dada (não se esqueça que o 4º ano é praticamente igual ao 3º). A partir daí foi só consolidar conhecimentos e deram então mais horas a Estudo do Meio e Artes Plásticas.
      Por outro lado, os exames são no final de Maio, as aulas acabam a meio de Junho, não é uma diferença significativa.
      Eu acho os rankings úteis. Resta saber se, depois de feitos, eram tomadas as medidas correctivas. Para o caso das escolas em zonas problemáticas bastaria introduzir um coeficiente na avaliação do docente. Um bom professor faz toda a diferença, ficaria espantado com os milagres que é capaz de fazer, mesmo com miúdos desfavorecidos. E sejamos honestos, os desfavorecidos serão sempre desfavorecidos, com ou sem testes. Terão sempre menos estabilidade, menos recursos para colmatar falhas, à partida serão menos estimulados pelos pais.
      Quanto ao último ponto que refere, concordo em absoluto. A escola tem a obrigação de estimular curiosidade e vontade de querer saber. Mas isso não se faz com abolição da avaliação, faz-se com mudança de métodos de ensino e reformulação de programas.
      Um beijo.

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    2. Picantezinha de mi corazón,
      Bem me parecia que os professores dos teus filhos iam ter algum defeito (que não é bem defeito, na minha opinião). Ora então os senhores alteram o horário das aulas e o plano curricular para darem mais PT e MAT antes de Maio? Isso é que era bom, na minha terra! O plano curricular, aqui, tem de ser seguido quase à risca, não há cá alterações nenhumas. Para veres, a minha mãe teve uma queixa apresentada contra ela porque numa escola deram uma ficha, e ela decidiu dar outra, feita por ela, sobre a História de Portugal (ficha de conceitos, não ficha de avaliação, calma lá). Um professor NÃO pode dar mais cinco minutos de português, se não vem a mãe do Manelzinho perguntar porque é que não estava a dar Matemática, que é o que o filhinho gosta. A verdade é que os paizinhos de hoje em dia andam muito ranhosos nesse aspeto e, perante pais e direções escolares, uma pessoa faz o quê?

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    3. Elas não alteraram o plano curricular. Deram a matéria toda. Limitaram-se a fazer um plano de aulas que suponho ter sido aprovado em Pedagógico. E era o que mais faltava os pais meterem o bedelho nesses assuntos, há coisas que são da competência dos professores, os pais têm mais é que respeitar.

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  4. Não conheço as metas curriculares como a Picante mas não percebo que exclusão, que acentuamento de desigualdades de tal forma graves que impõem a imediata supressão dos exames. Tapar o sol com a peneira acaba com elas? Em que medida o fim dos exames torna a escola mais inclusiva, os professores e alunos mais empenhados, os meios ao seu dispôr mais adequados? as metas curriculares são as mesmas é ou meios também se mantém, parece-me que o que vai acontecer até pode ser o inverso, é capaz de se promover um certo "laxismo", assim como assim não vai haver nenhum exame para aferir os conhecimentos... Quem aprendeu aprendeu, quem não aprendeu, pois, paciência, celebremos a diferença.

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    1. Quem não aprendeu reprovará no 2º ciclo. Isso é certinho. É empurrar com a barriga e não fazer nada para resolver o verdadeiro problema.

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  5. Já há muito que não te chagava aqui na caixa de comentários.
    Mas hoje vim aqui de fugida só porque "tinha" que ser!
    Clap clap clap, minha querida!

    Disseste tudo.
    Tudo o que notei enquanto professora.
    Tudo o que temo pelo meu sbrinho-afilhado de 10 anos.
    Tudo o que temo pelos filhos, que espero vir a ter.

    E pelo que eu própria senti, por ser filha de pessoas de classe-média-baixa, com a 4ª classe.
    Exigentes, como tu, pelo que leio, pelo meu futuro, mas que ouviram, muitas vezes, que eu não teria, à partida, as mesmas oportunidades na vida, "dado o meu background ser economicista".

    Parabéns por um daqueles posts que vai ficar na memória!

    Beijinho,

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    1. Um beijo. E obrigada.
      (os que têm menos recursos têm de ser mais responsáveis, não digo que não tenham sucesso escolar, claro que têm, mas também têm de contar mais com eles próprios e menos com os pais a colmatar faltas de estudo ou distracções nas aulas. É injusto mas têm de pedalar mais)

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  6. 100% de acordo.
    Eu, não tendo conhecimento em 1ª mão (já saí da escola há uns anos valentes e aindas não meti lá nenhum descendente), intuía o mesmo, mas tinha falta de exemplos concretos a que me agarrar. Not anymore :)

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  7. Acrescento isto, que li imediatamente depois de ler o post e me parece também razoável:
    "(...) Os professores que ensinam o 4º ano em 2015/16 prepararam certamente o ano, sabendo que, em Maio de 2016, os alunos seriam chamados a realizar um exame. Mudar as regras do jogo a meio é uma irresponsabilidade, independentemente da posição de fundo que se tenha sobre o tema. (...)"
    Daqui: http://fundacaomariaulrich.blogspot.pt/2015/12/exames-do-4-ano-assim-nao-por-catarina.html?spref=fb

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    1. Sinceramente não sei se fará assim tanta diferença a não ser que alguns, os maus, se possam tornar mais laxistas e não dar o programa todo. Não mudando as metas curriculares é normal que as aulas decorram nos mesmos moldes, suponho eu.

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  8. Picante,

    Excelente texto. A minha filha frequenta o 3º ano do 1º ciclo e este ano estou muito apreensiva com o professor que foi atribuído à turma (desde o 1º ano que o professor é sempre diferente), depois de 2 anos com 2 óptimas professoras, daquelas que têm a vocação, tendo uma delas iniciado o ano lectivo com um mês de atraso em relação aos outros, conseguiu dar a matéria toda, recuperar os que tinham mais dificuldades, ser criança como eles e impor as regras quando necessário e que terminou o ano a dizer que a turma era excelente. Este ano é angustiante, é de tal modo, que as datas dos testes têm que ser alteradas porque a matéria não está toda dada. Um professor que na 1ª reunião de pais, diz que a turma é a pior que já teve, que anda com crises de ansiedade, que não vai conseguir dar a matéria toda, é simplesmente aflitivo, os miúdos passaram de bestiais a bestas. Perante este problema sinto falta de união entre os pais, porque enquanto existem alguns que podem pagar o apoio escolar, conseguem que os filhos não frequentem as actividades extra curriculares e assim terem mais tempo para estudar, outros há que não têm essa possibilidade e estão sempre em desvantagem em relação às outras crianças. Desculpe o desabafo, mas este assunto revolta-me imenso, como em todas as profissões existem bons e maus profissionais, mas ser professor não deveria ser uma profissão, deveria ser um dom (de momento não me ocorre outra palavra), o dom de ensinar, de trabalhar cabeças cheias de vontade de aprender, abertas a tudo.Tanto, mas tanto haveria para dizer sobre este, enfim.

    Gosto muito de a ler.

    Carla Almeida

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    1. Carla, o terceiro ano é muito importante (o quarto é quase igual, pouca matéria nova darão a Português e matemática). Falem com a coordenação pedagógica. Perguntem ao professor como é que podem ajudar, o que tenciona fazer para resolver o problema.
      Não fiquem quietos.
      Boa sorte e um abraço.

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  9. Pipocante Irrelevante Delirante1 de dezembro de 2015 às 12:08

    Posso dizer-lhe que nos meus 12 anos de escolaridade jamais concluí qualquer programa, em qualquer disciplina. O que era muito interessante quand chegavam os exames nacionais (que no meu caso privilegiado foi apenas no 12º ano).

    Pessoalmente, não sou contra os exames. Muito do stress é provocado pelos pais. Mas também, há pais que acham que, se não puserem as crias num infantário de elite, estas estão destinadas a uma carreira como serventes de pedreiro.

    Estou a iniciar-me na escolaridade do sec XXI, por isso não sei o grau de dificuldade da dita. Mas parece que existe uma dicotomia entre objectivos ambiciosos e um clima facilistista. E depois há sempre a integração... que depende muito da classe económica (um casal que trabalhe 10h/dia e perca mais 2h entre transportes damaia-lisboa não pode dar o mesmo apoio, mesmo que queira), mas também da disponibilidade (e conhecimento) e vontade dos pais. Esses estão fadados para ficar para trás. Mas aí podíamos entrar na perspectiva comunitária da escola, em que alunos se ajudam uns aos outros; eu tinha grupos de estudo em que participavam os, digamos, menos afortunados, e a malta puxava uns pelos outros. Mas isso ia acabar com o individualismo, e isso é coisa que não queremos.

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    1. O meu filho está numa escola publica, anti-bullying que promove a camaradagem e a entre-ajuda.

      Apraz dizer-me isto. Mas a verdadeira pessoa por detrás disto tudo é a professora dele, que calha ser a coordenadora da escola. São as pessoas no ensino que fazem a diferença, dizer o contrário é querer tapar o sol com a peneira.

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    2. PID, os grupos de estudo são muito bonitos mas só funcionam quando os miúdos são autónomos.
      Há uma limitação para o grau de ajuda que uma criança de 6 ou 7 anos pode dar a um colega desfavorecido.
      E os desfavorecidos têm sempre mais dificuldade em brilhar, terão de pedalar o dobro, é a mais pura das verdades.
      /e é tão bom quando realmente brilham...)

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    3. Pipocante Irrelevante Delirante2 de dezembro de 2015 às 11:49

      Claro que os grupos de estudos se referem a idades mais avançadas.
      Mas eu na primária já estudava com amigos, até porque a malta vinha da escola, havia sempre umas mães que não estavam em casa, e acaba tudo na casa de um de nós.
      Mas o que faz muitas vezes a diferença é mesmo o método de estudo, as rotinas, e aí mesmo em idade petit-petiz a coisa faz-se.
      Resta dizer que essa coisa da individualidade, é potenciada pelos próprios papás.

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    4. Eu na primária não estudava, apenas fazia trabalhos de casa. A única coisa que me lembro de ter feito foi uma revisão à tabuada, nas férias grandes, salvo erro antes de iniciar a 3ª classe.
      As rotinas são cruciais, defendo eu, e desde muito cedo.
      Mas sinceramente não noto o que diz do individualismo. Notei muita preocupação por parte dos professores dos meus filhos (e cada um deles teve dois, no 1º ciclo) em fomentar o espírito de grupo. E a turma do rapaz era invulgarmente unida, os miúdos ajudavam-se mesmo uns aos outros. Lembro-me de, na última reunião, uma mãe cujo filho tinha algumas dificuldades o dizer de lágrimas nos olhos. Formou-se ali um grupo muito giro, a união dos miúdos mantém-se, embora hoje estejam todos separados. A verdade é que, à conta disso, os pais acabaram por se dar, hoje em dia tenho ali alguns amigos.
      Ainda ontem a mais nova me dizia que costumavam fazer revisões para os testes em grupo, na escola, que faziam perguntas uns aos outros.
      Posso ter tido sorte mas olhe que tenho crianças bastante exigentes com elas próprias, regularmente se mostram insatisfeitas com notas altas, ambos fazem desportos de competição mas são zero competitivos em relação aos colegas. Nunca vi nenhum aborrecido por não ter sido o melhor, pelo contrário só os vejo aborrecidos com eles próprios quando acham que poderiam ter feito melhor (são ambos um bocadinho distraídos e acontece errarem coisas que sabem, por pura distracção)

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  10. Não acho que esta questão dos exames no 4º ano seja assim tão relevante. Eu, que tenho 28 anos, a primeira vez que fui avaliada da mesma forma que os meus pares a nível nacional, foi com as provas globais do 9.º ano e não me lembro de ter stressado ou de estar nervosa (nem os meus colegas, sempre em escolas públicas). Vi-os como mais um teste. Depois tive os exames nacionais do 12.º e aí estava muita gente nervosa, mas eu não (como nunca estive em relação a nada da escola, da primária à Universidade, sempre fui muito relaxada quanto aos estudos e sempre fui boa aluna).

    Penso que a escola deve servir para nos dar bases e desenvolvermos competências na altura certa, mas, principalmente, para nos dar uma visão geral do mundo e de todas as matérias que este engloba, fazer-nos perceber o que gostamos mais, para o que temos mais jeito, dar-nos cultura geral e ensinar-nos a socializar com pessoas diferentes de nós. O resto é desenvolvido com os pais em casa. Os meus pais nunca tiveram que andar em cima de mim a ver se eu estudava, ou não. Acho que devem ter feito algo bem feito, desde os meus primeiros anos de vida e durante o meu percurso escolar, que fez de mim uma pessoa inteligente, com capacidade para aprender rápido, com gosto pelo aprender, mas relativizando os momentos críticos como testes e exames e sempre com autoconfiança para saber as suas capacidades e saber que, no momento de as pôr à prova, ia ser bem sucedida. Isso para mim é o essencial a transmitir a qualquer miudo e isso só os pais o poderão fazer. Não quero com isto relativizar a escola, nem dizer que é suposto ser levada na "brincadeira", mas, não tendo ainda filhos, vejo colegas minhas com filhos a stressar com testes de matemática dos miudos aos 8 anos, miudos já com explicações, nervosos, sem dormir porque têm testes... isso tudo parece-me surreal. Qual é o problema se não tiverem 100% a tudo? Se não souberem tudo na ponta da língua? Acho que se querem é crianças felizes, que brinquem nos intervalos, que façam amigos na escola, que contem interessados coisas que aprenderam, que tenham vontade de, fora disso, ler livros e ver coisas relevantes na tv e, nesse contexto, acho que ter exames no 4.º ano é excessivo e não vejo o que possam acrescentar aos momentos de avaliação que já existem ao longo do ano. Lá está, a minha geração só teve exames a sério no 12.º, não me parece que o ensino público por onde passámos fosse tão exigente como esse que relata e não vejo em que é que isso nos tornou piores (aliás, até supostamente somos a "geração mais qualificada de sempre", os millenials que estão agora a debater-se para ter um lugar no mercado de trabalho e tantos emigraram).

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    1. "Geração mais qualificada de sempre" apenas significa que uma percentagem acima da percentagem das gerações anteriores tem grau académico mais elevado. Não significa nada mais. O que não faltam são exemplos de pessoas com licenciaturas e mestrados (o acordo de Bolonha dá-me vontade de rir) que nem sequer sabem escrever sem dar erros. Super mal preparados para a vida laboral. É que nem vale a pena irmos por aí.

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    2. Eu não acho excessivo. Se os seus colegas pais stressavam o problema era deles, não o atribua aos exames.
      No meu caso específico nunca exigi que os meus filhos tirassem 100. Mas sempre lhes exigi que dessem o melhor que conseguiam, fosse 70 ou 100.
      E digo-lhe que tive uma troca azeda de palavras com uma mãe que foi para uma reunião de pais exigir que a professora passasse mais trabalhos de casa, que aquilo que passava não era suficiente. Respondi-lhe que os meus filhos tinham actividades depois da escola, e que tinham de brincar, que ela era livre de comprar um livro de exercícios e massacrar o filho dela mas que deixasse os dos outros em paz.
      Os exames são úteis porque permitem avaliar diferenças entre escolas e actuar sobre elas. Se os pais não complicarem los miúdos levam aquilo na maior.

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    3. Anónimo1 de dezembro de 2015 às 16:50, é verdade que há muita gente licenciada e até com Mestrados que vale 0 em termos de mercado de trabalho. Mas também é verdade que a minha geração é das que tem gente mais bem formada e melhor capacitada para poder exercer uma profissão de responsabilidade e não encontra o seu espaço correspondente no mercado de trabalho. Dou-lhe o meu exemplo. Como referi, tenho 28 anos e as seguintes qualificações: licenciatura de 4 anos, Mestrado de 2, acesso a uma Ordem profissional que me demorou 3 anos a obter (tendo sempre passado todas as etapas à primeira), 2 cursos de Verão feitos em Universidades estrangeiras (nos quais fui a única portuguesa a participar), Erasmus, trabalhei em duas instituições reconhecidas a nível nacional e no estrangeiro também em 2 instituições de topo a nível europeu, ganhei 3 prémios de mérito durante a Universidade, um dos quais relativo a um trabalho que foi depois publicado numa revista da especialidade, já vivi em 4 cidades em Portugal e em 3 no estrangeiro, falo fluentemente 4 línguas. Neste momento trabalho em Portugal, numa instiuição em que a média etária dos trabalhadores é 50 anos, onde a maioria das pessoas fez a carreira toda (quase todos os meus colegas estão lá há 15, 20, 25 anos), pessoas essas que, na sua maioria, não conhecem outra realidade laboral que não esta, estão acomodados ao lugar que ocuparam desde sempre e têm uma proactividade (e produtividade) praticamente nula. Comparando o meu CV ao deles, o meu bate-os aos pontos, a única diferença é que eles nasceram 20 ou 30 anos antes de mim e numa altura em que "quem tinha olho, era rei" (ou quem tinha uma licenciatura, safava-se bem e encontrava um emprego para a vida) e, por isso, neste momento, eu tenho de estar no 1º nível de carreira (e salarial), com cortes, com as progressões e os aumentos congelados e a trabalhar sob a orientação destas pessoas que ganham 3x mais do que eu (na pior das hipóteses) e que têm muito menos capacidade, formação e experiência para desempenhar as funções que ocupam. E como estou eu, estão "N" colegas e amigos meus, pessoas esforçadas, que se destacaram nos estudos e nos empregos que ocuparam, que, apesar de terem entrado no mercado de trabalho em plena crise, sempre trabalharam e se esforçaram por adicionar novas e relevantes coisas aos seus CVs, não se importaram de mudar de país ou de cidade se isso implicava ter uma experiência nova que nos parecia boa e se sentem desmotivados por simplesmente parecer que nunca vamos progredir ou chegar a uma situação profissional como a que chegaram que hoje manda em nós, simplesmente por termos nascido na "geração errada". Quem quer fugir a isto, vai para o estrangeiro. Porque em Portugal é esta a realidade que encontra.

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  11. Concordo tanto com o teu post que nem digo mais nada. Apenas te dou os parabéns.

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  12. Tal e qual Picante!! Sim ao exame, não ao folclore em torno dele!
    Sara Matos

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    1. É todo o aparato que enerva as crianças, muito mais que o exame. E suponho que também possa enervar pais mais ansiosos.

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  13. Cara Picante,

    Concordo em absoluto com a observação sobre as metas curriculares! São simplesmente ridículas e desmotivantes!
    Relativamente aos exames, concordava com a sua existência enquanto provas de aferição. A palhaçada em que foram transformados neste último governo foi completamente demolidora! E não era só na sua concepção e execução (ora, porque razão tendo eu uma criança no quinto ano tenho de tirar um dia de férias porque a escola está em exames!? Entre outras questões...), era também as consequências que daí resultavam para as escolas. Provavelmente sabe que às escolas com pior desempenho nos exames eram retirados orçamento e apoios... então, aos que têm piores resultados tiram-se ferramentas em prol de ajudar os que já são naturalmente bons!? Sem ir verificar o porquê!? Sem ver quantos alunos tinha a turma, se era mista em anos de escolaridade, se tinha meninos com NEE, qual era a envolvente social e económica!? Era um voltar suave aos nossos anos ditatoriais, em que só alguns estudavam, feito suavemente e sem as pessoas darem por isso... lá estaria daqui a uns anos o RSI para ajudar, e as Jonets desta vida a coordenar as caridades...
    Espero que agora se volte ao democratizar da educação, efectivo, e que se gerem consensos sobre o sistema educativo... bem precisam os nossos filhos!

    Carla

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    1. Eu acho que deve haver um meio de perceber desigualdades entre escolas. E também acho que os alunos que não adquirem os conhecimentos mínimos devem ser retidos. Se o fazem através de um exame ou de uma prova global ou de aferição, acho perfeitamente indiferente.
      E claro que depois é preciso efectuar acções correctivas mas em calhando já estou a pedir demais.

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    2. Aparentemente e infelizmente parece que andamos todos a pedir demais...

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  14. No nosso tempo é que era! Até criávamos uma relação especial com os professores primários... Agora? Agora é tudo muito mecanizado, muito digital!!

    www.pensamentoseepalavras.blogspot.pt

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  15. O ensino como está fabrica robozinhos para, no futuro, fazerem muitos cursos e doutoramentos. O nosso ensino é tão, mas tão séc. XX! Enfim.

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    1. Nada contra cursos e doutoramentos. Mas, já agora, se os pudessem ensinar a pensar...

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  16. "A gramática Portuguesa é hilariante, houve meia dúzia de iluminados que resolveram mudar todos os nomes que conhecíamos e substituí-los por autênticos palavrões.."

    Não podia concordar mais. O que mais me incomoda é o ensino do Português, pois, para além de ser francamente mau, grande parte dos seus conteúdos obrigatórios são completamente inúteis. Em vez de apostarem na interpretação e na composição de textos, obrigam o aluno a saber coisas como: a Oração Subordinada Adjectiva Relativa Explicativa, a Derivação Não Afixal ou ainda a Composição Morfossintáctica (tudo um autêntico vómito). Mais ainda, mudaram os nomes das funções sintácticas de tal modo que até os próprios professores têm dificuldade em ensiná-las. Depois ficam muitos admirados com a fraca prestação dos alunos nos exames nacionais.

    Quanto à matemática, como é que se ensina a uma criança do 3º ano uma sequência numérica? Aquilo é pura lógica. E aqueles problemas ridículos que pedem que se chegue à reposta através de esquemas? Ahh, e as expressões numéricas? Que eu me lembre, antigamente, aprendiam-se no 6º ano.



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    1. Pois hoje em dia tem expressões numéricas simples no 2º ano.
      Suponho que os programas tenham sido feitos por nerds, super inteligentes que nunca viram uma criança. É a única explicação.

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  17. Francamente, nos dias de hoje as crianças são tratadas como flores de estufa. Sempre fui muito independente nos meus estudos. Eu e a minha irmã - e a minha mãe pouco se meteu, porque gostava de nos ver assim -, independentes e a tratar com seriedade os estudos.

    Sempre tive boas notas. A partir do 7º ano, passei a ter graves dificuldades a matemática. Odiava aquilo - apesar de saber que a professora era competente. Tentei copiar, fui apanhada a copiar. Na vez seguinte, preparei-me, tirei 98% no teste. Continuava a detestar aquilo, o meu cérebro tornou-se incapaz de assimilar até os "métodos quantitativos" que tive durante a licenciatura. Fazia o que conseguia, tirava um 10 ou 11, remediava a coisa.

    Nunca vi os programas escolares, mas sei reconhecer que alguns testes e exames que tive eram fáceis. Nunca fui particularmente esforçada, estudava nos 2 ou 3 dias antes, sempre me safei com notas de 14/15/16 no liceu. Na faculdade, continuei nos mesmos valores, com o mesmo método de estudo.

    Vomitar por causa de um exame? Ficar enjoada? Deus me livre. Deve ser por isso que, nos exames nacionais de 12º ano, consegui, com a minha irmã, algo de que muito me orgulho... entre as duas, fomos as melhores do nosso liceu a 4 ou 5 disciplinas. Eu numas coisas, ela noutras. As "inteligentes" da turma, com os nervos, até tiraram negativa. Eu não sei bem de quem é a culpa... mas os exames eram iguais para todos. Suponho que tenha a ver com os nervos e a ansiedade de cada um... e isso "trata-se" em casa. Lá está, como a Picante, a minha mãe nunca nos pressionou. Os meus pais tinham-se divorciado há menos de dois meses, a minha casa estava um caos, mas concentrei-me e fiz o que tinha a fazer. Por mim. Não porque alguém me tenha dito "tens de te esforçar". Fiz o que me competia porque sabia que era o que tinha a fazer.

    Fico verdadeiramente chocada com a pressão que alguns familiares põem nos miúdos. Mas também fico chocada com o facto de os miúdos se sentirem tão mal se não conseguirem determinado alcançado. Fazem o que têm a fazer... se estiverem de consciência tranquila, não há razões para nervos. Têm sempre a segunda fase. Uma nota menos boa não é o fim do mundo.

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    1. S, nem sei bem que lhe responda. Fico com a sensação de que está a tentar comparar o incomparável.
      Em primeiro lugar os programas mudaram há coisa de cinco anos, salvo erro. Os programas actuais são muitíssimo mais exigentes do que eram há dez ou quinze anos.
      Em segundo lugar não me parece justo estar a comparar maturidades e atitudes face a ansiedades aos 9 anos, que é a idade dos alunos do 4º ano, e aos 17 anos, quando se fazem os exames de 12º ano. Obviamente que estas crianças são muito mais sensíveis a pressões exteriores.
      Finalmente, há pessoas mais ansiosas que outras, haverá sempre alunos ansiosos face a testes, sejam eles de 4º ou 12º ano, nacionais ou não, independentemente de serem bons alunos.
      Eu acho muito natural que uma criança naturalmente mais ansiosa, chegue a vomitar no exame, caso os pais ou professores o tenham amedrontado com o mesmo. Há muitos pais que transmitem a sua ansiedade para os filhos sem o saber. Ajudava retirar todo o aparato que o Governo montou em torno dos exames.

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    2. É muito simples, há mais competição. Há cada vez mais gente a tirar cursos superiores, há menos lugares no mercado de trabalho, a economia ocidental não está a crescer... E pronto, tem de se pensar no futuro da próxima geração.
      Os miúdos hoje em dia têm trabalhos de casa que nunca mais acabam, os pais metem-nos em não sei quantas atividades extra-curriculares, aprendem mais uma língua além do inglês. Com a adolescência começam a ser pressionados para fazerem estágios e começarem currículos, mas manterem as médias para entrarem na universidade. Se forem para uma lá fora, conceituada, melhor. Mas a verdade é que há espaço para tudo. Para as crianças serem crianças, brincarem, relaxarem... E prepararem-se a sério para o futuro. Se calhar vão trabalhar muito mais que as gerações anteriores durante a infância e adolescência, mas podem vir a ter uma vida melhor.

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  18. Picante, concordo bastante com o comentário da S* acho seim que estamos a criar "flores de estufa". A mim mete-me muita impressão que um miúdo chegue a casa e só consiga fazer os trabalhos de casa acompanhado dos pais, que tenham explicações desde a primária, que só estudem para os testes acompanhados dos pais, que passam tardes a estudar com o filho porque vais ter testes. Acho sim que não estamos a dar ás crinças responsabilidade, maturidade e ensina~las a crescer e fazer tarefas da sua responsabilidade sozinhas, embora defenda claro que os pais devem apoiar sempre que necessário.
    Sinceramente também acho que os exames finais em qualquer dos anos exceto no 12º ano e acesso á universidade não vão acrescentar valor nenhum, acho sim que a avaliação continua é muito mais justa, e basta ver o exemplo das universidades que pré-bolonha (no meu caso curso de engenharia) só tinhamos oportuniudade de um exame no final do semestre e agora existem frequencias e trabalhos sendo o exame final de sementre exclisivo para quem não fez acdeira ao longo so semestre.
    sinceramente acho que cada vez mais temos jovens "mais crianças" pela falta de saberem resolver sozinhos coisas tão básicas como estudar para um teste...

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    1. Subscrevo este comentário!

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    2. Bom. A avaliação contínua existe e vale 70%, o exame não a elimina. Por outro lado, é útil na medida em que obriga os professores a darem o programa todo, para além de servir para aferir diferenças entre as escolas.
      Eu tirei o curso antes do acordo de Bolonha. Tinha frequências, trabalhos e exames. Aliás só ia a exame quem não dispensava nas frequências, aquilo era uma última oportunidade de passar.

      Quanto à falta de autonomia das crianças que aponta... sim e não. Há casos e casos. O que lhe posso garantir é que actualmente é necessário estudar no 1º ciclo, alguns alunos mais "vivos" à parte porque as matérias são exigentes. Muitas crianças frequentam centros de estudo porque os pais só as podem ir buscar às 19h e não porque tenham realmente necessidade de ajuda. Se não os frequentassem chegariam a casa pelas 19.30h / 20.00h e ainda teriam de ir jantar, tomar banho e fazer trabalhos ou estudar, a uma hora em que já estão cansadas e não dão rendimento (nas escolas públicas não há horário de tpc's, como nos privados).

      Eu tenho 2 exemplos diferentes em casa:
      Um só começou a estudar no 5º ano e ainda assim só História e Ciências. Tudo o resto bastava-lhe o que assimilava nas aulas e tirava excelentes notas. A turma de 1º ciclo dele era excelente, tirou uma média superior a 80 nos exames de 4º ano (e acima de 90 nos de aferição de 2º ano). Havia um ou dois alunos com mais dificuldades que tinham explicações, de resto mais ninguém as tinha. Devo dizer-lhe que ainda hoje não sei quando tem testes, é muito raro pedir-me uma explicação, por duas ou três vezes pediu que lhe fizesse perguntas, só para ter a certeza de que sabia a matéria. Totalmente autónomo, portanto.
      Tenho outro filho que precisa de ajuda. No seu 2º ano havia cerca de 8 crianças com 2h de explicações por dia. O professor fez o favor de os separar em Bons, Regulares e Maus. Assim mesmo, três grupos na aula. Minou a confiança dos miúdos de uma maneira que nem lhe conto, a minha filha não fazia um trabalho sem ajuda, chegou a dizer-me que ela tinha sérias dificuldades de concentração, talvez tomar medicação, que a levasse ao psicólogo. Recuperei-lhe o 2º ano em casa, nas férias de Verão, abraçou-se a mim a chorar quando finalmente percebeu as horas, que tinha medo de crescer, ter filhos e não saber dizer-lhes as horas!!! Em vez de medicação foi fazer ginástica de competição, no 3º e 4º anos teve outra professora, esta sim uma excelente professora. A partir do momento em que mudou de professora começou a precisar cada vez menos de ajuda, passou o 4º ano com Bom a Português e Matemática, Muito Bom a E.Meio e Artes. Hoje em dia é perfeitamente autónoma no que respeita a trabalhos de casa mas ainda necessita que estude com ela, que a ajude a fazer resumos e lhe faça perguntas.
      Nenhum dos meus filhos andou em explicações. Mas cada caso é um caso. Eu percebo que muitas crianças tenham de andar. Os pais não têm tempo para os acompanhar. Basta que tenham mais dificuldades ou um mau professor.

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    3. Obrigada Picante, o que escreveu neste comentário resume na totalidade a situação em que me encontro, com a agravante de que neste momento não me é possível suportar o custo com apoio escolar, sou das mães que chegam a casa cerca das 19h30/20h00 e ainda têm cerca de 3h/4h de trabalho pela frente, é desgastante e às vezes difícil de levar.

      Bem haja pela sua clareza de ideias e noção das realidades que por aí andam, sim, porque o mundo cor de rosa das revistas, dos blogues, do facebook é muito bonito mas é só para alguns.

      Até breve.

      Carla Almeida

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    4. Carla, deixo-lhe um abraço bem apertado. Tenho a sorte de não saber o que é a angústia que uma pessoa deve sentir a ver um filho a precisar de ajuda e nós sem a conseguirmos dar, por falta de tempo ou recursos.
      Esta sociedade tem as prioridades todas trocadas, nisto os países nórdicos estão anos luz à nossa frente.

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  19. A menina leu? http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/2015-12-01-Cavaco-Silva-critica-ou-ofensa-?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2015-12-02
    Parece ter sido escrita a pensar em si.

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    1. Quando chamam nomes às pessoas acho que isso ultrapassa a crítica.
      Quando as acusam de exceder os seus poderes acho que é uma ameaça à figura do PR

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  20. Cara Picante, sendo eu filha de uma professora de 1º Ciclo com mais de 30 anos de carreira, vou também sentindo na pele o drama que é ser professor. Vou pegar no exemplo da minha mãe:
    A minha mãe, professora já da velha guarda, quando iniciou a carreira, era respeitada na sala de aula pelos alunos e fora desta pelos pais.
    A minha mãe, há muitos anos atrás, tinha toda a legitimidade de dar um berro, de puxar as orelhas até, a uma criança que fosse mal comportada. Aliás, os pais do antigamente, por norma com menos habilitações académicas que a própria professora, apoiavam as atitudes desta, porque também tinham sido repreendidos no passado, e tinham consciência que essas repreensões fizeram deles homens e mulheres de vida...
    Deste modo, a minha mãe é uma das muitas professoras que pondera reformar-se antecipadamente. Segundo ela, não está para continuar a ser massacrada com burocracias que não interessam ao Menino Jesus, nem a ser espezinhada por pais que a tratam como se a conhecessem desde sempre, quando ela se tornou professora por um simples motivo: ensinar.

    Vivemos numa sociedade em que não se pode falar num tom mais alto, que não se pode puxar as orelhas, que não se pode exigir... porque os paizinhos de agora, esses que foram repreendidos há menos de 30 anos atrás, acham que esta "pressão" que se faz nas criancinhas, faz com que elas fiquem com fobia à escola. Muitos deles afirmam que nunca deram aos seus filhos um açoite educacional, porque trata-se de uma "atitude grotesca e medieval".

    Portanto, cara Picante, como podem exigir que um professor tenha condições de ensinar crianças que mais parecem florzinhas de estufa se não é permitido dar um berro ou aplicar-lhe um castigo se se porta mal? Como podem exigir que esse professor faça com que os seus alunos tenham boas notas nos exames, se é considerado quase anti-pedagógico o "mandar fazer" os trabalhos de casa? Como podem exigir que um professor que dá aulas numa escola numa aldeia do interior, onde as crianças têm menos vivências que uma criança de Lisboa, tenha tão bons resultados que num colégio privado? Será esse professor da aldeia pior que o professor do colégio privado?

    Portanto, eu sou contra esses exames nacionais do 1º ciclo. Sou a favor sim, das provas globais, onde os critérios estão mais adaptados de Agrupamento Escolar em Agrupamento Escolar.

    Além disso, em países um tanto mais civilizados que Portugal (Luxemburgo é um excelente exemplo), o sistema de Ensino é adaptado de criança para criança. No Luxemburgo, o próprio governo assume que nem todas as crianças são dotadas para serem Doutoras e Engenheiras, logo têm um sistema adaptado para aquelas que não podem ser, criando cursos técnicos como mecânicos e padeiros, não necessitando estes de saber as leis da Termodinâmica...

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    1. A minha mãe, professora do 2º ciclo, reformou-se antecipadamente recentemente pelos mesmos motivos!

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    2. Em Portugal também há currículos alternativos, adaptados aos alunos com menos capacidade, há cursos profissionais intermédios. Também não é justo que se diga que o ensino português está orientado para criar doutores e engenheiros.
      Independentemente da situação sócio-econômica e até geográfica dos alunos há conteudos que têm de ser comummente assimilados por todos os alunos é uma prova nacional (chamem-lhe exame, prova global ou de aferição) era uma boa forma de igualar alunos, garantir que um aluno intelectualmente capaz residente no interior ou economicamente desfavorecido possui os mesmos conhecimentos que um aluno privilegiado. A exclusão econômica/geográfica/social é anátema que baste, não precisa de mais nenhum.
      Posso dar um exemplo pessoal, tenho quatro tias, as quatro ligadas só ensino, uma educadora, outra do ensino básico e outra no superior. Duas delas trabalharam com miúdos desfavorecidos (uma em Rabo de Peixe, outra liderou um projecto na altura pioneiro que era o ensino itinerante - não havendo condições para ter uma escola nos lugarejos mais remotos as professoras deslocavam-se de aldeia em aldeia para ensinar, em vez de os meninos terem de fazer muitos km ou ficarem sem ir à escola). Como imagina os meios eram reduzidos mas havia empenho dos professores, alunos e pais -nem todos, evidentemente. Mas os resultados foram conseguidos. Uma outra, professora desde sempre em escolas de grandes cidades, nos últimos anos a trabalhar em agrupamentos escolares com todas as condições físicas e mais algumas queixa-se do desinteresse dos alunos, dos pais e dos colegas.
      Acredito que de todos os males do ensino português, se calhar a existência de exames era o menor deles. E acredito também que a sua existência, mais do que acentuar diferenças, poderia ser uma ferramenta privilegiada para as esbater.

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    3. Há ali umas gralhas:
      E em vez de é um exame...
      Ligadas ao ( e não só) ensino
      A terceira tia dá aulas ao 3. Ciclo, nos tais agrupamentos.

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    4. "de puxar as orelhas até, a uma criança que fosse mal comportada"

      E ainda bem que evoluímos. Antigamente os professores podiam até espancar os alunos que não havia problemas.
      Eu fiz o meu 1º ano em Portugal e lembro-me de ter pânico da professora porque ela era uma histérica desequilibrada que guinchava, berrava e batia em todos a toda a hora. E ela nunca me bateu. Bastava-me olhar para ela que eu tinha tanto medo que nem sequer me atrevia a fazer-lhe uma pergunta.

      Depois fui para a Suiça, onde essas atitudes da minha professora e da sua mãe seriam punidas no mínimo com a demissão e no máximo com tempo na cadeia. E, no entanto, a turma aprendia muito bem e nunca ninguém desrespeitou um professor.
      Chama-se a isso pedagogia e saber ser professor.
      E é engraçado porque lá os professores continuam a ser terminantemente proibidos de bater nos alunos e continuam a existir muito menos queixas lá e muito melhores resultados académicos lá do que no nosso portugalinho.

      Eu jamais apoiaria qualquer atitude agressiva ou falta de respeito do meu filho para a professora mas no dia em que uma professora, seja ela quem for, bater no filho, garanto que lhe meto um processo em cima e farei tudo o que estiver ao meu alcance para que nunca mais leccione. As frustrações pessoais são para deixar em casa, quem não sabe educar e manter o respeito sem recorrer à agressividade não merece ser professor nem trabalhar com crianças. Escolheu a profissão errada.

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    5. Cara Mirone, sim, eu sei que existem currículos alternativos para alguns alunos, mas infelizmente o número de vagas é muito limitado. Na minha cidade, que é considerada a mais jovem da Europa, há uma determinada escola profissional em que se necessita de uma boa cunha para entrar lá, tal o número de candidaturas.

      É de louvar a prestação das suas tias, sem dúvida, mas ainda assim insisto na grande discrepância que há entre uma criança residente num local mais ...remoto..., de uma criança da cidade... que claro, não é 100% culpa do ME, mas tem parcialmente a sua culpa na medida em que em escolas mais pequeninas, há uma certa carência de material audiovisual, por exemplo.
      Ainda não há muito tempo, tive que caracterizar a um avô e a um neto que vivem numa serra no nosso interior o que era um hipermercado, explicando que era uma espécie de mercearia onde vendiam tudo, ao qual o avô me perguntou em trajecto de malícia humorada se também foguetes, portanto...

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    6. Alima, eu já referi parte do que diz num comentário, ali mais para cima.Tenho o maior respeito pelos professores, eles são muito mal tratados pelos nossos governantes.
      Percebo o que diz quanto a pais que desculpabilizam os meninos e acusam professores, eu não teria pachorra para esta profissão.
      Mas continuo a ser a favor de um exame. Ou de uma prova de aferição. Ou de uma prova global. Qualquer coisa igual para todos, que permita aferir diferenças entre escolas / zonas para que depois se actue sobre essas diferenças.
      É verdade o que diz. Não podemos ser todos doutores. Mas eu acho que o 1º ciclo tem de ser aprendido por todos. É demasiado básico para não o ser, quer as pessoas venham a ser médicas, quer venham a ser canalizadoras.

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    7. Cara Alima, não tenho nada contra que os professores mandem um berro quando é necessário, que ponham os meninos de castigo, na rua, que os mandem ao diretor, etc. Mas se um filho meu me aparecesse em casa a dizer que a professora lhe tinha tocado (mesmo que fosse um puxão de orelhas) eu garantia que essa professora estava na rua no dia seguinte. Eu sou completamente contra violência, acho que uma estalada é a pior coisa que se pode fazer face à educação de uma criança. E vai uma professora, que é suposto ser um exemplo para as crianças, usar violência para repreender um miúdo. Não, peço desculpa mas não. Eu já não apanhei disso e ainda bem. Coisa mais retrograda e estúpida. Não sabem lidar com os miúdos porque os tempos evoluíram, tirem outro curso, façam pesquisa, peçam ajuda. Mas recorrer a violência nunca.

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