segunda-feira, 30 de novembro de 2015

E ainda que mal pergunte

A ministra da justiça não é de raça negra? A outra não é cega? O Costa não é de origem goesa? Não é a primeira vez que isto sucede no governo? Qual é exactamente o mal de estas coisas serem faladas? E por que raio é que só no CM é que a coisa foi chocante e ignóbil? O Expresso também o referiu. E o DN. E as rádios. E as televisões. 
Alguém me explique qual é exactamente o problema de se dizer que pela primeira vez há uma ministra negra no governo, quando isso é a mais absoluta verdade. Eu só o consigo explicar atribuindo uma enorme dose de hipocrisia às pessoas mas de certeza que há outra explicação, afinal estamos quase no Natal...

(não ouvi reacções destas quando o Obama foi eleito e a coisa foi noticiada de igual modo, por exemplo...)

71 comentários:

  1. Quando o Obama foi eleito foi o primeiro afro-americano a ser presidente nos EUA e foi um feito histórico!!!!
    Mas concordo contigo, parece que mencionar o óbvio é o fim do mundo...

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    1. Mas cá também é inédito, acho que é exactamente a mesma coisa.

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    2. Não é mencionar o óbvio. é a forma como foi dito, (pelo Correio da Manha).
      E a forma como é dito pode fazer uma diferença enorme.
      Não me diga que se a picante tivesse que falar sobre este assunto aos seus filhos explicaria assim: o novo governo tem uma preta, um cigano e uma cega?
      Eu já aqui deixei uma vez um comentário (no post da menina grávida) referindo uma situação na escola da minha filha. É uma escola em Chelas, onde há meninos negros, ciganos, indianos, chineses, entre outros. Sempre ensinei à minha filha que as pessoas tratam-se (chamam-se) pelo nome. Cada criança tem nome, e é pelo nome que deve ser sempre chamada.
      E sim, também lhe explico que infelizmente muita gente ainda discrimina outro ser humano pela cor da pele, a etnia, a nacionalidade, o aspeto físico e diferenças, etc.

      A situação que aqui falei, na resposta ao outro post, também podia ter sido dita de outro forma, (a preta está sempre a chorar com saudades dos pais e da avó), podia. Mas não era a mesma coisa, pelo menos não era para mim e não era para a minha filha.

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    3. Não, não diria. Acho demasiado cru. Mas poderia ter dito que pela primeira vez há uma pessoa cega e outra preta (ou negra) no governo. Isso poderia. E não estaria a reduzi-los a isso.

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  2. Eu lido com a diferença todos os dias, o meu filho é autista e portador de uma doença rara, eu assumi e aceitei a diferença desde o dia do diagnóstico, quem me lê, sabe isso. Não aceito no entanto que o reduzam à sua condição. Ele não é "o autista", ele tem nome e muitas capacidades além do seu autismo.
    Se os meios de comunicação tentaram mostrar que não há tanta discriminação ao reduzir as pessoas à sua condição física ou raça, acho que atingiram exactamente o contrário. Vamos julgar as pessoas pelo carácter e capacidade de trabalho, a meu ver a "diferença" foi usada para chocar e vender jornais. Isso é só triste!!

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    1. Be, acho que a discriminação está na cabeça das pessoas. Eu não vi a coisa como um julgamento, tampouco a vi como a redução de uma pessoa a uma condição física. Vi o noticiar disto como falar-se de uma novidade. Uma novidade boa, já agora, acho excelente que uma pessoa cega chegue a um cargo destes, é o assumir que não lhe está vedado o acesso a funções de responsabilidade por causa de uma condição física limitativa. Acaba por ser um exemplo para todo o país, para milhares de empregadores. E isso parece-me boa coisa.
      Quanto à ministra da Justiça, também não é habitual ver-se um negro numa função de poder. Conheço várias empresas. Em nenhuma delas vejo negros na administração ou direcção. Da mesma maneira que na maior parte delas, existem mais homens que mulheres no poder. Isso é tão notícia quanto ter um negro ou uma mulher na Casa Branca. Quer porque nunca aconteceu, quer porque mostra um sinal positivo, de que a cor da pele ou sexo não é impeditivo de nada.

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    2. Olhe picante eu quando vi a capa do jornal vi muita falta de educação e liberdade de insulto e não liberdade de imprensa nem nenhuma noticia séria. E as pessoas não são a cega, o cigano, nem a preta são o Sr. tal e a Sra. tal com educação e respeito.
      Se assim fosse també deviamos chamar os homossexuais ao barulho....paneleiros....ah espera isso não que é discriminação....é insulto.....qual é a diferença picante????

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    3. Eu não consigo ver como insulto dizer que um preto é preto, ou que um cego é cego. Isso para mim é tanto insulto como dizer que um louro é louro.
      (a homossexualidade do Portas é piada recorrente, a sério que nunca a ouviu?)

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    4. A discriminação não está na cabeça das pessoas, o facto de nós próprios não o fazermos ou não o aceitarmos, não é condição para dizer que ela não existe. Existe, eu só tive a real noção do fenómeno quando o comecei a sentir na pele e não falo das crianças que não se juntam para brincar com o meu filho, dos que o reduzem a deficiente e afins. Falo dos adultos que o fazem e são muitos, um já seria demais mas são muitos, acredite.
      Neste caso, foi redutor, será sempre redutor, esta linguagem num título de jornal é feio, nada que não estejamos habituados com o jornal em questão, se bem que não foi o único:
      http://www.jornaldenegocios.pt/economia/seguranca_social/detalhe/uma_economista_um_sociologo_e_uma_cega_ao_lado_de_vieira_da_silva.html?utm_medium=Social&utm_source=Twitter&utm_campaign=Echobox&utm_term=Autofeed#link_time=1448481792
      A senhora é jurista, com uma carreira académica acima da média, mas isso não interessa nada, afinal é "a cega". Seria muito diferente e com outro alcance dizer, por exemplo, a primeira governante cega. Que foi o que aconteceu com o Obama, como tão bem refere.

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    5. Eu não digo que a discriminação não existe, Be. Óbvio que existe. Digo que, na minha leitura, o dizer-se que um cego é cego não é discriminá-lo. Discriminá-lo é achar que ele não serve para nada só porque é cego.

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    6. Concordo com a Be, Pic. Havia mil e uma maneiras de fazer as parangonas sem ser daquela forma.

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    7. A CM foi rude. Concordo. O título estava seco, poderiam ter sido mais polidos. Mas não vejo razão para todo este chinfrim.
      Agora também há aí uma campanha que é feio dizer atrasado mental, quando uma pessoa faz uma asneira, ai que horror que isso é discriminar os deficientes. Pah. Não me lixem. A sério.

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    8. Não creio que acrescente mto ao q foi dito, mas é isso picante, é a maneira como dizem ou escrevem a coisa, em parecendo q não (e como imagino q bem saiba) faz toda a diferença...

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    9. Ouvi sem picante...ouvi...mas nunca li em nenhuma capa de jornal...."Vice-primeiro ministro paneleiro"....

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    10. Pois eu não concordo. Acho que é mais que isso. A ver se arranjo tempo para fazer um post sobre isto.

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    11. NM nunca viu, porque ele nunca assumiu. Isso especula-se, mas não há a confirmação. Mas se houver algum assumido que chegue lá acredite que verá (não com paneleiro, mas talvez com homossexual)!

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    12. Ana, também nunca li isso. Mas vi sketchs no contra-informação sobre os gostos dele, por exemplo.
      (estou quase certa que foi no contra-informação)

      Nê, então achas que os homens quiseram deliberadamente ofender alguém. Porquê? Que razão tem um jornalista para ofender alguém que nunca lhe fez mal? E que pode fazer, já agora?
      Sinceramente, antes de ir à procura da ofensa, tento perguntar-me se não há outra explicação. Muitas vezes há e a ofensa só está nos nossos olhos. Não quero dizer com isto que não possa estar errada, apenas que vi o publicitar algo inédito (rudemente, concedo) e não uma ofensa ou intenção de reduzir.

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    13. Pois para mim nada tem a ver com ofender, ou mau profissionalismo... Eu nunca leio o CM, até evito, para mim é como se não existisse... Mas puseram-me a falar dele! Publicidade, não interessa se falam bem ou mal, o que interessa é que falem!

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    14. Talvez não quisessem ofender. Mas quiseram chocar. E vender, claro. Não foi inocente. (Não tive tempo para post... Snif, snif... Uma oportunidade tão boa para nos zangarmos e andarmos à blogo batatada e olha... Talvez amanhã.... A minha blogo carreira vai de mal a pior, é o que é....)

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    15. ahahahahaha
      Arranjei as blogo unhas, não posso andar à blogo chapada.

      (todos falaram do caso, Nê, ou quase todos, vá... só este é que foi trucidado)

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    16. "Eu não consigo ver como insulto dizer que um preto é preto, ou que um cego é cego. Isso para mim é tanto insulto como dizer que um louro é louro." Se calhar é porque não é negra, nem cega. Nem pertence a um grupo de pessoas que foi discriminada durante séculos. É uma mulher branca num país de primeiro mundo como eu. Temos muita sorte, mas não vamos fingir que preconceito nao existe. As vezes basta um pouco de empatia.

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  3. O problema não foi ninguém dizer que existe, pela primeira vez, no governo, uma ministra negra (verdade). Nem dizer que o Costa é de origem goesa (também é verdade).

    A Picante percebeu perfeitamente que as queixas recaíram (apenas e apenas) sobre o título do CM (que passo a citar) "Costa chama ao governo cega e cigano". É um título ignóbil sim senhora, mas que não deixa de estar ao nível do jornal que é, daí que já não me tenha chocado. Não me lembro (porque não vi confesso) DN e Expresso a fazerem uma capa de jornal com o mesmo nível, mas devo ter sido eu (realmente não há maneira daquele pasquim seguir um rumo com uma certa elevação). Só faltou colocarem um título a dizer "Costa chama ao governo cega, cigano e preta (não negra, é preta mesmo), mas acho que até aquela gente do CM percebeu que estariam a puxar a corda para um nível nunca antes visto. É que o relevante nesta história toda é que o Costa não chamou uma preta ou uma negra para o Governo. Chamou sim uma mulher inteligentíssima, trabalhadora e com um grande currículo, com provas dadas na sua profissão, respeitada no meio, isso sim é que deveria ser falado (veremos que trabalho fará agora, mas isso são outros 500).

    Mas realmente o que eu não consigo perceber é como houve tanta gente ofendida com esse título quando são os primeiros a chamar ao Costa "monhé", mas enfim.

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    1. Não vi as capas, apenas vi notícias on line, não percebi se eram capas ou notícias interiores. Mas eram semelhantes e não fiquei nada chocada exactamente pelas razões que apontei acima, à Be.

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  4. Também fiquei: "oi? Que se passa?" com o escândalo à volta do título do CM... "cigano e negra (ou preta, para mim sinceramente é igual, como não tenho nada contra pessoas de raça negra não vejo mal nas palavras, mas adiante) no governo"... Pensei cá para mim, mas queriam que dissessem o quê? "Homem descendente da etnia cigana e mulher de raça negra", ah? Mas não é igual a "cigano e negra"? A maldade está em quem leu a coisa como discriminação, eu não li. Se estivesse em África e dissessem " branca" também não levava a mal, não entendo estas questões.
    E podem dizer que não era preciso referir essa situação, mas acho que o jornal (todos) estava apenas a referir que haviam pessoas de outras etnias/raças, o que não é muito comum, logo estavam a dar ênfase à coisa! Enfim.

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    1. anónimo (11:20)
      Nem uma coisa nem outra.
      o correto seria Costa chamou para o governo as pessoas:.....
      Em calhando o anónimo quando quer designar alguém usa uma descrição física da pessoa. Eu habitualmente chamo as pessoas pelos nomes. É possível que seja esta a diferença e por isso eu não consiga sequer entender o seu ponto de vista.
      Picante, sabemos que está com esta situação politica pelos... agora, defender o indefensável...
      Pode rebater o que quiser. Eu nunca vi o CM dizer Passos chama gay, branca, e o gordo para o governo. Ou portugueses elegem magricelas, amarelado, com deficiência na linguagem expressiva para presidente
      (e isto, nem sequer era insultuoso, mas não é a forma como se deve designar as pessoas. Não é de todo - e nada do que possa dizer consegue defender isso).

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    2. Eu acho que ter uma pessoa cega no governo é noticia. E uma noticia boa por tudo o que implica. Já ter uma pessoa gorda não diz nada de nada, há lá dezenas de gordos pançudos.
      E, se for a ver eu estou a apontar uma incongruência. Só o CM foi crucificado,

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  5. Já reparei que usar o termo "negro" em vez de preto é o mais politicamente correcto. Mas o termo negro nos USA é precisamente ao contrário, é considerado racista. Alguém sabe dizer a razão pela qual negro em portugal é menos mau que preto? Desculpem estar um pouco fora de tópico, mas certamente alguém aqui saberá explicar. E sim, também acho estranho isso do CM ser um "escândalo".

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    1. Para mim é exactamente o mesmo, não emprego qualquer deles com sentido pejorativo, mas percebo o que diz.
      Sei que que nos estados do SUL era costume chamar-se "negro" aos escravos, tal como "boy". Talvez venha daí a explicação? Não sei...

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    2. Por acaso negro, deveria ser mais pejorativo. Vem do Grande Negrão que é o Diabo. Porque é que passamos a utilizar negro e não preto não sei. Assim como mulato é altamente discriminatório e é utilizado na boa. Mulato vem de Mula, cruzamento de burro com uma égua, que origina um ser híbrido não fértil, no tempo de antigamente cruzamento (forçado) de Senhor com a escrava. Não acompanhei de perto as notícias e capas de jornais, mas vindo do CM... Acho que foi mesmo limitar as pessoas às suas condições exteriores, poderá ser discriminação da minha parte, mas dali nunca vem boa coisa e não dou o benefício da dúvida.

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  6. Querida, não seja ignorante. "Raça" seja ela qual for, não existe nos humanos. Raça, neste caso, pressupõe-se que há uma hierarquia nos humanos, e não é o caso, por mais que alguns queiram. Isto nada tem que ver com semântica, é ciência. E comprovada.

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    1. E eu a pensar que havia raça humana... snif

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    2. E não existe.
      Nem pareceu seu Picante, grande falha essa da Raça.

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    3. Espécie Humana, anónimo das 12:13.

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    4. Preciosismos.
      Quando andei na escola, em ciências, falava-se em raça caucasiana, negra, etc. Sem qualquer sentido pejorativo ou de hierarquia. Isso é um preciosismo bacoco.

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    5. Não são preciosismos bacocos, só porque a Picante acha que está correcta. Isso são resquícios do colonialismo e escravatura. Também achavam que a Terra era plana e o centro do universo, que a homossexualidade era uma doença, as coisas vão evoluindo, convém não ficar agarrada no passado.

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    6. Para alguns exames médicos (e não só) pergunta-se sobre a raça do paciente... É cientificamente relevante.

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    7. Existem raças sim, agora é que acharam por bem retirar isso. Também existem raças de cães e nada tem a ver com hierarquias. Chega de palhaçada e comecem a chamar os bois pelos nomes.

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    8. Anónima, sabe que mais? Beca, beca, beca.
      Variadíssimos formulários a falar em raças.

      Olhos em bico. Pode dizer-se? Ou também é hierarquizar?

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    9. E então? Isso quer dizer que estão correctos? Olhos em bico, é tão interessante como badocha, lá está, fica ao critério de cada um. É verdade que isto não é um blog académico e o que vai sendo aqui escrito vale o que vale. Ficava-lhe bem admitir que está errada, mas lá está o que para aqui vai, não é para ser preciso.
      NM, cientificamente saber a raça não é relevante, porque cientificamente raça não existe, agora saber se é de origem negra, branca, asiática, o que quer que seja, isso sim é relevante.

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    10. Anónima (15:15), sei do que falo. :)

      (Caso contrário manter-me-ia caladinha que ninguém me incumbiu o sermão.)

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    11. NM, também sei do que falo. Percebo o que quis dizer, continuo a afirmar que raça não existe.
      (sim, compreendo a parte da relevância)

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    12. "Raça, neste caso, pressupõe-se que há uma hierarquia nos humanos..." é negativo. Raça serviu para classificar populações de uma mesma espécie, como nos cães, dálmata, boxer, etc, não está a hierarquizá-los, está apenas a classificá-los.

      Mas tudo isto é cagativo, as pessoas quando querem ver (ler) maldade, é isso que vêem!

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    13. A questão não é se é ou não interessante: A questão é que as pessoas recorrem a características físicas para descrever outras, normalmente quando o nome não é suficiente.
      E portanto, não, não acho errado descrever alguém como gordo, preto, cabelo encaracolado ou olhos azuis. Tem tudo a ver com contextos e com a maneira como é dita a coisa.
      E, independentemente do que a comunidade cientifica tenha concluído, quando eu digo que alguém é negro ou caucasiano não estou a fazer qualquer hierarquia. Raça ou origem, quanto a mim é mera questão de semântica.

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    14. Pic, um exemplo. Há fármacos que são eficazes em população caucasiana e que são intoleráveis em população de ascendência ameríndia, por exemplo. O tratamento para a leucemia é paradigmático. Há fármacos que funcionam muito melhor para umas populações que para outras.
      Mas por outro lado, há (de um modo geral e para grandes grupos, ciganos incluídos) maior diversidade genética intra raça que inter raça.
      Tudo dependerá dos marcadores de interesse.

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    15. Bem, isto está animado por aqui...

      Anónimo das 15h31, não sabe do que está falar portanto, se não tem nada de interessante a acrescentar e for comentar no sentido do "é assim porque sim" ou porque está escrito na wikipédia, mais vale não dizer nada, para pouca precisão leio o CM.

      Ali acima ou abaixo, falaram do mulato, que como disseram é altamente pejorativo, lá porque quem o diz não esteja a ser maldoso, isso não quer dizer dizer que quem o ouve não o ache insultuoso. Raça, vai mais ou menos no mesmo sentido que o mulato, no início do séc. servia para hierarquizar, europeus brancos no topo, mais inteligentes e tudo e tudo, latinos depois, asiáticos depois até chegar aos negros. Compreendo que para a maioria faça sentido utilizar a palavra raça, para mim não faz, está completamente em desuso e como foi dito não existem raças nos seres humanos, espécie Homo Sapiens Sapiens.

      Compreendo a parte do recorrer a características físicas, nem estou a dizer que referir que alguém é negro é incorrecto, já dizer que é de raça negra, sim é incorrecto, a parte de dizer raça, mas lá está como disseram isto não é blog académico em que se exija grande precisão. E não há maldade nenhuma no que a Picante rscreveu

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    16. NM, questão: e não pode ser intra grupos ou inter grupos? Ex. grupos de origem negra, grupos de origem cigana? Claro que pode! Há necessidade de classificar como raça (quando a mesma não existe) basta substituir a palavra. Caramba, não é assim tão difícil.

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    17. I. Sou o anónimo das 15:31, de facto não sabia o que refere no 3º parágrafo sobre a raça ("Ali acima ou abaixo,..."), obrigada pelo esclarecimento.
      Quanto ao 2º parágrafo ("se não tem nada de interessante a acrescentar e for comentar no sentido do "é assim porque sim" ou porque está escrito na wikipédia, mais vale não dizer nada"), foi muito simpático. Lamento não ter os conhecimentos necessários para entrar nas discussão, retiro-me então.
      Havia alguma necessidade deste parágrafo, não bastava ter explicado o que explicou? É o mal das pessoas hoje em dia, traulitada logo, sem motivo nenhum, mas enfim, cada um sabe de si.

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    18. I., não sei se percebi a tua questão... O que eu quis dizer é que nuns estudos aparecem mais afastados que noutros porque lá está, estudam-se partes do genoma, não se estuda o genoma todo. Isso ainda não se faz corriqueiramente em grande escala. (Mas as pessoas já não estão habituadas a isto. Acham que já se sabe tudo e com toda a certeza. Não sabe.)

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    19. Ah... Já percebi o teu ponto I. (há pouco li a correr ao entrar no carro)... Questiúnculas de semântica??!! A esta hora? Eh pá, muito obrigada pela atenção, mas estou fora!

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    20. Anónimo das 17h58, possivelmente tem razão e peço desculpa pela arrogância, mas do que li também entrou com uma postura "é assim pq é assim" e isso tira-me ligeiramente do sério, mas também posso ter percebido mal e como tal, lamento pela minha resposta.

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    21. I. desculpas aceites. O mal "das escritas" é que não percebemos como a pessoa está a falar, deixe lá para a próxima corre melhor!

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    22. Ás vezes é mesmo bom ter um blog. Vocês as duas deixaram-me um sorriso rasgado na cara.
      (durmam com os anjos...)

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  7. O problema não é ser preta/negra/de cor/como preferirem. O problema não é ser cega. Nem cigano. É resumir as pessoas a isso: cego, cigano, negro. As pessoas são escolhidas pelo seu mérito (em princípio!!), mas resumem-nas a uma característica física ou a uma etnia.

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    1. Lá está. Não entendi a coisa assim. Apontar uma característica física não significa reduzir as pessoas a ela.
      Mas é apenas a minha opinião, se digo que uma mulher é bonita não assumo automaticamente que é fútil e não tem nada na cabeça.

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  8. Cá só fica bem chamar nomes feios aos políticos. Ou às mães dos políticos. Tudo o resto é crime de lesa majestade. Oh gentinha cínica.

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  9. http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/ferreira-fernandes/interior/a-minha-amiga-e-negra-4906163.html

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  10. Pipocante Irrelevante Delirante30 de novembro de 2015 às 15:54

    Nota prévia: o Obama não é preto/negro. É mulato. O que é diferente... perguntem a um africano.

    Do CM
    Manchete de "chama cega e cigano" parece um bocado... estúpido. Nem vou pelo politicamente correcto do invisual, mas aquilo é um título básico. Se revela xenofobia? Acho que revela imbecilidade

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  11. Cara PMP, tenho alguma dificuldade em imaginar a imprensa alemã a destacar: «Merkel chama paralítico para o governo» referindo-se à nomeação de Schäuble. Mas os padrões dos jornais alemães serão decerto diferentes dos do CM -- assim o creio.
    Votos de uma boa tarde.

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    1. ahahahahah Xilre.
      Uma pessoa gosta de discussão, extrema as coisas, quando dá por si está a defender aquilo que nem ela própria acredita.
      Aquilo está cru, que está. A questão é que houve uma série de meios de comunicação a falar da coisa nestes termos, ou próximo destes termos, vá... Só vi o CM a ser crucificado. Tenho cá para mim que a crucificação se prende mais com a origem da coisa que com a própria coisa.

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  12. Falso moralismo português. A realidade é que há uma ministra negra, um primeiro ministro de origem goesa e alguém de etnia cigana e uma cega. Qual é o problema de tratar as coisas pelos nomes?

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    1. nota-se porque é que é desempregada

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  13. A sério que está a tentar justificar um título completamente estúpido do CM? Sabe perfeitamente que os substantivos cega e cigano estão lá para se venderem mais jornais, é o sensacionalismo barato do CM. Dizer que não percebe o que tem de mal e que as pessoas se ofendem com pouco é só triste. Ninguém se gosta de ver reduzido a uma característica física que em nada interfere nem relevância tem para as funções que cumpre. Ou gostava que alguém perguntasse por si no seu trabalho como a baixa, a gorda, a magra, seja o que for? Ia achar que quem o fizesse era mal formada. Este título é de gente mal formada e defende-lo faz de si o mesmo, não acha?

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    1. Não é nada disso que estou a fazer. Leu mesmo o que escrevi? Ou apeteceu-lhe só vir aqui dizer que sou mal formada? É que, a ser verdade, isso coloca-a exactamente no mesmo patamar que o CM.

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    2. Vim apenas explicar-lhe que todos os jornais falaram disso e que a polémica com o CM advém da utilização rasca de palavras (está ao mesmo nível de chamar niger ao Obama, percebe a diferença). Acho normal que se fale disso, mas há maneiras e maneiras de falar. E continuo a achar que defender este tipo de jornalismo é de gente mal formada.

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    3. Concordo consigo. Há maneiras e maneiras de se falar. E vi outros meios de comunicação a falar de cegos e ciganos. Assim mesmo. Por isso torno a perguntar: qual é a diferença?
      E não, não estou a defender ninguém, só acho é incoerente.

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  14. Há maneiras e maneiras de por as coisas, e a questão é que o CM usou no título de uma notícia características que fazem com que aquelas pessoas pertençam a grupos discriminados quando são muito mais que isso. A deputada que é cega é mais do que isso. O deputado que tem o pai cigano é mais que isso. Não há mal nenhum em referir estas coisas, porque sim, são características das pessoas e até acho que a raça deve ser mais discutida em Portugal porque há MUITO racismo. Mas a maneira como o CM pos as coisas roça já na discriminação e muito mau-gosto

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    1. Eu acho que roça só a má educação. Nada mais.

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    2. Não, roça mesmo a discriminação. A partir do momento em que uma pessoa é referida pela característica que é vista como minoritária no mundo ocidental, isso é discriminação. A palavra cega, quer se queira quer não, tem conotações negativas que nos faz lembrar uma deficiência. Se dissessem "Pela primeira vez a comunidade cega esá representada pela deputada tal e tal na assembleia" era muito diferente. As palavras têm imenso poder e têm o poder de discriminar.

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    3. Anónimo (a), por muitas voltas que se queira dar um cego tem mesmo uma deficiência, não é uma pessoa especial, é uma pessoa que tem a vida dificultada e muito. A cegueira é uma deficiência grave, levante o dedo quem goste de ser cego.
      Discriminação é dizer que um cego não serve para nada. Não é dizer que cegueira é um handicap.

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    4. Peço desculpa, mas é cega? Se for peço mesmo desculpa. Se não é deixe os cegos decidirem o que é discriminação ou não para eles. Tal como os negros, como os ciganos

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