sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Como disse?

Estava a vossa Picante descansadíssima da sua atribulada vida, tendo por principal preocupação a difícil decisão de optar por repetir um pouco mais do peito de canard braseado, acompanhado de batata nova em cama de espinafres salteados, ou partilhar um fondant de chocolate com sorbet de baunilha, quando o rapaz me tira o apetite por completo ao exclamar, com ar demasiado natural, "Ó mãe! Hoje a Júlia e a Francisca quase se pegavam à bofetada, a Francisca disse-nos que a Júlia já tinha estado grávida..." 

(Os nomes são fictícios, a história não. Tivemos a primeira conversa sobre consequências não desejadas de sexo extemporâneo)
(e sim, a Júlia parece estar bem, confirmou a coisa com um desembaraço e desavergonha notáveis, apenas ficou aborrecida derivado de a outra ter dado com a língua nos dentes)

72 comentários:

  1. Pois, parece que o natural é levar tudo na tranquilidade. Deixar fluir. Os miúdos são uns compinchas giros e se os deixarmos fazer tudo o que eles querem somos felizes, e eles gostam muito de nós.
    Contrariá-los? E se depois eles deixam de gostar de nós? (ironic)

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    1. Eu fico verdadeiramente abismada com os graus de liberdade que têm os amigos do meu filho. Mas, ao que vejo, sou a mãe mais intransigente, a única que acha que uma criança de dez ou onze anos não tem idade para andar sozinha pela rua, inclusive à noite.
      Enfim, nada a fazer a não ser a costumeira resposta de "não quero saber o que fazem os outros pais, cá em casa as regras são estas e a autonomia conquista-se".

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    2. Mas olhe que se calhar devia ter mais atenção às companhias do seu filho. Parece que é assim que começam. Já se assegurou que a Júlia e a Francisca também têm sorbet e canard nas suas mesas de jantar? É que essa malta da Amadora costuma alimentar-se no McDonalds, aquilo não é nada saudável.

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  2. Como me disse a minha mãe ainda há uns dias: Se contarmos tudo à nossa melhor amiga, não temos intimidade só nossa.

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    1. Dificilmente uma criança sabe lidar com uma situação destas completamente calada.

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  3. Se levava ovos e leite é sherbet, sorbet não leva os ovos e leite. Como é de baunilha, dificilmente não será um sherbet.
    Se ficou incomodada pelo facto da outra ter dado com a língua nos dentes, dificilmente não terá sentido vergonha, deduzo que sejam miúdos e bem novos, nem sabem bem como lidar com isso. Não estou minimamente a desvalorizar o sucedido, mas essa situação diz tanto da Júlia como da da Francisca.

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    1. Era sorbet, era isso que dizia a embalagem.
      Pois eu acho que diz muito mais da Júlia que da Francisca, mas são opiniões.

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    2. A mim pareceria-me que diz muito mais dos pais da Júlia que dos pais da Francisca. Há uma tendência para criticar e julgar pré-adolescentes como se fossem adultos, quando na verdade os seus comportamentos e atitudes têm tudo a ver com a relação que têm com os pais, a educação que receberam e recebem atualmente e o clima que se vive em casa. Os filhos nessas idades, apesar de terem a sua própria personalidade, são um reflexo dos pais e dos valores e limites que estes lhes passam...ou não.

      Sofia

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  4. Parece-me justo, não se pode falar da intimidade dos outros. Sejam eles amigos ou familiares, sejam primos afastados ou os próprios filhos. E pior que falar a uma pessoa, será explanar na net. Mesmo que sejam casos com contornos simples, felizes e sem dramas, a vida intima não devia dar oportunidade de manchete bloguesca.

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    1. Concordo consigo, naturalmente. Mas neste caso específico o falatório parece-me perfeitamente normal e nem deverá ser por maldade.

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  5. O jantar ontem foi frango assado, portanto.

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    1. Não. Ontem comemos frango de fricassé com arroz de manteiga.

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    2. Tem a certeza de que era de manteiga? Ainda há dias pensei o mesmo e, quando dei por isso, a minha D.Joaquina usou margarina. Não se pode confiar nelas.

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  6. Mas que idade tem a rapariga?

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    1. Pois o problema é mesmo esse. É demasiado nova.

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  7. Ai picante, alguns dos seus leitores escrevem comentários de se bradar aos céus.Mas esta gente não lê com olhos de ler? será possível que não tenham percebido que a idade da rapariga, por certo, é curta para essas andanças?

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    1. Uma criança. Fiquei mesmo incomodada, caramba.
      E a naturalidade com que ele me falou da coisa... aquilo foi natural para eles. Percebi que tinha havido várias conversas, entre os miúdos, mesmo o meu não ficou chocado o suficiente.Acho que foi isso o que mais me chocou.

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  8. Picante, ponha lá as crianças novamente no colégio. Nunca terão estaleca para uma escola pública (mesmo das tais mais "finas", onde é preciso cunho tal é dificuldade em arranjar vaga).

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    1. Já os tive em colégios e não gostei. A vida não é aquilo.
      Eu sou pela escola pública. Definitivamente. Acho que se tornam mais autónomos, mais responsáveis e aprendem a lidar com todo o tipo de pessoas.
      E olhe que há uns anos atrás era daquelas pessoas que não queria sequer ouvir falar em escolas públicas. Fiz a experiência muito a medo e um bocado contrariada. Mas hoje em dia prefiro o ensino público.

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    2. Agora é que me surpreendeu, Picante! Não a imaginava a ser desta opinião, mas concordo em absoluto consigo. E, ao Anónimo20 de novembro de 2015 às 12:27, pergunto: acha mesmo que este tipo de coisas não se passa nos colégios? Bem piores, até!

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    3. Hoje em dia reconheço que o meu problema com a escola pública não passava de preconceito. Ainda assim assumo que não os poria em qualquer escola pública. Uma coisa é eles darem-se com toda a gente e haver, também, este tipo de exemplos. Outra é estarem rodeados de gente proveniente de famílias desestruturadas. Os amigos têm uma influência demasiado grande.
      E acho que a escola pública exige uma rede de suporte maior que um colégio privado. Quer em termos de acompanhamento de estudo, quer em termos de actividades extras para complementar as lacunas no ensino, nomeadamente a nível cultural e desportivo. Nem todas as famílias têm essa possibilidade, por mim falo, é um esforço enorme. Mas eles são miúdos verdadeiramente felizes, é o que me importa.

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    4. Eu andei sempre em escolas públicas, que não eram das piores referenciadas, mas também não eram das melhores e tínhamos de tudo. Houve um ano (7º) em que saiu muita gente da minha turma e fiquei eu e mais 2 colegas numa turma de miudos de famílias destruturadas, com imensos problemas sociais, de aprendizagem, desinteresse pela escola, etc. O nosso director de turma achou que nós as 3 estávamos a ser prejudicadas por estar nesse ambiente e sugeriu aos nossos pais e ao Conselho Directivo que mudássemos de turma no ano seguinte, o que acabou por acontecer e fomos parar a uma turma mais diversa e heterogénea. Esse tipo de decisões faz sentido para mim e penso que há preocupação na escola pública de as contemplar (há professores bons e maus, como em qualquer lado, mais ou menos empenhados). Ali naquele caso nem era propriamente a influência, porque em termos de mau comportamento tanto o presenciei nessa turma, como no Secundário em que estava numa turma só de betinhos (até diria que a turma de betinhos era capaz de coisas bem mais maldosas e comportamentos piores que os "pobres"). Era mais o estarmos a ser prejudicadas a nível de aprendizagem, pois os professores não conseguiam avançar tanto nessa turma e tinham de direccionar as aulas para alunos com um nível de conhecimento e aptidões mais baixas do que seria expectável naquela idade (e do que nós as 3 apresentávamos).

      Em termos de actividades extra, apenas tinha aulas de inglês numa escola de línguas, mas tive colegas que apenas tiveram o inglês da escola pública (que na altura se iniciava aos 10 anos, agora, pelo que sei, até já é aos 6) e hoje em dia trabalham em Londres sem problema nenhum. Acho que a escola pública dá aos miudos muito melhor preparação para enfrentar o mundo real, mais capacidades para lidar com situações adversas, com pessoas diferentes de si, é uma espécie de estágio para o que vão encontrar na vida quando forem adultos e já não tiverem os pais a protegê-los. É mais económico para os pais e é algo a que temos direito por pagarmos os nossos impostos. Em termos de valores morais, de cultura, de desenvovler uma determinada actividade que as crianças prefiram (tipo música, desporto, etc), penso que cabe aos pais fazê-lo em casa e eu jamais assumiria ou quereria que fosse a escola a tomar essa posição.

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    5. Anónimo das 13:12. Ironia, conhece? Credo, é preciso explicar tudo! (deve ter andado num colégio - sorry, eu sei que é piada fácil mas não resisti)
      Foi uma "boca" tão só e apenas, pois a Picante já aqui tinha dito que tinha tirado os miúdos de um colegio e colocado em escola publica. E a Picante respondeu elegantemente mostrando o que muitas vezes ninguém diz, que mudou de opinião.

      Anónimo das 12:52

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    6. Anónima das 15.07, quando falo em maior suporte refiro-me a todas as astividades e desportos fornecidos pelo privado. Facilita bastante a vida.
      Quanto a professores, apanga-se de tudo. Quer no público, quer no privado. Quanto a mim a principal lacuna do público é mesmo a falta de auxiliares e a pobre componente cultural (se bem que neste aspecto há privados igualmente maus)

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    7. Anónimo das 15:07: uma análise das mais lúcidas e equilibradas que tenho lido nos últimos tempos.

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    8. Eu andei tanto em colégios como em escolas públicas.
      Desde a primária até ao 9.º ano andei num colégio. Bem conceituado por acaso.
      No 10.º revoltei-te (com 15 anos achamos que já temos "poderes" para isso) e quis ir para a pública. Apesar de ter ganho grandes amigos no colégio, foi na pública que arranjei os melhores amigos. Havia de tudo, betinhos, arruaceios, famílias normais e famílias desestruturaras. Foi na pública que aprendi que usarmos o material do ano anterior não tem mal ou a nossa roupa não ser de marca, faz vista também.
      Claro que havia problemas, mas também no colégio. Drogas e afins. Penso que isso há em todo o lado e consegui ter a minha filha na pública durante 4 anos. Lá me convenceu a ir para um colégio que era o que ela mais queria...

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  9. a geração Kardashian já vem com um certo andamento. a minha geração não é assim tão longe dessa e eu própria já me sinto velha na forma de pensar, eu nas minhas 20 e tal primaveras.

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    1. Eu pergunto-me que raio de valores estamos nós a passar aos nossos filhos.

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  10. Bom, aqui (Chelas) temos outro tipo de comentários sobre a escola (4º ano). E também são relatados com o ar mais natural do mundo.

    - A Rosa (nome fictício) agora anda sempre a chorar . Ela está muito triste. Ela é da Guiné, nasceu lá, mas veio para Portugal muito pequenina. Mas os pais dela já voltaram para a Guiné (o ano passado) e agora a avó dela foi também. E ela está muito triste, porque está na xxxx (instituição) e sente-se muito sozinha e tem muitas saudades.... Posso levar-lhe o morango? é o que ela gosta mais dos frescos* ... assim ela já não dorme sozinha ...

    e o jantar foi peixe com batatas e tangerina de sobremesa.

    *- os bonecos do Lidl

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    1. Como é que se explica uma coisa dessas? Como? Caramba...

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  11. Oh Picante, tenha lá paciência. A vida não é como nos colégios, mas de certeza que também não é ter crianças grávidas. Se quer que lhe diga a verdade, a Júlia estar grávida diz tudo é dos pais da Júlia, não é da menina de 11 anos (ou 12, vá) que se vê numa situação dessas. Quanto à espertinha lá em cima, que diz que a atitude da Júlia é igual à da Francisca: mas você é parva?? Onde é que uma criança que conta um facto chocante está ao nível de uma criança que engravida??

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    1. Acontece que isto também se passa nos colégios. Não pense lá que a Júlia vem das barracas, que não vem.
      Olhe que tenho a sensação que os maiores desvarios até são cometidos por meninos muito "bem".

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    2. Gosto como toda a gente aponta o dedo à Júlia e sobre o menino que fez isso com a Júlia (se calhar até mais velho e com maior dever de consciência), nicles.

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    3. A mentalidade mantém-se.
      As mulheres/miúdas são isto e aquilo, já os homens/miúdos iu são os maiores ou então nem se fala neles

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    4. Nem tentem levar a coisa para o machismo. Se é certo que ele existe na nossa sociedade, também é certo que eu não me preocupei em divagar sobre a situação da "Júlia", se tinha ou não namorado, ou que que quer que seja. Como deverá calcular a situação privada da criança não me é relevante, a não ser na medida em que um aborto não pode ser considerado banal, muito menos numa teenager..
      Aproveitei a situação para falar da importância que o sexo deve ter, da maturidade sexual e das várias implicações de uma gravidez não desejada, em ambas as perspectivas já agora.

      E, não me venham com coisas, uma gravidez indesejada traz muitos mais problemas à mãe que ao pai, as coisas são como são (e não me refiro a "apontar de dedos")

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    5. Você é que deve ser pouco dado à inteligência, eu disse que a situação dizia tanto da Júlia como da Francisca, não disse por momento algum que divulgar um segredo era mais grave que engravidar. Eu sou somente responsável pelo que digo, não pelo que o "espertinho" entende. Até referi que não estava a desvalorizar o sucedido, leu essa parte? Para mim mostra um certo despudor uma miúda que divulga um segredo desta natureza, exactamente por ser grave, muito grave. Acho que nenhuma das duas percebe a importância e gravidade do sucedido.

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    6. São cometidos por meninos "bem" porque são esses geralmente os mais reprimidos... quando se soltam, uiiiiii

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    7. Por acaso acho que não concordo consigo, Patrícia. Pelo contrário, eu vejo é demasiadas liberdades.

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    8. Sim... eu falei em reprimidos, mas muitas vezes são aqueles que mais têm liberdade.
      Eu vejo o meu caso (fui eu que escrevi acima que andei num colégio e na pública, não sei porque não apareceu o meu nome. adiante). Eu andei num colégio até aos 15 anos. os meus pais apesar de me darem muita liberdade e me deixarem fazer tudo, eu não podia fazer tudo (não sei se me estou a explicar bem). Por exemplo, eu tinha liberdade para ir aqui e ali, mas as x horas tinha de estar em casa. Era assim e não ousava sequer questionar porquê. Mas tinha colegas que podiam fazer tudo, fumavam, bebiam e afins (isto nos anos 90). E eram meninos filhos de casais aparentemente normais. Mas acabam por ser aqueles que não tinham tanta atenção (e lembro-me de na altura pensar: que sorte. os meus pais são tão chatos!!) que tinham liberdade para fazer o que queriam. Claro que também havia os "reprimidos" que nas viagens de finalistas e longe dos pais se soltavam e mostravam como eram realmente.
      Na pública não era bem assim. Aqueles miúdos eram como eram. Uns mais certinhos, outros nem por isso. Continuo a dizer que foi onde fiz os melhores amigos.
      Hoje em dia, bem, acho que há liberdade me demasia. Demasia... (e agora sou eu que sou uma mãe 'bué chata e afins).

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    9. Eu também sou chata, muito mais chata que os meus pais. Acontece que eu tenho boa memória.

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  12. Estas "coisas" são demasiado chocante para serem comentadas em blogues. Por favor!

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    1. Estas coisas têm a ver com os problemas da sociedade. Com valores e padrõrs de comportamento. Acho importante falar sobre isso. Em casa, no café ou no blog.

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  13. São os tempos que correm. Hoje em dia é normal falar da vida dos outros por essa net fora. Mesmo que os outros sejam os nossos. A Júlia que não se abespinhe porque se não fosse a Margarida, seria daqui a uns tempos a sogrinha a escachaparrar tudo no blog. Porque toda a devassa da intimidade lhe é permitida. Eu ia amar ter 13 anos ou 14 e ter a minha mãe a publicitar toda a minha vida. Ou ter onze e a minha mãe contar que eu tinha chorado é que queria dormir com eles na cama.
    O que vale é que pelos vistos essa devassa produz uns dividendos fantásticos que vão servir para as contas do psicólogo

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  14. Eu estou estupefacta :/
    Mas tenho que concordar contigo numa coisa: isto nada tem a ver com o nivel socioeconómico dos pais ou sequer com as questões de privado/público. Por outro lado, acho que é sim culpa dos pais. Quantos pais (ricos ou pobres) só se lembram dos miúdos de ano a ano? Lhes dão coca-cola para o pequeno-almoço misturado com farturas? Quantos os levam aos colégios/escolas sujos ou sem trocar as roupas interiores? Quantos passam tempo de qualidade com eles diariamente? Quantos se preocupam com o bem-estar dos filhos ( e não falo das boas notas)? Quantos pais sabem a cor preferida dos filhos? A comida preferida? O nome dos melhores amigos, etc? Quantos?

    Eu trabalho com crianças e já vi coisas de bradar aos céus. E passa por todas as classes sociais e níveis académicos... infelizmente passa.

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    1. Tem toda a razão, passa por todas as classes e níveis académicos. Mas, não se esqueça, se calhar é mais fácil para si chegar às crianças, do que os próprios pais. Muitas vezes, são eles que não contam nada. Sempre foi assim e sempre será (as excepções confirmam a regra).

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    2. Não me parece que aqui seja o caso, mas se as crianças (12 anos e mais) ricas não fossem a Badajoz fazer os abortos, haveria mais destas com filhos nos braços que as pobres, acreditem! Depois as "tias", vão para a rua/AR bater no peito, que são pró-vida! E mais, o que não falta por aí são netos que são filhos. O incesto é tabu em todas as culturas/civilizações, mas, meus caros, se soubessem o que se passou e se passa nas casas de "bem", ui!, caia-nos tudo!

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    3. Anon 20.15h o meu trabalho passa precisamente por tentar chegar a elas. Mas no privado não se pode dizer nada aos pais, no sistema publico são poucas as pessoas contratadas para lidar com as crianças que só nos chegam às mãos os casos mais drásticos.

      E tenho de discordar um pouco pois eu acho que os pais têm muita culpa na distância criada entre gerações. Se não perguntam aos filhos como correu o dia com vontade de saber, se não falam com eles desde cedo sobre tudo, se não se interessam sobre a vida deles desde pequenos, eles certamente que não irão ter com os pais quando tiverem problemas - vão ter com as pessoas que estiveram lá para eles (quando essas pessoas existem).

      Alguns professores (os mais admirados pelos alunos) acabam por ter inúmeras crianças e jovens a contar-lhes os seus problemas e a recorrerem a eles para os ajudar... e não vão ter com os pais porquê? Porque nunca sentiram que os pais teriam essa abertura. E, pior, a maioria tem razão porque quando se tenta chamar os pais e envolvê-los na solução, a maioria não está disposta a tal. E é aqui que me refiro que se vê de tudo: desde o senhor com a 4ª classe que nos chama todos os nomes, até ao "Sr Dr" que tem exatamente a mesma atitude.

      E a negligência a que se assiste diariamente?

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    4. O que foi que se passou nas casas de "bem"? Ou se passa?
      Humm! parece-me mexerico de sup..., empregada doméstica!
      Deveria saber que comportamentos desviantes não são apanágio desta ou daquela classe social, os desvios são transversais e acontecem independentemente da classe social em que se manifestam.
      E que raio sempre a falar das tias e dos mexericos que lhes pertencem e porque raio está a falar de incesto? Não me parece ter nada com o que é aqui falado!
      Antes que lhe faça comichão não sou uma "tia", mas tenho tias "tias" são é mais sóbrias e discretas e a julgar pelo QI, não me parecem ser fruto de incesto, além disso as sup( ai perdão) empregadas domésticas já ocupavam os tempos livres comentar a vida extra conjugal do meu avô aos vizinhos, à minha avó que já estava careca de saber e até ao merceeiro.
      Já agora informe-se melhor é que o incesto não é "tabu" em todas as culturas ou civilizações, eu sei é uma malandra que acha que isso das classes sociais é uma treta que inventaram, mas não é, nem Marx lhes nega a existência e tão pouco as deita abaixo!( bem isto deve ser porque é sábado, e eu tenho andado assim a modos que irritada com a possibilidade da volta da ditadura do proletariado)

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    5. Sup? Não será sop, de sopeiras?

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    6. É como quiser, além disso foi o anónimo que disse, eu só me engasguei. Quanto à origem dessa palavra," sopeira" é a terrina onde se serve a sopa.
      Já agora, se souber onde posso arranjar uma, não deixe de avisar, mas note bem tem que como antigamente, quando vinham da província, e ás vezes tinham que ser bem higienizadas antes de entrarem ao serviço.
      É que daquelas que têm a mania que só servem bouillon, há muitas, mas não me agradam!

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    7. Veja lá, desta vez esqueci-me do verbo! É da idade só pode...

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    8. Eu falo com os meus filhos sobre tudo. Mas foi um processo muito trabalhado por mim, desde muito cedo. Hoje em dia os outros pais dizem-me que tenho sorte. Não tem nada a ver com sorte.

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  15. Claro a picante só pôs a miúda numa escola porque não tem dinheiro

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    1. Ora... Eu nem tenho filhos... Sou tão má rês que ninguém me pega. Hei-de morrer seca. Não era o que vocês, donas Marias más, diziam?

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    2. Não, era o que a Picante dizia: que não tinha filhos.

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  16. Tive uma coisa parecida com esta, tinha o meu filho uns treze anos. Uma miúda da turma andava apreensiva e chorosa porque achava que podia estar grávida outra vez? Outra vez??!! Mas como outra vez?! Que já tinha feito uma interrupção aos onze anos. Também tive de ter essa conversa séria pela primeira vez. Aqui, depois, no meio daquilo que era um choque para mim, foi engraçado ver como o grupo de amigos mais próximos lidou com aquilo e como a ajudaram, a acompanharam nos medos e a aconselharam a pedir ajuda aos pais rapidamente. Ninguém cometeu nenhuma inconfidência a não ser contar em casa, o que também ajudou a ajudá-la, pareceu-me. E não nasceu bebé nenhum. Tinha sido uma história com um miúdo mais velho de um lugar qualquer. Hoje são todos adultos, uns estão na faculdade, outros já a trabalhar, continuam amigos e ela mantém uma relação séria e já de alguns anos com um dos colegas que a ajudou naquela altura. Tudo malta da escola pública.

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    1. Acho que estas coisas não podem ser encaradas com naturalidade, é um princípio errado. Que se resolvam mas que não se banalize.

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  17. Pipocante Irrelevante Delirante21 de novembro de 2015 às 19:31

    Fiz um estudo sociólogico
    Fui a um desses blogs que volta e meia aqui são mencionados
    Deixei dois comentários
    Um, uma crítica, até mais a um comentário que ao próprio blog, sem insultar e com fundamentação
    Outro, um elogio da treta vindo do nada
    Apenas um viu a luz do dia
    Vou tentar aprofundar, mas antes vou tentar uma Bolsa

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    1. Já me aconteceu o seguinte: fazer uma observação educada, bem estruturada e com apresentação do meu ponto de vista. Cacos e cocós não publicaram. Acho que preferem publicar elogios ou então criticas
      amargas para depois as desancar.

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  18. Hoje vim parar aqui. Estive a ler, mais ou menos em diagonal, as mais de quatro dezenas de comentários. É obra! Espanta-me, sobretudo, a bonomia da autora deste espaço, Pipoca Mais Picante, que vai respondendo a tantos anónimos ( diria antes anónimas ) sem descer dos saltos, já que alguns comentários são grosseiros, insidiosos. Não significa isto que tenhamos "de conviver" apenas com quem comunga das nossas ideias, nada disso, mas ter de levar com pessoinhas burgessas, nunca! Falo por mim que, embora adocicada pela idade e mais complacente com os outros, fico sem pachorra para estes casos. Mas a PMD sabe gerir tudo isso e ainda bem!
    :-)
    Bom domingo!

    ( Ali a Picante Irrelevante Delirante ....eheheheh..grande nick, fez-me sorrir!)

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  19. O que é sexo extemporâneo?

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  20. Infelizmente a juventude, hoje em dia, é muito apressada...

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    1. A juventude é sempre apressada, querida S. Faz parte.
      Já dos idosos emana uma tranquilidade maravilhosa.

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  21. O que mais me chocou no meio disto tudo é não deixar uma pessoa de 11-12 anos andar sozinha na rua. É o oposto da miúda grávida. Há uma falta absurda de equilíbrio na educação das crianças. Picante incluída. Eu aos 9 já andava de transportes públicos e já tinha a chave de casa. Para as actividades extracurriculares fazia uma proposta à minha mãe no início do ano e era sempre aceite porque aquilo era mesmo pensado e medido exaustivamente. Foi sorte? Era muito atinada? Não. Tinha um suporte gigante em casa, com diálogo e liberdade. Aos 13 já bebia uns copos em calhando, mas era a melhor aluna da escola. Aos 15 já não era virgem, mas sempre tive relações longas e sempre fui fiel. Nunca engravidei nem me aconteceu nada de mais. A minha mãe sempre soube de tudo da minha vida, desde as bezanas decadentes (que obviamente não reforçava positivamente) às notas brilhantes. Não sou especialmente inteligente, mas tenho tanto de trabalhadora como de vadia. Isso aprende-se. E sobretudo, isso ensina-se. Deixem os miúdos viver e mostrem os limites realmente importantes. Se uma criança tiver impostos 100 limites, dificilmente diferencia o essencial do acessório. Na minha casa havia um limite: resultados de excelência. Era tomado tão a sério que ninguém ousava não cumprir. Era o preço da liberdade, da confiança e do sentido de responsabilidade.

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    1. Pois os meus pais não sabiam nem da missa a metade, no que concerne aos disparates que fiz.
      E até posso ser uma tirana mas filho meu não sai à noite para a rua aos onze anos. Nem aos doze. Provavelmente também não sairá aos treze.

      Tampouco andam sozinhos de transportes, por enquanto. Nada de rotinas que possam ser seguidas e estudadas. Fazem recados e brincam com os amigos, na rua, sendo que a regra é eu estar em casa e saber sempre onde estão.

      E, pasme-se! Mesmo reprimidos, com muito menos liberdade que os amigos, falam comigo sobre tudo, para grande espanto (e alguma inveja) de muitos pais mais liberais. Não fazem nem metade dos disparates que os amigos fazem, até porque não têm tempo, e quando os fazem contam-mos, mesmo sabendo que correm o risco de ser castigados.

      E nunca lhes exigi que fossem os melhores da turma, embora sempre lhes tenha pedido que dessem o melhor deles, naquilo que fazem, seja matemática, desporto ou brincadeira. Já houve o tempo em que o melhor de um deles não ultrapassava os 75%, sempre festejámos esses medianos 75%, com a mesma alegria que festejávamos os quase cem do outro. Porque eu sei que eram suados. Estou-me positivamente nas tintas para se eles são os melhores e se vão parar ao quadro de honra. Quero apenas que se esforcem, que tenham brio e sejam exigentes com eles próprios.

      Quanto à autonomia, acho que se conquista. À medida que a cabeça mostra que a merece e que eventuais quedas serão controladas e sem consequências demasiado sérias, independentemente da idade. Aos onze anos não se sabem defender dos demasiados perigos da sociedade, cá em casa não se deixa nada à sorte, não aquilo que é evitável com meia dúzia de cuidados e regras.

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    2. Esqueci-me de dizer que eles escolhem as suas próprias actividades extra.curriculares. desde que uma seja desporto. A única coisa imposta foram dois anos de natação a cada um, até aprenderem a nadar convenientemente.
      Fazem ambos competição, São crianças felizes, sei sempre que têm um problema porque eles mo contam e raramente me pedem para fazer alguma coisa cuja resposta seja não, mas lá chegaremos, ainda não chegaram à adolescência.

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    3. Eu também sou assim e fui educada assim.
      A minha filha anda sozinha desde os dez anos, mas porque fui "obrigada" a deixá-la andar assim. Mas ainda hoje, com 16 anos, (ainda) me vai dizendo onde anda e com quem anda. Nunca a proibi de nada, amas também não a deixo fazer tudo. E até agora a miúda tem sido feliz. É bem comportada e tirando as parvoíces dos 16 anos (até agora) ainda não me deu nenhuma chatisse.

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