segunda-feira, 13 de julho de 2015

Habemus Acordo

Verdadeiramente cool é ter o poder de estraçalhar alguém e decidir não o fazer.
Os Gregos puseram-se a jeito que puseram, nunca tinha visto alguém pedir de forma tão arrogante. Mas detestei vê-los de calças da mão, ajoelhados e corda ao pescoço. A ver se a Finlândia e companhia nunca precisarão de ajuda. Pode ser que lhes corra mal a coisa.
A historia nos dirá se a madrugada do treze de Julho de dois mil e quinze foi o principio do fim da União Europeia. Espero que não.

A crónica de Ricardo Costa está excelente, como de costume, aliás.

36 comentários:

  1. Então se verdadeiramente cool é ter o poder de estraçalhar alguém e decidir não o fazer, porquê andar continuamente a estraçalhar as Rosinhas? Não quer ser cool?

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    1. Eu não estraçalho as Rosinhas embora talvez tenha feito alguns danos ao ego de uma delas.
      E nunca disse que era cool...

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    2. "embora talvez tenha feito alguns danos ao ego de uma delas." - pleaaaaase, mas alguém leva o que você diz a sério, a ponto de ficar com o ego danificado?

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  2. Estou como tu: espero que nunca precisem de ajuda.

    Um excerto do NYT e Financial Times:
    Economist Paul Krugman comments: "Suppose you consider Tsipras an incompetent twerp. Suppose you dearly want to see Syriza out of power. Suppose, even, that you welcome the prospect of pushing those annoying Greeks out of the euro. Even if all of that is true, this eurogroup list of demands is madness. Who will ever trust Germany's good intentions after this?" (NYT)

    The FT's Wolfgang Munchau says Greece's creditors have "demoted the eurozone into a toxic fixed exchange-rate system, with a shared single currency, run in the interests of Germany, held together by the threat of absolute destitution for those who challenge the prevailing order. The best thing that can be said of the weekend is the brutal honesty of those perpetrating this regime change." (FT)

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    1. Tenho a impressão que aquilo transcendeu em muito o problema da Grécia, aquilo foi uma mensagem política muito feia. Aquilo foi um conjunto de partidos a dizer que a vontade de um povo não tem qualquer peso, um aviso a países que terão eleições brevemente.
      E eu detesto os regimes extremistas, sejam eles de esquerda ou direita.

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    2. Picante, e qual é a dúvida de que a vontade de um povo não conta para nada? Vai dizer-me que acredita verdadeiramente em regimes democráticos?
      O que me espanta mesmo é o seu espanto.

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  3. O fim? Não parece cara Picante. Há poucas coisas mais heterogéneas que a União. Parece um clube de clubes com tantas excepções e desigualdades quanto uma longa manta de retalhos. Não vejo uma humilhação. Vejo uma completa falta de confiança em relação a um governo de garotitos a berrar com gente crescida. Entristece imaginar que a alternativa a governos de amigalhaços possa ser apenas aquela coisa sem nexo saída de um manicómio. E é curioso ver comentadores e políticos néscios que se colaram incondicionalmente ao Syriza fazerem agora argumentações acrobáticas desprovidas de qualquer lógica. A União mantém-se, há muito tempo, devido a um utilitarismo básico, mercados vs esmolas para as manjedouras de estados como o nosso e o grego. Imagino que apenas uma minoria se veja como cidadão europeu, infelizmente. Os restantes ainda acreditam em estados soberanos, não sequestrados por interesses internos e externos, pobres iludidos...
    Se um grupo de nações se juntou após as maiores atrocidades cometidas na história da humanidade, não vejo motivo para temer qualquer desagregação definitiva.
    E em vez de reformarem o estado, paisinhos como o nosso e a Grécia continuam a culpar quem lhes tem dado a mão para mantê-los à tona, estados falhados que somos, incapazes de viver sem linhas de crédito permanentes e com rapazolas na política que pouco pensam no país.
    Foi necessário o terrível memorando para se falar nas ppp, no esbulho que é o custo da energia. Quem me dera que tivessem nomeado um vice rei alemão, ou um macaco. Seriam mais sérios que a gentalha que nos enterra há dezenas de anos.
    Mas isto sou eu, sempre pessimista...

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    1. Há uma diferença grande estee estadistas e políticos. A Europa, se quer ser uma União tem ela também que se reestruturar. E isso passa não só por reformar os países pobres, como Portugal e Grécia, como também por deixar de os asfixiar. É olhar para os EUA e ver como funcionam os vários estados.

      Eu vi supermercados vazios, hospitais sem medicamentos. Vejo uma dívida impossível de ser paga. Vi uma humilhação em prol de uma mensagem política. E não gostei, achei demasiado feio.

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    2. A dívida só é impossível de ser paga se a Grécia continuar como está. Idem para Portugal. Todos os dias temos escândalos de corrupção e uma miragem de reforma de estado. Continuemos assim. Chegará a ocasião em que alguém irá dizer que não nos empresta nem mais um cêntimo para desbaratar nas malhas da corrupção. Não cara Picante, a dívida grega não é impagável, nem está alguém a exigir que a paguem imediatamente. Mas se tudo continuar como está, como a maioria da população quer que continue que esteja, com idades de reforma, corrupção e salários insustentáveis, então sim, será completamente impagável. A reestruturação, que também defendo, é nos prazos e nos juros, nunca no perdão de dívida.

      E parece-me estranho que ainda ouça o argumento da soberania nacional. Em que mundo é que as pessoas vivem? Só se for no país da carochinha.

      Portugal e a Grécia têm sido asfixiados pela corrupção. Basta ver a enormidade de fundos qur têm sido atribuídos aos países pobres para se modernizarem. Passam-se décadas e agora estamos todos no fio da navalha.

      Os EUA dificilmente são um exemplo. Da desregulação do sistema financeiro à assistência social. Um país que deixa cair Detroit tem pouca moral para dar conselhos. É mais fácil ter mão de obra barata no oriente e não pagar impostos, para as mega corporações. Para não falar nas guerras que travam por motivos geoestrategicos e económicos, a guerra completa, baseada em causas fabricadas. Gente que espia os aliados, que manipula a economia global com agências de rating, não é gente que sirva de exemplo.

      Os gregos não foram humilhados. Os gregos foram manipulados pela corja política que elegeram, que lhes disse aquilo que queriam ouvir, que chegaria dinheiro e ficaria tudo na mesma. Se não querem prestar contas nem garantias nem reformar um estado muitp pior que o nosso então que sigam o seu caminho. Ninguém os obriga a ficar.

      Quem me dera reunir com um credor e ser eu a ditar as condições.... Se tivesse a atitude do Tsipras e do Varoufakis nem sequer me repondiam. Apontavam a porta de saída com ar sarcástico.

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    3. Os EUA são exemplo pelas políticas comuns que têm nos vários Estados, independentemente da relativa autonomia que depois se verifica de Estado para Estado. E posso estar enganada mas parece-me que há alguma entre-ajuda.
      Se eu acho que a Grécia tem de se reestruturar profundamente, acabar com a pouca vergonha das pré reformas aos 45 anos, economia paralela e afins. Também acho que a sua situação tem de ser revista à luz de uma União Europeia. Estou a falar de custos com defesa, por exemplo, já que é o "tampão" do mundo árabe. Estou a falar de quotas de produção impostas...
      Se a própria Europa não se redifine, a prazo há países que vão ser totalmente comprados. Portugal incluso.

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    4. Sim, infelizmente os estados pobres estão em saldo e os ricos na mão das gigantescas corporações que financiam o sistema partidário. Pessimista como sou, e porque desde muito jovem que sigo essa evolução com grande preocupação, penso que essa batalha já foi perdida.

      Quanto à importância geoestrategica da Grécia, de momento preocupa-me muito mais os enclaves de milhões de pessoas não integradas já no seio das nações europeias que o efeito tampão da Grécia. Isso é mais um argumento do eixo Estados-Reino-Unidos que repudiam completamente o Euro. As forças armadas gregas não têm esse propósito primordial. Têm outro mais obscuro, o das luvas e interesses da indústria militar que continua a manter o mito, como se os gregos estivessem em perigo de invasão.
      O terrorismo interno não se combate com tanques.

      Enfim, uma mentira repetida à exaustão acaba por enganar muita gente durante muito tempo.

      Abraço cara Picante.

      (pode acreditar que há muito tempo não penso que isto vá acabar bem, nós como espécie)

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    5. O Homem é naturalmente ganancioso e ávido de poder. Mas lá se foi safando, século após século.
      E, por vezes, também é capaz de gestos verdadeiramente grandiosos, prefiro pensar que nos safaremos, não sei se fruto de ingenuidade, se de exagerado optimismo.
      (por vezes desejo que os meus filhos não tenham filhos, não lhe nego a razão)
      Abraço, querido Quiescente.

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  4. E se nos perdoassem a dívida como fizeram à Alemanha pós-Guerra, a nós e à Grécia (já que estamos a tecer hipóteses). Será que no prazo de umas décadas seriamos um super-poder economico ou estariamos enterrados em dívidas como sempre estivemos desde que há registo?
    Nós não temos história de um país a saber gerir-se. A nossa história reza a lenda de muitos e muitos que passaram pelo poder e que foram roubando e desviando as riquezas deste país...

    Em relação à Grécia vê-se o mesmo caminho: uma ignorância atroz relativa ao sistema financeiro.

    Eu não concordo com muitas das medidas mas em certo ponto até compreendo. Se eles pagarem a dívida os 50 mil milhões não lhes serão retirados. Que outra forma haveria para os obrigar a cumprir o prometido? Ou deveríamos todos nós, incluindo países mais pobres, pagar a dívida de um povo que contou vários anos com dinheiro que era de outrem? ( e esperemos que os portugueses aprendam a votar com cabeça para que em breve não estejamos tal e qual os Gregos).

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    1. Pagaram-nos para queimar culturas, para deixar de pescar. Os países pobres continuarão a ser pobres se não tiverem hipótese de explorar recursos.
      As is, aquela dívida não é pagável. A Europa sabe isso. E os Gregos também. Aquilo não passou de um empurrar com a barriga. E de uma mensagem política.

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    2. Acho que já chega de invocar esse estafado argumento do perdão da dívida da Alemanha pós-guerra. Não percebo como é que querem comparar a devastação de um país depois de 6 anos de uma guerra mundial (e sublinho mundial) com o descontrolo de um pais que não se governa nem se deixa governar, onde o importante é sacar e sacar mais, num total descontrolo de salve-se quem puder.
      Por mais que o perdão da dívida alemã para alguns possa ser considerado injusto, a verdade é que souberam aproveitá-lo e tornarem-se numa grande potência. A Grécia tem beneficiado de todo o tipo de ajudas só pelo facto de pertencer à UE, já teve perdões de dívida e o desgoverno é o que está à vista. Agarram-se à conversa de serem o berço da democracia e acham que o mundo inteiro lhes deve agradecer de joelhos e proporcionar as melhores mordomias porque a democracia e outra vez a democracia.
      Assim sendo, também quero invocar os Descobrimentos e os novos Mundos que Portugal deu ao Mundo para nos perdoarem a dívida. E aposto que todos os países são capazes de inventar uma desculpa qualquer para amanharem um perdão de dívida. E pronto, ninguém paga, essa agora, pagar dívidas?

      A questão não é obter perdões de dívida, é o que se faz com esse perdão. A Alemanha provou saber aproveitá-lo. A Grécia mostrou saber aproveitar-se.

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    3. É verdade. Se cada país evocar constantemente a responsabilidade do passado dos seus parceiros é porque nada quer mudar. E deveria olhar o seu próprio passado. É um caminho que a ser seguido levará à conclusão que todos os países nas suas trágicas histórias devem demasiado uns aos outros. E nós? Vamos continuar eternamente a pedir perdão aos Judeus. E os EUA? Vão indemnizar todos os países que destruíram só porque puderam e lhes interessou. E os Franceses? Têm demasiado a pagar a toda a europa se seguirmos esta argumentação. Vamos por uma vez adoptar a perspectiva do engenheiro, vamos tentar resolver os problemas actuais a olhar para o futuro e não para o passado, sob pena de efectivamente ficarmos enleados nesse mítico problema do eterno retorno.

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    4. Ai isso é exclusivo dos engenheiros? Sempre a aprender...

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    5. Eu não me fiz entender. Eu não estou a dizer para invocar, estava precisamente a criticar esse ponto de vista. Claro que um perdão ajudaria as contas actuais a todos os países mas e a longo prazo? Como ficaríamos vistos perante os mercados? E será que saberiamos aproveitar uma vantagem desse género?

      Porque é fácil criticar, apontar o dedo à Alemanha e dizer que eles são uns mauzões (e já agora o partido do Syriza andou a prometer que iria cobrar a dívida da Alemanha) - dívida essa que tinham perdoado... desculpem-me mas parecem-me garotos a discutir garotices.

      Se aconteceu um perdão no passado e se todos o assumiram... pois que parem de se desculpar com isso.

      É um tanto como em relação à suposta dívida "impagável" - a dívida de um país não é para ser paga. É para ser gerida.
      Enquanto receberam dinheiro da UE (tal como os portugueses) nunca ninguém aproveitou para fazer reformas sérias e sustentáveis. Para investir... nope... mas o dinheiro está em algum lado. Onde? Pois...

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    6. Anónimo, fez-se entender, sim. O meu comentário (12:01 de 14/07) era precisamente a dar-lhe razão. Quando disse que já chega de invocar argumentos anti-Alemanha, estava a dirigir-me-me a quem o faz, não a si que, segundo percebi e em traços gerais, concorda com o meu ponto de vista.

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    7. Então cara Picante?! Não é exclusivo. Parece-me que não está lá escrito isso.

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    8. Sou só eu com pouco tempo, a esquivar-me a responder e a meter-me consigo. Não ligue...

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  5. Pipocante Irrelevante Delirante14 de julho de 2015 às 09:52

    É como o ditado, manda quem pode...
    A Grécia pôs-se a jeito, tal como Portugal. A revolta não devia ser hoje, devia ter sido quando nos "mandaram" afundar os barcos e queimar as searas. Agora, estamos no buraco, portanto convém não chatear quem nos pode lançar o escadote.

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    1. Na altura toda a gente achou muita graça ao dinheiro que entrava...

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  6. Desde sempre que Alemanha tem a mania de querer mandar e ter que ser dona de tudo....querem fazer o 4º Reich à força toda (os estragos que os anteriores fizeram não lhes causam grande peso na consciência), e andam a "planear" a coisa desde que se criou o Euro.
    E como das outras vezes, esta história não vai acabar bem....a Irlanda comeu, nós comemos e somos o cão de fila, mas não sei se os Gregos vão comer. Ainda mais quando o próprio PM diz que assinou uma coisa em que não acredita. Ainda muita água vai correr, mas uma coisa é certa, isto não vai acabar nada bem...

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    1. Qual é a vantagem da Finlândia, Bélgica e outros tantos países que estavam contra a Grécia? É que até dentro da própria Alemanha existe uma grande heterogeneidade. Dizer que isto está a acontecer por causa da Alemanha é um bocado ingénuo.
      E eu não duvido que exista uma agenda politica. Só que o que está a acontecer na Grécia é que um povo votou num partido que só fazia promessas e jurava a pés juntos que iria acabar com tudo o que fosse mau e dar tudo o que fosse bom (como já vimos o PSD a fazer no passado e como agora o António Costa e se formos uns anos atrás já vimos todos os nossos politicos a fazer) - ou seja, eles votaram cegamente sem pensarem nas coisas e os politicos que assumiram o país "esqueceram-se" que tinham pedido dinheiro e que era preciso pagá-lo... isso é culpa da Alemanha? A sério? Desresponsabilizar seja quem for nunca há-de trazer bons resultados.

      A Irlanda comeu e Portugal "comeu" mas é engraçado que é na Grécia que a coisa está a dar barraco e é lá que o caos está instalado... Porque será? E se em Portugal tivessemos menos corrupção e tivessemos um sistema que tivesse permitido as reformas a sério como têm que ser feitas, então estariamos ainda melhor.

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    2. Não nego de forma alguma que a Grécia tenha que assumir as suas falhas nas reformas, até porque são necessárias. Mas, quando olho à minha volta não encontro ninguém que me diga que agora está melhor, que está a recuperar, Mas quando vejo as notícias e olho para os Gregos que estão em desespero, num caos humanitário e social, à beira do precipicio, o que me ocorre é sempre o mesmo pensamento: o euro é a maior treta que existe, não passa do marco alemão com outro nome, bem estávamos nós com a nossa moedinha. E os "investimentos" feitos sucessivamente, os financiamentos aos bancos para nos darem créditos e mais créditos, tinham o propósito de endividar os países. E quem paga somos nós, independentemente de Portugueses ou Gregos, Espanhóis ou Italianos. Nós o povo, porque aos outros, os que fizeram os estragos ao longo destes anos, ninguém lhes toca....

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