terça-feira, 19 de maio de 2015

Nem de propósito...

Andava eu a ver as notícias quando dou de caras com uma sobre os exames de Português. Abro o artigo e deparo-me com o seguinte texto:
Os textos propostos na prova de Português “exigiam o reconhecimento do uso metafórico de certos conceitos que, nitidamente, não estão definidos/previstos nos programas ou nas metas curriculares”, indica a Associação Nacional de Professores de Português num parecer enviado ao PÚBLICO.
Não foi o único obstáculo identificado. A associação chama a atenção para o facto de existirem dois exercícios, nas perguntas de interpretação, que “implicavam a escolha de mais do que uma opção certa”, o que pode gerar “alguns constrangimentos”, uma vez que “algumas crianças estão habituadas a escolher apenas uma resposta”.

Portanto, a juntar a programas com conteúdos desadequados, por exigentes em demasia, temos exames que, ao invés de pedirem a análise morfológica de uma frase, se preocupam em pregar rasteiras aos alunos.
Aquilo que eu realmente lamento, mas lamento mesmo, é que as escolas, hoje em dia, não estimulem as crianças a pensar, a questionar, a levantar hipóteses e a desenvolver sentido crítico. Os desgraçados dos professores estão demasiado ocupados a despejar matéria, os alunos a empiná-la. Vendo as coisas pelo lado positivo, ao menos terão memória de paquiderme, as nossas crianças.
O artigo completo, aqui.


15 comentários:

  1. A escola, em tempo algum, "estimulou" os alunos a pensarem (inclusive na universidade!). Alguns professores fazem-no, mas escola na sua genese, nao. Essas das armadilhas é, para alem de contraproducente, ilegal. Pensei que já tivessem deixado dessas tretas! Os exames devem ter sido elaborados por gente que no tempo deles era assim que os seus professores faziam os testes e que, agora, acham uma gracinha, uma piada, fazeram aos outros, percebem o que eu queto dizer, nao percebem?

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    1. Posso ter tido sorte. Regra geral apanhei excelentes professores, que faziam muito mais que "despejar" matéria"

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    1. Interessante, de facto. Pena que ainda haja muita gente a pensar que os miúdos estão bem como estão. Não me refiro a si, naturalmente.

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  3. Pensar? Reflectir?

    Pffff, Picante nunca imaginei que estivesse tão démodé.

    (É triste)

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  4. http://pipocamaispicante.blogspot.pt/2013/05/coisas-que-diria-ao-meu-filho-se-ele.html

    Como as coisas mudam, não é? Lembro-me de um tempo em que este blogue mantinha uma linha totalmente oposta. Fazia questão em manter uma cultura de exigência, nomeadamente no que toca à educação das crianças, e abominava o facilitismo e . Mas isso era dantes. Agora não passa de um mummy-blogue, ai os meus ricos filhinhos, ai quem os defende, tou aqui que nem posso, sou uma mãe fófi-fófi...

    Parem com tretas, pá! Os putos vão deparar-se com todos os tipos de dificuldades pela vida fora, mais vale que se habituem desde pequenos. É um exame, porra. Não será normal eles habituarem-se a ser avaliados pela vida fora?

    Ai e tal, mas o problema não é esse, o problema são as perguntas/questões/whatever que lá estão escarrapachadas. Ai sim? E quem disse que a vida é justa? Quantos posts é que a Picante já fez a dizer que a vida não é cor de rosa, é até muito injusta, deal with it? Mas quando toca às suas crianças essa máxima já deixa de se aplicar? Não será esta uma excelente oportunidade de mostrar às criancinhas que o mundo é um poço de injustiças mas eles não têm outro para viver?

    Volta Pipoca Mais Picante, estás perdoada, já não há pachorra para aturar esta que agora resolver armar-se em mãe extremosa-que-perdeu-o-discernimento!

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    1. Estava aqui a ler isto, a pensar que não podia estar mais de acordo e a pensar que não foi há muito tempo que li essa coisa do "mundo que não é justo, deal with it" aqui na Picante. Fui ver. Foi (só) há 4 posts abaixo.

      Realmente as pessoas têm memória curta... Ou então ajustam com demasiada facilidade o discurso às suas conveniências.

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    2. Nada mudou, Anónima, está completamente equivocada. Por aqui mantém-se padrões altos de exigência, as crianças não são apaparicadas e são encorajadas a fazerem-se à vida. E, nem de propósito, um deles acabou de se confrontar com uma injustiça das grandes porque, lá está, a vida não é justa.

      Mas reconhecer que a vida não é justa (e ensinar-lhes isso mesmo) não significa que se esteja de acordo com injustiças, que não se lute contra elas e que não se tente proteger quem de nós depende.

      Eu discordo em absoluto com os conteúdos programáticos actuais, desde o 1º ao 3º ciclo, embora estes últimos não os conheça em detalhe. Acho que são desadequados à idade das crianças por serem aprofundados em demasia. Como também acho que a matéria dada é tanta que os miúdos não têm tempo para desenvolver outras competências, a meu ver, essenciais, como seja reflectir, pensar, analisar, criticar.

      Estamos a formar marrões, os miúdos decoram as coisas sem as perceberem e sem se interessarem verdadeiramente. Acho isto péssimo e não tem nada a ver com facilitismo por serem os meus filhos. Tem a ver com querer formar adultos interessados, pensantes e com espírito crítico, capazes de se adaptarem a novas situações.

      Não só mantenho tudo o que escrevi nesse post (dos meus preferidos, aliás), como é essa mesma filosofia que tento passar-lhes. Nem sempre consigo, é certo, mas faço o melhor que sei.

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    3. Só para concluir, eu não sou contra os exames. De todo, acho muito bem que eles existam, a vida é isso mesmo, uma sucessão de exames. Sou apenas contra a formalidade excessiva destes exames que atemoriza as crianças (e não há necessidade) e contra os conteúdos programáticos por os achar excessivos e desadequados. Em qualquer teste tem de haver perguntas de selecção. O que se passou neste, em duas perguntas, pelo menos, é que a pergunta induzia propositadamente a criança em erro. Estava a avaliar-se a capacidade de concentração e não o conhecimento da criança, em si.

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    4. Lá está, a vida é injusta, deal with it. Aproveite e explique à criancinha-prodígio que, para a próxima, além de conhecedora convém também estar concentrada.

      (mas claro, claro que eu estou completamente equivocada, nem poderia ser de outra forma, qual é o espanto? não era agora a Picante que ia dar o braço a torcer, essa agora, homessa, então aqui a D. Joaquina é que está equivocada, pois então!)

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  5. Eu depois desta do exame, q tb era p surdos, implicar ouvir um CD...acho q já nem é preciso comentar mais estes exames.

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    1. Isto, http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Educacao/Interior.aspx?content_id=4577877

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