quinta-feira, 14 de maio de 2015

As pessoas andam todas baralhadas. Todas.

Tanto comentário ouvi que fui ver os comentários às notícias on line, sobre o vídeo viral do bullying que afinal é um crime de agressão, o seu a seu dono. E os comentários que vi deixaram-me, primeiro perplexa, depois enojada. As mesmas pessoas que condenam o bullying, tão veementemente, não se inibem de dizer que as miúdas merecem ser expostas, que lhes desejam todo o mal do mundo, que têm é "falta de peso" em cima, que são umas vacas ordinárias, que mereciam sovas e nem sei mais o quê. E depois cheguei ao instagram de uma das miúdas. E o que vi deu-me vontade de vomitar, mensagens de ódio, ameaças físicas, bullying cibernético puro e duro. Feito por adultos cheios de moral e tremendamente indignados, que se estão nas tintas se as miúdas se suicidam por causa disto, que acham muito bem que sejam expostas e humilhadas, que as ameaçam e nem sei que mais. Fechei aquilo. Estes são os mesmos adultos que ficam tristes quando gozam com eles porque as pessoas têm sentimentos.
Eu não defendo as miúdas, caramba, o que fizeram repugna-me. Acho mesmo que têm de ser severamente punidas. Mas pelas instâncias legais e competentes para o efeito. Nunca pela populaça, nunca em praça pública. E acredito piamente que um crime não justifica outro crime. Que nada justifica um crime. E, naquelas miúdas, eu vejo quer agressoras, quer vítimas.
As pessoas andam todas baralhadas, não sei se já disse.

70 comentários:

  1. As pessoas gostam é de sangue e, se lhes derem um motivo disfarçado para esfolarem alguém, tanto melhor. Essas pessoas têm o controlo emocional de uma criança de dois anos. Não se limitam a julgar como também instigam atos ainda mais violentos contra "quase crianças".
    Não defendo de maneira nenhuma aquelas raparigas, que merecem, sem dúvida e para seu próprio bem, um

    corretivo eficaz, mas queimá-las vivas virtualmente como estão a fazer, faz-me lembrar a idade das trevas e faz-me pensar que os adultos deste mundo são

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    1. Ó purpurina, tão boazinha! Quando lhe dão uma chapada, oferece a outra face? Queria ver se fosse o seu filho!! Para terminar, eu conheço (conhecia) um miúdo que se suicidou porque era vítima de bullying, por isso não me venha defender aquelas bestas. Merecem isto e muito mais.

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    2. Ó Anónimo, se o miúdo se atirasse a elas, se as mordesse, eu percebia. Se alguém a passar se atirasse a elas eu também percebia.
      O que não percebo é adultos, homens feitos, ameaçarem violar as miúdas, como eu vi. Não é preciso dar a outra face. Mas convém não cair em erro pior do que aquele em que caíram as miúdas. Afinal somos adultos. Merecem ser castigadas pelos pais e pelas autoridades. Não merecem ser ameaçadas e injuriadas.

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    3. Não só merecem ser ameaçadas e injuriadas, como isso ainda é pouco para o que elas fizeram.
      Agora, violadas, isso é coisa de pedófilos tarados.

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    4. Ora diga-me lá uma coisa. E que lhes terá feito o rapaz para elas o apanharem e lhe darem uma coça?

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    5. Senhor anónimo, isto é como no caso do Charlie, somos todos não é? Por acaso até sei muito bem o que é bullying e se fosse a minha filha agiria certamente de uma forma puramente emocional e instintiva mas não é e posso racionalizar e pensar em soluções melhores para todos. E se fosse a sua filha a agressora? Gostava que dessem um enxerto de porrada em praça pública? Aquelas raparigas revoltam-me e assustam-me, mas revolta-me muito mais as reações como a sua. Só espero que tenha menos de 16 anos, pois só isso justifica a violência vingativa para resolver um caso destes. É obvio que elas precisam de um corretivo, um corretivo eficiente que não será nunca umas conversas com os pais ou com um psicólogo. Elas precisam de ser seriamente responsabilizadas pelo que fizeram. Mas, ensinar-lhes que a violência se trata com mais violência é uma boa forma de transformar o mundo numa selva ainda maior do que já é.

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    6. Por acaso, se a minha filha fizesse o mesmo, não me importava nada que lhe dessem um enxerto de porrada. É por sua causa e de pessoas como você, sempre prontas a desculparem tudo e a tratarem com paninhos quentes atos criminosos que isto está como está. Era fazer-lhes o mesmo para verem o que é bom para a tosse.
      Continue a viver no país das maravilhas de venda nos olhos e reze para nunca se encontrar numa rua escura com uma destas criminosas.

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    7. Picante, o rapaz não fez nada que justificasse isto. Foi tudo uma história de namoricos e diz-que-disse.

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    8. Pois não sei. A verdade é que não sei. De todas as formas não é essa a questão, nada daquilo é justificável, independentemente do motivo que elas acham que têm.

      Anónimo das 17.51 o seu comentário está no limiar do aceitável. Controle lá essa agressividade ou então vá espraiá-la para outro lado. Não sei de onde tira essas conclusões que não têm ponta por onde se lhe peguem.

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  2. Caramba picante, é mesmo isso! Tal e qual.
    É como aquilo do Charlie, que as pessoas tinham o direito de não gostar dos cartoon, podiam até sentir repulsa e humilhação, mas isso não lhes dava o direito de responderem com atos de terrorismo.
    Com as devidas distâncias, parece-me que estamos perante comentários igualmente despreziveis.
    (P.s. posso dizer caramba no seu blog? Se não puder elimine o comentário e desculpe qualquer coisa, sim.?!)

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    1. Carambe para aí!
      Um nojo, custou-me acreditar que eram adultos a escrever aquelas porcarias. Às tantas vindos de Fátima, nem sei.

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  3. Porque isto baralha, a sério que sim. Eu não vi o vídeo, nem faço questão. Sei que isto acontece, todos os dias e a toda a hora. Quando eu tinha 15 anos levei um pontapé na barriga e umas quantas chapadas na cara, dadas por um rapaz (com mais uns 20 cm que eu), dentro da minha escola. Fui fazer queixa a quem de direito e ninguém quis saber. "Isso são coisas dos miúdos", disseram. Este é o mundo em que vivemos, pelo menos é a experiência que tenho e o que vejo em redor. Ninguém me defendeu, quem devia proteger-me não o fez em momento algum, por isso eu também tenho muita vontade de dar chapadas a esses anormais, tal como tenho ainda hoje de dar uns quantos murros ao anormal que me bateu.

    http://entreosmeusdias.blogspot.pt

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    1. Acho que é normal haver um primeiro sentimento, em q pensamos, caramba, aquelas pitas mereciam eram uns tabefes bem assentes. Mas n vou p o FB escrever isso.
      Uma coisa é bater em defesa, isso conto ensinar ao meu filho. Se lhe baterem, ele q n se deixe ficar e q se defenda dentro da medida do possível. Outra é ter de explicar ao meu filho q aquilo n se faz, mas q em tendo sido feito, o melhor é dar um enxerto nas gajas, ou seja, bater para punir! N consigo concordar.

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    2. Pois, "pensamos" (até pode ser instintivo para a maior parte de nós) o que é muito diferente de o escrever. Eu ensino, tanto a crianças, como a adultos, que demos virar as costas. Faço-o e não me tenho dado mal. :)

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    3. Pensar é muito diferente de agir. Por vezes tenho muita vontade de bater em pessoas. Dei uma única vez uma bofetada a um tipo. E só se perderam as que não dei. Eu percebo que as pessoas manifestem indignação. Não percebo é as ameaças, partilha de links de perfis delas e da família, enfim...

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  4. São os Charlies. Todos estamos cheios de força para esfolar vivas aquelas miúdas, miúdas essas que não defendo de forma nenhuma, mas a maior parte de nós não mexe uma palha quando alguém é agredido mesmo ao nosso lado. É por existirem pessoas como estes "justiceiros/ vingadores virtuais" que existem pessoas como aquelas miúdas. As pessoas não querem soluções para os problemas nem proteger os mais fracos, querem é um motivo
    para se atirarem a um bocado de carne. Querem lá saber se se tratam de quase crianças ou de pessoas que têm pai e mãe... Querem um bocadinho de sangue, um motivo de purga, alguém que possam ver na fogueira, como na Idade Média. De facto, as reações das pessoas dão-me mais vergonha alheia que as atitudes das raparigas, já de si, completamente assustadoras.

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    1. Amanhã abraçam-se a outra causa qualquer e deixam de pensar nisto. Mas as marcas ficam para a vida, disso não tenho a menor dúvida, nenhum dos envolvidos irá esquecer.

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  5. e os pais, não terão os pais culpas no cartório? e ficam impunes? e as miudas não merecem um puxão de orelhas dos pais? é que reparei que no teu discurso não tocas nos pais. Os pais já não são responsáveis pelos disparates dos filhos? não não têm nada a ver com eles? agora só é pai até que idade? é que eu moça á beira dos 40 anos "qdo me porto mal" ainda tenho um pai que me vem dá o chá, e eu acato porque tenho respeito. Coisa que estas miudas não têm, nem pelos pais nem por ninguém. Eu como mãe sinto-me responsavel pelos disparates que as minhas filhas possam fazer, nãõ me demito das minhas funções de mãe.
    Bjo

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    1. A verdade é que ninguém sabe o que os pais fizeram ou não!
      Aliás, os pais podiam até nem saber do sucedido (até agora). Quando era adolescente havia muita coisa que não contava aos meus pais, especialmente se soubesse que tinha feito algo de mal!
      Não estou a desculpar os pais. Estou apenas a dizer que, provavelmente, eles não faziam ideia do que se passava.
      E claro, não vamos entrar na questão da educação. É lógico que algo falhou, que alguns valores, ou não foram interiorizados, ou se perderam pelo caminho.
      Mas pronto é só porque esta coisa de arranjar culpas e culpados não é assim tão lógica.
      No entanto, quem tem de ser responsabilizado são os envolvidos no vídeo. Esses sim, devem ser julgados e castigados.

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    2. Eu não digo que alguns pais não têm quota de culpa mas provavelmente alguns estarão tão envergonhados quanto o resto das pessoas envolvidas deveria estar. É muito fácil apontar o dedo mas eu fiz disparates com 15/16 que se a minha mãe soubesse morria de vergonha e nunca foi nada de muito grave, longe do que se passou aqui. No entanto, os valores morais que me passou, nem todos foram atendidos na "intensidade" que ela gostaria que tivessem sido.
      Ninguém pode responsabilizar, nem adivinhar o que vai na cabeça dos pais porque cada caso, será um caso diferente. Eu também não me demito da minha função de mãe mas se um dia um filho meu der um tiro a alguém a culpa não será certamente da educação que lhe passei.
      Beijinho Maggie

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    3. Todos, mas todos, sem excepção, deveremos ter feito disparates que iam totalmente contra as atitudes e valores transmitidos pelos nossos pais. Eu fiz. Lembro-me de andar se metro sem bilhete só pela adrenalina de fugir ao "picas". E sei que se tivesse sido apanhada os meus pais ficariam para morrer.
      Ninguém conhece aqueles pais, se são ou não pais presentes e preocupados, se transmitem ou não os valores correctos. No melhor pano cai a nódoa, acho precipitado e injusto dizer que a culpa é dos pais, na verdade não sabemos, pode ser ou não. Quantos casos há de famílias em que há um filho desmiolado ou mau? Em que os irmãos são todos seres humanos mais que decentes? Há tanta coisa que pode estar na base disto... ou que pode ter pelo menos proporcionado isto...

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    4. A Picante a admitir que anda de transportes públicos? Pela 2ª vez? Mas que se passa neste blogue? Daqui a pouco vai admitir que é da Amadora, de onde não se consegue tirar a gaja ou não sei o quê.
      Que se passou dessas vezes que teve de andar a fugir ao picas? O motorista estava outra vez ao serviço da mãezinha?

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    5. Antes de ter idade para ter carta de condução, e já depois de não ter idade para andar sozinha na rua, eu andava de transportes públicos. Quando tirei a carta tive a sorte de me oferecerem um automóvel que passou a ser o meu meio de transporte. Qualquer néscio é capaz de perceber isto. Menos a anónima, já vi.

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    6. Mas tirou a carta? A quem? Ai esta malta da Amadora, não perdem este vicio de andar a tirar as coisas dos outros. Não podia ter ido às aulas e comprado a sua própria carta, era preciso tirá-la a outro/a?

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  6. Fosse um filho seu e queria ver se seria tão branda na opinião. Largue a falsa moral. Você que está aqui sempre a fazer e a incitar o bullying não tem qualquer credibilidade para se manifestar sobre o assunto.

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    1. Este comentário este assim a pontos de não ver a luz do dia. Se acha que eu faço bullying então digo-lhe que o bullying lhe é um conceito totalmente desconhecido.
      Se fosse um filho meu, e pode vir a ser, ninguém está livre disto, espero que me conseguisse controlar. Não nego que a minha vontade não fosse correr aquela gente toda ao pontapé e ao murro. Mas espero sinceramente que tivesse o discernimento e ponderação para actuar como uma pessoa de bem: fazendo queixa à polícia em vez de fazer pior. Um erro é um erro, nada o justifica.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante15 de maio de 2015 às 10:08

      A Picante é uma bully, na linha do Bruno Nogueira ou do Nilton, esses agressoes verbais. Prisão com eles todos, que vão fazer stand-up para entreter o #44.

      Sério Anonimo... não me diga, é um desses bloggers que fica ofendido quando alguém o contraria ou faz pouco de si, certo? Oh, a perseguição!!! Vamos plantar uma árvore por cada blogger oferecido em sacrifício aos bullies (é bullies, não bullys!!!).

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    3. Isso de me comparar ao Bruno Nogueira doeu. Uma pessoa tem sentimentos, caramba...

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    4. Nada do que os idiotas dizem me fica a remoer no juízo. Passar bem anónima.

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    5. Pipocante Irrelevante Delirante15 de maio de 2015 às 10:51

      oh pronto, também ficou ofendida. Não se pode dizer nada!!!
      Vá chamar as suas amigas para me emboscarem e darem umas (blogo)chapadas.

      (e não se ponha com ideias erradas, não sou desses que sonha com o mulherio a aviar umas vergastadas valentes)

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    6. Ora que sensaboria. E eu que já estava a imaginar uma cena à Grey só que ao contrário...

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    7. Olha, comparou-a com uma besta (Bruno Nogueira) e outro que não é tão besta, os dois sem piadinha nenhuma.

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  7. Como mãe de um rapaz que foi durante todo o ano de 2012 vitima de um bullying de uma violência atroz, a minha primeira reacção ao ver o post do vídeo (onde era pedido que se partilhasse para assim ser mais provável a identificação dos agressores) foi partilhar.
    Comecei depois a perceber as ameaças e agressões verbais dirigidas às 2 raparigas.... ao ver o caso nos jornais e telejornais ocorreu-me que isto pudesse estar a ser demais e que talvez conduzisse a um desfecho dramático .... pensei que se calhar não deveria ter partilhado.
    Mas hoje, enquanto fazia tempo à espera que a hora de terapia do meu filho chegasse ao fim (é que o bullying pode causar, e normalmente causa feridas e marcas tão profundas que 3 anos depois continua a ser necessária a terapia) vi outra noticia de agressões de um grupo de jovens a um rapaz de 14 anos em
    Salvaterra de Magos, mas desta vez o rapaz foi espancado ATÉ À MORTE!!!!!
    Então percebi que talvez este caso que se está a tornar tão mediático sirva para por exemplo se criminalizar o bullying, talvez as mães deixem de ouvir, da parte de directores de escolas, professores e afins, em resposta a sucessivos e constantes pedidos de ajuda : "isso são coisas de miúdos".
    Talvez os próprios bullys que por aí andam comecem a perceber que pode haver consequências.
    Não concordo de modo nenhum com este "queimar na fogueira", mas penso que é muito importante que tenham aparecido imagens de uma situação real para ver se o país acorda e percebe que não, não são coisas de miúdos.
    Iris

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    1. Infelizmente, este tipo de atrocidades sempre aconteceu. Não é de agora. A grande diferença é que a Internet possibilita a propagação rápida da informação. Lembro-me de ser pequena e ver casos destes nos jornais, a primeira notícia de que me lembro passou-se em Inglaterra, salvo erro, dois miúdos de doze ou treze anos que espancaram até à morte um rapazinho de uns oito ou nove anos.
      E este tipo de acções não é bullying. É crime. Como tal está previsto no código penal (as miúdas já foram indiciadas).

      (um forte abraço, Iris, tudo de bom para o seu filho)

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    2. Não tinham 12 anos , mas 10 e a vítima tinha 2. Raptaram-no, torturaram-no e no fim mataram-no.

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    3. O bullying é crime mas não é visto como tal. Qualquer um que se queixe de bullying é visto como uma "flor de estufa", incapaz de se proteger.

      O meu filho, como o da Iris foi vitima durante 1 ano de uma miuda. O meu filho tinha 3 anos. E ninguém me dizia nada! Ninguém via! E eu perguntava-lhe se estava tudo bem e ele dizia que sim (creio que por medo dela). Até que uma menina de 5 anos, com toda a coragem do mundo, me disse à frente da bullie que a dita batia todos os dias no meu filho e que ele morria de medo dela.

      Caraças. Tive que mover mundos e fundos para fazerem alguma coisa! Tive que implicar e insistir! Eu sei que fiquei a ser vista como chata mas paciência! Se lhes pagam é para fazer! Não é para deixar os miúdos fazer o que querem e ignorar o mal que lhes é feito!

      Imagina a inocência dele, que nunca teve habituado a ser assim tratado em casa, mas que teve, no seu primeiro contacto com a escola, logo essa experiência que achava que aquilo devia ser assim!
      Nesse verão, quando ele percebeu que não era suposto aquilo acontecer, quando me viu a insistir, a mudar de sala, etc, etc, etc.... e ele percebeu que não devia ser assim, começou a ganhar aversão à escola. Nós, que sempre o ensinamos a não bater, percebemos o nosso erro: tivemos tanta vontade em ensinar-lhe a não bater que não lhe ensinamos que poderia recorrer à violência para se defender! E depois conseguir capacitar uma criança de 3 anos para se defender? Principalmente de uma criança mais velha? E os comentários de algumas bestas (desculpa mas é mesmo essa a palavra para as descrever) que ainda humilhavam o meu filho por se deixar bater por uma menina? Como se o facto de ela ser o dobro dele em peso - excesso de peso - e em tamanho não contribuísse para a sua incapacidade para se defender? Para além que implicavam com ele por não se defender mas não agiam para que as agressões terminassem! E fazer ver a uma auxiliar que não os podia sentar juntos à mesa e que dizer "dêem um abraço" não os fazia ficar amigos e só aumentava a sensação de poder que a miúda tinha e de insegurança do meu filho?!
      O pior foi primeira vez que fui para um parque infantil com ele depois de eu saber daquilo, quando chegaram mais crianças ao dito parque, ele agarrou-se às minhas pernas, a tremer, em pânico, a chorar desalmado para que eu o levasse para casa! O meu filho tinha pânico de estar com outras crianças e a culpa é de quem?! Da miúda, da educação da mãe dela que ou lhe batia ou lhe berrava, das auxiliares que estavam mais preocupadas em não fazer nenhum do que o trabalho delas... Ó sim, foram batalhas muito complicadas e ainda hoje não sei como não passei para a violência algumas vezes. Primeiro apetecia-me agarrar na miúda e bater-lhe até mais não mas depois olhava para ela e para o que a mãe lhe fazia e só me dava ganas de bater na mãe e de proteger a miúda (entretanto ela e as outras 5 crianças foram todas retiradas à mãe), depois ficava piursa porque todos agiam como se aquilo fosse uma coisa "de nada". Disseram-me tanta coisa que sinceramente nunca na vida pensei encontrar gente tão incompetente e mal formada a trabalhar com crianças.

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    4. 2 anos de consultas de psicologia depois ele está irreconhecível mas foi um longo processo e ele ainda tem alguma ansiedade social, alguma incapacidade de iniciar conversas e uma enorme timidez. Para além de que se nota ainda uma postura de "pouco à vontade" perante outras crianças (enquanto que, com adultos está à vontade, fala e interage como se estivesse de "igual para igual" e não se nota nenhuma das outras exteriorizações).
      Mas perdeu o medo de crianças, interage e fala com eles, já se defende - começou por conseguir falar e dizer para pararem, depois passou a conseguir bater (com muito treino em casa) e agora estamos na fase de ajudá-lo a perceber como se defender e bloquear as agressões (agarrar braços, pulsos, etc) e ao mesmo tempo dizer para parar, que não admite tais coisas, etc.
      Ele tem 6 anos, tem outro entendimento. Já lhe conseguimos explicar que é a fazer face aos bullies que os mesmos perdem força, que é ao defender-nos que os mesmos percebem que não fazem de nós vitimas...

      Mas sou 100% a favor da exposição destes casos. Porque acho que chega de tapar o sol com a peneira, fingir que não aconteceu. Quantos sucidios não aconteceram porque esta gente passou impune? Quantas vitimas não ficam traumatizadas para sempre? Quantos não se gabam, até em adultos, das atrocidades cometidas como se fossem "fixes" por serem uns palermas invertebrados?
      Não desejo mal às raparigas, como não desejo mal à criança que fez tão mal ao meu filho, no entanto, tendo em conta a idade dessas adolescentes creio que é algo que as embarace socialmente a única forma de fazer algo valer e, acho também que é somente se estas coisas começarem a ser punidas severamente que vamos ter melhorias no que acontece e no que é considerado aceitável ou não.

      Se não se aceita que um adulto faça isto a outro adulto, o tipo de consequências para as crianças e para os pais que o fazem deveriam ser de tal forma imponentes que eles nem se atrevessem em pensar nisso.

      Sei que provavelmente estou a ver isto com muito mais emoção do que razão mas facto é que eu sei que se fosse um filho meu a fazer tais coisas eu lhe aplicaria um castigo que garantisse que ele nunca mais na vida ousasse sequer pensar em fazer tal coisa a alguém. A maioria destes pais a reacção é "se o meu mandou é porque também levou", "não foi assim tão grave" e outras coisas bonitas.

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    5. Eu lamento o que aconteceu à sua criança. Ainda bem que conseguiu superar. Mas sinceramente tenho alguma dificuldade em pensar que alguém com quatro ou cinco anos possa ser bullyw.
      Parece-me que há aí muita responsabilidade do adulto, pelo que relata.

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    6. Picante eu concordo consigo na parte da responsabilidade mas não na parte do bullying.
      As crianças sabem ser más e muito.
      Este ano, nessa mesma escola, um grupo de miúdos com 4 e 5 anos juntaram-se para bater num miúdo. Coisa quase à gang - enquanto uns o espancavam, os outros seguravam. E marcaram-no mesmo, o miúdo chegava a casa cheio de nódoas negras, pisado, arranhado ao ponto que lhe doía tomar banho (já para não falar nos marcos psicológicos que com certeza vão demorar bem mais a passar). E eles até combinavam com antecedência como iam fazer e planeavam como o apanhar sozinho...

      Claro que a maior culpa disto é dos pais e das pessoas que seria suposto vigiarem e não o fazem convenientemente.
      Ah, e este caso eu só soube porque a mãe dele soube da minha história e veio ter comigo para desabafar e pedir ajuda para o filho porque estava desesperada e não sabia o que fazer. Eu sinceramente até fiquei enojada com a situação. E, sim, eu também pensava que era impossível. Mas não é.
      Mas no fundo, como sempre, os bullies são protegidos e a história abafada.

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    7. Não quis dizer que as crianças não sabem ser más aos quatro ou cinco anos. Claro que sabem, aliás podem ser muito mauzinhos exactamente por ainda não terem a total consciência do impacto dos seus actos nos outros.
      Com quatro anos uma criança sabe que não se deve bater. Mas é-lhe muito complicado perceber o impacto exacto, provocado pela sua agressividade, na outra pessoa. Não tem ainda maturidade para ter essa empatia toda. Foi por isso que eu disse que não era bullying.
      Vai desculpar-me mas esses auxiliares são umas bestas.

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  8. Concordo TANTO contido Piquy!!!
    Lady Ri.

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  9. Sabes o que eu acho???? As pessoas falam, mandam o seu bitaite, fazem e acontecem, mas lá no fundo se vissem uma cena destas, ignoravam e seguiam em frente. E coisas medonhas que eu li, ofensas de uma ponta a outra, mas por trás do ecrã é tão fácil mandar o palpite e ser o zelador da educação dos filhos dos outros. E enquanto ia lendo essas belas postas de pescada, perguntava-me se aqueles que são pais têm a realmente a noção dos filhos que têem....serão todos rectos como mostram? Incutem-lhes a moral e o respeito pelos outros?
    Somos todos Charlies, somos todos bons pais e justiceiros....por trás do ecrã....

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    1. É verdade. A indiferença social assusta-me. A falta de intervenção de quem passa é confrangedora. Uma pessoa pensar "se eu precisar não há ninguém que me ajude" é muito mais assustador que pensar na hipótese de uma coisa destas acontecer.

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    2. Concordo plenamente. Se, em vez de opinarem tanto, as pessoas fossem mais corretas diariamente, existiriam menos casos destes.

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  10. Pois eu quero que as "pobres vítimas" se f*dam. Merecem tudo o que lhes acontecer.

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    1. Nem lhe respondo. Não merece a pena.

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    2. Por mto q n custe aceitar ( e queremos todos acreditar q n, pq tentamos educar noutro sentido), poderia ser um filho de qq um de nós ali, como agressor, ou pelo menos, enquanto espectador.
      Sp me ensinaram q o melhor é n cuspir para o ar.

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    3. Olha aí está um assunto para escrever. Acho que o meu filho não o faria. Já por duas ou três vezes deu indícios de que não ficaria indiferente. Às custas da sua própria segurança. Hei-de escrever sobre isso.

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    4. Eu n sei, q o meu ainda agora fez um ano :)
      Eu nunca o fiz, acho q mto devido à educação q me foi dada. Quero acreditar q um filho meu tb nunca o venha a fazer, até pq conto ensinar-lhe, desde cedo, q n devemos ser violentos e mto menos gozar ou abusar de quem quer que seja.
      Mas garantias acho q ninguém tem. Era como a história de se meter nas drogas. Vi mto paizinho jurar a pés juntos q os filhos eram umas jóias, q drogas jamais e eu a saber q não...

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  11. Quem diz que não vale a pena esperar que a justiça actue, fazer queixa a entidades competentes, etc., e que o melhor é fazer justiça pelas próprias mãos, não deixa de ter razão, ou pelo menos é o que a generalidade das pessoas pensa, principalmente tratando-se de menores uns contra os outros. E foi isso mesmo o que as agressoras fizeram: justiça pelas próprias mãos. Fizeram mal, claro, os motivos que levam uma a dizer-lhe "tu és um nojo" nunca justificam fazer-lhe uma esperinha e dar-lhe porrada, deviam ter-se queixado na polícia, ou aos pais, ou nas escolas. Mas decidiram fazer justiça pelas próprias mãos, e o assunto estaria arrumado não fosse esta coisa das filmagens. As pessoas que agora as querem trucidar foram as mesmas que na altura lhes disseram "oh pá, junta uns amigos, apanha o gajo sozinho e dá-lhe com força".

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    1. Ora nem mais. A menos que as miúdas tenham por hábito apanhar gente sozinha a meio de lhes dar uns sopapos não serão bullies. Provavelmente aquilo foi uma vingança parva. Cobarde e abjecta. Mas uma vingança parva. A verdade é que não sabemos nada a não ser o que vimos nas notícias não é?

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    2. Quando vi o vídeo fiquei com a sensação de que era um ajuste de contas. A miúda do top preto dizia qualquer coisa como "se te metes com ela metes-te comigo. Sabes porque é que estás aqui? Porque me meteste nojo."

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  12. Pipocante Irrelevante Delirante15 de maio de 2015 às 10:05

    Vá, cheguem-se aqui à minha beira. Tudo confortável? Então é assim: disso do buling não posso falar, porque não sei o que é. Americano para tourear? Conheço crimes de agressão, coacção, difamação, em forma continuada ou não, agora isso de buliar, confesso que desconheço. Se é terminologia para meninos que batem uns nos outros na escola, deixem que vos diga que isso já existia antes do facebook e dos telemóveis, não é novidade. E não é por darem um nome estrangeiro a algo que o torna credível ou novidade, por isso guardem essas tretas para as "trends" e "looks", está bem?
    A indignação é geral e a malta não deixa de surpreender, ainda ontem li um comentário de alguém que diz ter passado na Figueira tempos horríveis, descrevendo a cidade como um local onde só falta a banda sonora do Morricone enquanto os nativos fazem duelos de pistola. Mas estes casos são bons para ver os cromos que temos na caderneta, há os que mesmo sem conhecer as pessoas assumem que a miudagem apanha do pai diariamente e vê a mãe arrrear na avó, os que dizem que faltou amor, os que dizem que há que dar a outra face e os que querem justiça sumária, olho por olho, chapada por chapada.
    A primeira reacção é culpar os pais, a família disfuncional ou a escola. É preciso culapdos, alvos, pois então contra quem nos indignávamos? A sociedade à qual pertencemos e para aqual contribuímos?
    Claro que, fosse filho meu e visse aquilo, o mais certo era correr tudo à paulada e enfiar o móvel no olho cego do tipo que filmava, mas soubesse depois faria o natural em sociedade, que era queixar-me às entidades competentes. Mas isso sou eu que sou humano, com qualidades e defeitos do mesmo. Agora, no caso em particular, pouco há a dizer. Não sabemos se aquilo era corriqueiro, se foi uma vez, o porquê. Vai-se a ver, o agredido até é um mânfio da pior espécie e as raparigas fizeram o tipo de justiça que a turba agora apregoa. No geral, tem tudo a ver com dinâmicas de grupo, comportamentos agressivos e alguma consciência de impunidade. Tudo coisas boas de se discutirem, mas com sentido, vá lá.

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    1. Amanhã aparece aí uma Pepa qualquer a dizer que quer uma Birkin e a coisa cai no esquecimento.
      Mas eu acho que é preciso falar disto. A sociedade está a tornar-se por demais agressiva. É preciso que as pessoas tomem consciência, os jovens principalmente, que não é à pancada ou pelo terror que a coisa se resolve. Este queimar de bruxas "internáutico" escandaliza-me. É diferente daquilo que era antigamente porque é para sempre, visível a todos, nada a ver com chamar badocha ou caixa de óculos durante os intervalos.

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    2. Desculpe Pipocante, mas acha mesmo que um miúdo do género "o agredido até é um mânfio da pior espécie" deixava-se ficar enquanto lhe enfiavam uns bananos e filmavam? Não me parece...

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    3. Pipocante Irrelevante Delirante15 de maio de 2015 às 15:45

      Até os piores mânfios se encolhem quando em inferioridade numérica

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    4. Eu já fui agressora, e bem pior do que estas duas que nem uma "gravatada" de jeito sabem aplicar. A minha vítima (ou melhor nossa, porque fomos várias as agressoras, ele, porque era rapaz) ficou no chão do WC onde foi encurralado (sim, encurralado, porque o menino gostava de perseguir as meninas que iam à casa de banho sozinhas, não sabia era que as outras estavam à espreita) a chorar, a sangrar do nariz, e com "as partes" bastante doloridas.

      Se alguém tivesse filmado e tornado público... bem, éramos escumalha da pior espécie. Mas não, não éramos. Ele é que era. Um sacana, covarde, que nos torturava. Esqueceu-se que na época estava em moda o slogan "a união faz a força". E nós unimo-nos para dar uma lição a um abusador da pior espécie. E ele parou. (uma das meninas agredida por esse sacaninha ficou sem cuecas - ele rebentou-as ao puxá-las - e teve de dizer em casa que estava com problemas de barriga e deitou as cuecas fora). Ah, foi no 6º ano (2º do ciclo), tínhamos 12 ou 13 anos. E sim, algumas de nós (não eu) queixámo-nos a pais e a professores (uma professora) a não adiantou nada.

      Não sei os motivos destas raparigas, e do seu grupinho. Mas se calhar tiveram-nos, e não devem ter sido assim tão poucos...

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    5. Este rapaz não fez nada. Foi tudo tudo por um problema de diz-que-disse, de namoricos.

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  13. Efectivamente é errada a forma como as pessoas se estão a dirigir às gajas. Li notícias, tenho as minhas opiniões mas não as exponho de forma escrita e muito menos procuro as redes sociais delas para lhes enviar recados de morte. Isso é doentio e tão mau quanto o que elas fizeram. Mas se se suicidassem, como dizes, não é que eu fosse ficar aqui a pensar "coitadas, ao que levaram estas raparigas!". Podem ir à vontade, não se perde nada.

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  14. Choca-me tudo nesta história, choca-me essas ameaças que relatas e choca-me ler num blogue de maçã envenenada, por muito que perceba a sua revolta, " por mais polémico que isto possa vir a ser, adolescentes ou não, se quiserem acabar com a própria vida, be my guest"

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    1. A maçã é uma idiota. Não há outra palavra para a descrever. Não sei que raio poderá passar na cabeça de alguém para fazer um post a dizer que fica muito triste quando alguém goza com ela e depois aceitar uma série de comentários onde chamam de invejosa a mal fodida a alguém que se limitou a fazer um post de brincadeira. Isto para já não falar da maneira como ela trata toda e qualquer pessoa que discorde dela. Batatas, mas é!

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  15. O motivo da pancadaria,foi umas das açéfalas,ter traído o namorado,e ter sido denunciada pela vitima, o que precipitou o fim da relação.A "pobrezinha" decidiu juntar a grupeta e vingar-se desta maneira.Não queimem o pobre rapaz!!

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  16. O povo só precisa de um pretexto para destilar a sua raiva.
    As miúdas devem ser punidas pelo sistema judicial e as pessoas fariam melhor em tentar perceber o andam a fazer os seus próprios filhos do que em arranjar pretextos para destilar o omnipresente ódio e veneno.

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    1. Nem sempre é fácil Cuca. Há pessoas com vidas tramadas. Há miúdos que têm um comportamento muito diferente fora de casa. E há a dinâmica de grupo que pode sobrepor-se completamente se as pessoas são de fraca personalidade.
      Como é que um pai sabe o que faz o seu filho na escola, quando é suposto ele estar na escola? Não havendo queixas e a coisa correndo como é suposto correr, curricularmente falando? O meu filho tem um colega que é um autêntico selvagem, apesar de ter ar de quem não parte um prato. Os pais não têm a menor ideia, acham que o miúdo é um anjo, quando na realidade é um aldrabaozinho provocador e mal educado.

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    2. Não quero dizer que os pais são culpados. Concordo inteiramente consigo. O que quero dizer é que essa gente que anda para aí indignidassíma a dizer coisas, também não sabe o que fazem os filhos quando não os estão a ver.

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    3. Acho que foi de ter lido isto a desoras, Cuca. A sua frase estava clara, o erro foi meu.

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