terça-feira, 14 de abril de 2015

Somos todos Charlie, é claro que somos todos Charlie, nem sei qual é a dúvida

Se me apetecer tecer comentários sobre o carácter das pessoas, ainda que de forma irónica, não me posso admirar que as pessoas não se riam, por mais engraçada que eu seja. Ou que me respondam igual. No fundo, serão apenas as pessoas a dar largas ao Charlie que há nelas.

(e como saímos todos vivos, uns arranhões ao ego na pior das hipóteses, nem sei qual é a dúvida, é claro que somos todos Charlie)

27 comentários:

  1. E já alguém perguntou ao Charlie se querem que toda a gente diga que e ele?
    Eu não gostaria que outras pessoas assumissem a minha identidade. Por essas e por outras e que nunca embarquei nesse barco do somos todos Charlie (muito menos quando toda a gente o fazia e até aprecia ser "cool", quase uma imposição moral, ser Charlie).

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    1. Eu achei uma bonita homenagem. E importante, também.

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    2. Mas tem noção de quer uma percentagem relevante das pessoas que nos dias seguintes ao ataque à redacção do Charlie Hebdo, não fazia, até àquela data, a mínima ideia do que era o Charlie Hebdo, não tinha visto um único cartoon daquele semanário e, pasme-se, acompanhou a hashtag #jesuischarlie de comentários que revelavam o contrário, não tem?
      Mas sim, foi uma homenagem por parte de alguns, facilmente replicada - e esvaziada de conteúdo - por outros.

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  2. Lembras-te da tal frase que te disse uma vez, a propósito de uma coisa assim parecida?
    Que na verdade não temos todos a mesma capacidade de dar e levar com a mesma intensidade nas duas vertentes? A maioria dá com força mas quando toca a levar, toca a fugir ou a agredir.
    Claro que não somos todos Charlie.
    Somos todos solidários com o Charlie, amigos do Charlie, com pena do Charlie.
    Ser Charlie é outra coisa.

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    1. Mas ser Charlie não tem que significar dar a outra face e apanhar nova bofetada, acho eu. Significa apenas o direito a exprimir livremente opiniões, ainda que isso aborreça as pessoas. Convém é que estejamos preparados para uma reacção das pessoas (por palavras ou ausência delas, obviamente que é a isso que me refiro)

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    2. Ná... a parte para si não era a do Sana. Vá lá ler com atenção.
      Para si era a da ironia, que gosta de apregoá-la e de se armar em forte mas tem pouquissimo (ou nenhum) poder de encaixe quando a coisa é no sentido inverso.

      (mas eu tenho que lhe explicar tudo?)

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    3. Ups... o comentário foi feito no local errado...
      Era resposta ao seu das 18:25, evidentemente.

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    4. Estou convencida de que está enganada. Até porque mais ninguém, falou no Sana.

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  3. Cada vez mais a máscara lhe (dele) vai caindo...

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  4. Gostei de vê-la a acusar o toque. A verdade é que ele tem razão, isso da ironia é muito bonito desde que seja com os outros.

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    1. Não acusei toque nenhum, aliás não dei por nada me ter sido dirigido, para além daquilo do Sana. Não acha que eu poderia aborrecer-me com isso, pois não?

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  5. Então cara Picante?!
    Pela minha parte manifesto uma certa predilecção em falar pela minha própria boquinha.

    Nem Charlie era Charlie quando censurava internamente "coisas que não interessavam".

    Foi uma tragédia bárbara, não nego. Qualquer homicídio é uma tragédia.

    Mas também penso várias vezes, apesar da liberdade de expressão, que, se fosse cartoonista e produzisse trabalho que sempre que é publicado origina mortos em populações do médio oriente, sejam ou não consequência de fanáticos desprezíveis, talvez tivesse chegado o tempo de parar.

    Há "falar de religião com espírito crítico" e há "satirizar religião". Para nós, ateus e agnósticos, pode parecer uma trivialidade mas imagino que não o seja para muita gente.

    Não, sou muitas coisas, sou solidário com as vítimas e suas famílias, mas não sou, nunca fui, Charlie.
    Nem me iria tornar Charlie após aquele infame massacre.

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    1. Eu sou religiosa e digo-lhe que, na minha opinião, eles devem ser enfrentados. E digo estes porque são eles quem agora comete estes crimes bárbaros mas aqui há uns anos atrás era a Igreja Católica. Acho que ignorar, não provocar não vai ajudar em nada, eles arranjarão outros motivos para matar e fuzilar e cada vez serão mais picuinhas e serão mais capazes de matar por "dá cá aquela palha".
      Não é a fugir que eles acabarão, é a tirar-lhes o poder.

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    2. Não sou ateia, nem tampouco agnóstica. E, embora achasse aquilo de mau gosto, acho ainda de pior gosto parar porque aborrece alguém, ao ponto de me ameaçar. O correcto será parar porque nós não queremos aborrecer ninguém.
      Ser Charlie é, como muito bem diz o anónimo aqui em cima, retirar-lhes poder de nos (me) calar por intimidação.

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    3. Ai agora os cartoonistas é que provocavam mortes no Médio Oriente!!?? Esta é para rir, não é?

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    4. As minhas desculpas, não me fiz compreender. É exactamente parar porque queremos, no meu caso, não estou a generalizar. Aliás, na minha opinião a publicação sempre foi um pasquim da pior espécie sem qualquer respeito por quem quer que seja. Isso em nada justifica o que aconteceu, mas convenhamos é de extremo mau gosto transformar aquilo no Símbolo da liberdade de expressão. E a propósito da liberdade de expressão, também uma opinião pessoal, como sempre, sou favorável a um exercício auto restrito dessa mesma liberdade. Não poderia em consciência, porque de facto poderia sem dúvida, publicar um cartoon de fulano corruptor a sodomizar beltrano corrompido só porque me apetece e sou livre de expressão. O extremismo não se limita ao fanatismo no médio oriente nem às barbaridades que vêm escritas no Corão (sim, não vale a pena negar, estão lá escritas para toda a gente ver) nem à falta de separação entre Estado e Religião. Basta ver o que está a acontecer na Europa, todos os dias uma proposta de retrocesso nas liberdades individuais. Seria útil, se não viesse a servir a tirania do capital. Seria útil que os políticos não cavalgassem a onda do terrorismo para o efeito. Seria útil ter a convicção que eles, os nossos políticos, estão de facto do nosso lado.

      Não é calar-nos por intimidação, é decidir que com gente dessa, fanáticos e extremistas, não há diálogo possível excepto o da violência. Não é apoiar no início contra o lunático regime sírio e depois decidir que afinal se criou mais um monstro, talvez até intencionalmente, o que não deixa de ser uma ideia aterradora.

      Não me sinto intimidado por não ser Charlie. Sinto-me lúcido. E para todos os Charlies do mundo, olhem também para os vossos países e meditem se são efectivamente livres, se não são cada vez mais abusados pelos lacraus que lideram os estados.

      Símbolos de liberdade há-os felizmente em abundância. Mas para mim não cabe lá Charlie. É demasiado pequeno para isso.

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    5. Caro anónimo, nada neste caso me parece ser "para rir". Mas esteja à vontade, aqui ninguém se aborrece.

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    6. Acho que concordamos em quase tudo. Aquilo só foi semi transformado no símbolo da liberdade de expressão por os terem tentado calar à força.
      Mas, no geral, estaremos de acordo.

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  6. Anónima, está enganada, não somos iguais, de todo. Somos, graças a Deus, completamente opostas.
    A prová-lo está um post que não passa de uma ameaça bacoca, feita por uma pessoa sem qualquer tipo de dignidade, que acha que sabe aquilo que não tem meios de saber.
    (vai desculpar-me mas não vou publicar o seu comentário)

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    1. P.S.- disse a Picante ali mais acima: "Mas ser Charlie não tem que significar dar a outra face e apanhar nova bofetada, acho eu. Significa apenas o direito a exprimir livremente opiniões, ainda que isso aborreça as pessoas." - Foi precisamente isso que fiz, mas não aceitou de todo a minha opinião. É tão lindo falar e não praticar...

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    2. Ser Charlie não significa que eu tenha de publicar coisas que o blogger me dá o direito de não publicar. Tampouco significa que eu seja obrigada a ouvir aquilo que os outros querem que eu ouça. Posso escolher não ouvir, em me apetecendo.
      E não vou publicar porque está ali uma pessoa envolvida. Eu já recebi mails com excertos do que se passa no FB, num perfil ao qual eu não tenho acesso. E não é bonito.
      Agora lhe garanto que sem recorrer à polícia ou à operadora (via IP, portanto) ninguém saberá a minha identidade a menos que eu a resolva partilhar. E eu não resolvi.
      Para acabar este não assunto, ao qual não voltarei, aquilo pareceu-me uma ameaça velada, um ou te calas ou digo quem és. Mas eu nunca me calaria, ainda que se soubesse a minha verdadeira identidade. Temos pena.

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  7. Já vi. Obrigada. Estou capaz de lhe dedicar um post, em tendo tempo. Tentativas de chantagem são uma novidade fantástica, até vindas de quem vêm.

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