quarta-feira, 22 de abril de 2015

Das perdas que afinal se convertem em ganhos

Aqui há uns dias, dizia-me a I., que tinha retido uma coisa que eu lhe disse. Ora dizia-lhe eu que acreditava nas pessoas e esperava sempre o melhor delas. E é verdade. Nem sempre foi assim mas a vida pôs-me frente a frente com uma equipa que me obrigou a repensar todo o modus operandi a que estava habituada. Sendo directa, eles eram fracos, francamente fracos. Depois de dois ou três dias a lamentar-me, ai ai ai que isto é uma cabala do universo, ai ai ai que quem se vai lixar vou ser eu, ai ai ai que não consigo fazer tudo sozinha, ai ai ai que me vou desgraçar, pus-me a fazer aquilo que de melhor sei fazer. Dei corda ao tico e ao teco e reorganizei aquela malta toda. A verdade é que a coisa correu bem, corre sempre bem, eu sobrevivi incólume e aprendi a retirar o que de melhor havia em cada indivíduo. Porque é um facto que todos temos coisas boas. Esta capacidade, de se ver o lado bom das coisas, pessoas neste caso, está provavelmente muito ligada ao meu optimismo, eu sou aquela pessoa capaz de ver sempre o copo com água, ainda que ele esteja vazio. E às vezes até está.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que, recentemente, perdi uma pessoa, alguém que foi importante e em quem maioritariamente via coisas boas. Nem sei bem quando a coisa começou, quando foi que perdi a faculdade de lhe ver as características positivas, quando me começou a desagradar uma coisa aqui, outra coisa ali, nada de muito importante, até que, de coisa pouco importante em coisa pouco importante, lhe perdi o respeito. E é lixado uma pessoa ter uma decepção, até podemos esquecer, e eu esqueço, até podemos perdoar, e eu perdoo, mas nunca mais as coisas voltam ao mesmo, as coisas não mais serão como eram. No fundo talvez não tenha perdido nada, não podemos perder aquilo que nunca realmente foi nosso. E depois, eu acho sempre que quando Deus nos fecha uma porta abre uma janela, lá está, é o meu optimismo a falar, vai daí que Deus foi generoso comigo, desta feita abriu-me seis janelas. E que janelas, senhores, aquilo mais parecem portas de varanda, de tão grandes que são, de tanta luz que dão.
E é isto. Gosto muito das minhas janelas, não sei se perceberam.

46 comentários:

  1. Fã n.• 1 da Filipa Brás22 de abril de 2015 às 09:52

    Gosto de si picante (tanto quanto gosto da Pipinha!). Um beijinho

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    1. (se a Pipinha vê isto põe-se aí aos gritos, estou a avisar...)

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    2. "Tanto quanto gosto da Pipinha"

      Vou guardar isto, se as madamas não se importarem.

      Obrigada.

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    3. Ahahahahahahahahahah. Ó Pipinha, por Deus. O coração das pessoas é grande... Cabe lá muita gente.

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    4. Cala-te que ninguém te perguntou nada.

      A conversa é entre mim e a minha fã nr.1

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    5. Tu disseste madamas. Madamas é mais que uma. Se é mais que uma era para mim, também. Ou será que te pões a falar para as minhas donas Joaquinas?

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    6. Fã n.• 1 da Filipa Brás22 de abril de 2015 às 13:21

      Beijinhos para duas, de quem gosto e simpatizo muito :)

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    7. Mas alguém gosta da Filipa? pfff

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    8. Fã n.• 1 da Filipa Brás22 de abril de 2015 às 18:39

      Talve seja hora de começares a ponderar uma ida ao espaço, com o Mario Ferreira, com a diferença que tu ficavas e não voltavas Margarida. Assim só naquela de garantires a tua segurança física...

      (Eu gosto. A Filipa é uma querida quando é bem tratada.)

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    9. :)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

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    10. ahahahahahahahahah

      (Pipinha, daqui a pouco estás a dizer ele ó ele, não?)

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  2. Pipocante Irrelevante Delirante22 de abril de 2015 às 09:55

    Está cheia de sorte, Pepper.
    Cá eu, vejo sempre o lado bom das pessoas, e mesmo quando esta se revelam incompetentes ou bandalhos, acredito que podem mudar, ou pelo menos melhorar. Quer dizer, no fundo sei que isso é mentira, que um urso é um urso, e mesmo que lhe ponha um laçarote no pescoço e o ensine a andar de triciclo, isso não faz dele um humano, e o mais certo é abocanhar-me à primeira oportunidade. Mas pronto, quero crer que tenho ali um amigo, um companheiro, e não um animal selvgem.
    Claro que no fim, desiludo-me. Ou não. Porque ter razão, também é uma desilusão.

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    1. As pessoas não mudam. Mas nós podemos puxar pelo melhor que têm. Sem esperar que um urso alguma vez deixe de ser um urso, claro.
      (e estou mesmo)

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  3. Há mansardas lindas, com vistas de cortar a respiração, aquela ideia de estarmos mais perto do céu e das estrelas é muito bonita, nos filmes, mas podendo gozá-las (às vistas) a partir de um vão de sacada amplo, pois que prefiro assim.

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    1. Quando as coisas são demasiado perfeitas, a maioria das vezes é porque pusemos os óculos errados.

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  4. Cada pessoa que passa na nossa vida, não vai só, nem nos deixa sós; deixa um pouco de si, leva um pouco de nós - Saint-Exupéry.
    Aprendemos muito com quem passa. A aprendizagem é sempre um ganho mesmo que seja negativa ou no mau sentido. As pessoas vão passando e nós vamos mudando.
    A aprendizagem é ao final de muitas pessoas, sabermos exatamente e antecipadamente quem devemos deixar passar.
    E nessa altura somos velhos e a aprendizagem que fizemos ao longo do caminho não nos servirá para nada.
    É este, e desculpa ir agora para fora do tema, o grande problema da velhice. Sabermos tanto para usar em tão pouco tempo.

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    1. Ai o Principezinho...
      Tento fazer isso, aprender com o erro, ainda mais que com o sucesso, ainda que deteste errar.
      Não sei se isso é problema, Uvinha, acho que é por isso que a idade dos torna mais calmos, mais focados naquilo que é realmente importante, mais disponíveis, também, para ensinar.
      (nunca sabemos o suficiente, o saber não ocupa lugar, dá sempre para um bocadinho mais)

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  5. Folgo em saber que afinal o seu "#jesuischarlie" é falso. E que a mulher sem medo afinal também tem pontos que a ferem. Mas sabe, já diz o ditado, quem com ferro fere...

    Assim como não quer a coisa, deixa de publicar comentários porque deixam-na sem ter resposta de tão verdadeiros que são, não é?

    Afinal as D.Joaquinas (e pq não Sr.Joaquim) sabem como irritá-la.

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    1. A sério que acha que isso que diz tem alguma lógica? Há coisas que te magoam portanto não és a favor da liberdade de expressão? ahahahahahahahahahah Tão giras, vocês...

      Às vezes não me apetece ver imbecilidades, vai daí e rejeito.
      (mas hoje sinto-me generosa...)

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  6. Pois sou também optimista e também já houve pessoas que saíram do meu caminho, outra continuam mas de forma diferente, mas também se encontram outras :D

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    1. Ser optimista ajuda a ser feliz. Acredito piamente nisto.

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  7. Pois eu acho que nós sempre vemos o que as pessoas realmente são mas, de alguma forma, as vamos desculpando. Se achamos a pessoa divertida e simpática, vamos desculpando... "ai ela anda a dar em cima de um homem comprometido? Oh coitada, se calhar gosta dele"; "ai ela responde torto a quem não concorda com ela? oh coitada, se calhar anda com problemas na vida e a culpa são dos nervos".

    Nós perdoamos quando gostamos. Mas um dia... talvez um dia, abrimos os olhos.

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    1. Acho que não concordo consigo, S. Ele há coisas que nos fazem perder o respeito por alguém. E, a mim pelo menos, é muito difícil gostar de alguém que não respeito.

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    2. Picante, mas as pessoas nunca mereceram o teu respeito... tu é que não o sabias! Ou achas que alguém digno vira desonesto ou incorrecto de repente? Nop. Sempre o foi... apenas não o mostrava.

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    3. S. eu acho essa visão do mundo um tanto redutora. Terás também tu atitudes contra quem tem opiniões contrárias à tua, contra quem te fere ou magoa que nunca terias com outras pessoas. Eu acredito que a maioria das pessoas é boa mas cada um de nós tem pessoas com as quais não simpatiza e outros que nos tiram, verdadeiramente, do sério. E também acredito que as circunstâncias da nossa vida nos fazem ter uma ou outra atitude, mesmo atitudes que não acreditaríamos ter noutras circunstâncias e das quais não nos orgulhamos depois de as cometermos.

      P,ex eu já te vi ser mal-educada para muitas pessoas no teu blog, como resposta a comentários, mas não assumi que és má pessoa por isso, assumi que te passaste e que não conseguiste lidar com aquela situação de outra forma.

      Eu já gritei com uma colega de trabalho que não fazia nada. Perdi um pouco as estribeiras e dei-lhe uma valente desanda. Sabes quando? No dia em que tive um familiar próximo diagnosticado com cancro. Estava tão alterada emocionalmente que bastou uma pequena atitude, que aquela pessoa tinha frequentemente (fumar e namorar na esplanada deixando-nos a trabalhar sozinhas para um projecto comum), para eu lhe passar uma desanda de todo o tamanho. E, sim, acabou por levar com tudo o que tinha acumulado sobre as atitudes dela e também por levar com a minha frustração com a vida por ter um familiar diagnosticado com cancro e me sentir desesperada por isso. Não me orgulho mas sei perfeitamente que aquela não sou eu.

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    4. Anónimo das 23:16, honestamente está a confundir momentos menos bons que TODOS temos com aquilo que eu tentei transmitir - as pessoas más e desonestas podem disfarçar, podem enganar... mas eventualmente são descobertas. E sim, eu já fui rude no meu blogue... para quem foi rude comigo.

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  8. Eu também já fechei algumas portas. Mas passado algum tempo percebi que ou não eram portas (mas pequenos postigos) ou nunca estiveram verdadeiramente abertas (talvez "encostadas"). As portas que valem a pena, as que nos protegem, são grandes e pesadas e não se deixam fechar ao primeiro encostar de dedo.

    E para terminar... Digo-te que acho que só há uma coisa que não se consegue (eu pelo menos não consigo) recuperar numa relação. O respeito. Esse, em indo... Pah, foi.

    Pronto era só!

    (Descobri este blogue agora mesmo e por acaso, esqueci-me de dizer... :D)

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    1. (:DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD)

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    2. (Sério Mi. Estou a preparar um hot spicy uh-la-la dinner para meu estimado marido... E como quero aquilo mesmo mesmo hot... Mesmo mesmo spicy... Googlei... Tau! Vim logo parar aqui e já que estava li um ou dois posts e tal... Bem... Tu sabes... Às tantas vieste cá parar da mesma forma...)

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    3. Tal e qual, andava a ver umas receitas de caril e pumbas, "A Mais Picante". Vi umas malaguetas, o post dos panos de cozinha, e pensei que sim, que estava no blog certo, mas depois li dois ou três post e percebi logo que não podia estar mais enganada.

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    4. E... TAU!... Percebeste logo o tipo de pessoas que por aqui se movimentam, não foi?

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    5. ahahahahahahahahahah
      ahahahahahahahahahah

      E dizei-me... É a primeira vez que comentam, pois é? E acham que eu podia empregar a minha escrita inteligente e humor para criar "algo" próprio, falar sobre mim, verdade? E que isto é tudo inveja, pois sim?

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    6. (agora é a segunda, mas sim, é isso tudo, Picante)

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    7. Obrigada pelo alerta, amigas. Vou mudar. Vou mesmo. Doravante vou publicar frases motivadoras, fotografias bonitas e sugestões de moda. Obrigada.

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    8. Uns giveaways de quando em vez também serão sempre bem vindos.

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    9. Mirone e NM então teremos que dar graças ao senhor por vocês terem vindo parar no blog da Picante e não no "famoso" facebook"! Afinal "sois" moças de família e poderia cair-vos os olhinhos com tamanhas façanhas por lá perpetuadas! O escândalo! O deboche...xD

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    10. Parece que sim, que há um fb com o mesmo nome que é muito picante.

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  9. Pois, as pessoas não mudam (às vezes, mudam, no meio de algum trauma), as pessoas vão-se revelando. E, também eu, cortei relações com uma grande amiga. A amizade nao é, nunca, unilateral. Amentira, o engano, o complexo de suprioridade (ou inferioridade?) não têm lugar numa amizade.

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  10. Pipocante Irrelevante Delirante22 de abril de 2015 às 14:48

    A minha porta está sempre aberta.
    Mas nem todos podem entrar
    (assim como assim, tipo barbearia)

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  11. Olá Picante. A seguir à tempestade vem a bonança. Tenho para mim que os períodos de bonança sabem sempre melhor a quem melhor soube lidar com os períodos de tempestade, acredito que a luz do bom tempo seja por aí mais luminosa, acredito.

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    1. Eu faço sempre os possíveis para que as sombras não me estraguem o bom tempo. E preocupo-me mais em gozá-lo que em olhar para o céu à procura de nuvens negras.
      (Só fiz o que qualquer pessoa de bem faria, Cláudia, tentar proteger quem tinha de ser protegido. É que, independentemente da leviandade com que se fale sobre o assunto, um crime é um crime, não há muito mais a dizer)

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  12. I'm famous, I'm famous!!!

    Não que ache que todas as pessoas são más, ainda esta semana li num blog (não era um motivicional!!) "As pessoas são boas até prova em contrário. Não o contrário." mas mais depressa espero o pior delas, assim a decepção é menor, e ainda me consigo surpreender quando conheço pessoas extraordinariamente boas, e esta sensação é tão boa. No último ano tive uma situação similar com a da Picante, só que ao contrário de si sei quando a coisa começou, quando comecei a perder a faculdade de lhe ver as características posítivas,a desagradar uma coisa aqui, outra coisa ali, só que como sou boa pessoa, falo, tento resolver, perdoo aqui, perdoo ali, dou três palmadinhas nas costas, até que um dia não dá mais, não tem interesse para mim manter pessoas dessas no meu círculo. Em compensação nos últimos 5 anos conheci dois seres extraordinários,em que cada vez que olho para eles penso que não há melhor do que eles. Portanto uma porta fechou-se, e abriram-se outras duas janelas, as de varanda, sempre limpas, brilhantes,

    "as pessoas que pensam que com o tempo se vão encontrar, desenganem-se. A não ser à força de torniquetes, uma pessoa não se constrói, descontrói-se. Não se contrái, descontrai-se. Desencontrém-se" MVA

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    1. Eu também sei quando foi, I. sei exactamente todos os alertas que ignorei por se tratar de coisas pequenas, sei tudo o que me levou a dizer "olha, não gosto", sei qual foi a gota final.
      (mas não interessa estar aqui a desenvolver, isto não é um post sobre o desamor)

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