segunda-feira, 2 de março de 2015

Da barbearia, do feminismo e do racismo. Agora sim, post sem sarcasmo.

Não gosto de radicalismos. Nunca gostei, chegam a assustar-me. Posto isto parece-me importante e ajuizado saber distinguir atitudes que põem os direitos de qualquer grupo em causa, de golpes baratos de marketing de um qualquer hipster-boho-atrasado-mental. Que é o que os tipos da barbearia são, embora não tão atrasados-mentais que não contassem com o grupinho de feministas que se ofende por tudo e por nada, que à mínima coisa se põe aos pulos a gritar que tem os seus direitos postos em causa. Não fossem essas tipas senhoras tão cretinas como eles e ninguém teria ouvido falar dessa bendita barbearia, onde os homens cortam barba e cabelo. Por mais errado que seja o conceito, que é, não é a provocação barata de uma barbearia de terceira categoria que põe qualquer direito da mulher em causa, sejamos honestos.
Vai daí que acho o protesto das fulanas tão cretino quanto o gesto que o originou. Se alguém se sente lesado, se a constituição está a ser violada, têm mais é que apresentar queixa junto das autoridades, parece-me que ainda somos um estado de direito.
Posto o preâmbulo, vi por aí umas comparações da barbearia ao apartheid ou à perseguição que os judeus sofreram às mãos dos nazis. Coisa que achei profundamente ofensiva, quer para com as vítimas e familiares dos que realmente sofreram essas atrocidades, quer para com a inteligência do comum mortal. É completamente abusivo fazer uma comparação destas. E é sinal de fraca inteligência também, a única coisa que me dá vontade é de abanar a cabeça em sinal de comiseração, encolher os ombros, enquanto penso que lá está novamente o grupinho radical do feminismo a afastar as pessoas de uma causa que deveria ser a causa de todos nós, homens e mulheres.
Está na altura de as "feministas"* revelarem alguma inteligência e escolherem as lutas. De preferência lutas que valham realmente a pena por, sendo ganhas, se traduzirem numa melhoria da qualidade de vida de um grupo de mulheres. Uma que seja. Não é o caso da porra da barbearia.

(em me apetecendo também poderei falar dos ginásios só para mulheres, e não venham cá com histórias de os equipamentos serem vocacionados para mulheres, eles venderam o conceito na base do "sinta-se à vontade, sem receio de olhares masculinos", ou das entradas cobradas nas discotecas a homens enquanto as mulheres não pagam. Se isto não é discriminação com base no sexo, então eu não percebo nada de discriminação...)

*está entre parênteses propositadamente, é um grupinho radical que tem como consequência desgastar toda uma causa digna, que luta por direitos iguais.

34 comentários:

  1. Eu queria ver as feministas era a abraçar a causa da diferença de ordenados em empregos/funções iguais e o acesso aos ditos.

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    1. Mas esse é um tema amplamente discutido. E justamente discutido, já agora.

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    2. Infelizmente não tem sido (era aí que eu queria chegar). As nossas ditas feministas vão-se focando em pseudo-assuntos mas ignoram todos aqueles que vêm de base (como os de educação, diferenças de tratamento desde tenra idade, etc), assim como aqueles do dia-a-dia.

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  2. Dado que se me refere directamente, permita-me corrigi-la e à sua acusação de ter comparado o holocausto ou o apartheid a uma barbearia, uma vez que não o fiz, mas sim comparei especificamente a existência de sinais à porta de estabelecimentos comerciais proibindo a entrada de indivíduos com base no seu sexo ou cor de pele. De resto, dada a sua leitura exaustiva de tudo o que é dito e debatido na minha caixa de comentários, terá tido oportunidade de perceber isso mesmo, pelo que o seu post revela mais uma vez a desonestidade de que me pretende acusar, inclusivamente relativamente aos exemplos que dá, e cujas diferenças foram debatidas claramente, bem como as posições das várias pessoas que aqui agrupa grosseiramente, o que me leva a crer que este seu post é mais uma vez um ataque pessoal, como aliás é seu costume.

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    1. Quer parecer-me que enfiou a carapuça. Credo Luna, que desgastante.

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    2. Olhe Luna, acho que não gosto desse tom. No mínimo é agressivo, além de que o seu discurso peca por se basear em pressupostos errados.
      Eu até poderia acabar a minha resposta aqui mas sempre lhe vou dizendo que as redes sociais não começam e acabam no seu blog. Eu vi o seu post, assim como vi uma série de comentários sobre o assunto, quer noutros blog (de que gosto), quer fora do blogger.
      Eu não a refiro directamente, ao contrário do que afirma, nem tão pouco o que digo é consequência directa do seu post, embora também seja. O seu é apenas um dos muitos que vi e do qual discordo profundamente.
      Era o que mais faltava não poder discorrer sobre este ou qualquer outro assunto, sem que isso seja um ataque à sua pessoa. Não é. Quando muito é um ataque às suas ideias, que neste particular eu considero tacanhas. Lamento mas é a minha opinião e, a título de exemplo, lembro-lhe que já me disse eu ter feito um post boçal, e também me disse que isso não era um ataque pessoal, que o que era boçal era o post.
      Em tempos prometi que não lhe dirigiria qualquer ataque pessoal e tenciono cumprir. Mas não ne peça para me abster de debater ideias, não o farei. E é o caso deste post.

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    3. Cara Picante, o seu tom também não costuma ser o mais cordial, e não o é neste post, como não o foi nos anteriores, em que me engloba grosseira e abusivamente no grupo de pessoas que cataloga como cretinas, estúpidas e ridículas. O exemplo que dá é baseado num post meu, tal como um ataque pessoal que dirigiu recentemente e foi baseado em opiniões debatidas especificamente na minha caixa de comentários.
      Relativamente ao único post que fiz recentemente sobre o assunto, comparei a restrição à entrada em espaços comerciais de pessoas baseando-se no seu sexo ou na sua raça - restrição essa que tenho visto desvalorizada como "uma mera provocação".

      Dado que aqui afirma que considera essa minha posição tacanha, gostaria de saber, objectivamente e a seu ver, qual então a diferença entre impedir a entrada num estabelecimento a mulheres ou a pessoas de uma certa raça.

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    4. Luna, não sei se teve oportunidade de ler com alguma atenção o que escrevi ali em cima, mas repito que este post é consequência de uma série de comentários que li, a maior parte até no FB.
      Não faço ideia de que ataque pessoal recente lhe poderei ter feito, não lhe dirigi qualquer post, Este é o único que poderá pensar ser-lhe dirigido, ainda que apenas parcialmente.
      Não a englobei em nenhum grupo de cretinas, estúpidas e ridículas, a menos que a Luna se tenha ido mascarar de cão, a fim de invadir a barbearia. Mais: ainda que o tivesse feito, também não seria um ataque pessoal, seria manifestar uma opinião relativamente a um acto cometido e que eu acho estúpido. Acho que tenho essa liberdade, ou não?
      Parece-me que a Luna está um bocadinho com o síndrome "ela escreveu isto a pensar em mim", veja lá isso que não é verdade. Se eu pensasse como a Luna também poderia achar que o seu post dos cartazes foi uma reacção ao meu da noticia da invasão "Porque é que desgostas das feministas, Picante?". E não pensei, já agora.

      Respondendo directamente à sua última pergunta há duas diferenças fundamentais:
      1. não me parece razoável assumir que haja serviços/locais destinados exclusivamente a brancos, como seja um café, uma escola, ou um bairro, por não serem adequados a um negro. Já o caso de um local onde se faz a barba e cortes de cabelo masculinos ser exclusicamente destinado a homens, não é assim tão descabido.
      2. o número faz toda a diferença. No apartheid falamos de toda uma sociedade, aqui fala-se de uma barbearia de terceira categoria. Não me parece que a seguir se passe aos restaurantes, a bares e a cinemas. Como tal não acho que os direitos da mulher estejam postos em causa.
      Vai daí que acho a comparação totalmente abusiva, querer relacionar uma provocação básica com um regime atroz é tacanho e revolta-me. E a Luna fez isso, está claramente expresso nas repostas que dá nos comentários do seu post que, agora sim, me fez ir ler.

      (e eu não defendo o cartaz, que fique bem claro que acho aquilo uma cretinice, além de ilegal)

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    5. Cara Picante, voltando a reforçar que não comparei uma barbearia ao extermínio de 6 milhões de judeus ou com o apartheid, e que a insistência é desonesta, comparei objectivamente os cartazes que considero equivalentes.

      Quanto aos seus pontos:

      1. Relativamente ao serviço prestado, é diferente não prestar um tipo de serviço - cortes femininos e brushings - do que negar simplesmente a entrada. Se pensarmos que existem cabeleireiros africanos exactamente devido às diferenças entre os tipos de cabelo, um estabelecimento poderia alegar não estar preparado nem ter conhecimentos para tratar de cabelos afro e como tal negar-lhes a entrada. Logo: onde está a diferença? O que é para si aceitável?

      2. Já agora, falando de toda uma sociedade, como sabe há países onde actualmente as mulheres ainda são tratadas abaixo de cão e proibidas de entrar em vários locais, pelo que lhe pergunto se em vez de um cartaz a comparar a restrição à entrada com base na raça, estivesse um a proibir entrada a mulheres (mais difíceis de encontrar no google por não estarem em inglês mas em árabe), lhe pareceria mais legítimo?
      Quanto ao número, dado que uma barbearia só por si não poria em caso os direitos adquiridos dos negros do nosso país, que não sofreram o apartheid, seria aceitável ter o mesmo cartaz com proibição a negros, se fosse só um?
      Qual o número a partir do qual acha legítimo que incomode e se proteste?

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    6. E já agora, um acrescento sem qualquer sarcasmo ou ironia, porque me parece mais importante convergir que divergir: enquanto sociedade já estamos formatados para nos indignarmos com discriminação racial, pelo que o mesmo cartaz figurando um negro em vez de uma mulher traria menos dúvidas à maioria das pessoas: seria chocante e completamente inadmissível. E no entanto, objectivamente, não há de facto diferença entre ambos, uma vez que limitam a entrada a uma certa faixa da população. E é essa incoerência que tenho vindo a tentar demonstrar, concordando ou não com a forma do protesto.

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    7. Luna, essa mania que tem de colocar palavras na minha boca começa a aborrecer-me. Eu, por caso, acusei-a de ter comparado a barbearia ao extermínio de 6 milhões de judeus? Faça o favor de me dizer onde é que escrevi isso que eu apago imediatamente.
      Disse que, de alguma maneira, o relacionou com o Apartheid. E só disse isso, aqui, nos comentários, não o disse no post, até porque, quando fiz o post, nem tinha lido os seus comentários, veja lá bem (e é nos comentários que a Luna desenvolve o tema racismo, comparando as pessoas que ridicularizaram o protesto da barbearia, àquilo que poderão ter dito dos negros que se sentavam na zona dos brancos, na altura). A Luna assumiu que o post tinha sido feito exclusivamente a pensar em si. Pela terceira vez lhe digo que não foi. Não consigo ser mais clara que isto. Em consequência desse seu pressuposto errado, entrou por aqui adentro a fazer-me uma série de acusações e a pedir justificações. Em calhando poderia ser mais razoável, não?

      Finalmente, e respondendo às suas questões:
      1. é diferente negar a entrada ou não prestar o serviço, tem toda a razão. Eu não me lembro de ter dito que a posição dos hipster era aceitável. Tampouco afirmei que o cartaz é aceitável. Não é. Ainda assim, acho muito diferente dizer "o espaço é vedado a mulheres para que os homens estejam à vontade" (ou o contrário) de dizer "o espaço é vedado a negros para que os brancos estejam à vontade".
      2. vai desculpar-me mas recuso-me a comparar o caso da barbearia ao que se passa em vários países muçulmanos, onde a vida na mulher apenas tem o valor que o homem lhe queira atribuir e a questão sexo vs cor de pele já expliquei no ponto 1.
      E não é aceitável, torno a dizer que não é, vai daí que até legítimo eventuais incómodos, as pessoas deverão protestar recorrendo aos mecanismos para tal definidos na lei.

      Suponho que os clubes exclusivos de homens, há um para o Chiado, de dificílimo acesso, só por convite e ainda assim é preciso ser-se homem. As mulheres não transpõem a porta, também a incomode violentamente, não? Eles estão para lá a fumar charutos, a ler jornais, jogam jogos de tabuleiro e conversam, e nós nada.
      Sinceramente, Luna... não consegue ver o ridículo da coisa? Acha que algum homem pensaria duas vezes no assunto caso a coisa fosse ao contrário? Um cabeleireiro que negasse a entrada a homens mas deixasse entrar gatos? Acha mesmo que alguém iria lá vestido de gato pedir um corte de cabelo feminino e assinar o livro de reclamações? Só mesmo para provocar? Tenham dó.

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    8. Poderia dizer que a Picante tem a mesma mania, mas nunca mais saíamos daqui. Não assumi que escreveu o post exclusivamente a pensar em mim, mas houve partes do post que o foram, como já admitiu, e que pretendi corrigir. Mais uma vez, não se trata de comparar uma barbearia a condições sub-humanas que se vivem em certos países, mas comparar a sinalética e as restrições, que são de facto equivalentes.

      Quanto aos clubes, creio que são privados e como tal não são espaços de porta aberta ao público - não sou jurista, mas creio haver uma grande diferença entre ambos. Se eu quiser posso formar um clube privado cujos critérios de admissão são decididos pelos associados, tal como posso decidir só convidar para minha casa pessoas de certo sexo ou raça. O que não posso é abrir uma casa ao público e restringir o acesso de pessoas com base no seu sexo, raça ou religião.



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    9. Só vi este seu último comentário, agora. Eu acho diferente, a sério que acho, pela simples razão de que negar a entrada com base na cor da pele não tem qualquer tipo de legitimidade e negar com base no argumento para estar à vontade -sejam homens ou mulheres- pode ter alguma justificação razoável, que não seja misoginia.

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    10. Não Luna, não foram. Houve uma parte (relação com o apartheid) que foram escritos a pensar numa série de pessoas que pensam como a Luna, alguns dos quais meus amigos pessoais. Não foi escrito a pensar em si, lamento desiludir.

      E eu não estou a tentar legitimar nada do que se passa naquela barbearia, pensei que isso tivesse ficado claro. É errado e provavelmente ilegal. Estou certa de que não disse o contrário.

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  3. Esse assunto ganhou protagonismo, se calhar era o que todos os intervenientes afinal queriam!

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  4. Picante, estas frases suas:("Vi por aí umas comparações da barbearia ao apartheid ou à perseguição que os judeus sofreram às mãos dos nazis. Coisa que achei profundamente ofensiva, quer para com as vítimas e familiares dos que realmente sofreram essas atrocidades, quer para com a inteligência do comum mortal."), para mim traduzem tudo o que eu penso quando li certos blogues em relação ao assunto da barbearia ( gosto de os ler, mas nem sempre concordo com certos posts).
    Um beijinho

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    1. Querida Pê, é o discordar que faz o mundo andar. Eu também vi muita coisa que achei completamente abusiva. E irritante.

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  5. acho q o tema n é assim tão pacifico. Sendo certo que concordo parcialmente com o q escreveu. Tb achei algumas comparações um pouco excessivas e também n concordei com a "invasão". Como disse, e bem, para mim a solução seria accionar os mecanismos legais. Porque efectivamente, e ainda que sendo uma barbearia de terceira, aquilo era de facto mto ofensivo e acho q chega de sermos permissivos com esses comportamentos atrasados, ainda q o objectivo último seja um golpe de marketing.
    P ser honesta, o que me revolta um pouco no meio disto é ver q para umas coisas se sabem unir e fazer ouvir, mas p outras (e no estado actual deste país, n faltariam "causas") há uma passividade generalizada, um encolher de ombros.

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    1. Acho que aquilo não merece o destaque que tem tido. Desprezo seria o pior que lhes poderia ter acontecido. Foi uma pena.
      E sim... Falta de causas é coisa que não temos...

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  6. Pipocante Irrelevante Delirante2 de março de 2015 às 18:19

    O Pavlov chegou a ganhar um nobel? Era merecido

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  7. Pipocante Irrelevante Delirante2 de março de 2015 às 18:49

    Ja alguém fez queixa do estabelecimento às autoridades competentes?

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    1. Suponho que ninguém se tenha dado a esse trabalho, pelo menos não sem antes terem lá entrado para pedir um corte masculino. Parece que o corte foi negado e lhes foi pedido que saíssem recorrendo a fracas maneiras. Chamaram a polícia face à recusa de lhes ser dado o livro de reclamações. Na verdade foram lá provocar. O que as põe exactamente no mesmo patamar dos tipos.

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  8. É um facto que a conversa do cão entra mas mulher não, faz lembrar os cartazes de propaganda nazi. Eu ainda não tinha tido tempo de ler quase nada sobre o assunto (não tinha visto o post da Luna, por exemplo) e lembrei-me logo dos cartazes que vi à venda no museu judeu, em Berlim.
    Dizer que a barbearia recorre ao mesmo padrão de propaganda - pelo menos com a intenção com que eu o disse - não significa estar a comparar os senhores da barbearia com os nazis. Desde logo, porque os primeiros quiseram fazer uma gracinha machista e os segundos queriam irradiar um conjunto de pessoas. Mas, sem comprar aquilo que não é comparável, é um facto que a publicidade que escolheram faz lembrar os tais cartazes. Tanto que pessoas diferentes pensaram no mesmo.
    Quanto ao despropósito da ação das senhoras, estamos integralmente de acordo.

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    1. Eu percebi o que disse, Cuca. I.é, percebi que isolou contextos e que a comparação não passou do cartaz, per se.
      E consigo entender a sua associação, embora discorde dela por dois pontos fundamentais. O primeiro é o contexto em que as duas situações se passam (um acto isolado vs toda uma sociedade). O segundo tem a ver com o serviço em si, se há serviços próprios para homens (ou para mulheres), o mesmo não é verdade relativamente a raças ou credos.
      Já aqui tive uma comentadora a dizer que achou que o facto de estar lá o cão, é mesmo só isso: as pessoas poderem entrar acompanhadas do animal, sem qualquer tipo de provocação. Eu não sou tão generosa, confesso
      Mas estamos de acordo quanto ao facto de o cartaz ser errado, não estou, de modo nenhum, a tentar defendê-lo.

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  9. Mas alguém me explica por que há-de uma mulher querer frequentar uma barbearia? É o mesmo que um homem lutar pelo direito de ir ao ginecologista.

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    1. Não quer. Nunca quis até lhe dizerem que não pode entrar. Foi nesse momento que decidiu querer muito lá entrar. Naquela barbearia específica, acredito que não queira entrar em mais nenhuma. É só mesmo naquela.

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    2. Posso falar por mim: não tenho qualquer interesse em frequentar uma barbearia, no entanto, se por acaso precisar de acompanhar alguém a uma barbearia - o meu pai, um filho, um sobrinho - gostaria que não me fosse barrada a entrada e que não tivesse de esperar na rua (agora ia dizer como os cães, mas não, esses entram), especialmente se estivesse a chover.

      E aqui fica um relato no masculino: http://dirigivel.blogspot.pt/2014/10/menina-nao-entra.html

      Os homens de facto não lutam pelo direito a ir ao ginecologista, até porque não lhes é barrada a entrada, como aliás se pode ver pelas salas de espera dos consultórios, em que imensos homens acompanham as suas mulheres, especialmente às consultas de obstetrícia, especialidade muitas vezes acumulada com ginecologia.

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    3. Luna desculpa mas eu discordo um tanto, não da opinião mas da forma de agir.
      Eles foram parvos e colocaram lá aquilo (sou profundamente contra o machismo, já agora) mas eu já fui ao barbeiro com o meu filho. Não àquele, certamente mas parece-me bastante óbvio o que faria, não é? Chegava lá, não me permitiam a entrada e eu chamava a policia de imediato, apresentava queixa no livro de reclamação e queixa por descriminação.
      Mas teria um motivo!
      Elas foram provocar e só deram mais visibilidade e, mais, dão mau nome a qualquer mulher que queira fazer valer os seus direitos de uma forma recta e séria. Assim parecemos umas tontinhas. Se fosse para ser sério iam pelas instâncias legais e lutariam até à última - e não faltam formas de o fazer, até para mudar as leis.

      Já nos assuntos sérios onde estão as feministas? Pois. Eu não sou feminista, sou a favor da equidade e acho que quanto mais atitudes destas as feministas têm menor é a probabilidade de sermos vistas como sérias e competentes, assim como, capazes de discutir os assuntos e de ter, acima de tudo, bom senso.

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  10. É por isto que eu gosto de si Picante, às vezes também me encanito e bem com algumas coisas suas (a história dos anónimos/anónimo mau, por exemplo), mas depois, a Picante saca do bom senso e toca a pôr os pontos nos is, como eles devem ser postos e eu penso, bolas, é isto mesmo, mas será que isto é assim tão difícil de perceber, pelos vistos é, para alguns. Ainda bem que falou agora a sério sobre isto, é não se acanhar de falar sem sarcasmo aquando de assuntos fracturantes, é que acerta mesmo.

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    1. Cá beijinho Cláudia. Eu sou uma rapariga bastante pragmática, acontece que gosto de provocar, a maior parte das vezes extremo a minha opinião, de maneira a gerar controvérsia, mas também sei falar a sério.

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  11. Oh Picante... Mas é que disse tudo! Só tenho a aplaudir.

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  12. Bem Picante, devo de dizer que a maior parte das vezes não concordo em nada com a sua opinião, mas desta vez subscrevo (quase*) tudo o que disse.
    Depois de ler tantas, mas tantas barbaridades acerca deste assunto finalmente encontro alguém que pensa exactamente o mesmo que eu.

    * Devo de confessar que achei piada ao cartaz na porta da tal barbearia, Caramba a crise e a nossa classe política deu de tal maneira cabo de nós que já não conseguimos perceber um pouco de humor? Talvez seja por estar num país bem diferente que penso assim, não sei
    Este tipo de reacções da maior parte das pessoas assusta-me e muito.

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