sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Estive a ver as notícias

Alexandre o Grande escreveu "Não me atemoriza exércitos de leões liderados por ovelhas mas sim exércitos de ovelhas liderados por leões".
Não sei se estamos em guerra. Suspeito que possa vir aí uma espécie de guerra. Acredito que a Europa nunca mais será aquele a mesma. Mas tenho a certeza de que o EI é liderado por leões. 
Hoje é a primeira vez em que realmente sinto medo do futuro que pode vir.

(acabei de ouvir um pai dizer que não sabe se pode ir buscar o seu filho de sete anos, à escola, logo à noite e estou aqui a sentir-me mesmo muito pequenina)

20 comentários:

  1. Ontem também vi uma notícia que me deixou estarrecida. Ontem foi o primeiro dia nos últimos três anos em que ninguém foi assassinado na Síria.*
    Naquele pais, o conflitos armados causaram, em média, 150 mortos por dia...


    *Porque houve um tremendo nevão.

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    1. A situação no médio oriente é alarmante, aquilo está uma bomba relógio, eu não consigo, sequer, imaginar o que é a vida daquela gente.
      Mas é natural que quando vemos estas coisas "aqui ao lado", em sociedades que nos habituaram a diálogo e segurança, a coisa nos choque mais. Não devia, a miséria lá é muito maior, mas choca.

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    2. Sou sincera Picante, a mim chocou-me mais as 100 e muitas crianças mortas, no entanto, a noticia quase passou despercebida por cá. Claro que "na Palestina" é muito vago mas quando ouvi só consegui imaginar ouvir essa noticia como sendo da escola do meu filho... só que o grande problema é: afinal o que podemos nós fazer?

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    3. Anónimo, bem sei que uma morte já são muitas e uma vida vale uma vida, mas também me magoa que tenha de se passar no nosso quintal para fazermos qualquer coisa. Sendo certo que, passando-se no nosso quintal, perdemos a presença de espírito para fazermos o que é preciso, reagimos muito mais por impulso do que com racionalidade.

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    4. Anónimo das 2:30. Por muito que lhe possa parecer estranho, quando acontece algo de mal em Portugal é natural que doa mais às pessoas, do que quando acontece fora da fronteira. Assim acontece quando falamos da europa, em relação ao resto do mundo. Se pararmos um bocado para pensar, quando acontecem acidentes (naturais ou não) no mundo, a preocupação é de dizer se havia ou não portugueses entre as vítimas. Faz parte.

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    5. Isso acontece porque os consideramos fora do nosso "grupo" e, por isso, o que lhes acontece a eles é menos importante para "nós" (a psicologia explica isso). A mim não me choca por não entender mas porque, para mim, nada do que aconteça com crianças me deixa indiferente. Não considero crianças como "fora do meu grupo" - são todos para mim, do meu grupo e pudesse eu evitar que uma criança sofresse, faria-o. Não é que os adultos me sejam indiferentes mas as crianças são incapazes de se proteger, escolher um alvo como uma escola é mostrar ser-se o pior tipo de animal possível. E a situação com as crianças chocou-me e revoltou-me imenso, soube-se eu de alguma coisa que pudesse fazer efectivamente e faria. Já situação em França choca-me mas por outros motivos - pelo ataque à liberdade, por ser à nossa "porta", porque os imbecis foram capazes de meter pessoas ao barulho que nada tinham a ver com as crenças deles, mataram pessoas que nada tinham a ver com os desenhos, fizeram reféns inocentes (e pelo menos duas crianças estavam entre os reféns também).

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  2. Vá trabalhar em vez de estar a ver notícias que é para isso que lhe pagam, sim? As noticias e outras distracções ficam para logo à noite.

    Vá, vá, a circular, vá produzir alguma coisinha.

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    1. O meu trabalho é saber das coisas e às tantas o patrão é capaz de não levar a mal.

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  3. Pronto, eles já morreram, já podes ficar sossegada.

    Vai em paz e Alá te acompanhe.

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  4. Sou sincero, tenho barba comprida. Uso-a assim há 2 anos (mais coisa, menos coisas) e começo a ponderar se não me poderá trazer problemas quando ando na rua... Porque, infelizmente, vivemos naquele mundo em que se mete tudo no mesmo saco, e gajo de barba grande, só pode ser islamita, jihadista ou terrorista...

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    1. Pouco tempo após a execução do primeiro jornalista pelo EI andei de metro em Londres. Às tantas entrou uma mulher de nikab. Foi notório o desconforto ocidental, assim como o dela, diga-se de passagem. E isto começa acontecer com alguma frequência, segundo me contam amigos de lá. Cá ainda não chegámos a esse ponto, oxalá não o experimentemos nunca.

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  5. Grande pai! Pai héroi!
    Esse sim! Assegura segurança à esposa e tranquilidade à família!
    Aposto que vence o receio e arrisca uma ida ao cabeleireiro.

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    1. Falar sem saber é triste!!! Não estavam a deixar sair as crianças, por isso o pai não podia ir buscar o filho.

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    2. Então a Picante que explicasse.
      Põe-se para aqui a falar em medos e remata com um pai que não sabia se podia ir buscar o filho.
      Para comentários claros, posts espelhados.

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  6. Sou-te sincera: tenho medo do que pode vir aí. E por mais marchas que venham a fazer, discursos como o de Le Pen não me deixam nada descansada. Os discursos dela, os dos Jihadistas, e a vontade que os EUA têm de inflamar a Guerra no Oriente.

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    1. Eu só vejo a Le Pen como uma racista invertebrada. Pronto. Disse-o. Um dos meus grandes medos é que isto nos leve a um novo genocídio, desta vez dos muçulmanos (e eu sou católica). Só que também acho que, se não fizermos nada, eles vão continuar a aproveitar-se de nós e a fazer pior.

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    2. A um genocídio não leva. A um choque cultural é bem capaz de levar. Uma espécie de guerra civil...
      Os extremistas são umas bestas, sejam de esquerda «, de direita ou de religião. Uns animais ignorantes.

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  7. Quando, em breve, os líderes europeus sem encontrarem em Paris, será uma boa ocasião para reavaliarem o que andam, de facto, a fazer no Médio Oriente, ao brincarem de Aprendizes de Feiticeiro. Mais valia que revissem o filme da Disney...

    A notícia abaixo é do Der Spiegel. Claro que Merkel nega que os produtos químicos que a Alemanha andou a exportar para a Síria ao longo dos anos (e inclusivamente nos governos que liderou) e que servem para produzir Sarin, tenham sido de facto usados com esse fim. Nunca se esperaria que confirmasse, não é? As últimas semanas habituaram-nos a esperar que quem está no topo, seja nos governos, nos concelhos de administração ou nos reguladores, nunca saiba, de facto o que se passa:

    http://www.spiegel.de/international/world/german-chemicals-sent-to-syria-could-have-had-military-use-a-923237.html

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    1. Pois. O problema é que o mundo ocidental os armou, as potenciais todas puseram lá armas. Os americanos também armaram os rebeldes, não gostavam do Assad, não é? Mesmo Sadam, tinha aquilo controlado entre Xiitas e Sunitas. Agora andam eles às turras lá e nós aflitos cá.

      Mas eu espero que eles reavaliem o que andam a fazer cá, a caridade começa em casa.

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