sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Concordo a 100%, logo eu, que muitas vezes nem comigo concordo...

"A minha atitude só começou a mudar com o acumular de casos, casinhos e casinhas, primeiro em 2007, com a questão da licenciatura, depois em 2008, com os projectos da Guarda, e finalmente no annus horribilis de 2009, com a casa da Braamcamp e as gravações do Freeport. Eram casos de gravidade muito diferente, mas denotavam um padrão – padrão esse que os portugueses manifestamente desvalorizaram, permitindo a Sócrates vencer as legislativas de Setembro de 2009. Quando nesse mesmo mês o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes foi suspenso (estamos a falar em uma televisão privada decidir acabar com o seu jornal de maior audiência) e, no final desse ano, se começaram a conhecer os detalhes do Face Oculta, e me deparei com a forma como o país e as suas principais instituições reagiram a um caso daquela gravidade, todos os sinais de alarme dispararam na minha cabeça.
Aí, de facto, dividi Portugal em dois campos: de um lado, aqueles que percebiam o perigo que Sócrates representava para a salubridade do regime; do outro, aqueles que não percebiam. E neste “aqueles que não percebiam” incluo tanto os devotos mais assolapados do engenheiro como aqueles que, não sendo devotos, achavam – e muitos continuam a achar – que ele era apenas “mais um político”, torcendo o nariz a tanta gritaria à volta da sua figura. A minha alegada obsessão deriva daqui: da incapacidade que o país, como um todo, demonstrou para reagir a um primeiro-ministro com o perfil de José Sócrates, que debaixo do nosso nariz tentou controlar em meia dúzia de anos a política, a banca, a justiça e a comunicação social – e que esteve à beira de o conseguir, não fosse o Lehman Brothers ter feito o favor de desabar."

O artigo integral aqui

7 comentários:

  1. Joaquina Silva encostou a vassoura à ombreira da porta, largou o pano do pó e ficou em modo de cão com cabeça articulada a abanar que sim que sim que sim, dizendo para os botões de sua bata riscada que este rapaz tem carradas de razão, ai tem tem.

    Joaquina Silva

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  2. Picante, em nada defendo o Sócrates em relação à falta de idoneidade, e corrupção, mas o JMT tem ali uns quantos recalcamentos e é um parvalhão completo. É como aqueles burros com palas nos olhos. O condescendente tom que fala dá-me náuseas, e teima seguir sempre este registo.

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    1. Eu não gosto do JMT mas este artigo está muito bom, vai completamente à raiz do problema.

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    2. Já em Novembro tinha escrito algo semelhante num artigo sobre a presunção de inocência de JS, em que falava das sete vidas de um gato, afirmando que JS, ao "safar-se" nos processos anteriores (licenciatura, Cova da Beira, Freeport, Face Oculta, etc...), já tinha esgotado as suas "vidas", leia-se presunção de inocência.
      http://desporto.publico.pt/Londres2012/noticia/a-presumivel-inocencia-de-socrates-1677518

      (Não aprecio JMT)

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  3. Pipocante Irrelevante Delirante23 de janeiro de 2015 às 13:34

    Se Socrates é corrupto ou não, não posso afirmar, mas que se trata de um fura-vidas, isso ninguém pode negar.
    Um indivíduo que tira o curso como tirou, mesmo sendo legal, mostra um conjunto de princípios éticos pouco condizentes com o cargo que veio a ocupar.
    Como nota de rodapé, resta acrescentar que muitos dos envolvidos nesses casos em que os jornalistas eram "aconselhados" a largar certos assuntos, são os que se dizem charlies.

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  4. Agora que a Picante ia tão bem encaminhada veio borrar a pintura.
    Então não prestou atenção às palavras do Salgado que a causa disto tudo foi o ex-primeiro ganhar pouco menos que uma miséria e pouco mais dee 5000 euros?
    Não vai ter link, não.

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