segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Em verdade vos digo

Ele há quem não seja corruptível, independentemente do salário que aufere. Ainda os há.

18 comentários:

  1. Todos tem o seu preço...

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    1. Pode não ser €€€. Talvez robalos...

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    2. Não exactamente mas talvez.

      Ouço frequentemente, como consultor e projectista: o Eng.º "quer que coloque #alguma coisa# para si" nos orçamentos que analiso.
      Triste triste é saber que isto faz parte do protocolo dos comerciais.

      Agora imaginemos: mulher desempregada, dois filhos para criar, crédito da habitação...
      Óbvio, seria completamente diferente. Há um ponto em que a maior parte de nós tem de escolher entre a sobrevivência e a moralidade. Nisso estou de facto de acordo.

      Por muito idealista que seja, reconheço que o problema pode de facto ser circunstancial. Uma certa liberdade material permite-nos o privilégio dos julgamentos morais.

      Enfim, deve ser por isso que não gostam muito de mim. Não faço projectos com o software de cálculo dos fabricantes (mais uma subtil dependência para os técnicos que não sabem o que estão a fazer), não dependo deles, nunca uso como referência / especificação o equipamento de um único fabricante. Tem uma enorme vantagem, além de necessitar de muito menos zolpidem para dormir (já me chega a ansiedade que os meus peludinhos me causam), quando é para cascar, é mesmo para cascar a sério sem receio da cauda de fora (mal que tanto afecta os meus pobres gatos).

      Quanto à generalidade da corja partidária, esse enorme triturador de honestidade, presumo inocência nenhuma! A presunção de inocência é para os processos judiciais. Aliás, qualquer pessoa que tenha passado pela construção civil e obras públicas e pela complexa idiossincrasia autárquica sabe perfeitamente aquilo que estou a insinuar.
      Ah, e bem podem esquecer as denúncias. A minúcia necessária para provar o que quer que seja leva usualmente a lado nenhum. Podem ter papéis rubricados, extractos bancários, escutas telefónicas. O valor é rigorosamente zero, excepto talvez uma pequena satisfação de um julgamento político ou moral por parte dos cidadãos. Porque depois "são inocentes" não se conseguindo a condenação mesmo com os factos a arranhar-nos o nariz.

      Convém não esquecer que estamos no país de Camarate. No país de um daqueles processos cuja conclusão é "os crimes foram cometidos; foram estes senhores e senhoras que aqui estão que os cometeram; MAS, como não sabemos quem fez o quê...". No paisinho das sociedade mediadoras, esses magníficos consultores / políticos / comentadores.
      Portanto, tudo vai rolando.
      Como contava o meu irmão com o seu primeiro motociclo: Rolando Passos Dias Aguiar Mota.

      Abraço.

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    3. Não. Nem todos têm o seu preço. Conheço várias pessoas que podendo ter roubado (e refiro-me a crimes considerados menores, as pessoas tendem a pensar que é menos incorrecto fugir aos impostos que roubar no supermercado, por exemplo), optaram por não o fazer, tal coisa nem nunca lhes passou pela cabeça.

      Vamos deixar de parte casos extremos, em que a sobrevivência está ameaçada, parecem-me coisas diferentes.

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  2. Quero acreditar que sim e sei que me incluo nesse barco.

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  3. O caso dos trabalhadores camarários que encontraram 4 mil euros num envelope?
    verdadeiramente exemplares; fiquei impressionada.

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    1. E eram gente pobre. Ainda há honestidade, graças a Deus.

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    1. Sabe Picante, a vida tem-me ensinado que esses nunca chegam aos lugares de topo, de poder. Conheço gente honesta, sim, pessoas que jamais se deixariam vender ou tentaram comprar, nunca tiveram faltas de carácter ou sequer prejudicaram ninguém. Nenhum deles tem um lugar de topo.
      Em contrapartida, não conheço nenhuma pessoa num cargo de poder que seja isenta disso.

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    2. O poder corrompe, poderão ser demasiadas tentações, não contesto.
      (mas olhe que eu conheço gente super honesta em lugares de topo, ou pelo menos em lugares onde lhes sugerem abertamente algumas regalias por baixo da mesa)

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  5. Claro que há, e por mim falo, até um apartamento já me quiseram oferecer para "fechar os olhos" ao não cumprimento de índices num loteamento.... pois bem, meu caro, NÃO!!!

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    1. Este ano tentaram subornar-me. Ofereceram-me uma coisa que eu queria mesmo muito, só para desistir de um processo. Ainda me aborreci porque houve quem não visse com bons olhos a minha recusa. O processo ainda decorre, tive de resolver a coisa de outra maneira, mas durmo tranquila, com a consciência de ter exercido o meu dever de cidadã.

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    2. Tal e qual... à 8 anos neste serviço, nunca em tempo algum me envergonho de alguma coisa que tenha feito e isto não é ser velhaca, é viver de consciência tranquila.

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  6. Mal do mundo se não houvesse incorruptíveis...

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