sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ironia é...

Observar algumas mulheres, mais convictas das suas crenças*, defender a criminalização do assédio verbal com unhas e dentes, que aquilo as intimida, que as constrange, que condiciona o que vestem e por onde atravessam a rua, que são umas vítimas, enfim, mulheres com receio de ser mulheres. Mas o pior nem são elas, o pior é com as miúdas, elas já se vão sabendo defender, as miúdas é que não, afinal as miúdas vivem aterrorizadas, sempre no pavor que uns marmanjos lhes digam que faziam e aconteciam e mais não sei o quê, que aquilo devia ser crime, coitadas das miúdas que não podem andar à vontade na rua.
E uma pessoa não é de leis, uma pessoa é de ciências, vai que acredita no que elas dizem, até porque ousou dizer ah e tal... mas acho que isso até é crime, vai que uma pessoa foi descomposta, que era uma anormal e falava do que não sabia, uma pessoa até se calou** porque realmente não tinha a certeza, além do que a conversa estava um nível abaixo do desejado.

Art.171º CP
3 - Quem:
a) .......
b) Actuar sobre menor de 14 anos, por meio de conversa, escrito, espectáculo ou objecto pornográficos;
é punido com pena de prisão até três anos.

Oh!... parece que o assédio verbal a miúdas já é crime.... Não é tão giro?

(e sim, por mim podem perfeitamente alargar a idade, de modo a abranger adultos, desde que seja dentro deste espírito e não aquela coisa do fundamentalismo total, que abrange o "ó gira", que é o que essas mulheres mais convictas das suas crenças* defendem) 

*sinto-me generosa...
**uma pessoa achava que aquilo se aplicava quer a crianças, quer a adultos, nesse particular, estava enganada.

97 comentários:

  1. Engraçado. Por que é que a pipoca nao se manifestou em relação ao outro vídeo de street harassment, na Nova Zelândia? Não lhe alterou nem um bocadinho a perspectiva? Depois os casmurros são os outros, que não mudam de opinião nem por nada, mas olhe que você não fica atrás.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Porque só consigo ter uma conversa séria de cada vez.
      Mas eu dou-lhe a minha opinião, acho que não é o facto de o assédio ser penalizado na Nova Zelândia, a razão da diferença dos vídeos. Afinal o assédio verbal a menores de 14 anos é crime em Portugal e as miúdas continuam a ouvir ditos nojentos, em público, sem constrangimentos por parte de quem os diz.

      Acho que é uma questão cultural, que só lá vai com sensibilização e educação. E dou-lhe um exemplo, prático, em Itália, as "bocas" são à palete. E vai ouvir mais em Roma que em Milão. Em Madrid metem conversa consigo com a maior das normalidades e sem segundas intenções, muito mais que em Lisboa, onde se pensa logo que o tipo quer é conversa na horizontal.
      Acho que é mesmo uma questão cultural, não é a criminalização que resolve o que quer que seja (mas eu não me oponho à criminalização, desde que dentro dos moldes acima descritos).

      Acima de tudo, acho que a coisa só se resolve se houver um debate sério e sem fundamentalismo, que envolva os homens em vez de os afastar, e que não deixe de fora as mulheres quer não acham que um "ó gira" seja uma coisa grave e perturbadora. O problema do fundamentalismo a que tenho assistido entre as "bloquistas" é que afasta as pessoas, e mesmo quem não gosta de piropos, não se sentindo incluído nesse fundamentalismo, tenderá a ridicularizar a coisa.

      Eliminar
    2. Pipocante Azevedo Delirante7 de novembro de 2014 às 10:24

      Andei perdido em Milao, com mapa na mão e tudo, e lá tentava perguntar a umas senhoras se me indicavam o caminho para o Scala, mas nenhuma sequer parava, quanto mais conversar.
      Num bar, vi um rapaz italiano desbobinar tudo e mais alguma coisa a meter conversa com uma rapariga sentada, e ela nem se mexia.
      Presumo que ambos os casos tenham uma relação.

      Quanto ao piropo criminal; não deixa de ser interessante que as mulheres se abespinhem quando um homem (ou mulher) escreve que homens e mulheres não são iguais, mas deviam apenas ("apenas") ter direitos iguais, e depois neste caso defendem que a mulher está em inferioridade em relação ao homem, e por isso precisa de protecção.

      Eliminar
    3. Eu percebo a necessidade de rever a lei. A violação também é crime e existe para, fundamentalmente, proteger as mulheres. Assim como a violência doméstica. Homens e mulheres não são iguais, ponto final. São diferentes e ainda bem. E parte dessas diferenças justificam algumas leis, sim, já que o homem é fisicamente mais forte e pode impor a sua vontade pela força física.
      E não acho correcto estar sujeita a ouvir obscenidades só porque tenho uma saia curta. Até aí tudo bem. O que vai para além disso aborrece-me.

      Eliminar
    4. Dado que já a vi mudar de opinião 40 vezes ao longo desta discussão, agora fiquei confusa. Afinal a Pipoca defende exactamente o quê?

      Eliminar
    5. Mudei de opinião? Está enganada. Não mudei a minha opinião, de todo. Mas eu explico qual a minha posição relativamente a este assunto. Por pontos, a ver se fica claro:

      1. Acho errado todo e qualquer tipo de assédio, seja ele verbal ou não, exercido por um homem ou por uma mulher.

      2. A gravidade do assédio aumenta exponencialmente quando é feita por um adulto a uma criança, ou quando há uma relação de poder.

      3. Não sou contra a criminalização do assédio, i.é. a sua extensão a maiores de 14 anos, dentro do espírito da lei transcrita acima.

      4. Considero assédio as palavras ou gestos obscenos, que remetem para sexo (os fazia-te e acontecia-te, etc...)

      5. Um "Ó gira" ou "ai que mulher tão boa" não é assédio é um dito inconveniente

      6. Acho que mesmo alguns ditos inconvenientes podem incomodar, sendo que umas pessoas sentir-se-ão mais incomodadas que outras

      7.Apesar de não achar mal a criminalização do assédio explícito, não acho que, per se, vá resolver o que quer que seja. A corroborar o que digo está o facto de já ser crime quando feito a menores de 14 anos e ela continuar. Aliás, aventuro-me a avançar com a hipótese se serem as miúdas, ai entre os doze e os catorze ou quinze, as mais incomodadas com esta questão.

      8. Acho que a resolução deste problema passa por educação e sensibilização, de uma forma abrangente e não apontando dedos. Envolvendo homens e não acusando. Levando para esta causa mulheres como eu, que acham que isto não é um problema assim tão grande. Ensinando as mulheres a responderem à letra, a experiência diz-me que este tipo de homens são uns cobardolas, que se calam quando são confrontados e ridicularizados.

      9. Não dou o direito a nenhuma mulher de dizer que um "ai que mulher tão bonita" não me pode ser dito só porque o tipo não me conhece, porque eu já vou de costas, porque não o diria se eu estivesse acompanhada e argumentos semelhantes.

      10. As mulheres NÃO são umas vítimas, NÃO saem de casa todos os dias a pensar que têm de andar de olhos baixos, a encolher os ombros para esconder as mamas, NÃO têm medo de passar por um grupo de homens, NÃO deixam de vestir o que quer que seja por medo de ouvir um piropo. NÃO pensam que a qualquer momento lhes pode saltar um marmanjo para cima. Aborrece-me profundamente estes ditos que fazem das mulheres umas parvinhas, incapazes de se defender, vivendo no terror constante da opressão masculina.

      11. Em uma mulher não querendo que se lhe olhe para as mamas, talvez seja conveniente tapá-las, eu vejo gente na rua com decotes que quase se lhe veem os mamilos ou com calções que mostram as bochechas do rabo. Algumas vão trabalhar assim. Não se podem queixar que suscitem olhares e comentários. Existem códigos de vestuário adequados a diferentes ocasiões.

      12. Ainda que uma mulher ande nua no meio da rua, ninguém a pode tocar ou violentar. O "ela estava a pedi-las" não existe.

      13. A mulher é fisicamente mais fraca que o homem. Tem de saber viver com isso, tomando as precauções necessárias à sua segurança. A sociedade não é justa e há gente má, Por mais que a sociedade evolua, por mais educada que se torne, por mais leis que haja, haverá sempre gente má. Saber precaver-se dos perigos do mundo apenas revela bom senso, independentemente do género.

      Resumidamente, acho que é isto. A minha opinião sempre foi esta. Em quê é que mudou?

      Eliminar
    6. Sempre? Tem graça, nunca foi o que se percebeu. Até porque, posto assim, tem uma opinião bem parecida com o que defendem as tais histéricas que tanto tem criticado.

      Quanto ao ponto 10, as mulheres talvez não façam isso, mas miúdas sim.

      Eliminar
    7. Não tenho não. Elas condenam o vídeo de NY. Já eu, exceptuando o tipo que a segue, isso é intimidativo, acho que aquilo não é assédio e, como tal, não deve ser objecto de ser legislado.
      Os "good morning", "Hi beaty" não são assédio, são os tais ditos.
      Elas acham-se uma vítimas por serem mulheres. Dizem que têm medo, por ser mulher e estar sujeita a ouvir essas coisas. Que isso condiciona a maneira de se vestirem e agirem. Eu discordo 300%.
      Concordamos no facto de ser errado importunar outrem. Isso sim. Mas abordamos a questão de forma diametralmente oposta.
      (e eu achava, erradamente, que os "comia-te" e "fazia-te" já estavam legislados, afinal não, era só até aos 14 anos...

      Eliminar
    8. Está legislado se for considerado pornográfico, um "boas mamas" não se aplicará, por exemplo.

      Eliminar
    9. É dúbio, digo eu. Acho que vai depender da interpretação da lei, feita por cada juiz.

      Eliminar
    10. Olá,
      gostava de saber a opinião da Picante (se possível) sobre o que a PSP aconselha às mulheres no seu site:
      http://www.psp.pt/Pages/apspaconselha/mulheres.aspx?menu=2
      várias vezes é repetido o "AS MULHERES, SÓ POR O SEREM, APRESENTAM RISCO ESPECÍFICO." (em maiúsculas no original), e "As mais jovens, raparigas, correm riscos adicionais ..."
      Porque é que a nossa sociedade e as suas instituições acham e comunicam que a mulher, só por ser mulher, tem que ter cuidados específicos? Porque é que a mulher por ser fisicamente mais fraca tem que aceitar que o homem possa exercer a sua força sobre ela e como tal deve "saber viver com isso, tomando as precauções necessárias à sua segurança" (ponto 13 da sua exposição)?
      Porque é que tem que ser a mulher a tomar comportamentos com vista à sua segurança e não o homem a tomar comportamentos que não coloquem em risco a segurança mulher?
      Maria Pereira

      Eliminar
    11. Anónimo das 11.50h
      Eu já fui miúda, já ouvi muita porcaria. Já ignorei, já ripostei, já passei por isso. Nem eu, nem nenhuma das minhas amigas tínhamos aqueles receios que elas apontam no ponto 10.

      É verdade que não ia para certos sítios sozinha, ou à noite. Mas por ter medo de ser assaltada ou violada. Coisas que estão previstas na lei e são crime. Mais, mesmo que as miúdas mudem o seu comportamento por medo de assédio, a lei já as protege. É daí que vem a ironia da coisa, não é a lei que vai mudar este tipo de comportamento. Defendo eu.

      Eliminar
    12. Portanto, a grande diferença tem que ver com o facto de achar que, apesar de considerar os tais ditos incomodativos, se não forem de cariz sexual não devem ser legislados (mas concorda que o devem ser se forem). E que, pessoalmente, não se sente condicionada nas suas acções e opções de vestuário por constrangimentos relativamente ao assédio verbal (embora admita que outras pessoas o possam sentir). Ok, esclarecida.

      Eliminar
    13. A grande diferença é a abordagem e o que se deve deixar de fora. É assumir uma posição moderada ou mais fundamentalista.
      Acho que não encontrará uma pessoa que lhe vá dizer que o assédio está certo. Todos concordam que é errado.

      Eliminar
    14. Anónima das 12.17h
      Por causa daquilo que eu digo do ponto 13.
      A mulher é mais fraca fisicamente, é mais fácil assaltar uma mulher que um homem. Há quem não tenha problema em violar uma mulher.
      Os violadores são capazes de preferir rapariguinhas mais novas, há ainda quem se dedique ao tráfico de pessoas e queira rapariguinhas para as prostituir....

      Há pessoas más. É por isso.
      (e como sabe assaltos, violações, etc são crime)

      Eliminar
    15. Em suma, há coisas que incomodam outras pessoas, mas que não a incomodam a si, e como tal a posição dessas pessoas é fundamentalista, enquanto a sua é moderada.
      A si só incomodam expressões de cariz sexual, não outras, de modo que são essas que considera que devem ser legisladas, mas só essas. No fundo, acha que a aplicação da lei deve ser feita à sua medida.

      Eliminar
    16. É isso é Anónima. Até porque eu estou sozinha nisto, não é?
      Vamos prender as pessoas que passam por nós na rua e nos dão um encontrão!
      Vamos prender as que passam à frente nas filas!
      Prendemos também as que cospem para o chão!
      O tipo coçou os testículos? Prisão!
      Não circula nas rotundas, como deve ser? Xoldra, com ele!
      Buzinou porque demorei um nano segundo a mais a arrancar? Pildra!

      Eu poderia continuar a descrever situações do dia a dia que me incomodam bem mais que um "ó gira". Há muita gente mal educada, infelizmente. Esses "ó gira" são ditos, na maior parte das vezes, por gente mal educada. Não é com prisão c«que a coisa se resolve.

      (A mim também me incomoda a desonestidade intelectual de distorcer o que digo, para tirar conclusões cretinas. Deverei mandar prendê-la?)

      Eliminar
    17. Olhe que quem costuma distorcer o que é dito para ganhar audiências é a menina, como aliás se vê da interpretação livre que faz do que lhe foi dito noutros sítios.

      Aliás, todo este comentário é exactamente prova disso e dessa sua desonestidade e demagogia. Obrigada por este momento e por provar isso mesmo.

      Eliminar
    18. Picante, nunca comentei estes posts relativamente ao assédio.
      Sou de uma geração diferente dos seus comentadores e por isso muitas vezes não comento para não ser insultada.
      Nunca fui assediada felizmente, quando era nova levava piropos (nunca me senti ofendida, pois eram piropos com alguma piada). Penso que tem razão no ponto oito e dez.
      Bom fim-de-semana.

      Eliminar
    19. Maria Pereira,
      o meu comentário das 12.35h era para si.
      Tem toda a razão. Está errado e é crime. Numa sociedade ideal a mulher não deveria ter de se defender só por ser mais fraca. Mas isso é a vida. Sempre foi assim e sempre será. Claro que temos de combater isto mas sempre haverá gente má. É uma utopia afirmar o contrário...

      Eliminar
    20. O que eu ainda não consegui entender é porque é que insiste em ridicularizar, rebaixar e alienar quem defende muitos dos pontos que aqui fez questão de mostrar, só porque apenas concorda com grande parte mas não com o todo. Especialmente quando noutros sítios até diz compreender certos pontos de vista diferentes do seu, mesmo não concordando, e admitir que sim, certos comportamentos são incomodativos.
      É que no fundo, não estão de lados diferentes. Arriscar-me-ia mesmo a dizer, após a sua exposição, que estão do mesmo lado, com pequenas nuances diferentes.
      É uma pena mesmo que prefira o modo ataque.

      Eliminar
    21. Porque, quando me aparecem à frente argumentos do género:
      "encolhe os ombros para tapar as mamas"
      "atravessa a rua se vires um homem"
      "baixa os olhos"
      ...Eu fico mesmo irritada.

      Quando me dizem que têm, medo de sair à rua por poder ouvir um "ó gira", que aquilo as traumatiza, perco toda a vontade de debater o tema.

      Quando me dizem que um homem não pode dizer nada a uma mulher que não diria caso ela estivesse com o marido, acho que são umas fundamentalistas do pior.

      No fundo, acho que as bloquistas têm um discurso que afasta as pessoas moderadas, pelo fundamentalismo que apresentam. E é uma pena. Porque de facto o assédio verbal é profundamente errado. A grande diferença está na abordagem, acho eu.

      Eliminar
    22. Sabe que esses ditos visavam retratar aquilo que muitas miúdas ouviram enquanto cresciam, certo? Tem noção de que isso é ou foi real para muitas mulheres, especialmente no passado? Conheço mulheres mais velhas com costas encovadas exactamente por encolherem os ombros quando começaram a ter maminhas.

      Também tem noção que algumas mulheres se sentem constrangidas com certos comentários vindos de estranhos, certo? Que não o sentem como elogio mas como incómodo.

      De resto, não vi escrito em lado nenhum - e li o mesmo que leu - que têm medo de sair à rua ou ficam traumatizadas, e isso tudo que diz que lhe dizem. Vi sim admitir que certos comportamentos as incomodam e que isso de alguma forma as condiciona no dia a dia, por exemplo na escolha de vestuário.

      Não me parece vitimização, e acho que essa irritação que diz sentir lhe tolda um pouco o discernimento no que toca à interpretação do que de facto foi escrito e debatido consigo, e que segui com gosto.

      M.

      Eliminar
    23. M.
      Eu posso andar noutro mundo. Posso mesmo. Mas aquilo que eu vejo não é gente condicionada por "bocas armadas ao engraçado". Nunca vi, nunca senti isso, nem em gerações mais novas, nem na minha ou na da minha mãe. Em todas elas, sempre lidei com conselhos, dados principalmente a raparigas, por poderem ser assaltadas, por poderem ser violadas, enfim, o costume...

      Esse tal "medo por ser mulher" vem de discussões antigas, não desta, especificamente.

      Não nego o incómodo, já me senti incomodada muitas vezes, sem que o tipo tenha recorrido a linguagem obscena. Mas é mesmo só isso: um incómodo. Como me incomoda qualquer pessoa que me dê um encontrão da rua e não peça desculpa. Ou que seja mal educada no trânsito. Há olhares mais incomodativos que palavras. Que fazemos? Penalizamos olhares?

      E pode ter razão no que diz. Eu assumo que o discurso fundamentalista me afasta. O problema é que afasta também muitas outras pessoas.

      (e eu gostei do debate que tive com a dona do blog, ela é uma pessoa educada e nós conseguimos debater pontos de vista diferentes, não concordo com ela numa série de aspectos mas gostei da discussão...)

      Eliminar
    24. Concordo com todos os pontos que enunciou lá em cima, e continuo a dizer que o problema começou logo por falarem em criminalizar o piropo, e no inicio era disso que se tratava sim, só mais tarde se desenvolveu o discurso para o Assédio. A mim irrita-me o discurso "coitadinha de mim que sou mulher nheca, nheca".

      Eliminar
    25. O medo de que fala, é mais uma vez abuso interpretativo seu. Do que se falou no passado, a respeito de um hashtag que corria, é que todas as mulheres já experimentaram na sua vida alguma forma de violência por serem mulheres, e nesse contexto partilhavam essa experiência. Mais uma vez, acompanhei, não vi nunca ninguém dizer que tinha medo de sair à rua, etc, mas que já tinham experienciado medo em certas situações.
      O aproveitamento dessa exposição neste blog foi absolutamente nojento e vergonhoso, uma nodoa que ficará para sempre.

      M.

      Eliminar
    26. M
      Falou-se disso,sim. Mas a discussão iniciou-se no piropo. E na altura, ao que me lembro, começou por se meter tudo no mesmo saco,
      Mas às tantas pode ter razão, o problema pode ser a maneira como estão a ser expostas as coisas e que levam as pessoas, eu incluída, a tirarem conclusões erradas e afastarem-se.

      (não vou comentar o outro assunto, na altura expliquei por que mantive o post, e também disse que não me identificava)

      Eliminar
    27. Parece-me é que antes de julgar e ridicularizar alguém, com base em pressupostos nem sempre certos, deveria começar por perceber exactamente a posição dessa pessoa sobre as temáticas que aborda. Alguém assumir que viveu situações de violência não é assumir-se como vítima nem dizer que tem medo por ser mulher, apenas que por ser mulher é mais vulnerável a essas situações.
      O mesmo se passa com o piropo, em que não admitir ter de ouvir obscenidades não é vitimizar-se, é reclamar o direito de se ser tratada com respeito. E não me parece que isso mereça ser ridicularizado.

      M.

      Eliminar
    28. "O aproveitamento dessa exposição neste blog foi absolutamente nojento e vergonhoso, uma nodoa que ficará para sempre."
      A sério? Isto é tão dramático. Talvez por achar esse discurso dramático "normal" é que acha que não há fundamentalismo nem o consegue ver em certos discursos. Porque lá está, a maioria dos que leio são assim, dramáticos e exagerados.

      Eu sou mulher e já tive medo de estar em certos locais, já tive amigos meus que tiveram que interferir porque há gente má (como já explicou ali a Picante), já tive um primo a passar por meu namorado e já tive um namorado que teve que ameaçar o meu "querido" stalker que, ou se punha a milhas ou o partia todo (romântico, não é?). Esse stalker andou atrás de mim desde os meus 14 até aos meus 23 anos, sabia onde eu morava, ameaçava-me constantemente, ameaçava que me ia buscar a casa, que fazia e acontecia, ou seja, fez trinta por uma linha (ah e em Portugal só este ano é que esta perseguição - stalking - passou a ser considerada crime). Na altura, segundo a policia, eles só poderiam agir depois de ele me ter feito mal. Ou seja, só se ele me matasse (como ameaçava fazer) é que a policia iria fazer alguma coisa. Depois.

      Ora, tendo em conta isto talvez a minha noção de piropo tenha ficado distorcida porque nunca, em tempo algum, um piropo engraçado, um pedir o número de forma directa mas pouco insistente nunca me pareceu ofensivo ou perturbador. Nem um "hey, qualquer-coisa-não-ofensiva" me pareceu fora de contexto.

      Não sei bem em que mundo vivem mas no meu mundo se não fosse isso a maioria das pessoas não teria namorados ou maridos porque se nos fecharmos completamente jamais conheceremos alguém. E eu fui perseguida durante 9 anos por uma pessoa totalmente desequilibrada que só parou de o fazer porque eu mudei de cidade para uma bem longe, no entanto, nem isso me fez passar a andar encolhida ou a ficar fechada em casa. Passei a ter cuidados que me parecem normais, da mesma forma que os homens também têm que ter cuidados quando saem à noite porque podem ser assaltados. Simplesmente é mais provável uma miúda ser violada do que um rapaz... cabe-nos a nós protegermo-nos quanto a isso, criminalizar quem os praticam (sempre!) mas daí a achar que um "olá" possa ser ofensivo acho que vai uma grande distância.

      Eliminar
    29. Ora aqui estão vários exemplos que cabiam exactamente no hashtag mencionado, sem no entanto entrar em vitimização. Não percebo onde está a discórdia.

      M.

      Eliminar
    30. M,
      Não ridicularizei ninguém, quando muito atitudes, como é o caso deste post.
      O problema é que as pessoa metem tudo no mesmo saco, tanto falam de assédio e perseguição, como falam de "ai que rica mulher" ou "eh carapau". E não é a mesma coisa. Eu até posso admitir que um "eh carapau" seja incomodativo, em algumas situações. Custa-me admitir que seja alvo de uma multa, que seja.

      E não consigo admitir que me digam que, até mesmo o assédio, aquelas coisas ordinárias, e que eu acho profundamente erradas, condiciona a vida da mulher a ponto de fazer com que ela deixe de se vestir como quer, ou baixe a cabeça ou o que quer que seja.

      Se as mulheres são susceptíveis de maiores riscos que os homens ao longo da sua vida? Sim, obviamente. São mais fracas, fisicamente. Há que saber lidar com isso, a vida é como é.

      Se são umas vítimas e levam a sua vida com medo, só por serem mulheres? Não. Isso é discurso fundamentalista.

      Eliminar
    31. Continuo na minha, a forma como algumas pessoas abordam a questão é errada e afasta, em vez de unir.

      Eliminar
    32. M., finalmente, após procurar através de um oceano de tempo e bloco...

      Eliminar
  2. Eu, que também sou de ciências, não sabia da existência de tal moldura penal. Soubesse eu na altura e muitos tarados tinham pelo menos uma advertência do cadastro.
    Mas sim, acho que a idade deve ser alargada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É relativamente recente, acho que apenas foi penalizado em 2003.
      (sim, pode bem ser alargada, desde que dentro deste espírito, até porque se eu ouvir o que não gosto e responder com um par de bofetadas, ás tantas posso ser alvo de queixa, por agressão física, parece um bocado ridículo...)

      Eliminar
  3. Anda à pesca?

    Olhe que aquilo que lhe foi explicado lá no outro lado não diz bem isso, e até foi muito bem explicadinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Parece-me que quem anda à pesca é o Anónimo. Quer desenvolver? Eu tenho tempo...

      Eliminar
    2. Não, basta ir ler melhor o que lhe explicaram no outro lado.

      Eliminar
    3. Eu falo de factos. As interpretações que cada um faz são subjectivas e de pouco valem. fale-me de factos, se faz o favor.
      Aliás, explicações ditas em tom "eu vou ensinar-te ó atrasado mental" dizem muito pouco. Ainda para mais vindas de quem foi apanhado logo em falta, usando de explicações técnicas.

      Eliminar
    4. Comentários obscenos não são necessariamente pornográficos, pelo que a lei é bastante limitada, mesmo relativamente a menores de 14 anos.

      Eliminar
    5. Acho que isso é uma questão de interpretação. Teríamos de chamar um juiz, não é? Ou um especialista em penal...
      Não é lá porque uma pessoa tirou direito que estará habilitada a opinar sobre isso assim, categórica e acintosamente.

      Eliminar
    6. Então... mas se uma pessoa licenciada em direito não está habilitada a opinar sobre leis... vamos despedir todos os juristas, consultores jurídicos, advogados, já JÁ!
      (pelo contrário, a Picante, que nem licenciada em direito é, nunca opinou, nem interpretou, não)

      Eliminar
    7. Nunca interpretei leis, não. Pedi sempre conselho a um especialista.
      A pessoa em questão, tinha acabado de ser apanhada a dizer uma asneira. E com um tom bem assertivo, por sinal.
      O direito tem muitas especialidades, é por isso que uns fazem penal, outros administrativo, outros comercial... Consoante a área onde exerçam estarão mais ou menos habilitados a falar sobre determinados assuntos. Parece razoável, ou não?

      Eliminar
    8. que disparate. aqui das ciências exactas farto-me de ler legislação. e não é por diversão. está tudo em modo pires de lima ou quê?

      Eliminar
  4. Já as crianças entre os 14 e os 18 ano que se fodam.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Atenção aí ao linguajar, se faz o favor.
      É uma pena que conclua isso, das minhas palavras, revela falta de atenção, no mínimo.

      Eliminar
  5. Os piropos quando feitos com educação podem ter a sua piada, sem me alongar mais por aqui bem me fico!

    ResponderEliminar
  6. Pipocante Azevedo Delirante7 de novembro de 2014 às 13:45

    Quer queiramos quer não existe uma discriminação entre sexos, para o bem e para o mal.
    Basta ver a a diferença de tratamento dada a predadores sexuais. Se é homem, é cortá-los de imediato. Se é uma mulher a assediar um jovem (que curiosamente, até matura depois da rapariga), já mete "sentimentos" e outras condicionantes.
    Vamos cair sempre no mesmo... os sexos não são iguais.
    A mulher é, teoricamente, inferior ao homem em termos físicos, por isso terá de ter protecção especial. Tal como crianças, idosos, etc...
    Já agora, do piropo... e quando são elas a mandar os piropos? O homem pode sentir-se ofendido, assediado, e chamar o senhor guarda? Ou deve sentir-se feliz e agradecido por merecer atenção?

    A questão levantada acerca da PSP avisar as senhoras... não é muito diferente de me dizerem para não andar a passear com a máquina fotográfica a tiracolo ou com a pulseira de ouro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Já agora, do piropo... e quando são elas a mandar os piropos? O homem pode sentir-se ofendido, assediado, e chamar o senhor guarda? Ou deve sentir-se feliz e agradecido por merecer atenção?"

      Se a criminalização for para a frente, tanto servirá a homens como a mulheres. E atenção, que a probabilidade de um homem ser assediado por outro homem é maior de que por uma mulher.

      Eliminar
  7. Eu vinha aqui só para dizer que este post só aparece porque lá do outro lado foi posta em sentido e nem foi tanto pela dona do sitio, o que mais custou foi ser posta no sitio por outra que deixou de vir aqui lamber-lhe os pés já há algum tempo e que a tem deixado a pão e água lá no sitio dela de cada vez que vocemessê tenta fazer as pazes e, já que falamos disso, essa tal, a segunda, pô-la no sitio de forma exemplar, sim senhora, muito bem argumentada a coisa, e então dizia eu que vinha aqui só para lhe dizer que este é mais um post de alguém muito, muito ressabiado, mas sabe?, estou tão farta de si e das suas vingançazinhas mesquinhas que já nem isso me apetece vir aqui dizer e por isso, olhe, adeusinho, tchauzinho e até à próxima.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. São maneiras de pensar. Eu preferi não dar resposta. Ele há tons meio arruaceiros que me incomodam, imagino sempre a pessoa do outro lado de mão na cintura, pelo que não há necessidade.
      Tive um debate educado com a dona do blog, que muito me agradou, apesar das diferenças que nos separam.
      Tenha um excelente dia.

      Eliminar
    2. Vai desculpar-me. Há quem não tenha nada que ver com este assunto, se quisesse dizer nomes, diria.
      Por acaso não me estava a referir a esse comentário. Mas é só arrogante. Um "anda cá ó atrasada que eu explico-te". É muito complicado debater assuntos com quem tem este tipo de abordagem. Vai daí que preferi não debater.

      Eliminar
  8. Picante percebo a sua posição, muito bem expressa nos comentários acima, permita-me só dizer-lhe que mudar atitudes, que ainda por cima explica como resultantes da nossa "cultura latina" é uma coisa muuuuuuito complexa e difícil e não vai lá com sensibilização e conversa, sinceramente. A criminalizção pode parecer-lhe um exagero mas penso que é a forma mais eficaz de fazer com que os homens se manquem e passem a sentir vergonha das figuras que fazem.

    Sabia que só se conseguiu que as pessoas passassem a usar cinto de segurança (que é obviamente uma vantagem óbvia para a segurança dos condutores e passageiros) quando se começou a multar quem não andava com cinto? Sensibilização é muito bonita mas há coisas que as pessoas só aprendem quando são "castigadas". Claro que são duas situações que não se podem comparar, porque no caso de assédio está implicita a invasão da liberdade e privacidade do outro (principalmente das mulheres) que é muito mais complexa do que o simples uso do cinto para baixar a probabilidade de morte em acidentes de viação. Mas se nem numa coisa tão simples se foi lá com sensibilização...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tem toda a razão. Vai ser difícil. Muito difícil, mesmo. Mas se não for assim, nunca lá chegaremos, acredito piamente no que lhe digo. Mudar mentalidades é complicado e moroso.

      Ainda assim, continuo a achar que se multarmos alguém por dizer "Ó gira", então também temos de multar quem não é cívico na estrada, quem fura filas, etc, Há muitos comportamentos que revelam falta de educação e que incomodam.
      E eu não quero viver num mundo policiado, onde uma interpretação de um tom de voz pode dar direito a uma multa, por exemplo.
      Criminalizar ofensas puras, OK. O resto não.

      Eliminar
    2. Pipocante Azevedo Delirante7 de novembro de 2014 às 14:21

      Cultura latina?...
      No que respeita a tratamento dado a mulheres, olhe que nem estamos mal... e falo exclusivamente da Europa. Ainda há muito país da UE em que se a esposa não fizer o jantarinho como deve ser, leva umas boas lambadas, e caso se vá queixar à esquadra, tem boas hipóteses de vir com o lombo marcado.
      ........
      Isso do poder das palavras tem muito que se lhe diga. Há uns tempos houve uma polémica porque um deputado acusou outro(s?) de autismo. Aqui d'el rei porque os não sei quê do autismo sentiram-se ofendidos e tal e coisa. As palavras têm o sentido que cada uma das partes quiser dar. Criminalizar a palavra é algo de muito perigoso.

      Eliminar
    3. Não digo mudar mentalidades mas sim atitudes. Voltando ao exemplo do cinto. Imagine o tuga que tem a mania que é grande condutor e nunca vai ter um acidente, logo, na cabeça dele, não precisa de pôr o cinto. Pode continuar a achar que é o maior Fittipaldi, mas é forçado a por o cinto, porque não quer pagar a multa. Da mesma forma, um homem pode continuar a olhar para uma mulher e pensar tudo aquilo que queria fazer com ela, é livre de o fazer. Não pode é intimidá-la e/ou persegui-la na rua enquanto grita boçalidades como se fosse ela a culpada de ter provocado a libido do coitado. E se para conseguir isso tiver de ser ameaçado com uma pena (nem vou discutir o tipo de pena pq escapa largamente às minhas competências, embora ache que deveria andar entre uma multa ou serviço comunitário) então que seja! E poupe-me, ninguém no seu perfeito juízo iria a uma esquadra fazer queixa de um fulano que gritou "Ó gira" ou "Ó boa" do outro lado do passeio, porque isso é obviamente um exagero que descredibiliza a luta contra o assédio. Começo a acreditar mesmo que a Picante não sabe qual o tipo de ofensas, perseguição e assédio que se está a falar.

      E seja como for acho que o debate já é um bom ponto de partida, pena que tenha sido trazido à AR de forma tão amadora e que deu azo a chacota quase generalizada, pena que tenham dado tamanha importância ao vídeo da rapariga a andar em NY (que sinceramente nem tive paciência para ver) porque um assunto sério como este é exigia, a meu ver, intervenientes sérios e uma campanha bem feita.

      Eliminar
    4. Parece-me que há aqui uma grande desconfiança relativamente ao bom-senso das possíveis queixosas. O que tem sido debatido e explicado é que há comportamentos incomodativos e repetitivos que não se cingem a palavras obscenas. Um olá pode ser intrusivo se um tipo resolver seguir uma mulher a dizer-lhe olá insistentemente até que ela responda.

      A Picante quer à força distanciar-se de pessoas a quem chama fundamentalistas, apenas por convicção de que estão em pólos opostos, quando não estão, estão bem próximas. Nenhuma delas defende que se deva fazer queixa de um "ó gira", apenas que o assédio deve ser criminalizado, com contornos definidos. Já que essa criminalização venha ajudar a mudar mentalidades e diminuir esse tipo de comportamentos incomodativos.

      Eliminar
    5. Anónima. Acho que concordamos em tudo. Mudar mentalidades, leva à mudança de atitudes, mas que seja: mudar atitudes.
      São esses mesmos exageros, que ouço nalguns discursos, que me incomodam e me levam a ridicularizar a questão.
      Condenar alguém que grita obscenidades a outrem? Avance-se.
      (é o que digo nos pontos 3,4 e 5, lá em cima, de tiver a paciência de ir ler)

      Eliminar
    6. Anónima das 15.22h
      Faço copy do comentário que deixei lá em baixo:

      Duvido que defendam prender. Mas defendem penalizar. Pelo menos, de algumas conversas foi a ideia com que fiquei.
      Repare (e não vou transcrever, acho que é mais ou menos isto):
      - um olá gira pode ser assédio se a pessoa já estiver de costas ou dependendo da entoação com que é dito
      - pode ser considerado intrusivo tudo o que não se diria a uma mulher, se ela estiver acompanhada do marido

      São estas coisas que eu acho claros excessos. É aqui que acho haver uma enorme divergência

      Eliminar
    7. Eu (anónima do cinto de segurança) não defendo a criminalização da palavra. Não defendo a criminalização do piropo tal como foi apresentada na AR. Defendo o fim dos comportamentos de assédio de rua (que vão muito para além do gira e boa). Perseguir e intimidar fisicamente sim, acho que isso é uma vergonha e tem de acabar seja de que maneira for. Isso sim é perverso e não devia acontecer.

      Eliminar
    8. Anónima do cinto, plenamente de acordo.

      Eliminar
  9. Vamos então lá ver se eu entendi bem: portanto a picante acha que o assédio verbal é mau e deve ser criminalizado, diferindo apenas das "fundamentalistas" no que refere à distinção do que deve considerar assédio.

    Trocado por miúdos, tirem-lhe os "fazia-te e acontecia-te", mas não lhe tirem os "ó gira" nem elogios de estranhos na rua que lhe digam que é bonita. Fiquei sem perceber no entanto o que pensa de um "ó boa" ou um "eh carapau".

    Por outro lado, admite que isso por vezes incomoda, e que o video da nova zelandia demonstra um avanço civilizacional onde ainda não chegámos, pelo que fiquei sem perceber se afinal acha bom ou mau que estranhos lhe digam coisas na rua, desde que não sejam obscenas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não acho nem bom nem mau. Pode ser bom ou mau consoante muita coisa, em última análise até consoante o que diz ali a anónimo das 14.54.
      Acho só que é imbecil querer prender alguém por dizer "ó boa".

      (regra geral até penso que o tipo é mal educado, da mesma maneira que alguém que tenta furar uma fila ou não dá o lugar a uma grávida é mal educado)

      Eliminar
    2. Mas acha mesmo que as pessoas com quem discutiu o assunto defendem prender alguém por dizer "ó boa"? Foi isso que tirou da conversa?

      Retirei que existe uma grande diferença entre falar com alguém e mandar bocas a alguém, que era o objectivo do post demonstrar, para quem fica confuso sobre se dizer bom dia é assédio.

      Eliminar
    3. Duvido que defendam prender. Mas defendem penalizar. Pelo menos, de algumas conversas foi a ideia com que fiquei.
      Repare (e não vou transcrever, acho que é mais ou menos isto):
      - um olá gira pode ser assédio se a pessoa já estiver de costas ou dependendo da entoação com que é dito
      - pode ser considerado intrusivo tudo o que não se diria a uma mulher, se ela estiver acompanhada do marido

      São estas coisas que eu acho claros excessos.

      Eliminar
    4. Não foi isso que foi dito: o post fazia a distinção do que é falar com alguém ou mandar bocas a alguém, para aqueles que insistem em perguntar "mas então já nem posso dizer bom dia a ninguém?". Nesse contexto foi citado um comentário citado de outro blog, que sugeria que no limite, em caso de dúvida, quando uma pessoa considera se deverá fazer ou não um comentário a uma mulher que não conhece, primeiro perguntar-se se o faria se ela estivesse acompanhada, e que se considerar que o que vai dizer ofenderia um companheiro, possivelmente ofendê-la-à a ela..

      Eliminar
    5. Aqui está o que foi realmente dito relativamente a esse assunto:

      "Quanto ao "galanteio", quando ele é de facto educado e bem intencionado, supõe que haja interacção e receptividade da outra pessoa - e muitas vezes pode ser feito à frente de toda a gente, inclusivé do marido. Apreciações ou manifestação de intenções de cariz sexual ou comentários sobre o físico, para mim não cabem em interacções sociais entre desconhecidos, é uma tremenda falta de respeito e de educação."

      Parece-me uma interpretação algo abusiva da sua parte inferir daqui que se disse que "pode ser considerado intrusivo tudo o que não se diria a uma mulher, se ela estiver acompanhada do marido".

      Eliminar
    6. No limite, se não dissermos nada a uma mulher que não fosse dito à frente do parceiro, minguém falaria com ninguém a não ser para dizer bom dia ou obrigada.
      Quanto a mim é fundamentalismo, não consigo pensar de outra forma. E não gosto.

      Eliminar
  10. Vou repetir o que já disse em situações semelhantes, quando este tema andou por aí na blogaria.
    - O problema de algumas mulheres não são os piropos em si, mas antes vindos de quem vem. Mas alguém acredita que se vestir uma mini saia brutal, com um decote generoso, estou a tentar passar despercebida? Será frustante é ver que o "tal" me ignora, mas a restante população masculina activou o seu quadrante macho-recolector.
    - Isto resolve-se com educação e não com leis restritivas. Ninguém vai deixar de "mandar bocas" porque é punível por lei.
    Assim, simples!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu também vou mais pela educação e sensibilização.

      Eliminar
  11. Não sei se a Picante anda confusa, se baralhada, ou se simplesmente muda de ideias hora a hora para capitalizar visitas à custa de uma possível polémica com a outra.

    Hoje diz:

    "Porque, quando me aparecem à frente argumentos do género:
    "encolhe os ombros para tapar as mamas"
    "atravessa a rua se vires um homem"
    "baixa os olhos"
    ...Eu fico mesmo irritada.

    Quando me dizem que têm, medo de sair à rua por poder ouvir um "ó gira", que aquilo as traumatiza, perco toda a vontade de debater o tema."

    Mas ainda ontem dizia, sobre um condicionamento na forma de vestir por não se querer aturar certas coisas:

    "Ok. Entendido. É errado e não deveria acontecer.
    Suponho que se esteja a referir a comentários nojentos e não ao "meter conversa" que acontece a noite, ainda para mais estando metade da discoteca alcoolizada."

    Sobre a vitimização que refere:

    "Peço desculpa se transmiti a ideia de que o reconhecimento do problema é fazer-se de vítima. Não é, obviamente que não é. Reconhecer que existem ditos que incomodam é perfeitamente natural, acho que qualquer pessoa o fará. É verdade."

    "Quando falei em discurso de vítima referia-me apenas ao discurso "o piropo condiciona o que eu faço e visto, tenho medo de sair à rua por ser mulher". Isto, quanto a mim, é vitimização e duvido muito que seja a opinião geral das mulheres, pelo menos não reflecte a opinião das que conheço,l quer se esteja a falar de assédio verbal (a tal linguagem ou gestos obscenos), quer se esteja a falar de "bocas"."

    Ninguém ali referiu ter medo de sair à rua, referiram-se condicionamentos que muitas sentem ou sentiram quando mais novas e moldou formas de estar, de como não ser incomodada é um direito, coisa que ali pareceu entender, para depois vir hoje escrever este post, pelo que dá ideia que se quer irritar à força.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E mantenho tudo o que disse. Alguém ser alvo de bocas obscenas por estar de minissaia é errado. Onde é que está a incongruência?

      Quanto à viitimização, também não vejo qualquer incoerência no meu discurso, se bem que esse "medo" não se refere a coisas ditas nessa discussão mas a um post do passado, quando rebentou a polémica.
      Continuo a defender que um piropo, pode ser incomodativo, nalgumas situações, incomodará mais umas pessoas que outras, mas que não condiciona a vida das mulheres. Qual é a dúvida? Este post não é sobre isso. É sobre desinformação. Por vezes pode ser lixada.

      Eliminar
  12. Ui, tanta asneira que aqui vai... Olhe que nem tudo pode ser considerado pornográfico. Veja lá que está a induzir as pessoas em erro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois não. Um ó boa não é pornográfico. Provavelmente um "que ricas mamas" também não será. E então?

      Eliminar
  13. Já agora gostava de saber a opinião da Picante sobre o fundamentalismo da lei proposta pelos bloquistas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tal como está não me parece fundamentalista, Se eu mandasse, aprovaria.

      Eliminar
    2. (apesar de duvidar dos seus efeitos práticos mas isso é outra questão...)

      Eliminar
  14. Vou, pela primeira vez, dizer coisas sem ter lido tudo o que já foi dito pelas outras pessoas, cheguei agora e não vai dar mesmo para ler isto tudo, ainda assim, o tema é suficientemente interessante para me fazer correr o risco de dizer o que provavelmente já toda a gente disse.

    Aqui há um tempo, ficou famoso pelas piores razões, um acórdão, que tratando do tema da violação de duas mulheres, creio que nórdicas, mas não tenho a certeza, se referia aos perigos em que estas se tinham colocado por terem vindo pavonear-se, palavras minhas, para a "coutada do macho ibérico" palavras dos senhores juízes, acho que isto serve melhor que qualquer outra coisa para demonstrar que esta é essencialmente uma questão cultural, é claro que aqui, estava em causa um caso limite, mas isto estende-se à questão do piropo, a questão do comportamento esperado pelo tal macho ibérico, cuja demonstração de grande virilidade é incutida há séculos, passando de geração em geração, sendo muito estimulada, principalmente em determinados contextos sociais, pelos pais dos rapazinhos logo desde pequeninos. Macho que é macho lança o seu piropo, é neste contexto que muita gente cresce, isto não vai lá com legislação, que neste caso não serviria para nada, como é que iam conseguir ver penalizado, alguém que passa na rua diz qualquer coisa e segue, para que uma situação seja tipificada como crime convém também que depois na prática seja possível dar seguimento à tramitação necessária para a aplicação efectiva da pena, ora neste caso fazem o quê, agarram o individuo e obrigam-no a identificar-se para posteriormente procederem à queixa? sim é que um piropo não deixa vestígios. Esta é, repito, penso eu, uma questão cultural, que passa pela mudança de mentalidades, o que claro está, não acontece de um dia para o outro, está relacionada com a ideia incutida, que muitos homens têm de como é ser um verdadeiro macho e acham que determinadas coisas fazem parte e portanto o piropo só vai acabar quando deixar de ser para todos os homens e não só para uma parte deles, um requisito de masculinidade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cláudia,
      Uma única vez, sem exemplo, respondo a um comentário com um "é isso mesmo, concordo contigo"

      (caramba... ao que cheguei...)

      Eliminar
    2. Não a vou deixar sozinha nesta hora de aflição...
      Este meu longo comentário, deveu-se ao facto de este ser um "bom post, Picante, bom post"

      Eliminar
    3. Cuidado com o que diz, ele há temas realmente delicados.
      Cá beijinho...

      Eliminar
    4. Esse acórdão data de 1989... espero, honestamente, que os senhores doutores juízes tenham aprendido umas coisas entretanto. Apesar que aquele acórdão que fala da mulher não ter necessidades sexuais após os 50 e tal anos foi obra deste ano.

      É, se calhar era apostar na formação cívica, cultural e desenvolvimental dos juízes. Não seria mal pensado.

      Eliminar
    5. Esse acórdão é muitas vezes mencionado como exemplo a não seguir, o Anónimo acabou por verificar por si próprio, por esse outro exemplo recente, que mentalidades é coisa que leva muito tempo a mudar, os juízes não são extraterrestres, são homens e mulheres, como tal, também são o espelho da sociedade em que estão inseridos e como vê podem interpretar a Lei à luz desse reflexo, idealmente, deveriam ser juízes só as pessoas com maior discernimento, concordo consigo, mas parece que o discernimento não conta para nota.

      Eliminar
    6. Dizia-me, há pouco tempo, um advogado, a propósito desse mesmo acórdão,que era muito difícil ser juiz. Ganhavam que se fartavam, tinham uma série de regalias, para além de status. Vai daí que a maior parte dos juízes eram uns enormes marrões mas com pouca experiência de vida, como tal com pouco senso comum, o tal que a vida nos proporciona, embora também nasça connosco. Entretanto a coisa mudou e já não é bem assim.
      Não sei se é verdade ou mentira, mas que quando leio alguns acórdãos faz sentido, ai faz.

      Eliminar
    7. "Vai daí que a maior parte dos juízes eram uns enormes marrões mas com pouca experiência de vida, como tal com pouco senso comum, o tal que a vida nos proporciona, embora também nasça connosco".
      É mesmo isso, existem excelentes profissionais com certeza, o pior são aqueles que andam numa redoma de vidro e que ao mesmo tempo não são naturalmente dotados de bom senso (continuará a ser bem assim em alguns casos).

      Eliminar
  15. Resumindo e concluindo: a Picante concorda com os fins, ou seja, a criminalização do assédio, mas não gosta dos meios, isto é, a forma de comunicação para atingir esse fim e não quer associar-se a um estereotipo que acredita corresponder às pessoas que defendem essa criminalização.
    Tem portanto estado a ridicularizar pessoas com quem, no que é fundamental, concorda plenamente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Errado. Foi mesmo isso que concluiu? Lamento, mas não me vou tornar a repetir. É ir lá acima, as diferenças estão bem patentes.

      Eliminar
    2. Certo. A única que ainda não percebeu foi a picante.

      Eliminar
  16. Eu só não percebo o que é que raio tu vais lá fazer a esse blog e tens a lata de comentar depois do que fizeste à autora aqui no teu.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É mais uma das muitas coisas que estou certa que não percebe...

      Eliminar
    2. O que é que a pipoquita vai lá fazer, mas ninguém percebeu ainda? É que a pipoca gosta muito de brincar com as amiguinhas, mas gostava mesmo era de pertencer à outra liga. Só que ninguém lhe liga.

      Eliminar
    3. Então não se vê, a picante acha que tem moral para lá ir, pede para ser tratada com respeito porque nunca faltou com ele à autora (LOL), é recebida e tratada de forma decente, debate pontos de vista de forma lúcida, e depois a picante vem de volta para o seu blog fazer postas a ridicularizar e chamar-lhe fundamentalista.

      Uma coisa de gente sem espinha dorsal, portanto. Nada de novo.

      Eliminar
    4. Está enganadíssima, este post não tem a ver com a dona do blog. Mesmo.

      (E espinha têm os peixes, veja lá isso)

      Eliminar
    5. Resumindo e concluíndo.
      Bom post!
      Bem argumentado e melhor esclarecido.
      Sem dúvidas para ninguém, saiu por cima!

      Eliminar
  17. o piropo? estamos a discutir o piroco? já não há construção civil nem Gajos de obras. está tudo resolvido.

    ResponderEliminar
  18. Ora nem mais! O caro Quiescente veio clarificar esta, por extremamente ofensiva, melindrosa questão que até então enveredara por obscuras vielas sem possibilidades nem laivos de consenso aparente, e muito pelo contrário devido a multidão participante em que cada um mais burro se tornava, quedara por impossibilidade de resolução.
    Não há Construção Civil em Portugal não há trolhas. A partir desta fidedigna verdade, a problemática deixa de ter lógica existencial.
    Tudo quanto um senhor de bom ar, bem vestido e com gravata de pura seda, tipo banqueiro, possa dizer, por exemplo: "Ó boazona! Uma noite comigo amanhã serás mãe" Pode e deve ser entendido como um educado elogio delicadamente prestado à elegante senhora.

    ResponderEliminar

Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos comentadores.
A autora do blog eliminará qualquer comentário que ofenda terceiros, a pedido dos mesmos.