domingo, 10 de agosto de 2014

Sinais dos tempos

As stay at home mom's são as novas domésticas.

30 comentários:

  1. Nem sei o que lhe diga sobre certas coisas que tenho lido.

    (Fico "abazurdida" com o preconceito que existe contra as mães que, por opção, ficam em casa. Tendo em conta que uma boa percentagem da minha/nossa geração é filha de mães que ficaram em casa - se recuarmos às avós será quase a totalidade - só me resta concluir duas coisas: Ou é uma geração extremamente ingrata, incapaz de reconhecer o trabalho das mães e das avós para a estabilidade e organização do lar e da família, ou tiveram, de facto, mães e avós muito más. De qualquer das formas, ainda está para nascer o estranho que venha dar palpites sobre a forma que escolhi para organizar a minha família, se trabalho fora ou se fico em casa é uma escolha que me dirá respeito a mim e ao meu marido, não vejo por que motivo hei-de eu dar palpites sobre as escolhas dos outros).

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    1. Não lemos as mesmas coisas, Mirone. Acho o termo de um pedantismo enorme. E é só.
      De todas as formas, suponho que os comentários negativos que leu, se prendam mais com a frustração de se perceber a impossibilidade de acompanhamento dos filhos, aliada ao cansaço de se fazer tudo a correr, que a ingratidão relativamente a mães e avós.
      (mas acho redutor para a mulher, essa escolha, não porque seja uma tarefa menor, que não é, pode até ser mais desgastaste é está mais que provada a sua importância, mas porque a afasta da realidade social e porque, mais tarde, muitas acabam por sentir a falta de realização profissional... É claro que se pode compensar a coisa com interesses culturais ou com voluntariado, mas não há assim tanta gente com capacidade para o fazer, ajudaria bastante o mercado de trabalho estar mais desenvolvido ao nível de part-time...)

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    2. Refiro-me a quem se refere às mães que optam por ficar em casa como dondocas fúteis e desocupadas que vivem à custa do marido. Não foi um, nem dois nem três comentários que li nesse sentido (e acho que isso revela uma grande ingratidão relativamente às gerações anteriores e um grande desconhecimento - ficar em casa com os filhos pode ser tão ou mais trabalhoso do que um emprego das "nove às cinco"). Não tenho paciência para heroínas - sejam as que ficam em casa ou as que trabalham fora. Umas e outras têm o seu valor. E, tratando-se das opções de cada família, não me parece que a minha opinião seja relevante.

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    3. Eu conheço uma ou duas dondocas fúteis e desocupadas, que vivem às custas do marido. É verdade que das quatro às oito se dedicam exclusivamente aos filhos e que estes só têm a ganhar com isso. O resto do tempo passam-no no cabeleireiro, no ginásio ou em almoços. Não têm ponta de interesse, não há assunto de conversa para além do colégio, da ultima festa ou da cor das unhas. Também as há assim. O que não quer dizer que quem opta por ficar em casa seja assim. As pessoas tendem a generalizar, às tantas são telenovelas a mais...
      (e eu tenho muita admiração por quem opta por ficar exclusivamente em casa, até porque seria incapaz de o fazer, não confundir com as dondocas, atenção)

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    4. Background:
      Estou desempregada há dois anos. Trabalho a partir de casa, para outros, mas não são meus patrões. Não tenho nem tive direito a subsídio de desemprego, mas não me queixo porque tal aconteceu por opção minha (percursos de vida/trabalho).
      Para além do trabalho que faço para fora, trato da casa, da roupa, da filha. Vai ficar comigo até aos dois anos, salvo se eu arranjar trabalho. Aos dois anos irá para a escola, que acho importante o convívio com outras crianças.
      Este é o background.

      Nos dias que correm, o meu marido tem um ordenado pequeno. Assim pequeno, mesmo. Não faço as unhas fora de casa, vou ao cabeleireiro uma vez por ano (as pontas aparo-as eu em casa, que o talento que tenho para tratar do jardim também dá para isto), faço ginastica quando tenho vontade acompanhando vídeos de exercícios do youtube. (já) não temos TV cabo, o meu tarifário é o mais baixo que consegui, e só tenho net porque preciso dela para trabalhar.
      Já tive três - TRÊS - ofertas de trabalho, que recusei educadamente. Iria ter patrão, e até me iria realizar mais (quem sabe até onde poderia chegar?), mas iria ganha pouco. E ter despesas que não tenho agora. E ter de deixar a pequena na creche, e pagar. E deixá-la às sete e ir busca-la doze horas depois. Como faz tanta e tanta gente, alguma ainda em piores condições (tenho carro, não teria de depender dos horários dos transportes públicos).

      Não me considero uma stay-at-home mum, não tenho uma mini-van, não li as 50 sombras de grey. Faço pela vida, o que posso, procurando escolher o melhor para mim e para ela e conseguir um equilíbrio nestes tempos mais delicados.

      Não me orgulho de estar em casa. Não me lamento de estar em casa. Não sinto que estou a estagnar profissionalmente (isso daria para outro comentário). Não sinto que estou a colocar a carreira à frente da família.

      Estou cansada como tudo, é um facto. Mas estou cansada, como tanta outra gente está.

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    5. Anónima, quanto a mim, o poder trabalhar a partir de casa, pelo menos enquanto as crianças são pequenas, é o melhor dos dois mundos.
      Boa sorte!

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  2. Não é emprecada doméstica cara Pê, sua gordinha!! CEO de bem estar familiar!

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  3. São. Seja por vontade ou por força maior.
    Aborrece-me o "domésticas" ter uma conotação quase desprestigiante, com alguma condescendência escusada. O valor, a formação, a educação, o esforço,... são coisas que não cabem numa definição redutora de "doméstica", à qual associamos, infelizmente, uma pessoa com poucos estudos, que fica com os filhos em casa, cuidando de tudo e de todos, abnegada, muitas vezes sofrida, mas que persiste pela vida fora.
    Não seriam tão mais facilmente conotadas, estas stay-at-home-mum's às quais penso que te referes, como dondocas?
    Tudo depende do prisma (e dinheiro), não é verdade?
    Mas são generalismos perigosos.
    Haverá a "nova geração" de mães, que tudo fazem para espelhar uma vida perfeita, muito lúdica e educacional para os filhos, com as casas impecáveis, muitos sorrisos, palmadas-free, falhas-free, guilty-free... Bloggers que quererão ser "um exemplo", doutas, bem formadas e "resolvidas" (uma expressão que muito me apraz).
    Admiro quem tem essa capacidade de querer ficar em casa, pelos filhos, com a única profissão "ser mãe", conseguindo ser feliz, equilibrada, gerindo a vida familiar, mas também a romântica e pessoal.
    Não me merece qualquer admiração aquelas que fingem ter uma vida de aparência, entregando os filhos às mãos das empregadas, que muitas vezes até desconsideram de alguma forma, aparentando apenas passar tempo com os filhos, quando, na verdade, só interessa o styling, a sessãozinha de fotos, os eventos, as roupas de folhos, tablets nas mãos dos meninos e o "não aborreça a mãe, Salvador".

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    1. Rosa, por acaso até acho (é uma mera percepção) que hoje em dia as tais domésticas com poucos estudos não se podem dar ao luxo de ficar em casa. Só quem tem algum dinheiro, o que pressupõe possibilidade de estudos, o poderá fazer. E, de certa forma, é uma pena, a sociedade ressente-se dessa falta de acompanhamento familiar, não é suficiente entregar as crianças às escolas ou empregadas.
      (Mas eu referia-me exclusivamente ao pedantismo da expressão...)

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  4. Não são novos tempos Picante. É qualquer coisa de intemporal, e de grande complexidade. Não posso falar das opções das mulheres que 'decidiram' ficar em casa a tomar conta do lar, mas posso falar da evolução que a saída das mulheres de casa, em boa hora, trouxe à emancipação do género. Disso sei eu falar. Desenvolver uma actividade fora de casa, que me desliga sobremaneira dos afazeres domésticos e da educação da minha única filha, a qual dou aos cuidados de terceiros na grande parte do nosso dia, não é para mim uma culpa. Não é para mim o pau de dois bicos. Assumo que não fui talhada para essa vida feliz que muita gente tem, sinceramente, de ficar em casa e ali educar os filhos e cuidar da casa, contando que alguém ganhe fora o dinheiro para aquilo tudo. Mesmo que o tivesse, aos magotes, havia de desenvolver uma actividade remunerada fora de casa. Há quem inclusive não tenha os filhos na escola, que opta por uma professora particular até ao 2 ciclo, quem leve as coisas ao extremo de privar crianças da socialização para dar seguimento a dogmas da moda, criados na alta roda da nossa sociedade. Sou suspeita. Desde a minha bisavó, que tinha um comércio, a minha avó que era enfermeira e a minha mãe que é geriatra, o meu exemplo é quinado. Mulheres dentro de casa tenho apenas a minha sogra, agora sem reforma, tristissima, frustrada, que se especializou em bolos e assados, educou os filhos não melhor do que a minha mãe me educou a mim, e que depende de um homem, ainda. O que interessa é que qualquer que seja a opção da mulher, que a consiga assumir para sempre, e no fim não dedicar a sua vida a viver para o seu próprio umbigo, pois que os filhos se vão um dia, e a casa, enfim, qualquer um a pode limpar. E a viuvez sem reforma, pode e é, um grande inferno. Mas cada um sabe de si, como diz Mirone, e é perigoso generalizar como diz Rosa Cueca, que teve aqui um comentário muito bom.

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    1. A vida é feita de escolhas. Quer o ficar em casa, quer as carreiras têm custos. Desde que cada um esteja bem ciente disso, não vá mais tarde arrepender-se, ninguém terá nada a ver com a dinâmica de cada um.
      A verdade é que não há vidas sempre perfeitas e maravilhosas, repletas de folhos, laços e felicidade, todos os dias. É que nem mesmo a minha...

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  5. Sim, é verdade, mas o novo nome é muito mais fashion. ;) Só que eu acho que algumas delas não fazem efectivamente o papel de domésticas, "apenas" (que já é muito trabalho, atenção), cuidam dos filhos.

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    1. Tu tens filhos? És mãe? Então desculpa lá mas não tens opinião. Tens mas não conta porque este assunto ainda só vi as mães virem comentar, e muito bem porque são mães e tem que gerir as suas vidas como mães.
      Se a Pipoca não quiser publicar porque não se pode contrariar a menina do asterico, tudo bem e ficas na maior porque opinaste.

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    2. Toda a gente terá uma opinião sobre o assunto. Ou sobre o que fará um dia, em tendo a possibilidade de escolher. O que acontece é que depois de ter filhos, por vezes essa opinião muda, muita coisa é relativizada, as prioridades alteram-se.
      No fundo, a única coisa que importa é que a mulher se sinta equilibrada e feliz. E cada uma terá o seu ponto de equilíbrio.

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    3. Anónimo, não seja mal educado. Nem perco tempo consigo.

      Picante, isso é evidente. A minha tia ficou em casa. E não teve filhos. Foi uma opção dela, porque podia, e porque queria ajudar a criar os três sobrinhos. E a mulher, que já tem quase a idade da "reforma" prevista por lei, não pára um minuto o dia todo. Arruma, cozinha, vai à horta, trata dos animais, vai às compras, aqui e ali. Levanta-se todos os dias pelas 7 da manhã, e não é para ficar a olhar para o tecto. E, lá está, não teve filhos - mas acabou por tê-los, de coração.

      Não tenho nada a ver com a vida dos outros. Se um casal sente que um deles não precisa de trabalhar, pois que fique em casa - seja a mãe ou o pai. Acho até louvável esse "altruísmo" de abdicar de uma suposta realização profissional para ficar com os filhotes. Não é coisa que eu queira para mim, mas acho bonito e entendo perfeitamente.

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    4. Eu acho que o anonimo das 14:19 tem razão porque tratar de gatos e um cão é uma coisa, e ser mãe de crianças é outra coisa.
      Mas lá está, como a Picante disse que todos podem ter opinião esta é a minha opinião.

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  6. Se calhar sou só eu que levo essa expressão de "Stay at home mom" de maneira muiro literal. São para mim, mães que ficam em casa. Acho que se deslumbrarm um pouco com o ideal americano e com esta coisa "revolucionária" que é a parentalidade... wow!!! Mas depois vou a ver e as crianças são usadas como adorno e a parte da educação vai com os cucos. Não são as novas domésticas, são as novas ricas... quem é abastado (em educação e valores) não precisa de expôr a sua vidinha e mostrar a toda a carneirada como os folhos e andar combinadinho é que é de valor.

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    1. Ora nem mais. No fundo não serão domésticas, não fazem nada do que estará implícito a uma doméstica, e não me refiro a lavar o chão ou passar a ferro. São wannabes.

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  7. Todas as pessoas (tendo crianças dependentes de si, podem até ser irmãos, sobrinhos, primos) fazem os possíveis com o que têm e como podem.
    Altarinho para mães que tem a soberba de olhar de cima porque escolhem ficar em casa com os seus filhos não estão a fazer mais do que o seu trabalho de mãe/pai, estão a criar os filhos como podem.
    Agora,... se têm um blog, para "recordar os momentos" que (todos sabemos que é, para: ter gente a bajular, ter gente a perguntar onde comprou A, B ou C, fazer publicidade) passam a ter um trabalho... então o termo deixa de ter efeito.

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  8. Que seca que está este blog. A sério, vir aqui ou ao cabeleireiro ouvir as tais dondocas falar das outras dondocas é exactamente a mesma coisa. Mas sem folhos.

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    1. Vais pouco ao cabeleireiro, está visto, pelo menos aos cabeleireiros das dondocas. Isso de falarem umas das outras é coisa de cabeleireiro de bairro. Experimenta um dia a pôr os cotos num cabeleireiro de dondocas e verás.

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    2. ahahahaha, não ponho, não. Pus em tempos até que me converti ao budismo e agora não uso cabelo.

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  9. Bem... Estás aqui estás a dizer que as mom to be são as outrora grávidas...

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    1. Como? Mas como é que não me lembrei disso?
      (Gosto tanto de ti, afilhada...)

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  10. A parvoíce está na expressão "stay at home mom,s", quanto ao resto é opção de cada um e ninguém tem nada com isso, acho tão disparatado, fazerem as mulheres sentirem culpa por deixarem os filhos aos cuidados de outros para ir trabalhar, como as mulheres que trabalham fora de casa, apontarem o dedo às outras que preferem ficar em casa e que por aquilo que me é dado observar, trabalham como o caraças (as não dondocas, claro) e também não temos nada que apontar o dedo a quem é pura e simplesmente dondoca, eu adorava, a sério, pudesse eu, tanto livro que eu lia, tanto filme que eu via, tanta viagem que eu fazia, enfim, que bela dondoca eu seria...

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  11. 1. Não gosto da expressão "stay at home mom's", assim, em inglês, mas também não gosto do rótulo em português: "doméstica"; faz-me lembrar os animais domesticados (que vivem em casa).

    2. Ficar em casa não nos afasta, nem mais, nem menos, da realidade que as profissões que se exercem fora de casa. Conheci muitas enfermeiras que não sabiam sobre mais nenhum assunto do que sua profissão, e isto é apenas um exemplo. Tem que ver, sobretudo com a pessoa.

    3. Os primeiros índices de stresse foram encontrados nas "donas de casa" (outro termo lindo!), é fácil de entender porquê. Logo, podemos chegar à conclusão que não será um "viver" fácil.

    4. Nos EUA, há uns anos, foi feito um estudo em que chegaram à conclusão que se todas as mulheres norte-americanas trabalhassem, levariam a economia à bancarrota. As pessoas esquecem-se, mas ainda bem que nem todas as mulheres trabalham... É a economia!

    5. Entre o "ficar em casa" e o "ir trabalhar e deixar as crianças no infantário/creche", os comentários acerca do primeiro sempre me pareceram mais cruéis e mordazes, que os do segundo. E, a grande maioria, vêm da ala feminina, o que é triste. Se bem que, é uma resolução tomada pela família e que ninguém tem nada que ver com o assunto, mas pronto, esta mania de se querer mandar na vida dos outros, parece estar-nos entranhada na pele.

    6. Cheguei à conclusão que as pessoas que têm um emprego (fora de casa) têm mais tempo para "passear na net" do que as que estão em casa. :P)

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    1. Mas a expressão é mesmo essa... Doméstica ou dona de casa... Estes must-say dão cabo de mim...
      De resto, bem... De resto ninguém tem nada a ver com a harmonia familiar de cada um.

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  12. Há uma diferença entre a doméstica minha mãe e eu "stay at home mum", a minha mãe teve opção de escolha... eu estou desempregada (licenciatura, pós-grad, mestrado, falo 5 línguas), e não, não vou ao ginásio, nem ando nas compras... não há dinheiro!

    Vá, embora esta tenha saído ao lado e me forçasse ao primeiro comentário, continuarei a vir ler o blog...

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    1. Anónima, não concordo. Uma pessoa que esteja em casa por motivos de força maior, no seu caso, por não encontrar emprego não se insere em nenhuma das categorias. Mal encontre trabalho fora de casa, sai.
      (e boa sorte, que o encontre rapidamente)

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