segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Curtas do fim de semana II

Vinte e seis milhões de euros. Foi quanto o Salgado trouxe da Suíça a título de regularização de capitais. Ele vai ficar bem, nós é que já não sei.

26 comentários:

  1. Ele fica bem não, desculpe contradizer, a FAMELGA ESPIRITO SANTO fica bem...já nós os "piquenos" é pagar e não bufar...
    Mais uma história fabulástica neste país à beira mar plantado cheio de corruptos...é nestes momentos que tenha pena de ser portuguesa...
    Sílvia V.

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    1. 85% ou mais, da família Espírito Santo, escreva o que lhe digo, vai ficar na miséria.

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    2. Até pode ser, até pode ser....mas desculpe e pode pensar que sou insensivel, não tenho pena...à conta destas histórias burlas, crimes, lavagens de dinheiro, brincar aos pobrezinhos na comporta, de vai falir, não vai falir, de estar sólido que nem uma rocha, de já não estar sólido, de injeções de capitais que não era para ser (tal como afirmou o Primeiro Ministro), mas agora já é necessário, eu e muitos dos comuns mortais que apenas pensaram em ganhar algum dinheirito e apostaram no aumento de capital ficaram sem o dito, bem sei que corremos riscos, tais como correram o que compraram papel comercial e o Estado vai assumir esses. Se 85% da familia fica na miséria, perguntem aos restantes 15% onde estão as contas offshores e dividam.
      Desculpe se pareço insensivel, mas não consigo ter pena de ninguém que faça parte desta familia...para mim são todos farinha do mesmo saco. Até pode achar que sou uma pessoa básica e sem conseguir ver para além disto e neste momento não consigo mesmo...talvez daqui a uns dias quando engolir o sapo que perdi veja os 85% da familia Espirito Santo de outro modo, neste momento apenas consigo pensar em mim e nos meus e da falta que me fará o que perdi...
      Sílvia V.

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    3. Sílvia, eu consigo compreender o seu aborrecimento. Mas na verdade apenas os gestores são responsáveis, o que foi feito foi gestão danosa, contrariando as instruções do BdP. Os grandes responsáveis do que aconteceu ao BES foram Ricardo Salgado e o seu braço direito, Morais Pires. Enganaram o BdP, andaram a brincar ao gato e ao rato com a CMVM, enganaram os clientes ao vender dívida da GES, foi um fartote de vigarices.
      Mas Ricardo Salgado vai ficar bem, alguém que se esquece de declarar 8.5 milhões em IRS (na verdade diz-se que lhe deram 14, ou que traz 26 milhões da Suiça, a título de regularização de capitais, aproveitando uma benesse fiscal, ficará bem.
      (quanto ao resto da família, depende do muito que Salgado goste deles...)

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  2. Picante, aprende e vai ler o post do Salgado sobre o tema. Diz tudo o que há para dizer. Tu limita-te a escrever sobre cenas macacas de blogs que é o teu mercado.

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    1. O anónimo tem razão, cada roca com seu fuso e cada macaco no seu galho.
      A prova disso mesmo é que hoje há greve de comentários e eu já avisei para não dar um passo maior que a perna porque calha nada vai ter que abrir falência ainda maior que a dos Salgados.

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    2. Nem o post diz rigorosamente nada, a não ser percepções, nem a mim me interessa verdadeiramente a sua opinião que a mim ninguém me paga mais por número de comentários.
      Ora tenha uma excelente tarde.

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    1. A ver os próximos tempos. Hoje a coisa correu bem, não houve uma corrida geral ao Novo Banco para levantar a massaroca. Se houver a coisa não se aguenta. A ver...

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  4. Fico enjoada e mal disposta com tudo isto. Os grandes ficam sempre bem, é o que se tem constatado. E aqueles que têm pequenas empresas, e não conseguem pagar as dívidas às finanças e a outras entidades? Estes andam desesperados, e muitos até para pôr comida em casa para os filhos, têm que se socorrer de familiares.
    Isto é triste, muito triste!

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    1. Eu sou uma optimista. Acredito que desta vez irão a trás deles. Aquilo é gestão danosa ao mais alto nível. É crime.

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    2. Picante, assim eu espero, senão é mais do mesmo....
      Sílvia V.

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    3. Mostre-me um! Pelos vistos é uma mulher informada, logo sabe o que se passa e tem passado neste país com respeito a vigarices, não só bancárias como a todos os níveis em que o nosso dinheiro desaparece, mostre-me um desses espertalhões atrás das grades.
      Então por que deveria ser diferente com este?

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    4. Olhe o caso do Isaltino Morais, por exemplo. Não digo que a justiça seja exemplar, não é. Mas às vezes funciona. Uma pessoa tem de acreditar nisso a menos que esteja disposta a partir para a anarquia.
      Pode ser que desta vez também funcione. Acredito que quer o BdP quer a CMVM não estejam nada satisfeitos com isto. andaram a ser burlados.

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    5. Isaltino Morais, um pilha-galhinas sem grande importância. Mas onde se pune o crime? O verdadeiro crime? Aquele que lesa e leva à destruição económica de um país?
      Mostro-lhe a seguir um artigo de uma jornalista, mas uma jornalista de J muito grande.

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    6. Envie lá isso, este caso anda a fascinar-me.

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  5. ( Por Patrícia Neves )

    Tentacular, a mais vasta rede de branqueamento de capitais jamais desmantelada em Portugal esparrinha o establishment do país. Banqueiros célebres, antigos responsáveis políticos e mesmo o primeiro ministro Passos Coelho...
     
    É a história de portugueses ricos, notáveis comme-il-faut, pouco apresentáveis. A história de homens acima de qualquer suspeita, acusados de pertencerem à mais vasta rede de lavagem de dinheiro jamais descoberta em Portugal. As somas são tais e as pessoas implicadas tão numerosas (várias centenas) que é difícil acreditar que o dinheiro jorrava do balcão poeirento de uma pequena loja da velha Lisboa com o plácido nome de « Monte Negro & Chaves ». Uma suposta agência de câmbios pela qual transitavam, num primeiro tempo, os fundos – mais de três mil milhões de euros segundo os média – antes de aterrarem na Suiça, em Cabo Verde e de regressarem « limpinhos » para engordarem contas em Portugal.
    O circuito, clássico, só admira pelas ramificações que traz à luz. Entre os ilustres clientes da suculenta empresa lisboeta encontram-se homens de negócios, mas também banqueiros implicados em recentes escândalos financeiros. Peixe graúdo que se pensava intocável e que o foi efectivamente. Como Ricardo Salgado, recentemente desembarcado do primeiro banco privado do país, o Banco Espírito Santo (BES), um império familiar que presidia havia várias décadas. Uma má gestão do estabelecimento e dos seus holdings, mediatizada além fronteiras, ter-lhe-ia custado o posto. E, em breve, talvez a pele.
    Os investigadores precisaram de menos de um mês para o pôr em causa noutro caso de branqueamento de capitais, o caso « Monte Branco », revelado há mais de três anos, em junho 2011, e no qual Ricardo Salgado tinha testemunhado em dezembro 2012, sem ser inquietado nessa altura. As protecções de que teria beneficiado ter-se-iam evaporado desde então ?
     
    O modelo UBS da evasão fiscal
     
    O vento parece ter mudado para o rico herdeiro de 70 anos, oficialmente inculpado de abuso de confiança, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. O interessado defende-se, evidentemente. Figura entre os clientes da agência de câmbios lisboeta e da Akoya, a sociedade gestionária de fortunas que se ocupava em seguida de encaminhar os haveres portugueses não declarados para a Suiça, mas a sua situação foi regularizada. Em 2012 precisamente, antes de ser ouvido a seu pedido. Ocasião para o fisco recuperar 4,3 milhões de euros. Uma gota.
    Ricardo Salgado teria mentido, subvalorizado deliberadamente os seus rendimentos ? Os investigadores interrogam-se e interessam-se a uma sociedade offshore que ele detém, a Savoices, para a qual 14 milhões de euros teriam sido transferidos como « agradecimento ». Prenda de um construtor, José Guilherme, em troca de preciosos « conselhos » que o banqueiro, grande conhecedor do mercado angolano, lhe prodigou.
    Angola onde Ricardo Salgado investiu há muito. É até da antiga colónia, hoje florescente, que seria retribuído, em parte. Foi assim que 27 milhões de euros, repartidos de 2009 a 2011 em doze transacções, foram enviados da filial angolana do Banco Espírito Santo para contas bancárias no Panamá das quais ele seria o beneficiário final.
    Evasão fiscal em grande escala, simplesmente, que utiliza como modelo os métodos do célebre banco suiço UBS. Antigos quadros da instituição helvética encontram-se, por sinal, à cabeça da rede portuguesa, Michel Canals em particular, encarregado da expedição de fundos. Uma longa viagem. De Lisboa a Zurique, Genebra e depois Cabo Verde, onde o dinheiro aterrava numa conta do BPN (Banco Português de Negócios) antes de ser repatriado para Portugal em contas de outro banco, o BCP. Movimentos importantes em estabelecimentos diferentes que, curiosamente, não despertaram imediatamente a desconfiança das autoridades de controlo.
     
    E o primeiro ministro no meio disto ?
     
    ( Segue a saga larapial de seguida)

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  6.  ( Por Patrícia Neves )

    E o primeiro ministro no meio disto ?
     
    O caso poderia ficar por aqui. Limitar-se ao aspecto económico. Mas escutas telefónicas realisadas no quadro deste assunto entre setembro 2011 e fevereiro 2012 revelaram outra coisa e, notavelmente, os elos entre o primeiro ministro Pedro Passos Coelho, infatigável defensor da austeridade, e José Maria Ricciardi, dirigente de um holding do Banco Espírito Santo, que estava sob escuta. Só que José Maria Ricciardi é primo de Ricardo Salgado e, visivelmente, a rede do primeiro é tão poderosa como a do segundo.
    Ao telefone com o primeiro ministro, o seu amigo José Maria Ricciardi é tagarelas e mesmo curioso. Das dez conversações registadas, algumas dizem respeito a sujeitos sensíveis, como a privatização da EDP, ainda detida em 2011 a 20% pelo Estado. Ricciardi fez pressão sobre Passos Coelho para que o Ministério das Finanças não conceda aos consultantes financeiros americanos de Perella Weingerg a gestão da venda das acções do Estado ? A informação judiciária, a decorrer, na qual Ricciardi está imputado de tráfico de influência, deverá determiná-lo. O primeiro ministro, para já, sai ileso. Passos Coelho diz « não apreender de modo nenhum que o que disse possa ser tornado público ».
     
    Ricardo Salgado, presidente omnipotente do BES também se considerava tranquilo. Aquele que era apodado de « Dono disto tudo » agora corre o risco de tudo perder. Os modestos contribuintes portugueses já perderam muito. Um novo feixe de medidas de austeridade já foi votado pelo parlamento. Cortes nos salários dos funcionários a partir de 1500 euros mensais, cortes nas reformas a partir de 1000 euros, etc... No país, a austeridade porta-se bem, a evasão fiscal, melhor ainda.

    Por isso e por isto tudo, se vai esperar pela punição do Salgado metido em jaula, lamento defraudar as suas expectativas e bem pode esperar sentada.


     

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  7. E para terminar, cara Picante. Depois deste notável trabalho, grandioso trabalho de investigação da Grande Jornalista, a Picante ainda acha que tanto o BdP como a CMVM não sabiam nada, nadinha do que se estava a passar?
    E que, milhões de euros não se transacionam assim a modos de um encontro numa esquina em que eu saco do bolso e o parceiro mete no dele.
    Nem sequer suspeitavam de nada? E continuavam inocentinhos como Anjos de asinhas brancas no altar, sobretudo o BdP, quando incentivaram o povo ao investimento no aumento de capital do BES.

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    1. Isso apenas fala de branqueamento de capitais e de evasão fiscal. Passa completamente ao lado da problemática BES.
      Sinceramente? Quero acreditar que os nossos governantes, independentemente da cor partidária, não são todos, mas mesmo todos, uma corja de subornáveis vigaristas.
      E a verdade é o que caso é complicado, ainda só vimos a ponta do iceberg. Aquilo deve ser uma coisa bonita de se estudar.

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    2. Fala, sobretudo da máfia soberbamente organizada em Portugal. O Salgado foi referido devido à explosão do BES.
      Mas os exemplos nas instituições bancárias, logo, onde o dinheiro se movimenta, esses são o pai nosso de cada dia.
      E o BdP não sabe nada? E o Governo ainda sabe menos? Aliás, os Governos nunca souberam de nada?
      Claro que é só a ponta do iceberg e ainda vamos ver mais, mas o que eu quis dizer foi que não crie muitas expectativas sobre a punição de culpados, isto porque, desde o ponto mais alto até ao mais baixo, a sustentação do edifício é suportada por igual.

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    3. (sobre os governantes).Também quero acreditar que não sejam todos, mas estes são . A nossa memória é curta por auto-defesa. Mas quando se começa a pensar em quem nos governa, com o espirito calmo e sem emoções partidárias......isto é muito mau. Isto é péssimo. Gostei de ler os comentários com o trabalho da jornalista, gostei mesmo muito.

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    4. Quando começarem a soar nomes vamos abrir a boca... essa é que é essa.

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  8. Eu acho que a Picante também devia conduzir a sua investigação porque vai ver que a culpa disto tudo da gente estar nesta desgraça é da, quer dizer, vem toda da...do Norte.

    ( D. Joaquino atento aos desenvolvimentos das grandes questões dramáticas dos portugueses )

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    1. Não me lembre disso, que se vou lá arranjo logo material para alguns vinte posts...

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