quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ave César

De tudo o que me aborrece, mais que gordas em fio dental na praia, mais que vernizes de cores duvidosas, que tatuagens no fundo das costas e nos tornozelos, que calças de cintura descaída que deixam ver cuecas e regos, que Anónimos básicos e mesquinhos, gente que não sabe falar português e para quem o verbo haver é um enorme obstáculo, mas dizia eu que de tudo o que me aborrece, o que mais me transtorna é o pequeno poder. Gente que nunca há-de ser mais que aquilo e que de repente tem o poder de arruinar uma noite, um dia, ou uma semana. Ele é o porteiro da discoteca que deixa entrar toda a gente mas pára o Pedro, porque o Pedro tem a pele escura. Ele é o polícia de trânsito, faces coradas, bigode farfalhudo, que se arroga ao direito de ser mal educado e prepotente só porque tem uma farda. Ele são as tipas da secretaria que têm o poder de atrasar a saída de uns papeis e sabem isso. Ele é a directora de uma escola que acha que pode tudo, que a sua vontade prevalece acima da lei. Caramba, não há nada tão irritante como o poder dado a quem nunca o teve e não tem formação moral para o ter, acaba por confundir papeis, usar o poder de forma pessoal e discriminada, torna-se prepotente, acabo sempre por me lembrar de Hitler, comparação descabida, eu sei, prepotência e má formação levada ao extremo.
Ah!... Por vezes apetece agarrar no pequeno poder e correr tudo ao pontapé, resolver as coisas à chapada, pôr a mão na cintura e rodar a baiana, descer do salto alto e usar jargão potente, perceberam a ideia, não é verdade? Mas não podemos, sabemos que apenas ficaria a satisfação interior, que não é assim que se resolvem as coisas, que temos de respirar fundo e resolver as coisas como elas têm de ser resolvidas, accionando os trâmites legais ao nosso alcance. E esperamos. E as coisas começam a resolver-se. Mas fica a enorme vontade de distribuir umas chapadas e de chamar uns nomes, utilizando uma voz doce, num tom suficientemente baixo, claro. Afinal, uma senhora é uma senhora e nunca perde a compostura. Ainda que mande alguém para a real puta que a pariu.

23 comentários:

  1. Eu sigo muitas vezes o conselho do provérbio:
    "Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu"
    Geralmente estas pessoas, quando lhes é atribuido poder, tratam os outros com grande prepotência, humilhando-os. Odeio pessoas assim.

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    1. Nem mais PL. No fundo acho que não passa de uma tremenda falta de segurança. Afirmação a todo o custo.

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    2. Se bem PL, que para mandar é preciso saber obedecer, e acho que é o que falta a esta gentinha, talvez maltratadas quando não estavam "no poder" e para se "vingarem" (sabe-se lá do quê ou de quem) têm essas atitudes.
      (Picante, você habitua mal as freguesas deste spot, é eu estou habituada a um post às 9 e outro às 16h, just sayin'...)

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    3. Verdade, anónimo, eu nunca mais consegui ser primeiraS desde que se instalou este "regabofe"no horário dos posts.


      (mas as coisas são como são e há vida para lá dos blogs, não é?)

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    4. Eu peço muita desculpa que peço. Mas não tenho conseguido agendar posts e é que se se vê.
      (Pode ser que isto volte ao normal. Ou então não...)

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    5. Por acaso, acho pior trabalhar e ter no poder quem já nasceu num berço de ouro, teve tudo de mão beijada e não sabe o que é a vida.
      Custa-lhes entender que se não somos ricos não é porque não trabalhamos para tal, se não temos condições X e Y, se não temos os carrões, etc não é porque sejamos todos uns malandros mas sim por nos darem condições miseráveis. Dos piores patrões, que mais mal pagavam e piores condições davam eram eles mesmos filhos de patrões, que nunca trabalharam na vida. Basta ver as empresas familiares em Portugal, ver as condições dadas e as casaronas, carroes, etc à porta (do filho) do patrão. Mesmo que não haja dinheiro para pagar ao empregado. Há sempre dinheiro para as suas benesses.

      Ainda esta semana, um amigo meu ouviu a pérola da filha do patrão, que ainda agora comprou um mercedes de 100.000€ novo mas que lhe deve 700€ do ordenado: "há pessoas que nem trabalho têm". Pois. Trabalhar para aquecer dá alimento às crianças e paga os encargos, não é?!

      Eu cá prefiro trabalhar para quem sabe o que custa trabalhar do que para quem nunca fez um corno a vida toda.

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    6. Pois, também já ouvi dizer a um ilustre qualquer coisa, que o descambar do(s) Governo(s) da democracia em Portugal, se deveu a deputados que vêm da província e que, por não serem de boas famílias, nem gente de dinheiro, se deslumbram com o poder e são comprados facilmente. - ilustração de teoria paralela de Pequeno Poder. Para esse senhor, tenho uma resposta: Paulo Portas e Mãezinha/ submarinos, Portucale. Deixe estar, que, quem está na liderança e é bem nascido, também é capaz de tudo...

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  2. Nem sabe o que fez, foi por acaso, seguramente, mas este é o post mais verdadeiro que a Picante já editou.
    Tudo certinho como uma luva que lhe serve na perfeição. A Picante retratou várias pessoas prepotentes, abusadoras, a sentirem-se nas suas sete quintas quando podem dificultar a vida de alguém, e não e que a Picante condensa em si todas elas.
    Ora repare lá se não é essa exactamente a sua postura. Indispor e complicar a vida de quem lhe é superior e não lhe passa a mínima.
    Mas, lá está! É humana e segue as directrizes inerentes à condição, só que nalguns são mais humanos que outros e...disfarçam melhor.
    O que meramente e só por acaso me levou a uma grande descoberta. Saber disfarçar é uma das provas, se não mesmo a única prova da inteligência

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    1. Vá, anónimo diga lá... Você tem um recalcamento qualquer com a Picante não?

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    2. O mesmo recalcamento que têm os quarentas e tais anónimos no post abaixo, e neste que o dia ainda é uma criança.

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    3. Já vai em 60 e tal. Tudo gente que a estima.

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    4. Havia de, ao menos, descontar os meus comentários.
      (já nem digo para descontar os das pessoas normais...)

      Só lhe sai diarreia, não é? Que tristeza,,,

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    5. O que são pessoas normais?

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  3. As Directoras de Escola são seres do Demo, cruzes...estou solidária :)

    (pronto, pronto, as que eu conheço, vá, não haja amofinanços desnecessários...)

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    1. Tem directoras. Eu conheci umas fantásticas. Mas quando são retorcidas...

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  4. Os reles anónimos andam mesmo a dar cabo de si, não é? Eu diria que ainda não viu nada, mas isto é cá por coisas da minha vida, não se apoquente.

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    1. (fico para aqui a pensar se essa carraça terá algum objectivo na vida para além de me tentar moer o juízo...)

      Não se esfalfe muito, não? É que, em calhando, mostro-lhe que na minha casa mando eu e deixo de lhe aprovar a verborreia...

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    2. Tenho imensos objectivos na vida e um deles passa por massacrá-la o mais que conseguir. Mas sabe... é tão fácil que até chateia. Por muito que tente disfarçar, não consegue esconder o incómodo e a irritação. E, bem, tenho que confessar, isso diverte-me. Pode mesmo deixar de aprovar a verborreia, é um facto, mas a menos que feche o blog jamais conseguirá que eu deixe de comentar. Fechar a anónimos então é uma piada... faço um perfil em dois minutos, um especial mesmo só para si. Só não fiz ainda porque ainda não consegui escolher o nome.

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  5. São lagartixas a acharem-se jacarés. Dão pena. E raiva.

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