segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quando o gelo se parte

Recebes um telefonema, um dos teus que se foi, um ataque cardíaco fulminante, ficas ali um par de horas meio aparvalhada, queres chorar, precisas de chorar, não tens lágrimas, gaste-as com contratempos, coisas estúpidas que se resolvem, só agora te apercebes como eram estúpidas, agora.. enquanto recordas os jogos de polícias e ladrões, os trabalhos de grupo e as noites na Kapital. Ainda há uns dias falaste com ele, não tens idade para perder amigos, não aqueles que cresceram contigo, ninguém morre aos quarenta anos com um filha da puta de um ataque cardíaco. Ficam para trás dois filhos pequenos, uma mãe, não imagino o que é isso de uma mãe perder um filho, ficamos nós. Vais ao facebook, o mural já está cheio de mensagens, amigos comuns, não te habituas a isso de escrever para quem nunca mais poderá ler,  sais da página e recebes uma mensagem, era aquilo que te incomodava há dois dias a resolver.se. Finalmente choras as lágrimas que te lavam a alma. O carrossel não pára.