quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Como é que eu sei isto? É a vida, estúpidos!

Se o meu pai não me tivesse perguntado onde é que eu tinha errado quando chegava a casa com testes de noventa e nove por cento, talvez eu nunca tivesse tirado um cem por cento na vida, aquilo aborrecia-me, que aborrecia, nem adiantava dizer-lhe que tinha tirado a melhor nota da turma, limitava-se a perguntar-me se seria capaz de fazer melhor, eu sabia que sim, que era, afinal só me tinham descontado uma porra de um erro ortográfico, era questão de rever o teste antes de o entregar, foi assim que comecei a tirar cem, foi assim que saquei vários vintes, a matemática, e aprendi a escrever decentemente, e também foi assim que, no fim do curso, entrei para a empresa e lugar que queria.
Hoje, a minha mentoree deu-me uma real de uma banhada, já não me lembrava de alguém me ter dado uma banhada, provavelmente algum namorado teen, ou um projecto de namorado, não sei. Sei que depois de lhe ter ligado ela me respondeu um "esqueci-me, peço imensa desculpa mas esqueci-me", é que ao menos poderia ter tido a destreza de espírito de me dizer que tinha rebentado um pneu, que lhe tinham bloqueado o automóvel, que tinha partido um salto na porra da calçada, qualquer coisa, em que eu não acreditaria, mas que me fizesse ver que ela até tentava sair dos trabalhos em que se metia, mas não, ela disse "esqueci-me". E eu, fiquei para aqui a pensar que ela, no Verão, me vai pedir um estágio e eu não lho vou dar, e depois pensei que os pais dela não devem ter feito como o meu, às tantas davam-lhe os parabéns e um grande abraço, quando chegava a casa e dizia que tinha tirado setenta por cento nos testes.

57 comentários:

  1. Engraçado, comigo sempre foi o oposto. A minha mãe sempre foi muito relaxada, limitava-se a ver as notas e a dar os parabéns (ou não...). Sempre fui boa aluna, excepto a matemática, mas porque tinha essa vontade, esse gosto. Não foi certamente porque me incentivassem a isso.

    Mas gosto muito dessa postura do teu pai. Se quisermos ser os melhores, certamente seremos os melhores.

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    1. Não é tanto sermos os melhores, por vezes não conseguimos, basta haver alguém melhor. É sermos os melhores que formos capaz.

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    2. Sim, claro, nesse sentido. Fazermos sempre tudo o que conseguirmos.

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  2. Ó picante, talvez hoje eu esteja um coração de manteiga, mas não terá sido inexperiência da mentoree, que ainda acredita que dizer a verdade é sempre o mais correcto? Vai ver que até ao Verão ela ainda se vai redimir e merecer o tal estágio. Afinal, é a sua mentoree, alguma coisa há-de aprender.

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    1. Há-de aprender, sim. Não tenho qualquer dúvida de que não tornará a falhar uma entrevista. Nada como aprendermos às nossas custas.

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  3. Os meus pais nunca mostraram nada. Que é como quem diz: é a tua vida, se quiseres fazer por ela, melhor, caso contrário, aguenta-te à bronca.
    Felizmente, apesar de nunca ter sido aluna de 20, tive boas notas, mas, mais que isso, que realisticamente conta muito pouco para o sucesso nos dias que correm, fiz por mim e não me saí mal.
    Eu prefiro uma estagiária que me diga a verdade, do que uma que se ache chica-esperta o suficiente para achar que me consegue enganar.

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    1. A questão aqui não são as notas, as quais são irrelevantes. A questão é a postura na vida e a maneira como se encaram as responsabilidades. Um esqueci-me não é aceitável, até porque lhe bastava ter posto um reminder no Tm no dia anterior.

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  4. A minha mãe era igual. Não só ser a melhor que eu poderia ser mas ser a melhor da turma, da escola, do mundo. E também não acho que me tenha feito mal nenhum. E já que estou numa de achar, também acho que quem se esquece de pôr um lembrete no telemóvel, sobretudo no mercado-cão de trabalho em que vivemos, não estará muito interessado em passar o verão a trabalhar. Mas isso sou só eu.

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  5. Se fosse minha estagiária ou mentoree (se eu as tivesse, ah), ia valorizar o facto de me ter dito a verdade. Acho que vale mais que um 100%. É que um 100% arranja-se com trabalho, mas carácter, idoneidade ou honestidade, ou se tem ou já não se tem. Mas eu sou uma daquelas pessoas que odeia mentirinhas de merda, desculpinhas da treta, porque passo a vida a ouvi-las. E essas não desculpo.

    (lá em casa também tinham o sistema de perguntar porque não tinha tido 100, e apenas 99. o que aprendi com isso foi a frustração de saber que nunca chegava, para quem devia apreciar o esforço e empenho que sempre pus em tudo o que fazia. com isso aprendi que se calhar não vale a pena dar tudo por tudo, com risco de esgotamento. com isso aprendi que não vale a pena esperar pela validação dos outros, se para mim está bom, fica assim. um dia aprendi que o óptimo é inimigo do bom, e que há coisas mais importantes que um 100%. é pena é que o tenha aprendido sozinha. ah, e também entrei para a "empresa" que queria, e para o "cargo" que queria, onde dou o meu melhor, mas nunca por nunca dou mais do que devo, porque eu sou mais importante que a porra de um emprego)

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    1. É uma maneira de falar Izzie, nunca gerou em mim qualquer frustração o incentivo a "faz o melhor que fores capaz".
      Eu sei, sempre soube, que o meu pai ficaria genuinamente satisfeito com um 80% caso isso fosse o meu melhor. Acontece que não era.

      E concordo consigo. O trabalho não é tudo na vida, não em todas as fases da vida, mas pôr o melhor de nós em tudo o que fazemos, é um modo de vida. Isto até pode significar dar apenas 90% no trabalho para poder dar 95% em casa... Porque não somos super heróis e não conseguimos dar 100 em tudo. Trata-se apenas de não ser relaxado, o modo como cada um gere as suas opções já será única e exclusivamente opção individual.

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    2. A Izzie está correcta, como sempre aliás. Eu tinha uma colega que, para tentar agradar aos pais, a quém nunca chegavam os tais 99%, chegou a desmaiar de exaustão no meio de um exame, porque a ansiedade era tanta que não comia nem dormia em épocas de exames. E para que? A sensação que dava era que para aqueles pais nunca chegava o que ela conseguia.

      Quanto ao esquecimento, confesso que é coisa que me irrita solenemente, mas pelo menos não tentou fazer a +Picante de burra ao mentir, que é coisa para ainda me deixar mais furiosa. Eu dava-lhe uma segunda hipótese só pela honestidade.

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    3. A Izzie está correcta, como sempre aliás. Eu tinha uma colega que, para tentar agradar aos pais, a quém nunca chegavam os tais 99%, chegou a desmaiar de exaustão no meio de um exame, porque a ansiedade era tanta que não comia nem dormia em épocas de exames. E para que? A sensação que dava era que para aqueles pais nunca chegava o que ela conseguia.

      Quanto ao esquecimento, confesso que é coisa que me irrita solenemente, mas pelo menos não tentou fazer a +Picante de burra ao mentir, que é coisa para ainda me deixar mais furiosa. Eu dava-lhe uma segunda hipótese só pela honestidade.

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    4. Izzie... admiração grande, grande.

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    5. Como sempre, vinha aqui dizer o que disse a Izzie, mas como já foi dito, basta-me assinar por baixo. É que a honestidade é uma coisa bonita, e a capacidade de assumir a culpa por um erro poderá ser de grande valia profissionalmente.

      Quanto aos 100%s e 20s, foi coisa que nunca atingi, porque nunca fui fuçona e nunca achei que o meu conhecimento se medisse estritamente nos testes. Acabei o liceu com média de 17, a única diferença se tivesse acabado com 19 é que teria sido muito mais infeliz no processo. Graçasadeus os meus pais nunca me perguntavam isso do onde falhaste - a minha mãe tinha crescido com um pai assim e não me quis fazer o mesmo. Talvez tenham errado: afinal saí uma pessoa não competitiva nem muito ambiciosa, "qualidades" que tanto se valorizam nos tempos que correm.

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    6. Caramba, às tantas as palavras que usei não foram as mais felizes, a culpa é sempre de quem escreve. Estou a falar de uma postura na vida, de pôr o melhor de nós no que fazemos, seja estudar ou lavar pratos. De ser perfeccionista e dar atenção aos detalhes, é isso que faz a diferença. O grau de exigência terá de ser adequado às capacidades individuais de cada um, ou então gera frustração.
      Óbvio que a honestidade é de valor. Mas ele há erros tão estúpidos e tão reveladores de "estou-me nas tintas, sou relaxado" que são indesculpáveis.
      A única certeza com que fiquei é que está ali uma pessoa que não valoriza o mentoring, apesar de dizer que sim, que quer e que acontece. Como tal não merece o meu tempo, prefiro dá-lo ao outro que tenho, que esse sim, aparece 10min antes da hora e com dúvidas relevantes. É o processo de selecção.

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    7. Ser perfeccionista é uma perda de tempo, porque a perfeição é um conceito inatingível, por definição, e mesmo que lá chegássemos não a reconhecieríamos como real. A alegoria da caverna explica.
      Também acabei o secundário com média de 17, recusei fazer testes de melhoria para subir notas, o que causou perplexidade e desgosto aos meus professores. Expliquei na altura que não valia a pena o esforço, e mantenho essa posição, porque em termos de custo benefício, foi o meu cálculo. Nessa idade já cagava para as opiniões dos outros e a minha mãe já tinha desistido de perguntar onde estavam os valores que faltavam. Mea culpa, portanto, por não ser uma pessoa ambiciosa e competitiva. Aliás, atingi na vida mais do que alguma vez pensei: consigo ter o suficiente para pagar as contas todas e laurear a pevide sem ter de andar sempre a ver o saldo. A cada um a sua definição de sucesso, chacun a son goût. A única obrigação que temos para connosco é a de não desistirmos de ser felizes.

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    8. Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou competitiva. E que não gosto de desleixo. É assim que sou feliz. Adoro superar-me, faço isso desde pequena e adoro a sensação de conseguir o que achava impossível de conseguir, adoro testar limites.
      E, em podendo escolher, prefiro trabalhar com quem dá 100 do que com quem dá 80. E acontece que posso.

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    9. Picante olha que eu sou, por norma, extremamente competitiva (por mim, para atingir o melhor), sou perfeccionista ao extremo e isso levou-me a, por exemplo, esta semana estar de tal forma doente, de cama, em baixo e mal que me esqueci duma consulta do meu filho, Posso dizer que tal coisa nunca me aconteceu, que jamais pensei que me acontecesse mas posso também dizer que os meus valores não me permitem mentir e quando a dita me telefonou eu lhe disse que me tinha esquecido (que é a verdade) por muito que me tenha sentido mal e por me repreender por tal irresponsabilidade a verdade é a verdade.

      De resto sublinho o que foi dito pela Izzie.

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    10. Anónima das 20.01, é tudo uma questão de bom sendo. Às crianças hiper competitivas tem de se lhes retirar o peso da obrigação de serem os melhores. Aos outros, terá de se incentivar a serem melhores.
      Ninguém consegue ser o melhor em tudo. Mas se formos o melhor que somos capazes, isso só pode trazer satisfação e realização. Ainda que esse melhor não passe dos 80%....

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  6. A sério que preferias que ela te tivesse tentado enganar com uma desculpa esfarrapada qualquer? Não teria sido muito mais ofensivo?
    Aceito e concordo que esquecer-se de um compromisso de trabalho denota uma irresponsabilidade inaceitável, mas ter a coragem de, sem rodeios, admitir o erro, não deve ser mais penalizador do que tentar sacudir a água do capote, atribuindo os males do mundo a acontecimentos imprevisíveis...
    Se eu me tivesse esquecido de um compromisso, seria incapaz de tentar arranjar uma desculpa. A vergonha e sentido de autocrítica produziriam em mim um efeito suficientemente devastador para não repetir o erro no futuro. Parece-me justo que me dessem uma segunda oportunidade.
    Resta saber se a tua “pupila” se justificou em modo “encolher de ombros” ou, se pelo contrário, se autocomiserou até à medula. Se te quiseres debruçar sobre o assunto para chegar a uma conclusão e concluíres que foi o segundo caso, não merecerá a rapariga uma segunda oportunidade?!!!
    Eu sei, eu sou uma tonta de coração mole, fazer o quê?!!

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    1. Exactamente o que eu ia dizer, mas melhor escrito. Por isso nem vale a pena acrescentar mais nada!

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    2. Não é bem isso que está em questão. Preferia que ela me tivesse dito, o que posso fazer para remediar isto? E não um desculpe lá isso, sim? Vim agora de férias.

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    3. Pois, mas nesse caso já soa a "encolher de ombros" e nesse caso estou contigo, nada de segundas oportunidades a quem não faz por merece-las. Às vezes o problema não é errarmos mas sim a forma como reagimos ao erro e de que modo ele nos ensina alguma coisa... ou não!

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  7. E assim se premeia a desonestidade. Eu prefiro sempre que me digam a verdade, talvez porque realmente também me esqueço de muitas coisas.

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    1. Concordo em absoluto. Desta vez, a posição da Picante não se enquadra nem numa linha no que exijo aos meus alunos.

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    2. Assim se castiga o "laxismo". É diferente.

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  8. Cada um dá para o que dá. Também me deixava furiosa quando chegava a casa com um 99% e levava com um "ah que bom, porque é que não foi 100??" (ou mesmo uma vez que ouvi um sermão porque só tirei 18 a matemática) e o meu irmão chegava com uma positiva e era uma festa. Na altura deixava-me frustrada, mas depois apercebi-me que as celebrações de facto devem ser adequadas à capacidade das pessoas, e toda a gente tem direito às suas vitórias, ainda que não se enquadrem nos nossos padrões (com isto não quero dizer que não se deva exigir mais, apenas ter noção das limitações)
    SB

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  9. É maneira de falar. Eu não sou pela desonestidade...não gostei da leveza da desculpa, como se fosse normal... É mais isso.

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  10. nem sei como sou sua fã (ou fan).. eu tive sempre a nota máxima dos 3 e passava SEMPRE com as 2 negas permitidas... mas conheço mais miúdas da minha laia!

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    1. Ah ah ah ah ah
      (Ele há miúdas dessa laia que eu adoro...)

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  11. Pipocante Azevedo Delirante6 de fevereiro de 2014 às 12:13

    O importante é suar a camisola (entremos com as metáfora desportivas) e dar o melhor. O resultado, embora não seja irrelevante, é o menos importante. É sempre jogar para ganhar, qualquer que seja o adversário. Desleixo é que não, mesmo que no fim se obtenha uma vitória. E no fim, aprender com os erros, e tentar melhorar.

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  12. Já percebi pelos comentários que não querias dizer exactamente aquilo que disseste até porque já te conheço o suficiente para isso (sim venham de lá esses calhaus a dizer que estou a defender a madrinha e mais não sei quê). Os meus pais nunca se meteram nas minhas notas porque viam que eu dava o máximo que conseguia. É de mim já... Não me meto eu nada para o qual não dê o meu melhor (tanto no trabalho como na minha vida pessoal... não significa que seja a melhor, significa somente que dou o meu melhor). Sai-me do corpo é certo, mas como faço aquilo que gosto é um prazer para mim e nunca, nunca, passei por cima de ninguém. Antes pelo contrário, fiz amigos por todos os lados em que passei e reconheço que tenho muita gente boa que me facilita a vida em tudo o que pode (sim, mesmo neste mundo cão, há gente boa que não olha a meios para recompensar quem lhes parece que merece). E sim, não sendo fuçona, acabei o secundário com média 19... c'est la vie... Não que seja o supra sumo da essência do sublime, mas sempre tive a sorte de ter um ambiente saudável em casa e bons professores e pouco com me preocupar... Por isso, ok... tive sorte e percebia as coisas com facilidade...

    Agora, isto vai muito de cada um... O Jr, com três anos e meio, quando faz um disparate e nós o pomos de castigo fica dias, dias, a falar no assunto e a pedir desculpa, que não devia ter feito... Ou seja, ele exige-se uma "perfeição" que nós não alimentamos, muito pelo contrário... A educadora diz o mesmo, que ele lida muito mal com as frustrações. E nós fazemos o quê? Educamo-lo... Educamo-lo sempre no sentido de que os fins não justificam os meios e que não há mal nenhum se ele não conseguir, logo que se empenhe...

    É mesmo o que o Picante Delirante (nice nick, by the way) disse: "O importante é suar a camisola".

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    1. Os meus pais também nunca se meteram nas minhas, NM. E eu não era boa em tudo, acho que nunca consegui tirar mais de 15 a filosofia, por exemplo. Acontece que era um 15 suado, eu detestava aquilo, não me fazia sentido e tive de dar o litro para chegar ao 15. Seria perfeitamente incapaz de tirar 18. Acontece que também era capaz de tirar 20 a matemática e 19 a química, ou de fazer um triplo flic na ginástica. E tudo deu trabalho. A questão é somente esta, na vida as coisas não nos aparecem de bandeja, são suadas, e quanto mais suadas mais gratificantes.
      (Adoro a minha afilhada d'oiro)

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  13. Percebo. Se ela inventasse uma desculpa qualquer sempre revelava ter criatividade ou um espírito inventivo. Assim só revela realismo. Nunca gostei muito de realistas... que gente sem graça!

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    1. Não revela realismo absolutamente nenhum. Realismo seria lutar pelo que é importante para ela. Se eu a conheço, ela é uma pessoa absolutamente capaz de pôr um lembrete no Tm. Revelou irresponsabilidade, isso sim.

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  14. Cá para mim a Picante criou um post muito comentado(muito interessante e vivo) por ter misturado no mesmo duas coisas diferentes: uma ,as suas belíssimas notas( e vê-se que o elenco dos seus comentadores também as teve, já agora eu também ) e a outra ,a atitude da rapariga. E , embora dispensando os auto-encómios da primeira parte, eu acho inadmissivel um esquecimento. Logo estou 100% do lado da Picante, e não acho que seja uma mentira arranjar uma desculpazinha. O que acho é uma arrogância ou uma estupidez (aí já não sei) a atitude de dizer esqueci-me.

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  15. Este post soa um pouquinho a auto-elogio camuflado...

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    1. Exactamente. Estava a ver que ninguém descobria a minha verdadeira intenção.

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  16. 'o que aprendi com isso foi a frustração de saber que nunca chegava, para quem devia apreciar o esforço e empenho que sempre pus em tudo o que fazia'

    Acrescento ao comentário da Izzie que a pessoa para a qual nunca nada chegava era eu mesma. Eu, que acabei o secundário com médica de 19, que entrei na faculdade de Medicina que queria e que escolhi a especialidade à vontade e que mesmo assim sentia (e sinto) que nada é suficiente.

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    1. Peço desculpa mas aí, o problema já será seu. Não há nenhum mal em uma pessoa ficar satisfeita com a auto-superação. O desporto ensina-nos isso mesmo. Só não podemos é ter uma relação doentia com a coisa e viver numa eterna insatisfação.

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    2. Obrigada, em nome de todos os que encontramos na vida uma médica assim. Ou investigadora, ou professora do ramo, seja o que for.As maiores felicidades.

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    3. Mas foi exactamente isso que eu disse, que o problema é meu. O problema de uma pessoa estar sempre à procura da auto-superação à espera de se sentir satisfeita é que essa satisfação pode nunca chegar. É que pode passar a vida a tirar 99% e depois quando tirar finalmente o 100% achar que, afinal, não era bem aquilo de que precisava e de que andava à procura... E que alguém lhe devia ter explicado isso. Se for verdade que o seu pai se focou tanto nesse tal 1%, espero que a Picante com os seus filhos se foque mais nos 99%.

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    4. Nunca tive uma relação de frustração provocada por pressão parental, ou me senti pressionada a fazer o que era incapaz de fazer. Acho que isso responde à sua pergunta. É tudo uma questão de bom senso.

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  17. Lamento que tenha tido uma infância e juventude tão tristes.
    Relaxe e aproveita a vida, quando morrermos vamos todos na horizontal, quer os de 0% quer os de 100%.

    ps: já agora, acho tão pouco saudável ter 0 como ter 100

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    1. Pedro, está redondamente enganado. Eu fui super feliz na infância e fiz todos os disparates que tinha de fazer na juventude, aliás até fiz disparates a mais. E não conseguia tirar 100 a tudo. Nem de perto nem de longe. Mas havia coisas em que era muito boa. É questão de aperfeiçoarmos o que de melhor há em nós. Eu cheguei a fazer desporto de competição, tem tudo a ver com tentarmos fazer melhor e ficarmos genuinamente satisfeitos quando damos o melhor que temos, quer esse melhor seja 100, quer seja 50.
      (e sim, detesto perder, mas também não conheço uma alminha que jogue para perder)

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  18. Vossa excelência superlativamente picante poderia muito bem falar do episódio em causa sem fazer alusão às suas notas. Mas, uma vez que escolheu fazê-lo, deveria ter estabelecido uma relação mais evidente entre as duas temáticas. Não o fez, e isso fê-la parecer simplesmente narcisísta até ao tutano.
    De apontar, também esse título. Não acredito que esteja a chamar estúpidos aos seus leitores mas, sendo essa uma frase directa, é isso que parece a quem directamente a lê.
    Tudo devaneios da minha parte, claro está. Mas, uma coisa é certa, neste texto não deu o melhor de si, pois não tirava nenhum 99, quanto mais um 100.

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    1. Ora Anónima, se não tivesse falado nas minhas notas, não teria tido este afago ao ego. Estava tão precisada...
      (e já reparou que dei a oportunidade de as pessoas virem aqui dizer que sim, que também eram excelentes alunas? Parecendo que não isso era o verdadeiro objectivo da coisa)

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    2. Por acaso - e creio que posso aqui incluir a Izzie - só falei nas minhas notas a título ilustrativo to make the point, todo aquele discurso pareceria uma desculpa se coitadita nunca tivesse sido bem sucedida na escola e tivesse média de 10. Sempre fui boa aluna, nunca tive a pressão de ser a melhor.

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    3. Luna, eu gosto de provocar e percebi perfeitamente o ponto.

      E já agora eu também não, mas sempre fui encorajada a fazer o melhor que fosse capaz, sem qualquer comparação exterior. Por vezes o meu melhor não passava do meio da escala, mas não deixou de ser o meu melhor e não deixou de ser suado. A pressão, até sou eu que sempre a pus, pura e simplesmente detesto pensar que fiz uma coisa mais ou menos quando, com um bocadinho mais de esforço, a poderia ter feito bem. E isto nem sempre é bom, já me tem acontecido fazer esforços demasiados para obter melhorias pequenas, às vezes é uma perca de tempo, admito. Mas eu gosto de desafiar os meus próprios limites, dá-me um gozo enorme perceber que fui capaz. Cada um é como é, todos pagamos um preço por ser de uma determinada maneira e não de outra.

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  19. Sempre fui boa a todas as disciplinas sem nunca ter sido portentosa a nenhuma. Se durante todo o meu percurso estudantil consegui um 10 vintes( antigos 100%) foi muito. Nunca me exigiram mais, porque sempre deram valor ao meu empenho. Aí sim, dei 200%. O que nunca me admitiram foi a desonestidade, que por vezes começa de maneira tão simples como dizer que se chegou tarde porque se ficou de castigo devido a uma impertinência duma colega, quando na verdade se tinha vindo a pé para casa e na galhofa, para se poder empanturrar de chocolate com o dinheiro dos transportes. :):)

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    1. Maria, acho muito bem que não se atuam desonestidades, eu também não admito.

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  20. Sim, pipoquinha, nós sabemos. Quando nos expomos desta forma, falta-nos algo mais essencial. Mas claro, não vou fazer aqui o desenho...

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    1. Oh... Isso é que me deixa verdadeiramente inquieta. Talvez infeliz, até...

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    2. P'losdeuses, a serio, pessoas? Mesmo? Picante! Que lhe falta? Esta tudo tão preocupado que em calhando fazemos baby shower e arranja-se o essencial :)

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