sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Vislumbre de um Natal Picanteano

Poderia postar por aqui umas fotografias das prendinhas recebidas, nada da Zara, tudo em bom, claro está, mas isso faria de mim fashionista, poderia tirar fotografias às fatiotas das crianças, mas o Picante não é um baby blog, poderia dizer que comi como se não houvesse amanhã, mas eu nunca como assim, quando chega a altura de sentar à mesa já estou farta de comida, poderia dizer que ainda bem que acabou o Natal, mas seria mentira, eu adoro o Natal e, de coração vos digo, que tenho pena que passe tão rápido.
O Natal é uma mesa posta a preceito, faqueiro de prata a brilhar, copos de cristal que tilintam, o serviço da avó, travessas em christofle, há bacalhau com natas porque poucos gostam dele cozido, os doces são feitos em casa pelas filhas, tias e primas, a mesa das crianças na cozinha velha, que já não há lugares na da sala, os gritos dos mais novos ao desembrulhar dos presentes, uma imensa árvore a cheirar a floresta, cuja estrela chega ao tecto, o comer da última rabanada, enquanto se vestem as raposas e visons (sim, eu sei..) e se sai à pressa para ainda apanhar lugares sentados na missa do Galo, a ceia e as gargalhadas até de madrugada, para recomeçar tudo de novo no dia seguinte. Para mim o Natal é ter a família toda junta, à volta da mesa, enquanto os mais novos correm à nossa volta, até nos porem doidos, é ter o Bing Crosby a tocar em vinil, é a única altura do ano em que estamos todos juntos, não falta ninguém, especialmente quem já não está por cá.

28 comentários:

  1. uau, uma familia parecida à minha. nunca percebi a história do bacalhau cozida e das coves a cheirarem mal quando há bacalhaus para todos os gostos e feitios. e eu que até gosto dele cozido.

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    1. Eu gosto muito de coves. Não percebo qual é o mal das coves.

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    2. Ah ah ah ah

      Ó Picante, olha o que conseguiste: uma família parecida com a das Gracinhas!

      (Ou "parecida à das Gracinhas", para usar o linguajar delas...)

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    3. O mal é só faltar-lhe um u , u que torna logo o vegetal indigesto.
      Nada grave, mas um pouco de mais cuidado não será mau, e o mesmo com o próprio bacalhau , que não deve ser cozida, mas cozido.Ou é a história que é cozida?
      Que futilidades....
      Boas festas

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    4. Se o bacalhau fosse cosido é que era coisa para estar em cuidado. Agora assim....

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    5. Não me enganei, quis escrever cosido, mesmo, era uma graça. Caramba, tem que se explicar tudo?

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    6. E é que tem mesmo que se explicar tudo !! Sendo eu o Anónimo das 19.08, venho esclarecer que não fui eu a fazer a correção ao cozido/cosido por ter percebido que era graça !!!!
      Ao dispor.

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  2. Por aqui também se aperfeiçoou a receita do bacalhau. Com pequenas nuances tornamo-la mais apetecível sem deixar de ser tradicional. E, por cá, aqueles que já por cá não andam, marcam sempre presença. Somos, assim, uns saudosistas.

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  3. Em calhando enganei-me no blog e afinal são 9 horas...só falta a neve..

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  4. A descrição de tanta perfeição até enjoa. Porque é só isso mesmo, claro: uma mera descrição.
    Tão falsa e mentirosa como as Rosinhas que tanto critica.

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    1. A mim não enjoou, mas desiludiu. Uma sucessão de clichés bem esgotados, a brilhar, a tilintar, a cheirar a floresta, a arranhar o vinil, e felizmente que raposas e visons gostam de apanhar as gotinhas de chuva entre a descida do carro e a porta da igreja.

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    2. Por acaso não lamento informar que é verdadeira. É aguardar pelo post seguinte, sai amanhã, esclareço as nuances.

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    3. Porquê anónimo? conte lá o seu perfeito (Natal).

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    4. Sim, Anónimo das 15:31 é que não é só na imaginação que é pobre: literariamente também o é. Uma sucessão de clichés, nada mais. Até a Rebelo Pinto teria conseguido melhor.

      Tens que te esforçar mais, ó Picante, se queres ser o Salgado de saias da blogosfera.

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    5. Está a falar com que Anónimo, Gracinha? É que o Anónimo das 14:13 sou eu e, se é a mim que questiona, gostava de responder-lhe. Mas se a conversa não é comigo, não me meto.

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    6. Sou Anónimo das 15:31 e esclareço : não sou nada anti-picante, pelo contrario.Acho-lhe inteligência e graça, gosto muito de vir aqui. Daí que este post me tenha desiludido. A descrição da mesa e envolventes é realmente muito banal, e literariamente sem ponto de cintilação.Talvez eu pense (erradamente) que quando a mesa está tão perfeita e cintilante, e os visons já a postos para encontrar o Menino Jesus, se deva desvalorizar isso mesmo.Eu não duvido da narrativa, mas que é um cliché, isso é.E como não esperava, pronunciei-me. Não estou arrependida...mas sou própicante.

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    7. Peço desculpa de desiludir mas o meu Natal é assim mesmo, banal. Todavia este post tem nó, já deveríeis imaginar isso.

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  5. Onde é que eu já li algo muito parecido ??? Deve ser apanágio da Blogosfera em geral, salve alguns pé - rapados, eu em particular, que passaram razoavelmente sem pratas nem porcelanas XPTO, que se esfalfaram na cozinha (abro parêntesis para dizer que me enchi bem mesmo depois de já estar cheia e tudo), e acabo com o statement que o Natal é giro, luzinhas, pinheirinhos, prendinhas e assim, mas é uma seca brutal para quem fica com a casa de pantanas e tudo para arrumar, e sim, refiro-me ao meu marido.

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  6. Pois, cá em casa, em família e com a lareira de chão de cozinha bem perto, a fazer-nos tresandar a fumo meia hora depois de termos tomado banho, houve um Pai Natal extraordinariamente simpático, com roupa gasta de tanto ser usada, muitas gargalhadas, birras, gata pelos ares, cadela chique da cunhada irreconhecível, de tão oleosa.
    Não houve loiça de porcelana nem copos de cristal, porque dava trabalho ir buscá-los à sala de cima (a minha mãe, como boa aldeã que é tem que ter cozinha e salão de inverno-uma piroseira!), mas houve muita alegria, cumplicidade e mimos.
    Houve família.

    Cara Picante, se não voltar aqui nos próximos dias, fica um beijo e votos para que 2014 seja tudo o que sonhar...com ou sem visons e pratos de porcelana.:)
    (tinha que ficar o sorriso)

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    1. Muito obrigada! Um excelente 2014 também para si.

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  7. Então mas não vêem que é a brincar, senhores...?...

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  8. Parece-me que é um Natal maravilhoso, cheio de família e amor. Por aqui, a tradição da Missa do Galo caiu em desuso, à medida que a avó foi ficando velhota e já não quer rapar frio na noite de Natal.

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  9. Sim, a familia reunida, com amizade e verdadeiro amor, sem intrigas e invejas. Crianças que dão ao Natal um brilho especial, em especial porque são o vislumbre do futuro, da continuidade daquilo que temos estado a construir. Essas são as coisas que me indicam que tem um Natal Feliz.

    O resto...as pratas, os cristais, as porcelanas centenárias, os visons e os presente caros... nah... nada disso importa. Nada de nada. Há quem tenha tudo isso com fartura e não tenha o principal.

    Um Feliz Ano para si e que 2014 lhe traga, em especial, a sabedoria daqueles que sabem o que é ser feliz.

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    1. E tenho mesmo, adoro o Natal. Tem toda a razão, são as coisas simples da vida as geradoras de maior prazer. Mas isto são blogs.
      Feliz ano novo!

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