quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Há uma linha

... que separa as pessoas que em situações de adversidade se enrolam sobre si, em posição fetal, choram e assim se deixam ficar, pensando que a culpa é da sociedade, que tiveram azar na vida, que não lhes deram o devido valor, que o mundo é mesmo injusto, das outras. As pessoas que, em enrolando-se em posição fetal e chorando tudo o que têm a chorar até que se lhes esgotem as lágrimas, se levantam, e tentam recomeçar a andar, inicialmente qual criança a aprender os primeiros passos, depois mais seguras, até recomeçar tudo de novo, reinventando-se caso seja necessário.
Eu, que nunca aposto e que não sei nada disto da vida, estaria capaz de apostar que os pais das primeiras pessoas sempre as desculparam em crianças, que a professora não prestava, que os amigos a desviavam, que não lhe davam uma segunda oportunidade, que tinha sido um mero percalço.

26 comentários:

  1. Eu não aposto, tenho a certeza. E porque o maior cego é o que não quer ver, por vezes são nacessárias fatalidades irreversíveis para se acordar para a vida, olhar na cara dos que amamos e dizer basta!

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  2. E a querida em que classe é que se insere? Era muito bom que nos quisesse dizer. Era só isto.
    Passe bem.

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    1. E a querida? Fez a 2ª classe?
      Era só isto.

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    2. o que é que está mal, senhora professora. Não se incomoda de dizer-me?
      Era só isto.
      Passe bem.

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  3. Eu estou cá para ver quando for mãe se vem com esta filosofia de vida. Aposto que vai ser muito diferente, olá se vai.

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    1. Não aposte, olhe que pode muito bem ser que se engane, caramba poderá muito bem ser que até já se encontre equivocada.

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  4. Já eu tive uma mãe que sempre me quis forte e me incentivou a ser como os meus irmãos. Mesmo que eu tenha estado muito doente, em bebé. ;)

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    1. O que é que a sua doença tem a ver com o caso? :S

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    2. Quer dizer que podia haver a tendência a protegê-la mais em comparação com os irmãos.

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  5. Por vezes, também há aqueles pais que por muito mal que vêem os filhos têm ainda que os ir espezinhar um pouco mais. Claro que, alguns como no caso da minha, prefiro chamar-lhe progenitora do que mãe. Mas há uma coisa que ela me deu: motivação. Sempre que ela me diz que eu não sou capaz de algo, cresce em mim uma vontade enorme de lhe provar o quão errada está. Preciso do apoio de algumas pessoas tal como do meu pai, da minha avó, ... mas da minha mãe basta que ela me diga um "não consegues" para suscitar em mim uma vontade quase pueril e adolescente de lhe provar o quão errada ela está acerca da pessoa que eu sou.

    Agora já sendo mãe, prefiro optar por medidas menos drásticas para motivar o meu filho a fazer-se à vida :)

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    1. Isso será ir para o extremo oposto, que pode ser tão castrador como a super-protecção. Ainda bem que consigo não o foi. Obrigada pela partilha.

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  6. Eu uma vez (uma!) tive satisfaz num teste do 6º ano (11, 12 anos). O meu pai, encarregado de educação, ao assinar colocou à frente: "Não satisfaz coisa alguma". Morri de vergonha, até porque o meu pai foi sempre o meu maior admirador. Foi o maior castigo que recebi, daquele homem que tantos beijinhos me deu e nunca me levantou a mão.
    Acabei a escola com média de 19, entrei num dos cursos e numa das faculdades com média mais alta do país, fui premiada 4 vezes por mérito pelo ministério da educação, pela minha faculdade e por uma fundação de ciência. Nunca recebi prémios por parte dos meus pais que não o orgulho deles. E esse é o maior prémio que posso ter.

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    1. Esse comentário fez-me lembrar o meu próprio pai, cada vez que eu tinha um 99%, e tive muitos, ele dizia-me a sorrir que ainda faltava 1% para chegar à excelência, que ainda tinha por onde crescer. É bem verdade que não há nada mais compensador que o orgulho dos nossos pais, sem prémios acessórios.

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    2. A minha experiência é a mesma...

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  7. Mas como é que @ anónim@ sabe se a Picante tem ou não tem filhos? É giro perceber o perfil que as pessoas fazem sem terem ideia de nada.

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    1. Ela já disse uma vez aqui que não tem.

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  8. Eu diria que há uma linha que separa as pessoas que têm capacidade de auto-superação, de reacção, em suma, que têm graça sob pressão, das outras. É tão simples como ter ou não carácter, coisa que sim, se educa numa criança. Os meus filhos ainda são pequenos, mas posso dizer que tento incutir-lhes isso ao máximo, seja pelo meu exemplo, seja por não aceitar expressões como 'não consigo', seja por incentivar fortemente a prática de modalidades desportivas (mesmo sabendo que fico toda roída por dentro a pensar que, a cada embate, lá se pode ir um nariz que nasceu perfeito, ou se podem partir dedos que tão bem tocam um determinado instrumento).

    Joana

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    1. Joana, eu sou pela competição. Não há nada melhor para estimular um indivíduo que o desporto de competição.

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  9. é isso mesmo. Por isso quando o meu filho vinha para casa a chorar-se que na escola o obrigavam a comer alface e ele vomitava, nunca fui lá dizer-lhes para deixarem o meu menino em paz. Só lhe dizia que tinha que obedecer e para comer um bocadinho de cada vez que de certeza não lhe ia fazer um buraco na barriga. E o rapaz não morreu e ninguém o obrigou a comer até vomitar. Há o meio termo que os pais tem de saber avaliar. Já diz o ditado: nem tanto à terra nem tanto ao mar.

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    1. Parte do problema é que os pais acreditam cegamente nos filhos, sem se aperceberem que as crianças são capazes de manipulação, ainda que sem se aperceberem e que têm uma imaginação fértil. Depois temos os pais a pedir explicações aos professores, como se estes tivessem como único objectivo de vida perseguir os seus infantes...

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    2. Eu acho que há casos e casos. Também não se deve dizer aos filhos para deixarem passar tudo e que tudo é normal. Uma das coisas que, pessoalmente também acho importante é que se saibam defender sozinhos de pessoas maliciosas. E que as há, há. Em quase todos os locais que frequentamos.

      Por exemplo, na escola do meu filho eu soube que houve um menino que foi obrigado a comer o que vomitou. A senhora foi acusada não pelas crianças mas pelas colegas que não a protegeram. Uma amiga minha trabalhava na cantina duma pré e viu o mesmo espectáculo acontecer, nessa escola ninguém acusa essa senhora e quem o faz - como a minha amiga - é despedida. No trabalho de outra amiga minha tem uma senhora que é licenciada na área que lhe permite supostamente ser educadora de infância - o problema é que os métodos de ensino dela passam unicamente por berros e rebaixar as crianças verbalmente. Nestes 2 últimos casos ninguém faz nada porque as senhoras têm as costas quentes (cunhas de "topo").

      Eu sou mãe e como tal faço o meu filho assumir as responsabilidades dele mas também o tento ensinar a defender-se. E uma das formas de se defender é sim acusar e expor este tipo de pessoas. Felizmente com ele nunca aconteceu nenhum adulto meter-se mas com colegas dele sim. E fico muito contente por ver a ética e bom caracter dos membros que gerem a escola dele. Nem sempre isso acontece.

      ps: quem nunca teve um professor que simplesmente "empecilhava" com um aluno porque sim? Eu tive vários, não comigo mas que simplesmente não iam com a cara de um determinado aluno ou de vários e lhe faziam a vida negra. A situação pior foi quando um professor deu uma valente estalada num colega meu. Porquê? Boa pergunta. Provavelmente o dia estava a correr-lhe mal porque ninguém, numa turma com 26 alunos, percebeu o porquê daquilo. E o embirrar daquele professor já era coisa de inicio. Acho que todos percebiamos o porquê - o senhor tinha sido colega de escola dos pais dele e nunca se tinham dado. Mas isso é motivo para agredir um aluno? Para o maltratar? Pelo que soube essa pessoa foi processada pelo que fez. Deve ter morrido pelo caminho como a maioria dos processos contra os professores mas, pelo menos naquele caso, eu e todos os outros estávamos lá como testemunhas - o meu colega não fez nada, não estava a falar, não estava distraído, não lhe faltou ao respeito....

      Por isto é que não concordo totalmente com que dizem. Porque se acho mal tudo ser atribuído aos professores, como se tivessem toda a culpa, todos os deveres e responsabilidades também acho mal demitirem-se das mesmas na totalidade. Pois não têm toda mas têm alguma e nem todos são os queridos que querem parecer.

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    3. Anónima, o que está a descrever não é de todo a generalidade dos casos. Está a falar de verdadeiras bestas, não encontro um termo mais simpático para descrever uma funcionária que obriga uma criança a comer o seu próprio vomitado, bestas essas que deveriam estar a cavar batatas em vez de lidar com crianças.
      Pela minha saudinha que funcionária que obrigasse um filho meu a comer vomitado ficaria marcada para o resto da vida, haveria de se lembrar de mim cada vez que se visse ao espelho.

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