terça-feira, 6 de agosto de 2013

Uma aventura na Blogolândia

"Perante o meu desânimo, o Bemvindo desdobrou-se em inauditos esforços de persuasão construtiva jurando pelo Crucificado que não ficasse assim tão assarapantado porque se de facto até então não vira grandes motivos para euforias, também não era mentira nenhuma que ainda havia alguma réstia de esperança. Como de resto, mo ia provar. Confessei-lhe o meu cepticismo e confidenciei-lhe que a minha pouca fé na humanidade sofrera um rude golpe emocional, mas ele manteve-se intransigente nas suas convicções e disse-me que quem vivesse veria.

– Nem precisamos ir mais longe e temos aqui mesmo à mão de semear um exemplo do que lhe quero dizer, – disparou eufórico, o Josefino.
– Ora repare nesta casinha tão bem compostinha à nossa frente e diga lá se não é mesmo um regalo para os olhos.

– Bem, de facto! Se o interior corresponder ao exterior terei de mudar a estrutura do meu raciocínio e admitir que sim, que ainda resta alguma esperança na conversão humana. – Admiti eu perante a maravilha ali defronte plantada, por contraste a um circundante miserável.
Tecíamos nós estas congratuladoras considerações, eis senão quando a portinha da florida casinha se abre e, de vassoura em punho, a sua proprietária entrou a varrer perguntando-nos o que estávamos nós ali a fazer, vadios, a olharem pasmados para a casa dela e que se não tínhamos vida própria para nos ocuparmos então que fôssemos para a estiva e não andássemos por ali a meter o bedelho na vida dos outros. Que a casinha dela era pobre e humilde, mas arranjadinha e decente e ela não admitia abusos nem poucas vergonhas; que ela era uma mulher do Norte e não se ensaiava muito para correr dali connosco à pedrada. Na casinha dela só recebia quem viesse por bem e não gente maldosa nem intriguista sem vida própria que só estavam bem a meter-lhe a alma no Inferno. Já lhe chegava as que passara com uma demoníaca Serafina Saltadora de má-morte, que ali aparecera, vá-se lá saber de onde, e de outra famigerada alma penada da mesma estirpe da outra. Uma tal de Diabinha* que com ela se associara no fito de lhe atazanarem a vida, mas agora estava precavida e na casinha dela só entrava quem ela quisesse. Além disso nem sabia por que perdia tempo a dar explicações a vadios se a vida dela era tão ocupada que não lhe dava tempo para nada. Que por falar nisso tinha de pôr a lavar três máquinas e passar a ferro 47 cestas de roupa, limpar o vomitado das gatas e apanhar o cocó do Corsário; lavar os pratinhos do jantar, podar as plantas dos vasinhos e adubar e regar as do jardim. – Voltava às felídeas e acrescentava a urgente necessidade de cerzir as bainhas dos cortinados.

Parou, fez uma curta pausa para respirar, inalou profundamente, expirou e depois continuou.

Portanto se pensáramos que ela estava enganada sobre as nossas torpes intenções, que evacuássemos sem demora o equídeo da pluie que gente malévola topava ela à légua. Ou não se estava mesmo a ver que o nosso espionar se tratava de dar continuidade a uma maquinação muito bem estruturada contra ela?! “Seus estúpidos anormais!” “Andor que ainda tenho de ir amanhar o comer do meu homem que está mesmo por aí a chegar estafadinho de trabalho”. Que pensavam?! Se não fosse ela a mexer-se também ninguém o fazia por ela e só Deus e ela é que sabiam as que passava. Para mais estava mesmo a ver pelo nosso ar manhoso que éramos gente desapiedada e cruel para os animais, almas execráveis ao melhor estilo do Daniel Oliveira, senão pior, que como ele nos insurgíamos contra o nome de Mandela dado a um pobre cãozinho desvalido e proscrito pela sociedade cruel deste país, e não duvidava nada que fôssemos uns acérrimos apaniguadas por touradas, mas que nos lembrássemos que as vacas só tinham oito mil anos de domesticação e que até aí tinham vivido felizes sem as impertinências de gente maldosa como nós.

E agora que fôssemos à nossa vidinha espionar por outro lado que ela não tinha tempo a perder com gente desocupada porque ainda lhe restava, para completar os afazeres diários, 271 visitas a fazer das 1781 obrigatórias.

Bateu-nos a porta nas fuças e reentrou na linda e singela casinha, e acho que não ouviu, o meu e do Josefino, “Bom dia, Dona Estrelícia*”

(Fim)
Graciosidade  do estimado Corvo

36 comentários:

  1. Ahahahahahahahahahahahahah!
    Já me tinham dito que as mulheres do norte têm pêlo na venta mas só agora é que fiquei a saber o que era isso.
    Ahahahahahahahahahahahahah!

    e porquê Fim??? Buááááááá! Vou fazer birra e não me calo.
    Quero mais, quero mais, quero mais!!! ;)

    Sheila Carina.

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  2. Fim!... Fim???? como é que é? Até acredito que dê trabalho ao estimado Corvo, mas gostei tanto destes textos que quero mais. Nem que seja depois das férias. Ainda há muito para dizer acerca da blogolândia.

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  3. Agora é que me lembrei que o corvo podia dizer alguma coisa sobre a Comporta, ou não podia?
    Vá lá, Fala, fala, fala ;)

    Sheila Carina.

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  4. Bom demais! É que está lá tudo!!!!! A Sodona Estrelícia parece aqueles senhores que batem à porta aos domingos de manhã... com a diferença que ela consegue fazer muito mais visitas diariamente.

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  5. Eu também queria mais. Isto está muito bom!

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    1. Ah, pois queria; mas quem corre sérios riscos de ir parar ao Inferno com tanta praga rogada não é a menina, pois não?

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    2. Ah ah ah ah ah
      Isto é sátira pura, uma mera brincadeira, quem não percebe isso...

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  6. Então a pedido da simpática Sheila Carina, cá vai.


    Esta é uma história encantada
    A mais bela alguma vez já contada
    De uma Princesa prendada
    E duma vizinhança pobre e malvada.

    Quis a má sorte ou destino
    Que p´rali fosse a gentalha empolgada
    por um falacioso vento ao desatino
    e como um trapo, a Princesa fosse enxovalhada.

    Mas então, que vem a ser isto, ó pategos?
    Pensais que isto é tudo o da Joana?
    Não vos enxergais, não, labregos?
    Armados em ricos a viver à fartazana?

    Ahahah. Seria hilariante se não fosse comiserativo
    Então, isto agora é tudo igualdade e prafrentex?
    Seus pelintras, ou pensais que tudo vos é permitido
    Ou não sei, que comeis pelo tacho e bebeis por duralex?

    E vêm-me estes paupérrimos com desplante
    Virados do avesso não lhes cai do bolso uma nota
    Conspurcar o oxigénio da minha Augusta Majestade
    Como se à igualdade, já chegássemos na Comporta.

    Quereis que da história se ouçam os sonetos
    Dos vossos gloriosos feitos. Não é, ó páh?!
    Para orgulhosos, poderdes dizer aos vossos netos
    Na Comporta...AH! Eu também estive lá!






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    1. Obrigada!!!!!! Eu sou a que pedia par o final das férias, pelo menos, mas adorei!

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    2. Não foi nada, quem pediu para falar da Comporta fui eu, ou não fui?

      Bigada Corvo, muito obrigada. A.D.O.R.E.I ! e já tenho tudo copiadinho para a posteridade. ;)

      Sheila Carina

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    3. Sheila, só pedi textos do Corvo - qualquer texto mesmo em final de férias - claro que foi a menina que pediu acerca de tema tão específico. Agradeço por o Corvo me divertir.

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    4. O Corvo é top. Fico babada por tê-lo como comentador.

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    1. Ahahahahahah!! Eu era mais pela menina dos laços se não fosse pedir muito... :D [Mande-me Corvo... Mande-me dar banho ao Zico que eu sei que mereço!]

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    2. Zico? Mandela! Um novo cão. Agora só mata gatos e galinhas.

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    3. Eu ainda me lembrei disso Pipoca... Mas o respeitinho é muito bonito e eu jamais me atreveria a escrever tal coisa com tal nome...

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  8. Ahahahahahah. A visada até resolveu mostrar que tem muito sentido de humor, ou que só lê blogs de humor estranjeiros... enquanto respira para dentro de um saco de papel e pensa em todo o léxico de palavrões conhecidos e ainda por inventar.

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  9. Bemvindo não existe, sabe disso, não sabe?
    Antes de V é sempre N, logo, é Benvindo.

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    1. É isso, Benvindo.
      Nunca corrijo nada e passou-me. Por outro lado; se, hipoteticamente conjecturando, defraudei as suas melhores expectativas, tenho a informá-lo de que, lamentavelmente, não sirvo de exemplo para ninguém, e para ser mesmo sincero, nem para mim.

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    2. Não consigo entender esta obsessão pelo apontar do erro alheio, vá que este comentário até foi simpático. Tenho lido alguns de tal modo que até consigo imaginar o comentador a dar pulinhos de satisfação..

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    3. Eu acho que, por muito que uma pessoa não queira, sempre escapa um ou outro. E por vezes acabamos de escrever e já vimos que saiu errado...

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    4. A trampa dos correctores automáticos ajudam a isso... Com a pressa de teclar, por vezes acontece trocar letras, a menos que apareça assinalado nem dou por isso. No Tm então é uma maravilha.
      Mas acho este constante apontar de dedo muito pouco simpático...

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  10. Pois eu acho que esta chamada de atenção só pode vir de uma pessoa muiiiiito inomodada com o post, porque uma vez li um livro policial que ensinava para se descobrir o criminoso, que se devia suspeitar da pessoa que beneficiava com o crime
    Atenção à navegação, só acho e não digo que é certo.

    Dianinha*

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    1. Não seja viperina, não Dianinha? Eu realmente não tenho nada a ver com a sua malapata com a S* e essas insinuações já me cansam, logo a mim que estou a ver se descanso...

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  11. Eu não sou viperina, Devia ser consigo as infâmias que suportei dessa menina a ver se você falava assim.
    Fui difamada e caluniada porque eu sempre lhe disse que não era a inimiga dela e até lhe jurei, e ela nunca parou de me caluniar.

    Dianinha*

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    1. Dianinha, por acaso terá visto E tudo o vento levou? Lembra-se da cena final entre o Rhett Butler e a Scarlet? Lembra-se quando ela lhe pergunta "and I? What will I do?"
      Lembra-se da resposta dele? Pois... é mais ou menos isso que sinto sobre as vossas disputas. O que tiver que dizer à rapariga, é favor dirigir-se ao mail ou blog da mesma. Aqui não, OK?

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  12. Reparei agora neste comentários e há aqui alguma coisa que me está a escapar...
    Porque se sentiria alguém melindrado com este post? Pois que para mim ter brio na casa, "pêlo na venta" e gosto em cuidar bem dos seus só poderão ser qualidades... Digo eu, que também sou uma mulher do norte e estes me parecem uns escritos bem elogiosos até...

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    1. Rixas antigas. Palavra de honra que tenho admiração pela S*, haja pachorra para tanto ataque mesquinho.

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    2. Ah... Deve ser isso então, que este texto está uma delícia e nada "belicoso" (só vê maldade nele quem a quer forçar)...
      Mas nisso da admiração pela fibra da S* estou contigo. Podemo-nos identificar ou não, mas que ela é tesa e guerreia de pé lá isso... :D

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  13. Pipoca, vai-me desculpar a ousadia e interpretação, mas perante a análise que faço ao seu blog, faz-me alguma confusão perceber quando diz que tem admiração pela S*. Percebo que não aceite críticas nos seus comentários, relativamente a terceiros. Mas dizer que admira uma pessoa, que, relativamente ao assunto do Bebé, dissertou o que dissertou, pior, respondeu e argumentou aos comentários que foram feitos de uma forma quase insultuosa.... Não parece nada seu, não parece ter parecenças com o perfil do seu blog. Peço mais uma vez desculpa, pelo abuso de interpretação, mas foi inevitável.Identifico-me em quase tudo que escreve, mas relativamente a este ponto, estou no lado oposto, acho que a pessoa em questão tem uma grande falta de maturidade, para não falar em falta de humanidade que demonstrou relativamente a este assunto do Bebé, não do cão. RCM

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    1. Vamos lá a ver, admirar certas características numa pessoa não quer dizer que subscreva tudo o que diz.
      Admito-lhe a simpatia, tenacidade, boa disposição, paciência, por exemplo. E acho que para vinte e poucos anos até tem bastante maturidade. Não quer dizer que concorde com todos os pontos de vista. O que eu penso do cão está vem explicito no post que saiu hoje.
      Mas por favor vamos encerrar este assunto, muito a S*,é assunto de conversa sem que eu bem perceba porquê.

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  14. A Pipoa não perebe porquê porque não quer perceber, ou está a marimbar-se para os outros como me respondeu com e tudo o vento levou, porque eu ponho aqui uma questão.
    Se o bebé que o cão assassino matou fosse filho da S* ela tomava a mesma posição?
    Era só isso que eu gostava de saber.

    Dianinha*

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    1. Eu estou a marimbar-se é para as disputas pessoais entre bloggers, e especificamente com a S*, pensei que tivesse ficado claro. Qualquer pessoa é livre de discordar das ideias da rapariga, no assunto do cão eu discordo veementemente.
      Mas uma coisa é discordar de um comentário que a S* faça neste blog, outra coisa é fazer insinuações acerca da pequena, quando ela nem comentou nada.
      E aviso que não vou publicar mais comentários sobre a rapariga, este assunto já me está a aborrecer e eu estou de férias, não posso ser aborrecida

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