quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quando todos perdemos

Não ia tecer mais comentários sobre isso das greves, muito já foi escrito mas puxam por mim e em verdade vos digo que sou uma fácil.
A título de introdução, parece-me que a figura da greve está mais que banalizada, nos dias que correm, perdeu o seu carácter de excepção para se tornar um joguete de poder dos sindicatos, os quais são sempre pelo coitadinho do trabalhador, explorado pelo diabo do capitalista. Ainda que o trabalhador seja um preguiçoso e incompetente, só tem direitos, nada de deveres. Quanto a mim a greve deveria ser a excepção, não a regra e deveria ser mais que uma facção política na vã tentativa de fragilização de um governo, seja ele de direita ou socialista.
Posto isto tenho o maior respeito pela profissão de docente, caramba, têm o futuro nas mãos, é a eles que entregamos os nossos filhos, para além da hercúlea tarefa de aturar os paizinhos, quantas vezes tão mais mal educados que os próprios dos filhos. Acho sinceramente que deveriam fazer greve quando os fedelhos os ameaçam, quando os pais dos fedelhos os ameaçam, quando são desterrados sem qualquer consideração pela sua área de residência (a menos que a sua área de residência já se encontre cheia), quando são obrigados a transitar alunos com 4 e 5 negativas, quando estão até dia 31 de Agosto sem saber quando ou onde serão colocados. Deveriam fazer greve quando os obrigam a horas e horas de trabalho burocrático com pouco ou nenhum valor acrescentado, quando os pais fecham as escolas a cadeado, quando coordenadores de escolas têm ainda que leccionar aulas, como se fosse pouco gerir uma escola. Continuariam em greve cada vez que os programas mudam, só porque mudou a cor política, pela continuidade pedagógica, tão importante no 1º ciclo, ou ainda por terem deficientes profundos a frequentar aulas de química de 7º ano, quando na verdade têm uma idade mental de 1º.
Já me custa mais a entender o querer emprego assegurado, em todas as profissões há despedimentos, esta não será excepção, há mais professores que o necessário, não têm de ser os cidadãos a pagar-lhes ordenados para que fiquem em casa, não entendo a relutância passada em ser avaliados, por causa disso temos verdadeiros asnos a leccionar e a tirar lugar a outros mais capazes, o não querer um horário de 40 horas, como os restantes trabalhadores. E não me venham falar dos testes para corrigir ou das reuniões a que têm de ir, um professor de 1º ciclo tem 5.5h de aulas, sendo que uma dessas horas é intervalo para almoço. Sobram 2.5h por dia, sem contar com os períodos de férias em que pura e simplesmente não há aulas. Sobra muito tempo para reuniões, correcções de testes, preparações de aulas e relatórios... ainda lhes sobra tempo para em Julho pouco porem os pés na escola a menos que sejam chamados.
Tal como todas as restantes profissões há prós e contras. Há os preguiçosos e há os que trabalham por 2 ou por 3, que fazem de assistentes sociais, mães e pais, psicólogos e mentores, há os que dão o seu tempo particular para organizar actividades com os miúdos, e há os que metem baixas sucessivas e nem lá põem os pés.
Mas, por muita razão que tenham, não há razão que justifique o terem marcado a greve para um dia de exame nacional. Exame esse que decide o acesso à faculdade de muitos jovens, que foram os maiores prejudicados. O exame de dia 2 não será igual a este, por mais que digam que será de igual dificuldade. Será no máximo parecido. A juntar a isso, o privado em peso fez exame, o que quer dizer que quem paga o ensino saiu favorecido. E isso é tudo menos justo e democrático. Mais, só quem já não se lembra o que é ser estudante e ter um exame determinante, daqueles em que é o tudo ou nada, é que pode dizer que quem está preparado agora, estará preparado daqui a 15 dias. Algum de vocês passou pela pressão de chegar ao liceu sem saber se iria ou não fazer exame? Pois...
E por isso, os textos mi mi mi que vi no facebook a favor dos professores, a puxar ao piegas, não me dizem rigorosamente nada, esta greve mostrou um total desrespeito pela razão de ser dos professores: os próprios alunos. E isso é de uma ironia brilhante. Porque quem quer ser respeitado, respeita.

(e nem vou tecer comentários sobre o dr Mário Nogueira, acredito que ele saiba muito do pcp e dos sindicatos, duvido que saiba alguma coisa sobre os constrangimentos actuais dos professores, ele não é professor há mais de 20 anos).

50 comentários:

  1. Texto perfeito, cara Picante. Ninguém, neste momento, pode achar que merece um lugar seguro. Todos merecemos - mas ninguém o tem. Faz parte da crise que vivemos.

    Por mais que respeite os professores, não consigo engolir essa ideia de que trabalham todos horas e horas em casa, que perdem os fins-de-semana e os feriados todos a preparar testes e exames. Pelo menos, os que eu conheço têm muito tempo livre (ou seja, cumprem as suas horas de trabalho e mais nada). Claro que existem excepções, claro que existem professores que dão horas e horas à casa... mas acredito que sejam isso mesmo, excepções.

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  2. Subscrevo na íntegra...dizem os professores que esta greve no dia do exame resultou da teimosia do governo...pois, mas um teimoso nunca teima sozinho..já fiz um posto sobre o assunto. Sou funcionária pública e também não queria as medidas que me vão ser aplicadas, porque é que os docentes são excepção?

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    1. O exame já estava marcado. Custaria muito terem marcado a greve para outro dia?

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  3. Gostava de saber a tua opinião sobre a greve dos médicos.

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    1. Sou contra a escolha do dia, não sou contra a greve.
      Os médicos, qualquer que seja o dia causam transtornos a alguns, nada a fazer.

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  4. O parêntesis ali abaixo ficou a matar.
    Quem és tu para teceres comentários acerca de Mario Nogueira e dos constrangimentos dos professores? Professora, por acaso?
    Dás uma no cravo e outra na ferradura.
    Enfim.

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    1. Uma cidadã que não gosta de sindicalistas por apenas cumprirem uma agenda política.
      Disse alguma mentira?

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    2. Disseste.
      Se não fossem os sindicatos estaríamos bem pior, acredita!

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    3. Não, não acredito. Eu acredito que os trabalhadores, para além de direitos também têm deveres. Só vejo os sindicatos preocupados com a agenda política sem qualquer preocupação para com o país. E enquanto cidadã que sempre trabalhou, ainda que doente, isso aborrece-me.

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    4. Mais deveres, ainda?!
      Ok. Passamos a ir dar aulas como múmias (isso já acontece a alguns)
      Tenho pena que haja quem não percebe o que, de facto, nos preocupa.

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    5. Oiça, onde é que leu que eu penso que os professores não têm razoes de queixa? Onde é que leu que eu condenava a greve?
      Condeno o dia escolhido e condeno a atitude dos sindicatos ( todos).
      E por muito que lhe custe há professores que não têm qualquer capacidade pedagógica ou emocional para dar aulas. Como há excelentes professores. Os 1ºs têm deveres que não cumprem, claro que têm.

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  5. Muito bem pipoca, muito bem sintetizado. Acho que a questão fundamental é essa.

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  6. No seu entender, e isto não é uma ironia, quando é que seria conveniente os professores marcarem a greve? Quando ela não tivesse impacto? Eu sei, compreendo e aceito as criticas que são feitas aos professores e, acho que os mesmos não conseguiram passar a mensagem adequadamente mas, mesmo assim, as greves, sejam feitas porque sector seja, são feitas para ter impacto senão perdiam razão de ser.Ninguém contesta o direito à greve dos médicos nem dos funcionários do metro, da carris etc, ninguém se preocupa se fica apeado, sem consulta, sem cirugia,sem análises e por aí fora.Os professores são encarados como os maus da fita mas as pessoas, deveriam procurar inteirar-se da realidade das nossas escolas antes de acusarem e serem de uma tremenda injustiça para com esta classe profissional.

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    1. Conheço de perto a realidade de vários docentes e escolas. Acho que algumas das reivindicações são mais que justas.
      Quanto ao dia da greve, poderia ser qualquer um que não coincidisse com os exames de 12º ano. Escolhessem os do 4º ou do 6º. Os do 12º não. São demasiado importantes para demasiados jovens.
      E discordo completamente das greves sucessivas do metro e CP. Qualquer dia mais vale avisarem quando estiverem abertos.

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    2. E pego nesta tua resposta, para dizer que penso exactamente no mesmo... ainda hoje, à hora do almoço, enquanto ouvia o Mario Nogueira falar, pensei o que tu pensaste: os exames de 12 ano CONDICIONAM a ida para a faculdade... Porque é que não fizeram greve nos outros exames? Porque é que adiantaram os exames de 9º por causa da greve geral? A mim ninguem me convence que isto não é tudo um "vamos ver se pega" para evitar ao maximo as entradas no ensino superior (que já se sabe, é para cortar à grande).

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  7. Este texto está excelente! Completamente de acordo. Focas todos os pontos essenciais sem demagogias. Farta do politicamete correcto do facebook. Num dia corre que os portugueses são maltratados e escrevizados, noutro já são os pais das crianças malcriadas que não querem a greve. Cansada de hipocrisia.

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  8. Disclaimer:
    - Já não sou prof. do ensino secundário há alguns anos (nem tenciono voltar a sê-lo).
    -Tenho familiares e amigos que não fizeram o exame de português por os professores estarem de greve (uns ficaram tristes, outros compreenderam e apoiaram).
    -Não reconheço nenhuma autoridade a estes sindicatos para serem a voz da classe.
    -Acho a maior parte dos sindicatos obsoletos.
    -Nunca fiz greve.
    -Acho a banalização da greve atroz, só nos atrasa e só (paradoxalmente) retira poder aos trabalhadores. Deveria ser, sempre, uma medida de excepção e em último recurso.
    -Sou, assumidamente, de direita.
    -Não conheço profundamente as razões de queixa dos professores nem conheço de perto o que se vive actualmente nas escolas. Se for como era “no meu tempo” nada do que os sindicatos apregoam são as reais preocupações dos professores (principalmente dos que, sendo a maioria, não são do quadro e que são aqueles que ganham uma miséria e lhes é exigido que trabalhem como cães com as piores turmas das escolas).

    Posto isto (acho que não me esqueci da nada):

    Não concordo nada com a última parte. Lamento mas não me escandaliza nada o dia escolhido para a greve… Se foi injusto para os meninos, pois claro que foi. Mas alguém lhes disse que a vida era justa? Também lhes fará bem crescerem numa redoma julgando os seus interesses superiores ao dos demais? Não me parece…
    É assim que se cresce, aos tropeções e com privações. Pelo menos levam alguns ensinamentos para a vida (o que não aconteceria se fosse com alunos mais jovens). Não, nem tudo depende do nosso esforço. Sim, há muitas injustiças nesta vida. E sim, a democracia tem custos... e duros!
    Se os meninos com posses fizeram o exame, pois fizeram. Se os que não dependem de transporte públicos nunca perdem um dia de trabalho por causa de uma greve da carris, pois não. Se os que podem ir a consultas ao privado nunca as perdem por causa de greves de médicos, enfermeiros e administrativos como os do público, pois não. E agora? Serão os professores os únicos demónios nisto das greves? Pá... não me parece...

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    1. Concordamos em discordar. Isto decide a entrada para a universidade, não é um simples "tropeção". Acho a escolha do dia muito infeliz.
      Além de perigosa porque agora metade da opinião publica ficou contra os professores.

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    2. E a outra metade a favor.
      Curioso, não é?
      Olhe lá, e desde quando é que a vossa opinião nos interessa? Por acaso põem-nos o comer na mesa? Por acaso tecem-nos elogios quando fazemos das tripas coração para educarmos os vossos filhos e deixarmos os nossos 12 horas seguidas num infantário? Por acaso sabem o que é ter uma turma de 30 alunos? Sabem o que é querer trabalhar e não ter condições? Sabem o que é ter escolhido o ensino por vocação e andar há 20 anos a saltar de escola em escola? Sabem o que é não conseguirmos apoiar um aluno com deficiências porque temos demasiados alunos a pedir-nos ajuda?
      A opinião de quem só nos condena não é válida. É ingratidão, apenas.

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    3. Bem, relativamente à última frase não tenho opinião... Eu tenho muita dificuldade em perceber isto das greves (lembro-me de repente das greves dos trabalhadores da TAP, que está como está, em fins de semana prolongados e até se me seca a garganta).
      De resto, a aleatoriedade já vai tão arrastada neste processo da entrada para a faculdade que não é por se fazer um outro exame que se traz "injustiça" para o caso. Repara: uns têm profs espetaculares, outros uns que são verdadeiros estafermos, uns estudam de dia e de noite para arrancarem um 15 (testes dificeis) outros têm 16 dados (testes de caca), uns têm carradas de aulas de apoio outros trabalham depois das aulas...
      Não há assim tanto drama nisto. É chato pois claro, mas lá está, ninguém lhes disse que isto ia ser fácil. Há que levantar a cabeça, arregaçar as mangas e seguir em frente.

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    4. Só mais uma coisa: o braço de ferro connosco e este governo começou no dia em que o nosso PM mandou os nossos jovens emigrar. Olha, que engraçado! Será o nosso PM professor, também?
      O mesmo governo que manda os jovens emigrarem não adia um dia de exame para nos dar tempo de negociarmos, porque o calendário de exames não o permite. No pp dia do exame, fá-lo na hora!

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    5. No seguimento do raciocínio acima, se eu fosse um jovem estudante, copiava, porque a vida é dos espertos, tentava passar a perna ao outro, porque a vida é injusta e não ajudava ninguém em dificuldades porque cada um por si. Dito desta forma é indecente, não é? Bem me parecia...

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    6. Oh sr. anónimo das 14h25, 14h27, 14h28, está a falar para quem e do quê? Olha que se deve ter engando...

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    7. Caro Anónimo das 14.25 e das 14.27 (assumo que seja a mesma pessoa).
      Pelo que diz assumo que seja professor. Espero sinceramente que nunca leccione a um filho meu, é de professores que confundem verbos com substantivos que os portugueses não precisam.
      As minhas turmas chegavam a ter 33 alunos e nunca vi nenhum professor a morrer por isso. Claro que será mais fácil dar aulas a 25, mas acontece que não é possível porque não há dinheiro. Qual é a dificuldade de entender isso?
      Mas eu nem discordo da greve, acho que têm muitas razoes de queixa, como digo no post. Ora tente lá ler com alguma imparcialidade.
      E se quer saber também discordo da inclusão de NEE, quando os alunos se mostram incapazes de acompanhar o resto da turma. Não há direito de prejudicar 25 por causa de 1, ou de esperar que o docente faça um milagre e se multiplique por 3

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    8. E se for intelectualmente honesto saberá assumir que a porta do exame já estava marcado. Foi a fenprof que marcou a greve para o dia de exame.

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  9. Eu tenho uma opinião divergente, e não sou professora. Sou mãe. Mas não deixo de reconhecer mérito ao teu texto.

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  10. Eu sou contra as greves. Ponto. Sou da geração que sofreu o PREC e os abusos da liberdade. Vou condescendendo e aceitando greves pontuais com causas justas, Numa greve não ganha verdadeiramente ninguém. Quem perde, o País e os portugueses. Exemplifico com as greves nos transportes, sempre depois dos utentes terem já pago os passes socais. Quem nasceu nos anos 50/60 e teve que passar pelo processo de "democratização" nas escolas, em que saneávamos bons professores por serem "reacionários", sabe do que falo. Vimos pessoas boas e competentes ensinar com medo de dizer alguma coisa fascizante que os levassem a ser postos na rua , sem outra razão senão o pseudo-pacto com os ideais do antigo regime. A partir de 77 o ensino tornou-se uma anedota. A partir daí foi sempre a descer... As coisas são como são, e as ideias também. O que eu sei , o que eu vi e que eu vivi dava um calhamaço de muitas páginas, e acreditem, muitas vezes a realidade é bem mais estranha do que a ficção.

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  11. Eu não perdi nada, a minha filha que está em época de exames também não perdeu nada. Nenhum trabalhador perdeu, porque é graças aos sindicatos e grevistas que o país anda para a frente; de outra forma, ainda seriam todos escravos das dondocas como tu.

    (Do Crato nem vou falar, do que ele era (ou falava) e do que é agora.)

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    1. Assino por baixo!

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    2. Claro que perdeu, as greves custam milhões de euros ao país.
      E dondoca porquê? Toda a minha vida trabalhei, até quando estudava, provavelmente trabalhei muito mais horas que o excelso comentador. Nunca fiz greve. Dondoca porquê?

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    3. O pais anda para a frente? De que país está mesmo a falar???!!

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    4. está a falar deste. Podia era reconhecer que o atraso se deve a pessoas como ela que só sabem falar como as catatuas e nada produzem

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    5. Esta não percebi.
      Explique-se, por favor, Pipoca.
      Em que é que nós, professores, prejudicamos o vosso bolso, em dia de greve.
      Pagamos bem cara esta greve! Perdemos o dia, trabalhamos de borla, voltamos lá e adiamos as férias.

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    6. TODAS as greves trazem custos ao país. Não é muito complicado. Ou achará talvez, no meio da sua ingenuidade, que os únicos custos são os dos grevistas que perdem 1 dia de salário?

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    7. Prejudica senhor professor; na medida em que sendo a vossa classe remunerada por nós, vai-nos sobrecarregar o fardo pagar-vos pelos dias de que, por motivos da greve têm justificação,( em vosso entendimento,) necessitarão para revisão e acertos disto e daquilo. Tempo que, de uma maneira ou de outra, será pago sem proveito de ensinamento às crianças.

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    8. Pois engana-se redondamente.
      Para além de perdermos o dia, muitos de nós estavam e estão, ainda, a ensinar as crianças (gratuitamente).
      Se a minha classe é remunerada por si, a sua também o é por nós. A diferença é que, como funcionário público, não posso fugir aos impostos.
      Bem hajam pelo tempo de antena concedido

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    9. Paremos TODAS as greves já e voltemos à ditadura: nada de sindicatos, nada de benesses, só patrões e, obviamente, todos para a cadeia por nos estarmos aqui a pronunciar.
      Força na guerra. Vão longe!

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    10. Agradeça a ela que é a dona disto. Eu só emiti uma opinião.
      Pelos vistos não é só nas suas convicções profissionais que se engana.

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  12. eu estou verdadeiramente cansada. nem é em calhando, é mesmo de facto. e pode não ter nada a ver. ou tudo.

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    1. Já somos duas... Começo a achar que temos o que merecemos e isso é mesmo triste!

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  13. O problema é que muitos professores foram dar aulas porque não tinham lugar em mais lado nenhum. Ainda me lembro quando o pessoal saia da faculdade e ia dar aulas à espera de outra oportunidade e acabavam por ir ficando. Está na hora de separar o trigo do joio. Os bons professores serem valorizados e os maus serem simplesmente corridos. Não há lugares eternos e o lugar de professor não tem que ser automaticamente assegurado, como nenhum outro emprego é, nos dias de hoje.

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  14. "No meu tempo", (há 6 anos atrás), a nota dos exames nacionais não tinha uma valor absolutamente determinante para o acesso à universidade.

    O peso relevante, para efeitos de média era atribuído aos 3 anos de secundário.

    Suponho que agora não seja assim tão diferente.

    Vai daí, o argumento que os alunos, em virtude da pressão exercida, poderão ver as suas classificações prejudicadas, e por consequência o acesso à universidade dificultado,parece-me exagero.

    Por outro lado, um aluno preparado para o exame a determinada data, não vai deixar de o estar,alguns de dias depois.

    Esse argumento a colher procedência, é um motivo para o aluno nem sequer se candidatar ao ensino universitário, pelo menos a alguns cursos.

    Durante a minha licenciatura, em algumas cadeiras, tinha exames escritos, e decorridas duas/três semanas, tinha prova oral obrigatória, a incidir sobre a mesma matéria das provas escritas.

    O grau de preparação tinha de ser o mesmo, e era o que mais faltava argumentar com um "Ai o exame escrito já foi há duas semanas, e agora, olhe, já não estou preparada".

    Resumindo, esta greve foi uma vicissitude, como muitas que terão pela vida fora.

    Ao que parece, o capitalismo continuará beneficiar alguns e a prejudicar outros, mas isso, já são contas de outro rosário.

    E por fim, se alguém tem culpas no cartório, esse alguém é o Governo, que em vez de tentar impedir que a greve se realizasse, invocando os argumentos que atrás refutei, tinha logo reagendado, os exames como agora fez. Simples e eficaz.

    Mas enfim... dividir a opinião pública, criando especialmente a quezília entre trabalhadores privados/ públicos, é o que este governo faz de melhor.

    Todavia aqui fica o presságio: Quando acabar esta "guerrinha", os trabalhadores privados vão perceber que afinal a luta deveria ter passado,.por exigir os mesmo direitos que o sector público, e não o exigir que sector público regrida para ter o mesmo estatuto que o sector privado...

    p.s: não, não sou funcionária pública, sou profissional liberal.


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    1. Se conta para a média, e parece-me que tem um peso de 30% é determinante.
      E a questão é a de igualdade de oportunidades. Não é justo. Mas também é fácil relevar a importância quando não somos nós os atingidos. Mas tem razão a vida não é justa.
      Quanto a isso, dos direitos, convinha perceber que o país está falido. É hora de parar de exigir direitos. O estado não tem obrigação de tomar conta de ninguém. É bom que percebam isto de uma vez e comecem a produzir e a deixar de reclamar. Ou iremos falir de vez.

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    2. Bom, o estado não ter de tomar conta de ninguém, nem 8 nem 80.

      Um Estado Social é de todos os modelos, o preferível e desejável.

      Um Estado, gestor de interesses para/entre os amigos, é que é lamentável, e é o que infelizmente temos.

      E parar de exigir direitos, é aceitar as políticas governativas a eitinho. Sim senhor subam impostos e salvem bancos da falência. Sim senhor despeçam a torto e a direito, mas swaps para a frente... E por ai fora.

      O direito de exigir direitos, passo a redundância, é o mínimo que pode ser feito, por forma a evitar que a situação piore, digo eu.

      Mas enfim, não é este propriamente o tema deste post, e só comentei porque gosto de ir "analisando" opiniões, sendo que as suas, normalmente bem fundamentadas, (independentemente se serem concordes ou não com as minhas) vão despertando a minha atenção.

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    3. Pipoca: Mas nem que façam todos o mesmo exame (ou um dos dois porque também há o da 2ª fase para quem não puder ir ao da 1ª) o acesso à faculdade é justo... Há escolas que dão as notas (e os miúdos vão a exame como notas muito boas), há outras em que o nível de exigência é altíssimo (e os miúdos vão a exame com notas miseráveis porque, paradoxalmente, tiverem o "azar" de ter um prof. muito exigente). Estás a ver o drama da coisa? E como a nota de exame vale menos que a de frequência a melhor preparação dificilmente compensa o desnível de classificação levado até lá. A injustiça por se fazer um exame que não estava calendarizado é irrelevante tendo em conta as injustiças que eles já carregam nas notas até ao 12º. E não me digas que estou a relevar a importância da coisa porque não estou a passar por ela... Não é isso.
      Olha os meus três graus académicos são da melhor universidade (pública) portuguesa na minha área. Quando eu andava a fazer a licenciatura (pré-bolonha – 5 anos de curso) eram dois ou três os colegas que chegavam ao fim com média de 16 e eram alunos brilhantes. Havia na altura um fenómeno muito “engraçado” que era ao fim do 1º ou 2º ano, aí 60% dos que tinham entrado desistiam do curso, grande parte dos quais debandando para universidades privadas (muitos deles depois de andarem ali a mancar 2 ou 3 anos sem conseguirem fazer uma única cadeira). Esses mesmos colegas eram aqueles que nas tais privadas chegavam ao fim com médias de 17 e 18 valores e nos passavam à frente em todos os concursos para o ensino a rir e a cantar…
      Por isso… Fazer um ou outro exame… Pá… Peanuts!

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    4. Isso aconteceu comigo, colegas que só tiravam negativas na minha universidade, mudaram e acabaram os cursos com 16 e 17. Eu esmifrei-me para sair de lá com 15. No final os empregadores souberam reconhecer a diferença, por isso tudo bem.

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    5. O problema é que no ensino o grande empregador é o estado que é cego nessa avaliação... Só conta a nota final... Ponto! Eu, por exemplo, se quisesse voltar a concorrer ao ensino secundário só me contava a nota de licenciatura de há 10 anos... O mestrado e o doutoramento que tenho (na área científica) contam-me zero-zerinho para esse efeito... Será isto justo?? Enfim...

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  15. Anónimo das 13.09 quando falei em tomar conta referia-me a RSI, casas, subsídios por filhos independentemente de as pessoas não terem condições de ter um único, etc. Há por aí muito preguiçoso que vive à custa do sistema. E nós a pagar...
    Não incluo aqui idosos, doentes ou necessidades especiais, que esses até têm bem menos apoio do que merecem.

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  16. Um texto francamente muito bem escrito e com o qual estou inteiramente de acordo. Parabéns.

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