quinta-feira, 2 de maio de 2013

Post para a Izzie que é uma querida apesar disso das coisas lhe subirem ao nariz

Acerca da questão da produtividade público vs. privado, é verdade que não há estudos de produtividade comparativos, provavelmente porque se é fácil medir a produtividade numa empresa privada, tal não sucede com o sector público. 
Mas vejamos, durante anos a fio, o sector público teve um horário laboral mais reduzido que o privado, teve promoções assentes na antiguidade e não em mérito, era visto como um emprego para a vida, grande parte dos trabalhadores não eram avaliados, tinha um "pace" bastante menos acelerado, tinham (têm?) um dia por mês para tratar de assuntos da família, reformas aos 55 anos, era fácil meter uma licença, ainda que sem vencimento. E no privado? Pois, no privado temos avaliações anuais, rotação de postos de trabalho, dias de 12 horas são normais, trabalhar ao fim de semana idem, falta de performance significa estagnação ou despedimento, embora a mesma não implique promoção, licenças de maternidade interrompidas porque é preciso.
Aquilo que a experiência me diz é que se há coisa difícil de implementar é a mudança, de atitudes e mentalidades. Assim sendo não será de estranhar que o sector privado esteja mais imbuído de profissionais mais produtivos, quanto mais não seja porque toda a vida foram obrigados a isso.
Se há calões no privado? De certeza. Se há falta de profissionalismo? Também. Se há quem se mate a trabalhar no público? Idem. Mas estaria capaz de apostar o meu dedo mindinho que a produtividade é bastante superior no privado que no público. Nos dias de hoje, e apesar de todas as mudanças já implementadas.

6 comentários:

  1. Ai caramba, que agora não posso responder como merece, por causa da tal produtividade ;)
    (é que hoje vou sair a horas "normais", para ir tratar de um assunto pessoal)

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  2. Ah ah ah Izzie, alguém tem que contrariar a coisa e provar-me que estou errada.

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  3. Eu não sou funcionária pública, mas trabalho numa instituição pública e vejo de tudo. Desde aqueles que levam trabalho para casa, àqueles que uma hora antes de sair já têm tudo arrumado, meia hora antes já estão no bar, picam o ponto depois da hora e ainda dizem: "nunca consigo sair a horas"! Juro, que já assisti a isto. Até ao supermercado vão na hora de serviço! Salvo as devidas excepções, parece que todos aqueles estereótipos em relação à função pública estão concentrados no meu local de trabalho. Quando olho para eles só penso que aquela gente nunca se ia habituar ao privado...

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  4. Orá cá vai, que hoje até cheguei cedo:
    -Em primeiro lugar, no que estamos de acordo: acho que ninguém se atreve a por em causa que em termos de horários de trabalho, idades de reforma, avaliações, promoções assentes no mérito e não na antiguidade, não há qualquer razão para haver um regime diferente do privado. Mas atenção, há um sector privado que neste aspecto é decalcado da fp: banca. Aliás, tempos houve em que bancários se reformaram com 50 anos, bastava terem 30 e poucos de serviço. E também têm 25 dias de férias.
    - No que respeita a férias, tenho mixed feelings, porque as nossas foram aumentadas em troca de não recebermos aumentos uns anitos. Se me tirarem aqueles diazitos, sinto-me ainda mais roubada.
    - Já agora, que entra de novo tem contrato individual de trabalho, portanto sem aquelas diferenças. E repare-se, já ninguém ganha horas extra há anos. E sim, há quem as faça.

    Agora vamos à vaca fria:
    - é muito complicado medir produtividade, porque muitos dos serviços públicos não são quantificáveis. Ou antes, podem ser quantificados, mas isso implicaria uma certa injustiça, visto que o fim do serviço prestado é o bem estar público. Ex: médicos e professores, deverão ser avaliados em função do nº de doentes vistos ou alunos "passados"? Tenho dúvidas.
    - sou favorável à equiparação dos horários de trabalho mas, como sou xuxialista, não sou de todo favorável a essa ideologia de glorificar jornadas de 12 horas. Não é decente, não contribui para a qualidade de vida, e acaba por ser contraproducente, o pessoal acaba por estar mais tempo a anhar que a produzir.

    De resto, sim, há muita incompetência, muito atavismo que urge combater. A Ana dá ali uns exemplos, há gente que faz favor. Mas o problema tb existe no privado, e muitas vezes é culpa das chefias. Tive um exemplo há pouco tempo de um sujeito que bastou mudar de sala e chefia para passar a trabalhar como deve ser. Há muito nacional-porreirismo em avaliações que devia acabar, porque se há alguém que é mau trabalhador, está a tirar o lugar a alguém que se calhar está desempregado.

    Por fim, acho que não é ao estarmos uns contra os outros que isto muda. É tudo uma questão de cidadania, de as pessoas mudarem mentalidades; um dia vamos lá. O serviço público é, na sua maioria, um produto invisível, as pessoas só se apercebem da falta que faz quando não há. E temos de lutar sim pela racionalização de meios, por melhor serviço, e não sei se isso se faz cavando trincheiras - até porque muitos dos privilégios que apontam à fp são, no fundo, e por comparação, injustiças do sector privado, onde se trabalha precariamente, horas a mais, e por pouco salário. E isso também urge mudar. Lá está, é a esquerda a subir-me ao nariz...

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    1. Concordo com tudo o que dizes izzie

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    2. Izzie, no fundo parece-me que estamos de acordo em quase tudo, excepto no que toca à ideologia, ora pois claro.
      Também não acho que se deva fazer uma guerra público vs privado. Todos nós, à medida das nossas possibilidades teremos de pagar a factura.
      Acho que público e privado deverão ter as mesmas condições, e tão pouco defendo as 12h diárias que se trabalham em muitos lados, a longo prazo não é produtivo e há que haver equilíbrio entre a vida pessoal e laboral.
      Apenas digo que, devido a anos de mentalidade de função pública, grande parte dos funcionários trabalham devagarinho, ou pelo menos mais devagar que no privado. Não defendo que médicos devam ser avaliados em função do nº de doentes vistos, apenas defendo que devam ser avaliados. Sei bem que parte da função pública visa servir, não gera lucro, e como tal não se pode medir produtividades.
      A questão é que o sector privado já se reestruturou, já despediu, já congelou salários (a minha empresa não dá aumentos desde 2008, por exemplo). E o sector público tem de fazer o mesmo porque tal como está não é sustentável. Tem de aprender a trabalhar mais, com menos pessoas, nalguns casos, e terá de pura e simplesmente extinguir uma série de postos de trabalho / institutos que não servem para nada a não ser para empregar amigos, noutros casos. Se um chefe capaz muda muita coisa, também é verdade que não faz milagres quando as pessoas pura e simplesmente não querem trabalhar, se não houver consequências.
      No fundo, o que digo é que o sector público deveria ser gerido como se de privado se tratasse, bom privado, naturalmente, que também há por aí muita incompetência e preguiçoso no privado.

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