segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quando a moral é amoral

Pensando na semana que passou, fico para aqui a pensar se aqueles que são tão lestos a fazer petições,  desculpando um cão assassino, sim que há raças cujos genes estão programados para atacar, não sei se já alguém viu um cão destes a atacar, atira-se directamente ao pescoço das presas, finca-lhes as mandíbulas e depois sacode-as até as estraçalhar por dentro, em tempos tive um rottweiler, era assim que matava os gatos que, inadvertidamente, entravam lá em casa, digo-vos que fazia impressão, nunca fez mal a ninguém, foi devidamente ensinado pela GNR, nós próprios tivemos aulas, ainda assim era preso cada vez que havia estranhos em casa, só eu e o meu pai é que saíamos com ele, morreu de velho, já mal podia andar, assisti ao seu último suspiro e chorei amargamente quando tivemos de lhe dar uma injecção, fazia parte da família e ainda assim não hesitaria em sacrificá-lo se disso dependesse a vida de qualquer outra pessoa, desconhecida ou não. Mas dizia eu que estava aqui a pensar se aqueles que foram tão lestos a defender o pit bull da pena de morte, até me dá vontade de rir usar esta expressão acerca de um cão, foram os mesmos que tão rapidamente crucificaram uma miúda de 25 anos, cujo único pecado é ser tolinha e estar totalmente despreparada para lidar com a exposição. O Dinis morreu, a Pépa deve estar com vergonha até de encarar o senhor do café mas está tudo preocupado com a porra do cão, comparam cães a pessoas, dizem que o cão deve ter tido um motivo para atacar, pedem uma segunda oportunidade e reabilitação. Pardon my french mas vão lá ser radicais e ignorantes para o raio que os parta.

43 comentários:

  1. OH pá, nunca concordei tanto com um post teu.As pessoas confundem muito animais com pessoas. Por mais que gostemos deles, são animais, ponham isso na cabeça.

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  2. Claro que teve um motivo para atacar! Os bebés não têm nada de andar às voltinhas nas suas próprias casas, num ambiente que estupidamente acham seguro.
    Tadinho do cão... entrarem ali assim e perturbarem-lhe o sono...

    Pipoca, olha que tu realmente...

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  3. Bem pensado, melhor escrito, embora eu pense que a morte do cão não será necessária.

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    1. Mandamos o cão para a prisão? Pois se tantos animais inofensivos são abatidos por não haver recursos para os manter, vamos poupar estes?

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  4. Ó Ovelha não é por nada, mas se o cão não for abatido vai para onde? Passar o resto dos dias numa jaula num canil? A não ser que haja alguém que se chegue à frente para adoptá-lo...

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  5. Gosto muito de animais e tenho lá em casa um Gaspar que é como se fosse da família. Mas caramba, estamos a falar de uma vida humana que foi tirada! De uma criança! Claro que a culpa é de quem mete cães dessa raça em casa, mas a verdade é que ele matou a criança. Se fosse um qualquer rafeiro, provavelmente nem lhe fazia nada (o meu primo andava sempre a fazer tropelias a um cão que eu tinha e o pobre do bicho limitava-se a aturá-lo ou a fugir). O que é certo é que o cão matou a criança. Tenho pena que seja abatido, mas é a coisa certa a ser feita. E se não for? Vai ser adoptado? Por uma nova família? E se um dia alguém volta a tropeçar nele?
    As pessoas andam muito confusas da cabecinha... Não sabem ver as verdadeiras prioridades!

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    1. Olá Filipa, que prazer vê-la por cá...

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    2. Pipoca, ando sempre por cá, mesmo quando parece que não.
      ;)

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    3. Folgo em saber Filipa, achava-a mais arredada destas lides, já vi que teve um ano aborrecido. Que este se revele mais interessante.

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  7. Eu não assinei nenhuma petição, porque o que percebo eu destes casos e destes animais? Mas não consigo deixar de questionar se matar o cão é a solução. Parece-me óbvio que o bicho vivia sem condições e como o caso dele há muitos... Enquanto a actuação das autoridades se limitar a eutanasiar os animais, não existindo uma actuação no sentido de se apurarem responsabilidades por parte dos respectivos donos, vamos continuar a ter vítimas...

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    1. A lei deveria mudar urgentemente. Não sei quantos acidentes terão de acontecer até que as pessoas se consciencializem de que estes cães são armas. Não é qualquer pessoa que pode ter um cão destes.

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  8. Não sei se o animal vivia sem condições ou não. Isso não é minimamente relevante. Relevante e indesmentível é que atacou um bebé, provou sangue humano. E poderá voltar a atacar sem qualquer problema, poderá voltar a matar ou a ferir gravemente. Como tal tem de ser abatido para segurança dos humanos.
    Este tipo de cães são perigosos, mais ainda quando são arraçados, como é o caso.
    Ah! e não sei se percebem muito ou pouco de cães, mas o meu rotwailer, o tal que estraçalhava gatos, não fazia mal a gatos bebés. É necessária alguma agressividade para se ferir um bebé. O cão já mostrou que a tem.

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  9. Ao ler o teu post lembrei-me do artigo "O cão que matou a criança e as comparações grotescas" do Daniel Oliveira, embora não gostes dele as vossas opiniões cruzam-se. E sabes, foi insultado e ameaçado por todos os que assinaram a petição contra a morte do animal e ou todos os defensores dos direitos dos animais. Não perceberam nada da mensagem que ele escreveu.
    Sempre gostei de animais e tenho um animal em casa mas caramba, numa situação destas, temos que ser racionais!

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    1. Li a crónica, as pessoas fixaram-se na última frase, mais radical e provocatória, e não se incomodaram em ir mais além. É sempre assim, independentemente do que se escreva, cada um lerá aquilo que quer ler.
      Alguma vez eu iria concordar com o Daniel Oliveira, a próxima deverá ser numa outra encarnação...

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  10. Acho que quem assina a petição o faz, não especificamente por causa deste cão, mas sim por causa da forma leviana com que ainda se decide a vida e a morte de animais domésticos.

    Proponho que esqueçamos por momentos este trágico acidente e façamos um raciocínio mais abrangente:
    Os cães que povoam as nossas cidades, e em alguns casos, as nossas casas, descendem do lobo selvagem, que há mais de 100 000 anos começou a ser domesticado pelo Homem (a data não é consensual, no entanto). As diversas raças que existem hoje em dia não são naturais. Resultam, isso sim, da manipulação humana - os cães potencialmente perigosos, são assim por nossa culpa – a dado momento pareceu-nos vantajoso criar máquinas de matar. Adaptámos e aperfeiçoámos esta espécie animal para servir os nossos próprios interesses (e não faço aqui nenhum juízo de valor), e para nosso próprio proveito.
    No entanto, a domesticação do cão trouxe como consequência a sua descapacitação para sobreviver em meio natural e de forma autónoma. Depende, assim e por nossa própria culpa, totalmente de nós (em sentido lato, obviamente).
    O cão-polícia, é-o graças à “nossa” intervenção. O cão-guia que conduz um cego, é-o graças à “nossa” intervenção. O cão-pastor que guarda o rebanho, é-o graças à “nossa” intervenção. O cão-de-guarda que protege as nossas propriedades, é-o graças à “nossa” intervenção. O caniche-filho-amigo, é-o graças à nossa intervenção.
    O cão faminto e doente com que nos cruzamos abandonado nas ruas, é-o graças à “nossa” intervenção. O cão detentor de umas mandíbulas potencialmente letais, que está dentro de uma casa, é assim e está assim, graças à “nossa” intervenção.

    Se acho mal que um animal mate uma criança? Obviamente que sim. A minha espécie está, e sempre estará em primeiro lugar na minha lista de prioridades.
    Mas isto não implica que as outras formas de vida não mereçam também o meu respeito, e acho que a nossa sociedade tem de começar a reflectir sobre isto. Estes seres vivos, que nasceram porque nós assim quisemos e permitimos, e não porque a natureza assim o ditou (graças à nossa milenar intervenção que alterou o equilíbrio natural) devem merecer o nosso respeito.
    E enquanto não pararmos para pensar um pouco sobre isto, as histórias de Dinizes atacados e mortos por Zicos não deixarão de acontecer, assim como não deixarão de acontecer os pornográficos milhares de abates anuais de cães nos nossos canis, porque alguém decidiu que o cão que tem em casa se devia cruzar com a cadela da vizinha (porque os bebés são tão queridos!), mas depois percebe que não arranja donos para as novas bocas e que a ração anda cara, e então mata-se literalmente o problema. E eu acho que esta palhaçada tem de acabar. Acho que a “vida” em sentido lato, deve merecer o nosso respeito. Acho que os seres vivos que nasceram porque NÓS assim o quisemos , ou porque NÓS assim permitimos, devem ter o direito a viver dignamente.

    Acredito que não temos o direito de decidir pela morte de um ser vivo de forma leviana, sobretudo se essa sentença de morte resultar em primeira instância de um comportamento irresponsável e criminoso da nossa parte.

    E se não conseguimos conviver sem que as carnificinas aconteçam pontualmente, pois que se acabe com a convivência. Esterilizem-se TODOS os cães que connosco coabitam, criem-se reservas naturais como se faz para o lince ibérico, para a águia real ou para o camaleão, e devolva-se ao meio selvagem aqueles que de lá talvez nunca devessem ter saído.

    Mas respeitemos a vida. Sobretudo quando a nossa própria evolução nos permitiu perceber que partilhamos com estes seres, pelo menos de forma parcial, a capacidade de sofrer e de sentir.
    Se este cão não pode ser recuperado? Provavelmente não, não sei. Se a solução é o abate? Talvez. Mas não o façamos de ânimo leve, assobiando e olhando para o lado como se o problema estivesse resolvido, porque fomos nós que o capacitámos para matar, e fomos "nós" que o colocámos nas nossas casas, junto dos nossos bebés. E fomos assim nós que condenámos, logo à partida, esta criança e este animal à morte.

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    1. A quase totalidade dos acontecimentos da terra são responsabilidade do homem, o qual cria animais para abate, que vivem em condições miseráveis. Não é isso que está em questão.
      Mas claro que concordo consigo que os animais devem ser tratados com respeito. Esse respeito não pode é sobrepor-se à segurança do homem. Isso é muito claro para mim.

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    2. E claro que a lei deveria mudar. Os donos fiscalizados e responsabilizados. Certas raças proibidas. Evitar-se-ão muitos acidentes

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    3. Claro que esse respeito não pode sobrepor-se à segurança do homem, também não ponho isso em causa. Só acho que devemos começar a ser um pouco menos levianos em também em questões de "vida ou morte" de animais.

      Susana.

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    4. "Certas raças proibidas". Agora é que disse tudo, Pipoca. Não podia estar mais de acordo consigo. Já há países civilizados em que isso acontece. Por mim, acontecia também em Portugal. Não só por causa deste caso em particular, mas por causa de todos estes casos. E são cada vez mais...

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  11. Não é bem assim, Pipoca; as pessoas lêem o que que foi escrito e nas declarações do Daniel Oliveira está bem explícito que a vida de qualquer ser humano, por mais execrável que seja, merece prioridade sobre a de qualquer animal. Não estou de acordo.
    Não discuto o abate ou não do cão, acho que sim, deve ser abatido porque é um perigo vivo; não discuto a incúria paterna por meter em casa um animal de raça reconhecidamente violenta, ainda que me pareça serem esses progenitores os maiores responsáveis e só discuto as declarações do Daniel de Oliveira, e isto devido ao facto da Pipoca dizer que as pessoas só lêem o que querem ler.
    Há pessoas que o ar que respiram é um crime contra a sociedade e que deveriam estar ou serem mortas na hora. Poderia mostrar-lhe muitos exemplos mas refiro um apenas de recente data. Acha que merece mais viver um qualquer animal ou essa mulher, mãe, que tranca os filhos num quarto e os assa em vida?
    E não me refiro só a cães e gatos, que normalmente são os que coabitam com os humanos, mas à espécie animal selvagem na generalidade.
    E acredite que não falo para não estar calado, mas por conhecimento de causa. Conheço bem os animais na natureza no seu habitat, e os humanos no seu.
    Aos cinco anos conheci os homens, aos sete os animais e daí para cá foi sempre um ver se te avias no adquirir de conhecimentos.

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    1. Não discuto que haja gente que não merece o ar que respira. Ainda assim a decisão de lhes retirar a vida terá que ser a ultima instancia, depois de provado e reprovado que são culpados e não há qualquer reabilitação possível. É diferente mandar abater um animal ou matar um homem. Por mais abjecto que este possa ser. Isto, na minha opinião, não tem discussão possível.

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    2. Felizmente que nem todos são da sua opinião.
      Olhem se pensassem em reabilitar o Bin Laden já não existiam arranha céus na América e hoje seria, seguramente, um povo em vias de extinção

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    3. Eu não disse isso pois não? Onde é que está escrito que eu sou contra os sociopatas serem presos? Eu nem sequer disseque era contra a pena de morte. Apenas disse que é uma decisão diferente da decisão de retirar a vida a um animal.
      Não ponha palavras na minha boca querido Pássaro.

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    4. Ou isso!

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  12. Deixar este cão ao pé duma criança consegue ser igual ou pior que deixar um tio pedófilo a fazer babysitter durante a noite enquanto os papás foram à Opera.

    Choca-me a 'irracionalidade' dos racionais.

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    1. O problema é que muitos dos donos destes cães nem se apercebem de como eles podem ser agressivos. Porque nunca o foram. Um cão destes tem obrigatoriamente de ser treinado, ensinado a não morder a menos que isso lhe seja ordenado. Não está ao alcance de todos. Enquanto a lei não mudar isto continuará a acontecer. E as pessoas continuarão a surpreender-se porque o cão sempre foi meigo. Até ter deixado de o ser.

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  13. Mas olha lá... O que é um 'rotwailer'?

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  14. O namorado tinha um rotty que morreu no ano passado. Dizem que em novo era um cão territorial, eu apenas conheci um cão afável e super meigo. Protector mesmo para comigo... sendo que me via apenas uma vez por mês.

    No que toca ao outro cão, vou poupar o meu latim. Disseste bem, quando um cão quer atacar, morde o pescoço, faz estragos pra lá de grandes. Infelizmente o pequeno bebé não resistiu, mas o cão não tinha o objectivo de o magoar - ou teria morto o bebé na hora. Mas, lá está, cada uma tem a sua opinião e sei que a minha é controversa.

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    1. S* peço desculpa, quando um cão não quer magoar, não magoa. Limita-se a abocanhar sem morder. Toda a minha vida tive cães, de várias raças, todos sem excepção se portavam assim. Um cão sabe bem a diferença entre intimidar e magoar

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    2. É um facto. Mas até a autópsia sair eu fico na dúvida se houve mordedura ou não.

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    3. A autópsia foi feita na quarta-feira passada. Já saiu.

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  15. Mas que comparação alguem vai matar a pepa???!! Para a semana ja ninguem se lembra quem ela é, nem ninguem sabia quem era a personagem. Isso nao interessa nada comparando com ir matar um ser vivo que pode simplesmente ser afastado de estar com uma familia, e ficar à guarda de uma associação e ser reabilitado, e nunca mais conviver com crianças. Ou so deixamos viver os animais perigosos que pagamos bilhete no zoo para os observarmos?!

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    1. Bom ponte de vistas, mas, pergunto-me, sabe o que e'um animal domestico, e a diferença entre estes e os outros, nao sabe?

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    2. Creio que esta nao foi a primeira vez que o cao atacou alguem...

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    3. Sei a diferença por isso acredito que o cao possa ser reabilitado ao contrario dos animais selvagens mas deve permanecer para sempre numa associação sem ser mais adoptado . E se o treinador considerar que será sempre uma animal agressivo que nem numa associação pode ficar aí e so assim acho que devia ser adormecido. So gostava de saber se alguem vai acompanhar esta familia e nao deviam permitir que ela tivesse mais nenhum animal. Mas é mais fácil abater ja ha um culpado e esquecer... A morte do bebe.

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  16. Sigo o seu blog ha algum tempo acho que nunca conheci ninguem com opiniões sobre os temas tao opostas às minhas SEMPRE. Gosto de as ler e comentar porque se trata de um blog e nao nos damos pessoalmente. Mas posso dizer que de facto se conhecesse alguem assim nunca poderia ser meu amigo porque tem que haver alguns pontos em comum. Ainda assim vou continuar a vir aqui espreitar e dar a minha opinião e ler as suas.

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    1. No que acho muito bem, afinal se penssássemos todos igual isto perdia a piada... Mas em havendo educação consegue-se lidar bem com a diferença.
      (Vem cá apenas para ser contrariado?)

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    2. Tire-se ali um s sff, escrever no Tm dá nisto

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  17. Acho que é mais ao contrario afinal eu é que aqui venho para a contrariar... Sempre com educação e civismo.

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