quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

PUF! (ou como a Pipoca explode)

Eu não resisto, eu sei que isto é coisa para o Insensível, eu não tenho nada que ver com estas coisas, mas em verdade vos digo que não me consigo conter, ando aqui às voltas com o mistério dos posts desaparecidos, eles aparecem-me aqui no reader, eu leio, rio à gargalhada, não comento, já sei que o bicho não me publica os comentários, logo a mim que sou tão educada, em verdade vos digo que nunca lhe chamei um nome feio, é que nem burro, não percebo... Será que não gosta de ironia? Será que não a consegue perceber?
Sensível, meu rapaz, eu sei que não lê o meu blog, afinal, além de ser um blog menos conhecido, também é contra os seus valores, mas poderá dizer-me onde foi parar este post que me aparece no reader? Infelizmente perdi a continuação, estou aqui que nem posso, agora já não sei o que deverei fazer quando for a um velório, retive apenas que deveria fazer um ar triste, ordenar a um velho (venha cá ancião) que se inteirasse dos pormenores mais mórbidos da chamada ao reino dos céus, soltar uns monossílabos polissilábicos, embebedar-me com umas cervejolas (pergunta: poderei substituir as cervejolas por Veuve?) e pronto... são horas de ir "há" minha vida que é uma vida extraordinariamente atarefada, ele "à" tantas contas para fazer no excel... É claro que primeiro as faço na calculadora para ter a certeza que o excel não me engana... sim que "hás" tantas ainda dá um crash ao excel e lá se iam as minhas ricas continhas. PUF! Desapareciam....


Adenda: Oferta de um generoso anónimo permite recuperar as regras do bem fazer em qualquer velório.

QUINTA-FEIRA, 3 DE JANEIRO DE 2013

Os velórios e a divina comédia
Parece que desenvolvi uma nova capacidade para 2013. Vou ter de passar a ter mais cuidado sobre aquilo que falo, nomeadamente assuntos como a morte.
Ontem passei a noite num velório do pai de um amigo meu que já não via há algum tempo.
Quando passamos a fasquia dos 30, aumenta consideravelmente a o probabilidade de termos de passar por este género de acontecimentos, não só em relação as nossos familiares como aos dos nossos amigos.

Não deixa de ser curioso observar o que (invariavelmente) acaba por suceder em quase todos os velórios.
Um tipo chega lá consternado com a situação, dá os pêsames à pessoa que nos é mais próxima (neste caso um amigo) e aos seus familiares e fica ali sem saber muito bem o que dizer e o que fazer.
Alguém (normalmente mais velho) encarrega-se de perguntar como tudo aconteceu e lá tem a pessoa que sofreu a perda, de contar aqueles últimos momentos (dolorosos) em que tudo se desencadeou.
As outras pessoas à volta limitam-se a ouvir atentamente e ir soltando monossílabos "coitado", "também estava a sofrer", "foi o mal dele", "não morreu da doença morreu da cura", "foi melhor assim", "ao menos já está em paz"...

Passada esta fase em que já se falou do defunto e se sabe como tudo aconteceu, tem de se arranjar outro assunto de conversa, de preferência que nos faça esquecer o motivo porque ali estamos.
É então que vem aquele tipo de conversa "´É pá, tu estás na mesma! És o único que não estás inchado! Como é que fazes isso? e patati patatá... (e eu a pensar com os meus botões "Pois se soubessem que eu tenho um blogue, tinham lido o post em que escrevi sobre disso...")

Depois vem finalmente aquela fase em que alguém diz ou que tem fome porque ainda não comeu nada, ou que tem sede, ou que precisa de beber um café e se existe ali algum estabelecimento por perto que esteja aberto.
Passado uns minutos, lá estamos todos em amena cavaqueira, a beber uma cervejola e a falar de episódios antigos, de infância e dos tempos de escola "e lembras-te quando aconteceu isto e aquilo?" e blablabla... e no minuto a seguir já está tudo na risota (incluíndo os familiares mais próximos do falecido).
Deixa-se no ar a sugestão para marcação de um jantar para reunir a maior parte da malta.
É então que alguém se lembra que se calhar é melhor voltarmos para o sitio onde está a decorrer o velório e lá vamos nós agora com ar mais animado como se o senhor não tivesse falecido ou então já tivesse ressuscitado.

E é isto. Está feito!
Em suma, os velórios resumem-se a isto: chega-se consternado, fala-se da pessoa que morreu, quebra-se o gelo, recorda-se episódios antigos, fala-se dos actuais empregos, da crise, sugere-se um jantar e depois vai cada um há sua vida.
Publicada por MS em 12:30 Sem comentários:

31 comentários:

  1. Respostas
    1. Acho bem, não me podes roubar o protagonismo. ;)

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    2. Descansai, não roubarei, foi apenas um momento. PUF! Já passou.

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  2. Ainda está em cache no google.

    Oferta:

    QUINTA-FEIRA, 3 DE JANEIRO DE 2013

    Os velórios e a divina comédia
    Parece que desenvolvi uma nova capacidade para 2013. Vou ter de passar a ter mais cuidado sobre aquilo que falo, nomeadamente assuntos como a morte.
    Ontem passei a noite num velório do pai de um amigo meu que já não via há algum tempo.
    Quando passamos a fasquia dos 30, aumenta consideravelmente a o probabilidade de termos de passar por este género de acontecimentos, não só em relação as nossos familiares como aos dos nossos amigos.

    Não deixa de ser curioso observar o que (invariavelmente) acaba por suceder em quase todos os velórios.
    Um tipo chega lá consternado com a situação, dá os pêsames à pessoa que nos é mais próxima (neste caso um amigo) e aos seus familiares e fica ali sem saber muito bem o que dizer e o que fazer.
    Alguém (normalmente mais velho) encarrega-se de perguntar como tudo aconteceu e lá tem a pessoa que sofreu a perda, de contar aqueles últimos momentos (dolorosos) em que tudo se desencadeou.
    As outras pessoas à volta limitam-se a ouvir atentamente e ir soltando monossílabos "coitado", "também estava a sofrer", "foi o mal dele", "não morreu da doença morreu da cura", "foi melhor assim", "ao menos já está em paz"...

    Passada esta fase em que já se falou do defunto e se sabe como tudo aconteceu, tem de se arranjar outro assunto de conversa, de preferência que nos faça esquecer o motivo porque ali estamos.
    É então que vem aquele tipo de conversa "´É pá, tu estás na mesma! És o único que não estás inchado! Como é que fazes isso? e patati patatá... (e eu a pensar com os meus botões "Pois se soubessem que eu tenho um blogue, tinham lido o post em que escrevi sobre disso...")

    Depois vem finalmente aquela fase em que alguém diz ou que tem fome porque ainda não comeu nada, ou que tem sede, ou que precisa de beber um café e se existe ali algum estabelecimento por perto que esteja aberto.
    Passado uns minutos, lá estamos todos em amena cavaqueira, a beber uma cervejola e a falar de episódios antigos, de infância e dos tempos de escola "e lembras-te quando aconteceu isto e aquilo?" e blablabla... e no minuto a seguir já está tudo na risota (incluíndo os familiares mais próximos do falecido).
    Deixa-se no ar a sugestão para marcação de um jantar para reunir a maior parte da malta.
    É então que alguém se lembra que se calhar é melhor voltarmos para o sitio onde está a decorrer o velório e lá vamos nós agora com ar mais animado como se o senhor não tivesse falecido ou então já tivesse ressuscitado.

    E é isto. Está feito!
    Em suma, os velórios resumem-se a isto: chega-se consternado, fala-se da pessoa que morreu, quebra-se o gelo, recorda-se episódios antigos, fala-se dos actuais empregos, da crise, sugere-se um jantar e depois vai cada um há sua vida.
    Publicada por MS em 12:30 Sem comentários:

    Bónus: grande pontapé na gramática na última frase.

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    1. Anónimo, que Deus lhe dê muita saúdinha, sim? Até vou passar isto para o post que era uma pena perder-se. Com sua licença.

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    2. Estou incrédula. Não me ocorre um único monossílabo.

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    3. Oh paciência, eu realmente ando a fazer isso tudo mal. Desconhecia que me deveria embebedar nos velórios...

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    4. Verdade, é grave. Lamento mas não posso corrigir. Obrigada de qualquer forma.

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  3. Monsieur de La Palice iria adorar este rapaz.

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  4. Monsieur de La Palice iria adorar este rapaz.

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  5. Monsieur de La Palice iria adorar este rapaz.

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  6. Brutal!!! Ele "à" cada coisa por "haí"! Bendito anónimo!

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  7. Eu não posso crer que esta pessoa tem mais de 30 anos...

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  8. Isto é tão mau mas tão mau que a única coisa que consigo fazer é rir!

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  9. :DDDDDDDDDDDDDD

    Obrigada Pipoca, fez-se luz no meu lentinho cérebro, até me senti o 'lampadinha'.

    Vocês são incriveis, é muita imaginação, Sensivel, Insensivel, Doce, Picante, não consigo parar de rir. Só a partir de agora vou passar a entender a maioria dos seus posts, porque muitos deles por mais que os lesse ficava de mente vazia :D e pensava para mim mesma what a hell...

    Quanto ao post sobre o velório acredito que até o morto estava incomodado com tantos pobres de espirito à sua volta.

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    1. Carmo, este post foi uma excepção, eu não gosto de gozar assim as pessoas, não é bonito, ser subtil dá bastante mais gozo, mas de facto ando a modos que aborrecida, o rapaz não me publica comentários inofensivos e vai dando umas quantas "directas" para todos lerem
      ( a maioria dos meus posts não são sobre este rapaz...)

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  10. Eu gosto muito de ir a estabelecimentos. Deveras. "Ha" minha maneira, e nao tendo a verve para escrever um post sobre como não inchar (deve ser porque nao sou porco!), aqui deixo do alto do meu ar consternado: que idiota chapado. E um monosilabo

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    1. Idiota mas muito importante (é outro monossílabo)

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    2. Que outros estabelecimentos frequentará? Estou num xitex para saber! E sendo pessoa monossilábica, é idiota suficiente para tambem aplicar a palavra "derivado". Foi ao velorio derivado ao facto de querer ir mamae jolas ao estabelecimento.

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  11. As almas de valores mencionadas
    Que da Ocidental língua Puritana
    Por artes nunca dantes praticadas
    Passaram da gramática a trambolhada.
    Em empenhos separatórios reforçados
    Mais do que subjectivava a mente humana
    E entre gente ignorante decretaram
    Nova língua em que tanto se empenharam

    À cova as memórias insultuosas
    De pretensos mestres que foram inculcando
    A dicção, a retórica e sintaxe suspeitosas
    De África, trouxeram o Kimbundo assimilado
    E mais aqueles que por escritas poderosas
    Se vão da lei do monossílabo escapando
    Pulando, clamarei o todo e não só parte
    Se entretanto, incólume escapar com arte

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  12. Em suma... só me ocorre um monosílabo:
    Ah...

    (oh pah... isto é genial! Deviam afixar este texto à porta das casas mortuárias... para as pessoas se orientarem... :DDDD)

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    1. Ah ah ah ah Palmier não dê ideias ou ainda algum "doudo" o fará, um daqueles a destilar ódio por gente importante

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  13. Senhores isso é bullying na blogosfera!;)

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  14. Gosto especialmente do sentido de oportunidade quando menciona o momento em que toda a gente gaba a elegância do senhor... ou então prefiro a parte em que o defunto afinal não morreu ou ressuscitou... Mas vá, nós também já fomos teenagers...

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