sexta-feira, 9 de novembro de 2012

20 anos a alimentar Portugal

Cara Isabel,
Eu gostaria de lhe agradecer. Nunca usei o banco alimentar, espero vir a precisar de nunca o usar, doei alimentos variadíssimas vezes, já doei  o meu bem mais precioso, tempo, a trabalhar nas vossas fileiras. Não quero saber se conduz um automóvel alemão, afinal eu também gosto deles, não quero saber do seu rendimento mensal, afinal todos recebemos pelo que fazemos, vamos acreditar que a grande maioria merece o que ganha, apenas lhe quero dizer que tem toda a razão, que ricos, médios ou pobres, todos teremos de reaprender a viver no limiar das nossas possibilidades, todos viveremos com menos, afinal o estado leva-nos quase tudo.
Se me permite, Isabel, gostaria de sugerir que não tornasse a usar metáforas. Os Portugueses são estúpidos e não as compreendem, pura e simplesmente focam-se no seu automóvel, no seu ordenado, e não percebem que quando disse "bife" poderia ter dito "telemóvel", "segundo par de sapatos", "arroz de marca", "cinema" ou um sem número de coisas. E agora, Isabel, agora, corre aí uma petição. Caramba Isabel, se tivesse falado comigo poderia ter-lhe dito que existe por aí muito mais miséria que a fome, a miséria de falar mal, a miséria de ser miserável. É um problema do Português, é invejoso, não pode ver nada, adora o coitadinho. Sabe porquê Isabel? Porque o coitadinho é mais pobre que ele... agora se conduz um automóvel como deve ser, se aufere 5000€ por mês, já é um sacana de um chupista, arranjou um tacho à conta dos conhecimentos e um outro sem número de alarvidades. No fundo, Isabel, o Português é um sacana de um invejoso, danado pela puta porra da má língua, uma criança mal educada que acha que o Estado, os contribuintes os mais ricos, qual pai e mãe, têm o dever de tomar conta dele e de providenciar o seu sustento.
Eu, Isabel, se fosse a si, sugeria que os autores da petição, ajudados pelos alarves que falam do seu rendimento, que exigem a sua demissão, e que de certezinha devem estar fartinhos de contribuir para o banco alimentar, o organizassem por uma semana. Uma semana bastaria, Isabel.
Mais uma vez o meu muito obrigada. Não é fácil trabalhar com a miséria humana.

32 comentários:

  1. Não tive grande tempo para ouvir a totalidade das declarações dela, mas acredito piamente que tenham sido deturpadas. É uma mulher que muito respeito. Mania tuga de criticar alguém só porque vive bem...

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  2. Gosto imenso de blogs snob-chics.
    Acho imensa graça ao que dizem.
    Os pobrezinhos devem comer arroz branco, de marca branca.
    Massa (branca)porque enche a barriga.
    Não devem ir ao cinema.
    Comer uma vez ao dia.
    Serzir os fatos e as meias.
    Serem felizes na abundância da caridade das senhoras da melhor sociedade.
    É isso?

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  3. A nossa miséria chega ao ponto de, sentados no sofá, criticar quem tem um emprego e um part-time, quem empreende, quem trabalha 14 horas por dia sem feriados nem fins de semana (porque negócio próprio não permite muitos descansos) e .... o pior de tudo é se esse tal "acumulador de empregos" compra uma camisa nova, isto para já nem falar dum "popó" alemão.
    A isto eu chamaria de inveja amputada, pois na verdade não se inveja tudo, não se inveja o trabalho, o sacrifício e as horas sem dormir, apenas se inveja os dividendos do sacrifício.
    Se eu fosse religioso diria: QUE DEUS TENHA COMPAIXÃO DOS POBRES DE ESPÍRITO!

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  4. Nós sabemos que estamos e ainda vamos ficar mais pobres, teremos que reinventar novos hábitos, e que andámos num despautério, bastava entrar numa loja de bairro para ouvir contar histórias sobre as viagens às caraíbas, e aos brasis, eu conheço gente que tem um plasma em cada assoalhada, mas o que incomoda é “aquela” caridadezinha.. .

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  5. Não.
    Simplesmente devem viver mediante as suas possibilidades e não estar sempre a contar com o crédito, com as ajudas e os subsídios.
    Não tem dinheiro para comprar um carro? Anda de transportes.
    Não tem dinheiro para ir ao cinema? Joga monopólio com os amigos e familiares em casa.
    E querem ver que agora é problema comer arroz branco de marca branca? Comem os pobres e os ricos! APRENDAM A POUPAR E A CONQUISTAR COM O PRÓPRIO ESFORÇO AS VOSSAS METAS! Foi isto que os portugueses desaprenderam... porque se tornou muito mais fácil ir ao Banco para pedir créditos que não podem pagar, ou mesmo levar uma vida que não conseguem sustentar.
    É assim tão dramático a constatação de um facto? É preciso que os Portugueses vivam mediante a sua capacidade. SUA e de mais ninguém.

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  6. Oh Anónimo,
    quando há vontade de dizer mal, lê-se o que se quer ler, ouve-se o que se quer ouvir, não é verdade?
    Eu disse isso, por acaso? A Isabel disse isso por acaso? Não... Apenas foi dito que era necessário reaprender a viver com menos, que há muito desperdício, que há muitas prioridades trocadas. Isso é alguma mentira? Não é.
    TODOS terão de fazer cortes. A Isabel usou o "bife" como metáfora, o exemplo foi infeliz. Acha mesmo que há necessidade de a crucificar por causa disso? Acha mesmo que quem utiliza o banco alimentar para comer estará preocupado com isso?
    Se quiser eu posso levá-lo a visitar bairros degradados, onde as crianças vão para a escola com fome, e também onde os pais dessas crianças têm em casa equipamentos de audio de topo de gama e afins.
    Vamos todos ter de cortar, uns cortarão no arroz, outros no bife, outros nas viagens de férias, mas todos terão de cortar. Foi só isso que disse a Isabel.

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  7. Rosaamarela,
    Discordo. Não é caridadezinha, é um projecto dinamizado pela Isabel, uma ideia que ela pôs em prática e que alimenta milhares de pessoas. São 20 anos de trabalho. Onde é que está a caridadezinha? Juro que não consigo alcançar.

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  8. Vai na blogosfera uma grande confusão, uma coisa é o projecto que ela pós em prática, talvez seja do desconhecimento geral, não é só a recolha/distribuiçãode produtos alimentares, há com algumas empresas a colaboração e oferta de outros produtos.

    E outra coisa é o que ela disse e como o disse.

    Agora mesmo, aqui onde estou, está a decorrer uma ajuda bastante significativa, eu fui das primeiras em divulgar e a colaborar.

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  9. Rosaamarela,
    Eu conheço o projecto a fundo, desde a recolha mediática de alimentos, aos bastidores... toda a logística envolvida, muitas das empresas que ajudam.
    E repito, não vejo nada de mal nas declarações de Isabel a não ser um exemplo infeliz. Acho que ela está a ser crucificada de um modo absurdo por quem nunca mexeu uma palha, por quem nunca fez um centésimo do que ela fez para combater a pobreza.
    E também acho que se ela se deslocasse de fiat punto, se andasse mal vestida, se não ganhasse o que ganha (e que é totalmente merecido) provavelmente não teria tanta crítica. Não será inveja? Falso moralismo? Muito fácil criticar do alto de uma poltrona, sem contudo mexer uma palha para mudar o que está mal. Não consigo ver nada de mal em dizer "vamos ter de reaprender a viver com menos... a evitar o desperdício... a viver de acordo com as nossas possibilidades". Disse "bife", poderia ter dito tm. A minha empregada tem 2. Nunca tem dinheiro para nada. Pede-me sempre o ordenado adiantado. E no entanto farta-se de viajar (apenas mais um exemplo de prioridades trocadas... haverá excepções, gente que não tem mesmo por onde cortar, mas também haverá muita gente assim, a maioria tem por onde cortar).

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  10. Não ponho em causa o projecto, e vou continuar a contribuir para o BA. Dito isto, tenho o direito de achar que sempre que abre a boca a senhora Isabelinha revela uma pobreza iníqua, e ela é que devia começar a poupar palavras.
    E como dirigente de um projecto que visa alimentar quem tem fome, e sabendo-se que cada vez há mais gente nessa situação, era-lhe exigível uma maior noção da realidade, e não transmitir conselhos de uma insensibilidade total, aplicáveis apenas a uma certa faixa da população infelizmente minoritária - por acaso é a minha, e não preciso dos ditos conselhos. A imagem que passou foi de um chá de tias, em que falam dos malandros que vivem do que não têm, os chatos dos pobrezinhos que gastam tudo em vinho, enquanto beberricam o seu marriage e trincam o duchesse.

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  11. Pois eu não gosto dessa mulher. Nunca gostei e, suspeito, nunca virei a gostar. Tem tiques de tiazinha fascista. E se quer ser moralista, que comece pela sua própria casa e ensine os seus filhos a viverem probremente, já que ela, pelos vistos, não consegue.

    Inveja? Já pareces a outra que quando a criticam diz que são invejosos.

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  12. Bom texto!

    Acho que as pessoa não perceberam o que a Isabel quis dizer mas confesso que poderia ter usado outro tipo de palavras. É o único erro que lhe aponto.

    De resto, acho urgente que as pessoas aprendam a viver com aquilo que têm sem acumularem dívidas com coisas de que não precisam.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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  13. Não vejo isso assim Izzie. Eu conheço excessos em todas as classes sociais, do pobrezinho ao podre de rico.
    E não entendo porque raio é que as pessoas que têm dinheiro terão de fingir que não têm, apenas para não afrontar os outros. Eu também terei de cortar. E isso chateia-me. Não vou cortar em bifes, mas vou cortar 1 ida aos alpes suiços. E repito isso chateia-me. Deverei ser apedrejada por não ter de cortar nos bifes ou no arroz?
    Não é só a população minoritária que tem desperdícios. Isso é um facto. Lamento se isso fere susceptibilidades, mas todos terão de se reinventar, cada um à escala das respectivas possibilidades.

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  14. Claro que há excessos em todas as classes. E até vou dizer uma coisa muito politicamente incorrecta: nas classes mais desfavorecidas há excessos gritantes. Eu vou ao supermercado e só me apetece gritar com o conteúdo de carrinhos de pessoas notoriamente remediadas. Mas é um problema formativo e educativo, e neste país não se liga puto a isso.

    Agora isto é outra coisa. Eu não vou cortar em viagens, corto noutras coisas. E faço isso porque tenho margem de manobra, não ganho míseros 600 ou mesmo 800 por mês, não tenho filhos para criar, não contraí empréstimos para pagar casa e carro que na altura podia pagar e agora já não posso. E falar de alto a estas pessoas, e a outras que ainda estão pior, é uma tremenda falta de sensibilidade, que se exigiria de quem comanda um projecto tão válido. É só o que lhe critico, para além da mentalidade aldeã do 'vivemos acima das nossas possibilidades'.

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  15. Ó minha querida Pipoca!
    Como é bonito esse seu mundo.
    Eu conheço o projecto. Eu sou voluntária do projecto.
    Sabe? aqueles que passam horas nos supermercados a arrecadar o que os "pobres" dão para os outros "pobres".
    Eu sei e conheço quem leva "cestas" do banco alimentar contra a fome. SEI.
    A mim, minha querida, não me ensina nada.
    E vou, vou mesmo continuar a trabalhar voluntariamente.
    O ponto nem sequer é esse.
    O ponto é que eu entendi muito bem o que disse a senhora.
    E também entendo muito bem o que diz.
    A dificuldade que deve ser cortar uma semana na neve, a dor que deve sentir.
    Todos temos de definir prioridades, não é?
    Fico feliz que as suas sejam tão fáceis.A sério.

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  16. Izzie,
    Então estamos de acordo. Os maiores excessos (relativos) que vejo, são de pessoas que claramente não têm dinheiro. Apenas têm as prioridades trocadas. Sim, é um processo de (re)educação que demorará anos. As IPSS fazem-no com as crianças, há que mudar mentalidades.
    A escolha das palavras não foi a mais feliz. Mas o que a Isabel disse é verdade. E as verdades cruas doem. Quem não tem dinheiro para pagar o carro, que provavelmente nunca deveria ter sido comprado por passar a viver no limiar dos ganhos, terá de o vender. E isso dói. Mas as pessoas têm de se convencer que não podem estar a pedir ajuda e a andar de automóvel (mero exemplo, ok?).

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  17. Anónima das 13.26h
    Peço desculpa por apenas ter de cortar uma ida aos Alpes. A sério que peço. Ficaria talvez mais feliz se eu tivesse de cortar o Olivier ou a Bica do Sapato ao fim de semana, não é? As compras na Av. da Liberdade... as férias na Quinta do Lago.. Lamento mas por enquanto ainda posso fazer tudo isso, talvez venha o dia em que não possa mas ainda não é hoje. Mas de coração afirmo que me aborrece ter cortado Meribel. Cada um fará os sacrifícios que tem de fazer. Eu não devo nada ao banco, é que nem a casa, portanto basta-me esse sacrifício. E sabe que mais? trabalhei que nem uma moura para isso, eram dias de 24 horas às vezes, namorados para os quais não tinha tempo, aniversários de família comemorados no estrangeiro, enfim prioridades. Cada qual tem as suas, não é verdade? Eu sempre soube gerir bem as minhas, nunca ninguém me deu nada, sempre ganhei tudo o que comprei. Não me envergonha apenas ter de cortar uma ida a Meribel, até me aborrece bastante, que eu gosto de skiar duas vezes por ano. Desculpe não ser um sacrifício tão grande, sim?

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  18. Ora vã lá tod@s (SEM OFENSA) lêr o recado que o Nicolau Santos, deixou no Expresso para D. Isabel e para Frau Angel.

    BfdS

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  19. Sabe o que lhe digo?
    Nem vale a pena.
    Nunca vamos concordar.
    Não é possível.
    Desejo-lhe as maiores felicidades.
    Que toda a sua vida lhe corra bem.
    Que todos os seus sacrifícios sejam recompensados.
    E que este ( o que acima descreve) seja o maior que alguma vez tenha de fazer, sim?

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  20. Se as pessoas vivem nos cús de judas onde a carreira passa duas vezes ao dia e precisam do automóvel para ir trabalhar, DEVEM mantê-lo, e recorrer a ajuda alimentar se necessitarem. Nós não podemos generalizar sobre a bolsa dos outros, e nem temos o direito a fazê-lo, mesmo que se trabalhe voluntariamente em prol dos menos desfavorecidos.

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  21. Ninguém disse o contrário Izzie. Até porque nesse caso o automóvel não será supérfluo mas essencial. Mas talvez possa ser trocado por outro mais económico, partilhar boleias, ou cortar noutra coisa qualquer.

    O que quero dizer é que acho que a maior parte das famílias têm excessos. Que se nos habituarmos a viver sem esses excessos, poderemos ter mais para o essencial. E que o nível de excessos dependerá do orçamento de cada um. E que não são só os ricos que têm excessos, a classe média também os tem e muitos, assim como muitos dos "pobres" também os terão.
    Acho que foi isso que a Isabel quis dizer e acho que tem razão. Foi insensível? Foi. Poderia ter dito as coisas de outra maneira. Mas a verdade é que a verdade dói.

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  22. os portugueses não gostam de ouvir as verdades e os portugueses estão a extremar as suas tendências invejosas e más.
    Não é preciso ser pobrezinho e estar a passar fome, para perceber que os portugueses não sabem fazer sacifícios e que são péssimos gestores apoiados em luxo e ostentação (Freud explica), desde o antigo Império aliás foi isso que levou Portugal à ruina.
    Basta ler a mentalidade da sociedade portuguesa através dos fashion bloggers que proliferam aí que nem cogumelos (a maior parte deles absolutamente ridículos) e dessa gentinha toda que continua a querer fazer uma vida acima das suas possibilidades...consumir, consumir, endividar, endividar para ostentar e só para isso.
    E isto é apenas uma questão de proporcionalidade: nem todos podem ser igual em termos de escalão socio-economico, se os mais abastados dispensam uma ida aos alpes, qual é o problema? inveja??
    obviamente que a classe média (que aspira a classe alta, que cobiça e inveja o poder de compra da mesma, ao ver as condições a piorar, recusa querer ver a realidade, que está a caminho da extinção) é a que se sacrifica mais. São os que terão de fazer as maiores concessões, os maiores sacrifícios, é uma merda? é, claro! mas é a realidade nua e crua.
    os pobrezinhos, is, classe baixa (que aspiram a classe média) serão sempre pobrezinhos e continuarão a sê-lo e sim, viverão numa miséria crescente e alguns passarão fome- o que infelizmente já não é assim tão raro, mas felizmente terão o BA e o trabalho da Isabel nesse sentido (que cruel que os ricos é que geralmente ajudam os pobrezinhos)- mas mesmo assim terão ajudas da segurança social (os impostos que a classe média paga são aplicados neles...qwuem se lixa mesmo mesmo é a classe média, na crise é certinho que quem sai mais prejudicados são eles) e meus queridos, o facto é que Portugal está a caminhar uma situação de insolubilidade financeira e de crise extremada...
    esta, é a verdade nua e crua, mas já sei que não gostam que se aponte o dedo, vejam o que aconteceu à Isabel, essa cabra rica...vão lá enterrar a cabeça na areia, vão.
    A verdade verdadinha é que à classe média custa a abdicar do telemóvel e do Meo e daquela tablet e dos concertos e daquelas botas que a pipoca mais doce postou e das férias e do automóvel que é melhor do que o do ano passado e de tantas coisas a que se habituaram durante o tempo das vacas gordas. os mamones (filhinhos que estão a viver em casa dos pais), esses podem-se queixar e não querem nem saber se os pais fazem mesmo o tal sacrificio do bife, afinal de contas os ténis da Nike que viram na semana passada na montra já estão no armário...para esses é que a vida é dificil e os 600 euros de ordenado uma miséria...

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  23. O que para mim está em causa é que esta senhora tem o emprego que tem à custa da miséria dos outros, se não houvesse fome, ela não ocuparia tal cargo. Asseguro-lhe que, também eu, conheço, por dentro, a instituição em causa e não posso concordar com as declarações da senhora; são, por demais, ofensivas. E considero mesmo que é a pipoca quem as está a ler como lhe aprouve, como lhe fez mais sentido.

    Concordo que este país tem muita gente a viver acima das suas possibilidades e a desdenhar do que ganham os outros, sem, no entanto, nada fazer para mudar a sua situação. Acontece, porém, que não é essa classe social a que mais está a empobrecer, esses, como sempre foram pobres continuam a ter direito às isenções no hospital, às bolsas nas escolas e faculdades (quando e se lá conseguirem chegar), e a tantas outras esmolas, tal como sempre tiveram. Em boa verdade, este tipo de sociedade favorece senhoras como a Sr. Jonet, favorece o poder. Tal como o pão e circo, na Roma antiga. Efectivamente, uma sociedade ignorante, inculta e em que se promove a "vitimização", a caridadezinha, é uma sociedade fácil de dominar e controlar. Acontece que, nos dias duros que correm, é a classe média que mais sofre com a situação política, económica e financeira vigente, são esses novos pobres, são esses os mais recentes clientes da Sr. Jonet, e sim, haverá muita gente a desperdiçar (também nesta classe), contudo, generalizar nunca é bom, muito menos quando se está à frente de uma instituição que, embora não pública, presta serviço à sociedade. São as pessoas da classe média, que muito contribuem para o sucesso da instituição a que preside, que agride com as suas palavras, são aqueles que primeiro cortaram no supérfluo, depois no que poupavam e agora já não tem para o "bife", são os novos pobres, os da fome encapotada, os da fome envergonhada, aqueles que só recorrem em última instância.
    A pipoca, tal como a sra. Jonet, encontra-se completamente desfasada da realidade do país e é isso que me choca.

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  24. CC a classe média é o mexilhão. e quem se lixa é sempre o mexilhão, é a ordem da vida, ou digamos assim, do capitalismo

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  25. CC
    é sempre a classe média quem mais sofre, não há volta a dar ao assunto.
    A questão é que Isabel Jonet poderia estar a trabalhar onde quisesse, ou a fazer compras pelas capitais Europeias. Em vez disso fundou o banco alimentar.
    (acredite que não estou desfasada da realidade, às vezes preferia estar que já vi muita miséria)

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  26. Verdade Xuxi, é a triste verdade. E digo triste, porque acho que grande parte dos problemas do nosso país se devem ao tipo de mentalidade que vigora. Porque os nossos políticos espelham o tipo de mentalidade que vejo, todos os dias, ao meu lado. É, verdadeiramente, triste. Porque acredito e sei que (ainda) há pessoas profundamente boas e competentes neste país.

    Eu também tive que fazer cortes, adaptar a minha realidade, sem grandes dramas, porque nunca experimentei a fome ou o frio, porque, de quando em vez, ainda me permito alguma extravagância, sem que os meus pais ou irmãos sofram com isso (sou estudante universitária, estou mesmo a terminar o meu curso e nunca fui a um grande festival simplesmente porque acho que poupar o dinheiro é o mais seguro, de modo a atingir o tipo de futuro que almejo para mim e para os meus). O que mais me custa é ver que os meus pais trabalham e, neste momento, não recebem a justa remuneração pelo seu esforço, dada a situação actual, não conseguem poupar nem perto do que poupavam, mesmo tendo procedido a muitos cortes profiláticos.

    É como disse, concordo que há muita gente que desperdiça, que devemos mudar a mentalidade de que "se o outro têm, eu tenho que ter mais e melhor, mas sem me esforçar tanto". No entanto, acho que as palavras e a forma como foram proferidas foram demasiado ofensivas. Um pessoa com a sua posição deveria pensar e reflectir antes de falar.

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  27. Isabel não será uma boa comunicadora. Foi infeliz, estamos de acordo.

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  28. opá, mas Portugal não é um país de expressão democrática? não gostaram comam menos (literalmente lol)
    agora chegar ao ponto de fazer petições para que a senhora perca o trabalho que tão bem tem feito?
    opá, é demais, tou farta da merda em que se chafurda nesta blogosfera tuga, mas sobretudo nessa sociedade podre
    é que eu acho engraçado é que as pessoas nem colocam o dedo na ferida nem tentam inteirar-se do curativo... discutem a marca dos pensos rápidos. Vocês têm tudo para o fracasso, lamento informar-vos, mas vocês são o elo mais fraco e infelizmente quem só se vai foder são vocês: os enraivecidos, os frustrados, os injustiçados da classe média. sad but true. Não façam os sacrifícios não, que em breve nem o BA vos vale

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  29. Também falei sobre isso no meu blogue,mete-me nojo e fico envergonhada com o que se passou hoje nas redes sociais. http://mariarabodesaia.blogspot.co.uk/2012/11/os-indignados.html

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  30. "A patética, a atrasada mental, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, devia ser imediatamente despedida e proibida de abrir a boca antes de provocar algum ataque de loucura no povo. Mais deviam lhe retirar todos os salários e as regalias e pô-la a viver a partir de agora do RSI, para se lembrar que não passa de uma simples mortal que um dia a terra há-de comer e apodrecer como uma merda que efectivamente é! Se é doida, então que se vá tratar! Isto, aplica-se igualmente a toda a tropa fandanga que anda a proferir [e fazer] barbaridades do mesmo jaez por tudo quando é canal de tv, talvez para ver se nos colocam depressa na idade da pedra."

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  31. Como será que se despede um voluntário? Alguém que põe em execução um projecto de envergadura brutal, o qual se constitui uma IPSS e se torna seu presidente? O presidente de uma associação apenas responde perante a sua própria assembleia geral. E outra coisinha, também não é remunerado, eu até achava que sim, que Isabel Jonet auferia um salário, disseram-me que não e após uma rápida pesquisa verifiquei isso mesmo. Pasme-se! Isabel Jonet trabalha de borla quando poderia ganhar uma fortuna em qualquer empresa privada. E isso, parecendo que não, deve incomodar muita gente...

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